Indústria mantém estabilidade desde abril de 2025, diz IBGE


A indústria apresenta um comportamento de estabilidade há alguns meses, operando dentro de um mesmo patamar, especialmente, desde abril de 2025. A conclusão é de André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (8), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ele disse que a estabilidade da produção industrial, com o registro de 0% em novembro de 2025, é o melhor resultado desde 2023, considerando apenas os meses de novembro, quando apresentou avanço de 1,1% naquele momento. Em novembro de 2024 houve queda de 0,7%.

“Quando a gente observa os resultados da série histórica, tem um primeiro trimestre com um avanço mais importante, inclusive, culminando com um crescimento na margem da série mais elevada do ano, que foi o resultado de março com 1,8% de crescimento”, afirmou em entrevista virtual para a apresentação dos dados, acrescentando que, após esta fase, o setor industrial experimentou o movimento de perda inicial para abril e maio e ficou girando neste patamar.

Política monetária

Para o gerente, o movimento de maior dinamismo para o setor industrial guarda relação importante com uma política monetária mais restritiva, principalmente, em um cenário de taxa de juros mais elevada e aperto monetário que envolve operações de crédito, encarecendo as condições e o acesso ao crédito.

“Esse movimento é muito associado à política monetária, muito ligado ao aumento da taxa de juros. E explica esse comportamento de menor intensidade que a gente vem observando para a produção industrial nos últimos meses”, afirmou.

Segundo Macedo, não por acaso, é o sexto mês no ano de 2025 que o resultado fica muito próximo da margem. Ele lembrou que em janeiro a produção industrial ficou em 0,1%, houve estabilidade em fevereiro, 0,1% positivo no mês de junho, -0,1% em julho, 0,1% positivo de outubro e esse resultado de variação nula observado em novembro.

Mercado de trabalho robusto

Apesar desse comportamento que guarda relação importante com as questões ligadas à política monetária, a economia tem registrado outros resultados favoráveis. “Ainda tem um campo positivo no aspecto doméstico que é um mercado de trabalho ainda muito robusto, com aumento da massa de rendimentos, nível de ocupação em patamares elevados e taxa de desocupação em patamares baixos”, observou.

Macedo destacou, ainda, que esse desempenho impulsiona de alguma forma a economia doméstica e consequentemente o setor industrial, embora todo esse movimento de menor intensidade que marca a produção industrial tenha como pano de fundo a política monetária mais restritiva e o avanço na taxa de juros.

Isso fica muito evidente com esse comportamento do setor industrial girando em torno do mesmo patamar desde julho”, finalizou.



EBC

Lula: democracia é obra em construção e deve ser zelada e defendida


Ao relembrar os três anos da tentativa de golpe de Estado, ocorrida em janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (8) que os atos praticados à época servem para lembrar que a democracia não é uma conquista inabalável.

“Ela será sempre uma obra em construção, sujeita ao permanente assédio de velhos e novos candidatos a ditadores. Por isso, a democracia precisa ser zelada com carinho e defendida com unhas e dentes, dia após dia.”

Durante ato oficial no Palácio do Planalto, Lula destacou a necessidade demostrar que a democracia é “mais do que uma palavra bonita no dicionário” e que exige a construção de um país mais justo e menos desigual, “com mais direitos e menos privilégios”.

“É mais do que o desejo e o direito de votar no dia da decisão – e depois guardar o título de eleitor pelos próximos quatro anos. A democracia requer a participação efetiva da sociedade na decisões de governo”, disse.

“Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF [Supremo Tribunal Federal]”, concluiu.

 


Brasília (DF), 08/01/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e assina veto integral ao PL da Dosimetria. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cerimônia lembra os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dosimetria

Mais cedo, o presidente vetou integramente o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

“Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint fajutas”, disse.



EBC

Maior parte da costa fluminense é vulnerável a mudanças climáticas


A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode sofrer com as consequências das mudanças do clima. A conclusão é de um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) que calcula 60% do litoral com vulnerabilidades médias e elevadas, o que indica riscos de inundações e de erosão causada por ondas.

A pesquisa foi desenvolvida pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra Igor Rodrigues Henud, com orientação do professor Abílio Soares. Segundo Henud, soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos.

“O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, disse Igor Henud à Agência Brasil.

Reconhecendo essa influência positiva, o estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Isso envolve a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais. Além de reduzir riscos, as NbS oferecem benefícios adicionais, como a melhoria da qualidade da água, a mitigação de poluentes atmosféricos e o aumento da resiliência a desastres.

Henud acredita que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, ao contrário das infraestruturas convencionais.

Os pesquisadores defendem também a proteção dos chamados habitats costeiros, que são considerados ecossistemas estratégicos e que estão fora do escopo de preservação oficial , mas podem ajudar a aumentar a resiliência climática.

Maior risco

A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.

De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.

Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.

Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.

Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.

Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.

“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.

Fatores

Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.

Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.

Soluções cinzas e verdes

Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.

As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.

“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza.



EBC

Preço médio das passagens aéreas cai 20% em novembro


Um levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base nos dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostram que o preço médio das passagens aéreas no Brasil caíram 20% no mês de novembro. No mesmo mês em 2024, a passagem nacional custava em média R$ 758,87. Em 2025, esse valor caiu para R$ 607,85.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a redução do preço médio das passagens se deu em virtude do custo do combustível dos aviões, que foi menor. “Essa queda consistente ao longo dos últimos anos é fruto do trabalho intenso do Ministério em pautas sensíveis ao setor e em conjunto com a Petrobras para a redução do custo do querosene de aviação (QAv), que representa cerca de 35% dos gastos das companhias aéreas”.

O mesmo levantamento mostra que os bilhetes vendidos a menos de R$ 300 em 2025 correspondem a 28,2% de todas as passagens vendidas. Apenas 6% das passagens foram vendidas acima de R$1.500. Em comparação com o ano anterior, 10% das passagens foram vendidas acima de R$1.500 e 17% dos bilhetes aéreos foram comercializados por até R$ 300.

Para o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, houve um aumento de competitividade no setor aéreo brasileiro. “Nosso objetivo tem sido estimular a realização de investimentos e atrair novas empresas para o nosso mercado. Isso se traduz em passagens mais acessíveis e em mais brasileiros podendo voar”.




EBC

Minneapolis protesta após morte de cidadã dos EUA pela polícia do ICE


Moradores da cidade de Minneapolis, estado de Minnesota, nos Estados Unidos, saíram às ruas, na noite desta quarta-feira (7), em protesto pela morte da cidadã estadunidense Renee Nicole Good por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Na quarta-feira (7), Renee foi alvejada por policiais do serviço de imigração dentro de seu carro.

As informações são do Minnesota Star Tribune. De acordo com o jornal The New York Times, outros locais do país também realizaram protestos.

A porta-voz do Departamento de Segurança Nacional, Tricia McLaughlin, disse que os agentes “estavam realizando operações direcionadas” quando membros da comunidade começaram a tentar bloquear os veículos.

Segundo Tricia o agente do ICE “disparou tiros defensivos” quando a mulher tentou atropelar os demais agentes que estavam na ação.

Ex-vice-presidente dos Estados Unidos, a democrata Kamala Harris classificou o episódio como “chocante”, em postagem nas redes sociais, e criticou o argumento defendido pela Casa Branca. 

“Muitos de nós vimos o vídeo horrível e doloroso, que deixa claro que a explicação do governo Trump sobre esse tiroteio é pura manipulação. Uma investigação completa e justa em nível estadual é absolutamente necessária”, escreveu Kamala.

Moradores que testemunharam a cena disseram que os agentes estavam ordenando que a mulher saísse do veículo.

Vídeos postados em redes sociais mostram o crime de vários ângulos. Os agentes se aproximam pela lateral do veículo e tentaram abrir a porta da motorista. Ela então acelera e tenta sair com o carro, quando outro agente dispara tiros à queima-roupa.
 


A message is written on a wooden cross placed next to flowers and candles at a memorial site during a vigil for a 37-year-old woman who was shot in her car by a U.S. immigration agent, according to local and federal officials, in Minneapolis, Minnesota, U.S., January 7, 2026. REUTERS/Tim Evans

Em Minneapolis, moradores fazem vigília em um memorial pela morte de Renee Nicole Good – Reuters/Tim Evans/Proibida reprodução

Operação

Na terça-feira (6), o Departamento de Segurança Nacional deu início a uma grande ofensiva migratória na região, enviando cerca de 2 mil agentes e oficiais para a operação.

O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma e disse que a “imprudência do governo Trump custou a vida de alguém”. 

Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, lamentou a morte da mulher de 37 anos. “À família: sinto muito!”, disse Frey, contestando a versão do Departamento de Segurança Nacional de que ela teria tentado atropelar os agentes. 

“Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade”, afirmou. “Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados.”

Em uma rede social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o agente agiu em legítima defesa. Segundo ele, imagens do episódio indicam que a motorista tentou atropelar o agente de forma “violenta” e “deliberada”.
 


People hold signs as they gather during a vigil for a 37-year-old woman who was shot in her car by a U.S. immigration agent, according to local and federal officials, in Minneapolis, Minnesota, U.S., January 7, 2026. REUTERS/Tim Evans

Manifestantes protestam contra a política de imigração do governo Trump e contra as forças do ICE – Reuters/Tim Evans/Proibida reprodução



 



EBC

Anvisa recolhe molho de tomate suspeito de conter pedaços de vidro


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa) determinou, nessa quarta-feira (7), o recolhimento do lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia,, da marca Mastromauro Granoro. Com isso, o lote do produto teve a sua comercialização, distribuição, importação, divulgação e consumo suspensos.

A medida foi tomada depois do alerta da rede RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed – Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações) de que o lote do molho de tomate importado no Brasil continha pedaços de vidro.

Suplemento Neovite Visão

Outro produto que deve ser recolhido é o Neovite Visão, suplemento alimentar voltado para a saúde ocular, da empresa BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch Lomb). Estão proibidos de ser comercializados, distribuídos, fabricados, importados, divulgados e consumidos os lotes 25G073, S25C004, S25C003, S25C002 e S25G072. A empresa comunicou o recolhimento voluntário dos lotes depois de identificar irregularidades.

“Os referidos lotes foram fabricados com Capsicum annuum L. (fruto da páprica), ingrediente não autorizado em suplementos alimentares como fonte de zeaxantina. Além disso, a quantidade de Caramelo IV (caramelo processo sulfito-amônia) nos produtos está acima do limite permitido”, diz a Anvisa em nota.

Ervas Brasil

Os suplementos de Vitamina C Sucupira com Unha de Gato Ervas Brasil e o Suplemento Alimentar Colesterol Ervas Brasil, da empresa Ervas Brasil Indústria Ltda., também foram alvo de ação de fiscalização sanitária e devem ser apreendidos. Os produtos não podem mais ser comercializados, distribuídos, fabricados, divulgados e consumidos.

“A empresa não tem licença sanitária e nem alvará de funcionamento e utilizou ingredientes não autorizados em alimentos. Além disso, faz divulgação irregular dos produtos, com falsas indicações terapêuticas, associando o seu uso a benefícios funcionais e de saúde, sem comprovação científica”, explica a Anvisa.



EBC

Após ameaças e acusações, Trump conversa com presidente colombiano


Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos (EUA),Donald Trump, conversaram por telefone na noite dessa quarta-feira (8). Foi a primeira vez que os dois tiveram algum contato após as ameaças e acusações que o mandatário norte-americano tem feito ao líder colombiano.

Petro divulgou uma foto em suas redes sociais enquanto estava ao telefone com Trump e também comentou o que foi conversado entre eles. “Entre outras coisas, falamos de nossas visões divergentes sobre a relação dos EUA com a América Latina”.

Petro disse também que explicou ao presidente norte-americano o potencial que a América Latina tem de produzir energia limpa, que poderia ser usada pelos EUA.

“Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial”, acrescentou.

Para ele, o potencial de energia limpa da América Latina pode ser concretizado com um investimento de US$ 500 bilhões, atualmente detido pelos Estados Unidos. “Essa é a minha proposta. Fundamentada na paz, na vida e na democracia global”.

Após o telefonema, Petro foi a uma manifestação popular que ele mesmo havia convocado para reforçar a posição do país em relação às ameaças norte-americanas.

No palanque, ele afirmou que havia conversado com Trump instantes atrás e leu o que declarou o presidente americano. Trump disse que foi uma “grande honra falar com Petro” e que havia telefonado para conversar sobre a situação das drogas e também sobre outros desentendimentos entre eles.

O colombiano contou que agradeceu a oportunidade, afirmou que espera um encontro em breve entre eles e que já estão ocorrendo as negociações para que isso aconteça.

Ameaças

Após a operação militar que sequestrou Nicolás Maduro na Venezuela, Donald Trump fez ameaças a Gustavo Petro e à Colômbia. No domingo (4), o norte-americano afirmou que “a Colômbia está muito doente e que é governada por um homem doente, que produz cocaína para vender aos Estados Unidos, mas não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Em conversa com a imprensa americana, Trump declarou ainda que uma invasão à Colômbia parecia ser uma boa ideia. 

Petro, por sua vez, declarou que “Trump tem um cérebro senil” e que ele vê “os verdadeiros libertários como narcoterroristas por não entregar a ele carvão ou petróleo”.



EBC

‘Os irmãos Karamázov’ volta ao Rio com acessibilidade integrada à peça


O que acha de assistir a uma peça bilíngue, sendo um dos idiomas a Língua Brasileira de Sinais (Libras)? É totalmente possível no espetáculo teatral Os irmãos Karamázov, adaptação do romance do escritor Fiódor Dostoiévski, que volta ao Rio de Janeiro, para curta temporada, nesta quinta-feira (8). As apresentações serão nesta e na próxima semana, de quinta a domingo, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, centro da cidade.

A equipe responsável pela peça conta que a proposta é ir além de posicionar um intérprete de Libras no canto do palco, vestido de preto e com uma iluminação apenas nas mãos. A montagem traz a língua de sinais para o palco, integrada ao elenco, com duas atrizes intérpretes. Além disso, uma das cenas é totalmente encenada em Libras, envolvendo todo o elenco.

Mas esse não é o único meio de acessibilidade da montagem dirigida por Marina Vianna e Caio Blat. Os deficientes visuais podem entrar no teatro antes do restante do público para ter contato tátil tanto com o figurino como com os atores. Estará disponível ainda um livro em tecido, para leitura em braile. Há ainda protetores auriculares disponíveis para quem tem sensibilidade auditiva.

Nas quintas e sextas, as apresentações são às 19h. Já nos sábados e domingos, às 17h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site ou na bilheteria do teatro, que abre às quartas, de 14h às 19h, quintas e sextas, às 16h, e sábados e domingos, às 14h. O teatro abre uma hora antes do início do espetáculo.

A ideia de incluir a acessibilidade em uma peça começou quando a co-realizadora e produtora da montagem, Maria Duarte, dirigiu um festival não relacionado a teatro, no qual havia muitos recursos de acessibilidade. “Me atravessou, me transformou. Era um olhar diferente sobre acessibilidade absolutamente integrado a todo o projeto”, revelou.

Maria queria que a montagem de Os irmãos Karamázov tivesse as mesmas condições e propôs isso aos diretores.

“Que a gente se dispusesse a fazer um espetáculo teatral realmente acessível. Que a gente não considerasse a acessibilidade como uma contrapartida obrigatória ou uma questão que quase atrapalhasse a criação artística e, sim, que fosse uma lente a mais para a criação do espetáculo”, disse em entrevista à Agência Brasil.

“Não faz sentido fazer uma produção cultural que não seja para todas as pessoas, que são diferentes e têm demandas diferentes”, completou, acrescentando que nunca assistiu a um espetáculo com acessibilidade integrada, mas sabia da existência de alguns com esta pauta.

Maria Duarte revelou que a equipe de acessibilidade trabalhou com todos os integrantes desde o início do projeto para a montagem de Os irmãos Karamázov. Como resultado, o elenco conta com Malu Aquino e Juliete Viana, duas artistas que são intérpretes de Libras, e com a cena que é feita com a língua.

“Elas dialogam com o elenco, assumem personagens e, ao mesmo tempo, estão traduzindo o texto com a delicadeza de olhar para a obra teatral. Não é uma tradução dura como em uma palestra, um congresso, um filme. É uma interpretação em Libras”, pontuou a co-realizadora e produtora.

“Fico emocionada sempre. Acho que as soluções artísticas foram muito felizes. Chegou um momento em que percebi que tinha conseguido concretizar aquilo antes mesmo de ficar pronto. É muito lindo um elenco de 13 pessoas se comunicando em Libras, que foi incorporada no gestual dos atores”, comentou, na esperança de que esse processo motive outras produções a realizar o mesmo.

O diretor Caio Blat contou que, em Belo Horizonte, a montagem foi marcante porque a parceria com o projeto Acessa BH propiciou a apresentação em um teatro lotado com 1,2 mil pessoas.

“É uma questão importantíssima, e tem uma demanda enorme de público com deficiências que precisa ser incluído na experiência teatral”, observou Caio Blat em entrevista à Agência Brasil.

 


Rio de Janeiro (RJ), 07/01/2026 - Peça teatral Os irmãos Karamazov. Foto: Rafael Bougleux/Divulgação

Caio Blat em cena na peça “Os Irmãos Karamázov”. Foto: Rafael Bougleux/Divulgação.

Teatros Lotados

Todas as apresentações de Os irmãos Karamázov realizadas em 2025 foram com casa lotada. Isso ocorreu, por exemplo, no Rio de Janeiro, em São Paulo, capital e interior, e em Belo Horizonte. A expectativa é que nesta temporada no Rio a procura do público seja a mesma.

“Falar em Dostoiévski em 2025, no Brasil, e com os teatros lotados em todas as temporadas foi a realização de um sonho, no sentido de que aconteceu exatamente como a gente sonhou”, disse o ator.

Espera

A vontade de montar um espetáculo com Os irmãos Karamázov acompanhou Caio Blat por mais de 20 anos, desde que se interessou pela obra de Dostoiévski. Ele dividiu esse desejo com o amigo Manuel Candeias, com quem leu toda a obra do autor e, depois de escolher este romance, fez a adaptação do texto para o teatro.

“A gente não tinha nenhuma dúvida que tinha que ser esse, porque é o mais teatral dos romances de Dostoiévski. É uma tragédia familiar cheia de personagens, cheia de conflitos, de ação”, contou.

No começo dos anos 2000, segundo Caio, começaram a surgir as primeiras traduções diretas do russo para o português da obra de Dostoiévski, o que facilitou o trabalho de adaptação.

“A gente não queria que fosse uma peça longa. A gente queria resgatar o espírito popular de Dostoiévski, que era um autor de folhetim. Todos os grandes romances dele foram publicados em episódios semanais em jornais. Era novela, folhetim”, afirmou, destacando que anos depois foram considerados clássicos e eruditos.

“A trama familiar é qual dos irmãos que matou o pai, coisa bem de folhetim e novela”, disse Caio.

A gente queria fazer uma peça que fosse popular, para todos os públicos, que durasse no máximo duas horas. Esse foi nosso desafio, transformar um dos romances considerados um dos maiores clássicos da humanidade em peça popular”, comentou.

Segundo o ator, por falta de oportunidades para levar adiante a montagem, tudo ficou guardado em uma gaveta. O projeto foi à frente ao ser apresentado por Caio e Luiza para Maria Duarte.

Maria acrescenta que, a partir daí, começou a busca por parceiros que permitissem botar o projeto de pé. As primeiras apresentações, em janeiro de 2025, foram no Sesc Copacabana, depois de serem contempladas no edital de cultura Sesc Pulsar RJ e na sequência ainda no Sesc São Paulo.

“Foi quando reunimos essa turma, eu, Maria, Luiza e Marina, que a gente tirou o projeto da gaveta e transformou ele em encenação”, relatou Caio.

O ator, que batalhou tanto para conseguir fazer a montagem, se emocionou na primeira apresentação, em janeiro de 2025. “Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo 24 anos depois. Foi muito tempo sonhando, imaginando, mexendo”, pontuou.

 


Rio de Janeiro (RJ), 07/01/2026 - Peça teatral Os irmãos Karamazov. Foto: Flora Negri/Divulgação

Peça teatral “Os irmãos Karamazov”. Foto: Flora Negri/Divulgação

Os irmãos Karamázov

A montagem traz a narrativa para os três dias que antecedem e sucedem o crime central da trama. “Ambientado na Rússia pré-revolucionária, a história acompanha as disputas entre os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha e seu pai, Fiódor Karamázov, em torno da herança da família e do amor pela mesma mulher”, resumiu a produção.



EBC

8/01: lembre como a imprensa estrangeira repercutiu condenações do STF


Há três anos, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro – exigindo um golpe militar – invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital federal. O movimento começou logo após a divulgação do resultado das eleições de 2022, no intuito de impedir que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o cargo.

Houve fechamento de rodovias e acampamentos foram montados em frente a quartéis de diversas cidades do país. Também marcaram o período de escalada de atos a implantação de uma bomba próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão da sede da Polícia Federal, também em Brasília.

Em setembro do ano passado, por 4 votos a 1, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro e sete aliados na ação penal da trama golpista. A condenação inédita de um ex-presidente da República por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito repercutiu na imprensa internacional.

O jornal estadunidense The New York Times estampou a notícia na página principal de sua edição online: “Corte suprema do Brasil condenou ex-presidente por tentar se agarrar ao poder após perder a eleição de 2022, incluindo um plano para assassinar o oponente”, escreveu o periódico.

O jornal inglês The Guardian também destacou, em sua página principal, o resultado da condenação do ex-presidente brasileiro. “Ex-presidente de extrema-direita do Brasil Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por planejar um golpe militar e tentar ‘aniquilar’ a democracia do país sul-americano”.

O francês Le Monde também publicou, em sua edição online: “Ex-líder da extrema-direita considerado culpado de liderar uma ‘organização criminosa’ que conspirou para garantir a continuidade de ‘governo autoritário’, apesar de derrota em 2022. Defesa entrará com recursos, ‘inclusive em nível internacional’”.

Outro jornal norte-americano a dar destaque à condenação foi o The Washington Post, em matéria publicada na capa de sua versão digital. “O Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu que o ex-presidente tentou reverter derrota nas eleições de 2022 com um plano que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

O jornal El País, um dos maiores diários em língua espanhola do planeta, estampou com destaque a decisão do STF. “Brasil dá passo transcendental contra a impunidade”, mencionando que o “ultradireitista Jair Messias Bolsonaro, capitão reformado do Exército, de 70 anos, foi condenado em Brasília por liderar uma conspiração golpista para não entregar o poder”.

Na Argentina, o Clarín escreveu: “O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi condenado nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por conspiração contra a ordem democrática, após sua derrota nas eleições de 2022 para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

No Oriente Médio, a rede Al-Jazeera também deu destaque à condenação de Bolsonaro e seus aliados, citando o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia, ao noticiar a formação da maioria. “A juíza Cármen Lúcia afirmou haver ampla evidência de que Bolsonaro agiu ‘com o propósito de corroer a democracia e as instituições’”.



EBC

Anvisa libera novo medicamento para fase inicial do Alzheimer


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento, o Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 22 do mês passado.

O remédio, produzido com o anticorpo lecanemabe, é indicado para retardar o declínio cognitivo das pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença. 

Segundo o registro da Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma característica definidora da doença de Alzheimer. O produto é uma solução para diluição para infusão.

Estudo 

A Anvisa divulgou que o medicamento teve a eficácia clínica avaliada em um estudo principal que envolveu 1.795 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas betaamiloides no cérebro e receberam o Leqembi ou placebo. 

“A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses”, apontou a Anvisa. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes. 

A escala inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo. Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo.



EBC