Municípios fluminenses começam a receber vacina contra a dengue


Os 92 municípios fluminenses começarão a receber, nesta segunda-feira (23), a nova vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan. A distribuição será feita pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Ao todo, o estado recebeu 33.364 doses, das quais 12.500 vão para a capital fluminense.

Conforme determina o Ministério da Saúde, as primeiras doses do imunizante são destinadas a profissionais da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (APS/SUS). Estão incluídos também trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades.

Serão contemplados, nesse primeiro momento, profissionais que atuam diretamente nas unidades, englobando médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, integrantes das equipes multiprofissionais (como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos), além de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). A ampliação para outros públicos ocorrerá posteriormente, informou a SES-RJ.

O gerente de Imunização da Secretaria, Keli Magno, explicou que a vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi licenciada para uso na faixa etária de 12 a 59 anos. “Considerando que a vacina do laboratório Takeda está preconizada para a população de 10 a 14 anos, recomenda-se que a vacina do Instituto Butantan seja administrada na faixa etária de 15 a 59 anos de idade”.

“A estratégia será escalonada e gradativa, iniciando pelo grupo de profissionais da Atenção Primária à Saúde, e avançando progressivamente, conforme a disponibilidade de doses pelo fabricante, para demais grupos, até contemplarmos todos os adolescentes com 15 anos de idade que não foram vacinados com a vacina do laboratório Takeda”, acrescentou.

Vacinação

O desdobramento da vacinação levará em consideração a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica dos municípios. A vacina tem dose única e protege contra os quatro sorotipos da doença. No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 têm aparecido com mais frequência.

No entanto, a possibilidade de surgirem casos da dengue tipo 3 preocupa a SES-RJ, uma vez que não circula no estado desde 2007, o que pode levar a um cenário de vulnerabilidade para pessoas que não tiveram contato com esse sorotipo, esclareceu a Secretaria. Essa variante da dengue circula em estados vizinhos, mas não se propagou no Rio de Janeiro até agora.

Prevenção

Embora os indicadores da dengue continuem em níveis baixos, a Secretaria de Estado de Saúde alerta para a importância de ações de prevenção da doença após o Carnaval. Destacou que as chuvas intensas ocorridas dias antes do início da folia, associadas ao calor excessivo do verão, podem levar à reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e também da chikungunya e da zika. Além disso, há muita movimentação de turistas nesse período, no estado, que podem vir de localidades onde haja circulação do vírus.

Casos prováveis

Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ mostram que este ano, até o último dia 20, o estado registrou 1.198 casos prováveis e 56 internações por dengue, sem confirmação de óbitos. Até o momento, há 41 casos prováveis de chikungunya, com 5 internações. Não existem, contudo, casos confirmados de zika no território fluminense.

O monitoramento da dengue, arbovirose que mais circula, é realizado com um indicador composto que analisa atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade, informou a SES-RJ. Os dados podem ser visualizados em tempo real no MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br). Os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina.

Como o mosquito Aedes aegypti tem uma alta capacidade de reprodução, a recomendação é que cada pessoa dedique dez minutos por semana para realizar uma varredura em suas casas, verificando a vedação da caixa d’água, limpeza de calhas, colocação de areia nos pratos de plantas e descarte de água de bandejas de geladeira.

A secretaria lembra ainda que, no verão, temporada que intercala chuvas e calor, o ciclo de reprodução do mosquito tem condições ideais. Os ovos do Aedes aegypti são depositados nos acúmulos de água e eclodem com a incidência do sol e calor.

Outras ações

O Ministério da Saúde iniciou, em 2023, o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa. Foram aplicadas mais de 758 mil doses do imunizante em todo o estado. Do público-alvo de 10 a 14 anos de idade, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose e 244 mil completaram o esquema com a segunda dose.

Videoaulas e treinamentos são utilizados também pela Secretaria, visando a qualificação da rede de saúde. O estado foi pioneiro ao criar uma ferramenta digital que uniformiza o manejo dos casos de dengue nas unidades de saúde. A aplicação também foi disponibilizada aos outros estados brasileiros.

Além disso, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado para realizar até 40 mil exames por mês, garantindo detecção ágil para a dengue e também zika, chikungunya e a recém-introduzida febre do Oropouche, que é uma arbovirose não transmitida pelo Aedes aegypti, mas pelo Ceratopogonidae, mais conhecido como Maruim, informou a SES-RJ, por meio de sua assessoria de imprensa.



EBC

Histórias em quadrinho podem ajudar no debate racial em sala de aula


Fã de histórias em quadrinhos (HQ) desde a infância, a doutoranda e professora Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu um estudo que confirma como as graphic novels podem provocar reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal, fortalecendo a educação antirracista. 

As graphic novels são HQ com histórias completas, imagens e textos mais longos.


19/02/2026 - 'Graphic novels' podem preparar professores para debate étnico-racial em sala de aula. Na foto a doutoranda Fernanda Pereira da Silva. Foto: Divulgação/arquivo pessoal

Doutoranda Fernanda Pereira da Silva acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Até o mestrado sobre relações étnico-raciais, baseado em heróis negros de HQs, Fernanda não tinha parado para falar de racismo. 

“Me senti uma ignorante, porque nunca tinha parado para tratar de questões raciais. A questão é de todo mundo, independente da cor da pele”, disse Fernanda (19) à Agência Brasil

Por isso, ela acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão.

Em 2018, no final do mestrado, quando o governo federal lançou HQs com os heróis negros Carolina, Cumbe e Angola Janga no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), ela resolveu que se dedicaria, no doutorado, a pesquisar como as graphic novels poderiam contribuir para o debate racial na formação inicial dos professores do ensino fundamental. 

“Vi a importância de trabalhar isso na formação inicial para que esses professores se estimulem no sentido de continuar o debate antirracista na sua formação posterior. Daí o meu interesse de inserir as HQs para trazer a discussão antirracista para dentro da sala de aula”. 

A tese de doutorado de Fernanda tem o título Cotidiano, escola e Graphic novel: O papel da mídia no fortalecimento da Educação para Relações Étnico-Raciais e contou com orientação da professora da Faculdade de Educação da UFF, Walcéa Barreto Alves.


19/02/2026 - 'Graphic novels' podem preparar professores para debate étnico-racial em sala de aula. Na foto a doutoranda Fernanda Pereira da Silva interagindo com os alunos. Foto: Jean Barreto/ Divulgação

A doutoranda Fernanda Pereira da Silva interagindo com os alunos. Foto: Jean Barreto/ Divulgação

Em campo

Fernanda realizou um trabalho de campo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek com os alunos do segundo ano do ensino médio, dos quais a grande maioria (95%) eram negros. O que ela constatou foi que as escolas abordam o tema do racismo somente em novembro, mês da Consciência Negra, mas deixam de falar no assunto no resto do ano, enquanto os alunos vivenciam situações de racismo e discriminação cotidianamente, conforme relataram. Não existe também um planejamento escolar para falar da questão do racismo.

Outra constatação é que a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros, de acordo com pesquisa do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana. Um dos argumentos para a não aplicação da lei é que os professores consideram o tema polêmico e difícil de trabalhar. “E não é polêmico. Faz parte da nossa história”.

Fernanda argumentou que a questão do racismo pode ser trabalhada de várias formas. 

“Pode convidar pessoas para fazer palestras na escola. E uma estratégia que eu vi é buscar outros elementos para trabalhar a questão racial. Então, olhei para as HQs e perguntei: por que não levar a história da escritora Carolina Maria de Jesus e, através das graphic novels, apresentar para os estudantes e, contando a história daquela escritora, falar sobre educação antirracista?”, diz. 

Imersão


19/02/2026 - 'Graphic novels' podem preparar professores para debate étnico-racial em sala de aula. Na foto Professora da UFF Walcéa Barreto Alves. Foto: Divulgação/arquivo pessoal

A professora da UFF Walcéa Barreto Alves diz que o trabalho de campo fez uma ação interventiva. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

A professora Walcéa Barreto Alves, da Faculdade de Educação da UFF, destacou que Fernanda teve a atenção de fazer um trabalho de campo que não ficasse só no âmbito teórico, mas fez uma ação também interventiva. A partir dessa imersão em campo, Fernanda pôde observar o dia a dia desses estudantes, verificando se a escola debatia ou não temas de questões étnico-raciais para esses futuros professores e professoras. 

“Ela constatou que não havia esse debate cotidianamente e que ele ficava reservado prioritariamente para novembro, que é o Mês da Consciência Negra”, afirmou Walcéa. 

A partir das entrevistas e questionários formulados, Fernanda observou que os alunos vivenciam situações de racismo no seu cotidiano individual fora da escola e também no interior desses estabelecimentos.

A preocupação de Fernanda foi preparar esses futuros professores para quando forem lecionar para as novas gerações. “A ideia da Fernanda foi fazer uma prática interventiva, como fez com essas graphic novels, para eles terem acesso a esse material e terem possibilidade de desdobramento na sua prática docente”, destacou a professora Walcéa. 

O objetivo foi escutar quem está de fato nesse cotidiano, acrescentou. Fernanda afirmou que essa é uma maneira mais atrativa para trabalhar o tema das relações étnico-raciais, a partir da história de personagens negros, “porque vai puxando várias discussões”.

Walcéa chamou a atenção para uma questão importante que a tese apresenta, que é olhar para a dimensão étnico-racial com uma perspectiva positiva e de liderança dos personagens e das pessoas negras, que foram os protagonistas da história. 

“Em muitas obras, percebe-se que as pessoas negras são sempre colocadas de canto; são, no máximo, coadjuvantes. Não há um protagonismo, em especial em material didático, que coloque a identidade positiva da questão racial, da raça negra e indígena, dos povos originários do nosso país. A visão é muito colonialista mesmo”. Já o objetivo é trazer esse material em uma perspectiva decolonial para a visão do debate étnico-racial.

Leveza

Na avaliação da professora da UFF, as HQs constituem uma ferramenta essencial para que o debate sobre racismo seja mais amplificado. 

“As HQs trazem uma leveza e, ao mesmo tempo, conseguem trabalhar o tema com profundidade, devido aos recursos visuais, à própria organização textual que facilitam a leitura da criança e do adolescente e, inclusive, dos adultos. Mas elas permitem também que haja um aprofundamento de algumas questões, que se levantem questões paralelas àquela história principal. Com certeza, elas são uma ferramenta importantíssima e muito valiosa”.

Walcéa defendeu que haja um trabalho de conscientização e acesso a esse material, porque pode ser usado em qualquer disciplina para debater, esclarecer e valorizar a questão étnico-racial dentro e fora da escola desde os anos iniciais. Ela reforçou ainda a necessidade de se avançar e usar as HQs no planejamento das escolas, bem como na prática pedagógica. 



EBC

Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo


O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.

Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).

O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo.

“O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.

Brasil em destaque

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.

Tipos de pesticidas

Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, ​​aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.

Meta global distante

O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.

Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.

Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.

Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.



EBC

Lula diz que Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento, em especial os do chamado Sul Global, para “mudar a lógica econômica” do mundo. A afirmação foi feita na madrugada deste domingo (22), momentos antes de encerrar a visita à Índia e partir para a Coreia do Sul. 

Em coletiva de imprensa, Lula falou sobre as dificuldades históricas que países menos desenvolvidos têm durante as negociações com superpotências. 

“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse Lula. 

Segundo ele, “os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.

Brics
Na avaliação de Lula, o Brics tem colaborado no sentido de viabilizar essa nova lógica econômica para o mundo. O bloco, na avaliação do presidente “está ganhando uma cara”. 

“É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os EUA têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”, argumentou.

Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse.

ONU
O presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da ONU, que, segundo Lula, precisa voltar a ter legitimidade e eficácia. Segundo Lula, a ONU tem, entre suas funções, a de manter a paz e da harmonia no mundo.

“Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país — por maior que seja — possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, reiterou.

EUA
Sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula disse que boas parcerias podem surgir, caso, de fato, haja interesse dos EUA  em combater organizações criminosas transnacionais como a do narcotráfico. 

“O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco”, disse. “E se o governo dos EUA estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive reivindicando que nos enviem os criminosos brasileiros que estão lá”, acrescentou.

Lula defendeu que a relação da superpotência com os países da América do Sul e Caribe seja sempre respeitosa, uma vez que trata-se de uma região pacífica, sem qualquer armamento nuclear, que quer crescer economicamente, gerar emprego e melhorar a vida de seu povo.

Este, por sinal, é um assunto que ele pretende conversar com o presidente Donald Trump, no encontro que os dois devem ter em breve. 

“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça, como está fazendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Vamos gastar nossa energia para acabar com a fome e com a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países”, disse Lula ao lembrar que o momento atual é o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

Sobre a taxação imposta pelos EUA a outros países, derrubada recentemente pela suprema corte estadunidense, Lula disse que não cabe a ele, enquanto presidente do Brasil, julgar decisões de cortes de outros países.

Índia
Lula falou também sobre os encontros que teve com o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi. “Tratamos muito da nossa relação comercial e da relação entre Brasil e Índia. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Eu sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas, e eles sabem o que o Brasil pensa. Nós discutimos o que nos une. Em especial sobre fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, disse ao classificar a conversa como extraordinária e exitosa para os dois países.

Lula disse que as conversas com empresários também foi muito positiva. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos. Eles são muito otimistas com relação ao Brasil”.

O presidente voltou a dizer que o Brasil está aberto para que outros países venham explorar os minerais críticos e as terras raras do país. Ele, no entanto, reiterou que só terá acesso a essas riquezas quem se dispor a agregar valor em território brasileiro. 

“O processo de transformação precisa acontecer no Brasil. Vamos conversar. O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso mineiro de ferro. Por tantos anos a gente só se cavou buraco para mandar minério para fora e depois comprar produto manufaturado. Queremos que ele seja transformado no Brasil”.

Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para visitas à Índia e à Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia, a segunda do atual mandato.

Neste domingo (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.




EBC

Carnaval 2026: Veja programação dos blocos do Rio neste domingo


No último dia de carnaval no Rio de Janeiro, neste domingo, (22), o grande destaque é o desfile do Monobloco, na Rua Primeiro de Março, no centro. Um dos ícones da folia carioca, grupo se destaca pela mistura de ritmos e estilos musicais. O repertório eclético  incorpora marchinhas tradicionais, samba de Cartola e Clara Nunes, xote de Alceu Valença, forró de Luiz Gonzaga, funk de Ludmilla, pop de Anitta, além de canções de Paralamas do Sucesso, Raul Seixas e Tim Maia.

Ao todo, 462 blocos foram autorizados a desfilar no carnaval carioca pela Empresa Municipal de Turismo do Rio (Riotur), que espera receber 6,8 milhões de foliões apenas nos blocos de rua espalhados por toda a cidade. 

Veja a programação dos blocos:

MONOBLOCO 

 Hora: 7h  Endereço: Rua Primeiro de Março, 33 – centro

FILHOS DA PUC 

 Hora: 9h  Endereço: Av. Delfim Moreira, 1111 – Leblon

QUEM VAI VAI, QUEM NÃO VAI NÃO CAGUETA! 

 Hora: 11h  Endereço: Praça Jerusalém, 8 – Jardim Guanabara

BLOCO LITTLE BE 

 Hora: 8h Endereço: R. Visconde de Pirajá, 356 – Ipanema

GRÊMIO RECREATIVO BLOCO CARNAVALESCO AMIGOS DA JOAQUIM MÉIER 

 Hora: 16h  Endereço: R. Guaju – Méier

NOSSOBLOCO OFICIAL 

 Hora: 16h  Endereço: R. Sacadura Cabral, 75 – Saúde

REPÚBLICA SUBURBANA  

Hora: 10h  Endereço: R. Soares Caldeira, 115 – Madureira

BLOCO AÍ SIM! 

 Hora: 13h  Endereço: Praça Comandante Xavier de Brito, s/n – Tijuca

BLOCO CARNAVALESCO UNIÃO DOS BLOCOS DA ILHA DO GOVERNADOR  

 Hora: 10h  Endereço: Rua Fernandes da Fonseca, 84 – Ribeira

LIGA DE BLOCOS E BANDAS DA ZONA PORTUARIA 

 Hora: 17h  Endereço: R. Sacadura Cabral, 250 – Gamboa

BLOCO CULTURAL 7 DE PAUS 

 Hora: 16h  Endereço: Boulevard 28 de Setembro, 238 – Vila Isabel

BLOCO UNIÃO DOS FOLIÕES DA AFERJ

 Hora: 9h Endereço: Praia da Olaria, 155 – Cocotá



EBC

São Paulo e Palmeiras se garantem nas semis do Campeonato Paulista


Os dois primeiros semifinalistas do Campeonato Paulista foram definidos na noite deste sábado (21). O primeiro classificado foi o São Paulo, que, jogando no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, derrotou o Bragantino pelo placar de 2 a 1.

Jogando em casa, o Massa Bruta iniciou melhor na partida, mas o Tricolor do Morumbi assumiu o controle das ações com o decorrer do tempo e conseguiu abrir o marcador antes do intervalo, aos 39 minutos com o volante paraguaio Bobadilla.

Logo no início da segunda etapa a equipe do técnico argentino Hernán Crespo ampliou sua vantagem com o atacante Lucas Moura. Aos 27 o Bragantino chegou a ensaiar uma reação com um gol de Gustavo Marques. Mas o placar não foi mais alterado até o apito final.

Porco semifinalista

Quem também avançou na competição foi o Palmeiras, graças a uma vitória por 4 a 0, com um gol do meio-campista Andreas Pereira, um do meia-atacante Ramón Sosa e dois do centroavante Vitor Roque em partida disputada na Arena Barueri.

Agenda do Paulista

Os outros dois semifinalistas do Paulista serão conhecidos no próximo domingo (22), quando Novorizontino recebe o Santos no estádio Jorge Ismael de Biasi, a partir das 16h (horário de Brasília), e a Portuguesa mede forças com o Corinthians no estádio do Canindé, a partir das 20h30.





EBC

Após 20 anos, roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí prescreve no Rio


Sexta-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2006. Enquanto as ladeiras sinuosas de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, são tomadas por sons de marchinhas e sambas tradicionais, um grupo de homens carrega nos braços quadros de Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse.

Era dia de apresentação do Bloco das Carmelitas, mas a cena não fazia parte da festa. Ali, em meio à uma multidão de foliões, acontecia aquele que é considerado um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil e um dos dez maiores do mundo, segundo o FBI – principal departamento de investigação dos Estados Unidos.

Eu estava lá no dia. Os policiais tentavam passar pelo bloco e não conseguiam, porque a gente jogava latinha neles. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo. A gente pensava que era algo acontecendo dentro do próprio Carmelitas, como furto ou outra confusão”, lembra o produtor Daniel Furiati.

Os criminosos pularam os muros do Museu da Chácara do Céu e sumiram pelas ruas do bairro com cinco peças. Juntas, elas valiam mais de US$ 10 milhões na época (R$ 52 milhões, na conversão atual). As obras e os assaltantes jamais foram encontrados.

Passados 20 anos, o crime prescreve oficialmente nesta semana e os responsáveis pelo roubo não poderão mais ser punidos.

Suspeitos

Nesse tempo todo, três nomes figuraram na lista de suspeitos principais do crime. A primeira linha de investigação envolveu Paulo Gessé, dono de uma kombi branca, em que pelo menos uma das obras de arte teria sido transportada. A polícia suspeitava que ele fosse cúmplice de outros quatro assaltantes.

A delegada responsável pelo caso grampeou o celular do motorista, mas não conseguiu que as ligações fossem gravadas no banco de dados da corporação. Ela decidiu, então, registrar tudo manualmente.

Gessé chegou a ter a residência vasculhada e a ser preso por alguns dias. A Justiça, porém, entendeu que não havia nada de concreto para torná-lo réu e determinou que ele fosse solto.

Denúncias anônimas adicionaram mais dois homens à lista. Michel Cohen, negociador francês de pinturas, acusado nos Estados Unidos de obter US$ 50 milhões em operações fraudulentas.

Em maio de 2003, portanto antes do crime, Cohen chegou foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro, mas conseguiu fugir em dezembro do mesmo ano. A suspeita é de que ele também estivesse envolvido no caso da Chácara do Céu em 2006.

O francês permaneceu com paradeiro desconhecido por dezesseis anos e só foi reaparecer publicamente quando aceitou fazer parte do documentário O Golpe de Arte de 50 Milhões de Dólares, exibido em 2019 pela BBC. As últimas informações disponíveis dão conta de que continue escondido da Interpol.

Outro francês, o artesão radicado no Brasil Patrice Rouge também foi incluído como suspeito. Dois endereços atribuídos a ele no Rio de Janeiro foram alvo de diligências policiais. As residências, no entanto, estavam vazias e os agentes nunca mais voltaram.
 


Rio de Janeiro - Foliões desfilam no Bloco das Carmelitas, que percorre o bairro turístico de Santa Teresa (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Bloco das Carmelitas, que percorre o bairro turístico de Santa Teresa. Os assaltantes carregaram as obras roubadas em meio ao bloco carnavalesco, em 2006 – Fernando Frazão/Agência Brasil

Entrevista exclusiva

Ele nunca prestou depoimento à Polícia Federal, tampouco se manifestou publicamente sobre a denúncia, até hoje.

Vinte anos depois, Patrice Rouge decidiu falar pela primeira vez. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, negou qualquer participação no roubo. Ele atendeu a reportagem por telefone, direto de sua residência atual em Avignon, cidade histórica da região da Provence, no Sudeste da França.

“Essa história toda é completamente absurda. Uma pessoa faz uma denúncia anônima e o meu nome é jogado no meio de tudo isso”, reclama Rouge.

“Eu estava na França quando ouvi falar desse roubo pela primeira vez. O meu advogado me ligou e disse que eu estava sendo acusado. Imagina a minha cara? Eu perdi o chão. Isso me prejudicou muito”, relata.

Rouge conta que veio parar no Brasil em 1974, durante um passeio de volta ao mundo com amigos. Conheceu um homem que o apresentou ao mercado de joias antigas.

Ele, então, decidiu ficar no país, para decepção dos amigos, que seguiram viagem. Depois, chegou a trabalhar com restauração de peças de antiguidade.

Nesse período, era proprietário de uma casa em Santa Tereza, bem próxima ao Museu da Chácara do Céu. Esse fato, na época das investigações, aumentaram as suspeitas. Ele, no entanto, garante que nunca sequer entrou no museu.

Rouge conta que voltou, definitivamente, para a França no ano de 2005, mas que retornou com frequência ao Brasil, nesses últimos 20 anos, para visitar a filha e o neto, que vivem no Rio de Janeiro. Ele está prestes a completar 77 anos.

“Se eu fosse uma pessoa culpada, por que faria isso? Se uma pessoa tivesse culpa no cartório, como se diz no Brasil, faria tudo para se esconder. A última vez que estive no Rio foi em 2025. Fui na Polícia Federal, no aeroporto do Galeão. Pedi uma lista das minhas entradas no Brasil para ter esse documento comigo”, diz Rouge.

“Quando um criminoso é procurado pela Interpol, ele vai ser caçado em qualquer lugar do mundo. Eu nunca tive problemas com a Justiça, seja na França, seja no Brasil”, complementa.

Arte do descaso

Em 2011, a jornalista Cristina Tardáguila decidiu investigar o caso. As informações que reuniu viraram livro: A Arte do Descaso, publicado em 2015.

O título resume a principal conclusão da autora: de que houve um desinteresse institucional generalizado em solucionar o crime.

“Houve descaso da diretoria do museu à época, descaso do governo federal, do Ministério da Cultura, da polícia e da mídia que se esqueceu de acompanhar o assunto”, critica a jornalista.

“Nesse período todo de pesquisa para o livro, não encontrei ninguém efetivamente engajado. É uma falência da proteção dos bens culturais do Brasil.”

No livro, a jornalista descreve uma sequência de erros e negligências. Ela conta que a primeira patrulha da Polícia Militar só conseguiu chegar ao museu meia hora depois do roubo, tempo de reação três vezes superior à média registrada na Europa.

Quando a PF chegou ao local, pelo menos trinta pessoas haviam circulado pelo museu, sem o cuidado de preservar eventuais provas.

A PF emitiu um comunicado para as equipes localizadas nos principais portos e aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo. O fax, no entanto, não tinha fotografia das obras, não descrevia as dimensões, as cores ou o tipo de moldura, nem listava a totalidade das peças. Duas sequer foram citadas no comunicado.

No momento do roubo, nove pessoas, entre guardas e visitantes, foram feitas reféns. Três delas nunca foram ouvidas pela polícia durante as investigações.

Cristina Tardáguila também critica a estrutura da PF, à época, concentrava em um mesmo departamento dois tipos de crimes completamente diferentes: a Delegacia de Repressão ao Crime contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph).

Na época, também não havia um banco de dados sobre as obras de arte roubadas no país. O Cadastro Nacional de Bens Musealizados Desaparecidos (CBMD) só seria criado anos depois, em 2013, por meio do decreto Decreto 8.124.

A jornalista conta que um dos momentos mais emblemáticos de “descaso” ocorreu em uma visita que fez ao Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2014. O procurador ligou para a PF para saber como estava o andamento das investigações e foi informado que o inquérito policial havia desaparecido.

O inquérito policial IPL 2006.51015138422 só seria encontrado novamente no fim de 2015, entre pilhas de papel que chegavam diariamente à Polícia Federal.

A Agência Brasil entrou em contato com o MPF para saber se o inquérito teve alguma movimentação nova depois de 2015.

A resposta foi que “devido à falta de autoria definida, o processo criminal principal permaneceu em fase de investigação e foi arquivado provisoriamente”.

Em outras palavras, ficou suspenso à espera de novidades. A data deste arquivamento não consta no sistema do MPF.

A Polícia Federal não respondeu aos pedidos de informação sobre o inquérito.


Rio de Janeiro (RJ), 21/02/2026 - Museu Chácara do Céu. Foto: Museu Chácara do Céu/Divulgação

Museu Chácara do Céu, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro – Museu Chácara do Céu/Divulgação

Reforço na segurança

A reportagem da Agência Brasil esteve no Museu Chácara do Céu na véspera do desfile do Carmelitas para observar se houve mudanças no sistema de segurança. Não foi possível fazer a visita no dia exato do bloco.

Desde 2007, o museu fecha nos dias da folia e sempre que há desfiles de outros blocos em Santa Tereza.

Em 2006, na tarde do roubo, apenas três seguranças estavam de plantão. Havia câmeras de vigilância, mas as imagens ficavam gravadas exclusivamente em fitas cassete, sem monitoramento remoto. Todas as fitas foram levadas pelos criminosos.

Na visita da reportagem em 2026, eram pelo menos cinco seguranças, dois na guarita e três no interior do prédio principal. Todos os corredores e as salas com obras de arte têm monitoramento por câmeras, assim como os arredores do prédio principal, portaria e estacionamento.

Segundo a diretora do museu Vivian Horta, que está no cargo desde 2024, a segurança tornou-se uma das prioridades.

“Nosso sistema de câmeras é bem moderno. Foi todo atualizado há cerca de dois anos. Tem monitoramento 24 horas, sete dias por semana, com gravação também. Toda a equipe de vigilância é treinada e o roubo é citado como referência.”

“A equipe administrativa tem procedimentos padronizados para controlar a circulação de visitantes e pesquisadores no museu, a entrada de carros. E temos um contato bem estreito com a polícia e a Guarda Municipal. Eles são sempre chamados quando vemos alguma movimentação suspeita”, complementa.

As obras


Rio de Janeiro (RJ), 21/02/2026 - Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí no Rio prescreve após 20 anos. Foto: CBMD/Divulgação

Marine, de Claude Monet – CBMD/Divulgação

O Museu da Chácara do Céu existe desde 1972. Antes disso, o prédio serviu de residência para o empresário e colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya até sua morte. Desde 1983, a instituição é administrada pelo Ministério da Cultura.

As cinco obras roubadas em 2006 estavam entre as mais valiosas do acervo. A primeira era a pintura em óleo sobre tela de Claude Monet, com o título Marine (Marinha).  Em tons pastel, retratava um litoral montanhoso e inabitado.

A segunda peça era Le Jardin du Luxembourg (O jardim de Luxemburgo), óleo pintado por Henri Matisse que retratava um parque arborizado e colorido. Trazia árvores altas, de copas amareladas, e um caminho de terra ou areia entre elas. Ao centro, um pedestal (imagem em destaque).


Rio de Janeiro (RJ), 21/02/2026 - Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí no Rio prescreve após 20 anos. Foto: CBMD/Divulgação

La Danse, de Pablo Picasso Divulgação – CBMD/Divulgação

A terceira era La Danse (A dança), óleo sobre tela pintado por Pablo Picasso. O quadro trazia quatro silhuetas de crianças dançando ao som de um trompete tocado por um adulto. Todos estão ao ar livre, em uma floresta de árvores grandes.

A quarta obra é o óleo sobre madeira que Salvador Dalí chamou de Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons (Homem de aparência doentia escutando o barulho do mar sobre duas varandas). A obra mostrava dois edifícios paralelos com dois homens olhando pela janela, um em cada prédio.

A quinta peça era o livro de gravuras Toros (Touros), com quinze pranchas soltas de ilustrações feitas por Picasso.

Patrimônio público

Especialista em artes visuais e perito em reconhecimento de obras de arte para a Receita Federal, Helder Oliveira entende que o roubo representou uma perda cultural não apenas para o museu, mas para toda a sociedade.

“Temos outras coleções particulares que nunca se tornaram públicas. Essas obras estavam disponíveis para todas as pessoas contemplarem e estudarem. Eram inúmeras possibilidades de educação e de pesquisa”, diz Helder.

“É preciso reforçar que essas pinturas eram únicas. Não vamos ter outras iguais. Ninguém vai poder ver aquele Matisse, Picasso, Dalí e Monet específicos. O que se roubou foi um patrimônio do país”, completa.

Helder Oliveira destaca que casos como o da Chácara do Céu apontam para a necessidade de mudanças estruturais no país.

“Precisamos de políticas públicas que valorizem mais nosso patrimônio cultural. Muitas vezes, o roubo tem a ver com falta de manutenção e de segurança, porque não há verba. Também precisamos investir em uma polícia dedicada exclusivamente ao tema, o que, infelizmente não existe ainda”, diz o especialista.

Para a jornalista Cristina Tardáguila, também é preciso que as autoridades mudem a forma como hierarquizam os crimes. Ela diz que policiais e políticos tratam com desdém roubos de arte porque não costumam ter homicídios, porque entendem a arte como supérflua e porque as vítimas são vistas como membros da elite.

“Além do valor cultural público, artes roubadas também costumam alimentar outros tipos de crime. Obras podem servir de moedas de troca. Um quadro do Picasso pode comprar rifles; um Monet, determinadas quantidades de cocaína, por exemplo. Não é normal que essas obras roubadas sejam vendidas diretamente no mercado aos olhos de todos”, explica.
 


Rio de Janeiro (RJ), 21/02/2026 - Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí no Rio prescreve após 20 anos. Foto: CBMD/Divulgação

Obra Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons, de Salvador Dalí – CBMD/Divulgação

O crime nas telonas

O interesse público pelo tema deve ganhar novo fôlego por causa do cinema. A Caribe Produções está à frente do projeto de um longa-metragem ficcional baseado no livro A Arte do Descaso.

O roteiro contou com apoio da Warner Bros e está em fase de captação de financiamento. A expectativa é de que comece a ser produzido ainda este ano.

Um dos envolvidos é o produtor Daniel Furiati, que no início desta reportagem falou sobre a experiência de estar no bloco Carmelitas em 2006, no dia do crime.

“Um dos nossos compromissos é não glamourizar o roubo de arte, sabendo que ele se articula com uma série de outros crimes. Acho que o filme pode trazer uma nova luz sobre o caso. O fato de estar perto da prescrição diz muito sobre o nosso país”, reflete Daniel.

Para o Museu Chácara do Céu, o histórico infrutífero das investigações e a prescrição do crime não representam o capítulo final do mistério de vinte anos.

“É óbvio que a ausência dessas obras não deixa de ser sentida. Porém, a gente reconhece que a nossa missão institucional não sofre prejuízo. Essas obras continuam fazendo parte da história e do legado de Castro Maya”, diz a diretora do museu.

“A prescrição também não é um óbice para que essas obras sejam encontradas. A gente tem a expectativa de que elas voltem para o museu. A gente não perde essa esperança”, diz a diretora da Chácara do Céu.

 



EBC

Queda de asa-delta mata homem e fere mulher no Rio


Um homem morreu e uma mulher está gravemente ferida após queda de asa-delta na praia de São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro.

Socorrido na praia, o homem não resistiu ao acidente. A mulher foi encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea.

O Corpo de Bombeiros Militar não identificou as vítimas, nem deu informações sobre nomes, profissão e idades. Segundo a imprensa local, trata-se de um instrutor de asa delta e uma turista estadunidense.

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 11h18 deste sábado para prestar socorro às duas pessoas. O auxílio foi prestado pelas delegacias da guarnição marítima de São Conrado e de Copacabana.

Perícia policial está no local analisando o acidente.




EBC

Ferroviária aproveita fator casa para vencer a primeira no BR Feminino


A Ferroviária fez valer o fator casa para alcançar a sua primeira vitória na Série A1 do Campeonato Brasileiro de futebol feminino. Jogando na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, as Guerreiras Grenás derrotaram o Botafogo por 2 a 1 na noite deste sábado (21).

O time da casa dominou a primeira etapa da partida, mas a equipe comandada pelo técnico Léo Mendes só conseguiu abrir o placar após o intervalo, com a volante Maressa aos sete minutos em cobrança de pênalti. Mas as Gurias Grenás ficaram em vantagem por pouco tempo, pois 11 minutos depois as Gloriosas empataram com a volante Rita Bove.

Porém, o domínio era mesmo da Ferroviária, que deu números finais ao marcador aos 23 minutos, graças a um gol de cabeça da zagueira Andressa após cobrança de escanteio da lateral Fátima Dutra. Com os três pontos conquistados neste sábado, as Gurias Grenás subiram para a 11ª colocação. Já o Botafogo caiu para a 10ª posição após a derrota.

Triunfo das Gurias

Também neste sábado, o Internacional foi até a Arena Frimisa, em Santa Luiza, Minas Gerais, e derrotou o América-MG pelo placar de 2 a 0. O destaque da vitória das Gurias Coloradas foi a zagueira Débora, que superou a goleira Taluane em duas oportunidades.

Com os seus três primeiros pontos somados na competição, o Internacional chegou à 7ª posição da classificação. Já o América-MG permanece sem ponto algum, ocupando a lanterna da tabela.





EBC

João Fonseca e Marcelo Melo alcançam final do Rio Open


Os brasileiros João Fonseca e Marcelo Melo se garantiram na decisão do Rio Open. A classificação foi alcançada após superarem os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner por 2 sets a 1, parciais de 6/2, 2/6 e 13/11, na tarde deste sábado (21) na quadra Guga Kuerten, a principal do Jockey Club Brasileiro, que fica na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro.

Agora, Fonseca e Melo aguardam a outra semifinal para conhecerem seus adversários na grande decisão. O outro finalista será definido no confronto entre o alemão Constantin Frantzen e o holandês Robin Haase e entre o argentino Guido Andreozzi e o francês Manuel Guinard.

Eliminação nas simples

Um título nas duplas pode servir como uma espécie de prêmio de consolação para João Fonseca, que ficou de fora da disputa de simples após ser surpreendido, na última quinta-feira (19), pelo peruano Ignácio Buse. O brasileiro foi derrotado pelo 91º do mundo em simples por 2 sets a 1, parciais de 7/5, 3/6 e 4/6, nas oitavas de final do Rio Open.

O Rio Open é um torneio nível ATP 500, o terceiro em importância no circuito, que dá 500 pontos ao campeão no ranking. Apenas os eventos de nível ATP 1000 e os Grand Slams (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open) têm peso maior.





EBC