Brasil recebeu em 2025 quase 10 milhões de turistas estrangeiros


Em 2025, o Brasil registrou o melhor momento no turismo internacional, com 9.287.196 chegadas de turistas estrangeiros. O resultado representa aumento de 37,1% em relação a 2024, ano que, até então, detinha o recorde histórico, com cerca de 6,7 milhões de visitantes internacionais.

Além de superar o desempenho do ano anterior, o país também ultrapassou, a meta prevista no Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024–2027. A expectativa para 2025 era alcançar 6,9 milhões de chegadas internacionais, número que foi superado em 34,6%.

Em dezembro de 2025, o Brasil registrou um crescimento de 11% na entrada de turistas internacionais, em comparação com o mesmo período de 2024. Ao todo, 896.488 visitantes estrangeiros desembarcaram em destinos nacionais, cerca de 90 mil a mais do que no mesmo mês do ano anterior.

O resultado consolidou dezembro como o quarto melhor mês do ano em volume de chegadas internacionais, atrás de janeiro, fevereiro e março.

Destino

De acordo com o Ministério do Turismo, São Paulo foi a maior porta de entrada dos estrangeiros no Brasil, com 2.753.869 visitantes internacionais, seguido pelo Rio de Janeiro, com 2.196.443, e pelo Rio Grande do Sul, que recebeu 1.535.806 turistas ao longo do ano.

Origem

Entre os mercados emissores, a Argentina manteve a liderança absoluta, com 3.386.823 turistas, reafirmando a força do turismo regional e a integração sul-americana. Na sequência, vieram os chilenos, com 801.921 visitantes, e os americanos, que somaram 759.637 chegadas ao Brasil em 2025. Já viajantes vindos de países da Europa, como França, Portugal, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha, juntos, somaram 1.274.567 visitantes chegando ao Brasil.



EBC

MP pede prisão preventiva de ex-CEO da Hurb por descumprir cautelares


O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) requereu a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO [diretor executivo] da agência de viagens Hurb, antigo Hotel Urbano, pelo descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça. Ele foi preso na segunda-feira (5), no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, portando documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada.

As medidas cautelares impostas a Mendes decorrem de sua prisão em flagrante após o furto de obras de arte e outros objetos de um hotel e de um escritório de arquitetura. O empresário foi denunciado pelo MPRJ em maio de 2025 pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo, ocasião em que a Promotoria se manifestou pela manutenção da prisão.

Crimes

Os crimes foram praticados no dia 25 de abril de 2025. Em um dos casos, o denunciado fingiu ser entregador de aplicativo para furtar um quadro, colocando a peça no interior de uma bolsa de entregas. No mesmo dia, seguiu para um escritório de arquitetura e furtou quadros, uma mesa digitalizadora, duas carteiras com dinheiro, entre outros itens. Para executar o crime, Mendes se apresentou como eletricista.

O ex-CEO furtou uma obra de arte e três esculturas do Hotel Hyatt, na Praia da Barra da Tijuca. No dia seguinte, ainda de acordo com a denúncia, ele furtou dois quadros do escritório Duda Porto Arquitetura, além do Ipad e a carteira do dono do escritório, que fica dentro do Casa Shopping, no mesmo bairro.

Após um período em prisão preventiva, a custódia do réu foi substituída por medidas cautelares, entre elas a monitoração eletrônica, a proibição de se ausentar da cidade sem prévia autorização judicial e a obrigação de apresentar relatórios médicos mensais no processo.

Nesta terça-feira (6), ao requerer a prisão preventiva, a Promotoria destacou que o ocorrido no Ceará e a ausência de juntada de relatório médico desde setembro demonstram que o réu vem descumprindo reiteradamente as medidas cautelares, em evidente desrespeito às determinações judiciais.



EBC

Dólar cai para R$ 5,37 com redução de preocupações com Venezuela


A redução das preocupações em torno da Venezuela e o maior apetite por economias emergentes impulsionaram o mercado financeiro. O dólar fechou abaixo de R$ 5,40 pela primeira vez desde o início de dezembro.

A bolsa subiu e atingiu o nível mais alto em mais de um mês.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (6) vendido a R$ 5,379, com recuo de R$ 0,026 (-0,48%). A cotação chegou a subir nos primeiros minutos de negociação, mas caiu após a abertura dos mercados nos Estados Unidos.

Na mínima do dia, por volta das 12h, chegou a R$ 5,36.

Essa foi a quarta queda consecutiva da moeda estadunidense. No menor valor desde 4 de dezembro, a divisa cai 3,5% apenas nas quatro últimas sessões.

No mercado de ações, o dia foi marcado pela euforia. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 163.664 pontos, com alta de 1,11%. O indicador está no maior nível desde 4 de dezembro, dia em que atingiu recorde histórico.

Em relação à Venezuela, as moedas de países emergentes foram beneficiadas pela diminuição das tensões, após a presidenta em exercício, Delcy Rodríguez, enviar uma carta a Donald Trump em que informa estar disposta a uma “agenda de colaboração”.

Além disso, o real beneficiou-se do realinhamento de posições típico do início de cada ano.

Em dezembro, a moeda brasileira foi pressionada por ruídos políticos provocados pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às eleições de 2026, e pelo envio de remessas de empresas ao exterior, aproveitando-se dos dias finais de isenção de Imposto de Renda sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês.

* com informações da Reuters



EBC

Aposentados têm até 14 de fevereiro para pedir ressarcimento ao INSS


Os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm até 14 de fevereiro para pedir o ressarcimento, anunciou o presidente do instituto, Gilberto Waller. Em entrevista ao programa a Voz do Brasil, ele fez um balanço atualizado sobre os pedidos.

De acordo com presidente Waller, cerca de 6,2 milhões de beneficiários contestaram descontos indevidos do INSS, dos quais 4,1 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões. O governo estima, no entanto, que ainda existam 3 milhões de aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.

O prazo original se encerraria em 14 de novembro. No entanto, o Ministério da Previdência Social decidiu ampliar o período para garantir que todos os afetados possam registrar seus pedidos.

O esquema de descontos indevidos foi revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou fraudes em Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e entidades associativas. As investigações levaram ao afastamento de parte da cúpula do instituto em abril.

Na entrevista, Gilberto Waller ressaltou o esforço coordenado de órgãos federais para ressarcir as vítimas dos descontos não autorizados. O presidente do INSS também destacou a união entre o instituto, a Advocacia-Geral da União (AGU), a CGU e a Polícia Federal para rastrear os recursos desviados e entrar com ações na Justiça para recuperar o dinheiro.

Como pedir a devolução

Os beneficiários podem abrir pedidos de ressarcimento pelos canais oficiais do INSS:

  •  Aplicativo ou site Meu INSS, com login no Portal Gov.br;
  •  Telefone 135, com atendimento gratuito de segunda a sábado, das 7h às 22h;
  •  Agências dos Correios, que oferecem suporte gratuito em mais de 5 mil unidades.



EBC

EUA recuam em acusar Maduro de liderar suposto Cartel de Los Soles


O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) recuou em acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o suposto Cartel de Los Soles. A nova peça da denúncia contra o venezuelano por narcotráfico, apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA, excluiu a acusação feita na peça anterior, apresentada em 2020.

Na primeira denúncia, o termo “Cartel de Los Soles” aparece 33 vezes e Maduro é apontado como líder dessa suposta organização.

“Nicolas Maduro Moros, o réu, ajudou a administrar e, por fim, a liderar o Cartel de Los Soles à medida que ganhava poder na Venezuela”, dizia a denúncia, apresentada ainda no primeiro mandato de Trump.

Na nova peça do Departamento de Justiça, apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Maduro em relação ao suposto cartel.

“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas e a proteção de seus parceiros traficantes”, diz o texto.

A peça do Departamento de Justiça dos EUA afirma, em seguida, que os lucros dessa atividade foram para funcionários corruptos.

“[Esses funcionários] operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como o Cartel de Los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, diz o documento oficial de Washington.


Fumaça sobe após múltiplas explosões em Caracas
03/01/2026 Vídeo Obtido pela Reuters/via REUTERS

Caracas 3/1/2026 – Fumaça sobe após múltiplas explosões durante invasão dos EUA – Vídeo Obtido pela Reuters/Proibida reprodução

A mudança na linguagem e no teor da acusação do Departamento de Justiça chamou a atenção, uma vez que o suposto cartel foi designado como grupo terrorista pelo governo Trump. A acusação de que Maduro lideraria a organização justificou, no plano discursivo, a invasão da Venezuela.

Especialistas no mercado mundial de drogas vêm rejeitando chamar a Venezuela de narcoestado ou mesmo reconhecer a existência do Cartel de Los Soles.

Não há qualquer menção a esse grupo nas publicações do Escritório para Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU). O Relatório Anual Sobre Ameaças de Drogas da DEA (Administração de Combate às Drogas) de 2025, do governo dos EUA, também não menciona o suposto cartel venezuelano.

Dificuldade em provar existência do cartel

A consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca, avalia que, ao evitar tratar o cartel como uma organização “real”, o Departamento de Justiça reconhece os limites para provar essa tese.

“Até agora, não emergiram evidências suficientes para caracterizar uma organização criminosa – lacuna apontada por especialistas e, inclusive, por parceiros de inteligência dos próprios EUA”, explicou.

Gabriela destacou que a mudança na denúncia passa a enquadrar Maduro como posicionado no “topo” de um sistema criminoso, tratado como uma aliança de corrupção e tráfico, e não como uma entidade formal com personalidade jurídica, como um cartel.

“Essa escolha fortalece a acusação, uma vez que desloca o foco para condutas individualizadas e comprováveis [narcotráfico, corrupção e associação criminosa] em vez de sustentar um rótulo amplo e conceitualmente frágil de ‘cartel’”, ponderou a consultora.


Brasília (DF), 22/08/2025 - A consultara sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca. Foto: Gabriela de Luca/Arquivo Pessoal

Advogada Gabriela de Luca, consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe – Foto: Gabriela de Luca/Arquivo pessoal

A advogada disse ainda que a mudança dialoga ainda com as preocupações de especialistas da ONU com o uso indiscriminado do termo cartel, “advertindo que isso poderia justificar medidas amplas de criminalização generalizada do Estado venezuelano, com efeitos colaterais severos sobre uma população já profundamente vulnerabilizada”.

Apesar da mudança, os EUA seguem acusando Maduro de uma série de crimes ligados ao narcotráfico, incluindo relação com narcoguerrilhas colombianas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), e cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas.

“Maduro Moros e seus cúmplices, durante décadas, fizeram parceria com alguns dos traficantes de drogas e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo, e contaram com a corrupção de funcionários em toda a região, para distribuir toneladas de cocaína para os EUA”, diz a acusação.


Venezuela's captured President Nicolas Maduro and his wife Cilia Flores attend their arraignment with defense lawyers Barry Pollack and Mark Donnelly to face U.S. federal charges including narco-terrorism, conspiracy, drug trafficking, money laundering and others, at the Daniel Patrick Moynihan United States Courthouse in Manhattan, New York City, U.S., January 5, 2026 in this courtroom sketch. REUTERS/Jane Rosenberg

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, comparecem à audiência de instrução no Tribunal Federal, em Nova York, conforme ilustrado em desenho da sala do tribunal – Reuters/Jane Rosenberg/Proibida reprodução

Maduro diz que é inocente

Em depoimento à Justiça dos EUA, Maduro disse que é inocente e se classificou como um prisioneiro de guerra após ser sequestrado por militares estadunidenses no último sábado (3).

O governo de Caracas acusa Washington de criar a acusação de narcotraficante contra lideranças do país para justificar a intervenção na Venezuela com objetivo de controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Trump tem exigido ao novo governo de Delcy Rodríguez, que tomou posse na terça-feira (6) como presidente interina, acesso aos campos de óleo do país.

Em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, admitiu que o petróleo do país sul-americano não pode ficar nas mãos de “adversários” do Hemisfério Ocidental.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata na terça.



EBC

Saldo da balança comercial tem recorde em dezembro mas encolhe em 2025


Pressionada pelo crescimento das importações e pelo barateamento das commodities (bens primários com cotação internacional), a balança comercial encerrou 2025 com superávit menor que em 2024, apesar de registrado o melhor resultado para um mês de dezembro desde 1989. No ano passado, as exportações superaram as importações em US$ 68,293 bilhões, uma queda de 7,9% em relação ao superávit registrado em 2024.

Os números foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar do recuo, esse foi o terceiro maior superávit comercial anual desde o início da série história, em 1989.

Os maiores foram o de 2023, quando o superávit chegou a US$ 98,903 bilhões, e o de 2024, quando o resultado positivo ficou em US$ 74,177 bilhões.

Tanto as exportações como as importações bateram recorde. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o exterior somaram US$ 348,676 bilhões, com alta de 3,5% em relação a 2024.

Beneficiadas pelo crescimento da economia, no entanto, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do exterior, alta de 6,7%.

Projeções

O saldo comercial veio bastante superior às projeções. O Mdic projetava superávit comercial de US$ 60,9 bilhões em 2025, com US$ 344,9 bilhões em exportações.

Já as importações ficaram abaixo da projeção de US$ 284 bilhões. O fato de as importações terem ficado inferiores ao previsto ajudou a elevar o superávit da balança no fim de 2025.

Resiliência

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o comércio exterior brasileiro cresceu em 2025, mesmo com o tarifaço e as dificuldades geopolíticas.

“O nosso volume em termos de exportação cresceu 5,7%. O comércio global cresceu 2,4%. Então, crescemos mais que o dobro do comércio global. Isso mostra a resiliência e a boa competitividade dos produtos brasileiros”, declarou.

Apenas em dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 9,633 bilhões, alta de 107,8% em relação ao mesmo mês de 2024. Esse foi o maior resultado para o mês da série histórica, iniciada em 1989, superando o recorde anterior, de superávit de US$ 9,323 bilhões, em dezembro de 2023. As importações também atingiram valor recorde para o mês.

O valor das exportações e das importações em dezembro ficou o seguinte:

  • Exportações: US$ 31,038 bilhões, alta de 24,7% em relação a dezembro do ano passado;
  • Importações: US$ 21,405 bilhões, alta de 5,7% na mesma comparação

Setores

Na distribuição por setores da economia, as exportações em dezembro cresceram da seguinte forma:

  • Agropecuária: +43,5%, com alta de 35,2% no volume e de 6,7% no preço médio;
  • Indústria extrativa: +53%, com alta de 58,1% no volume e queda de 3,2% no preço médio;
  • Indústria de transformação: +11%, com alta de 14,9% no volume e queda de 4,2% no preço médio.

Produtos

Os principais produtos responsáveis pelo crescimento das exportações em dezembro foram os seguintes:

  • Agropecuária: soja (+73,9%); café não torrado (+52,9%) e milho não moído, exceto milho doce (+46%);
  • Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+74%) e minério de ferro (+33,7%);
  • Indústria de transformação: carne bovina (+70,5%) e ouro não-monetário (+88,7%).

No caso do petróleo bruto, a retomada da atividade das plataformas, após um período de manutenção programada em novembro, foi o principal fator para o crescimento.

Em relação às importações, o crescimento está vinculado à recuperação da economia, com o aumento do consumo e dos investimentos.

Na divisão por categorias, os produtos importados foram os seguintes:

  • Agropecuária: soja (+4.979,1%) e trigo e centeio não moídos (+24,6%)
  • Indústria extrativa: fertilizantes brutos, exceto adubos, +222,4%; carvão não aglomerado (+26,3%);
  • Indústria de transformação: combustíveis (+42,9%) e medicamentos, incluindo veterinários (+47,7%).



EBC

Brasil diz na OEA que sequestro de Maduro é “afronta gravíssima”


Na reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3), o embaixador do Brasil junto à entidade, Benoni Belli, afirmou que o momento atual é grave e evoca tempos considerados ultrapassados mas que voltam a assolar a América Latina e o Caribe.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com precedente extremamente perigoso”, disse o representante brasileiro junto à OEA nesta terça-feira (6).

Segundo o diplomata, agressões militares conduzem a um mundo em que a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. “Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conferir aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, de ignorar as soberanias nacionais ditando as decisões que devem tomar os mais fracos. A soberania internacional sustentada no direito internacional e nas instituições multilaterais é fundamental para que os povos possam exercer sua autodeterminação”, afirmou Belli.

Em reunião de emergência do Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas (ONU), nesta segunda-feira (5), o embaixador do Brasil Sérgio Danese também disse que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificariam os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela.

Militares americanos retiraram à força Maduro e sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano, em uma ação que matou integrantes de forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital do país. Maduro foi levado para Nova York e, segundo o governo dos Estados Unidos, vai responder no país a acusações por uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas.

 O casal foi levado na segunda-feira ao Tribunal Federal, em Nova York, para uma audiência de custódia na Justiça norte-americana. Maduro disse ser inocente e negou as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Maduro se qualificou como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”. O casal está detido num presídio federal no bairro do Brooklyn, também em Nova York.



EBC

Trump diz que ataque à Venezuela deixou “muitos” mortos


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso em Washington nesta terça-feira (6), aos deputados do Partido Republicano, elogiando a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, no último sábado (3). Naquela madrugada, militares do país sequestraram o presidente, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cília Flores.

Aos parlamentares, Trump disse, sem dar mais detalhes, que “do outro lado, muitos morreram” na operação, especificando que havia “muitos cubanos” entre os mortos.

O discurso a seus colegas de partido foi feito para marcar o começo do ano no congresso norte-americano.

“A operação na Venezuela foi muito complexa. Tivemos 152 aeronaves envolvidas, e muita gente no solo. Mas eu acho que foi incrível, ninguém morreu. Do outro lado sim, muitos morreram. Infelizmente, devo dizer. Muitos cubanos”, disse Trump se referindo-se aos seguranças de Maduro.

Trump falou diretamente sobre o presidente da Venezuela. “Ele era um cara violento. Ele tentou imitar a minha dança, mas é um sujeito violento”, disse, lembrando um vídeo em que Maduro fez uma dança parecida com a de Trump há alguns meses.

O presidente norte-americano seguiu elogiando o trabalho do exército de seu país na América do Sul.

“Cortamos a eletricidade em quase todo o país, foi aí que eles perceberam que havia um problema. Em Caracas, as únicas pessoas que tinham luz eram as que estavam com velas. Foi um ataque brilhante taticamente”.

Para o mandatário dos Estados Unidos, seu país provou que tem a mais poderosa, letal e sofisticada força militar do planeta.

“Não tem ninguém nem perto de nós. Ninguém pode nos enfrentar, não tem discussão sobre isso”.

Trump também criticou o Partido Democrata, que foi contra as ações dos EUA na Venezuela. Falou mal dos manifestantes em Nova York, que protestaram contra o sequestro de Maduro. “Essas pessoas em Nova York são pagas”, disse o presidente.

“Mortes a sangue frio”

No último domingo (4), o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse que boa parte da equipe de segurança de Nicolas Maduro foi morta “a sangue frio” durante o ataque perpetrado pelos Estados Unidos.

“Soldados, soldadas e cidadãos inocentes”, disse Padrino, sem citar nomes ou números específicos. A declaração foi feita em vídeo, em que o ministro aparece acompanhado de membros das Forças Armadas do país. 

Ao ler um comunicado oficial, Padrino rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a liberação de Maduro, que está detido em Nova York, sob acusação de narcoterrorismo. 

 



EBC

Venezuela responde por menos de 1% do mercado mundial de petróleo


O ataque dos Estados Unidos à Venezuela – país que detém a maior reserva petrolífera do mundo – teve reflexos nas cotações do ouro e dólar, e também nos preços de comercialização do petróleo.

Para especialista ouvido pela Agência Brasil, essa volatilidade de preços, no entanto, tem caráter mais especulativo do que pela relevância do petróleo venezuelano para o comércio mundial do produto.

Professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Alexandre Szklo lembra que a Venezuela responde, atualmente, por “menos de 1%” do mercado de petróleo do mundo.

O professor atribui essa pequena participação a dois motivos: o primeiro é relativo aos embargos impostos pelos Estados Unidos à Venezuela; o segundo é por conta das características do petróleo venezuelano que, por ser muito pesado, requer um tipo específico de refinarias localizadas no Golfo do México e nos EUA.

>> Clique aqui e acompanha a cobertura completa da Agência Brasil sobre o ataque à Venezuela.

Maior reserva do mundo

Ser a maior reserva do mundo não significa, necessariamente, ter acesso imediato a esta riqueza que já causou tantas guerras ao longo da história.

O processo de refino do petróleo passa por diversas etapas que começam em planejamento e pesquisas preliminares, para entender as características do produto a ser explorado em cada novo poço; até a extração, tratamento nas refinarias, distribuição e, por fim, sua comercialização.

Pequena participação

“Hoje, a Venezuela produz muito pouco e oferece muito pouco para o mercado internacional de petróleo. Uma coisa é o potencial que a Venezuela tem de produzir óleos, sobretudo extrapesados. Outra coisa é quanto a Venezuela supri de óleo o mundo. Atualmente, é menos do que 1%”, explicou o professor da UJRJ, referindo-se ao fato de que a maior parte do petróleo venezuelano está em reservas sem estruturas para exploração.

“O impacto de curto prazo da Venezuela no mercado internacional de petróleo, portanto, é bastante limitado”, complementou.

Além disso, há questões relacionadas às especificidades do petróleo que é majoritariamente encontrado na Venezuela. Segundo o professor, não são todas as refinarias que têm capacidade para refinar e tratar óleos pesados. 

“Então, na prática, esse óleo acaba impactando muito mais nas refinarias de maior complexidade da costa do Golfo do México e dos Estados Unidos. [O petróleo venezuelano] atenderia potencialmente as refinarias de maior complexidade, localizadas na região”, complementou ao ressaltar que em um contexto de longo prazo, a produção venezuelana poderá se tornar importante.

Comércio clandestino

Alexandre Szklo cita ainda o comércio clandestino de petróleo que tem chamado a atenção, em meio ao contexto de disputa pelas reservas venezuelanas. Segundo explica, essa é a alternativa que resta a países produtores para driblar embargos como o dos Estados Unidos à Venezuela e Irã; e da Europa à Rússia.

“O comércio clandestino de petróleo feito pelas chamadas frotas fantasmas está muito associado às sanções”, afirma o especialista da Coppe.

“Na prática, todo navio petroleiro precisa sobretudo de ter um contrato de seguro para a carga que ele está transportando. Ele tem o número de registro. Quando você tem as sanções, isso faz com que exista um prêmio de frete para determinados navios que não seguem os critérios de contratação típicos, nem passam por seguro da sua carga”, acrescenta.

Segundo ele, essas frotas fantasmas representam mais riscos para o transporte desse combustível: “Especula-se algo da ordem de 300 embarcações de petroleiros de grande porte compondo essas frotas fantasmas”.

 



EBC

No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro


Palco histórico de manifestações políticas, a Cinelândia acolheu na tarde desta segunda-feira centenas de pessoas que protestavam contra o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa Cilia Flores, no último sábado (3), quando tropas estadunidenses atacaram a capital Caracas.

A manifestação foi articulada no fim de semana pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, formada por cerca de 50 entidades.

O ataque à capital Caracas e o sequestro do líder Maduro – levado à força para uma prisão em Nova York com a esposa pelo Exército dos Estados Unidos –, foram anunciados pelo presidente norte-americano Donald Trump na manhã de sábado.

Maduro é acusado de suposto narcoterrorismo, venda de drogas para os EUA, posse e conspiração para obter armas automáticas. Em audiência, na segunda-feira (5), em um tribunal de nova-iorquino, o presidente da Venezuela se declarou inocente de todas acusações e disse ser um prisioneiro de guerra.

Venezuelanos no ato

A Agência Brasil compareceu ao ato na Cinelândia e ouviu a opinião de venezuelanos que estava por lá.


Rio de Janeiro (RJ), 05/01/2026 - Manifestante Ali Alvarez, de 31 anos, há oito anos no Brasil, mostra constituição da Venezuela durante ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos na Venezuela. Foto: Gilberto Costa/Agência Brasil

O venezuelano Ali Alvarez mostra a Constituição de seu país – Gilberto Costa/Agência Brasil

A ação do fim de semana surpreendeu o estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, que foi à Cinelândia protestar. O venezuelano está há oito anos no Brasil.

“Não esperava que isso acontecesse na Venezuela. Me senti indignado”, disse à Agência Brasil durante a manifestação.

Aluno da pós-graduação em tecnologia para o desenvolvimento social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ali Alvarez afirma que a iniciativa dos Estados Unidos “representa uma violência ao povo venezuelano e à nossa Constituição Bolivariana.”

Há 20 anos no Brasil, o músico e artista Alexis Graterol, 49 anos, compartilha das angústias de Ali Alvarez e afirma que as acusações contra Maduro são falsas.

“[Trump] deseja exclusivamente se apoderar de recursos naturais da Venezuela.” Em entrevista coletiva no próprio sábado, Trump anunciou que iria levar ao país invadido “nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo.”

O psicólogo venezuelano Marco Mendoza, de 38 anos, mora no Chile há oito anos, e estava em viagem pelo Rio de Janeiro. Ele também se disse surpreso com a ação do final de semana, mas estava “de acordo” com a intervenção dos EUA.

“[A Venezuela] já sofria intervenções da China, Rússia, Cuba e até do Hezbollah [sediado no Líbano]. Eu prefiro mais 25 anos pagando débito externo aos Estados Unidos do que ficar 25 mais anos com Maduro.”

Resistência e soberania

Também de passagem pelo Rio, o cineasta colombiano Raúl Vidales, de 45 anos, teme que os Estados Unidos se voltem contra seu país, onde há ao menos sete bases militares norte-americanas e mais de mil estadunidenses ocupados com os negócios de interesse militar ou do Departamento de Estado dos EUA.

“Espero que haja uma resistência cidadã forte por nossa soberania. O problema da colonização, neste momento feroz e brutal, demanda uma ação coletiva interamericana e global frente ao fascismo”, opinou.

A mesma expectativa tem o brasileiro Daniel Iliescu, presidente estadual do PCdoB. “Esperamos que a sociedade civil na América Latina, os organismos internacionais e governos democráticos de todo mundo possam reagir e reverter essa situação de instabilidade que vivemos lá hoje.”

“Está aberta uma nova etapa na história do mundo, em que infelizmente o multilateralismo se enfraquece bastante em detrimento do exercício da força unilateral”, avaliou Iliescu. Para ele, a atitude Trump confirma “a decadência contra a qual os Estados Unidos lutam e por isso adotaram essa postura mais beligerante e mais agressiva.”
 


Rio de Janeiro (RJ), 05/01/2026 - Ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos na Venezuela. Foto: Gilberto Costa/Agência Brasil

Ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos à Venezuela – Gilberto Costa/Agência Brasil

Venezuelanos no Brasil

De acordo com o IBGE, os venezuelanos são o maior grupo de imigrantes no Brasil, somando 200 mil cidadãos de um total de 1 milhão de estrangeiros que moram aqui.

Conforme o Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, entre abril de 2018 e novembro de 2025, mais de 115 mil venezuelanos contaram com apoio do Estado brasileiro para regularizar a situação e fixar residência no Brasil. Desse universo, 3.290 vieram para o Rio de Janeiro.
 



EBC