Arthur Elias espera equilíbrio em partida amistosa com Inglaterra


O técnico Arthur Elias espera um duelo muito equilibrado entre Brasil e Inglaterra em partida amistosa que será disputada no próximo sábado (25) a partir das 13h30 (horário de Brasília) no Etihad Stadium, em Manchester.

“O duelo será muito equilibrado, muito forte fisicamente. Taticamente é muito interessante, pois são equipes que jogam em modelos bem diferentes”, declarou o comandante da seleção brasileira em entrevista à assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Na conversa, Arthur Elias também destacou a qualidade da seleção inglesa, que em 2025 conquistou a Eurocopa de futebol feminino: “Elas têm uma grande seleção, com grandes jogadoras, uma ótima treinadora, então vai ser um confronto de equipes da elite hoje do futebol feminino e a rivalidade é natural quando jogam duas equipes que são atuais campeãs do continente, que entregam tudo dentro de campo”.

O treinador também afirmou que durante a preparação para as partidas amistosas, o assunto Copa do Mundo tem sido recorrente (a próxima edição da competição será disputada em 2027 no Brasil): “Sempre coloquei que, depois das Olimpíadas, o nosso grande objetivo é a Copa do Mundo em casa. A gente vem de uma conquista da Copa América e hoje, das 24 jogadoras, apenas 12 participaram dessa conquista recente. Temos alguns retornos de bastante tempo, cinco estreias em Data-Fifa, então é um processo de dar oportunidade para muitas atletas, que elas aproveitem e possam ter sequência depois”.

Além da partida contra as atuais bicampeãs europeias, o Brasil terá pela frente a Itália, na próxima terça-feira (28), a partir das 13h15, no Estádio Ennio Tardini, na cidade italiana de Parma.



EBC

CMN simplifica crédito rural a populações tradicionais e extrativistas


Populações tradicionais, extrativistas e pescadores artesanais poderão obter crédito rural de maneira mais simplificada. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (23), mudanças no Manual de Crédito Rural (MCR) para agilizar a concessão de financiamento a essas comunidades.

Entre os principais ajustes, o CMN definiu que o recibo de inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), necessário para o pedido de crédito em unidades de conservação, deve ser emitido pelo órgão responsável pela gestão da área e incluir o nome do solicitante como integrante das famílias beneficiárias da área protegida.

Além disso, para comunidades que vivem ou utilizam regularmente unidades de conservação como Reserva Extrativista, Floresta Nacional e Reserva de Desenvolvimento Sustentável, a exigência de constar no CAR foi dispensada, desde que o nome do solicitante esteja incluído na relação oficial de famílias beneficiárias, divulgada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e acessível às instituições financeiras.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que as alterações buscam adequar as exigências do crédito rural à realidade dessas comunidades, considerando formas de ocupação e uso sustentável dos recursos naturais, conforme a legislação ambiental e a Política Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o CMN também reúne o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.



EBC

IFI: governo terá de economizar R$ 27,1 bi extras no último trimestre


A perda de validade da medida provisória que tributaria investimentos, bets e fintechs e o crescimento do déficit das estatais dificultarão o cumprimento das metas fiscais deste ano, alertou a Instituição Fiscal Independente (IFI). Em relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o órgão constatou que o governo precisará realizar um esforço fiscal adicional de R$ 27,1 bilhões no último trimestre do ano.

O cálculo considera as deduções legais, como precatórios e outros abatimentos, além da tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao centro da meta, conforme estabelece o novo arcabouço fiscal. Dessa forma, o governo precisará economizar R$ 27,1 bilhões de outubro a dezembro para alcançar o limite mínimo da meta fiscal.

Segundo o arcabouço fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, o governo terá de encerrar o ano com déficit primário zero, podendo chegar a um resultado negativo de R$ 31 bilhões, considerando a margem de tolerância de 0,25% do PIB.

Órgão técnico vinculado ao Senado Federal criado em 2016, a IFI acompanha e avalia a política fiscal do governo federal de forma autônoma e transparente. Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) 105, divulgado nesta quinta-feira (23), o cenário fiscal se agravou devido à piora do déficit primário das empresas estatais e à perda de eficácia da Medida Provisória nº 1.303/2025, cuja tramitação foi interrompida em 8 de outubro.

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A Câmara dos Deputados rejeitou trechos da MP que aumentariam a arrecadação por meio da tributação de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Imobiliárias (LCI), apostas eletrônicas, fintechs e regras sobre créditos tributários. O Ministério da Fazenda contava com essas receitas para cumprir as metas fiscais de 2025 e 2026.

A IFI avalia que novas negociações serão necessárias para recompor o equilíbrio das contas públicas da União neste e no próximo ano.

Reforma do Imposto de Renda

O relatório também analisou os efeitos da reforma da tributação sobre a renda, atualmente em tramitação no Congresso. A proposta isenta contribuintes com rendimentos de até R$ 5 mil mensais, reduz a carga para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 e cria uma tributação mínima sobre altas rendas para manter a neutralidade fiscal da medida.

De acordo com a IFI, o texto original do projeto traria ganho fiscal estimado em R$ 9 bilhões por ano, mas esse efeito foi reduzido para R$ 4 bilhões após mudanças na Comissão Especial da Câmara. No texto aprovado em plenário, o impacto passou a ser negativo em R$ 1 bilhão por ano. A proposta está em análise no Senado Federal.

Limites para o endividamento público

Outro tema abordado no relatório é a Proposta de Resolução do Senado nº 8/2025, que busca regulamentar dispositivos da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo limites para o endividamento público federal. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) iniciou as discussões com audiências públicas, com a participação da IFI.

O relatório ressaltou que o Poder Legislativo tem atuado em outras pautas de responsabilidade fiscal. A IFI cita a recente promulgação da Emenda Constitucional nº 136/2025, que define limites para o pagamento anual de precatórios por estados e municípios, cria regras para renegociação de dívidas previdenciárias e contratuais. A partir de 2027, a emenda constitucional retira o pagamento de precatórios dos limites de despesa da União e remove parcialmente essa despesa da apuração da meta fiscal do governo central.

Na abertura do relatório, os diretores da IFI Marcus Pestana e Alexandre Andrade destacaram que o desafio de reequilibrar as contas públicas permanece como prioridade nacional.

“O equacionamento da política fiscal deve ser uma missão compartilhada entre os Poderes Executivo e Legislativo. Mesmo o Poder Judiciário toma decisões com impactos fiscais extremamente relevantes”, afirmaram.



EBC

No Paraná, jogador vítima de racismo leva punição maior que agressor


O Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) julgou nesta semana um caso de racismo ocorrido no último dia 4 de outubro, em partida entre Batel e Nacional, pela Taça da Federação Paranaense de Futebol. O jogador do Nacional Paulo Victor, o PV, que foi chamado de “macaco” pelo adversário, foi punido com a suspensão de dez jogos. Já o agressor, Diego Gustavo de Lima, do Batel, ficará sete jogos sem jogar.


Guarapuava (PR), 04/10/2025 - Jogador do time Nacional-SP, PV (camisa branca), foi vítima de racismo por jogador do time Batel. Frame: FPF/Reprodução

Jogador do Nacional, PV foi vítima de racismo – Frame: FPF/Reprodução

Após a injúria, PV reagiu e deu um soco em Diego. Ele ainda foi acusado de cuspir no jogador, o que lhe rendeu a punição total de dez jogos. Pela ofensa, Gustavo ficou com a punição de sete jogos afastado. O jogador que ofendeu o colega teve o contrato rescindido, e não joga mais pelo Batel de Guarapuava.

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Em pronunciamento nas redes sociais, PV disse não entender por que teve uma punição mais severa do que seu agressor.

“Meu sentimento já era de impotência, agora ainda mais. Não me senti amparado e queria entender realmente essa sentença de pegar mais jogos do que quem cometeu o crime”, argumentou.

Confira reportagem sobre o caso no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil:

*Com informações da TV Brasil



EBC

Consórcio PR vence leilão do Lote 4 de Rodovias do Paraná


O Consórcio Infraestrutura PR (composto pela EPR e Perfin Voyager Fundo de Investimento) venceu o leilão de mais um lote das Rodovias Integradas do Paraná. O certame foi realizado na tarde de hoje (23) na sede da B3, a bolsa de valores de São Paulo, e contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, e do governador do Paraná, Ratinho Junior.

Este é lote 4 de uma série de seis concessões promovidas conjuntamente entre o governo federal e o governo do Paraná, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os últimos certames devem se encerrar no dia 30 de outubro, com a venda do lote 5.

Quatro empresas apresentaram propostas para o lote 4 das Rodovias Integradas do Paraná. Inicialmente, as propostas foram apresentadas em papel fechado pelas empresas, com a Motiva (antiga CCR) oferecendo 9,14% sobre o desconto da tarifa do pedágio; a Mota-Engil oferecendo 6,23%; o Consórcio Infraestrutura PR oferecendo 18,52%; e a Reune Rodovias Holding, ofertou 21,20%. Como houve mais de uma proposta apresentada, o leilão foi encaminhado para o viva-voz e, nessa fase, a Mota-Engil e a Motiva ficaram de fora por terem apresentado as menores ofertas de desconto sobre o pedágio.

No viva-voz, o Consórcio Infraestrutura PR fez o único lance do dia e venceu o leilão com a oferta de 21,30%, batendo a Reune Rodovias Holding.

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O lote 4 tem 627,52 quilômetros de extensão e abrange três rodovias federais (BR-272, BR-369 e BR-376) e oito estaduais (PR-182, PR-272, PR-317, PR-323, PR-444, PR-862, PR-897 e PR-986). O trecho passa pelas regiões Oeste, Noroeste e Norte do Paraná, conectando tanto um acesso da fronteira com o Paraguai, em Guaíra, até a divisa com São Paulo, em Nova Londrina.

O investimento previsto em contrato é de R$ 18,17 bilhões. A concessionária será responsável por realizar duplicações, faixas adicionais, contornos, vias marginais, passarelas de pedestres, acessos e Pontos de Parada de Descanso para caminhoneiros. Segundo o ministério, essa concessão deverá beneficiar 39 cidades e gerar 156 mil empregos.

Lotes

O lote 1 foi arrematado pelo grupo Pátria. O lote 2 foi vencido pelo Consórcio Infraestrutura, o lote 3 foi arremata pela CCR e a EPR venceu o lote 6.

 



EBC

Filme reconta última semana de Herzog e repercussão do assassinato


Chega ao público nesta quinta-feira (23) o documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura, que reconstitui o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, que completa 50 anos no próximo sábado (25). Produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o longa-metragem conta a trajetória do jornalista, professor e cineasta, que foi torturado e assassinado por agentes da ditadura militar. O filme traz depoimentos de amigos, colegas de redação e pessoas da família e estará disponível no canal do ICL no YouTube às 19h.

Para os produtores do filme, os relatos ajudam a entender por que a morte de Herzog causou comoção nacional e se transformou em marco na luta pela democracia no Brasil.

“A grande preocupação que a gente tinha era fazer isso de uma forma que criasse um interesse novo pela história, que já foi contada muitas vezes. A gente queria trazer um elemento novo”, comentou, em entrevista à Agência Brasil, o diretor e roteirista do filme, o jornalista e documentarista, Antônio Farinaci, cujo trabalho se destaca pela investigação de temas históricos, sociais e de direitos humanos.

Uma das vítimas da repressão, Vladimir Herzog nasceu na antiga Iugoslávia e, fugindo do nazismo, veio para o Brasil com a família quando ainda era criança. Sua morte foi informada pelos agentes da ditadura como suicídio, e essa farsa contribuiu para que o caso se tornasse um símbolo da resistência e da luta pela liberdade de imprensa.

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A diretora executiva de conteúdo do Instituto Conhecimento Liberta, Márcia Cunha, disse que a história do jornalista vem sendo contada com diversos recortes em vários trabalhos, mas, nesta produção, a escolha foi mostrar um recorte muito específico, que foi o crime em si, desde uma semana antes até uma semana depois, contando porque ele foi morto, o que ocorreu com ele e as consequências do que aconteceu com o jornalista, com o país e com a história brasileira.

“Nesses 50 anos, têm muita coisa acontecendo, porque foi um marco histórico muito grande. A gente escolheu especificamente esse recorte do crime, exatamente para mostrar como a ditadura agia, o que era capaz de fazer e, inclusive, utilizando alguns comportamentos e estratégias que são repetidas até hoje. Por exemplo, eles tinham uma espécie de gabinete do ódio em que jornalistas de direita pregavam contra o Vlado e os jornalistas da TV Cultura. Chamavam a TV Cultura de VietCultura, porque fez uma matéria sobre o Vietnan, então, era comunista. Era a mesma coisa do que a gente vê hoje”, afirmou, lembrando de fatos recentes ocorridos no Brasil, com o reaparecimento de grupos defendendo o regime militar.

Entre os depoimentos que auxiliaram a reconstituição na produção audiovisual, estão os dos jornalistas Dilea Frate, Paulo Markun, Rose Nogueira e Sérgio Gomes; do filho de Vlado, Ivo Herzog; e do diretor e produtor de cinema e televisão, roteirista e escritor brasileiro, João Batista de Andrade.

 


Brasília (DF), 23/10/2025 - Trechos do documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura. Foto: Instituto Conhecimento Liberta/Divulgação

Trechos do documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura. Foto: Instituto Conhecimento Liberta/Divulgação 

Márcia Cunha revelou que a produção enfrentou dificuldades com a falta de imagens, porque não existem acervos da época com o o jornalista trabalhando, a prisão e outros momentos da sua trajetória. Além disso, mesmo nos depoimentos, havia barreiras. Como é um crime que ocorreu há 50 anos, a maioria das pessoas que foi testemunha já morreu ou está muito idosa. Na reconstituição da história, a dificuldade foi usada como uma vantagem e fazer o documentário chegar mais perto das novas gerações do país.

“Para recriar situações que ele viveu, como os agentes da repressão chegando na TV Cultura, querendo levá-lo preso, o que os companheiros de cela viram, os detalhes dos gritos que ouviam, o que eles falavam, a gente recriou essas situações com storyboards, para ficar como histórias em quadrinhos. Os nossos recursos de arte foram para tentar criar, em imagem de quadrinhos, o que aconteceu, porque a gente acredita também que vai facilitar que as novas gerações se interessem pelo tema e compreendam a dimensão do que aconteceu”, relatou.

Memória em quadrinhos

“A gente optou por esta narrativa de recriar essa situação dramática de tensão, do enterro, da abordagem, da prisão e da tortura com essa linguagem de quadrinhos e entremeou isso com os depoimentos dos colegas dele de cela que estão vivos, dos amigos e com relatos de pessoas que já morreram, como Dom Paulo [Evaristo Arns]. A gente fez esse mix de filmes antigos, relatos atuais e, a partir dos relatos, a gente reconstituiu essa violência toda e esse drama que o Herzog viveu”, completou.

Os desenhos dos quadrinhos foram feitos pela artista ativista Paula Villar. Para a realização, o diretor passava as histórias de cada situação, para que ela pudesse elaborar a arte.

“A gente fez uma recriação das coisas que não tínhamos em imagem, porque muitas aconteceram nos porões da ditadura e em lugares que não tinham permissão para entrar. Aconteciam nos porões do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, órgão que praticou violações contra opositores da ditadura]. Não têm registros de imagem, iconografia disso e muitas não tinham iconografia porque não tinha ninguém fazendo foto, não tinha ninguém fazendo filmagens. A Paula fez uma interpretação desses episódios, mas tudo baseado em depoimentos e naquilo que a gente tem de iconografia disponível”, revelou o diretor.

Como é uma história que ainda tem testemunhas e colegas de trabalho de Herzog, o diretor e roteirista do filme disse que criou o roteiro em cima dos depoimentos.

“A gente fez tudo muito respeitoso e fiel com os depoimentos, que a gente conseguiu colher das pessoas que estavam lá e foram testemunhas em primeira mão dessa história. Não é alguém contando uma história que ouviu falar. São pessoas que viveram e estiveram presas com ele no DOI-Codi. É uma história muito contundente”, apontou.

“São pessoas que trabalharam, foram companheiras do Herzog e, algumas delas, estiveram presas no mesmo lugar. Alguns são depoimentos aterrorizantes, porque ouviram ele ser torturado na cela ao lado. É muito chocante o testemunho que elas têm a dar. Era importante que o documentário tivesse essa preocupação de trazer o que foi o terror dessa época, para que não tenha esse engano que a gente vive hoje em dia, de pessoas pedirem intervenção militar e a volta do que foi o regime militar”, acrescentou Farinaci.

Abalo na ditadura

A diretora do ICL lembra que o crime teve impacto tão grande na época que deixou evidente a divisão que havia no regime militar a respeito da continuidade da ditadura. Por isso, o nome do documentário: Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura

“O crime foi tão violento e teve uma repercussão tão grande, que as duas linhas, a da abertura, com Geisel [ex-presidente general Ernesto Geisel] e Golbery [ex-chefe da casa civil general Golbery do Couto e Silva], e a linha dura do exército estavam já se estranhando com ideias diferentes. O Geisel e o Golbery queriam a abertura, e a linha dura, não. Esse crime ajudou que a linha que queria a abertura vencesse. Esse crime teve um impacto muito grande para o fim da ditadura no Brasil”, disse.

Márcia Cunha acrescenta ainda mais uma parte da história de Herzog que precisa ficar na memória do país: os agentes foram até a TV Cultura, em São Paulo, onde o jornalista trabalhava, para fazer a prisão dele, mas Herzog argumentou que precisava botar o telejornal no ar e não poderia ir com eles. Ele se comprometeu a se apresentar no prédio do DOI-Codi, órgão de repressão e inteligência e do Exército. Lá foi preso, torturado e morto.

“Ele foi lá, se apresentou e, no mesmo dia, foi morto. Nunca mais saiu. Foi se apresentar espontaneamente. Ele foi torturado barbaramente, e o corpo dele não resistiu. A gente conta no DOC que, na semana que antecedeu a prisão e o crime, já tinham sido presos 11 jornalistas. Estava tendo uma caça aos jornalistas”, disse.

Outra memória da trajetória de Herzog abordada no filme é a foto em que aparece enforcado para reforçar a narrativa de que ele se suicidou.

“A gente quis contar a violência, o modus operandi, a desfaçatez, porque eles contavam com a impunidade a ponto de a foto com ele pendurado ter sido tirada por um perito da polícia técnica. Ele está enforcado com o pé e o joelho quase encostado no chão. A foto já era denúncia da fraude, da farsa.

Podcast

Márcia Cunha destacou que, junto ao documentário, o ICL lança o podcast Caso Herzog – A foto e a farsa, que conta como ela foi feita, o que também é mostrado no filme.

“O fotógrafo vai até o DOI-Codi. Ele era um menino recém-formado, que estava entrando na polícia técnica, e foi fazer a foto. Ele tinha 22 anos e tirou a foto que, no fim, foi um dos principais fatores [para desvendar o crime], além da luta da Clarice Herzog, de muita briga na Justiça, muitas provas e testemunhos”, analisou, concluindo que, também neste caso, é importante passar a história para os mais jovens. O episódio estará disponível no canal do ICL no YouTube e em todas as plataformas de áudio.

 


Brasília (DF), 23/10/2025 - Trechos do documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura. Foto: Instituto Conhecimento Liberta/Divulgação

Trecho do documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura Foto: por Instituto Conhecimento Liberta/Divulgação

“Quando se falou que ele se suicidou, ninguém acreditou, porque não era o perfil dele. Não estava com nenhum problema, estava bem, assumindo a direção do canal. Aí, pediram uma autópsia, que foi feita pelo Harry Shibata, o legista da ditadura, e insistiu na versão do suicídio. Depois, ficou provado que não. Foi depois da luta de uma vida da Clarice Herzog para provar que foi montado e que a ditadura militar era responsável pela morte do Vlado”, indicou.

 



EBC

Enem 2025: locais de prova já podem ser consultados


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, nesta quinta-feira (23), o Cartão de Confirmação de Inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. Nele, é possível consultar informações como o local de prova, número de inscrição e hora das provas.

Para acessar o cartão e saber o local onde fará a prova, o estudante deve acessar a Página do Participante, no site do Inep.

No cartão de confirmação é possível também registrar que o inscrito terá direito a atendimento especializado ou tratamento pelo nome social, se for o caso.

As provas serão aplicadas em 9 e 16 de novembro, em todo o país. A exceção está em Ananindeua e Marituba (PA), municípios onde o exame será aplicado em 30 de novembro e 7 de dezembro. Nessas cidades, o Cartão de Confirmação de Inscrição será disponibilizado posteriormente na Página do Participante.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a redefinição de data nesses dois locais ocorre devido à realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em Belém no período da aplicação regular do exame.

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O Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ao longo de mais de duas décadas de existência, tornou-se a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni).

Instituições de ensino públicas e privadas utilizam o Enem para selecionar estudantes. Os resultados são utilizados como critério único ou complementar dos processos seletivos, além de servirem de parâmetro para acesso a auxílios governamentais, como o proporcionado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os resultados individuais do Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.



EBC

Brasil e Indonésia assinam comunicado e citam potencial de parcerias


Os governos do Brasil e da Indonésia divulgaram, nesta quinta-feira (23), comunicado conjunto, sobre o progresso da parceria estratégica entre os dois países. O documento, que trata também de cooperações tanto no âmbito regional quanto multilateral, marca a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, àquele país.

O documento contém dezenas de pontos consensuais entre Brasil e Indonésia, em especial os potenciais estratégicos comuns entre os dois países. Reitera também seus posicionamentos em favor de uma “reforma da governança, paz e segurança internacionais”, além de renovar iniciativas já existentes.

Sinergia e complementariedade

Os dois países reconhecem o “expressivo potencial da cooperação” econômica e empresarial nas mais diversas áreas e setores, em especial relativas a agronegócio, defesa, mineração, energia, saúde e turismo.

Há pontos consensuais sobre transições energéticas, biocombustíveis, bem como o combate a organizações criminosas. O documento valoriza iniciativas de aproximação de blocos econômicos dos quais participam e a cooperação Sul-Sul para promover “uma ordem internacional justa e inclusiva, baseada no direito internacional”.

Cita também a sinergia e a complementariedade entre Brasil e Indonésia e o potencial do ponto de vista empresarial e acadêmico. Nesse sentido, destaca áreas como educação, ciência, tecnologia, inovação, agricultura, meio ambiente e diversidade.

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Meio ambiente, combate à fome e à pobreza

A preocupação com as mudanças climáticas, com oceanos e florestas tropicais é comum, citado no comunicado conjunto, bem como suas correlações com as áreas de pesquisa e tecnologia espacial; desenvolvimento sustentável e energias limpas e renováveis.

Como membros fundadores da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, reforçam o compromisso de enfrentar tais desafios por meio da cooperação multilateral, reconhecendo que a segurança alimentar e nutricional é “fundamental para a estabilidade e a resiliência nacionais”.

Manifestaram também apoio à Declaração de Lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), a ser adotada na Cúpula do Clima de Belém.

Reforma na governança global e Gaza

Indonésia e Brasil reiteraram seu posicionamento em favor de uma “reforma urgente e abrangente” das instituições de governança global, no sentido de “ampliar a voz do Sul Global” e de regiões “não representadas ou sub-representadas”, e cita especificamente o Conselho de Segurança da ONU para esse fim.

Por fim, o documento acolhe “com satisfação o processo de cessar-fogo em Gaza como um passo inicial para o fim da guerra, o acesso desimpedido de ajuda humanitária e o início imediato da reconstrução em Gaza”. A solução para os problemas da região passa, tanto para a Indonésia quanto para o Brasil, pela existência de dois Estados.



EBC

Fuvest divulga nesta quinta locais de prova; saiba onde se inscrever


A Fuvest divulga nesta quinta (23), às 12h, os locais onde acontecerão as provas para o vestibular que serve como porta de entrada para os cursos da Universidade de São Paulo (USP). Uma novidade deste ano é a possibilidade de o candidato poder escolher onde quer fazer o exame. Consulte aqui.

A indicação da escola aplicadora da prova deverá ser realizada na Área do Candidato, no site da Fuvest. Os vestibulandos que confirmarem a inscrição antecipadamente terão prioridade na escolha.

As provas serão aplicadas em 32 cidades do estado de São Paulo e a escolha do local poderá ocorrer somente em cidades e regiões da capital onde houver duas ou mais escolas aplicadoras.

A primeira fase da prova acontece no dia 23 de novembro e a segunda, entre os dias 9 e 15 de dezembro.

*Estagiário da EBC sob supervisão de Odair Braz Junior



EBC

Lula defende uso de moedas locais para comércio Brasil-Indonésia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em dois momentos, durante a visita que faz à capital da Indonésia, Jacarta, a possibilidade de uso de moedas locais no comércio entre os dois países.

A primeira delas, durante declaração à imprensa, na madrugada desta quinta-feira (23). Hoje de manhã, Lula disse que tanto o Pix quanto o sistema similar indonésio têm condições de facilitar não só o comércio entre os dois países, mas, também, entre os países que integram o Brics – grupo formado por 11 países-membros e dez parceiros, entre eles o Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul, 

“No âmbito do Brics, o Pix brasileiro e o Qris indonésio oferecem modelos de sistemas de pagamentos eficazes e acessíveis, que podem inspirar medidas que facilitarão o comércio em moedas locais entre os países do bloco”, disse o presidente durante evento com empresários brasileiros e indonésios.

Segundo Lula, esse movimento faz parte de uma “estratégia mais ampla do Brasil de diversificar parcerias e facilitar o comércio”.

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Liberdade para uso da própria moeda

Mais cedo, durante declaração conjunta de Lula e do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, à imprensa, Lula já havia reiterado seu posicionamento favorável ao uso de moedas locais para o comércio entre os dois países.

“Nós queremos comércio livre. E, mais ainda: tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de a comercialização entre nós dois ser com as nossas moedas”, disse, mais cedo, o presidente brasileiro – ao enfatizar que esse tipo de “liberdade de uso das próprias moedas” é algo que já deveria ter acontecido.

“O século XXI exige que tenhamos a coragem que não tivemos no século XX. Exige que a gente mude alguma forma de agir comercialmente para não ficarmos dependentes de ninguém”, acrescentou ao defender o multilateralismo, em vez do unilateralismo.

Posteriormente, no encontro com empresários, reiterou que, “como a Indonésia, o Brasil se opõe a medidas unilaterais e coercitivas que distorcem o comércio e limitam a integração econômica”.

Segundo ele, “ é o setor privado, com parcerias e projetos conjuntos, que transformará a afinidade diplomática em prosperidade compartilhada para os dois países”.

“Indonésia e Brasil seguirão parceiros na construção de um futuro compartilhado de cooperação, desenvolvimento e justiça social”, completou.



EBC