CNTE comemora reajuste do piso do magistério; prefeitos contestam


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) classificou como vitória da mobilização da categoria o anúncio do reajuste do piso salarial nacional do magistério para 2026, definido em medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para este ano, o valor será elevado em 5,4%, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, válido para profissionais da rede pública de educação básica de todo o país, com jornada de 40 horas semanais. O percentual representa um ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que foi de 3,9%.

Para a presidente da CNTE, Fátima Silva, a conquista precisa ser celebrada, mas ela apontou dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que põe o Brasil entre os países que pior remuneram os professores, o que mostra o problema estrutural da categoria.

“Mesmo assim, a conquista de um piso com ganho real representa um avanço importante, fruto da mobilização da categoria e da luta permanente pela valorização da educação pública”, afirmou, em nota publicada pela entidade.

De acordo com a CNTE, o critério de reajuste foi amplamente debatido no âmbito do Fórum Permanente do Piso, com base nos princípios da previsibilidade e da sustentabilidade orçamentária. Ainda segundo a entidade, as organizações representativas dos secretários estaduais e municipais de educação concordaram com a proposta, “reforçando o caráter pactuado, responsável e federativo da decisão”.

O piso salarial é o valor mínimo que professores devem ganhar no Brasil. A legislação determina a recomposição anual do valor. A norma define que o piso será atualizado a partir da soma do INPC do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da receita real, com base no INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), realizada nos cinco anos anteriores ao ano da atualização. A lei também fixa que o percentual estabelecido nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior, medida pelo INPC.

Prefeitos reagem

Responsáveis pelos pagamentos dos salários em âmbito municipal, os prefeitos reclamaram do valor do reajuste. Em nota, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, manifestou inconformidade com a decisão. Segundo ele, o impacto estimado será de até R$ 8 bilhões aos cofres municipais.

“É inaceitável que, após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de 33,24% em 2022, e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de ‘injustiça’ no cálculo. Essa incoerência fere a lógica da gestão pública responsável e evidencia o uso político de um instrumento que deveria ser técnico e estável”, apontou.

Para a CNM, entidade que representa os municípios de pequeno porte, aumentos reais nos vencimentos devem ser negociados entre o governo de cada município e o respectivo quadro do magistério, “pois dependem das condições fiscais e orçamentárias dos entes locais e dos limites de despesas com pessoal pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”.

Na semana passada, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que representa cerca de 400 municípios com mais de 80 mil habitantes, já havia apontado preocupação com o reajuste. A entidade se manifestou após reunião entre os ministro da Educação, Camilo Santana, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que presidente a FNP.

“Antes do encontro, a FNP encaminhou ofício ao ministro manifestando preocupação com o anúncio da edição da Medida Provisória. No documento, assinado pelo prefeito Pedro Almeida (Passo Fundo/RS), presidente da Comissão Permanente de Educação da entidade, a FNP reafirma seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação, mas destaca que qualquer alteração no piso deve considerar a capacidade fiscal dos municípios e vir acompanhada de responsabilidade orçamentária”, disse, em nota.

A federação também reforçou a necessidade de previsão de aporte de recursos da União para custear eventuais aumentos que extrapolem os parâmetros atualmente previstos em lei, e pontuou que o reajuste do piso poderia comprometer o equilíbrio fiscal dos entes locais.

As remunerações dos profissionais da educação básica são pagas por prefeituras e estados a partir de recursos do Fundeb, bem como de complementações da União. Por ser uma MP, a medida tem validade imediata, mas precisará ser confirmada pelo Congresso Nacional.

A medida provisória será publicada na próxima edição do Diário Oficial da União (DOU), nesta quinta-feira (22).



EBC

Bolsa sobe mais de 3% e encosta nos 172 mil pontos com recuos de Trump


O mercado financeiro brasileiro viveu um dia histórico nesta quarta-feira (21), influenciado pela diminuição das tensões externas. A bolsa teve a maior alta diária desde abril de 2023, renovou recordes e encostou nos 172 mil pontos, impulsionada principalmente pelo forte ingresso de capital estrangeiro. No câmbio, o dólar recuou mais de 1% e encerrou no menor nível desde o início de dezembro.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou a quarta aos 171.817 pontos, com alta de 3,33%. Durante o pregão, o indicador superou, pela primeira vez, as marcas de 167 mil a 171 mil pontos, avançando de forma consistente desde a abertura. O volume financeiro somou R$ 43,3 bilhões, bem acima da média diária em 2026, evidenciando o aumento do apetite por risco.

Em 2026, o Ibovespa acumula alta de 6,6%, com entrada líquida de R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros até a metade de janeiro.

A valorização ganhou força no período da tarde, acompanhando a melhora dos índices em Wall Street. O alívio veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar do discurso mais agressivo sobre a imposição de tarifas e descartar o uso da força em disputas geopolíticas sobre a Groenlândia. Em Nova York, o índice S&P 500 subiu mais de 1%.

No mercado de câmbio, o dólar à vista caiu R$ 0,061 (-1,1%,) para R$ 5,321. A cotação operou em baixa durante todo o dia, mas intensificou a queda à tarde. Perto do fim das negociações, o anúncio de Trump de recuar da imposição de tarifas à União Europeia impulsionou o recuo.

A moeda estadunidense está no menor nível desde 4 de dezembro, véspera do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às eleições presidenciais deste ano. A divisa cai 3,06% em 2026.

Fluxo positivo

Além do enfraquecimento do dólar em relação a divisas emergentes, o fluxo positivo de capitais para o Brasil tem ajudado o mercado financeiro. Dados do Banco Central divulgados nesta quarta mostram que o país registrou entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em janeiro até o dia 16, puxada principalmente pela via financeira.

A redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro estadunidense, considerados os investimentos mais seguros do mundo, também contribuiu para aliviar a pressão sobre o câmbio, ampliando a oferta de dólares no mercado doméstico. Juros mais baixos em economias avançadas estimulam a migração de capitais para países emergentes, como o Brasil.

A liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, não influiu no preço dos ativos. A decisão reforçou a atenção dos investidores, mas não interferiu no humor positivo do mercado.

*Com informações da Reuters



EBC

Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana é lançado em Brasília


Um guia, com mais de 100 páginas, promete contribuir para o combate à discriminação racial e à intolerância religiosa em relação aos povos de matriz africana no país, em especial no Distrito Federal. O material é uma iniciativa da Secretaria de Combate ao Racismo e às Discriminações, em conjunto com a Comissão da Verdade da Escravidão Negra do Sindicato dos Bancários de Brasília. A publicação será lançada no Teatro dos Bancários, em Brasília, na noite desta quarta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, em homenagem à Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, na Bahia, vítima de intolerância por ser praticante de religião de matriz africana e contará com participação de representantes de diversos terreiros da região. 

Apesar de a Constituição Federal garantir o direito “inviolável a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de culto”, em 2025 o país registrou 4.424 violações à liberdade de crença ou de culto.

Esse número mostra um crescimento da intolerância religiosa e representa um aumento de 14% em relação aos 3.853 casos registrados em 2024, de acordo com dados do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). 

Entre os pontos em destaque na publicação está o debate sobre os direitos assegurados no ordenamento jurídico do país. Além da liberdade de crença, a Constituição Federal também garante, entre outros direitos, o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, cabendo ao Estado apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais, com destaque para as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, como de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

A publicação, intitulada Guia de Direitos dos Povos de Matriz Africana e Afro-Brasileira, destaca ainda o direito de reconhecimento dos efeitos civis ao casamento religioso. 

Há previsão, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, da obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira no currículo oficial da rede de ensino.

Outro destaque é o direito à memória e preservação dos bens de natureza material e imaterial, entre os quais se incluem as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. 

Sindicato

O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo, destaca que o combate à intolerância religiosa ainda é um dos grandes desafios do Brasil. Na avaliação de Araújo, a iniciativa do sindicato auxilia no combate a esse problema a partir do acesso ao conhecimento e do consequente exercício de direitos, por meio da informação.

“Nós temos o dia 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído em 2007, e mesmo assim, ano após ano, ainda temos violações desse direito. Por isso, a gente decidiu, na Comissão da Verdade da Escravidão Negra aqui do Sindicato dos Bancários, publicar o guia para que a gente possa apresentar mais direitos para essa população vulnerabilizada pelo processo de racismo e que elas possam se defender adequadamente”, disse Araújo à Agência Brasil.

O bancário lembra ainda que muitos terreiros são prejudicados, por não terem acesso às devidas informações de como devem agir em determinadas situações e exigir seus direitos. 

Para a entidade sindical, o acesso à informação é fundamental para fortalecimento dos praticantes das religiões de matriz africana e afro-brasileira. Um desses pontos é reconhecer a importância do legado ancestral dessa população na sociedade, “com o conhecimento necessário para que possam defender seus direitos e agir de forma assertiva em diversas situações”.

“Ao colocar esse guia à disposição de toda a sociedade brasileira e, em particular, das comunidades de matriz africana e afro-brasileira, o sindicato visa possibilitar que essas comunidades se apropriem do conteúdo e se empoderem na defesa de seus direitos, garantidos constitucionalmente e de forma democrática”, ressalta o sindicato.

Denúncias

A intolerância religiosa é crime, equiparado ao crime de racismo, sendo inafiançável e imprescritível, com pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa. Se o crime for cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a pena será de reclusão de 2 a 5 anos e multa.

O Disque 100, o Disque Direitos Humanos, é um canal anônimo que recebe denúncias desse tipo de crime e de violações de Direitos Humanos em geral. O serviço dispõe de atendimento na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Também é possível denunciar pelo aplicativo de mensagens WhatsApp para receber atendimento ou denunciar, enviando uma mensagem para o número (61) 99611-0100. Pelo aplicativo Telegram, basta digitar DireitosHumanosBrasil na busca do aplicativo.

Quem quiser denunciar um ato de intolerância ou racismo também pode procurar uma delegacia comum ou especializada, como a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Mensagens preconceituosas, racistas, xenofóbicas e que violem os direitos humanos podem ser denunciadas no site www.humanizaredes.gov.br, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) que atua como canal de comunicação da sociedade com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.



EBC

Suspensão de novos vistos de imigração para os EUA começa nesta quarta


O Departamento de Estado dos Estados Unidos (EUA) suspendeu temporariamente, a partir desta quarta-feira (21), a emissão de novos vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil.

A medida, anunciada em 14 de janeiro, altera o processamento de pedidos de residência permanente por parte de cidadãos de nações classificadas como de “alto risco de utilização de benefícios sociais”.

Para justificar a revisão de todas as políticas de imigração para daquele país, o Departamento de Estado disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que os imigrantes devem ser financeiramente autossuficientes e não devem “representar um fardo financeiro para os norte-americanos”.

“O Departamento de Estado [dos Estados Unidos] está realizando uma revisão completa de todas as políticas, regulamentos e diretrizes para garantir que imigrantes desses países de alto risco não utilizem programas de assistência social nos Estados Unidos nem se tornem um ônus para o Estado”, diz a publicação oficial.

Exceções

Vistos de turismo e para trabalho temporário seguem válidos, de acordo com informe publicado no site da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Vistos de turismo também continuarão sendo emitidos, pois são considerados vistos de não imigrante

Além destes casos, quem já possui um visto de imigrante válido não terá o documento revogado, o que mantém o direito de viajar sujeito à admissão pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Cidadãos com dupla nacionalidade que apresentem um outro passaporte válido de um país não listado acima estão isentos dessa pausa.  

Procedimentos regulares

Apesar da suspensão da entrega do documento final, as etapas administrativas permanecem. De acordo com o comunicado oficial da representação diplomática norte-americana no Brasil, os solicitantes podem seguir enviando seus pedidos de visto e comparecendo às entrevistas agendadas nas respectivas embaixadas e consulados estadunidenses.

No entanto, a chancelaria alertou que nenhum visto de imigrante será efetivamente emitido enquanto a diretriz do Departamento de Estado dos Estados Unidos estiver em vigor.

Agência Brasil procurou o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para um o posicionamento sobre a suspensão da emissão de vistos para solicitantes brasileiros e aguarda a resposta. 

Confira abaixo a lista dos países que tiveram visto de imigração para os EUA suspenso:

  • Afeganistão
  • Albânia
  • Argélia
  • Antígua e Barbuda
  • Armênia
  • Azerbaijão
  • Bahamas
  • Bangladesh
  • Barbados
  • Belarus
  • Belize
  • Bósnia
  • Brasil
  • Butão
  • Cabo Verde
  • Camarões
  • Camboja
  • Cazaquistão
  • Colômbia
  • Costa do Marfim
  • Cuba
  • Dominica
  • Egito
  • Eritréia
  • Etiópia
  • Fiji
  • Gâmbia
  • Gana
  • Geórgia
  • Granada
  • Guatemala
  • Guiné
  • Haiti
  • Iêmen
  • Irã
  • Iraque
  • Jamaica
  • Jordânia
  • Kosovo
  • Kuwait
  • Laos
  • Líbano
  • Libéria
  • Líbia
  • Macedônia do Norte
  • Marrocos
  • Mianmar
  • Moldávia
  • Mongólia
  • Montenegro
  • Nepal
  • Nicarágua
  • Nigéria
  • Paquistão
  • Quirguistão
  • República Democrática do Congo
  • República do Congo
  • Ruanda
  • Rússia
  • Santa Lúcia
  • São Cristóvão e Névis
  • São Vicente e Granadinas
  • Senegal
  • Serra Leoa
  • Síria
  • Somália
  • Sudão do Sul
  • Sudão
  • Tailândia
  • Tanzânia
  • Togo
  • Tunísia
  • Uganda
  • Uruguai
  • Uzbequistão



EBC

Preços de repelentes podem variar até 110%, diz Procon


Produto muito utilizado nesta época do ano, o repelente de insetos pode apresentar uma variação de preço nas farmácias de até 110%, apontou um levantamento realizado pelo Procon-SP. A pesquisa, levou em conta o preço praticado por drogarias e farmácias em seus sites apurados no dia 15 de janeiro.

Um dos itens que apresentou a maior diferença de preços foi um repelente spray voltado ao público infantil. Ele foi encontrado por R$ 39,90, mas podia custar mais do que o dobro em uma outra farmácia, que cobrava R$ 83,95 pelo mesmo produto. Ou seja, ao adquirir o produto mais barato, a economia seria de R$ 44,05 por unidade. O levantamento também encontrou um repelente spray de 100ml de uma determinada marca variando entre R$ 39,90 e R$ 81,90.

Proteção

O uso do repelente é uma medida importante de proteção à saúde pública principalmente no verão, quando o calor e as chuvas típicos da estação favorecem a proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Embora já exista vacina contra a dengue, o uso do repelente ainda é importante porque o imunizante ainda não está disponível para toda a população.

Além disso, o repelente – principalmente os que contém DEET, icaridina e IR 3535 em sua fórmula – ajudam na prevenção da picada do mosquito Aedes aegypti, causador de outras doenças como zika, para a qual ainda não existe vacina.

O Procon recomenda que, antes de adquirir um repelente, o consumidor deve verificar se o produto possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e observar se sua fórmula contém algum ingrediente que possa lhe provocar alergia. O órgão  ainda alerta que é preciso pesquisar preços e considerar o valor do frete do produto ao fazer uma compra pela internet. Também é importante verificar se o site é verdadeiro e se não consta da lista de sites não-confiáveis do Procon.

 



EBC

Banco Will: como clientes devem proceder após liquidação pelo BC


Clientes da Will Financeira, liquidada pelo Banco Central, devem manter os pagamentos das dívidas no prazo e acompanhar os comunicados oficiais, segundo orientação de especialista.

Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central tira a empresa do mercado. A partir disso, ele deixa de operar e as aplicações congelam. Então, um liquidante é nomeado para avaliar a situação.

O profissional vai levantar os valores que a Will possui, o que tem a receber e o que tem a pagar, para então definir como fazer o pagamento a quem tem crédito com a empresa.

No entanto, as obrigações contratuais continuam existindo. Então, se a pessoa tem que pagar a fatura do cartão de crédito, ela deve fazer o pagamento, explica o especialista em mercado financeiro, André Franco.

“A fatura do cartão de crédito não é perdoada, tá registrado no sistema financeiro nacional. Então, o não pagamento vai causar inadimplência e você ter ali a sua conta colocada no Serasa e no SPC.”

Se a pessoa tem dinheiro em conta ou investimento, ela vai ter que esperar o trabalho do liquidante, diz André.  Se tiver cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o risco é menor.

“O dinheiro em conta de investimento entra na garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Então, essa garantia se estende à conta-corrente que você também tem lá dentro. Quanto a algum risco, o principal é o risco de demora do FGC. Produtos que não são cobertos pelo FGC, como débito, letra financeira e outras coisas, isso pode ser o risco do investidor. Mas, se ele tiver garantido pelo FGC, o risco é muito baixo, o principal seria o atraso no pagamento.”

A Will Financeira, empresa ligada ao Banco Master, teve a liquidação extrajudicial decretada nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central. A decisão foi tomada após a empresa não fazer os pagamentos devidos à operadora de cartão de crédito Mastercard.

A reportagem entrou em contato com a Will Financeira para um posicionamento, mas ainda não obteve resposta.



EBC

Após alta hospitalar, primo de crianças desaparecidas auxilia na busca


O menino Anderson Kauan, de 8 anos de idade, auxilia nas buscas dos primos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos há três dias, em Bacabal, no interior do Maranhão. Após ter recebido alta depois de 14 dias internado no hospital geral do município, Kauan mostrou aos policiais o caminho que percorreu com seus primos, até uma cabana abandonada, localizada próxima às margens do Rio Mearim.

Kauan foi acompanhado por uma equipe de atendimento especializada e com apoio psicológico, após autorização da Justiça.

As buscas, que contam com apoio de cães farejadores e mergulhadores, seguem sem qualquer pista sobre o paradeiro das crianças. Atualmente, as buscas estão concentradas na região da cabana, chamada de casa caída, onde cães farejadores indicaram a presença das crianças.

Militares da Marinha estão usando o equipamento de sonar para fazer a varredura em trecho de 3 km do Rio Mearim em busca de vestígios das crianças. O equipamento mapeia áreas submersas, produzindo imagens do fundo do rio ou do mar, mesmo em locais com pouca visibilidade.

“Os trabalhos avançam pela região e, com prioridade, pelo leito do Rio Mearim, com apoio da Marinha e de mergulhadores do Corpo de Bombeiros. Também seguimos com as investigações para dar uma resposta à família, à comunidade de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, e a todos que acompanham o caso”, informou o governador do estado, Carlos Brandão, em uma rede social.

Desaparecimento

As três crianças desapareceram no dia 4 de janeiro após saírem para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. No dia 7 de janeiro, Anderson Kauan foi encontrado por carroceiros em uma estrada no povoado Santa Rosa, vizinho ao que havia desaparecido, e informou ter deixado os dois primos no local da casa caída enquanto buscava ajuda.

A área de buscas, de cerca de 54 km², é marcada por mata de vegetação fechada, terreno irregular, com poucas trilhas, difícil acesso, açudes, o Rio Mearim e lagos. 

A operação de busca reúne profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Marinha e Exército, quilombolas e voluntários.



EBC

Em Davos, Trump diz que quer comprar Groelândia sem uso da força


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a repetir nesta quarta-feira (21) que os EUA querem comprar a Groenlândia, a exemplo do que outros países europeus já fizeram para ampliar seus territórios.

“Estou buscando negociações para discutir a aquisição da Groenlândia pelos EUA, como fizemos em outros momentos da História. E como outras nações europeias já fizeram, ao comprar territórios. Não tem nada errado com isso”, acrescentou

Ao discursar no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ele disse que o país desejado “não passa de um pedaço de gelo” que foi devolvido à Dinamarca pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial.

“Tudo que os EUA estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia, que devolvemos à Dinamarca após defendê-la de alemães, japoneses e italianos.”

O presidente estadunidense disse ainda não pretende usar a força para adquirir a região: “As pessoas pensaram que eu ia usar a força. Eu não quero e não usarei a força. Mas quem quer defender aquilo? É apenas um pedaço de gelo no meio do oceano. Mas se houver uma guerra, muitas ações acontecerão nesse pedaço de gelo”, argumentou ele ao afirmar que seu interesse naquela região se deve à localização estratégica.

Ele negou que seu interesse pelo país integrante do Reino da Dinamarca seja por conta das riquezas minerais. “Não tem [a ver com as] terras raras, até porque elas estão centenas de metros abaixo do gelo. Na verdade é uma questão de segurança estratégica nacional e internacional”.

Segundo Trump, a Dinamarca estaria gastando pouco para proteger a Groenlândia, e apenas os EUA, sozinhos, teriam “condições de garantir a segurança dessa massa gigante de gelo, além de desenvolvê-la, melhorá-la e torná-la boa para a Europa e para os EUA”

Otan

Ele criticou a falta de contrapartidas da Otan para os EUA, após as muitas contribuições e ajudas que deu ao longo dos anos aos demais países integrantes do grupo.

“Não recebemos nada da Otan, apesar de protegermos a Europa da União Soviética e, agora, da Rússia. Pagávamos a conta da Otan e não recebíamos nada. Tudo que pedimos em retorno é a Groenlândia. Isso inclui o direito de propriedade, porque precisamos dele para defendê-la”, disse Trump.

“Construímos bases na Groenlândia para salvar a Dinamarca e a própria Groenlândia. Se não fosse os EUA, eles estariam falando alemão ou japonês hoje em dia. Por isso estão sendo ingratos agora, uma vez que a Groenlândia é um território praticamente inabitável e não desenvolvido. Sem defesa, mas em uma localização chave para mantermos nossos inimigos em potencial distantes”, disse o presidente dos EUA.

“É um pedido muito pequeno, comparado ao que já demos a eles. Tudo que peço é um pedaço de gelo para eu proteger o mundo, como os melhores equipamentos de guerra existentes”, completou ao enfatizar que “os EUA estão de volta. Maiores e mais fortes do que nunca”.

Venezuela

Sobre a Venezuela, Trump defendeu as ações de seu governo em território venezuelano, que resultaram no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

“A Venezuela está indo bem. Tem sido uma coisa fantástica, o que está acontecendo com a Venezuela. Eles estão, agora, fazendo mais dinheiro”, disse ele ao destacar que empresas petrolíferas já estão se alinhando com os EUA, visando a extração de petróleo no país sul-americano.

Segundo Trump, o petróleo venezuelano já está resultando na queda de preço de combustíveis em território estadunidense

Política interna

Trump aproveitou a oportunidade para fazer inúmeros autoelogios com relação às políticas internas que vem implementando em seu país. Ao lembrar que tomou posse em seu segundo mandato há um ano, ele disse que as expectativas de crescimento econômico são altas, e ressaltou que já está derrotando a inflação nos EUA.

Isso, segundo ele, apesar de o país ter à frente de seu banco central o “terrível”, nas palavras de Trump, Jerome Powel – a que tem feito duras críticas públicas pela não redução das taxas de juros.

“Mas em breve vou anunciar o novo presidente do FED. Todos candidatos são ótimos”, disse Trump. “O problema é que depois que assumem fazem outra coisa, e aumentam os juros”, ponderou.

Segundo ele, a população estadunidense aprova seu governo, uma vez que suas políticas têm beneficiado diversos setores, gerando empregos e cortes de impostos.

“É um milagre o que está acontecendo”, disse ele ao pontuar também a redução do déficit fiscal nos EUA.

Europa

Já com relação à Europa, disse que o velho continente “está na direção errada”, e que erra em várias frentes, citando especificamente as políticas energéticas – que, segundo ele, são uma catástrofe por apostar em fontes renováveis como a eólica – e de imigração, algo que, na avaliação de Trump, prejudicará os europeus.

“Nos EUA cortamos a ajuda social destinada a imigrantes”, destacou.

“A Europa tem de fazer sua parte. Queremos aliados fortes, e a Europa precisa ser forte”, acrescentou ao reiterar a defesa que tem feito da política estadunidense de usar tarifas como forma de reequilibrar o comércio com outros países.

 



EBC

PF investiga grupo suspeito de usar criptomoeda para lavar dinheiro


Uma operação realizada hoje (21) pela Polícia Federal (PF) combate organização criminosa que utilizava criptomoedas para lavagem de dinheiro. Segundo a PF, essa organização teria movimentado mais de R$ 39 milhões.

Chamada de Narco Azimut, a operação cumpriu mandados de busca e de prisões temporárias nas cidades paulistas de Santos, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos, além de Goiânia (GO) e Armação de Búzios (RJ).

De acordo com a PF, as investigações mostraram que a associação criminosa era bem estruturada e movimentava grandes quantias de dinheiro, tanto em espécie quanto por meio de transferências bancárias e de criptoativos no Brasil e no exterior. O grande objetivo dessa organização era a lavagem de capitais.

Além dos mandados de prisão e de apreensão, a Justiça determinou o bloqueio e a apreensão de bens dos suspeitos. Também foram impostas diversas restrições como a proibição de movimentação empresarial e a proibição de transferência de bens móveis e imóveis que foram adquiridos por meio dos crimes cometidos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, ocultação ou dissimulação de valores e de capitais (lavagem de dinheiro) e evasão de divisas.



EBC

Psol aciona STF contra “gratificação faroeste” a policiais que matam


O Diretório Nacional do Psol acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (20) contra a chamada “gratificação faroeste”, um bônus de produtividade criado pelo governo do estado do Rio de Janeiro para premiar, entre outros critérios, o policial civil que tenha se destacado por matar criminosos.

A relatoria do caso foi designada para o ministro Alexandre de Moraes, por prevenção, devido à relação do tema com a chamada ADPF das Favelas, ação de descumprimento de preceito fundamental que trata da letalidade policial no Rio de Janeiro.

O partido de oposição ao governo fluminense pede uma liminar (decisão provisória e urgente) para suspender de imediato a gratificação. “O dispositivo é inconstitucional na forma e no conteúdo”, afirma o Psol, que chamou o bônus de “incentivo financeiro à violência policial”.

Para a sigla, a gratificação é inconstitucional desde a partida, uma vez que foi criada por iniciativa do Legislativo, e não do Executivo, que detém a exclusividade para apresentar propostas que criam despesas de pessoal.

Entenda

Aprovada em outubro de 2025, a Lei Estadual nº 11.003/2025 trata da reestruturação do quadro de servidores da Secretaria Estadual de Polícia Civil, e em seu artigo 21 prevê uma bonificação entre 10% a 150% do salário em casos como os de vitimização em serviço, apreensão de armas de grosso calibre ou, ainda, quando ocorrer a chamada “neutralização de criminosos”.

O artigo chegou a ser integralmente vetado pelo governador Cláudio Castro, sob a justificativa de ausência de previsão orçamentária para os pagamentos, mas o veto acabou derrubado em dezembro pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na ocasião, o próprio líder do governo, deputado Rodrigo Amorim (União), defendeu a derrubada do veto.

Diversos órgãos também já se manifestaram pela ilegalidade e inconstitucionalidade da gratificação faroeste. Ainda antes da aprovação da lei, a Defensoria Pública da União (DPU), por exemplo, divulgou nota técnica que classificou a medida como um estímulo aos confrontos letais entre policias e bandidos.

Segundo a Defensoria, o próprio termo “neutralização”, usado na lei, é impreciso e por si só viola a dignidade da pessoa humana.



EBC