Diário de mediador revela reviravolta em conversas entre EUA e Irã


O acompanhamento das redes sociais do mediador da negociação entre os Estados Unidos e o Irã revela que, em um período de 48 horas, as conversas sobre os limites do programa nuclear iraniano experimentaram uma reviravolta, que terminou com uma ofensiva militar e centenas de mortes.

O ataque dos Estados Unidos e de Israel a cidades iranianas neste sábado (28) acontece em meio a rodadas de encontros entre representantes do presidente americano, Donald Trump, e do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Há anos, os países discutem os limites do programa nuclear iraniano. Enquanto o Irã sustenta que é para fins pacíficos, os Estados Unidos e alguns aliados, mais notadamente Israel, acusam fins militares.

Acordos

Em 2015, o então presidente americano Barack Obama, do Partido Democrata, firmou um acordo com os iranianos, que aceitariam a limitação da capacidade de enriquecimento de urânio em troca de alívio de sanções econômicas.

O nível de enriquecimento de urânio pode determinar se um programa nuclear é pacífico ou não.

Donald Trump, do Partido Republicano, adversário de Obama, assumiu o primeiro mandato como presidente em 2017 e, já no segundo ano, 2018, retirou o país do acordo com o Irã.

Mas, em 2025, primeiro ano do segundo mandato, Donald Trump voltou a sinalizar ao Irã a necessidade de um novo acordo.

Em meio à pressão e ameaça de guerra, o país do Oriente Médio voltou à mesa de negociação, que tem um mediador externo: o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi.

Omã é um país do Oriente Médio ao sul do Irã, separado pelo Golfo de Omã, e tem em seu território a Península de Musandam, um enclave que forma o estreito de Ormuz.

Após os ataques americanos, o Estreito de Ormuz recebeu holofotes da indústria do petróleo, pois passam por ali cerca de 20% da produção mundial.

O receio de analistas é que o Irã bloqueie o estreito, o que levaria à escalada do preço da matéria-prima no mercado internacional.

Pelo perfil no X (antigo Twitter), Badr AlBusaidi mostra que 48 horas foram suficientes para a esperança de paz ser transformada em “consternação”.

Acompanhe a cronologia:

22 de fevereiro:

O mediador diz estar satisfeito em confirmar que uma rodada de conversa entre os dois países acontecerá em Genebra, Suíça, na quinta-feira (26), “com um impulso positivo para ir além e buscar a finalização do acordo”.

26 de fevereiro:

O ministro de Omã declara que as negociações terminaram o dia com “progresso significativo”, e que os negociadores voltariam aos seus respectivos países para consultas.

“Discussões em nível técnico ocorrerão na próxima semana em Viena”, anunciou.

27 de fevereiro:

Badr Albusaidi publicou a foto de um encontro com o vice-presidente americano, J.D. Vance, e escreveu que ambos compartilharam detalhes da negociação em andamento e o progresso alcançado até então.

“Sou grato pelo engajamento deles e espero avanços adicionais e decisivos nos próximos dias. A paz está ao nosso alcance”, concluiu.

Ainda na sexta-feira (27), o mediador compartilhou o vídeo de uma entrevista dele à rede de TV americana CBS News. Segundo ele, a entrevista foi para explicar que um acordo de país estava ao alcance.

“Sem armas nucleares. Nunca. Estoque zero. Verificação abrangente. De forma pacífica e permanente. Vamos apoiar os negociadores para concluir o acordo”, escreveu.

28 de fevereiro:

Neste sábado, dois dias depois de dizer que a negociação tinha atingido “progresso significativo” e no dia seguinte ter manifestado que a paz estava “ao alcance”, o mediador declarou estar “consternado”.

“As negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas. Nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz global são bem atendidos por isso”.

Badr Albusaidi escreveu ainda que reza “pelos inocentes que irão sofrer”. “Peço aos Estados Unidos que não se deixem arrastar ainda mais. Esta não é a sua guerra”, apelou.

Mortes

Segundo o Crescente Vermelho, organização civil humanitária que atua no Oriente Médio, a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã deixou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas. Em uma escola para meninas no sul do país, pelo menos 85 alunas foram mortas no bombardeio.



EBC

Conselho de Segurança faz reunião de emergência após ataques ao Irã


O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realiza reunião de emergência, neste sábado (28), sobre os ataques no Oriente Médio. Na pauta na reunião estão os ataques realizados por Estados Unidos e Israel ao Irã. A reunião está sendo transmitida ao vivo.

O Conselho de Segurança, composto por 15 membros, cada um com direito a um voto, é responsável por manter a paz e a segurança internacionais.

O grupo assume a liderança na determinação da existência de uma ameaça à paz ou de um ato de agressão. Ele insta as partes em disputa a resolvê-la por meios pacíficos e recomenda métodos de ajuste ou termos de acordo. O conselho pode recorrer à imposição de sanções ou mesmo autorizar o uso da força para manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais.

De acordo com a Carta das Nações Unidas, todos os Estados-Membros são obrigados a cumprir as decisões do conselho.

Além dos cinco membros permanentes – China, França, Federação Russa, Reino Unido e Estados Unidos –, fazem parte do Conselho de Segurança: Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letônia, Libéria, Paquistão, Panamá, Somália. Cada um deles, com mandatos de dois anos.



EBC

Pix por aproximação completa um ano com baixa adesão


Modalidade criada para acelerar as transações via Pix, o Pix por aproximação completa um ano neste sábado (28) com o desafio de atrair o interesse do público. Segundo as estatísticas mais recentes do Banco Central (BC), as transferências de dinheiro nessa categoria corresponderam a apenas 0,01% do total de transações Pix e a 0,02% do valor movimentado em janeiro.

De um total de 6,33 bilhões de transferências Pix no mês passado, apenas 1,057 milhão foi realizado por meio da aproximação do celular a uma maquininha de cartão ou a uma tela de computador. Em relação aos valores, R$ 568,73 milhões foram movimentados, de um total de R$ 2,69 trilhões em janeiro.

Segundo o diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), Gustavo Lino, as restrições de segurança do Banco Central e os limites operacionais tornam a adesão ao Pix por aproximação mais lenta. No entanto, ele diz que os últimos meses mostram tendência de expansão na modalidade, principalmente entre empresas.

“O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, inclusive no ambiente corporativo, mantendo a confiança como fundamento”, afirma.

Para Lino, com a consolidação da oferta do Pix por aproximação pelo comércio e pelas demais empresas, o uso tende a expandir-se, principalmente em pontos de venda com grande fila. “Um ano depois, o Pix por aproximação reforça a direção de evolução do Pix para estar mais presente em pagamentos de alta recorrência e no ponto de venda”, acrescenta.

No caso de pagamentos no ambiente corporativo, em que uma filial transfere recursos para a matriz, por exemplo, o diretor executivo da Init acredita que o desenvolvimento de jornadas (procedimentos de pagamento) específicas para empresas ampliará o interesse. Segundo ele, todo o processo está sendo feito com a preservação dos controles de segurança.

Evolução

Apesar da baixa participação no sistema Pix, a modalidade de aproximação tem crescido. Em julho de 2025, cinco meses depois do lançamento, apenas 35,3 mil transações nessa opção tinham sido feitas. Em novembro do ano passado, o número de transferências ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão.

Os montantes crescem de forma exponencial. De R$ 95,1 mil em julho do ano passado, pulou para R$ 1,103 milhão no mês seguinte, para R$ 24,205 milhões em novembro e atingiu R$ 133,151 milhões movimentados em dezembro.

Limites de segurança

Para inibir golpes por criminosos que usam maquininhas de cartões para retirar valores, o BC estabeleceu limite padrão de R$ 500 a cada Pix por aproximação quando a transação é feita via Google Pay, carteira digital para dispositivos Android, presente em pouco mais de 80% dos celulares dos brasileiros.

Quando a transferência é feita pelos aplicativos das instituições financeiras, obrigadas a oferecer o Pix por aproximação, os limites podem ser alterados.  O correntista pode diminuir o valor por transação e também criar um valor máximo por dia.

Diferencial

O grande diferencial do Pix por aproximação está na rapidez da transação. No Pix tradicional, o usuário tem de abrir o aplicativo do banco, conectar-se à internet, inserir a chave ou escanear um Código QR e digitar a senha.

Para usar a modalidade por aproximação, basta abrir a carteira digital ou o aplicativo da instituição e encostar o celular na maquininha ou na tela do computador em caso de compras em sites. Basta ativar a função Near Field Communication (NFC) nas configurações do smartphone.

A modalidade aproxima a experiência de pagamento à dos cartões de crédito e de débito com aproximação. Isso reduz o tempo de pagamento em comércios com alto fluxo de público ou grandes filas.

>> Entenda como funciona o Pix por aproximação

Cuidado com juros

Diversas instituições financeiras usam o Pix por aproximação para oferecer o Pix pago com cartão de crédito. O pagador, no entanto, precisa estar atento porque, nesses casos, há cobrança de juros.

Em dezembro, o BC desistiu de regular o Pix Parcelado, mas as instituições financeiras podem oferecer o parcelamento com juros do Pix, desde que usem nomes similares, como Pix no Crédito ou Parcele o Pix.



EBC

Israel diz que cerca de 200 caças atingiram mais de 500 alvos no Irã


A Força Aérea Israelense (IAF, na sigla em inglês) confirmou que mais de 500 alvos foram atingidos neste sábado (28) no Irã, durante campanha militar desencadeada por Israel e pelos Estados Unidos.

De acordo com publicação da força israelense nas redes sociais, cerca de 200 jatos militares participaram da ofensiva contra o arsenal de mísseis e os sistemas de defesa aérea da Guarda Revolucionária Islâmica no oeste e no centro do Irã.

Israel classificou a ofensiva como o “maior sobrevoo militar da história” das Forças de Defesa Israelenses (IDF, em inglês).

“Mais de 500 alvos foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea e lançadores de mísseis em diversas localidades do Irã simultaneamente”, detalha a publicação.

Mortos e feridos

Os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel deixaram ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas.

A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade Crescente Vermelho, organização civil humanitária, e foi reportada por agências de notícias, como a árabe Al Jazeera.

Ainda segundo a Crescente Vermelho, 24 das 31 províncias iranianas foram alvo de ataques. Províncias são organizações territoriais administrativas, equivalentes aos estados, aqui no Brasil.

Escola de meninas

De acordo com a oficial Agência de Notícias da República Islâmica (Irna, na sigla em inglês), um dos ataques foi em uma escola de meninas, na cidade de Minab, na província de Hormuzgan, sul do país, deixando pelo menos 85 alunas mortas.

Em outra ofensiva, 18 civis foram mortos em uma área residencial na cidade de Lamerd, província de Fars, também no sul do Irã.

O governador da província, Ali Alizadeh, disse que os ataques atingiram um complexo esportivo, um salão ao lado de uma escola e mais dois locais residenciais. Ele disse acreditar que o número de mortes iria aumentar, uma vez que havia feridos.

Ofensiva e reações

Os ataque dos Estados Unidos e de Israel aconteceram dois dias depois de uma rodada de negociações entre os americanos e os iranianos a respeito dos limites do programa nuclear do Irã. O país alega que a tecnologia nuclear tem fins pacíficos. No entanto, Estados Unidos e alguns aliados, especialmente Israel, não aceitam o desenvolvimento iraniano.

Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva deste sábado. A ONU pediu um cessar-fogo na região.

Ao justificar os ataques, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse defender os americanos.

Em retaliação, o Irã atacou países vizinhos que abrigam bases militares americanas. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, o país tem o direito de se defender.



EBC

Agência de energia atômica descarta vazamento radiológico no Irã


A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) comunicou neste sábado (28) que, apesar da recente escalada de conflitos no Oriente Médio, não foram detectados sinais de impacto radiológico na região. O órgão pediu “moderação” nos ataques e retaliações dos países envolvidos.

Israel lançou um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado, declarando estado de emergência “especial e imediato” em todo o país, de acordo com informações da agência de notícias Reuters. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de defender o povo norte-americano, “eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

O Irã, por sua vez, disparou mísseis contra países árabes do Golfo.

Em publicação nas redes sociais, a Aiea não cita se instalações nucleares específicas foram alvejadas, mas diz que monitora a situação de perto.

“A Aiea está monitorando de perto os desdobramentos no Oriente Médio e insta à moderação para evitar quaisquer riscos à segurança nuclear das pessoas na região. A Aiea mantém contato permanente com os países da região e, até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico”, diz o comunicado.

Na quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos haviam retomado as negociações com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais afirmam que o programa visa a construção de armas nucleares. O Irã nega a acusação.



EBC

Com medo de novo deslizamento em MG, pedreiro cobra moradia digna


Desde que era adolescente, o pedreiro Danilo Fartes seguiu os conselhos do pai para juntar dinheiro e montar a própria casa. Quem entra no imóvel onde vivem ele, a mulher e o filho no Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, percebe o cuidado para deixar os ambientes confortáveis.

Hoje, aos 40 anos de idade, o pedreiro tem medo de perder o que levou décadas para construir. A casa dele fica próxima ao local onde um deslizamento de terra, na última segunda-feira (23), provocou a morte de mais de 20 pessoas.

“Minha esposa, minhas irmãs, meus vizinhos estão sem dormir. Todo mundo achando que vai cair de novo”, diz Danilo.

“É o único lugar que a gente tem, foi conquistado com muito suor. Não temos recursos para sair e ir para outra região. Não é uma opção apenas, é o lugar que a gente encontra. A gente consegue um pedaço de terra, faz os cômodos e traz a família. É a história de outros trabalhadores. É o que temos, não queremos morar na rua”, completa.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Buscas por desaparecidos no bairro Jardim Burnier, em Juiz de Fora – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O pedreiro critica a falta de ações preventivas estruturais na área. “Eles esperam muitas das vezes acontecer para depois fazer. Não tem trabalho preventivo. As poucas obras de contenção que têm aqui perto ocorreram só depois que os problemas aconteceram e de forma pontual”, diz. 

Enquanto vive a incerteza sobre o futuro da família, ele lembra os momentos de angústia para ajudar os vizinhos soterrados. Moradores começaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais. Havia risco de choque elétrico e de enxurradas.

“A população desesperada veio ajudando, tirando com a unha, na mão mesmo, na raça”, conta.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Deslizamento de terra deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier, em Juiz de Fora – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ele ajudou a retirar vítimas e tentou socorrer uma criança de 3 anos. “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu.”

Nascido e criado na comunidade, o pedreiro se esforça para manter a esperança entre aqueles que continuam vivos.

“Tenho trabalhado na organização do trânsito, na remoção de escombros e na distribuição de alimentos. A gente vai ajudando do jeito que pode. Não tem muito o que fazer agora”, diz Danilo.



EBC

Ataque ao Irã pode levar a aumento do petróleo, avaliam especialistas


O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao território do Irã, neste sábado (28), deve ter reflexo direto no preço do petróleo, provocando alta no mercado internacional.

O principal motivo que leva a essa avaliação é a localização estratégica do Estreito de Ormuz, no sul do Irã, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam ainda que a ofensiva americana e israelense desacredita a negociação entre Estados Unidos e Irã sobre os limites do programa nuclear do país do Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a principal justificativa para o ataque foi defender os americanos.

Ao comentar os desdobramentos da ação militar, o pesquisador Leonardo Paz Neves, do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), considerou pouco efetivos os disparos de mísseis iranianos a países vizinhos que abrigam bases americanas.

“O Irã retaliou com algumas bombas na base do Catar, na base do Bahrein e em Israel, mas nada me parece que muito efetivo”, diz.

Gargalo no petróleo

Segundo ele, o principal reflexo mundial seria o fechamento do Estreito de Ormuz. “Vai criar um gargalo muito sério no abastecimento e no preço do petróleo internacional”, prevê.

O estreito fica no sul do Irã e liga os golfos Pérsico ou de Omã. O Irã já provocou o fechamento da passagem marítima em outras ocasiões, como forma de pressão internacional.

>> Entenda a preocupação mundial com possível fechamento de Ormuz

 


Mapa Estreito de Ormuz. Foto: Arte/EBC

Mapa Estreito de Ormuz – Arte/EBC

Na avaliação do professor titular aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Williams Gonçalves, as consequências da ofensiva podem “desorganizar a economia global”, seja por envolvimento militar de vizinhos e gargalo no comércio internacional de petróleo.

Para ele, o fechamento do Estreito de Ormuz criará desequilíbrio na distribuição do petróleo e “rápida elevação de preços”. “Isso vai afetar países que estão muito distantes do teatro de guerra e que não têm nada a ver diretamente com o problema”, antecipa.

Negociação “no lixo”

O pesquisador do FGV Leonardo Paz Neves considera que o ataque militar em meio a negociações com o Irã joga a chance de um acordo “no lixo”.

Os dois países participam de rodadas de conversa em relação ao alcance do programa nuclear iraniano. O país do Oriente Médio alega que é para fins pacíficos. No entanto, Estados Unidos e alguns aliados, como Israel, temem que o regime iraniano desenvolva armas nucleares.

O último encontro havia sido na quinta-feira (26), e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que atua como mediador da conversa, havia informado publicamente que o processo estava avançando.

Neves lembra que havia uma reunião entre as partes marcada para a próxima semana.

“Os Estados Unidos vão lá e atacam no meio do caminho, atacam de surpresa. Então, obviamente, jogam o acordo no lixo”, diz o pesquisador.

“Qual é o incentivo que os iranianos têm agora de acreditar em qualquer coisa que os americanos façam?”, indaga.

Para Neves, o governo do presidente americano Donald Trump estava usando a negociação como “engodo”, enquanto conseguia tempo para posicionar equipamentos e armamento militares próximos ao Irã.

O professor Feliciano de Sá Guimarães, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), disse à Agência Brasil que as demandas americanas nas negociações eram muito altas e exigentes. “Dificilmente os iranianos aceitariam”, acredita.

“As negociações me pareceram mais uma estratégia para inglês ver ─ window dressing, como se chama em inglês. Simplesmente para fazer a preparação estratégica e logística de pressão dos Estados Unidos”, completa.

Mudança de regime

Neves considera também que o objetivo declarado de Trump de mudança de regime politico no Irã não será algo fácil de se conseguir.

“Não me parece que vai ser algo trivial”, diz. Na visão dele, o Irã tem se preparado para um ataque, e as principais autoridades, como o líder supremo Ali Khamenei, encontram-se protegidas.

“Acho que não vai ter essas missões espetaculares, como teve na Venezuela”, aponta o pesquisador da FGV, se referindo ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.

O professor da USP Feliciano de Sá Guimarães elenca fatores que dificultam os esforços dos Estados Unidos para a troca de poder no Irã.

“É uma situação de escalada militar e quem estuda escalada sabe que o vitorioso é sempre aquele que está disposto a subir mais riscos. Ao que parece, o Irã, neste momento, ao contrário do ano passado, está disposto a subir mais riscos”, sustenta.

Na visão de Guimarães, o Irã é um país muito grande e muito difícil de ser vencido estrategicamente. “Os americanos conseguem vitórias táticas e não vitórias estratégicas contra o Irã”, diz.

Williams Gonçalves considera que o Irã é uma nação organizada, tem história e capacidade de reação. O professor da Uerj enfatiza que o país tem importantes aliados no cenário internacional.

“O Irã não é um Estado qualquer, [não é] um Estado isolado. O Irã tem uma vizinhança instável, como todo o Oriente Médio, mas também tem vizinhos fortes, que o prestigiam, que o protegem. Portanto, a situação é muito delicada, imprevisível.”



EBC

“Irã tem direito de se defender”, diz vice-ministro após retaliação


O Irã afirma ter atingido várias bases norte-americanas no Oriente Médio em retaliação ao ataque ao país feito neste sábado (28), informa a rede Al Jazeera.

Segundo o canal, o governo iraniano confirmou que fez o ataque a várias bases dos EUA na região, incluindo Bahreim, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que alvos militares de Israel e dos EUA no Oriente Médio viraram alvos “das poderosas explosões dos mísseis iranianos”. A Guarda disse ainda que “esta operação vai continuar sem trégua até que o inimigo seja definitivamente derrotado”. Para o exército do Irã, “todas as bases dos EUA na região são alvos legítimos”.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Ghanbari, disse à rede Al Jazeera que “o Irã tem o direito de se defender e lamenta qualquer perda humanitária que possa causar devido a esta escalada militar”.

Segundo a Al Jazeera, pelo menos uma pessoa morreu nos Emirados Árabes Unidos devido ao ataque do Irã. O Bahreim considerou a ofensiva do Irã um “ataque traiçoeiro e uma violação gritante da soberania e segurança do reino”.

Já o Kuwait e o Catar afirmam que interceptaram todos os mísseis disparados pelo Irã.



EBC

Número de mortes sobe para 66 em Minas Gerais


O número de mortes nas enchentes em Minas Gerais subiu para 66, das quais 60 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou neste sábado (28) o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Três pessoas ainda seguem desaparecidas, sendo duas em Ubá e uma em Juiz de Fora, o menino Pietro, de 9 anos de idade.

Até a manhã deste sábado, havia 65 pessoas mortas, mas os Bombeiros encontraram o corpo de um homem não identificado em Juiz de Fora, no Bairro Linhares.

As chuvas causaram alagamentos e deslizamentos de terras e os bombeiros trabalham para buscar sobreviventes e para retirar os corpos em meio aos escombros.

Em Juiz de Fora, segundo a prefeitura, mais de 4,2 mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas e foram registradas 2.149 ocorrências pela Defesa Civil desde segunda-feira (24). Em Ubá, são pelo menos 421 desabrigados e desalojados.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, disse, na sexta-feira (27), que uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco e que é preciso fazer intervenções por todo o município para evitar novas tragédias.  

Também na sexta-feira, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou o repasse de R$ 6,196 milhões para ações de resposta em sete municípios atingidos por desastres naturais em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.

Em Minas Gerais, os municípios de Ubá e Matias Barbosa, afetados pelas fortes chuvas desta semana, estão entre os contemplados. 



EBC

Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã


O governo do Brasil condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, neste sábado (28). Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou grave preocupação com a situação e lembrou que os bombardeios ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes.

Para o Itamaraty, a negociação é o único caminho viável para a paz, “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato direto com a comunidade brasileira, para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança. As demais embaixadas brasileiras na região também acompanham os desdobramentos das ações militares, “com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados”.

“Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem”, alertou o Itamaraty.

Israel lançou um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado (28), declarando estado de emergência “especial e imediato” em todo o país, de acordo com informações da agência de notícias Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de defender o povo americano, “eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.

Na quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos haviam retomado as negociações com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais afirmam que o programa visa a construção de armas nucleares. O Irã nega a acusação.



EBC