Brasil iguala Argentina e vira país com mais títulos de Libertadores


O título do Flamengo, conquistado neste sábado (29) no Estádio Monumental de U, em Lima (Peru), sobre o Palmeiras, colocou o Brasil no topo do ranking de conquistas de Libertadores ao lado da Argentina. Os dois países acumulam 25 troféus do mais importante torneio interclubes da América do Sul.

O Brasil volta a ocupar o posto depois de 61 anos. Em 1963, quando o Santos ganhou a Libertadores pela segunda vez, o futebol brasileiro se igualou ao Uruguai, vencedor em 1960 e 1961 com o Peñarol. Em 1964 e 1965, graças ao Independiente, a Argentina também foi a duas conquistas.

Em 1966, o Peñarol foi tricampeão e recolocou o Uruguai, de forma isolada, no topo de países com mais títulos, tirando o Brasil da ponta. A liderança charrua, porém, durou somente até 1968, quando o Estudiantes levantou a quarta taça dos argentinos – a terceira, que os igualou aos uruguaios, veio em 1967, com o Racing.

De lá para cá, os hermanos mantiveram, sozinhos, o status de país com mais Libertadores. Nos últimos anos, porém, a diferença para os argentinos, construída nos anos 1960 e 1970, foi caindo drasticamente. Desde 2019, apenas clubes brasileiros levantaram o troféu. São sete títulos em sequência, um recorde no torneio.

Os maiores campeões da Libertadores ainda são argentinos. O Independiente lidera a estatística, com sete títulos, seguido pelo Boca Juniors, com seis, e o intruso uruguaio Peñarol, com cinco. Ainda há River Plate e Estudiantes com os mesmos quatro títulos que o Flamengo igualou neste sábado.

Em número de campeões, o Brasil lidera com folga. São 12 clubes diferentes a terem erguido a taça, com o Rubro-Negro assumindo o posto de maior vencedor do país com o título em Lima. Na Argentina, são oito equipes. Apenas Peru, Bolívia e Venezuela nunca tiveram um time que conquistou a América, sendo que somente os peruanos já estiveram em finais. Em 1972, o Universitário foi derrotado pelo Independiente, enquanto em 1997 o Sporting Cristal foi vice para o Cruzeiro.

Considerando as cidades, Buenos Aires é a mais laureada, com as 13 conquistas de Boca Juniors, River Plate, Argentinos Juniors, San Lorenzo e Vélez Sarsfield. A também argentina Avellaneda aparece na sequência, com oito taças (sete do Independiente e uma do Racing). Graças ao tetra do Flamengo, o Rio de Janeiro se igualou a São Paulo, ambas com sete títulos – Fluminense, Vasco e Botafogo têm um troféu cada.





EBC

Trump diz em rede social que espaço aéreo da Venezuela está fechado


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “fechado em sua totalidade” por companhias aéreas. A declaração foi dada a Truth Social, rede social criada pelo próprio Trump. “O espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela está fechado em sua totalidade”, postou e estendeu o aviso a traficantes de drogas e de pessoas.

Segundo a agência Reuters, autoridades norte-americanas ficaram surpresas com o anúncio de Trump e não tinham conhecimento de nenhuma operação militar dos EUA em andamento para impor o fechamento do espaço aéreo venezuelano.

Horas depois, o governo da Venezuela se manifestou em comunicado, condenando a afirmação de Trump. Em nota, classificou os comentários de Trump de “ameaça colonialista” contra a soberania do país e incompatível com o direito internacional. Chamou a atitude de Trump de “ilegal e injustificada” contra o povo da Venezuela.

“Esse tipo de declaração se constitui um ato hostil, unilateral e arbitrário, incompatível com os princípios mais elementares do Direito Internacional e que se insere em uma política permanente de agressão contra o nosso país, com pretensões coloniais sobre a nossa região da América Latina e Caribe, negando o Direito Internacional”, afirmou o governo venezuelano.

A escalada de Trump em ações e discursos contra a Venezuela do presidente Nicolás Maduro vem trazendo novos episódios nos últimos meses. Os Estados Unidos já posicionaram navios de guerra no Mar do Caribe, próximo ao país sul-americano, sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas. Já abateram pequenas embarcações e provocaram mortes.

Há cerca de duas semanas, Trump disse que poderia iniciar conversas com Maduro, mas não deu detalhes. Na última sexta-feira (28), no entanto, afirmou que poderá ordenar ações terrestres contra os narcotraficantes que diz combater. Em resposta, Maduro pediu aos integrantes da Força Aérea que estejam em “alerta, prontos e dispostos” a defender os direitos da Venezuela.

* Com informações da Agência Reuters

** Matéria atualizada às 19h14 com informações adicionais sobre a resposta da Venezuela.



EBC

Mestre Negoativo leva história negra de Minas Gerais para os palcos


Parte fundamental na construção e no desenvolvimento de Minas Gerais, a população negra teve a história resgatada e homenageada na apresentação musical de Mestre Negoativo e sua banda. Na noite de desta sexta-feira (28), o público lotou o espaço de show do Sesc Caborê, na cidade de Paraty, palco do evento de encerramento da 27ª edição do festival Sonora Brasil.

“Esse espetáculo faz o caminho dessa Minas Gerais preta, que existe também. Ela só não é mostrada. A minha geração está trazendo o despertar para as outras gerações que estão chegando agora para eles entenderem isso e começarem a assumir e falar da nossa afro-mineiridade”, relatou Mestre Negoativo, em entrevista à Agência Brasil.

Negoativo cantou sobre a violência contra o povo negro que se perpetua até hoje, a resistência por meio da arte e a celebração da ancestralidade. Nas canções, por meio das vozes e instrumentos, e em suas falas com o público, ele trouxe ainda a memória do trabalho forçado imposto aos escravizados, especialmente, no garimpo.

Outra memória que ele traz é a potência dos quilombos, que têm papel crucial na preservação da cultura e de conhecimentos tradicionais da população negra no país. “O show é um movimento sankofa, um movimento africano que a comunidade preta no mundo está fazendo de retorno. Como se fosse um regresso, a gente acessar o que nos pertence de fato. Enquanto um afro-brasileiro, afro-mineiro, eu também estou fazendo esse regresso”, disse.

“Já faz anos que eu venho me preparando para compartilhar essa afro-mineiridade, porque é necessário que a gente se aproxime daquilo que nos pertence. Eu me sinto muito honrado que eu consegui, desde criança, viver com minhas avós, com minha mãe, pessoas dos quilombos, onde essa cultura sempre esteve presente”, relatou o músico, que fez diversas referências aos seus ancestrais durante a apresentação e por meio das canções.

O berimbau, que tem forte presença no show, foi o instrumento que despertou Mestre Negoativo para a música. Para ele, o berimbau é uma ponte ancestral que o levou até o continente africano

“Eu [comecei] por meio do arco, do berimbau de barriga, que escutei quando criança. Passou um cara na rua tocando, eu ouvi aquele instrumento e ali logo eu já acessei a África. E, por meio do berimbau, eu conheci a capoeira”, contou.

“Todas essas manifestações afro-mineiras – moçambique, candombe, vissungo, congo, catopês – estão entranhadas em mim, no meu DNA. E tem dois artistas que foram fundamentais na minha vida: James Brown e Bob Marley. Eles foram socialmente, racialmente, politicamente, fundamentais na minha formação”, disse sobre suas referências.

No Sonora Brasil, o encontro de Mestre Negoativo foi com Douglas Din, ambos representando a música regional mineira. Eles percorreram o país com os shows do projeto, mas Din não participou dessa apresentação final por questões de saúde.

“Foi um encontro diaspórico de gerações. Ele vem dessa linhagem do hip-hop, do rap, e eu venho mais das manifestações pretas de Minas Gerais. Foi um um encontro muito rico, aprendi muita coisa com Din.”

Promovido pelo Sesc, o Sonora Brasil percorre o país levando uma combinação de artistas ou grupos de diferentes tendências musicais que representam a diversidade regional da música brasileira. No biênio 2024-2025, período desta 27ª edição, dez dessas formações de artistas, fruto de uma curadoria do Sesc, fizeram mais de 300 shows em cerca de 70 cidades do país. Eles apresentaram shows inéditos, misturando suas referências, estilos e instrumentos.

Neste final de semana, o público ainda poderá se despedir do festival. Geraldo Espíndola & Marcelo Loureiro, representando ritmos do Mato Grosso do Sul, fazem show às 19h deste sábado, no Sesc Caborê. No domingo (30), Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro apresentam a música do Pará, no mesmo local. Na sequência, a banda Mundiá, de Paraty, faz show com participação de Manoel Cordeiro.

*A repórter viajou a convite do Sesc



EBC

Ônibus atrasa e final da Libertadores começará às 18h30 (de Brasília)


A decisão da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo terá início 15 minutos após o previsto. O pontapé inicial da partida deste sábado (29), inicialmente marcada para 18h (horário de Brasília), será às 18h15. O motivo foi o atraso do ônibus do Verdão, que chegou ao Estádio Monumental da U, em Lima (Peru), pouco antes das 17h, por conta do trânsito intenso na capital peruana.

Devido à demora, o Palmeiras divulgou a escalação da final às 16h55, cerca de 20 minutos após o Flamengo. O técnico Abel Ferreira não fez mistério e definiu como titulares os 11 jogadores que poupou na derrota por 3 a 2 para o Grêmio, na última terça-feira (25), na Arena, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro. O Alviverde vai a campo com: Carlos Miguel; Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Joaquín Piquerez; Bruno Fuchs, Raphael Veiga e Allan; Flaco Lopez e Vitor Roque.

No Rubro-Negro, Filipe Luís confirmou o time com Samuel Lino no ataque, ganhando a disputa com Everton Cebolinha. O treinador também definiu a zaga com Danilo. Apesar de recuperado de lesão no tornozelo esquerdo, Léo Ortiz fica no banco. A formação tem: Agustín Rossi; Guillermo Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Giorgian de Arrascaeta; Samuel Lino, Jorge Carrascal e Bruno Henrique.

O vencedor em Lima será o primeiro brasileiro a ter quatro títulos de Libertadores. O Palmeiras foi campeão em 1999, 2020 e 2021 (superando o rival deste sábado na decisão). O Flamengo levou a melhor em 1981, 2019 e 2022.





EBC

Daniel Cargnin conquista bronze no Grand Slam de judô de Abu Dhabi


Os brasileiros Rafaela Silva, na categoria até 63 quilos, e Daniel Cargnin, na categoria até 73 quilos, conquistaram neste sábado (29) duas medalhas de bronze no Grand Slam de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) de judô.

Quem primeiro subiu ao pódio pelo Brasil em Abu Dhabi neste sábado foi a medalhista de ouro mundial e olímpica. Na estreia, Rafaela passou pela israelense Kerem Primo. Depois a carioca superou a canadense Jessica Klimkait. Porém, nas semifinais, a brasileira perdeu para a japonesa Megu Danno e foi para a disputa pelo bronze, na qual derrotou a kosovar Laura Fazliu graças a um yuko.

“Estou muito feliz com o meu desempenho. Não foi a medalha de ouro, mas fiz uma boa competição. Consegui ganhar de medalhistas olímpicas, de medalhistas mundiais e de atletas que eu perdi durante o ano. Foi um ano de muito aprendizado. Essa foi a minha última competição e estou muito feliz com o meu desempenho. Vim crescendo bastante. Comecei o ano e não tinha nem classificação no ranking, e hoje eu cheguei na competição como cabeça de chave, 15ª lugar no ranking mundial. Então, estou muito feliz com o meu processo, confiando, acreditando e curtindo o processo”, declarou Rafaela.

Depois foi a vez de Daniel Cargnin brilhar. O judoca gaúcho iniciou sua trajetória na competição com uma vitória sobre o alemão Alexander Bernd Gabler, em disputa na qual somou quatro yukos e um ippon. Depois, nas oitavas, passou pelo cazaque Yesset Kuanov. Já nas quartas, Cargnin contou com um yuko no golden score para superar o Makhmadbek Makhmadbekov, dos Emirados Árabes.

Porém, nas semifinais o brasileiro chegou a ficar em vantagem diante do tadjique Muhiddin Asadulloev, por um yuko, mas levou a virada com um waza-ari e não conseguiu reverter o placar. Desta forma, o gaúcho seguiu para a disputa pelo bronze, na qual não deu oportunidades ao francês Joan-Benjamin Gaba.

“Estou muito feliz. Fiz lutas duras aqui e acredito que todas as competições de nível internacional têm lutas difíceis, mas foi muito bom, porque refiz a final do Mundial contra o Gaba, da França. Acredito que todas as competições são histórias diferentes. Eu entrei muito confiante para a competição e ultimamente venho tentando não medir meu parâmetro só por vitória ou derrota para estar confiante. Eu tenho que confiar em mim mesmo e vou confiar em todas as competições nas quais entrar. Vou sair de cabeça erguida, independente de ganhar ou perder”, afirmou Daniel Cargnin.





EBC

Brasil vence tchecas e vai à 2ª fase do Mundial Feminino de handebol


A seleção feminina de handebol está classificada à segunda fase do Campeonato Mundial da modalidade, disputado na Alemanha e na Holanda. Neste sábado (29), as brasileiras, campeãs em 2013, venceram a República Tcheca por 28 a 22, na Porsche-Arena, que fica na cidade alemã de Sttutgart.

O Brasil soma quatro pontos (dois por cada vitória) e lidera o Grupo D. Na estreia, a seleção de Cristiano Silva derrotou Cuba por 41 a 20. As tchecas, que perderam da Suécia na rodada de abertura, seguem zeradas. O próximo compromisso das brasileiras será justamente contra as suecas, consideradas favoritas ao título, na próxima segunda-feira (1º), às 16h30 (horário de Brasília), outra vez na Porsche-Arena.

As 32 equipes participantes do Mundial estão separadas em oito grupos de quatro. Os três primeiros de cada vão à etapa seguinte da competição, onde serão divididos em quatro chaves. As seleções carregam os pontos somados na primeira fase contra os rivais que também se classificarem. Exemplo: se o Brasil passar e Cuba não, a pontuação pela vitória sobre as cubanas não será contabilizada na nova etapa.

Contra as tchecas, o Brasil nem de longe teve a facilidade de se impor encontrada na estreia. As rivais marcaram bem e se destacaram, no primeiro tempo, pela eficiência nos chutes de longe, a nove metros do gol, com aproveitamento de 62%, contra menos de 30% da seleção verde e amarela. Apesar dos cinco gols de Bruna de Paula, as Leoas – apelido da equipe nacional – foram para o intervalo perdendo por 15 a 12.

Na etapa final, as brasileiras levaram quase cinco minutos (dos 30 que tem cada tempo de uma partida de handebol) para furarem o bloqueio tcheco, mas se encontraram a partir daí, lideradas por Bruna – eleita a melhor em quadra – e Mariane Fernandes, que balançaram as redes sete vezes cada. Com quatro gols em pouco mais de três minutos, o Brasil empatou o jogo. E, a 12 minutos do fim, passou à frente (21 a 20) para não perder mais a dianteira.



EBC

TV Brasil exibe neste domingo programa especial sobre a COP30


Programa especial sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) será exibido pela TV Brasil neste domingo (30). O especial A COP da Amazônia vai ao ar às 17h30.

Durante 50 minutos, o telespectador terá um resumo das principais discussões ocorridas no evento que reuniu, em Belém, líderes e representantes de mais de uma centena de países.

“O papel da TV pública é estimular a visão crítica dos cidadãos e por isso estamos realizando esse especial que vai trazer os principais pontos tratados nesta COP que foi histórica”, afirma Cidinha Matos, diretora de jornalismo da EBC.

Emissora anfitriã

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) atuou como emissora oficial do evento e foi responsável pela geração e distribuição de todas as imagens institucionais da Conferência.

Esta operação técnica foi a maior já realizada na trajetória dos 18 anos da EBC: mais de 300 profissionais mobilizados – equipe técnica e jornalismo –, 42 sinais simultâneos, transmissões em UHD 4K, estúdios de rádio e TV, além de um Master Control Room especialmente projetado para garantir qualidade e estabilidade.

A estrutura incluiu ainda um sistema de IPTV com mais de 330 pontos de exibição e suporte técnico dentro do Centro Internacional de Mídia, que contou com 60 salas equipadas para redação, gravação e edição.

Além da transmissão oficial, os veículos da EBC realizaram uma cobertura jornalística ampla e diversificada, com profundidade narrativa, valorização de saberes e povos tradicionais e espaço garantido para as vozes amazônicas.



EBC

Pesquisa aponta força do debate sobre dignidade menstrual nas redes


Um levantamento inédito realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados analisou mais de 173 mil publicações sobre o tema da menstruação nas redes sociais entre janeiro de 2024 e outubro de 2025. Juntas elas acumularam 12,4 milhões de interações. Embora o maior volume das postagens trate do tema como brincadeira, em formato de memes, ou abordando aspectos naturais do ciclo – cólicas, Tensão Pré-Menstrual (TPM), etc – o debate social e político ganha mais força e gera mais engajamento.  

A diretora de Inteligência de Dados da Nexus, Ana Klarissa Leite e Aguiar, aponta que o debate sobre menstruação com viés social e política, já é bastante estabelecido nas redes sociais. Do total de publicações, o estudo categorizou 78 mil postagens em 22 subtemas, incluindo cinco que tratam da menstruação sob esse olhar.  São eles: Pobreza e Dignidade Menstrual; Programa Dignidade Menstrual; Impacto na Educação e Trabalho; Licença Menstrual e Menstruação em Crises Humanitárias. Juntos, esses temas somaram apenas 10,8% das publicações categorizadas no período. No entanto, foram responsáveis por uma interação média 1,8 vez maior do que todas as outras postagens sobre tópicos da rotina menstrual juntas. 

 “Quando falamos dessa temática, que trata disso com esse viés político e social, a gente tem ali uma interação que é quase duas vezes maior do que outros assuntos relacionados. Percebemos como as pessoas têm interesse, estão engajadas para ouvir e interagir com esses conteúdos que estão trazendo aspectos importantes para essa questão”, aponta Ana Klarissa. 

Contribuem para esse volume de publicações nas redes sociais algumas políticas públicas recentes, como o programa do Ministério da Saúde que distribui absorventes gratuitos a mulheres em situação de vulnerabilidade social. Ou ainda o projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que prevê uma licença menstrual do trabalho para mulheres que, comprovadamente, sofram com sintomas grave do ciclo. 

“A gente sabe que as pessoas falam desse assunto e quando estamos tratando-o sob um aspecto social, ele vai transitar por narrativas que falam sobre dignidade, trabalho, educação, saúde da mulher. Todos esses aspectos, na minha opinião e como mulher também, são os mais importantes”, acentuou Ana Klarissa.  

Engajamento 

Considerando o volume de postagens, o tema das cólicas e dor menstrual é o assunto mais frequente, presente em 45% das publicações analisadas. O subtema “menstruação e saúde feminina (ginecologia)” aparece em seguida, em 20% dos posts. O assunto “sintomas da TPM” é mencionado em 17% das publicações, seguido por “alternativas de absorção” (12%) que informam sobre dispositivos como coletor menstrual, calcinhas, discos, entre outros.  

Em relação ao engajamento, os temas com maior destaque no levantamento foram “menstruação em crises humanitárias” e “licença menstrual”. O primeiro representou apenas 0,34% das postagens, mas obteve o maior engajamento entre todos os 22 subtemas do grupo. Foram 870,3 interações (reações, comentários ou compartilhamento) por postagem. Já “licença menstrual” foi o segundo tema com menor volume de postagem (0,48%). Todavia, obteve engajamento sete vezes maior do que o volume de posts. Foi também o subgrupo com segunda maior média de interações por postagem (828,6). 

Para a diretora da Nexus, os dados indicam que a discussão social e política sobre menstruação tem mais “poder de narrativa”.

“As pessoas estão interagindo mais com esse conteúdo do que com a piada ou só com o relato do meu dia a dia. Porque eu tenho endometriose, hoje eu estou de TPM. Esse relato do dia a dia tem mais pulverização, mas não tem mais interação”, afirmou.  

Para Klarissa, os dados sinalizam que o debate não está limitado à pobreza menstrual e ao acesso a absorventes. “É uma coisa muito mais ampla do que isso, porque aí estamos falando sobre dignidade, sobre o impacto na educação, no trabalho”, apontou a diretora da Nexus. 

Na avaliação da pesquisadora, os debates nas redes sociais funcionam como uma escuta social, uma vez que são espaços em que as pessoas estão compartilhando sobre suas realidades.  “Temos que entender que essas pessoas estão ali demonstrando que o assunto é de interesse delas. Não é só falar de políticas públicas”, aponta.  

Fluxo 


Rio de Janeiro (RJ), 27/11/2025 – Levantamento da Nexus  sobre menstruação nas redes sociais.
Foto: ONG Fluxo Sem Tabu/Divulgação

ONG Fluxo Sem Tabu desenvolve ações sobre saúde menstrual. Luana Escamilla (terceira, à direita) é uma das fundadoras. Divulgação – ONG Fluxo Sem Tabu/Divulgação

No contexto de crescimento do debate sobre menstruação, que repercute para muito além das redes sociais, Luana Escamilla criou em 2020, com apenas 16 anos, a ONG Fluxo Sem Tabu.  

“Eu criei a Fluxo completamente sozinha, com 16 anos de idade, e foi através das plataformas digitais que ela cresceu”, lembra.

Na avaliação de Luana, o levantamento da Nexus deixa claro que existe interesse pelo debate, mas avalia que ainda há muita incompreensão sobre o tema da dignidade menstrual.  

“Quando a gente fala de pobreza menstrual, as pessoas acham que estamos falando só da falta de absorvente. Mas é um problema muito mais amplo, em que entra toda a parte de infraestrutura, como por exemplo se uma pessoa não tem acesso a um banheiro, a informação ou a um ginecologista”, pontua. 

Atualmente, a organização conta com 30 voluntárias e mais de 28 mil mulheres atendidas nas cinco regiões do Brasil, com diversos projetos para promoção da dignidade menstrual. 

“ A dignidade menstrual é justamente o tema que a gente aborda e faz isso não só através da distribuição de absorventes. Mas, principalmente agora, em tornar os espaços mais acolhedores”.  

Uma das iniciativas da organização é o banheiro fluxo, em que são feitos reparos de modo a tornar esses espaços mais seguros e mais dignos, com informações sobre saúde menstrual para meninas e mulheres. “Hoje, cerca de 713 mil meninas brasileiras não têm acesso a banheiro ou chuveiro dentro de casa durante o período menstrual. A gente tem mais de 1 milhão de meninas que não têm papel higiênico na escola”, aponta.

Além do trabalho forte de educação nas redes sociais, a ONG também vai até comunidades e leva ginecologistas para falar sobre saúde da mulher, o acesso ao SUS, menstruação e métodos contraceptivos. A ONG produziu recentemente campanha sobre menstruação e esporte, conversando com várias atletas olímpicas.

“A gente ajudou mais de 370 atletas em situação de vulnerabilidade, com informação de qualidade”.

A meta da Fluxo Sem Tabu é, até 2030, impactar 50 milhões de pessoas por meio de canais físicos e digitais com informações de qualidade sobre saúde menstrual. 

 



EBC

Moraes pede comprovação do histórico clínico de Augusto Heleno


Relator do processo da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou neste sábado (29) comprovação do histórico de saúde do general Augusto Heleno para decidir sobre pedido da defesa de cumprimento da pena de 21 anos em prisão domiciliar, devido ao diagnóstico de Alzheimer e a antecedentes de transtorno depressivo e transtorno misto ansioso depressivo.

De acordo com a defesa do general, que tem 78 anos e está custodiado em uma cela especial do Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília, ele apresenta sintomas psiquiátricos e cognitivos desde 2018. 

Em despacho, Moraes cobrou a anexação de documentos comprobatórios do histórico do estado de saúde do ex-ministro de Jair Bolsonaro.  

“Não foi juntado aos autos nenhum documento, exame, relatório, notícia ou comprovação da presença dos sintomas contemporâneos aos anos de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023; período, inclusive, em que o réu exerceu o cargo de Ministro de Estado do Gabinete de Segurança Institucional, cuja estrutura englobada a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) – responsável por informações de inteligência sensíveis à Soberania Nacional -, uma vez que, todos os exames que acompanham o laudo médico foram realizados em 2024”, apontou o magistrado do STF.

A concessão do regime de prisão domiciliar em favor de Augusto Heleno recebeu parecer favorável da Procuradoria Geral da República (PGR), em manifestação publicada nesta sexta-feira (28), mas a decisão final sobre o pleito caberá ao STF.

Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Heleno junte aos autos, no prazo de 5 dias, o exame inicial que teria identificado ou registrado sintomas ou diagnóstico de demência mista (Alzheimer e vascular) e todos os relatórios, exames, avaliações médicas, neuropsicológicas e psiquiátricas produzidos desde 2018, “inclusive prontuários, laudos evolutivos, prescrições e documentos correlatos que comprovem o alegado”. 

O magistrado também solicitou “documentos comprobatórios da realização de consultas e os médicos que acompanharam a evolução da demência mista, Alzheimer e vascular durante todo esse período”.

Por fim, Moraes pediu esclarecimento, por parte da defesa, se em virtude do cargo ocupado entre 2019 e 2022, o réu teria comunicado ao serviço de saúde da Presidência da República, do Ministério ou a algum órgão seu diagnóstico de deterioração cognitiva.

Condenação

Augusto Heleno, o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais cinco aliados começaram a cumprir pena nesta terça-feira (25) após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o fim do processo para os réus do Núcleo 1 da trama golpista que planejava impedir a posse de Luís Inácio Lula da Silva como presidente da República em 2023..

A condenação ocorreu no dia 11 de setembro. Por 4 votos a 1, a Primeira Turma do STF condenou os sete réus pelos crimes de: 

  • Organização criminosa armada,
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
  • Golpe de Estado,
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça e 
  • Deterioração de patrimônio tombado.



EBC

Mariana Salomão Carrara vence Prêmio São Paulo de Literatura 2025


A questão da saúde mental é extremamente grave no Rio Grande do Sul. Historicamente, o estado registra altos índices de depressão e suicídio, segundo boletim da Secretaria de Saúde do estado publicado em 2023. O fato inspirou Mariana Salomão Carrara a escrever A Árvore Mais Sozinha do Mundo que, nesta semana. ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura 2025.

A conquista na categoria de Melhor Romance do Ano surpreendeu a escritora, que ganha o prêmio pela segunda vez.

“Confesso que fui imaginando que ‘pô, dessa vez não vai dar. Eu tinha acabado de ganhar, afirmou Mariana, que também venceu a edição referente a 2023 com a obra “Não Fossem as Sílabas do Sábado”.

No trabalho premiado agora, a escritora mostra uma família de baixa renda que trabalha na plantação de tabaco, que é um dos setores que mais movimenta a economia no Sul. Os personagens passam por dificuldades, enfrentando dívidas e intoxicação pelo uso de agrotóxicos.

Uma enorme árvore, uma caminhonete, um espelho colonial e uma roupa de segurança atuam como câmeras na vida desta família. Os objetos proporcionam uma visão íntima e cotidiana.

A escritora explica que escolheu usar esses objetos como foco da narrativa para criar incerteza sobre o que está sendo narrado e alienar a família do contexto em que estão.

“Escolhi para não dar voz e consciência a essa família sobre o que está acontecendo. Uma ideia de que os objetos vão percebendo aos poucos e a família não necessariamente. Também foi por uma necessidade literária para criar uma história que ninguém tem certeza do que faz”, disse Mariana.

Processo de criação

A ideia do livro surgiu em 2019, quando Mariana Salomão leu uma reportagem sobre epidemias de suicídio no Rio Grande Sul. A escritora descobriu que a epidemia estava associada aos agrotóxicos do tabaco, que causam depressões graves.

Um outro fator é o endividamento das famílias, em que muitas entram no “efeito bola de neve negativo”, ou seja, dívidas com juros compostos, que podem aumentar exponencialmente ao longo do tempo.

“Isso me chamou muito a atenção como ser humano, mas logo me pareceu um ótimo material literário. Eu estava com muita vontade de mergulhar em um ofício, então veio a calhar”, explicou.

Contudo, o projeto foi engavetado durante a pandemia de covid-19. Para Mariana, continuar a escrever era desafiador por considerar “um exercício de imaginação e fuga da própria vida”, algo que para a escritora não era possível ser feito durante o afastamento social.

Após terminar o romance Não Fossem as Sílabas do Sábado, em 2022, a escritora retornou ao projeto do livro. O conceito de obra fugia do conhecimento de Mariana, que sempre viveu nas grandes metrópoles. A autora contou que, pela primeira vez, fez uma grande pesquisa para escrever um livro.

“Foi um mergulho muito grande numa realidade distante da minha.  Meus outros livros costumam envolver uma pesquisa mais íntima e sentimental. Dessa vez, eu tive que pesquisar mestrados, ler reportagens, entrevistar pessoas e, até mesmo, assistir a vídeos de adolescentes que eles mesmos gravam e postam no Tik Tok. Foi uma pesquisa muito ampla de vários anos”, apontou Mariana.

Prêmio São Paulo de Literatura

O Prêmio São Paulo de Literatura é um projeto da Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativa, do Governo do Estado de São Paulo. Além da Mariana Salomão, o escritor Marcílio França Castro também teve uma vitória, na categoria de Melhor Romance de Estreia do Ano de 2024, com o ensaio “O Último dos Copistas”.

Os dois receberão um prêmio de R$ 200 mil cada e receberão um convite para participar da programação da 40ª Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, em 2026.

*Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior



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