Marina Dias vence etapa da Copa do Mundo de paraescalada nos EUA


A paulista Marina Dias venceu a etapa de Salt Lake City, nos Estados Unidos, da Copa do Mundo de Paraescalada na classe RP3 (atletas com limitações de alcance, força e potência). Foi a terceira vez que a brasileira conquistou o primeiro lugar na cidade norte-americana, após os triunfos em 2022 e 2023.

Marina já tinha sido a melhor entre as oito atletas que participaram da fase classificatória, na sexta-feira (15). As quatro primeiras avançaram à disputa por medalhas neste sábado (16). Entre as finalistas, somente ela e a norte-americana Nat Vorel chegaram ao topo da parede, mas a brasileira concluiu em menor tempo e garantiu o primeiro lugar. A alemã Lena Schoellig, que alcançou 39 das agarras do muro, completou o pódio.

A escaladora de Taubaté (SP), bicampeã mundial, que tem o lado esquerdo do corpo afetado pela esclerose múltipla, é o principal nome brasileiro na paraescalada. A modalidade que será disputada em uma Paralimpíada pela primeira vez em Los Angeles (Estados Unidos), daqui dois anos. A classe dela, porém, não foi incluída no programa dos Jogos.

Outro brasileiro a chegar ao pódio em Salt Lake City foi Eduardo Schaus, que ficou com o bronze na classe AU2 (atletas amputados ou com função reduzida de membro superior). O paranaense, que nasceu sem a mão direita, alcançou 35 das agarras. A vitória foi do norte-americano Brian Zarzuela, que chegou à 43ª agarra da parede, duas a mais que o alemão Kevin Bartke.

A classe de Eduardo é uma das que serão disputadas nos Jogos de Los Angeles, conforme anúncio do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês) realizado em junho do ano passado. Ao todo, serão oito categorias, quatro por gênero, reunindo atletas com deficiências visuais, de membros superiores e inferiores e alcance e potência.



EBC

Brasil leva dois ouros na Copa do Mundo de canoagem e paracanoagem


O Brasil marcou presença duas vezes no topo do pódio na etapa de Brandemburgo, na Alemanha, da Copa do Mundo de canoagem e paracanoagem. 

Neste sábado (16), o baiano Isaquias Queiroz venceu os 500 metros da categoria C1 (canoa individual), enquanto o sul-mato-grossense Fernando Rufino garantiu o ouro nos 200 m da classe VL2 (canoa para atletas que utilizam braços e troncos para remar).

Dono de cinco medalhas olímpicas, sendo uma dourada, Isaquias, de 32 anos de idade, finalizou os 500 m em 1min52s55, 10 centésimos a frente do chinês Ji Bowen, que o tinha superado na etapa de Szeged, na Hungria, há uma semana. 

E teve dobradinha brasileira no pódio alemão, já que o também baiano Gabriel Assunção, revelação de apenas 20 anos, garantiu o bronze, com tempo de 1min54s60.

Rufino concluiu os 200 m de sua prova em 53s44, com mais de 1 segundo de vantagem para o ucraniano Andrii Kryvchun, que levou a prata. O britânico Edward Clifton completou o pódio. 

O Cowboy de Aço, apelido do canoísta brasileiro, que faz 41 anos no próximo dia 22 e é bicampeão paralímpico, perdeu parte dos movimentos das pernas depois de ser atropelado por um ônibus.


Brandemburgo, 16/05/2026 - Canoista Fernando Rufino participa de prova de canoagem na Copa do Mundo de canoagem.  Foto: Isabella Oliveira/CBCa

Canoísta Fernando Rufino leva ouro na Copa do Mundo de Canoagem – Foto: Isabella Oliveira/CBCa

Mais dois brasileiros foram ao pódio em Brandemburgo. Nos 200 m da classe KL1 (caiaque para atletas com deficiências severas nas pernas e no quadril), Luis Carlos Cardoso chegou em segundo, com tempo de 49s85, superado em quase 2 segundos pelo húngaro Peter Kiss, pentacampeão mundial e duas vezes medalhista de ouro paralímpico. O francês Remy Boulle levou o bronze. 

Natural do Piauí, o canoísta, que era dançarino antes de uma infecção na medula o tornar cadeirante, foi prata nas Paralimpíadas de Tóquio, no Japão, e Paris, na França.

Nos 200 m da classe VL3 (canoa para atletas com grau moderado de comprometimento no tronco e nas pernas), Giovane Vieira de Paula ficou com o bronze, concluindo a prova em 49s. Ele ficou a menos de 15 centésimos do ucraniano Vladyslav Yepifanov (ouro). O britânico Stuart Wood terminou em segundo. 

O paranaense, prata nos Jogos de Paris, teve a perna esquerda amputada devido a um acidente de trem.

Neste domingo (17), o Brasil marca presença em três finais, todas na paracanoagem. 

Às 10h23 (horário de Brasília), a sul-mato-grossense Débora Benevides disputa medalhas nos 200 m da classe VL2. Em seguida, às 10h29, Rufino briga por outro pódio nos 200 m, agora no caiaque (KL2), e o paranaense Flavio Reitz também compete. 

Por fim, às 10h41, será a vez do paranaense Miqueias Rodrigues e do baiano Gabriel Porto nos 200 m da classe KL3 (caiaque para atletas com deficiência moderada de membros inferiores).



EBC

Ateliês de Nise da Silveira completam 80 anos


Experiência pioneira que transformou a história da psiquiatria no Brasil, os ateliês terapêuticos criados por Nise da Silveira completam, neste dia 18 de maio, 80 anos. A proposta era usar atividades artísticas coletivas como alternativas aos eletrochoques, isolamento e lobotomia, métodos predominantes na psiquiatria em 1946, quando foram criados. 

Os ateliês hoje compõem o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro.

Atualmente, o Museu abriga o maior acervo do mundo em seu gênero, com mais de 400 mil obras, sendo 128 mil tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os ateliês da psiquiatra são considerados referência internacional ao substituírem práticas agressivas por uma abordagem baseada na escuta, na expressão criativa e na dignidade humana.

Nascida em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905, Nise Magalhães da Silveira foi uma médica psiquiatra que revolucionou o tratamento mental no Brasil.  Ela morreu em 30 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro. 

Ateliês seguem funcionando

Os ateliês terapêuticos de Nise da Silveira continuam em funcionamento até hoje. Eles se destinam a pessoas que precisam de algum tipo de cuidado. “São pessoas que atravessam dificuldades emocionais e psíquicas, sejam elas temporárias, pontuais ou mais permanentes”, explicou o coordenador de projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, Eurípedes Junior.

O que é produzido nos ateliês do Museu é objeto de estudo e pesquisa, visando “conhecer mais um pouco o mundo interno do ser humano e os processos psíquicos que pertencem a todos nós, independente de doença ou não”, diz Junior. Com isso, o museu abre um grande leque de pesquisa sobre o imaginário, as imagens e o tratamento.


Rio de Janeiro (RJ), 13/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - 80 anos dos ateliês terapêuticos da psiquiatra Nise da Silveira. Foto: Museu de Imagens do Inconsciente/Divulgação

Ateliê do Museu de Imagens do Inconsciente – Foto: Divulgação – Museu de Imagens do Inconsciente

Atualmente, 55 pessoas frequentam os ateliês do MII. As melhoras observadas são muitas, segundo a coordenadora dos ateliês do museu, psicóloga Adriana Lemos.

“Nós temos, inclusive, três clientes que este ano começaram a cursar faculdades”, disse. Dois deles estão na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), cursando museologia e pedagogia, e um no Colégio Pedro II, cursando filosofia.

O trabalho desenvolvido pelos terapeutas do MII proporcionou não só uma estrutura para que eles conseguissem passar nas faculdades, se aproximando cada vez mais do território, mas ainda construindo uma relação familiar mais digna, uma aproximação da família. “É importante que a família esteja mais presente”, afirmou a psicóloga.

Atividades

De acordo com Lemos, atualmente funcionam sete ateliês com atividades expressivas: roda de mulheres, voltado para questões femininas; pintura; cerâmica; ritmologia; corpo e movimento; atividades plásticas; e teatro. Os chamados “clientes”, como preferia Nise da Silveira, dos ateliês do MII são pessoas que frequentam o Sistema Único de Saúde (SUS) como usuários da saúde mental e são encaminhados para as práticas terapêuticas.

Dentro do museu, a atividade proporciona uma nova linguagem, pela especificidade do trabalho direcionado para olhar a relação do mundo interno com o mundo externo. “Principalmente a pintura proporciona que essa linguagem chegue mais ao “cliente”, por conta da falta mesmo da palavra que, muitas vezes, não alcança o tamanho do sofrimento que a pessoa vive”, explicou Lemos.

“Porque não é só um sofrimento psíquico, mas é toda uma vulnerabilidade social que permeia a vida das pessoas que vêm dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), da Clínica da Família, aqui para o museu. Quando esse usuário chega para o museu, a gente passa a se relacionar com ele como cliente, porque é dentro do método da Nise. E com esse olhar da pessoa ser ativa na relação e não passiva”, complementou a psicóloga. 

Lemos informou que o “cliente” é então inserido em uma atividade não indicada pelos profissionais de saúde do museu, mas de sua preferência. “É ele que escolhe a atividade em que quer estar. Através dessa atividade, a gente vai se relacionando ali com a expressão dele, com a linguagem do inconsciente, com o que ele coloca nas imagens, na emoção de lidar com o objeto escolhido para essa expressão”.

Com isso, os profissionais vão também ampliando essa relação terapêutica e contribuindo com a área social do “cliente” e suas vulnerabilidades.

Essência de tudo

O psiquiatra Lula Wanderley trabalhou com Nise da Silveira durante oito anos, na Casa das Palmeiras, desde que chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Pernambuco, em 1976. “Foi uma época muito bonita na minha vida”. Em todo o trabalho que desenvolveu após esse convívio com Nise, Lula Wanderley disse à Agência Brasil sentir muita nostalgia da Casa das Palmeiras.

Idealizada por Nise, a Casa das Palmeiras é uma instituição de reabilitação psiquiátrica com atividades expressivas, terapêuticas ocupacionais, que são realizadas em regime aberto. Ali, Nise da Silveira ia às quintas-feiras para dar supervisão às equipes médicas que trabalhavam no local.

Na avaliação de Lula Wanderley, os ateliês de Nise “são a essência de tudo”. A partir dali, criou-se uma relação humana muito produtiva. “Não acredito que possa haver um tratamento de alguém se não tiver uma relação humana muito genuína, um ambiente plural e criativo em que as pessoas possam desenvolver um convívio terapêutico”.

Outros ateliês

O modelo dos ateliês é replicado também em outros locais. O diretor-geral do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), unidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), Francisco Sayão, assegurou à Agência Brasil que todos os psiquiatras que compartilham as ideias de Nise da Silveira tentam dar sequência ao que ela fez, colocando o que as pessoas sabem em funcionamento nos ateliês de tratamento.

Segundo Sayão, nos ateliês em funcionamento no CPRJ, criados seguindo o modelo de Nise da Silveira, ele constata que o paciente é o protagonista do que está fazendo.

Um desses pacientes artistas é Israel Alves Correia, conhecido pelos dragões que confecciona no ateliê de arte e que ele mesmo foi desenvolvendo a partir de materiais diversos, como embalagens, vidros de shampoo, joelhos de PVC, entre outros.

Israel informou à Agência Brasil que durante 18 anos construiu cabeças de boi, berrantes, mas acabou optando por criar dragões. Uma de suas inspirações foram as obras de barro de Mestre Vitalino. Israel trabalha com durepox (massa epóxi bicomponente de alta resistência e secagem rápida) e não tem intenção de realizar uma exposição de suas obras, nem de vender. “Não vendo nada do que é meu. Quem quiser ver meus trabalhos venha aqui”, diz. 


Rio de Janeiro (RJ), 14/05/2026 - FOTO DE ARQUIVO - 80 anos dos ateliês terapêuticos da psiquiatra Nise da Silveira. Israel Alves Correia e seus dragões. Foto: CPRJ/Divulgação

Israel Alves Correia e seus dragões – Foto: CPRJ/Divulgação

Protagonismo e cuidados

A terapeuta ocupacional do CPRJ Eni Nascimento considera os ateliês de Nise da Silveira um ancoradouro. “O paciente se ancora nesse fazer que a arte permite e ele consegue transitar entre esse espaço da loucura e da sanidade com bastante segurança, fazendo coisas que, se não houvesse esses espaços, a gente não conseguiria”, disse à Agência Brasil.

Eni destacou o que considera um “insight” da dra. Nise. “Já naquela época, ela via possibilidades desse sujeito produzir, se mostrar de uma maneira bem bacana. Para mim, os ateliês são espaços de ancoragem dessa clientela de saúde mental, que encontra ali possibilidade de circular entre o espaço da sanidade e o espaço da loucura”.

Os “clientes” desenvolvem trabalhos que se destacam pela delicadeza e cuidado. Eni citou o caso de Israel Alves Correia, considerado um paciente gravíssimo, com histórico bem difícil e em que, no momento em que está produzindo no ateliê de arte, “não existe loucura”. Todo o projeto foi desenvolvido por ele.

No CPRJ, além do ateliê de arte, que engloba pintura e escultura, funciona o ateliê de bordado. Nesses espaços, não existe diálogo de doenças, mas de cuidado, e isso surte um efeito muito grande e acaba dando sentido para a vida das pessoas que participam. “Para mim, tudo que eu vejo hoje na prática são referências da dra. Nise. Um retrato bordado da médica psiquiatra foi confeccionado no ateliê, em março deste ano, junto com os de outras mulheres consideradas referência no país.

Público

Os 80 anos dos ateliês terapêuticos criados pela doutora Nise da Silveira serão comemorados pelo MII ao longo deste ano, com atividades gratuitas, cujo início está marcado para o próximo dia 18, durante a 24ª Semana Nacional de Museus, que se estenderá até o dia 24 deste mês. 

A semana é promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com apoio do banco Itaú, e tem como tema Museus: unindo um mundo dividido. A comemoração dos 80 anos dos ateliês terapêuticos de Nise da Silveira é simbólica, porque 18 de maio marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e 20 de maio foi a fundação do Museu de Imagens do Inconsciente (MII).

Dentro das comemorações dos 80 anos dos ateliês terapêuticos de Nise da Silveira, serão abertos ao público uma vez por mês. “Para que o público possa participar dessa experiência de criação livre, espontânea, dentro de um ambiente de acolhimento e de liberdade de expressão”, destacou Eurípedes Junior

O primeiro ateliê aberto está programado para o dia 23.

Durante o ano todo, em cada mês, o processo se repetirá com ateliês abertos de cada especialidade, sendo o de pintura o mais antigo e carro-chefe, revelando grandes talentos, pessoas que utilizaram sua criatividade para encontrar um caminho de vida, de sobrevivência no mundo, como ressaltou Eurípedes Junior.

Programação

As comemorações incluem o fórum científico batizado A Emoção de Lidar – 80 anos da terapêutica segundo Nise da Silveira, organizado pelo Grupo de Estudos do Museu, criado pela própria Nise em 1968 e que continua funcionando até hoje.

A Emoção de Lidar foi o nome dado pela psiquiatra para identificar seu método terapêutico, copiado de expressão usada em poema por um de seus pacientes, ou “clientes”, como ela preferia chamar, da Casa das Palmeiras.

A programação inclui ainda, entre outros eventos, a exposição Geometria e Cor, de Manoel Godin, artista contemporâneo do ateliê; lançamento do documentário Um caminho para o infinito: Emygdio de Barros, com texto e roteiro de Nise da Silveira e direção de Luiz Carlos Mello. 

O filme narra a trajetória de Emygdio de Barros, considerado um dos maiores nomes da arte revelado nos ateliês da médica psiquiatra.

O Museu de Imagens do Inconsciente está fechando ainda parcerias no exterior para publicação de livros de Nise da Silveira em inglês, francês e espanhol. Vários projetos estão em andamento com esse objetivo de internacionalização do trabalho da médica psiquiatra brasileira. 

O museu está também estreitando laços com instituições que já desenvolvem ateliês terapêuticos e querem fazer intercâmbio, de modo a formar uma grande rede de cuidados com essa prática. Outros querem implantar a teoria e a prática de Nise da Silveira, adaptando-as a seus países, para fazer frente aos tratamentos tradicionais que não atendem mais a modernidade.

Em paralelo, a Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente está fazendo um grande esforço ainda para disseminação do conhecimento resultante dos resultados das pesquisas da médica no meio acadêmico, por meio de cursos de extensão e pós-graduação.

A meta é que a psiquiatra seja mais estudada, além do nível simbólico da luta antimanicomial que representa. “A gente quer que as ideias dela penetrem no campo da saúde mental, da psicologia, da psiquiatria e das humanidades em geral”, afirmou Eurípedes Junior. 

A programação disponível pode ser conferida aqui



EBC

Sabesp suspende obras que possam interferir em rede de gás


A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) decidiu paralisar temporariamente todas as obras que estiverem sendo realizadas nas ruas e espaços públicos e que possam interferir diretamente nas redes do sistema público de gás. Segundo a companhia, inicialmente a paralisação será por um período de 15 dias.

Segundo a Sabesp, a medida amplia o escopo da suspensão, que antes estava restrita às intervenções realizadas por método não destrutivo.

“A decisão tem caráter preventivo e busca reforçar a segurança operacional, permitindo a revisão dos procedimentos técnicos, protocolos de atuação e fluxos operacionais aplicados nas obras executadas pela companhia, além da elaboração de medidas adicionais de controle e mitigação de riscos”, escreveu a Sabesp em nota.

A medida foi anunciada após explosão no bairro do Jaguaré, na zona oeste paulistana, que provocou duas mortes. Na última segunda-feira (11), a Sabesp realizava obras que atingiram uma tubulação de gás. Horas depois, houve a explosão que atingiu e danificou dezenas de casas.

Na manhã de hoje (16), o governo de São Paulo informou que as reformas já haviam sido iniciadas em 45 dos imóveis que sofreram avarias leves por causa da explosão. Outros 16 imóveis foram interditados. O governo informou ainda que 589 pessoas foram cadastradas para receber o auxílio emergencial para despesas imediatas.



EBC

China diz que acordos firmados em visita de Trump são “preliminares”


O Ministério do Comércio da China descreveu neste sábado como “preliminares” os acordos tarifários, agrícolas e aeronáuticos firmados durante a visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, nesta semana.

Trump deixou Pequim nessa sexta-feira (15), depois de dois dias de conversas com o presidente Xi Jinping, que se caracterizaram pela pompa e pela retórica calorosa, mas com detalhes limitados sobre resultados concretos em termos de comércio e investimento.

Em declaração em seu site, o ministério informou que os dois lados concordaram em estabelecer um conselho de investimentos e um conselho de comércio para negociar reduções tarifárias recíprocas e específicas de produtos, bem como cortes mais amplos em produtos não especificados, incluindo os agrícolas.

Também com relação à agricultura, Pequim disse que os dois lados trabalhariam para resolver barreiras não tarifárias e questões de acesso ao mercado.

“O lado norte-americano promoverá ativamente a resolução das preocupações de longa data da China com relação à detenção automática de produtos lácteos e aquáticos, às exportações de bonsai em meios de cultivo para os EUA e ao reconhecimento da província de Shandong como área livre de gripe aviária”, disse o ministério.

“O lado chinês também promoverá ativamente a resolução das preocupações dos EUA em relação ao registro de instalações de carne bovina e às exportações de carne de aves de alguns estados norte-americanos para a China”, acrescentou.

O ministério não identificou as empresas, nem forneceu detalhes sobre volumes, valores ou cronogramas.

*(Edição de Mark Potter)

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EBC

Cordão da Mentira faz ato na Paulista para lembrar Crimes de Maio


Um ato na tarde deste sábado (16) na Avenida Paulista, em São Paulo, relembrou os 20 anos dos chamados Crimes de Maio, uma série de ataques realizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e que terminou com uma grande retaliação policial, resultando em mais de 500 mortos em todo o estado de São Paulo. Grande parte dessas mortes ocorreu com indícios de execução praticada por policiais.

Com muito batuque e música, o ato foi promovido pelo Movimento Mães de Maio e pelo Cordão da Mentira, um cordão carnavalesco que surgiu em 2012 como uma forma de escracho e de denúncia para questionar as violações de direitos promovidas pela ditadura civil-militar.

Além de denunciar a impunidade dos Crimes de Maio, o ato também reuniu diversos palestinos que protestavam contra a Catástrofe Palestina (Nakba), que completou 78 anos. A Nakba se refere ao deslocamento forçado de palestinos durante a criação do Estado de Israel. 


São Paulo (SP), 16/05/2026 - Cordão da Mentira faz ato na Paulista para lembrar Crimes de Maio e cobrar por justiça. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil

Mães de Maio participam da manifestação Cordão da Mentira na Avenida Paulista para lembrar Crimes de Maio – Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil

Tradicionalmente, o Cordão da Mentira sempre sai às ruas no dia 1º de abril para destacar o dia da mentira que sucedeu o golpe de 64. No entanto, para relembrar os 20 anos dos Crimes de Maio que seguem sem responsabilizações, o Cordão decidiu sair mais uma vez às ruas neste ano. 

“Nosso cortejo é denúncia, é memória viva, é grito coletivo contra o esquecimento e a injustiça. Porque lembrar é enfrentar e ocupar as ruas e romper com a mentira”, diz comunicado sobre o ato publicado nas redes sociais.

“O Cordão da Mentira é um bloco carnavalesco que sai todo dia 1º de abril, Dia da Mentira, dia do golpe de 64, para falar sobre a violência do Estado do passado e do presente. Ele começou numa roda de samba, quando vários sambistas começaram a perceber que várias pessoas que participaram da repressão participavam de seus espaços”, contou Thiago Mendonça, diretor de cinema e um dos coordenadores do Cordão da Mentira.

Desde que o Cordão da Mentira teve início, ele sempre contou com a presença do Movimento Mães de Maio, movimento que foi fundado pelas mães de vítimas dos Crimes de Maio. 

“Elas são as madrinhas do Cordão e puxam o ato. Elas sempre estão à frente do Cordão. Para nós, esse é um dos movimentos de direitos humanos mais importantes do país”, ressaltou Mendonça.

Este ano, o Cordão da Mentira e as Mães de Maio decidiram unificar o ato com a luta palestina. 

“Resolvemos unificar o ato pensando que a estrutura toda de repressão de Israel se reflete também na nessa máquina de moer gente que é a polícia brasileira”, disse Mendonça. 

Presente ao ato, a fundadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria da Silva, ressaltou a importância do ato. 

“O Cordão da Mentira é a alma do Movimento Mães de Maio. É através dele que a gente consegue ter combustível para seguir a luta o ano inteiro. O Cordão nos abraça. E ele escracha o que a gente vem denunciando. Ele também serve para a gente ter consciência de que a ditadura não acabou”, afirmou.

Assim como outras mães que participaram do ato, Debora é mãe de uma vítima da violência de Estado. Seu filho, o jovem Edson Rogério Silva, foi morto pela polícia durante os Crimes de Maio. 

“Também estamos aqui pela causa palestina porque a bala que cai lá também cai aqui. A bala que mata lá também mata aqui, na nossa periferia”, ressaltou Débora. 

Crimes de Maio

Pelo menos 564 pessoas foram mortas durante as ondas de ataques ocorridos durante os Crimes de Maio, apontou o relatório Análise dos Impactos dos Ataques do PCC em São Paulo em maio de 2006, divulgado pelo Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 


São Paulo (SP), 16/05/2026 - Cordão da Mentira faz ato na Paulista para lembrar Crimes de Maio e cobrar por justiça. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil

Cordão da Mentira faz ato na Paulista – Foto : Elaine Cruz/Agência Brasil

Segundo o documento, 505 dos mortos eram civis e 59 agentes públicos, grande parte deles negros, jovens e pobres. Ainda de acordo com o relatório, há suspeita da participação de policiais em pelo menos 122 dessas execuções.

“Os Crimes de Maio são muito simbólicos, primeiro por causa do tamanho do crime. São mais de 500 jovens assassinados em duas semanas. Esse é um dos maiores massacres urbanos da história do país. Além disso, esse ano temos mais de 60 mães de vítimas de violência do Brasil inteiro compondo o Cordão. A gente acha que essa é uma questão central para discutirmos o país que a gente quer”, disse Mendonça. 

O ato teve início no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e seguirá em caminhada até o Al Janiah, um restaurante e centro cultural palestino, que fica na região do Bixiga, no centro da capital paulista.



EBC

Em ação com a Interpol, PF prende em Dubai hacker do caso Banco Master


A Polícia Federal (PF) prendeu hoje (16) o hacker Victor Lima Sedlmaier, um dos investigados na Operação Compliance Zero, que apura o escândalo financeiro bilionário envolvendo o Banco Master e seu ex-dono Daniel Vorcaro. 

O hacker era considerado foragido da Justiça já que havia um mandado de prisão contra ele expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi capturado em Dubai, em uma ação conjunta da PF, da Interpol e da polícia local.

Em nota, a PF disse que acionou mecanismos de cooperação policial internacional junto às autoridades dos Emirados Árabes Unidos onde o hacker tentava entrar.

“A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil”, disse a PF em nota.

Investigado no âmbito da 6ª fase da Operação Compliance Zero, Seldmaier foi preso após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Desencadeada na quinta-feira (14), a 6ª fase da Operação Compliance Zero prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele desempenhava papel central no gerenciamento do grupo denominado A Turma, apontado como milícia pessoal do ex-banqueiro. 

Os principais alvos da última fase da operação foram os grupos denominados A Turma e Os Meninos. Segundo relatório encaminhado pela PF ao STF, ambos eram formados por agentes que realizavam ações de monitoramento e intimidação de desafetos de Henrique e Daniel Vorcaro. 

No caso de Seldmaier, ele é suspeito de integrar o grupo Os meninos, especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal, atuando em benefício de Daniel Vorcaro.

“Em síntese, o que se extrai, nesta fase, é que HENRIQUE MOURA VORCARO não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos da Turma, mas os solicitava, os fomentava financeiramente e permanecia em contato com seus operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações, revelando vínculo funcional intenso, contemporâneo e indispensável à manutenção do grupo criminoso”, descreve o ministro do STF André Mendonça, que autorizou a prisão. 

A existência dessa milícia pessoal foi descoberta pela PF a partir de mensagens extraídas do celular do próprio Vorcaro.

As evidências sobre as atividades ilícitas do grupo se avolumaram com o avanço das investigações, incluindo conversas obtidas no celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que foi preso no dia 4 de março na 3ª fase na Operação Compliance Zero, em Belo Horizonte. Por determinação da Justiça, ele foi transferido do sistema prisional em Minas Gerais para uma penitenciária federal de segurança máxima, dado seu protagonismo e ingerência sobre A Turma.  



EBC

Bahia decide no 1º tempo e vence o Inter pelo Brasileirão Feminino


Em confronto direto por um lugar entre os quatro melhores times da Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol, melhor para o Bahia. Neste sábado (16), as Mulheres de Aço derrotaram o Internacional por 3 a 0 na Arena Cajueiro, em Feira de Santana (BA), pela 11ª rodada da competição. A TV Brasil transmitiu o duelo ao vivo.

O Tricolor baiano, que não vencia há três partidas, chegou aos mesmos 20 pontos das Gurias Coloradas, ficando à frente, em quarto lugar, pelo melhor saldo de gols. As gaúchas, agora na quinta posição, tiveram encerrada uma sequência de quatro triunfos consecutivos.

O Bahia esbanjou eficiência no primeiro tempo. Aos 15 minutos, a meia Raquel recebeu da atacante Cássia na área, escapou da marcação da volante Myka e mandou para as redes, abrindo o placar para as donas da casa. Aos 31, o Internacional balançou as redes com Sole Jaimes, após cobrança de escanteio da também atacante Darlene, mas o gol foi anulado por falta no lance.

Seis minutos depois, as Mulheres de Aço ampliaram. A lateral Carol Martins lançou na área e a atacante Wendy Carballo se antecipou à defesa e cabeceou por cima da goleira Gabi Barbieri. Já nos acréscimos, a zagueira Débora derrubou a meia Ângela Gómez na área. Pênalti, que Cássia converteu.

Pouco antes do intervalo, Carol Martins recebeu o segundo amarelo após falta na atacante Aninha e foi expulsa. Mesmo assim, o Bahia não abdicou do ataque e quase ampliou. Aos quatro minutos, a zagueira Tchula, de cabeça, acertou o travessão. Aos 29, em contra-ataque veloz, Cássia recebeu livre na entrada da área e finalizou para boa defesa de Gabi Barbieri, no canto direito. O Inter, apesar da superioridade numérica, pouco assustou.

Outros dois jogos movimentaram o Brasileirão Feminino neste sábado. No clássico mineiro da rodada, o Atlético-MG venceu o América-MG por 2 a 0 na Arena Gregorão, em Contagem (MG). As atacantes Thalita e Pimenta marcaram para as Vingadoras, que foram a 12 pontos, na 13ª posição. As Spartanas, com três pontos, ocupam o 17º e penúltimo lugar, abrindo a zona de rebaixamento à Série A2 (segunda divisão).

O Grêmio superou o Mixto por 3 a 0 no Passo d’Areia, em Porto Alegre. A zagueira Mónica Ramos, a atacante Giovaninha e a meia Camila Pini fizeram os gols das Mosqueteiras, que chegaram aos 16 pontos, assumindo provisoriamente o oitavo lugar, fechando a zona de classificação às quartas de final. As Tigresas permanecem em 15º, com sete pontos.

A 11ª rodada teve início na sexta-feira (15), com a vitória do Flamengo no clássico com o Fluminense, por 1 a 0, no Estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro. Aniversariante do dia, a atacante Cristiane, agora com 40 anos de idade, decretou o triunfo do Rubro-Negro, que subiu para sexto, com 19 pontos. O Tricolor, com 15 pontos, está em décimo.



EBC

Ícone do rádio esportivo mineiro, Milton Naves morre aos 70 anos


Um dos mais importantes nomes do rádio esportivo de Minas Gerais, o narrador e apresentador Milton Naves morreu neste sábado (16), aos 70 anos de idade. A família confirmou a morte com uma publicação no perfil do profissional na rede social X, sem revelar a causa.

Segundo a Rádio Itatiaia, veículo onde ele trabalhou por quatro décadas, o velório ocorre no Funeral House, na Avenida Afonso Pena, 2158, bairro Funcionários, em Belo Horizonte, até as 19h (horário de Brasília) deste sábado. O corpo será cremado.

Nascido em Ilicínea, Minas Gerais, a cerca de 330 quilômetros da capital mineira, em 26 de dezembro de 1955, Milton Amaral Naves se mudou, ainda na infância, para Alfenas, também no sul de Minas Gerais. Lá, realizou o sonho de se tornar narrador esportivo aos 17 anos, pela Rádio Cultura. A primeira transmissão foi um jogo entre Flamengo e Caldense, por um torneio amistoso que marcou a inauguração do Estádio Francisco Leite Vilela, em 1977.

Dois anos depois, foi para a Rádio Guarani, de Belo Horizonte, chegando em seguida à Itatiaia, aos 21 anos, onde consagrou o bordão Show de Bola. Abria as transmissões dizendo: “Estou fazendo o que gosto, transmitindo um jogo de bola”.

Pela emissora mineira, trabalhou em 13 Copas América e nove Copas do Mundo, sendo a primeira em 1982 e última em 2018. Cobriu seis finais. Uma delas a do pentacampeonato mundial da seleção brasileira, em 2002, no Japão. Narrou, também, a conquista do ouro olímpico do futebol masculino nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Além disso, foi apresentador do Rádio Esportes, programa esportivo da hora do almoço, até 2022.

Por meio das redes sociais, os três principais clubes de futebol de Minas Gerais manifestaram pesar pelo falecimento de Milton. Tanto Cruzeiro como Atlético-MG destacaram que o profissional foi voz presente na cobertura dos times. Já o América-MG ressaltou que o apresentador eternizou “momentos inesquecíveis” da história, citando a narração do gol que decretou a conquista do título brasileiro da Série B em 1997.




EBC

Alison dos Santos abre Diamond League vencendo recordista mundial


A primeira etapa da Diamond League (Liga Diamante, na tradução livre do inglês), principal circuito mundial de atletismo, teve dobradinha brasileira no pódio de Xangai, na China. Neste sábado (16), o paulista Alison dos Santos, o Piu, venceu a prova dos 300 metros (m) com barreiras, com o cearense Matheus Lima chegando na terceira posição.

Alison concluiu a distância – que tem 100 metros a menos que a praticada na Olimpíada – em 33s01, superando em quatro centésimos o norueguês Karsten Warholm, recordista mundial dos 400 m com barreiras. A marca é a melhor do ano até o momento. Matheus completou o pódio em 33s75.

“Eu senti que estava correndo rápido e que o Karsten estava ali. Acho que isso me deixa bem preparado para o restante da temporada, mostra que o trabalho de velocidade está dando resultado e que eu posso entregar desempenho”, disse Piu, que é medalhista olímpico de bronze e campeão mundial dos 400 m com barreiras, em depoimento à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

“Competir contra os melhores do mundo, como o Piu e o Warholm, motiva a melhorar a cada dia. Eu me senti forte hoje, com um bom ritmo e executei o que estava planejado para a prova”, destacou Matheus, também à comunicação da CBAt.

A próxima etapa da Diamond League será novamente na China, na cidade de Xiamen. No próximo sábado (23), Piu e Matheus estarão na disputa dos 400 m com barreiras.



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