CNU ocorre sem problemas e 80% dos candidatos comparecem à prova


A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) aplicou, neste domingo (7), a prova discursiva do exame que oferece 3.652 vagas para 32 órgãos públicos. O concurso foi realizado em 228 municípios para 42 mil candidatos.

Do total de inscritos, 80% compareceram às provas, sendo de 20% a abstenção total do CNPU 2, ou seja, 8,5 mil candidatos que passaram na primeira prova não compareceram à discursiva. Na primeira etapa do concurso, em setembro, a ausência foi de 42,8%.  

Os resultados preliminares com o espelho da correção da prova de hoje serão publicados no dia 23 de janeiro, com os candidatos podendo apresentar recursos entre 26 e 27 de janeiro. 

A lista dos aprovados está prevista para ser publicada no dia 20 de fevereiro. Confira todos os próximos prazos do CPNU 2 no final desta reportagem.

Em entrevista coletiva, após o final da prova em Brasília, a ministra da Gestão e Inovação (MGI), Esther Dweck, comemorou o sucesso na aplicação do exame.

“As provas chegaram nos locais sem nenhuma intercorrência. Tudo ocorreu muito tranquilamente. E a gente vai poder começar a correção em breve. A tranquilidade é fruto justamente de um planejamento”, disse Esther.

As maiores abstenções foram registradas no Acre (27%), Amazonas (26%), Espírito Santo (26%), em Rondônia (26%) e Santa Catarina (26%). Os estados com o menor nível de abstenção foram o Distrito Federal (15%), Piauí (17%) e Rio Grande do Sul (17%).

“Essa previsão [de abstenção] está dentro do esperado para um concurso que tem duas provas. Foi uma abstenção bem menor do que no CPNU 1 e bem abaixo da média dos concursos em geral. Então, a gente ficou muito feliz porque isso reforça a consolidação de um modelo de concurso”, completou a ministra.

Ao todo, entre 2023 e 2026, o governo federal terá convocado 22 mil pessoas para a administração pública, excluindo as universidades e os institutos federais, que têm a renovação das vagas feita pelo Ministério da Educação (MEC).

A ministra Esther Dweck reconheceu que o total de chamados durante esse terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está aquém do necessário uma vez que, em dez anos, cerca de 180 mil servidores deixaram o serviço público.

Mesmo assim, Dweck ponderou que as 22 mil vagas preenchidas no atual governo fortalecem o setor.

“Quando o presidente Lula voltou no seu terceiro mandato, a gente observou certa incapacidade do Estado brasileiro de fazer políticas públicas. Não só [por causa] da carência de pessoas, mas a própria carência de instrumentos e de vontade política na condução de políticas públicas. A gente está retomando isso. O Ministério foi criado com o objetivo de recuperar as capacidades do Estado brasileiro”, explicou.

O MGI estima que, nos próximos 10 anos, a União deve perder 180 mil servidores que vão se aposentar. Esther avaliou que o ideal, seria um Concurso Público Nacional Unificado a cada dois anos.

“Desde que a gente pensou [o CPNU], ele deveria ser, no mínimo, a cada dois anos. Sempre vejo o modelo do Itamaraty como ideal, que é uma entrada de pouca gente todo ano. É muito bom para a administração pública ter certa previsibilidade. Está sempre entrando gente nova, não ter descontinuidade”, comentou.

Mulheres

A maioria dos classificados para essa 2ª etapa do CPNU foi de mulheres, que representaram 57,1% do total de inscritos, sendo 42% de homens. A ministra Esther Dweck afirmou que essa diferença ocorreu por causa da política de equiparação de gênero entre a 1ª e 2º fase do concurso.

A equiparação obriga que, sempre que há um número maior de homens para uma determinada prova, o MGI convoque mais mulheres para igualar o número de candidatos de ambos os gêneros.

“Se não houvesse equiparação, em vez de 57% de mulheres e 42,9% de homens, a gente teria tido 50% de homens e 49% de mulheres. Então, a proporção seria bem diferente”, comentou.

Próximas prazos do CNPU 2

De 8 a 17 de dezembro – período para caracterização de deficiência e confirmação e verificação das vagas de pessoas negras, indígenas e quilombolas.

8 de janeiro – resultado preliminar de avaliação de títulos.

9 a 12 de janeiro – Prazo de recurso para avaliação de títulos

15 de janeiro – resultado preliminar das bancas de avaliação de autodeclaração para pessoas negras, indígenas e quilombolas.  

16 a 19 de janeiro – Prazo de recurso da avaliação de pessoas negras, indígenas e quilombolas e de caracterização de pessoa com deficiência.

23 de janeiro – nota preliminar da prova discursiva e divulgação do espelho de correção.

26 e 27 de janeiro – Prazo para recursos da prova discursiva.

20 de fevereiro – publicação da lista dos aprovados de vagas imediatas e lista de espera. Início do processo de três chamadas.

16 de março – data final após as três chamadas e início das convocações para os cursos de formação ou para posse. 




EBC

Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado


A tentativa de feminicídio que sofreu em 6 de fevereiro de 2017 ainda provoca uma mistura de sentimentos e lágrimas na agente de educação infantil do município do Rio de Janeiro Evelyn Lucy Alves da Luz, de 44 anos. Os tiros que levou do ex-marido estão marcados nela e na filha, que na época tinha 6 anos e assistiu a tudo.

“Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel”, contou em entrevista à Agência Brasil.

Evelyn disse que a filha carrega o trauma até hoje. “Infelizmente, ela ainda está muito traumatizada, não fala sobre o assunto. Até hoje, luto para que tenha uma vida saudável e plena, mas é muito difícil tendo vivenciado o que vivenciou”, afirmou.


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Evelyn Lucy Alves da Luz vitima de tentativa de feminicídio 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Evelyn Lucy Alves da Luz, vitima de tentativa de feminicídio, denuncia violência de que foi vítima – Foto Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

“Foi à luz do dia, em um sábado de carnaval. Esse homem fez isso na frente de todos, algo que é comum. Eles não têm medo de serem violentos e agressivos”.

Os disparos foram em frente à casa dela, em Vila Isabel, na zona norte do Rio, depois de o ex-marido trazer de volta a filha que tinha ido com ele para um encontro determinado pela Justiça. A menina, que não queria ir, voltou chorando com o pai dez minutos depois. “Ele retornou à minha residência e desferiu três tiros, dois foram no meu abdômen, perdi o baço, um pedaço do fígado e o ovário esquerdo, e o outro foi no rosto”, revelou, acrescentando que ficou 21 dias internada no hospital, sendo 11 no Centro de Terapia Intensiva. 

“Carrego essas marcas até hoje. Tanto físicas quanto emocionais. Sei muito bem o que é”, contou em meio às manifestantes que participaram do ato Na Rua por Mulheres Vivas!, no posto 5 da Praia de Copacabana.

“Hoje estou aqui. Poderia ter virado uma estatística, mas estou aqui porque sou realmente uma sobrevivente de tentativa de feminicídio”.

Evelyn pôde contar com uma rede de apoio de mulheres que foi se formando ao seu redor como grupos e coletivos. “Fui recebendo muito amor e afeto, inclusive uma das pessoas de quem recebi esse afeto, logo em seguida, foi a Vanderlea Aguiar, também militante do Movimento Emancipa. Uma das pessoas que foi meu suporte para que eu chegasse até aqui”.

“Só de estar viva, acho que já é uma grande militância porque passei por algo que nenhuma mulher merece passar”.

Evelyn, no entanto, reclama da falta de apoio do Estado. “Recebi apoio de pessoas e não de organizações e nem do governo. Não recebi nenhum tipo de ajuda, nenhum tipo de ligação, não recebi apoio psicológico, financeiro, nada. Tive que me reerguer com meios próprios”, afirmou.

“É um dos meus questionamentos. A mulher que sobrevive a uma violência, seja patrimonial, emocional, ou a uma tentativa de feminicídio, não recebe apoio do governo para se restabelecer”.

O agressor chegou a responder a processo na Justiça e foi preso, mas depois de uma pesquisa na internet, Evelyn se assustou ao saber que ele está solto. “Ele está solto desde 2024 e ninguém me avisou”, contou, acrescentando que esse foi mais um motivo para estar no ato em Copacabana.

“Estou aqui por mim, por todas as outras que se foram e por aquelas que querem ser livres”.

Para Vanderlea Aguiar, 49 anos, uma das pessoas que ajudaram Evelyn, a saída de um relacionamento difícil que enfrentou foi por instinto de sobrevivência. “A gente está cansada de ver as mulheres morrendo simplesmente pelo fato de serem mulheres e porque os homens acham que são donos da nossa vida e do nosso corpo. Pode-se dizer até da nossa alma”, disse à Agência Brasil.


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Vanderlea Aguiar e Adriana Herz Domingues do coletivo Juntas 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Wanderléa Aguiar e Adriana Domingues, no ato contra os feminicídios, no Rio de Janeiro – Foto Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil

“Apoiar a Evelyn e as mulheres é dizer que a gente está viva, sobrevivendo e, mais do que isso, é dizer chega e que a gente não aguenta mais. Que a gente é dona das nossa vida, sim”.

Adriana Herz Domingues, 31 anos, é uma das coordenadoras estaduais do Coletivo Juntas, presente ao ato. Segundo a psicóloga, os casos de feminicídio, que aumentam a cada dia, são motivos para chamar a atenção do país com a manifestação deste domingo. A falta de investimentos para uma rede de acolhimento e da realização de concursos públicos para esses espaços também estão na lista de reivindicações.

“A gente está lutando por isso, mas em primeiro lugar que os casos de violência não aconteçam. É muito importante ter a Lei Maria da Penha e debates nas escolas sobre a violência contra mulher. Discutir por que o machismo existe e outras questões.

O debate sobre o que é a violência, conforme a psicóloga, é fundamental, porque ainda há mulheres que não identificam, dessa forma, o que sofrem. “Isso envolve esse debate nas escolas, no Sistema Único de Saúde, campanhas do próprio governo e também ter os aparelhos de Estado para acolhimento”. Para Adriana, embora as Casas das Mulheres funcionam em alguns locais, embora tenham sido uma conquista do movimento feminista, ainda são em número insuficiente.

“O atendimento psicológico té importante para a mulher de forma que sinta que não está sozinha, tem um amparo, muitas vezes em grupo para as que passam pela situação se fortalecerem coletivamente”, disse. Ela lembrou  que há casos também que por dificuldades financeiras, mulheres não deixam o relacionamento violento.

“[É preciso] a gente garantir emprego pleno, ter concursos públicos para que as mulheres possam ter empregos bons, bolsas para mulheres que estão em situação de violência. São propostas para a gente combater isso”, observou


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Deise Coutinho professora aposentada no ato contra feminicídio 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

A professora Deise Coutinho coloca girassóis ao lado de cruzes em Copacabana para protestar contra o feminicídio – Foto Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

A professora aposentada Deise Coutinho, 68 anos, levou girassóis que botou ao lado de cruzes pretas espalhadas na pista da orla de Copacabana representando as mortes por feminicídio. Ela representou o Sindicato dos Professores de Escolas Particulares, para reivindicar do governo respostas às mortes de mulheres por feminicídio. “Girassol é uma flor que se levanta, é o lema. Nós nos levantamos para lutar, para acabar com essa matança das mulheres”   



EBC

Fortaleza e Ceará são rebaixados na última rodada do Brasileirão 2025


O Fortaleza perdeu de virada para o Botafogo, no Nilton Santos (RJ), por 4 a 2, e vai jogar a Série B do Campeonato Brasileiro em 2026. O Leão vinha de uma recuperação incrível no campeonato, com nove jogos de invencibilidade e quatro vitórias seguidas. Mas a derrota na tarde deste domingo (7) deixou a equipe na 18ª posição, com 43 pontos.  

Aos 16 minutos de jogo, Breno Lopes acertou um belo chute na entrada da área e abriu o placar. Nos acréscimos da etapa inicial, aos 49, Montoro colocou com categoria no ângulo para empatar a partida. Aos 2 minutos da etapa final, Vitinho cruzou e Arthur Cabral virou para o Botafogo. Aos 6 minutos, ocorreu uma lance incrível. Depois da finalização do Fortaleza, a bola bateu no braço de Barrera dentro da área. No contra-ataque rápido, os cariocas fizeram o terceiro gol com o mesmo Barrera. Só que o árbitro, auxiliado pelo VAR, anulou o gol e marcou o pênalti para o Fortaleza. Aos 10 minutos, Bareiro bateu e empatou o jogo em 2 a 2. Aos 38 minutos, Santi cobrou escanteio e Marçal mandou de cabeça para o fundo da rede para ampliar o placar. Já nos acréscimos, Mateo Ponte definiu o contra-ataque e fez  4 a 2. O Botafogo finalizou o torneio na 6ª posição com 63 e aguarda o final da Copa do Brasil para saber se jogará a Pré-Libertadores ou já entrará direto na fase de grupos do torneio continental em 2026.  

A outra vaga do Z-4 ficou com o Ceará. O Vozão perdeu de virada por 3 a 1 para o Palmeiras, no Castelão lotado, e vai jogar a Série B do futebol brasileiro em 2026.

O Vozão saiu na frente no duelo desta tarde com o centroavante Pedro Raul, aos 11 minutos. Lucas Mugni cobrou falta na segunda trave, Willian Machado escorou para o meio e o artilheiro definiu. Mas logo, aos 16 minutos, o Palmeiras empatou. Bruno Fuchs cruzou e Facundo Torres definiu. Na etapa final, aos 15 minutos, Ramón Sosa cobrou falta no canto e definiu a virada do Verdão. Aos 19 minutos, o Palmeiras ainda marcou mais um com Flaco López. Jefté cruzou e o artilheiro argentino fez o 3 a 1. Com os resultados, o Ceará fechou na 17ª posição com 43 pontos. O Palmeiras, que já era vice-campeão brasileiro, fechou o Nacional com 76 pontos.      

Além da dupla cearense, Sport e Juventude (já rebaixados há mais tempo) estarão na Série B em 2026.

Vitória bate São Paulo e escapa do rebaixamento

O Vitória venceu o São Paulo por 1 a 0, no Estádio Barradão, em Salvador, e conseguiu se manter na Série A do Brasileirão para 2026. O gol dos baianos foi marcado aos 22 minutos da etapa final. Após boa troca de passes, Kayzer tocou para Fabri. Ele ajeitou e deu boa assistência para Baralhas fazer o gol. Com o resultado, o Vitória foi aos 46 pontos e subiu para a 15ª posição. O São Paulo finalizou o campeonato na 8ª posição, com 51 pontos. Dessa forma, o Tricolor Paulista ainda aguarda o final da Copa do Brasil para saber se irá disputar a Pré-Libertadores ou a Sul-Americana em 2026. Para jogar a principal competição continental, o São Paulo precisa que o Cruzeiro ou o Fluminense vença a Copa do Brasil.  

Inter bate Bragantino no sufoco e segue na Elite do Brasileirão

O Internacional venceu o Bragantino por 3 a 1 no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, na tarde deste domingo, pela 38ª rodada do Brasileirão 2025. Dessa forma, jogará a Série A do Nacional em 2026. O Colorado fechou o torneio com 44 pontos, na 16ª posição. Além da vitória do Inter, o clube de Porto Alegre precisou contar com a vitória do Palmeiras sobre o Ceará, por 3 a 1, e com a vitória do Botafogo, no Rio de Janeiro, por 4 a 2 sobre o Fortaleza. O Bragantino ficou na 9ª posição, com 49 pontos.  

Os gols da vitória do Inter foram marcados pelo zagueiro Mercado, de cabeça, aos quatro minutos da etapa final, Alan Patrick, de pênalti, aos 31 minutos, e Carbonero, em rápido contra-ataque, aos 35. Aos 42 minutos, Jhon Jhon ainda teve tempo para descontar para o Bragantino.    

Outros resultados

Fluminense 2 x 0 Bahia

Corinthans 1 x 1 Juventude

Atlético-MG 5 x 0 Vasco

Sport 0 x 4 Grêmio

Santos 3 X 0 Cruzeiro 



EBC

Ministras defendem penas maiores para crimes de feminicídio


Seis ministras e um ministro do governo federal participaram, neste domingo (7), em Brasília, do ato Levante Mulheres Vivas convocado por dezenas de organizações da sociedade civil. A manifestação ocorreu em diversas capitais do país após sucessão de casos de feminicídios que chocaram a sociedade. 

Sob fortes pancadas de chuva, o ato contou também com a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva. O ministro que participou foi o do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.  


Brasília (DF), 07/12/2025 - As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante o Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Mulher, Márcia Lopes, defendeu que as mulheres precisam ocupar 50% dos cargos políticos no Brasil. “Não vamos votar em homem que agrida, que ofenda as mulheres. Não vamos votar”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que essa é uma luta civilizatória, que precisa da participação dos homens.

“É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade. Nós temos um problema histórico e cultural de subordinação das mulheres e temos que mudar isso”, afirmou.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lembrou sua irmã Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em 2018 no Rio de Janeiro (RJ).


Brasília (DF), 07/12/2025 - A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fala durante o Levante Mulheres Vivas em Brasília – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi, com cinco tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer”, afirmou.

Mesmo se recuperando de uma cirurgia, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participou do ato em uma cadeira de rodas. Ela lembrou que a violência contra as mulheres indígenas segue invisível.

“Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram”, lamentou.

Também participou do ato a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que argumentou que a luta das mulheres contra a violência é secular. 

“Isso é para que a gente possa ter a dimensão da batalha que tem pela frente. Por isso, a luta para que tenhamos salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho”, afirmou.

Em sua fala, a primeira dama Janja Lula da Silva lamentou os feminicídios e pediu medidas mais duras contra o assassinato de mulheres.


Brasília (DF), 07/12/2025 - A primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, pediu penas mais duras para o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer”, disse.

Também participou do ato, na Torre de TV, na área central de Brasília, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck.

Entenda

A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país.

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.



EBC

Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado


“Estupros corretivos, tapas e facadas. Querem nos manter de bocas fechadas, mas nem a morte irá nos calar. Mulheres vivas!”, com essas palavras a assistente social Elisandra “Lis” Martins encerrou sua fala na Batalha de Rimas, no centro de Brasília, no ato Levante Mulheres Vivas, realizado em diversas capitais do país neste domingo (7).

Sob fortes pancadas de chuva, milhares de pessoas participaram do protesto no Distrito Federal (DF) para denunciar a violência contra a mulher, o feminicídio e a omissão do Estado na proteção e prevenção à violência de gênero.

O “Levante” foi convocado por dezenas de organizações de mulheres, após sucessivos casos emblemáticos de feminicídios que chocaram o Brasil nos últimos dias. Em Brasília, falas de lideranças e apresentações culturais movimentaram a Torre de TV, no centro da capital.

A rimadora Elisandra “Lis” Martins, de 31 anos, faz parte do coletivo Batalha das Gurias, da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, e compareceu ao ato para denunciar a violência de gênero na esperança de provocar uma reação do Estado. 

“É violência de gênero, é violência de raça, por esses motivos temos as nossas vidas escassas, é como viver no submundo dos empregos, periferias e até do próprio mundo. Da não aceitação até a depressão que nos mata, mantendo viva a respiração”, rimou a moradora do Itapoã, região administrativa do DF a cerca de 10 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.  

A manifestação contou com a presença de um ministro e seis ministras, entre elas as da pasta da Mulher, Cida Gonçalves, da Igualdade Racial, Anielle Franco, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de deputadas federais, da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas lideranças populares.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Ministras e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministras e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, contra o o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Violência do Estado

Foram recorrentes falas contra o Estado e a omissão e incapacidade das instituições de protegerem as mulheres vítimas de violência, assim como de prevenir esses crimes.

A doutora em ciência sociais Vanessa Hacon é ativista do Coletivo Mães na Luta, que assessora mulheres vítimas de violência. Ela afirma que o sistema de Justiça é negligente no atendimento às mulheres e, na maioria dos casos, culpa a própria vítima.

“As mulheres saem de casa para se livrar da violência doméstica e vão parar dentro do sistema de Justiça, onde a violência processual é intensa e absurda e os juízes não fazem nada”, disse Vanessa.

A ativista reclama que as instituições do sistema de Justiça não concedem as medidas protetivas às mulheres quanto necessário.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Carla Michelli e Vanessa Hacon durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Carla Michelli e Vanessa Hacon no Levante Mulheres Vivas, em Brasília, contra o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Existe uma ideologia machista nos tribunais que deslegitima denúncias com base em estereótipos de gênero vulgares, do tipo ‘essa mulher é uma ressentida’, ‘não aceita o fim do relacionamento’, ‘vingativa’. Essas denúncias precisam ser levadas a sério e, de fato, processadas corretamente, ao invés de arquivadas sob argumentos vagos”, criticou.

Patriarcado

Com gritos como “Feminismo é revolução” e “Mulheres Vivas”, as manifestantes destacaram que a forma “patriarcal” como a sociedade foi estruturada ao longo dos séculos contribui para uma espécie de “epidemia” de feminicídios no Brasil.

“O patriarcado é quando a sociedade se estrutura a partir da lógica de que o homem, de que o gênero masculino, tem o poder, e o poder é centralizado neles, a partir deles, e é a partir deles que as coisas acontecem”, afirmou a militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Leonor Costa.

Ela destacou à Agência Brasil que os casos “absurdos” de feminicídios nos últimos dias acenderam a revolta das mulheres pelo país.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Leonor Costa durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Militante do Movimento Negro, Leonor Costa diz que educação é fundamental para mudar violência contra mulheres – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Espero que esses atos sensibilizem a sociedade e mostrem o perigo que as mulheres vivem no seu cotidiano e, mais do que isso, que sensibilize o Estado. É fundamental que haja políticas públicas que sejam capazes de frear esse nível de violência”, afirmou.

Para a representante do MNU, a educação é fundamental para mudar essa cultura. “São necessárias políticas de educação que consigam conscientizar a sociedade como um todo para entender que esse é um problema do país. Esse não é só um problema meu, que sou mulher”, completou.

Papel dos homens e do orçamento público

A maioria da manifestação foi formada por mulheres, mas muitos homens acompanharam o ato e as lideranças presentes destacaram o papel deles na luta contra a violência de gênero, como explicou a escritora, cineasta e professora aposentada Renata Parreira.  

“É preciso convocar os homens a discutir, a refletir sobre sua masculinidade tóxica. Trazê-los como aliados para essa luta, porque é uma luta de todas e todos para que possamos mudar o projeto de sociedade”, destacou.

Para Renata, que integra o Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio, é preciso ainda reforçar o orçamento público para combater a violência de gênero.

“Sem orçamento público, sem equipe qualificada, sem indicadores econômicos e sociais de pesquisa não há como elaborar políticas públicas efetivas para a prevenção da violência de mulheres. Nós precisamos, por meio da educação, transformar a realidade porque a cultura não é fixa, ela é dinâmica e pode ser mudada”, completou.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Renata Parreira durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para a escritora Renata Parreira, é preciso orçamento público para combater violência de gênero – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questão econômica

A situação econômica das mulheres foi outro elemento lembrado no ato como fator que alimenta a violência de gênero.

A empreendedora Aline Karina Dias, de 36 anos, avalia que a questão financeira é a arma para emancipar muitas mulheres dos ciclos de violência e exclusão.

“Compreendemos o empreendedorismo, a questão financeira, como uma ferramenta de emancipação e de existência das mulheres. Muitas que sofrem feminicídio são devido a questões sociais, por falta de moradia e de emprego”, disse.

Aline Karina lidera o Sebas Turística, projeto de afroturismo de base comunitária que visa promover o turismo cidadão em São Sebastião, região administrativa do DF a cerca de 17 km do centro de Brasília.

Entenda

A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país.


Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Levante Mulheres Vivas reuniu milhares na área central de Brasília protestar contra o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.

Veja galeria de fotos da manifestação em Brasília:

 



EBC

Gravuras são roubadas de exposição em biblioteca em São Paulo


Dois homens roubaram, na manhã de hoje (7), oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Cândido Portinari de uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade.

O crime foi confirmado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, que informou o ataque à exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna (MAM). 

O local, que passa por perícia da Polícia Civil, dispõe de equipe de vigilância e sistema de câmeras de segurança.

A secretaria informou que todo o material que possa servir à investigação está sendo fornecido para as autoridades policiais, e que as obras expostas contam com apólice de seguro vigente.




EBC

Projeto retrata múltiplas religiosidades do povo afro-brasileiro


A construção de pontes entre diferentes expressões da fé no Brasil é o centro da Formação Axé-Amém, uma iniciativa que reuniu pessoas negras evangélicas e de religiões de matriz africana para articular estratégias de enfrentamento ao racismo religioso e promover integração por meio da fé. 

A iniciativa é do Instituto de Estudos de Religião (Iser) que, durante quatro meses, recebeu 37 escritores selecionados para produzir o livro “Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil”. 

A publicação reúne as vivências dos autores sobre dupla pertença religiosa (sentimento de identificação e conexão com uma fé, comunidade ou tradição religiosa), memórias familiares, formação política e práticas de resistência espiritual, pautados no conceito de Escrevivência, desenvolvido pela escritora Conceição Evaristo. Uma escrita que parte do individual para narrar histórias do coletivo de uma comunidade. 

Para Amanda Damasceno, uma das autoras, a iniciativa de participar da formação Axé-Amém veio após um processo de transformação e aceitação familiar. Mãe de dois filhos e evangélica, ela teve dificuldades em aceitar quando a filha mais velha se iniciou no candomblé aos 16 anos. 


Rio de Janeiro (RJ), 02/12/2025 – Lançamento do livro Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Livro Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil é lançado no Rio – Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

“Como evangélica, sempre me ensinaram que as religiões de matriz africana eram demonizadas. Ao mesmo tempo que eu queria apoiar a minha filha, tinha muito medo, e se ela entrasse aqui com aquelas roupas? Por isso que eu sempre falo, hoje o meu propósito é combater o racismo religioso na sociedade, mas para isso tive que combatê-lo em mim, a transformação teve que partir de mim”, diz. 

O babalorixá Igor Almeida acredita que o projeto é uma maneira de quebrar paradigmas e construir um novo olhar de respeito entre as vertentes da religiosidade negra no Brasil. 

“Nosso país é pluralista, nós temos aqui uma pluralidade de religiões, de desinências, não somente negra, indígena, mamelucos, e a gente precisa aprender a ter respeito, não somente na desinência religiosa, mas no simples fato de querermos ser alguém dentro de uma sociedade”, afirmou. 

A publicação foi lançada na última terça-feira (2), no Rio de Janeiro. Carolina Rocha, pesquisadora do Ier e uma das idealizadoras da formação Axé-Amém, espera que o livro possa ser uma ferramenta de debates e educação religiosa. 

“Esperamos que o livro funcione como ponte, não como muro. Ele foi pensado para ser lido em igrejas, terreiros, comunidades, bibliotecas, escolas e rodas de formação “, afirma. 


Rio de Janeiro (RJ), 02/12/2025 – A historiadora candomblecista Carolina Rocha no lançamento do livro Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A historiadora candomblecista Carolina Rocha no lançamento do livro Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil – Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

Ela classifica a iniciativa como uma “cartografia afetiva de existências que não cabem no discurso do ódio”. Os autores foram selecionados por meio de edital público, e a alta adesão de pessoas evangélicas ao projeto foi uma grata surpresa para os idealizadores.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire 




EBC

STF volta a julgar marco temporal na próxima quarta-feira


O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia na próxima quarta-feira (10) um novo julgamento sobre a constitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Durante a sessão, não haverá votação dos ministros sobre a questão. A Corte vai ouvir as sustentações orais das partes envolvidas, e a data da votação será marcada posteriormente.

Em 2023, o STF considerou que o marco temporal é inconstitucional. Além disso, o marco foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou o projeto de lei aprovado no Congresso que validou a regra. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula.

Dessa forma, voltou a prevalecer o entendimento de que os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Após a votação do veto presidencial, o PL, o PP e o Republicanos protocolaram no STF ações para manter a validade do projeto de lei que reconheceu a tese do marco temporal.

Por outro lado, entidades que representam os indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese.

Conciliação

Antes de retomar o julgamento, o STF realizou diversas audiências de uma comissão de conciliação entre as partes envolvidas na questão. A conciliação foi convocada pelo ministro Gilmar Mendes, relator das ações.

Além de levar o caso para conciliação, Mendes negou pedido para suspender a deliberação do Congresso que validou o marco, decisão que desagradou aos indígenas.

Em agosto do ano passado, no início dos trabalhos da comissão, a Articulação dos Povos Indígenas (Apib), principal entidade que atua na defesa dos indígenas, decidiu se retirar da conciliação.

A associação entendeu que não havia paridade no debate.

As audiências foram mantidas sem a presença dos representantes dos indígenas. Os trabalhos continuaram com representantes do Senado, Câmara dos Deputados, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de estados e municípios.

Em junho desde ano, a comissão finalizou os trabalhos e aprovou a minuta de um anteprojeto que poderá ser enviado ao Congresso Nacional após o julgamento para sugerir alterações na Lei 14.701 de 2023, norma que, apesar de tratar direitos dos povos indígenas, inseriu o marco temporal para as demarcações.

A questão do marco temporal não foi alterada porque é uma das questões em que não houve consenso.

A minuta trata de pontos consensuais que, em alguns casos, já constam na Lei 14.701/2323 e foram explicitados, como permissão para turismo em áreas indígenas, desde que seja autorizado pelos indígenas, além da obrigatoriedade de participação de estados e municípios no processo de demarcação.

A minuta também prevê que o processo demarcatório, que é realizado pela Funai, deverá ser público, e os atos deverão ser amplamente divulgados.



EBC

Rayssa Leal é tetracampeã do Supercrown em São Paulo


Com apenas 17 anos, Rayssa Leal faturou o tetracampeonato do Supercrown, final do circuito mundial SLS de skate street. Além da brasileira, quatro atletas japonesas foram à final. A australiana Chloe Covell também esteve na decisão.

A Fadinha, como Rayssa é conhecida, abriu os trabalhos em São Paulo com nota 8.3. Na sequência, fez 7.5, seguindo na ponta. Depois, com 8.7 e 8.1, a brasileira continuou liderando. Na última volta, depois de ver as rivais caírem, Rayssa fechou com 8.7.



EBC

Congresso entra na reta final de atividades do ano


Após a aprovação do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Congresso Nacional entra na próxima semana próximo à reta final de suas atividades neste ano. Na terça-feira (9) haverá sessão solene para a promulgação da proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede imunidade do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) aos veículos com 20 anos ou mais.

Na terça-feira (9), está marcada sessão solene do Congresso Nacional para promulgar a PEC 72/23 que concede a isenção de IPVA para veículos com 20 anos ou mais de fabricação. A proposta padroniza a legislação nacional para estender o benefício de imunidade tributária, já existente em alguns estados, para todo o país, beneficiando principalmente a população de baixa renda que possui carros antigos.

Na Câmara dos Deputados está prevista a realização de reunião para a apresentação do parecer do deputado Mendonça Filho (União-PE) sobre a PEC 18/25 da Segurança Pública. Inicialmente o parecer deveria ter sido apresentado aos líderes partidários na semana passada, mas, segundo o relator, o adiamento serviu para mais conversas com as lideranças, a fim de perceber o “sentimento da Casa” a respeito da proposta.

O relator, contudo, já adiantou alguns pontos do parecer. Entre eles está a inclusão de dispositivo para limitar a edição de atos por parte do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que alcancem prerrogativas do Congresso na formulação de normas relacionadas à segurança pública. Ele citou também a alteração na proposta de criação do Conselho Nacional de Segurança Pública (CNSP), colegiado do Ministério da Justiça que reúne autoridades e instituições da sociedade civil para a formulação e proposição de políticas públicas com foco em prevenir e reprimir o crime. Em seu parecer, o conselho deixará de ser deliberativo e passará a ser consultivo.

Não há previsão de sessões deliberativas ordinárias no plenário da Câmara, mas haverá debates e votações nas comissões permanentes e especiais. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) há a expectativa de apresentação do parecer do deputado Danilo Forte (União-CE) para o Projeto de Lei (PL) 2531/21 que cria o piso salarial nacional para profissionais da educação básica que não são professores. A proposta estabelece o piso desses trabalhadores em 75% do valor pago aos professores. A medida abrange funcionários como assistentes de administração, secretários escolares, cozinheiras, inspetores de alunos, porteiros e auxiliares de serviços gerais.

Entre as votações nas comissões especiais está a do parecer do deputado Moses Rodrigues (União-CE) ao Projeto de Lei (PL) 2614/24, que aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2024-2034.

Também está prevista a votação do relatório do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/25 que regula os serviços de aplicativos de transporte remunerado privado individual de passageiros e de coleta e entrega de bens.

Entre outros pontos, a proposta regulamenta a jornada mínima de trabalho, o tempo mínimo conectado ao aplicativo ou plataforma digital, a disponibilidade mínima obrigatória, além da necessidade de celebração de contrato escrito que regule a relação de trabalho entre os motoristas e entregadores de aplicativo e as plataformas.

Outro ponto de destaque é a discussão do escândalo do Banco Master. O presidente do banco, Daniel Bueno Vorcaro, foi preso, e depois liberado, acusado de fraude em operações no mercado financeiro que podem somar R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal (PF).

Está marcada para terça-feira audiência conjunta das comissões de Finanças e Tributação; Previdência, Assis. Social, Infância, Adolescência e Família para debater o escândalo do Banco Master e sua relação com a Rioprevidência, com a participação de dirigentes da instituição, de deputados estaduais, vereadores e representantes do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, além de representantes do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda.

A Comissão de Defesa do Consumidor vai debater no mesmo dia as consequências da liquidação extrajudicial do Banco Master. Há previsão da presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; do presidente do Banco de Brasília (BRB) Celso Eloi Cavalhero; de representantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Banco Master.

Conselho de Ética

Ainda na terça-feira, está prevista reunião do Conselho de Ética para ouvir as testemunhas da representação contra os deputados Marcos Pollon (PL-RS) , Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Na pauta também a votação do relatório do deputado Fernando Rodolfo (PL-PE) no processo movido pelo partido Novo contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

Na quinta-feira (10) continua a oitiva de testemunhas do processo contra o deputado Marcos Pollon (PL-RS).

Senado

No senado, a expectativa gira em torno da discussão e possibilidade de votação da polêmica PEC 48/23 que altera o parágrafo 1º do artigo 231 da Constituição Federal (CF), a fim de estabelecer como marco temporal para o reconhecimento da ocupação tradicional indígena a data de promulgação da Constituição, ou seja, 5 de outubro de 1988. O relator do texto na CCJ do Senado, Esperidião Amin (Progressistas-SC) apresentou parecer favorável à alteração.

A votação da proposta foi anunciada na quarta-feira passada (3) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) como uma reação à decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, de que apenas o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) está apto a denunciar ministros da Corte ao Senado por crimes de responsabilidade.

A matéria é alvo de julgamento no STF, marcado para iniciar no dia 5 de dezembro e tem Mendes como relator.

Também está prevista a discussão da PEC 169/19 que altera o artigo 7 da Constituição para permitir a acumulação remunerada do cargo de professor com outro de qualquer natureza. A proposta tem parecer favorável do relator na CCJ, Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Outra votação de destaque é a da urgência para a análise do PLP 143/20 que altera a Lei Complementar 173/20, para prever a autorização de pagamentos retroativos de anuênio, triênio, quinquênio, sexta-parte, licença-prêmio e demais mecanismos equivalentes a servidores públicos de entes federativos que decretaram estado de calamidade pública decorrente da pandemia de covid-19.

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o crime organizado, está previsto o depoimento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Ele vai falar sobre as iniciativas do governo para enfrentar o problema.

Na quarta-feira (10), está prevista a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para prestar informações sobre a minuta de resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), que propõe a publicação das listas nacionais de espécies exóticas invasoras. A ministra, entretanto, ainda não confirmou a presença.

O colegiado também se reúne no mesmo dia para deliberação do relatório do senador Jaime Bagattoli (PL-RO) de avaliação do Programa Nacional de Reforma Agrária e da Politica Nacional da Reforma Agrária (PNRA).



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