CGU recorre à IA para facilitar acesso à plataforma Fala.BR


 A Plataforma Fala.BR, principal canal de ouvidoria do governo federal, terá um novo formato, a partir de segunda-feira (6). Gerenciado pela Controladoria-Geral da União (CGU), o sistema passará a empregar Inteligência Artificial (IA) para facilitar o acesso dos cidadãos, reduzindo dúvidas e tornando o processo mais rápido e acessível.

Segundo a Ouvidoria-Geral da União (OGU), a interface mais simples será especialmente benéfica para aqueles que utilizam a plataforma em telas menores, por meio de dispositivos móveis, e que hoje representam a maioria dos usuários do Fala.BR.

O novo sistema será capaz de identificar automaticamente se a mensagem enviada por qualquer cidadão é um elogio, sugestão, solicitação, reclamação ou denúncia, registrando-a corretamente. Além disso, em breve, a tecnologia também conseguirá sugerir ao cidadão a classificação da demanda por “assunto”, “órgão destinatário” e “serviço público”.

De acordo com a CGU, as mudanças vão reduzir erros no registro, uma vez que, hoje, é o usuário quem precisa identificar a natureza de sua interação, escolhendo as classificações em uma lista com várias opões.

“A aplicação de IA no Fala.BR vai permitir que o acesso às ouvidorias do governo do Brasil seja ainda mais fácil”, afirma o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho.

“Queremos que a população consiga falar com a administração federal de forma simples e ágil, porque as manifestações dos cidadãos são insumos para melhorarmos a infraestrutura e os serviços públicos; nas escolas, hospitais e estradas, por exemplo”, acrescentou o ministro, destacando que a participação social é um “pilar fundamental de um país forte”.

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Em nota, a ouvidora-geral da União, Valdirene Paes de Medeiros, também destacou a expectativa de que as facilidades possibilitem e estimulem a maior participação social.

“O novo formato reduz dúvidas e torna o processo mais rápido e acessível, inclusive para usuários com menor familiaridade digital. Como resultado, há um estímulo à participação social, já que o cidadão encontra menos barreiras para se comunicar com o poder público, além de ter uma experiência mais simples, eficiente e confiável ao utilizar os serviços de ouvidoria”, sustenta Valdirene.

O sistema também passou por melhorias que contemplam a gestão das informações prestadas pelas ouvidorias de órgãos públicos. “Agora é possível que as ouvidorias incluam os seus relatórios de gestão diretamente no Fala.BR, facilitando a divulgação de suas atividades e de seus avanços em um único lugar. Isso otimiza a capacidade das ouvidorias de responder de forma mais assertiva para o cidadão”, afirmou o coordenador de Dados e Sistemas de Ouvidoria da CGU, Fernando Simões Vassoler.

Acesso

O Fala.BR, ou Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do Poder Executivo Federal, está em operação desde 2019. Por meio do sistema, os cidadãos podem enviar quaisquer tipos de manifestações para o governo federal e para estados e municípios que aderem à ferramenta. Na plataforma, os solicitantes podem acompanhar a tramitação das manifestações, com prazos definidos para o recebimento de respostas dos órgãos responsáveis.

Além de municiar a administração pública com informações sobre as prioridades da população, manifestações feitas pelos cidadãos por meio do Fala.BR também podem contribuir no combate à corrupção. Recentemente, uma operação contra desvios de recursos da educação em um município baiano, realizada pela CGU e pela Polícia Federal (PF), teve origem em uma manifestação feita pela plataforma.

*Com informações da Ascom/CGU




EBC

MPF quer acesso a laudos de mortos na Operação Contenção


O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos laudos necroscópicos dos mortos durante a Operação Contenção, deflagrada em outubro do ano passado. 

A operação foi deflagrada pelas polícias civil e militar e terminou com a morte de 118 pessoas que seriam ligadas à organização criminosa Comando Vermelho (CV), além de quatro policiais. 

O MPF afirmou que solicitou o acesso a informações do caso, mas o órgão não obteve resposta das autoridades estaduais.

Segundo o MPF, há “obstáculos” para acesso aos laudos também pelos familiares, Defensoria Pública, organizações da sociedade civil e das próprias instituições de Justiça. 

“Essa atuação, contrária aos padrões internacionais de proteção às vítimas de violência policial, simboliza revitimização e mais uma violação de direito”, alegou o MPF.

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PF

No mês passado, Moraes determinou que o governo do estado do Rio de Janeiro envie à Polícia Federal (PF) as imagens capturadas durante a operação

A corporação será responsável pela perícia do material.

A decisão do ministro foi tomada no processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635.

Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro. 



EBC

Habitantes de Perus, em SP, acusam fraude em audiência pública


Moradores do bairro de Perus, na capital paulista, foram excluídos da primeira audiência, de caráter consultivo, convocada pela prefeitura e pelo governo estadual para debater os impactos da implantação de um incinerador de lixo. A suspeita é de ter havido recrutamento de pessoas de fora do território, em uma tentativa de desmobilização da comunidade, contrária ao empreendimento.

Oficialmente, o projeto é chamado de Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes e pertence à empresa Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga), de tratamento de resíduos de saúde. No processo, a companhia remete estudos e documentos à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Conforme apurou a Agência Brasil, ônibus encostaram em frente ao Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, no bairro Vila Fanton, parte do distrito, no início da tarde desta segunda-feira (1º). Os passageiros, não reconhecidos pelos moradores de Perus, formaram uma longa fila antes deles para entrar na unidade, lotando-a. Também logo se inscreveram para discursar. Segundo apuração, o objetivo era atrapalhar moradores a levar questionamentos e críticas ao microfone.

Uma pessoa contatada pela reportagem confirmou ter recebido dinheiro para estar na audiência como se fosse moradora de Perus. Ela explicou que, há cerca de três anos, busca oportunidades de trabalho em grupos voltados a formar público de programas de auditório populares, da TV aberta, como os que exploram e forjam dramas familiares.

A pessoa em questão, cuja identidade será preservada, para evitar retaliações, esclareceu que havia um homem responsável por orientá-los quanto às reações que deviam manifestar em cada uma das situações da audiência, em sinal de suposta concordância ou reprovação.

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Com a capacidade máxima do teatro do CEU atingida, cerca de 500 moradores acabaram sendo impedidos de entrar e participar. Funcionários das gestões municipal e estadual instalaram dois televisores no salão de entrada do teatro e, mesmo assim, o espaço não comportou a totalidade de pessoas presentes, o que levou a muitas delas, inclusive, crianças, ficarem aguardando sob chuva.

Do lado externo, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) estavam em formação, armados com escudos e gás de pimenta. Com hostilidade, chegaram a proibir a fala de vereadores. A assessoria da prefeitura rebateu essa acusação, negando o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo.

Após insistência, três representantes dos guarani mbya, da Terra Indígena do Jaraguá, passaram da porta para dentro. O distrito do Jaraguá deriva da região de Perus e foi criado em 1948, razão pela qual moradores de lá quiseram participar da audiência.

Uma das lideranças do atual movimento de resistência, engenheiro químico Mario Bortoto lembra que esse tipo de consulta à população é assegurado por lei e comenta que a forma como foi conduzida justifica a realização de uma audiência organizada pelos moradores. Além dessa audiência popular, os líderes guarani mbya pretendem fazer sua própria.

Bortoto afirma que o novo incinerador é considerado ultrapassado em outros lugares do mundo e que não somente as cinzas tóxicas liberadas por ele geram apreensão, mas também a grande quantidade de caminhões que irá circular na região. Para ele, a prefeitura não teria condições de fiscalizar se os parâmetros estariam normais.

O químico argumenta que a aprovação do projeto, se ocorrer, acarretará mais problemas de saúde de pessoas já carentes de atendimento adequado. A falta de recursos humanos, acrescenta, está ligada ao preconceito com a região, evidenciando a conexão entre fatores constitutivos de sua má reputação entre paulistanos.

“Os médicos às vezes não querem trabalhar na periferia, por questão de segurança, por estar muito longe. Temos um problema sério de vazio assistencial de saúde nesse território. Além disso, temos problemas de moradia. Muitos prédios sendo levantados sem a infraestrutura necessária para receber os novos moradores. Problemas na educação, falta de equipamentos de cultura. Os mesmos problemas que a periferia de São Paulo tem, a gente tem também”, resume.

Outra líder das articulações, a química e consultora da WWF Brasil Thais Santos acompanhou, desde a adolescência, os levantes anteriores, em que se uniram até mesmo vertentes religiosas distintas, a fim de defender o território. Em entrevista à Agência Brasil, ela apontou a necessidade de lutar como motivo para seguir nesse caminho profissional. O doutorado em Bioenergia, por exemplo, foi uma qualificação pensada para servir à de seus pares.

“A audiência era para ser um espaço democrático. Só que o que a gente viu foi uma manipulação de informação, manipulação da audiência”, lamentou, observando que o horário da audiência coincide com o expediente da maioria dos moradores, da classe trabalhadora.

Ao invés do incinerador, os moradores e ativistas ambientais aliados pensam em um Território de Interesse de Cultura e da Paisagem Jaraguá-Perus-Anhanguera para a área. Ocupá-la como continuidade de um modelo que já vêm adotando com uma agência de turismo fundada por eles, com a proposta de valorizar a relação com a natureza, afastando-se da lógica predatória, e a resistência política que caracteriza o lugar.

Histórico da região

Em várias ocasiões, os habitantes de Perus têm sido abordados por emissários da empresa Loga, determinados a persuadi-los a apoiar a obra. A população local já é estigmatizada pela Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco, usada para esconder corpos de perseguidos políticos durante a ditadura iniciada em 1964, e pela proximidade com instituições como o Hospital Psiquiátrico do Juquery, famoso pelas violações de direitos humanos.

No Mapa da Desigualdade, consolidado pela Rede São Paulo, com dados de 2024 e divulgado em 2025, indica-se 62 anos como expectativa de vida média no distrito de Perus. A região ostenta, ao mesmo tempo, o 5º lugar em cobertura vegetal, o 6º em emissão de poluentes atmosféricos por área (kg/km²/dia), calculado com base em viagens de ônibus, e o 66º no quesito Pontos de Entrega Voluntária (PEV).

Bortoto viu sua comunidade e outras comunidades vizinhas sofrerem pressões para aceitar a incorporação de diversos empreendimentos semelhantes, como o aterro sanitário na Chácara Maria Trindade, no distrito de Anhanguera, no início dos anos 2000. Em 1979, foi inaugurado o aterro sanitário Bandeirantes, de 140 hectares, ativo por 28 anos, período em que recebeu de 35 a 40 milhões de toneladas de resíduos.

Outro lado

Questionada pela reportagem, a Cetesb afirmou que as colocações feitas na audiência serão todas incluídas no processo de licenciamento e levadas em conta na análise. “A Cetesb informa que o projeto referente à URE em Perus encontra-se em fase de análise técnica. O processo segue o rito legal de licenciamento ambiental, baseado no Estudo e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentados pela empresa.”

Em nota encaminhada à Agência Brasil, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), do estado de São Paulo,

A concessionária Loga e a prefeitura encaminharam a seguinte nota, em resposta à demanda da Agência Brasil:

“A SP Regula e a Loga informam que as UREs, previstas no contrato de concessão de resíduos sólidos do município, não devem ser confundidas com os antigos incineradores das décadas de 1970 e 1980. Trata-se de instalações modernas, que não oferecem riscos à saúde da população e são amplamente utilizadas, inclusive em áreas residenciais, em diversos países.

A URE mencionada integrará o Ecoparque Bandeirantes e tem como objetivo reduzir o volume de resíduos destinados a aterros, gerar energia, criar empregos e ampliar a proteção ambiental. A URE Bandeirantes terá capacidade para receber até mil toneladas de resíduos por dia, possibilitando a recuperação de cerca de 64% do material e a destinação de aproximadamente 36% a aterro sanitário externo.

A SP Regula e a Loga reforçam a importância da participação popular neste processo e informa que a audiência pública realizada ontem (31) teve como objetivo apresentar à população o projeto, além de tirar dúvidas e colher contribuições no âmbito do processo de licenciamento ambiental.

A Loga informa que não realizou qualquer tipo de oferta, vantagem ou benefício a lideranças ou participantes, não havendo qualquer evidência que sustente as alegações mencionadas. A presença do público ocorreu de forma espontânea, respeitando o acesso por ordem de chegada e o limite de capacidade do local, em conformidade com as normas de segurança e rito do licenciamento. A empresa reafirma seu compromisso com a transparência e com o diálogo com a população, ressaltando que o debate sobre o projeto deve se basear em informações técnicas, dados oficiais e no processo regular de licenciamento ambiental”.






EBC

Parceria com Google melhora eficiência do Cadastro Ambiental Rural


Acordo de cooperação técnica firmado entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Público (MGI) e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) com o Google vai tornar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) mais eficiente, afirmou nesta quinta-feira (2), a ministra Esther Dweck.

Segundo a ministra do MGI, a parceria permitiu a disponibilização imediata de imagens de satélite de alta resolução referentes a 2008 dos estados do Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará.

“Vai facilitar muito e vai permitir a todos os agricultores que estão em dia com a legislação terem a vida facilitada, porque o CAR é base para crédito rural, vai ser base para o mercado de carbono e uma série outros benefício”, explicou a ministra.

Em entrevista ao Bom Dia Ministra, programa do CanalGov, Esther Dweck lembrou que a gestão do CAR chegou ao MGI em 2023, para melhorias no sistema criado pelo Código Florestal para que proprietários de terra pudessem declarar tanto as áreas preservadas em suas propriedades, quanto as que já haviam sofrido mudanças no uso da terra.

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O Código Florestal, estabelecido em 2012, prevê percentuais de áreas privadas que podem ser desmatadas em cada bioma e cria a ferramenta autodeclaratória, que tem como referência o ano de 2008, para estabelecer o quanto ainda é possível avançar na abertura de áreas verdes para atividades como agricultura, pecuária e outros empreendimentos que exigem grandes extensões de terra.

“Uma das coisas que para a gente era importante eram imagens de alta resolução desse marco temporal de 2008 e, desde o início do governo a gente veio conversando e com o Google a gente viu uma possibilidade. Então, eles fizeram uma doação das imagens”, conta.

Segundo a ministra, além das melhorias já realizadas no sistema do CAR, como a integração dos dados de registro de terras, que possibilitou a oferta do serviço de licenciamento ambiental pré-preenchido, também será possível avançar da validação dos dados declarados.

Nessa quarta-feira (1º), o MGI disponibilizou  o novo conjunto de imagens para acesso público no catálogo de dados do Google Earth Engine e no Google Earth.



EBC

Moraes aumenta restrição para voos de drones na casa de Bolsonaro


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (2) aumentar para 1 quilômetro a área de restrição para voos de drones nas proximidades da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

A medida foi tomada após pedido da Polícia Militar, que é responsável pela vigilância da residência por 90 dias, período em que o ex-presidente cumprirá prisão domiciliar.

Na semana passada, Moraes proibiu voos de drones no raio de 100 metros da casa e autorizou a prisão de quem operar o aparelho.

Na manhã de hoje, a PM pediu a ampliação da proibição para aumentar a segurança da área e evitar o monitoramento indevido da casa.

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Diante da solicitação, o ministro autorizou a ampliação da restrição.

“Mostra-se adequada a recomendação do BavOp [Batalhão de Aviação Operacional] pela ampliação do perímetro de restrição para o raio mínimo de 1 quilômetro, compatível com a realidade operacional e com o nível de proteção exigido no caso concreto”, decidiu.

Bolsonaro cumpre pena definitiva de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista. 

 



EBC

Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura


“Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”.

Era assim que o jovem estudante brasileiro, exilado na Suíça, Jean Marc Von der Weid, começava a descrever as sessões de tortura a que foi submetido enquanto esteve preso no Brasil, entre agosto de 1969 e janeiro de 1971. Ele falou sobre o assunto em uma entrevista para a RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça.

Jean Marc foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, no mais longo sequestro de um diplomata registrado no Brasil. O jovem que também tinha nacionalidade suíça aproveitou o exílio para denunciar as violações no Brasil e dava detalhes sobre as técnicas de tortura adotada nos porões da ditadura:

“Pau de arara. Você é pendurado pelos pés, pelas mãos e de cabeça para baixo. Nessa posição, me aplicavam choques pelo, golpes com cassetetes e o ‘telefone’, golpes simultâneos com as mãos nas orelhas. Também sofri a tortura hidráulica. Por um tempo, eles forçaram água no meu nariz. Além das queimaduras. Eles queimam as pessoas com cigarros”.

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Essa não foi a única entrevista dada por Jean Marc. Na verdade, depois de chegar na Europa, ele começou uma maratona de participações em eventos, palestras, debates e muitas entrevistas com o objetivo de mostrar à opinião pública na Europa o que acontecia no Brasil do milagre econômico. A movimentação incomodou o governo suíço que mantinha fortes ligações econômicas com o regime militar no Brasil. 

Gaelle Shclier estudou a atuação de ativistas brasileiros e as movimentações do governo e da diplomacia suíça para uma pesquisa na Universidade de Lausanne:

“Esses eventos eram monitorados pela polícia”.  Ela teve acesso a relatórios que comprovam a vigilância e compartilhou um desses documentos com a nossa reportagem. 

Um documento de 9 de março de 1971 é um relatório de 36 páginas em francês que tem como destinatário o chefe da polícia de Lausanne e traz a transcrição das palestras feitas por ativistas durante a conferência Brasil, a democratização da tortura. O discurso de Jean Marc é o primeiro transcrito pela polícia suíça no relatório:

“Não há limitação, no Brasil, quanto às pessoas torturadas. Você pode ter crianças que são torturadas. Havia um menino que foi levado na mesma época que eu. Ele tinha 14 anos, e tinha paralisia infantil. Ele foi torturado para fazer sua mãe falar.”

O documento também traz detalhes sobre quem organizou o encontro, os dizeres dos cartazes presos nas paredes, como  “12.000 presos políticos”, “A tortura é indispensável ao poder militar”, “Apoio à luta do povo brasileiro” e nomes de empresas suíças que lucravam com a política de proximidade entre o governo suíço e o regime autoritário no Brasil.

Gaelle lembra que atuações como a de Jean Marc ia na contramão de outros eventos organizados por empresas e pelo próprio governo suíço:

“A comunidade empresarial tinha interesses no Brasil. Aqui na Suíça, eles organizavam jornadas culturais, jornadas econômicas, políticas, para divulgar uma imagem positiva do Brasil e ganhar opinião pública sobre a ditadura. Roberto Campos [ex-ministro do Planejamento no governo de Castello Branco] veio várias vezes aqui para dar palestras”.

Gabriella Lima, que também é pesquisadora na Universidade de Lausanne, concorda que a  presença de ativistas brasileiros incomodava:

“Esses movimentos de solidariedade colocavam em perigo os interesses deles no Brasil, porque eles [a opinião pública Suíça] podiam pedir, a qualquer momento, um boicote, como fizeram na África do Sul”, explica.  

Suíça sabia

Para Gaelle, o relatório policial confirma que o governo suíço não só monitorava ativistas brasileiros, mas também sabia das violações que aconteciam no Brasil.

“A gente vê em relatórios e em cartas que eles sabem que a polícia [brasileira] em geral é muito violenta. Eles tinham conhecimento do que estava acontecendo.”

Correspondências diplomáticas confirmam a cumplicidade Suíça. Uma delas é um documento, também em francês, com o título Tortura no Brasil de outubro de 1973. Nele, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirma ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores de seu país, que o Estado brasileiro cometia crimes:

“À semelhança do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), conhecido há muito tempo por sua brutalidade, certas unidades do exército, agora encarregadas de conduzir os processos relativos a atividades subversivas, começam a recorrer a diversos métodos de tortura: maus-tratos físicos, queimaduras, choques elétricos, câmara fria, etc”.

O documento faz um outro alerta às autoridades suíças: a de que a violência contra os opositores do regime era conhecida nas altas esferas do governo brasileiro: 

“Dada a disciplina militar que reina nas fileiras, parece-me improvável que esses fatos sejam ignorados nas altas esferas”.

Apesar dos relatórios polícias e diplomáticos, a Suíça não mediu esforços para manter boas relações com o governo ditatorial e passou a perseguir ativistas brasileiros. 

A dupla nacionalidade poupou Jean de uma expulsão. Mas outros exilados políticos não tiveram a mesma sorte. Foi o caso de Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor. Os dois ex-presos políticos, que também tinham sido torturados no Brasil, foram expulsos da Suíça e tiveram os vistos cassados. O Estado suíço alegou quebra da neutralidade.  Apolônio de Carvalho tinha lutado na Guerra Civil Espanhola e era herói de guerra na França por atuar na resistência contra o nazismo de Hitler na Segunda Guerra Mundial. 

Em um informe, de novembro de 1970, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a Presidência da República comemorou a expulsão dos ativistas e atribuiu o sucesso às relações econômicas entre os dois países:

“Informação do MRE para o Senhor Presidente da República FORMAÇÃO DO MRE PARA O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NOVEMBRO DE 1970.

(…) A rapidez com que as autoridades federais suíças decidiram expulsar do país os terroristas em questão parece-me dever-se (…) à firmeza com que reclamamos do comportamento do governo suíço no caso e indicamos os danos que causaria às nossas relações políticas e econômicas.

Nunca houve uma ruptura política ou econômica da Suíça com a ditadura brasileira. Nós questionamos a embaixada da Suíça no Brasil em relação a essa postura. Em nota eles responderam que: “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. A nota também “saúda” a realização de estudos independentes que permitam compreender o passado e promover o debate.

A reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: Relógio Suíço.

 



EBC

Agências bancárias estarão fechadas nesta Sexta-Feira Santa


As agências bancárias de todo o país estarão fechadas para atendimento presencial nesta sexta-feira (3), feriado nacional de celebração da Paixão de Cristo. As compensações bancárias, incluindo as TEDs, não serão efetivadas na data, mas o Pix, que funciona 24 horas todos os dias, poderá ser feito normalmente.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os boletos de cobrança e contas como água, energia e telefone com vencimento no feriado podem ser pagos, sem acréscimo, no próximo dia útil.

Já o pagamento de tributos e impostos que vencem nesta sexta deve ser antecipado, para evitar a cobrança de juros e multas. Nesta quinta-feira (2), os bancos têm expediente normal.

Sites e aplicativos de bancos e caixas eletrônicos também podem ser usados para pagamento de contas e transferências, entre outros serviços. Banco por telefone e correspondente também estão entre as alternativas de atendimento.

A Febraban já lembra que o próximo dia 21 de abril, uma terça-feira, também é feriado, de Tiradentes. Da mesma forma, as agências estarão fechada para atendimento ao público neste dia.

Na segunda-feira, dia 20, o expediente bancário segue normalmente nas localidades onde não há feriado estadual ou municipal ou ponto facultativo.



EBC

Lula quer anular leilão da Petrobras por vender gás acima da tabela


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (2), que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal. 

Em entrevista à TV Record Bahia, Lula disse ainda que o certame foi feito contra a vontade da direção da Petrobras.

“Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não vamos aumentar GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula. 

“Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou.

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Embora o Brasil seja produtor, o mercado brasileiro é influenciado pelos preços internacionais, atualmente impactados pelo conflito no Oriente Médio. 

A estratégia de leilões com alto ágio é vista como uma forma de reajustar o preço nacional ao mercado internacional, sem a necessidade de anunciar um aumento na tabela de preços.

Em sua página na internet, a Petrobras informa os preços de venda dos produtos às distribuidoras à vista, sem tributos, por local e modalidade de venda. Os valores do GLP são os mesmos desde novembro de 2024.

O presidente Lula é crítico do alto preço do botijão de gás de cozinha cobrado do consumidor final e, em resposta, o governo federal lançou o programa Gás do Povo que substituiu o antigo Auxílio Gás e visa garantir o botijão gratuito para famílias de baixa renda. 

Para Lula, o que encarece o produto é a distribuição.

“Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando. [Dizem:] ‘Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro [tendo custo] para entregar’. Tudo bem, mas é muita diferença entre R$ 37 para R$ 140, para R$ 150. E agora fizemos um leilão que teve ágio de 100%”, disparou Lula.

Alta de combustíveis

O presidente voltou a criticar a guerra no Irã e os efeitos sobre o preço internacional do petróleo, que vem encarecendo o combustível, especialmente o óleo diesel, no caso brasileiro. O país importa cerca de 30% do que consome no mercado interno.

Segundo Lula, o governo está tomando medidas possíveis e adotará todas as providências para evitar uma escalada do preço do diesel, que impacta diretaente a inflação. 

Além da redução de impostos já adotada, a expectativa é que o governo publique, ainda esTa semana, uma medida provisória (MP) que cria um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro.

“Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel, [mas] tem gente [postos] aumentando sem nenhuma necessidade. Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou Lula.

O presidente ainda criticou a privatização, em 2019, da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, que, segundo Lula, hoje poderia atuar para frear o aumento nos preços aos consumidores.

“Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse Lula.

No mesmo sentido, o presidente afirmou que está em estudo da recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Bahia, e privatizada pela Petrobras em 2021.

“Não é justo o que fizeram, a refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós [o Brasil] produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com o preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste”, explicou.

A Agência Brasil entrou em contato com a Petrobras para esclarecer as condições do leilão e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.



EBC

Consumidor deve ficar atento à qualidade do bacalhau na Semana Santa


O Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio (Ivisa-Rio) dá dicas importantes para os consumidores que optarem pelo tradicional bacalhau para o almoço da Semana Santa.

A orientação é que fiquem atentos à qualidade do pescado, se apresenta manchas avermelhadas ou pontos pretos, que indicam a presença de bactérias e/ou fungos. Além disso, o sal utilizado para a conservação do pescado deve ser grosso, uma vez que o fino é proibido.

O consumidor também deve atenção aos peixes comercializados como bacalhau, mas que na verdade não pertencem a esta classificação. Somente as espécies Gadus morhua, conhecida no Brasil como Porto ou Porto Morhua, e Gadus macrocephalus, normalmente chamada de Portinho ou Codinho, são consideradas bacalhau legítimo.

“Os pecados Saithe, Ling e Zarbo são, muitas vezes, vendidos como bacalhau e são inclusive muito consumidos entre os brasileiros. Porém, esses tipos, que costumam ter um custo mais baixo, não são considerados bacalhau e devem ser comercializados como pescado salgado ou salgado e seco”, diz a presidente da Vigilância Sanitária Municipal, Aline Borges.

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Para quem optar na compra do peixe fresco deve observar aparência e textura do produto: guelras avermelhadas, olhos que ocupam toda a órbita e escamas com aderência firme são bons sinais.

“O consumidor só deve comprar peixes com o ventre íntegro. Quando essa parte se rompe, é um alerta de estágio avançado de alteração. Além disso, para que o peixe tenha uma validade mais extensa, é preciso tirar as vísceras antes de armazená-lo”, afirma Aline.

 



EBC

Rádio Nacional transmite, na quinta, RB Bragantino x Flamengo


A Rádio Nacional, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)leva ao ar, nesta quinta-feira (2), a partida entre RB Bragantino e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro Masculino. A transmissão do jogo da 9ª rodada inicia com um pré-jogo especial a partir das 21h15.  

O Bragantino recebe o Flamengo no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP), no retorno do Campeonato Brasileiro após a Data FIFA. O clube do interior paulista tenta quebrar uma sequência de cinco jogos sem vitória, apostando no fator casa para somar os três pontos. Já o Rubro-Negro segue na caça ao G4 e deve ir a campo com força máxima, contando com o retorno dos seus jogadores que serviram às suas seleções. 

A transmissão da Rádio Nacional inicia com a faixa Show de Bola Nacional e contará com uma equipe completa para levar ao público todas as emoções do confronto. A narração será de André Luiz Mendes e os comentários ficam por conta de Rodrigo Ricardo. Por fim, Bruno Mendes comanda a reportagem e o plantão da rodada.     

A transmissão da partida entra no ar para parte da rede em AM e OC, além da FM no Rio de Janeiro, no Alto Solimões e parceiros da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A Nacional FM nas demais praças segue com o conteúdo musical. O ouvinte pode ficar ligado nas produções preferidas pelo dial, no app Rádios EBC e no site da emissora. Os áudios ainda estão disponíveis em tempo real por streaming nas duas plataformas.  

Sobre o Campeonato Brasileiro  

O Campeonato Brasileiro é a liga brasileira de futebol profissional entre clubes do Brasil, sendo a principal competição futebolística no país. Por meio da disputa, são indicados os representantes brasileiros para a Copa Libertadores da América (junto ao campeão da Copa do Brasil).  

Vinte clubes participam do torneio. No decorrer da temporada, cada time joga duas vezes contra os outros (em um sistema de pontos corridos), uma vez em seu estádio e a outra no de seu adversário, em um total de 38 jogos.  

As equipes recebem três pontos por vitória e um por empate. Os clubes são classificados pelo total de pontos, depois pelo saldo de gols e, em seguida, pelos gols marcados. Em caso de empate entre dois ou mais times, os critérios de desempate são: maior número de vitórias; maior saldo de gols; maior número de gols pró; confronto direto; menor número de cartões vermelhos recebidos; e menor número de cartões amarelos recebidos.  

Cobertura esportiva da Nacional  

Esporte que é paixão do povo brasileiro, o futebol é um dos destaques da programação da Rádio Nacional, emissora pública referência em transmissões de partidas no país há décadas. Os jogos das principais competições e as notícias mais importantes têm espaço nas jornadas esportivas diárias.  

Os torcedores podem ficar ligados pelo rádio, site ou streaming para acompanhar as emoções das disputas entre os maiores clubes brasileiros. Antes e depois dos confrontos, o ouvinte se informa sobre a preparação das equipes e a repercussão do placar nas ondas da Nacional. A análise sobre os resultados da rodada ainda ganha janela diária para um rico debate em produções consagradas no radiojornalismo esportivo.  

A equipe da Rádio Nacional reúne craques da crônica esportiva. São produtores, jornalistas e apresentadores que buscam o diferencial da notícia. Além de informar o público nas ondas do rádio, o time também faz bonito na telinha da TV Brasil. Os profissionais realizam o programa Stadium, de segunda a sexta, às 12h30, e de terça a sexta, às 18h30.  

Sempre ao vivo, as tradicionais produções da emissora pública trazem análises e apurações atualizadas. O esporte tem espaço destacado na programação do canal. O telejornal diário Repórter Brasil, às 12h45 e às 19h, também oferece uma ampla cobertura dos principais resultados do dia.  

Serviço  

Campeonato Brasileiro 2026 – RB Bragantino x Flamengo, quinta (2), a partir das 21h15, na Rádio Nacional RJ, AM, OC e AS + RNCP e Parceiros. Além disso, partida também será transmitida pelo canal da Rádio Nacional no YouTube.  

Rádio Nacional na internet e nas redes sociais  

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Saiba como sintonizar a Rádio Nacional  

Brasília: FM 96,1 MHz e AM 980 Khz  
Rio de Janeiro: FM 87,1 MHz e AM 1130 kHz  
São Paulo: FM 87,1 MHz  
Recife: FM 87,1 MHz  
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Amazônia: 11.780KHz e 6.180KHz OC  
Alto Solimões: FM 96,1 MHz  

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