Jornada de Carolina Maria de Jesus será contada pela Unidos da Tijuca


A menina Bitita é quem vai abrir o desfile da Unidos da Tijuca em 2026, para contar, desde o começo, a vida da escritora, cantora, compositora e poeta brasileira Carolina Maria de Jesus. Na língua changana ou xichangana, de Moçambique, Bitita significa panela de barro de cor ocre ou preta, representando resistência e ancestralidade.

A escritora recebeu esse apelido do avô Benedito, no início do século passado, e essa será apenas uma de “outras diversas Carolinas” que vão passar pela Sapucaí para contar a trajetória da autora consagrada, como “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.

“É um enredo bem biográfico. A história se desenvolve cronologicamente”, pontuou o carnavalesco Edson Pereira em entrevista à Agência Brasil. “O que a Tijuca faz é colocar a Carolina no palco”.

>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

>> Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026

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Apesar da grandeza que tem, argumenta o carnavalesco, sua história é pouco divulgada e, por isso, precisa ser contada.

“A gente vive em um momento, não só do país, mas da cultura do nosso país, em que a gente precisa acender a luz daqueles que foram apagados pela nossa história. A Carolina representa muito bem a força da mulher”, afirmou.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

Apagamento e força

Foi o avô alforriado e contador de histórias que influenciou Carolina a criar as suas histórias, assim como com as mulheres da família.

“Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas às quais ela desejava conhecer”, traz a sinopse da Tijuca, texto no qual as escolas explicam o enredo que vão apresentar nos desfiles.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em uma comunidade rural da cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Os sonhos de deixar o interior a levaram para São Paulo. A mudança não resultou no que esperava e foi o começo de muitas adversidades. Sob muito preconceito, lutou até se tornar escritora. 

“A história da Carolina enquanto escritora que foi apagada é algo que nos fascina não pelo apagamento, mas pelo empoderamento dela. A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, comentou o carnavalesco, lamentando que atualmente os problemas são os mesmos. “É triste falar sobre isso, mas é uma realidade”.

Em São Paulo, ela foi morar na favela do Canindé. Foi lá que começou a relatar todos os preconceitos e histórias de feminicídios e viu que o desenvolvimento social não chegava aos pretos.

“Ela começa a se entender no lugar de opressão”, indicou Edson Pereira, acrescentando que Carolina sonhava também em ter comida no prato para alimentar os filhos. “É um carnaval de reconhecimento, de botar o dedo nas feridas”, relatou.

Edson adiantou que a terceira alegoria da Azul e Amarela da Tijuca é dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, que se transformou em sucesso ao vender 10 mil exemplares na semana de lançamento, em 1960.

A obra, escrita a partir de anotações que fazia em diários contando histórias de vizinhos, foi também traduzida para ao menos 14 idiomas e lançada em mais de quarenta países.

“É todo feito de papelão, de material alternativo”, descreveu o carnavalesco sobre a composição da alegoria, em uma referência ao tempo que a escritora era catadora e construiu sua casa com o dinheiro que ganhou vendendo papelão entre outros materiais.

 


São Paulo - Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo. Foto: CCSP

Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes do país Foto: CCSP

Saúde mental

Botar toda esta história de pé para contar da forma como o carnavalesco idealizou não é uma tarefa fácil, e vem sendo realizada pela dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes.

Embora seja o seu primeiro ano nesta função, Elisa não é uma desconhecida na Tijuca, onde já foi assessora de imprensa. A experiência no carnaval, no entanto, vai além dessas passagens. Até 2025, esteve por 10 anos na direção de alegorias da Portela.

Elisa disse que a nova missão é de muita responsabilidade, por ter que gerenciar o projeto, o barracão e a feitura de fantasias e alegorias. Apesar de já ter tido essa experiência na União de Jacarepaguá, ela agora tem a oportunidade de realizar o trabalho no Grupo Especial.

“A coisa cresce muito. O Grupo Especial é muito forte. É o maior espetáculo da Terra, mas, para mim, está sendo um grande prazer”, comentou.

Como método para melhorar as condições de trabalho dos profissionais que preparam o carnaval, Elisa trouxe uma novidade para os bastidores da Tijuca.

“Eu introduzi uma equipe de psicólogos. Hoje, os artistas da escola têm esse cuidado, porque eu acredito que alguns segmentos têm uma pressão muito grande”, contou,

Entre os que utilizam o serviço estão passistas, casal de mestre sala e porta-bandeira, responsáveis pelos ateliês e o setor administrativo da escola. De acordo com a diretora, é necessário ter esse momento de autocuidado, de parar tudo e prestar atenção em si mesmo, diante do trabalho para fazer tudo funcionar na avenida.

“Estou tentando convencer o presidente a fazer também. Ele ainda não fez, mas disse que vai fazer”, indicou.

Força da mulher

Elisa se orgulha de poder, no primeiro ano na função, ter pela frente um enredo em homenagem a Carolina Maria de Jesus. “Eu, como uma mulher negra, no primeiro ano na direção de carnaval, pegar um enredo desse é um presente até difícil de explicar. Estou me matando para fazer jus a essa possibilidade que me foi dada”.

“Carolina é muito importante. Ela inspira outras mulheres a serem o que elas quiserem, porque Carolina não era só escritora. Ela também era cantora e compositora, eu também sou cantora e compositora”, contou.

A escolha do enredo teve a sua participação, lembrou ela. Elisa chegou a defender o enredo diante do presidente da escola. “Fui incisiva. Eu falei ‘olha esse é o melhor que nós temos. Acredito que esse é um enredo que vai fazer a diferença, porque Carolina é muito grande”.

Para a diretora de carnaval, a escritora representa a força de todas as mulheres e também sua versatilidade.

“Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo”.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.



EBC

Socialista Antônio Seguro é eleito presidente de Portugal


O socialista Antônio José Seguro foi eleito hoje (8) novo presidente de Portugal, ultrapassando a barreira de 3 milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições portuguesas. 

Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, tinha obtido 1,6 milhão de votos, e a abstenção estava próxima dos 50%.

Apenas outras quatro vezes desde 1976 um presidente da República foi eleito com mais de 3 milhões de votos no país, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes. Na primeira eleição, em 1986, as únicas até hoje a terem um segundo turno, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) frente a Freitas do Amaral. Na reeleição, em 1991, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior já registrada nas eleições portuguesas.

Antônio Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de 3 milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11ª vez que os portugueses foram às urnas escolher o presidente da República durante períodos democráticos, desde 1976.

Eleito em 2016, o atual residente de Portugal é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

 

*Com informações da Agência Lusa




EBC

Senador Jader Barbalho tem alta hospitalar depois de 4 dias internado


O senador Jader Barbalho recebeu alta, neste domingo (8), do Hospital Beneficente Portuguesa do Pará, em Belém (PA). Ele estava internado desde quinta-feira (5) após ter um episódio de mal-estar. 

Segundo o boletim médico, Jader teve melhora “com boa resposta ao tratamento a que foi submetido”.

No documento assinado pelos profissionais da unidade hospitalar, o senador está em condições estáveis e recebeu “as devidas orientações médicas quanto aos cuidados domiciliares”.

Na ocasião da internação, o hospital informou que o quadro do parlamentar era de desidratação e foram necessários medicamentos na veia e também realização exames complementares. Ainda segundo o boletim, Jader não teve déficit motor.



EBC

Carnaval: coletivos no DF encontram na folia caminho para autocuidado


Com olhos emocionados e, ao mesmo tempo, com sorriso no rosto, a professora carioca Carmen Araújo, de 59 anos, deixou o samba tomar conta de seus pés neste domingo (8), em uma folia pré-carnavalesca em Brasília. 

Ela, que cuida do pai há 15 anos com a doença de Alzheimer, sabe que é sempre tempo de cuidar de si mesma.  


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 Carmem Araújo cuida do pai com Alzheimer. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Carmen é uma das integrantes do coletivo Filhas da Mãe, que foi fundado em 2019 e tem por objetivo apoiar pessoas que são cuidadoras (na maior parte das vezes, mulheres) de familiares com doenças demenciais.

Durante o tempo de folia, o coletivo ganha as vestes de bloco carnavalesco. 

“Se a gente não se cuidar, adoecemos também”, explica.

O amor pelo carnaval foi herdado do pai, que tem hoje 89 anos.

“Ele sempre gostou muito. Até recentemente ele ainda participava. Hoje não é mais possível”.

Ela se emociona ao se lembrar do pai, sempre tão animado e organizado. Carmen entende que participar do coletivo fez com que ela pudesse colaborar com outras famílias e histórias semelhantes. 

Rede de apoio

Uma das fundadoras e diretoras do Filhas da Mãe, a psicanalista Cosette Castro explica que a ideia do coletivo surgiu a partir das dores e soluções entre os cuidados com a mãe, que faleceu há cinco anos.

“Eu sou filha única e cuidei 10 anos da minha mãe, que teve Alzheimer. As pessoas falam muito de remédio, de como cuidar. Mas ninguém olha para nós que estávamos cuidando e com sobrecarga”, considera. 


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 Cosette Castro é uma das fundadoras do grupo Filhas da Mãe. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Cosette afirma que é necessário recuperar a criança que existe dentro de cada pessoa.

“Às vezes, a gente imagina que não tem mais direito ao riso e se sente culpada por se sentir feliz porque os dias são de muita responsabilidade por 24 horas ao dia”. 

A psicanalista explica que o coletivo atende, no dia a dia, pelo menos 550 pessoas em projetos que funcionam como rede de apoio, com serviços, inclusive, virtuais de forma voluntária. A ideia é trabalhar muito com promoção de saúde e garantir visibilidade à necessidade do diagnóstico precoce das doenças demenciais, como o Alzheimer, e também à sobrecarga das cuidadoras. 

Ela cita que problemas como lesões na coluna, fibromialgia, hipertensão, problemas cardíacos e transtornos mentais são comuns nesse público. “São pessoas que não dormem, têm insônia e um nível de ansiedade altíssimo”.

Por isso, o coletivo utiliza eventos, como caminhadas e exposições, para prestar informações ao público. Inclusive no carnaval.  

Aliás, ela testemunha que os sons têm valor terapêutico. No caso de sua mãe e de outras cuidadoras, as letras das músicas foram uma das últimas memórias perdidas. 


Brasília, DF 08/02/2026 Com o mote

Brasília, DF 08/02/2026 – Márcia Uchôa, uma das fundadoras do grupo Filhas da Mãe. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Na casa de Márcia Uchôa, de 69 anos, a mãe, Maria, de 96, que também tem diagnóstico de Alzheimer, ama a música e o crochê.

Só não apareceu na folia com receio da gripe. Chovia em Brasília neste domingo.

“A gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente”, afirma.

Contra preconceitos 

Ao lado da festa do Filhas da Mãe, outro coletivo local, Me chame pelo nome, desfilava alegria em nome da causa anti capacitista com uma fanfarra formada por pessoas com deficiência. 

Segundo a servidora pública Aline Zeymer, uma das coordenadoras do grupo, esse será o segundo carnaval do grupo com o intuito de combater o preconceito, além de promover resistência e cuidado pelo caminho da arte. 



EBC

Samba-enredo é um grande enunciado político, diz sociólogo


O avanço da democracia no Brasil ao longo do Século 20 foi sinuoso e não se deu como a evolução firme de um desfile bem ensaiado de carnaval.

Entre essas idas e vindas, carnavalescos, compositores e membros das escolas de samba foram vigiados, censurados e até presos pelas forças de repressão que atuaram até depois da volta dos civis ao poder. Contra as pessoas pretas que faziam e fazem o carnaval do Rio, ainda pesou o racismo.

A luta nessa trincheira política é o tema de pesquisa do sociólogo Rodrigo Antonio Reduzino, que defende neste ano a tese de doutorado Enredos da Liberdade: o grito das Escolas de Samba pela Democracia, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O trabalho acadêmico trata dos enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro ao longo da década de 1980, quando tem fim a ditadura militar (1964-1985).

A análise dos sambas atravessa a campanha pelas Diretas Já (1984) e vai até a eleição de Fernando Collor à Presidência da República (1989). O trabalho do sociólogo serviu de base para o documentário Enredos da Liberdade, disponível em cinco episódios em ambiente streaming (Globoplay).

Além de pesquisador acadêmico, Reduzino trabalha na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro e no Departamento Cultural da Mangueira. A seguir trechos da entrevista que ele concedeu à Agência Brasil para o programa Roda de Samba, feito em parceria com a Rádio Nacional.

 


Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2025 – Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Confira a entrevista

Agência Brasil: Quando se fala em resistência na música popular à ditadura militar, imediatamente se pensa em nomes da chamada MPB. Pouco se fala do papel das escolas de samba nos anos de chumbo. Por quê?

Rodrigo Reduzino: A gente precisa fazer um exercício de reflexão para poder entender porque, em determinados assuntos dentro do processo social, sempre temos setores, segmentos ou mesmo pessoas que se acham guardiões de determinado tema.

Vivemos em uma sociedade historicamente estruturada pelo racismo, e uma das dimensões dele é o apagamento da palavra, da intelectualidade e da humanidade. [Mas] a escola de samba, por meio do samba-enredo, também pode falar e provocar. O samba-enredo é um grande enunciado político.

Quando observamos enredos dos anos 1980 fazendo críticas à ditadura, não podemos olhar para isso como fosse um desfile de uma hora ou de uma hora e meia. Na verdade, o processo de criação levou seis meses, talvez um ano, dentro da comunidade. Então, quando vemos uma escola de samba fazendo crítica à tortura ou gritando ‘liberdade’ em pleno regime ditatorial, há um processo político muito mais alargado.

Agência Brasil: O que a repressão contra as escolas de samba adiciona na violência do Estado às camadas populares?

Rodrigo Reduzino: Eu imagino que possa haver por parte do aparelho repressor do Estado um resíduo a mais de violência contra as camadas populares, contra a população negra, contra a população periférica e, também, contra quem é envolvido com o samba.

Samba é uma expressão de cultura negra na sociedade brasileira, que historicamente reproduz e mantém sua estrutura racista. Não podemos esquecer os processos históricos. Não podemos esquecer o Código de Vadiagem [Art. 59 do Decreto-Lei 3.688/1941, a Lei das Contravenções Penais].

Agência Brasil: A polícia usava esse código para associar uma pessoa negra com instrumento musical e vadiagem?

Rodrigo Reduzino: Se você não estivesse com sua carteira de trabalho, poderia ser autuado e levado para delegacia.

Agência Brasil: Uma associação com a criminalidade, ou pelo menos com a contravenção, é sempre feita entre escolas de samba e banqueiros do bicho.

Rodrigo Reduzino: A gente começa a ter, justamente na ditadura militar, os chamados mecenas do jogo de bicho dentro das escolas de samba. Isso não é à toa. O jogo do bicho é do final do Século 19, mas a ideia desse empresariado mecenas, com visibilidade, é do período da ditadura. E é o mesmo bicheiro que toma champanhe dentro dos gabinetes com generais ou dentro do Palácio da Guanabara [sede do governo do Rio de Janeiro].

Agência Brasil: No documentário Enredos da Liberdade, há imagens de políticos com bicheiros, e há caso de bicheiro que já foi militar.

Rodrigo Reduzino: Isso é fato. Mas quando se fala em bicheiro, em contravenção, se responsabiliza a escola de samba, como se a escola de samba tivesse inventado os bicheiros. Esses bicheiros estão dialogando com o poder público e circulam no espaço do poder público.

Agência Brasil: Voltando na conversa, você disse que o samba é uma expressão de cultura negra. Durante a ditadura anterior a dos militares, a do Estado Novo (1937-1945), se constrói a ideia de que o samba é cultura brasileira, e essa formulação já foi defendida como “uma evidência da nossa democracia racial”.

Rodrigo Reduzino: O ideário do Brasil como uma democracia racial, forjado intelectualmente por uma parte da elite brasileira, é um dos pilares da estrutura racista. E não há nada mais violento do que negar a própria realidade. 80% dos jovens mortos a bala são negros. A maioria das mulheres que sofrem com violência obstétrica em hospitais públicos são negras. Quando se reforça o mito da democracia racial, está sendo dito que essas contradições da realidade não importam. Mantém como está, finge que está tudo bem, e a gente permanece nesse paraíso que inventaram a custo da existência do outro.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2025 – Paraíso do Tuiuti desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Paraíso do Tuiuti desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil 

Agência Brasil: Mas o mito da democracia racial também é cantado em samba.

Rodrigo Reduzino: Cantada em samba, em elegia, a esse grande Brasil. Mas se a gente olhar para dentro dos arquivos do Dops [Departamento de Ordem Política e Social] foram fichadas pessoas que discutiam relações raciais, como aconteceu com [a filósofa e antropóloga negra] Lélia González [1935 a 1964] e com [o sociólogo e jornalista negro] Clóvis Moura [1925 a 2003], assim como quem era do movimento cultural de expressão de cultura negra, como as escolas de samba, porque criticam a ideia de democracia racial.

Agência Brasil: Há a crítica de que muitos enredos de desfiles de carnaval do passado foram baseados na historiografia oficial, e que assim as escolas de samba teriam contribuído para uma certa alienação do processo histórico.

Rodrigo Reduzino: Uma das formas de tornar menor o que você produz é te rotular, estigmatizar, classificar, categorizar e te pôr à margem. Quando falamos em história oficial ou historiografia oficial, essa está sendo contada por uma elite acadêmica. Não surge do nada. Nós estamos falando de uma memória oficial. Ela é forjada, ela é incorporada pelo Estado brasileiro.

Tem sujeito produzindo isso [historiografia oficial], tem muito investimento para produzir isso. Mas só vai parecer que é alienação na escola de samba? Na academia não é alienação? As instituições que forjaram e elaboraram essa oficialidade não são questionadas de alienação. E, para a escola de samba, sobra um corte que é bem mais pesado, que é atrelar esse processo de alienação com um processo de apoio à ditadura.

Mas se considerarmos a década de 1970, e olharmos todos os enredos, mapeamos quatro enredos em um total de 140 que vão fazer elegia ou ser ufanista com o dito grande Brasil do período da ditadura militar.  Esses quatro enredos estão circunscritos a três escolas. Da onde sai essa ideia de escola de samba adesista à ditadura? É uma forma de estigmatizar.



EBC

Livro trata de escravidão nos EUA com ponto de vista dos escravizados


O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, editora Dialética.

Fruto do mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), a publicação faz o caminho inverso das investigações mais comuns nas ciências sociais: em vez de um brasilianista norte-americano estar pesquisando sobre o Brasil, é um estudioso brasileiro que observa os Estados Unidos.
 


Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 – O jornalista da EBC Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética – Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente não pode limitar o nosso olhar só para o que é mais próximo”, recomenda Cardoso ao explicar o interesse pela escravidão em outro país.

Entre as diferenças que marcam a história do Brasil e dos Estados Unidos, o mestre em história e repórter da Agência Brasil observa a disponibilidade de material de pesquisa: centenas de relatos escritos de pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista do país.

“Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa.

Sem relatos escritos por escravizados, grande maioria analfabeta no Brasil, os historiadores brasileiros recompuseram a história sobre essas pessoas com documentos de cartório, certidões de batismo e fontes gerenciais dos lugares onde eram explorados.

A única exceção no Brasil, lembra Rafael Cardoso, é a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem nascido no atual Benim (1824), que foi levado para o trabalho escravo em Olinda (Pernambuco) e depois revendido para um proprietário no Rio de Janeiro, de onde partiu em navio que levava café para Nova York, onde foi posto em liberdade.

Douglass e Grimes

Cardoso escolheu como personagens da pesquisa dois homens “da segunda ou terceira geração de escravizados nos Estados Unidos”: o líder abolicionista Frederick Douglass (1818-1985), e o barbeiro William Grimes (1784-1865). Ambos publicaram duas autobiografias. Grimes em 1825 e 1855; e Douglass em 1845 e 1855.

No intervalo de 30 anos que existe entre as autobiografias, Rafael Cardoso observa mudanças sociais nos Estados Unidos escravista a partir do que descreveram os dois autores.

Nas experiências individuais, o historiador enxerga como eram os lugares onde viveram, laços familiares, relações sociais, e contexto político – “como tudo isso é capaz de influenciar na vida do sujeito e na forma como ele quer se colocar assim no mundo.”

Para o historiador de cariz marxista-gramsciano, “influências estruturais, econômicas e sociais condicionam nossas escolhas, limitam as nossas escolhas e possibilidades de vida.”

Vivendo do ofício de apurar e reportar pautas sociais e sobre o meio ambiente para a Agência Brasil, Rafael Cardoso diz acreditar que estudar história calibra “a visão crítica e analítica” da realidade – recursos habituais para o seu trabalho como repórter.



EBC

Move Brasil já liberou quase R$ 2 bilhões em um mês


Em evento em Guarulhos (SP), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse neste domingo (8) que o programa Move Brasil liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos para renovação da frota de caminhões no primeiro mês de vigência.

O programa busca substituir veículos antigos e retomar o ritmo de vendas, que havia recuado 9,2% em 2025. Em relação aos modelos pesados, voltados para transporte de longas distâncias, a retração foi mais acentuada, de 20,5% ante 2024.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado de caminhões iniciou o ano em retração de 34,67% (em relação a janeiro de 2024).

Para Alckmin, a queda nas vendas está relacionada à alta taxa de juro no país.

“Temos recorde de safra, com aumento de 17,9%. Também de exportação, com US$ 349 bilhões, e uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões. Esses produtos precisam chegar a portos e aeroportos. Qual foi o problema? A taxa de juros. Normalmente, quem compra esse tipo de bem de uso duradouro financia, é difícil comprar à vista. Eu vou e financio. A taxa estava em 22%, 23% ao ano, e a resposta foi boa, cerca de R$ 1,9 bilhão neste comecinho”, destacou. 

Dono de uma empresa de transportes em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo, Orlando Boaventura pegou empréstimo pelo Move Brasil. A empresa, familiar, tem 30 funcionários e existe há 20 anos. Com os recursos, compraram o 29º caminhão.

“Um modelo novo gasta hoje até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem daqui para o Rio de Janeiro, por exemplo. A gente busca a renovação de frota e essa taxa de juros é adequada, está dentro do nosso padrão. Conseguimos um bom preço e achamos que era o melhor momento para comprar”, contou. A empresa deve contratar mais cinco trabalhadores este ano. 

O representante dos trabalhadores, Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou o esforço conjunto de empresas, sindicatos e do governo federal para elaboração do programa, que visa a manutenção dos empregos no setor, como a diminuição das emissões de carbono e a transição para modelos de logística mais sustentáveis.

No evento, os representantes da indústria pediram a manutenção do programa, como forma de estimular a retomada das vendas do setor, que envolve fábricas, concessionárias, indústrias de peças e outros produtos relacionados.

“Vemos uma tendência do Banco Central de pensar o início de um ciclo de redução da taxa Selic. Isso talvez compense, caso não haja perenização no programa, mas ele já tem um valor importante porque antecipa a expectativa e como a taxa de juros estará a partir do terceiro e quarto trimestres deste ano”, destacou o CEO da Scania, Christopher Polgorski, acrescentando que cada emprego mantido na produção e vendas diretas reflete na manutenção de outros seis empregos indiretos.

Alckmin informou que o programa não tem um prazo de conclusão, e que teto deve continuar em R$ 10 bilhões. “Neste momento não temos discussão de aumento do valor [do teto]. O prazo pode durar dois meses, quatro meses, seis meses, até que o recurso se esgote. Depois disso nós vamos estudar”, disse.

Move Brasil

O Move Brasil libera crédito para a compra de caminhões novos e de seminovos fabricados a partir de 2012 por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os veículos precisam atender a critérios ambientais.

No final de janeiro, o Renovação da Frota, dentro do Move Brasil, beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras de 532 municípios. Somente no mês passado, foram realizadas 1.152 operações, com valor médio de R$ 1,1 milhão.

No total, o programa disponibilizará R$ 10 bilhões em crédito, entre recursos do Tesouro Nacional e BNDES. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros cobradas estão em torno de 13% a 14% ao ano. Há condições melhores para quem comprovar entrega de veículos mais antigos para desmonte.

O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por usuário. Os empréstimos terão prazo máximo de 5 anos e carência de até 6 meses.

Todas as operações são cobertas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), com garantias de até 80% do valor financiado.



EBC

Defesa Civil de SP retoma gabinete de crise após previsão de chuvas


A Defesa Civil do estado de São Paulo informou que retomou, na tarde deste domingo (8), o gabinete de crise para chuvas e deslizamentos no estado. A iniciativa ocorre após a previsão de chuvas superar a marca dos 100 mm por dia, considerada de perigo extremo.

Participam do gabinete órgãos governamentais, como agências reguladoras, Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, além das concessionárias de energia, abastecimento de água, serviço de gás e telefonia, com o intuito de diminuir o tempo de atendimento a emergências nas cidades mais atingidas.

“As precipitações se intensificaram nas últimas 24 horas em razão da atuação de um sistema de baixa pressão no oceano, associado à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Os maiores acumulados foram registrados na Faixa Leste, Litoral e Noroeste do estado”, informou o órgão.

A cidade de São Carlos registrou o maior volume de chuva nas últimas 24 horas, com 137 mm, seguida por Ubatuba (129 mm), Bertioga (126 mm), São Sebastião (119 mm), São José do Rio Preto (105 mm), Caraguatatuba (103 mm), Elias Fausto (100 mm) e São Luís do Paraitinga (83 mm).

“Os volumes são considerados extremamente elevados para um único dia. Para efeito de comparação, em São Carlos, a média histórica de chuva esperada para todo o mês de fevereiro é de 169,9 mm. Em apenas 24 horas, choveu cerca de 80% do total previsto para o mês, o equivalente à chuva de aproximadamente 24 dias”.

“Em Ubatuba, o acumulado representou 72,5% do volume mensal, enquanto em São José do Rio Preto o total registrado corresponde ao esperado para cerca de 15 dias de fevereiro”, complementou a Defesa Civil.

Houve registro de alagamentos, deslizamentos de terra e quedas de barreiras em diferentes regiões do estado, além de 13 pessoas desalojadas e quatro desabrigadas. Não há registro de mortes e feridos.

Orientações à população

A Defesa Civil orienta que a população adote medidas preventivas para reduzir riscos durante períodos de chuva intensa, como evitar áreas sujeitas a alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

Outra recomendação é não atravessar ruas alagadas ou áreas com correnteza, ficar atento a sinais de deslizamento, como rachaduras no solo, inclinação de árvores ou postes e estalos em encostas, e acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil, por meio de telefones ou sirenes.



EBC

Bad Bunny, vencedor do Grammy e crítico de Trump, canta no Super Bowl


Neste domingo (8) de clássicos pelo futebol brasileiro, como Corinthians x Palmeiras ou Vasco x Botafogo, a partida entre New England Patriots e Seattle Seahawks, pela final da NFL (liga estadunidense de futebol americano), às 20h30, também deve chamar atenção. 

No caso, não somente pelo duelo esportivo no Levi’s Stadium, que fica em Santa Clara, na Califórnia, mas também pelo show especial no intervalo.

A estrela será o cantor porto-riquenho Bad Bunny, de 31 anos. Bad Bunny é o nome artístico de Benito Antonio Martinez Ocasio, nascido na cidade de Vega Baja. 

O artista foi o vencedor do prêmio de Melhor Álbum Urbano, no Grammy Awards (prestigiado reconhecimento à indústria fonográfica), pelo disco Debí Tirar Más Fotos, no último dia 1º. O álbum tem músicas apenas em espanhol.

Bunny já ganhou três Grammy Awards e onze Latin Grammy Awards

Ao receber o prêmio, o cantor fez um discurso de agradecimento com críticas aos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE)

“Fora, Ice”, disse o artista. “Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos”, afirmou.

No entanto, Bad Bunny também destacou a necessidade de, neste momento de tensões, evitar sentimentos negativos e propagar o amor.  

“Quero dizer, para as pessoas que estão assistindo, para não propagar o ódio. Estava pensando que às vezes a gente fica contaminado, e o ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se agrega ao ódio. E a única coisa mais potente que o ódio é o amor”, afirmou.

Trump não vai

Em vista das posições do artista, o presidente Donald Trump garantiu, durante a semana, para o jornal The New York Times, que não iria comparecer à final do Super Bowl.

“Acho que é uma péssima escolha. Tudo o que isso faz é semear ódio. Terrível”, disse ao jornal. 

O horário do intervalo, com o show do artista, depende do desenvolvimento do jogo. Em geral, dura cerca 1h30. Por essa conta, Bunny deve se apresentar a partir das 22h, no horário de Brasília. 

A atração vai ser transmitida no Brasil nos seguintes canais: Sportv, Getv, ESPN, Disney+ e NFL Game Pass (DAZN).



EBC

Sesc tem inscrições abertas para Prêmio de Literatura 2026


O Prêmio Sesc de Literatura está com inscrições abertas até 2 de março para obras ainda não publicadas nas categorias Romance, Conto e Poesia.

Os vencedores terão seus livros publicados pela Editora Senac Rio e receberão uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil cada.

Os escritores vencedores participarão também de bate-papos e mesas-redondas em eventos culturais promovidos pelo Sesc ao longo do ano que vem. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site

“O Prêmio Sesc de Literatura cumpre o papel fundamental de identificar autores que, muitas vezes, mesmo fora dos grandes eixos de circulação, possuem obras de alto vigor artístico”, disse Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

O processo de seleção dos trabalhos inscritos é realizado por comissões julgadoras compostas por críticos literários, escritores e editores, de diferentes regiões do país. O júri avalia os textos sem ter conhecimento da identidade dos autores.  

O resultado será divulgado em agosto e os vencedores vão ser apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano.

Após a publicação, os livros serão distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc, em todas as regiões do Brasil.

Minervini ressalta que a premiação tem o objetivo de oferecer ao autor estreante não apenas a publicação de sua obra, mas uma inserção real no mercado editorial e o contato direto com o público em todo o país. 

Criado em 2003, o prêmio já recebeu cerca de 24 mil originais e revelou ao mercado editorial 43 novos autores. Em 2025, os vencedores foram Marcus Groza (SP), com o romance Goiás; Leonardo Piana (MG), com o livro de poemas Escalar Cansa; e Abáz (BA), com a coletânea de contos Massaranduba.



EBC