Número de pessoas mortas a bala cresce 44,2% no Rio após mega operação


Entre 28 de outubro do ano passado e 28 de janeiro deste ano, 329 pessoas foram mortas por armas de fogo na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que engloba 22 municípios no total: a capital, os municípios do leste metropolitano e a baixada fluminense.

O número supera em 44,2% (101 casos) o total de mortes a tiro ocorridas no mesmo período dos anos anteriores (28 de outubro de 2024 a 28 de janeiro de 2025), quando 228 pessoas foram mortas.

Em 28 de outubro, o governo do Rio de Janeiro mobilizou 2,5 mil policiais em uma mega operação para a execução de 100 mandados de prisão de integrantes do Comando Vermelho em 26 comunidades da zona norte da capital e que formam o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão.

Os dados são do Instituto Fogo Cruzado e foram levantados a pedido da Agência Brasil.

O número de pessoas letalmente atingidas inclui pessoas inocentes de diferentes idades, pessoas envolvidas com crimes e procuradas pela polícia, além de agentes das forças de segurança do estado do Rio. Quatro pessoas foram mortas por bala perdida e 23 foram feridas – dessas, oito pessoas foram atingidas em ações policiais.

Tiroteios e letalidade 

De acordo com o Fogo Cruzado, entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026, 220 pessoas foram feridas não letalmente a bala e ocorreram 520 tiroteios. Duzentos tiroteios (38,4%) aconteceram em ações ou operações policiais, que resultaram em 210 pessoas mortas (68,8% dos casos) e 125 pessoas feridas (56,8% dos casos).

Quase a metade do total de pessoas mortas a bala depois da mega operação (47,7%), foram alvejadas nas 12 chacinas que ocorreram nos últimos três meses, oito dessas chacinas foram de iniciativa policial. Desde 28 de agosto de 2020, início do governo Cláudio Castro, 890 pessoas foram mortas em chacinas, também quantifica o Instituto Fogo Cruzado.

Investigações em andamento 

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) informou à Agência Brasil que há investigações em andamento sobre a mega operação policial nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo comunicado, o trabalho ocorre sob sigilo e “foram ouvidos diversos policiais, familiares das vítimas e outras testemunhas.”

Sem sucesso, a reportagem tentou ouvir a Secretaria de Segurança Pública do governo do Rio de Janeiro e a Polícia Civil para saber se após mega operação nos complexos da Penha e do Alemão houve diminuição dos territórios dominados por facções criminosas no estado do Rio, se houve queda ou acréscimo de roubos e furtos e se variou o volume de drogas e armas apreendidas, entre outras informações.

A Agência Brasil também procurou manifestações a respeito dos três meses após a operação junto a Defensoria Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil (secção Rio de Janeiro), e o Conselho Nacional de Justiça. 

O espaço segue aberto para todas as instituições.



EBC

Receita desmente novo imposto para todos os aluguéis por temporada


A Receita Federal desmentiu na noite desta quarta-feira (28) a informação de que todos os proprietários que alugam imóveis por temporada passarão a pagar um novo imposto a partir de 2026. Segundo o órgão, a afirmação é falsa e generaliza regras da reforma tributária que não se aplicam à maioria das pessoas físicas.

A mudança na tributação dos aluguéis está prevista na Lei Complementar (LC) 214/2025, que cria o novo sistema de impostos sobre consumo, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), no modelo de Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) dual.

Segundo a Receita, a LC 227/2026, sancionada há duas semanas e que conclui a regulamentação da reforma tributária, não trata de cobrança imediata de impostos sobre aluguéis, como chegou a ser divulgado.

Pelas regras aprovadas, a locação por temporada, de contratos de até 90 dias, só pode ser equiparada à hotelaria quando o locador for contribuinte regular do IBS/CBS. No caso de pessoas físicas, isso só ocorre se dois critérios forem atendidos simultaneamente: possuir mais de três imóveis alugados e ter receita anual com aluguéis superior a R$ 240 mil, valor que será corrigido anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Quem não se enquadrar nesses critérios continuará sujeito apenas ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), sem incidência dos novos tributos sobre consumo. A Receita afirma que a regra foi desenhada justamente para evitar a tributação de pequenos proprietários e reduzir o risco de cobrança indevida.

Transição

Outro ponto destacado é que a reforma prevê um período de transição. Embora 2026 marque o início do novo sistema, a cobrança efetiva e plena do IBS e da CBS será escalonada de 2027 a 2033. Dessa forma, os efeitos financeiros não serão imediatos para todos os contribuintes.

No caso dos aluguéis residenciais tradicionais, a carga do IBS/CBS terá redução de 70%, resultando em uma alíquota efetiva estimada em 8%, além do IR. Já na locação por temporada equiparada à hospedagem, o benefício é menor, mas, segundo a Receita, não chega aos percentuais elevados que vêm sendo divulgados.

Para grandes proprietários, aqueles com muitos imóveis e alta renda, a tributação também será amenizada por mecanismos como alíquota reduzida, cobrança apenas sobre valores acima de R$ 600 por imóvel, possibilidade de abatimento de custos com manutenção e reforma, além de cashback (devolução de impostos) para inquilinos de baixa renda.

Ajustes

A Receita ressalta ainda que ajustes posteriores à lei original trouxeram mais segurança jurídica, diminuindo as hipóteses de enquadramento como contribuinte e tornando as regras mais favoráveis às pessoas físicas que alugam imóveis por temporada.

A LC 227/2026, esclareceu o Fisco, favoreceu as pessoas físicas que alugam imóveis, diminuindo as hipóteses em que elas são enquadradas como contribuintes da CBS e do IBS. A lei complementar também tornou mais clara a aplicação do redutor social para contribuintes de baixa renda, especificando que o benefício será aplicado mensalmente e não reduzirá direitos.

Segundo o Fisco, a reforma busca simplificar o sistema, reduzir distorções e diminuir a carga sobre aluguéis de menor valor. “A ideia de aumento generalizado de impostos ou de aluguéis não se sustenta nos dados nem na legislação aprovada”, destaca a nota.



EBC

Setor produtivo reage à manutenção da Selic em 15% ao ano


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, anunciada nesta quarta-feira (28), teve repercussão negativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais, que apontam impactos sobre o crescimento econômico, o crédito e o emprego.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia e desconsidera a trajetória recente de desaceleração da inflação. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de flexibilização monetária.

“Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento. É indispensável iniciar a redução dos juros já na próxima reunião”, afirmou em nota.

Segundo a CNI, a inflação corrente e as expectativas inflacionárias caminham para o centro da meta. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto de 4,5%, enquanto projeções do Boletim Focus indicam inflação de 4% em 2026 e convergência gradual para 3% nos anos seguintes. Ainda assim, a taxa real de juros segue em torno de 10,5% ao ano, cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central.

O setor da construção civil também manifestou preocupação. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, os juros elevados restringem o crédito imobiliário, reduzem a demanda por novos empreendimentos e dificultam a viabilização de projetos. “Uma política monetária contracionista desacelera a atividade e afeta toda a cadeia produtiva, com reflexos prolongados sobre emprego e renda”, disse.

Em tom mais moderado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avaliou que a decisão reflete cautela diante de incertezas fiscais e externas. O economista Ulisses Ruiz de Gamboa destacou que, apesar da desaceleração da atividade, inflação e expectativas ainda se mantêm acima da meta. Para ele, o comunicado do Copom será decisivo para entender se há sinalização de início do ciclo de cortes.

Centrais sindicais

Já as centrais sindicais reagiram de forma mais dura. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que a manutenção da Selic mantém o Brasil no topo do ranking mundial de juros reais e penaliza a população. “Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e resultam em menos empregos”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Segundo a entidade, cada ponto percentual da Selic acrescenta cerca de R$ 50 bilhões aos gastos públicos com juros da dívida.

A Força Sindical classificou a decisão como “irresponsabilidade social” e acusou o Banco Central de favorecer a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. Para o presidente da entidade, Miguel Torres, a política monetária atual restringe o crédito, eleva o endividamento das famílias e trava o desenvolvimento econômico.

Apesar das críticas, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A decisão veio em linha com a expectativa da maioria dos analistas de mercado, em um cenário de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos.



EBC

Câmara: MP que cria Gás do Povo está na pauta no retorno aos trabalhos


O Congresso Nacional inicia o ano legislativo na próxima segunda-feira (2). O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgou, nesta quarta-feira (28), pelas redes sociais, as pautas que serão levadas para votação na Casa já na próxima semana.

Está programada a votação da medida provisória (MP) que cria o Gás do Povo. O projeto, do governo federal, oferece a recarga do botijão de 13 kg para famílias inscritas no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa. O programa busca atender 15 milhões de famílias.

Também estão na pauta uma MP que abre crédito extraordinário de R$ 83 milhões para o setor rural e o projeto de lei que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano.

Comissões

Ainda na próxima semana, devem ocorrer a instalação e a eleição para os presidentes das comissões permanentes. Segundo o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), o acordo entre os líderes foi de que as comissões serão comandadas pelos mesmos partidos do ano passado.

“Foi aprovada a proposta de manutenção dos mesmos partidos presidindo as comissões. Só mudam os nomes. Mas aquilo que cada partido teve até agora nas comissões, serão repetidas as indicações. Cada bancada vai ter a próxima semana para discutir isso, para compor tudo antes do carnaval. Essa é a prioridade das prioridades”, disse Guimarães.

Segundo presidente da Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública será debatida nas próximas semanas, com previsão de votação após o carnaval. Relator da PEC, o deputado Mendonça Filho (União-PE) se reunirá com o novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, na semana que vem para discutir o texto.

Sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, Hugo Mota afirmou que, assim que for enviada pelo governo federal à Câmara dos Deputados, a proposta será analisada e votada com celeridade.

Ouça na Radioagência Nacional:

 

 



EBC

BC mantém juros básicos em 15% ao ano por quinta vez seguida


Apesar do recuo da inflação e do dólar, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 15% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

Essa é a quinta reunião seguida em que o Copom mantém os juros básicos. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

No comunicado, o Copom confirmou que deverá começar a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.

A decisão unânime ocorreu com o Copom desfalcado. No fim de 2025, expirou o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos na volta do Congresso Nacional, em fevereiro.

Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho do ano passado, sendo mantida nesse nível desde então.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA ficou em 4,26% , o menor nível anual desde 2018. Com o resultado, o indicador voltou a ficar dentro do teto da meta contínua de inflação.

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em janeiro de 2026, a inflação desde fevereiro de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em fevereiro de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de março de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária diminuiu para 3,5% a previsão do IPCA para 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.

As previsões do mercado estão menos otimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4%, levemente acima acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,05%.

Crédito caro

O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento para a economia em 2026.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,8% do PIB em 2026.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.



EBC

EBC é autorizada a usar estações-teste para iniciar operação da TV 3.0


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Câmara dos Deputados foram autorizadas a utilizar as estações-teste localizadas no município de São Paulo e em Brasília para transmissão contínua da programação dessas duas instituições no âmbito do Projeto de Evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T), mais conhecido como TV 3.0 ou DTV+. O aval foi dado pelo Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired).

Na EBC, a previsão é que os testes tenham início no mês de março. O calendário prevê que, já na próxima semana, sejam recebidos os equipamentos necessários, como antenas, acessórios, infraestruturas, sistemas e demais bens úteis à implementação, operação e manutenção da Estação Experimental vinculada ao Projeto TV 3.0.

Essas estações, implantadas pela Seja Digital, permitirão que a radiodifusão pública integre, desde o início, a implantação da TV 3.0 nessas localidades, em alinhamento com o cronograma nacional de implementação. Ficaria mais preciso assim: A Seja Digital é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, constituída por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com recursos das empresas de telecomunicações Algar, Claro, TIM e Vivo, vencedoras do edital de licitação do 4G, em 2014. A companhia foi criada em março de 2015 com a missão de acelerar a adoção do sinal digital de TV e expandir a banda larga móvel pelo Brasil. Em 2024, a Seja Digital recebeu novas missões, entre elas a aceleração do desenvolvimento da TV 3.0 no país.

EBC sedia estação experimental da TV 3.0 em Brasília

A EBC sedia, em Brasília, a Estação Experimental de TV 3.0, instalada na Torre de TV Central, onde estão sendo preparadas as infraestruturas de transmissão necessárias aos testes do novo padrão tecnológico. A estação opera em um canal de 6 MHz, com configuração MIMO 2×2 e polarização cruzada, permitindo a avaliação de soluções avançadas de transmissão e recepção.

O projeto prevê o desenvolvimento e a validação de tecnologias que ampliam as possibilidades da televisão aberta, como maior qualidade de áudio e vídeo, interatividade, mobilidade e novos serviços digitais. A infraestrutura de codificação e multiplexação é baseada em nuvem pública, por meio da Broadcast Core Network (BCN).

As estações-piloto podem ser utilizadas por emissoras públicas e privadas, universidades, instituições de pesquisa, fabricantes e desenvolvedores de aplicações, criando um ambiente colaborativo de inovação. Ao sediar a estação experimental, a EBC reforça o papel da comunicação pública na evolução tecnológica da TV brasileira e na construção de um sistema alinhado ao interesse da sociedade.

Sobre a TV 3.0

Considerada a “televisão do futuro”, a TV 3.0 é uma evolução da atual TV Digital, que teve início no ano de 2007. O modelo vai integrar serviços de internet (broadband) à habitual transmissão de sons e imagens (broadcast), possibilitando o uso de aplicativos que permitirão aos telespectadores interagir com parte da programação.

Uma das principais inovações da TV 3.0 é justamente sua interface baseada nos aplicativos, em que as emissoras terão condições técnicas de passar a oferecer, além do sinal aberto já transmitido em tempo real, conteúdos adicionais sob demanda, como séries, jogos, programas e outras possibilidades. Os aplicativos das emissoras públicas, como TV Brasil e Canal Gov, terão posições privilegiadas garantidas no catálogo.

A TV 3.0 vai trazer mais praticidade ao telespectador. Um dos impactos será na qualidade de imagem, com aparelhos com a tecnologia de 4K HDR, para permitir melhor resolução e maior contraste de cores. Outra mudança irá propiciar a experiência de “som de cinema”, semelhante a uma imersão com áudios que são reproduzidos em direções diferentes.



EBC

Maratona mundial de games deve reunir 600 desenvolvedores no Brasil


Gratuita e aberta ao público, a Global Game Jam Curitiba, etapa brasileira da Maratona Mundial de Desenvolvimento de Jogos, chegará à 17ª edição entre sexta (30) e domingo (1º).

O número de inscritos até o momento já ultrapassa 500 participantes, e a expectativa dos organizadores é que atinja 600 pessoas, média anual do torneio. As inscrições podem ser feitas pela internet até sexta-feira (30).

Menores de idade podem participar, desde que acompanhados por um responsável. 

A maratona acontece simultaneamente em 100 países, reunindo 30 mil pessoas espalhadas em 800 sedes pelo mundo.

No Brasil, são 30 sedes, entre universidades, empresas e grupos menores, informou nesta quarta-feira (28) à Agência Brasil o coordenador do curso de Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), onde acontece o Global Game Jam Curitiba, Bruno Campagnolo de Paula.

O evento do Paraná, entretanto, é o maior no Brasil a ocorrer de maneira presencial. Além disso, o Global Game Jam de Curitiba é um dos mais produtivos do mundo, resultando normalmente em 70 a 100 novos games por ano. Bruno Campagnolo de Paula espera que, na edição 2026, possam ser criados mais de 80 novos jogos.

No domingo (1º), entre 15h e 18h, ocorre a finalização dos projetos e a tradicional jogatina, ou Play Party, quando os participantes jogam os games que foram criados. E o público também pode participar.

Tema do ano: “máscara”

Neste ano, o tema que vai nortear o desenvolvimento dos jogos é “máscara”, e os participantes vão poder dar a ele diversas interpretações.

“O pessoal do Oriente Médio interpreta de uma maneira, o pessoal da Rússia interpreta de outra, e por aí vai”, disse Bruno Campagnolo, que destacou que a riqueza do evento está na diversidade de games que vão surgir.

Durante a maratona de desenvolvimento de jogos, os participantes vão ficar imersos durante 48 horas, trabalhando divididos em equipes. Apesar disso e de a organização distribuir troféus aos mais bem avaliados, o professor esclareceu que não se trata de um evento competitivo. 

“Na verdade, é um evento em que os participantes desenvolvem os jogos e vão ter uma visibilidade internacional desses jogos”.

Os jogos são desenvolvidos para diferentes plataformas e formatos, como PC, dispositivos móveis, realidade virtual e jogos analógicos ─ incluindo jogos de tabuleiro, livros-jogo, escape rooms (jogos de aventura físicos), aventuras de RPG (aventuras narradas), entre outras iniciativas ligadas ao universo dos games.

 


28/01/2026 - Curitiba - Global Game Jam Curitiba 2025 - maratona mundial de games que começa dia 30, em Curitiba. Foto: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário

Participantes da Global Game Jam Curitiba de 2025 Foto: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário

Expansão

Campagnolo explicou que, como os games vão ser publicados no site da Global Game Jam, há possibilidade de venda posterior desses jogos para empresas do setor do Brasil e do mundo.

“Sem dúvida, a área de economia criativa relacionada a jogos é uma das maiores áreas que a gente tem hoje”.

Muitas equipes, depois que os jogos são publicados, continuam trabalhando neles, criando novas versões para lojas de aplicativos e outras plataformas digitais. Há ainda equipes que se descobrem durante a Game Jam e acabam decidindo criar um novo jogo.

“Eles podem monetizar ou fazer alguma coisa diferente”, contou Campagnolo.

De acordo com a Pesquisa Game Brasil, o mercado de games vive um momento de crescente expansão no país. Entre 2024 e 2025, o consumo de jogos digitais cresceu 8,9% no Brasil ─ 82,8% da população afirma jogar jogos digitais. Essa indústria é tão grande quanto o cinema hoje em dia, comparou Bruno Campagnolo de Paula.

Troca de experiência

Participam da Global Game Jam Curitiba tanto equipes iniciantes, pessoas que nunca participaram do desenvolvimento de um jogo, como equipes profissionais, que já trabalham nessa área e estão em busca de fazer alguma coisa diferente nesse fim de semana.

Como coordenador dos cursos de jogos da PUCPR, o professor conta que participar do evento é recomensador por proporcionar aprendizado a quem está se formando na área.

“É muito bacana quando o meu aluno, na primeira vez que está desenvolvendo um jogo, se encontra com pessoas que já estão muito experientes na área e tem toda essa troca de informações. Pessoas no mesmo ambiente, em diferentes níveis, desenvolvendo jogos, e todos sendo valorizados”, comentou Campagnolo.

Ele conta que essa também é a oportunidade de reecontrar jovens que ele viu darem os primeiros passos.

“Para mim, é muito recompensador também ver pessoas que, há 10 anos, eram jovenzinhos super tímidos que estavam lá participando de uma edição de evento, e hoje estão entre os maiores profissionais da área no Brasil”.

 


28/01/2026 - Curitiba - Global Game Jam Curitiba 2025 - maratona mundial de games que começa dia 30, em Curitiba. Foto: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário

Jogos de tabuleiro também podem entrar na Global Game Jam Curitiba Foto: Global Game Jam Curitiba 2025/Cassiano Rosário



EBC

Rádio MEC e Nacional têm crescimento histórico de audiência em 2025


As rádios públicas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) registraram, em 2025, um dos melhores desempenhos de audiência de sua história recente. Os resultados foram apurados pela Kantar IBOPE Media, confirmando o fortalecimento da Rádio Nacional e da Rádio MEC como referências consolidadas da radiodifusão pública brasileira em 2025.

A Rádio Nacional FM de Brasília alcançou, em 2025, a maior participação de mercado já registrada desde o início da série histórica em 2010. Com 1,49% de share, porcentagem do total de ouvintes da praça, a emissora mantém uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025 concentram três das quatro melhores performances da rádio nos últimos 15 anos, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.

A Nacional FM do Rio de Janeiro também apresentou crescimento, consolidando o desempenho da faixa estendida: o número de ouvintes por minuto cresceu 49% entre 2024 e 2025. Em Recife, onde a Nacional atua em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), a rádio também teve aumento na audiência: 17% na comparação entre o último quadrimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.

Já em São Paulo, o último quadrimestre de 2025 registrou um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando a tendência de ampliação de público contínuo da emissora na maior praça do país.

MEC amplia alcance e consolida expansão da rede

Na MEC FM de Brasília, a audiência cresceu 59% na comparação entre o quarto trimestre de 2024 e o de 2025, refletindo o fortalecimento da emissora na capital federal.

A MEC FM do Rio de Janeiro também manteve trajetória positiva em 2025, com aumento no número de ouvintes por minuto em relação ao ano anterior. Além disso, os anos de 2024 e 2025 representam os melhores resultados da emissora desde 2012 em participação de mercado.

Rejuvenescimento do público

Um dos principais destaques da pesquisa foi a identificação de rejuvenescimento do perfil do público. Nas quatro praças pesquisadas, a Nacional foi a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos entre todas as emissoras mensuradas pela Kantar, evidenciando o processo de rejuvenescimento da marca e sua crescente conexão com as novas gerações.

Em Belo Horizonte, a MEC se destacou como a rádio com maior afinidade junto ao público de 15 a 24 anos, indicando elevado potencial de consolidação da emissora em uma nova e estratégica praça.

Comunicação pública fortalecida

“Os resultados confirmam o fortalecimento do projeto de radiodifusão pública da EBC, fundamentado na diversidade de conteúdos, na inovação editorial, na valorização da cultura brasileira e na ampliação do acesso à informação de qualidade”, avalia o gerente-executivo de Rádios, Thiago Regotto.

“O desempenho registrado em 2025 consolida as rádios Nacional e MEC como plataformas estratégicas da comunicação pública brasileira, ampliando seu papel na formação cultural, na democratização da informação e na promoção da cidadania”, conclui.

Fonte: Kantar IBOPE Media | EasyMedia | DFE, GRJ, GSP, REC e BHZ | #OPM, SHT%, Afin% | Bancos de dados 2024–2025



EBC

Prouni 2026: inscrições para o 1º semestre se encerram nesta quinta


As inscrições gratuitas para o Programa Universidade para Todos (Prouni) do primeiro semestre de 2026 podem ser realizadas até as 23 horas e 59 minutos desta quinta-feira (29).

A consulta às vagas oferecidas pelas instituições privadas de ensino superior está disponível no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na parte do Prouni. 

Os candidatos podem pesquisar as vagas de interesse por curso, turno, instituição de ensino e município de oferta.

O programa do Ministério da Educação (MEC) oferece bolsas de estudo (integrais e parciais) em cursos de nível superior em instituições de ensino privadas.  O público-alvo são brasileiros sem diploma de nível superior. 

Inscrições

Os candidatos ao processo seletivo devem se inscrever gratuitamente somente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na parte do Prouni, com login da plataforma Gov.br.

São requisitos para inscrição que o candidato tenha completado o ensino médio; participado de edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 e/ou de 2025; obtido, no mínimo, 450 pontos na média das cinco provas do exame; e não tenha zerado a prova da redação. A pré-seleção ao Prouni vai considerar a melhor média de notas do candidato em uma das duas edições do Enem.

No caso das bolsas integrais, é necessário que a renda familiar bruta mensal por pessoa não exceda o valor de 1,5 salário mínimo. Já para bolsas parciais, é preciso que a renda familiar bruta mensal por pessoa não exceda o valor de três salários mínimos.  Em 2026, um salário mínimo vale R$ 1.621.

O Prouni reserva bolsas a pessoas com deficiência e aos autodeclarados indígenas, pardos ou pretos. No momento da inscrição, o candidato poderá optar por concorrer a bolsas destinadas à implementação de políticas afirmativas, desde que cumpra as condições legais.

Bolsas disponíveis

Esta edição do Prouni (1º/2026) disponibilizará 594.519 bolsas, representando a maior oferta da história do Prouni, sendo 274.819 bolsas integrais (de 100%) e 319.700 bolsas parciais (de 50%).

Do total de vagas ofertadas, quando considerada a modalidade de cursos, 393,1 mil das bolsas são para cursos a distância e 16.408 para a modalidade semipresencial. As demais (184.992) bolsas são para cursos presenciais.

Em relação ao tipo de graduação, as bolsas estão distribuídas em 328.175 são bolsas para bacharelado, 253.597 são para cursos tecnológicos e 12.747 para licenciaturas.

Os cursos de administração (63.978) e ciências contábeis (41.864) somam o maior número de bolsas ofertadas pelas faculdades privadas.

Resultados

De acordo com o edital, são realizadas duas chamadas dos participantes pré-selecionados. O resultado da primeira chamada do Prouni 1/2026 será divulgado em 3 de fevereiro na página eletrônica do processo seletivo. A segunda chamada será divulgada em 2 de março. 

O resultado da primeira chamada será divulgado na página do Prouni na internet. 

Para saber sobre os critérios de classificação dos candidatos, acesse aqui

 

 



EBC

“Divididos, somos frágeis”, diz Lula ao defender integração na AL


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a América Latina e o Caribe só resolverão seus problemas caso os enfrentem de forma conjunta. Nesta quarta-feira (28), durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá, Lula destacou os ativos políticos e econômicos que podem, via integração regional, favorecer todos os países, tornando-os mais relevantes no cenário mundial.

“Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, discursou o presidente durante a sessão de abertura do fórum, ao citar as “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” que os países latino-americano e caribenhos têm “para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial”.

Lula ponderou que, para atingir esses objetivos, é fundamental que as lideranças regionais estejam comprometidas com mecanismos institucionais e que “articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região”.

Segundo Lula, falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional. Nesse sentido, sugeriu que os países da região levem em consideração as riquezas inexploradas que poderão garantir uma inserção competitiva na ordem global.

“Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista”, argumentou o presidente ao enumerar, entre esses ativos, o potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, a hidroeletricidade, os biocombustíveis, e a energia gerada a partir das matrizes nuclear, eólica e solar.

O presidente citou também como ativos o fato de a região contar com a maior floresta tropical do planeta; e as variadas condições de solo e clima e os avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos.

“Reunimos também recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital”, disse o presidente brasileiro ao afirmar que “minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países”.

Lula lembrou que, juntos, os países da região formam um mercado consumidor com mais de 660 milhões de pessoas. Além disso, disse que não há conflitos graves entre os países participantes do fórum; e que, predominantemente, todos governo foram eleitos democraticamente.

“A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém”, afirmou.

“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina, sozinho, achar que vai resolver os problemas. Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso o povo teve. Precisamos mudar de comportamento. Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países”, concluiu.

Por ser convidado especial, o presidente brasileiro foi o segundo a discursar, logo após o presidente do país anfitrião, José Raúl Mulino. A expectativa é que Lula retorne ao Brasil ainda hoje, ao final do dia.

O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe seguirá até o dia 30.



EBC