Ibovespa renova recorde e supera 175 mil pontos com capital externo


O alívio nas tensões globais provocados por recuos do presidente Donald Trump voltaram a beneficiar o mercado financeiro. A bolsa de valores acumulou o terceiro recorde consecutivo e superou a marca de 175 mil pontos. O dólar fechou abaixo de R$ 5,30 pela primeira vez desde novembro.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta quinta-feira (22) aos 175.589 pontos, com alta de 2,2%. No melhor momento do pregão, às 12h39, chegou a subir 3,27% e a aproximar-se dos 178 mil pontos.

O avanço foi sustentado principalmente por ações de bancos, com grande peso no índice, em um movimento que reflete a realocação global de recursos em direção a mercados emergentes. O volume de negociações voltou a ser expressivo, somando R$ 44,1 bilhões, bem acima da média diária de cerca de R$ 30 bilhões em 2026.

Dados da B3 reforçam o papel do investidor estrangeiro na alta recente. Em janeiro, até o dia 20, o saldo de capital externo na bolsa brasileira foi positivo em quase R$ 8,8 bilhões. Com o resultado desta quinta, o Ibovespa acumula alta de 6,55% na semana e cerca de 9% no ano, caminhando para o melhor desempenho semanal desde outubro de 2022.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dia também foi marcado pela euforia. O dólar comercial fechou a quinta vendido a R$ 5,284, com recuo de R$ 0,036 (-0,67%). A cotação operou em estabilidade durante a manhã, mas despencou à tarde, até fechar próxima das mínimas do dia.

A moeda estadunidense está no menor valor desde 11 de novembro, quando estava a R$ 5,27. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,73%.

O cenário internacional sustentou o mercado financeiro nesta quinta. As bolsas globais reagiram positivamente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de ameaças de tarifas comerciais contra países europeus, em meio às negociações envolvendo a Groenlândia. Em Wall Street, o índice S&P 500 subiu 0,55%.

*com informações da Reuters




EBC

Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém


O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), condenou nesta quinta-feira (22) a demolição, por determinação de autoridades israelenses, da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), em Jerusalém Oriental. O local é considerado território palestino.

“Medidas que violam instalações da UNRWA no território palestino ocupado constituem flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. Também contrariam os pareceres consultivos da Corte Internacional de Justiça de 19/7/2024, sobre práticas de Israel no território palestino ocupado, inclusive Jerusalém Oriental, e de 22/10/2025, sobre as obrigações de Israel em relação à ONU e a outros atores no território palestino ocupado”, disse o Itamaraty, em nota.

A demolição foi iniciada na terça-feira (20) e ocorre após a aprovação, pelo parlamento israelense, no fim do ano passado, de uma legislação que autorizou corte do fornecimento de água e eletricidade no prédio, bem como permite expropriação de imóveis da agência da ONU.

Em declaração nas redes sociais, o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, descreveu a demolição como um “ataque sem precedentes” contra as Nações Unidas, cujas instalações são protegidas pelo direito internacional.

O Itamaraty informou ainda que, no exercício da presidência da Comissão Consultiva da UNRWA, segue apoiando a continuidade das atividades da agência na prestação de serviços essenciais a 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

Segundo o chefe da agência, as instalações da UNRWA já foram alvo de incêndios criminosos em meio a uma “campanha de desinformação em larga escala” promovida por Israel. 

Os ataques ocorreram apesar de uma decisão tomada pela Corte Internacional de Justiça, em outubro do ano passado, que reafirmou que Israel era obrigado a “facilitar as operações” no local, e que o Estado judaico não tem jurisdição sobre Jerusalém Oriental.



EBC

CMN altera regras do FGC após início de pagamentos do caso Master


O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (22) alterações no estatuto e no regulamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em meio ao início dos pagamentos a investidores afetados pela liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025.

Em nota, o fundo informou que as mudanças não afetam liquidações recentes.

Desde a última segunda-feira (19), o FGC vem ressarcindo investidores que aplicaram recursos em produtos cobertos do Banco Master. O fundo também terá de honrar garantias relacionadas à liquidação de outras empresas do grupo e do Will Bank, ocorrida na quarta-feira (21), em um volume estimado em cerca de R$ 47 bilhões.

Uma das principais alterações aprovadas pelo CMN está no artigo 7º do regulamento, que passa a permitir ao conselho de administração do FGC propor aumento ou redução das contribuições das instituições associadas sempre que considerar necessário. A proposta deverá ser avaliada pelo Banco Central e decidida pelo CMN. Segundo o fundo, não há, no momento, discussão sobre elevação das alíquotas.

Para mitigar o impacto sobre a liquidez, o FGC poderá antecipar em até cinco anos as contribuições das instituições associadas e instituir cobranças extraordinárias. Esses mecanismos já estavam previstos nas normas vigentes.

Outro ponto relevante é o estabelecimento de um prazo máximo de três dias para o início do pagamento das garantias, contado a partir do recebimento das informações formais enviadas pelos liquidantes.

Normas internacionais

Em nota, o FGC afirmou que as mudanças aprovadas têm como objetivo o alinhamento às melhores práticas internacionais. Entre os pontos destacados estão a ampliação do suporte à transferência de controle ou de ativos e passivos de instituições associadas que estejam em “situação conjuntural adversa”, mediante reconhecimento do Banco Central.

As alterações também incluem a cobertura de despesas e responsabilidades decorrentes de atos regulares de gestão praticados de boa-fé pela administração do fundo, além do aumento da transparência, com a divulgação de informações sobre o saldo de instrumentos cobertos por cada instituição associada.

Segundo o FGC, “as alterações permitem tornar o processo de pagamento de garantias mais rápido, previsível e alinhado às melhores práticas internacionais” e contribuem para “maior estabilidade e solidez do Sistema Financeiro Nacional”, sem impacto sobre liquidações já em curso.



EBC

Mega-Sena acumula novamente e prêmio principal vai para R$ 63 milhões


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.963 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (22). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 63 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 06 – 20 – 34 – 44 – 53 – 57

  • 31 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 70.338,73 cada
  • 2.684 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.339,13 cada

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Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de sábado (24), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa. Para o bolão, o sistema fica disponível até às 20h30 no portal Loterias Caixa e no aplicativo Loterias Caixa. 

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.




EBC

Anvisa recolhe lote de chocolate Laka por problema na embalagem


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que o lote CC28525493 do Chocolate Branco Laka deverá ser recolhido por estar com a embalagem errada. O produto Laka Oreo foi embalado com o rótulo do Chocolate Branco Laka.

A determinação da Anvisa ocorreu após a fabricante do produto, Mondelez Brasil Ltda, comunicar o recolhimento voluntário do lote e a retirada do produto do mercado após constatar o erro na embalagem.

De acordo com a Anvisa, para pessoas com condições específicas de saúde, como celíacos e alérgicos ao glúten, a falta dessa informação traz riscos à saúde.

“Essa falha técnica faz com que os ingredientes descritos no rótulo não correspondam ao produto. A troca de embalagens também resultou na falta da declaração obrigatória da presença de glúten no produto, que é obrigatória por lei”, disse a agência, em nota.

A Anvisa também determinou o recolhimento do Glitter e Glitter Holográfico da marca Flex Fest. Os produtos, que são da empresa AP Viola Artes e Festas Ltda (Flex Fest), tiveram a sua comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e uso suspensos. “O motivo da suspensão é porque os itens contêm materiais plásticos, o que os torna impróprios para serem consumidos em alimentos”, explicou a Anvisa.



EBC

Morre Ronan Tyezer, técnico do Águia de Marabá Sub-20, após acidente


O clube Águia de Marabá comunicou a morte de Ronan Tyeser, técnico do time sub-20, nesta quinta-feira (22), por meio de publicação nas rede sociais. O treinador de 44 anos estava Internado há uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital regional do Tocantins, após acidente com o ônibus que transportava a equipe. Em nota, o clube afirmou que a causa da morte foi trauma cranioencefálico.

O técnico ficou gravemente ferido na colisão do ônibus com um caminhão parado no km 591 da BR 153, na noite do último dia 15. O acidente já vitimara o preparador físico Hecton Alvez, que morreu no local. A delegação do equipe sub-20 do Azulão retornava ao Pará, após eliminação para o Juventude, na segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, Guaratinguetá (SP).

A Federação Paraense de Futebol afirmou que a entidade está de luto, em nota publicada nas redes sociais.

“Com profundo pesar, manifestamos nosso mais sincero sentimento pela perda de Ronan Tyezer Rodrigues, o nosso Tyezer, profissional que fez parte da história do futebol paraense e que deixa uma lacuna irreparável entre todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”.

O clube Remo também se solidarizou com parentes e amigos do treinador paraense.





EBC

Obras do Centro de Treinamento do Futebol Feminino começam na segunda


O primeiro centro de treinamento de futebol feminino dedicado exclusivamente à modalidade começa a sair do papel na próxima segunda-feira (26), em Araraquara (SP). O projeto, que conta com investimento de R$ 34,5 milhões, é fruto de uma parceria da prefeitura da cidade com Petrobras, Fundação de Amparo ao Esporte do Município de Araraquara (Fundesport) e o clube Ferroviária.

O evento de início das obras terá a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do ex-prefeito da cidade e atual presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva. A viabilização do Centro de Treinamento do Futebol Feminino é fruto de um convênio firmado durante a gestão de Silva na prefeitura, cujos projetos executivos e autorizações para construção foram liberados pela estatal no final de 2025.

“Em Araraquara, o projeto do futebol feminino começou em 2001, antes mesmo de se tornar uma obrigação. Aqui foi uma escolha. Minha gratidão à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e ao presidente Lula, que têm tratado o futebol feminino no Brasil como prioridade”, afirmou Edinho Silva.


Araraquuara (SP), 23/12/2024 - Ferroviária terá primeiro CT exclusivo para o futebol feminino no Brasil. a Diretora Executiva de Assuntos Corporativos da Petrobras, Clarice Coppetti; o Prefeito de Araraquara, Edinho Silva; a presidente da Fundesport, Roseli Gustavo; a Diretora de Futebol Feminino, Nuty Silveira; a Diretora de Futebol Feminino, Ana Lorena Marche; o presidente da Câmara dos Vereadores de Araraquara, Paulo Landim, e a Deputada Estadual, Márcia Lia. Foto: Rafael Zucco/Ferroviária

Cerimônia de assinatura de convênio, em dezembro de 2025. Foto: Rafael Zucco/Ferroviária

Estrutura

O novo centro de treinamento será erguido em uma área de 138 mil metros quadrados no Parque do Pinheirinho, onde funciona o CT Olegário Tolói de Oliveira, do clube Ferroviária.

O complexo foi planejado para oferecer uma infraestrutura completa, voltada para o alto rendimento e o bem-estar das atletas.

Serão cinco campos de futebol com irrigação eletrônica e um miniestádio iluminado, além de hotel com capacidade para 82 atletas, academia, setor de fisioterapia e centro médico, áreas pedagógicas e espaços de convivência.

O complexo poderá receber jogos de torneios da Federação Paulista (FPF) e da Confederação Brasileira da modalidade (CBF). 

Formação Integral

O foco do CT será o atendimento a cerca de 240 atletas das categorias de base (Sub-12, Sub-14, Sub-15, Sub-17 e Sub-20), abrangendo jogadoras entre 11 e 20 anos.

Além da preparação técnica, o projeto prevê ações educativas que abordam temas como saúde da mulher, diversidade, educação financeira, inteligência emocional e a história da modalidade.

Para a população local, será criada uma escolinha de futebol gratuita, integrando o complexo à comunidade araraquarense.



EBC

Lula e primeiro-ministro da Índia debatem ampliação de parcerias


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, conversaram por cerca de 45 minutos, por telefone, nesta quinta-feira (22). Segundo o Palácio do Planalto, os dois trataram da possível ampliação da cooperação bilateral em áreas como defesa, comércio, saúde, energia e ciência e tecnologia. Também abordaram a exploração de minerais críticos e terras raras e a produção de biocombustíveis.

Todos os temas de interesse comum deverão ser aprofundados durante a visita que o presidente brasileiro fará à Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro. A viagem de Lula e sua comitiva está sendo organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como parte dos esforços para ampliar as relações comerciais entre os dois países e, consequentemente, fomentar a venda de produtos brasileiros e atrair mais investimentos. O encontro coincide com as negociações da ampliação do acordo Mercosul-Índia.

“O presidente está apostando muito nesta missão [viagem]”, disse o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, durante entrevista coletiva em que falou sobre os trâmites de implementação do acordo de parceria comercial que representantes políticos do Mercosul e da União Europeia assinaram no último sábado (17).

“Se me perguntarem onde que acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”, comentou Viana.

Ele apontou que as exportações brasileiras para o país de cerca de 1,45 bilhão de habitantes (número mais de seis vezes maior do que a população brasileira) ainda tem muito espaço para crescer. 

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Em 2025, o Brasil comprou quase US$ 8,5 bilhões em produtos indianos. Já as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 7 bilhões de dólares. E se concentraram principalmente em petróleo (30%); açúcar e melaço (15%); gordura e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%).

“Queremos diversificar isto”, disse Viana, citando ainda as exportações brasileiras de óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e acessórios automobilísticos.

“Além disso, o presidente Lula quer muito a participação da Embrapa e da pequena agricultura para ajudar os indianos a melhorarem a produtividade dos pequenos produtores rurais indianos, que são milhões de pessoas”. 

Quase 200 empresários brasileiros já manifestaram interesse em integrar a comitiva presidencial. “Vai passar disso. Faz apenas dois dias que abrimos as inscrições e o interesse do setor privado está muito grande”, afirmou Viana, explicando que os executivos custeiam suas passagens e hospedagem. “E uma parte da agenda será com representantes das maiores empresas indianas que têm investimentos no Brasil e que anunciarão seus investimentos para os próximos quatro ou cinco anos”. Na ocasião, a ApexBrasil também inaugurará seu escritório em Nova Délhi – o 20º espalhado por outros países. 

 



EBC

Institutos federais de saúde do Rio inauguram novos serviços


Os institutos federais do Rio de Janeiro inauguraram nesta quinta-feira (22) novos serviços. As unidades, vinculadas ao Ministério da Saúde, oferecem atendimento especializado e de alta complexidade e passam por um processo de requalificação.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) ganhou uma nova ala pediátrica, com ambientes pensados para o acolhimento, a segurança e o bem-estar dos pacientes e seus familiares. O serviço de referência nacional atende 80 crianças e adolescentes por dia, com diferentes especialidades em um único espaço.

No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) foi inaugurado o Centro de Atenção em Ortobiológicos, terapias avançadas feitas a partir de substâncias do próprio corpo do paciente e que estimulam a cicatrização e retardam o desgaste de tecidos. O Into também recebeu 200 novos profissionais, que vão permitir a reabertura de 40 leitos de enfermaria e cinco salas cirúrgicas.

E o Instituto Nacional de Cardiologia agora tem um serviço de sequenciamento genético e também ganhou um Centro de Telessaúde e um Observatório de Saúde Cardiovascular. 

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é que os institutos alcancem o seu máximo potencial.

Em entrevista coletiva após visita ao Into, ele destacou que os investimentos já estão reduzindo as filas para a realização de cirurgias. 

“No mês de fevereiro nós já teremos 100% da capacidade de utilização de todos os leitos de enfermaria e até o final deste primeiro semestre, teremos 100% de todas as salas cirúrgicas. Isso vai aumentar de 7 mil cirurgias realizadas no ano passado, que já foi o ápice, para mais de 12 mil cirurgias este ano”, ressaltou o ministro.

Os institutos federais do Rio de Janeiro também estão sendo beneficiados por investimentos do programa Agora Tem Especialistas, cujo objetivo é aumentar a oferta de atendimento especializado em todo o país. Cerca de R$ 170 milhões foram investidos nas unidades da rede federal. A estratégia de requalificação dos hospitais também prevê a contratação 2.059 profissionais por meio de convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).



EBC

Governo enviará proposta de acordo Mercosul-UE para o Congresso


O governo brasileiro quer acelerar a aprovação, pelo Congresso Nacional, do acordo de parceria comercial que representantes políticos do Mercosul e da União Europeia assinaram no último sábado (17).

Segundo o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar, nos próximos dias, a proposta de adesão e internalização do tratado para apreciação da Câmara dos Deputados.

“Houve um percalço, mas vamos superá-lo”, disse Alckmin, referindo-se à decisão do Parlamento Europeu desta quarta-feira (21). Por 334 votos favoráveis, 324 contrários e 11 abstenções, os eurodeputados aprovaram a proposta de pedir ao Tribunal de Justiça da União Europeia um parecer jurídico sobre a legalidade do acordo.

Na prática, a iniciativa do Parlamento Europeu paralisa o processo de implementação do acordo, que, para entrar em vigor, ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos 32 países envolvidos: 27 europeus e cinco sul-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). Em média, o Tribunal de Justiça da União Europeia costuma demorar cerca de dois anos para emitir um parecer.

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“O Brasil não vai parar. Vai continuar com o processo, encaminhando o pedido de internalização do acordo para o Congresso Nacional [brasileiro]”, acrescentou o vice-presidente, destacando que algumas lideranças políticas europeias favoráveis à implementação do acordo, como o chanceler alemão Friedrich Merz, defendem que os termos do acordo sejam aprovados e gradualmente implementados, em caráter provisório, enquanto o tribunal não dá sua palavra final sobre a iniciativa.

“Quanto mais rápido agirmos, melhor, pois entendo que isto ajudará para que haja uma vigência transitória enquanto há a discussão na área judicial”, argumentou Alckmin. “Nosso objetivo é que não haja atraso [na implementação do acordo]”.

Pouco após Alckmin se reunir com o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e, ao final do encontro, conversar com jornalistas, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, também comentou o impasse decorrente da decisão do Parlamento Europeu.

Segundo Viana, a eventual paralisação do processo, após 26 anos de negociações, gera “certa apreensão”, embora as autoridades brasileiras mantenham o otimismo.

“Entendemos que este é um bom acordo para os dois lados [Mercosul e União Europeia], mas que enfrenta muita resistência porque há, na Europa, um lobby muito grande contra os produtos brasileiros. Respeitamos as diferenças, mas fizemos nosso dever de casa e, agora, falta o Parlamento Europeu fazer o dele”, comentou Viana, revelando que a Apex planeja encabeçar uma ação para promover a imagem do Brasil na União Europeia e, assim, tentar convencer a opinião pública europeia de que o acordo Mercosul/União Europeia trará benefícios à população dos dois blocos de integração regional.

“O que há, de fato, é uma disputa de narrativa. E, por isto, vamos trabalhar a imagem do Brasil […] Disputar a opinião pública e o parlamento na Europa”, concluiu Viana, assegurando que já conversou com o presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), que lhe garantiu que a análise do acordo será uma prioridade para o Parlamento. 

De acordo com a ApexBrasil, a implementação do acordo de livre comércio Mercosul/União Europeia pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, promovendo a diversificação das vendas internacionais brasileiras. Entre os principais setores beneficiados estão os de máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças, como motores de pistão, e aeronaves, beneficiados com redução imediata de tarifa. Também são apontadas oportunidades para produtos como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e itens da indústria química.

 



EBC