Tenda de jornalistas palestinos é bombardeada após reunião com Fenaj


Um grupo de jornalistas palestinos na Cidade de Gaza teve sua tenda bombardeada por forças militares de Israel, na tarde desta quinta-feira (25), após participarem de uma videoconferência com repórteres brasileiros organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), pelo Sindicato dos Jornalistas da Palestina e pela Embaixada da Palestina no Brasil. No local, onde funcionava o Centro de Solidariedade de Jornalistas em Gaza, estavam pelo menos 20 profissionais. A informação sobre o incidente foi dada pela Fenaj, por meio da embaixada.

De acordo com o embaixador palestino, Ibrahim Alzeben, até o início da tarde não havia informações sobre vítimas, mas uma fonte árabe, próxima à entidade sindical local, informou que os jornalistas conseguiram escapar com vida. A Cidade de Gaza foi praticamente destruída pelas forças israelenses desde outubro de 2023, quando a guerra em Gaza eclodiu.

No encontro online, foram ouvidos os relatos dos líderes sindicais Naser Abu Baker e Tahseen al Astal, presidente e vice do Sindicato dos Jornalistas da Palestina, e mais nove profissionais com atuação na Faixa de Gaza. Eles apresentaram números para demonstrar que a imprensa palestina é um alvo prioritário de Israel. Dos cerca de 1,6 mil jornalistas profissionais registrados na Faixa de Gaza, 252 foram mortos em ataques israelenses desde o início da ofensiva no enclave palestino. Outros 400 foram feridos e cerca de 200 estão presos. Ao menos 600 familiares destes profissionais também foram mortos na guerra.

A jornalista freelancer Fidaa Asaliya, uma das que estavam na tenda bombardeada, declarou que os profissionais da imprensa na Palestina estão pagando com a própria vida o preço de transmitir a verdade ao mundo.

“Estamos no centro de solidariedade pertencente ao Sindicato dos Jornalistas em meio a um bombardeio constante que está ameaçando as nossas vidas constantemente, mas continuamos fazendo nosso trabalho”, afirmou.

Segundo Fidaa Asaliya, a ocupação não faz distinção entre um jornalista, um cidadão ou um membro da resistência.

De acordo com os relatos, os profissionais que não são mortos têm as suas casas bombardeadas, obrigando-os a se deslocarem seguidamente em busca de um lugar para se abrigar. Samir Khalifa, outro jornalista em Gaza, contou que em 23 meses de ataques já se deslocou de um lugar para outro 18 vezes. O Sindicato dos Jornalistas da Palestina aponta ainda que 647 imóveis residenciais de profissionais de imprensa foram destruídos pela invasão das forças militares de Israel.

Ainda segundo a entidade, desde o início da ocupação israelense, há dois anos, cerca de 3,4 mil jornalistas foram proibidos de entrar no enclave, sendo 820 deles oriundos dos Estados Unidos (EUA), o principal aliado de Israel.

“A ideia da reunião foi exatamente promover a oportunidade de nossos colegas palestinos, que estão sendo assassinados brutalmente, relatarem a realidade que enfrentam para noticiar sobre uma ofensiva que já matou quase 70 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças”, disse a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

Ela lamentou que Israel possa ter monitorado a transmissão da reunião e tenha agido logo depois para silenciar mais vozes em sua cruzada genocida e de limpeza étnica.

A conversa com os repórteres brasileiros, a convite da Fenaj e com participação da Agência Brasil, aconteceu com grupos de jornalistas palestinos instalados em tendas em dois centros improvisados, um em Khan Yunis, no sul de Gaza, e outro na Cidade de Gaza, ao norte, que já foi praticamente toda destruída pelos bombardeios das forças militares de Israel.

Em nota, o Comitê Editorial e de Programação (Comep) e o Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI), ambos fóruns de participação social da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), manifestaram repúdio ao bombardeio que atingiu o Centro de Solidariedade de Jornalistas em Gaza.

“O ataque ocorreu meia hora depois de jornalistas palestinos participarem de uma roda de conversa virtual promovida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Embaixada da Palestina no Brasil, em diálogo com dezenas de profissionais de mídia brasileiros. O episódio confirma que Israel monitora e persegue jornalistas com o objetivo de silenciar vozes que denunciam o genocídio em curso na Faixa de Gaza. Reiteramos nossa solidariedade aos colegas palestinos, que seguem trabalhando sob risco permanente de morte, deslocamentos forçados e destruição de suas casas e locais de trabalho”, diz um trecho da manifestação.

Os comitês exigem da Organização das Nações Unidas, da comunidade internacional e dos organismos de proteção aos direitos humanos “medidas urgentes e concretas para cessar os crimes de guerra cometidos por Israel”.

A Agência Brasil pediu, mais cedo, posicionamento à Embaixada de Israel sobre a violência contra jornalistas palestinos e aguarda retorno para acréscimo nesta reportagem.

A Faixa de Gaza é um território palestino que tem sido alvo de intensos bombardeios e ataques por terra do Exército de Israel desde um atentado do grupo islâmico Hamas a vilas israelenses, em outubro de 2023, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e fez 220 reféns. O Hamas, que governa Gaza, sustenta que o ataque foi uma resposta ao cerco de mais de 17 anos imposto ao enclave e também à ocupação dos territórios palestinos por Israel.

Os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, desde então, já fizeram mais de 60 mil vítimas, além de destruírem hospitais, escolas e todo tipo de infraestrutura que presta serviços à população. Um bloqueio às fronteiras do território também dificulta a entrada de alimentos e medicamentos, agravando a crise humanitária. Segundo Israel, o objetivo é resgatar os reféns que ainda estão com o Hamas e eliminar o grupo completamente.

O conflito foi um dos principais temas da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizada nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos. Antes e durante o evento, países tradicionalmente aliados de Israel e dos Estados Unidos anunciaram o reconhecimento oficial ao Estado palestino, entre eles o Reino Unido, a França, o Canadá e a Austrália. O Brasil reconhece a Palestina como um país que tem direito à soberania desde 1967 e apoia a coexistência pacífica de dois Estados: um para os palestinos e outro para os israelenses.

Apesar da pressão internacional, o governo de Israel subiu o tom e afirmou que não haverá Estado palestino.

Matéria ampliada às 20h06 para acréscimo de informações da nota do Comitê Editorial e de Programação (Comep) e do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI) da EBC.



EBC

Empresas ligadas ao PCC movimentaram R$ 1 bilhão, diz Receita


As empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), investigadas por fraudes em combustíveis em São Paulo, movimentaram mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024, segundo a Receita Federal. 

A Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25), em São Paulo, aponta que organização criminosa usava postos de combustíveis, motéis e empresas de fachada para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

As investigações revelaram que os criminosos usavam dinheiro em espécie e maquininhas (de crédito e débito) via fintechs para lavagem dos recursos ilícitos, que depois eram usados para compra de imóveis e outros bens.

Com os recursos do esquema, foram comprados bens de alto valor, como um iate de 23 metros; dois helicópteros; um Lamborghini Urus, avaliado em R$ 4 milhões; além de terrenos de mais de R$ 20 milhões.

“Estima-se que os bens identificados representem apenas 10% do patrimônio real dos envolvidos”, informa a Receita.

Segundo a Receita, mais de 60 motéis, ligados ao grupo e em nome de “laranjas”, teriam movimentado R$ 450 milhões, com lucro de 45 milhões. Há indícios de lavagem de dinheiro no uso de 21 CNPJs vinculados a 98 estabelecimentos de uma mesma franquia.

Apesar da movimentação bilionária, as empresas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais, entre 2020 e 2024, e pagaram R$ 25 milhões em tributos federais (2,5% da movimentação financeira). O lucro para os criminosos chegou a quase 90 milhões no período.

Ainda com a construção de 14 prédios residenciais em Santos, em 2010, o grupo movimentou R$ 260 milhões.

A Receita Federal também detectou irregularidades nas declarações de Imposto de Renda, em que membros da família do principal alvo aumentaram o patrimônio em cerca de R$ 120 milhões.

Operação Spare

A Operação Spare cumpriu 25 mandados de busca e apreensão na capital paulista e nas cidades de Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco.

Um dos principais alvos atua há mais de 20 anos em rede de postos de combustíveis, criada para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. “A estrutura foi identificada a partir da concentração de empresas sob responsabilidade de um único prestador de serviço, que formalmente controlava cerca de 400 postos – sendo 200 vinculados diretamente ao alvo e seus associados”, diz comunicado da Receita.

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EBC

Rossi brilha nos pênaltis e garante classificação do Flamengo


Mesmo com uma atuação pouco inspirada, que culminou com uma derrota de 1 a 0 para o Estudiantes (Argentina) no tempo regulamentar, o Flamengo contou com o brilho do goleiro Rossi para triunfar pelo placar de 4 a 2 na cobrança de pênaltis, na noite desta quinta-feira (25) no estádio Jorge Luis Hirschi, em Buenos Aires, e garantir a classificação para as semifinais da Copa Libertadores da América.

Agora o Rubro-Negro encontra o Racing (Argentina) nas semifinais da competição.

Com a bola rolando o Flamengo não conseguiu colocar em prática a proposta de jogo de controle das ações por meio do toque de bola. Desta forma, permitiu que o time argentino, que precisava da vitória no tempo regulamentar para continuar vivo na competição, apostasse nos lançamentos para o centroavante Carrillo, que ganhava a maior parte das disputas pelo alto contra a defesa rubro-negra.

Além disso, a equipe do técnico Filipe Luís executava uma marcação frouxa no meio de campo, o que dava espaços para a aproximação dos jogadores adversários.

E a pouca aplicação do Flamengo acabou sendo punida aos 46 minutos do primeiro tempo, quando Nuñez cruzou na área e a bola sobrou para Benedetti, que acertou uma bomba de primeira que morreu no fundo do gol defendido por Rossi.

Na etapa final o time da Gávea ofereceu ainda mais espaços para o Estudiantes, e quase foi desclassificado aos 27 minutos, quando o goleiro Muslera lançou Carrillo, que escorou de cabeça para Benedetti, que ficou livre para avançar e bater por cobertura para vencer o goleiro Rossi. Mas o lance foi invalidado pelo juiz, que, com auxílio do VAR (árbitro de vídeo), confirmou a posição irregular do lateral do time argentino.

Como o placar perdurou até o apito final, a vaga teve que ser definida nas penalidades máximas. E nas cobranças de pênaltis o goleiro Rossi foi decisivo, defendendo os chutes de Ascacíbar e de Benedetti para garantir a vitória por 4 a 2.

Queda do São Paulo

Quem se despediu da competição continental foi o São Paulo. Mesmo contanto com o apoio de um Morumbis lotado, a equipe comandada pelo técnico argentino Hernán Crespo foi derrotada pelo placar de 1 a 0 pela LDU (Equador).

Precisando de gols após ser derrotado por 2 a 0 na partida de ida das quartas de final, o São Paulo se lançou ao ataque desde os primeiros movimentos da partida. Mas esbarrou nas boas defesas do goleiro adversário. E aos 40 minutos do primeiro tempo a situação se complicou de vez, quando a LDU encaixou rápido contra-ataque que culminou em finalização de Medina para o fundo do gol defendido por Rafael.

Na etapa final o Tricolor continuou tentando na base da vontade, mas se desorganizou e não conseguiu vencer o goleiro Gonzalo Valle. Desta forma a LDU será o adversário do Palmeiras nas semifinais.





EBC

Gabriel Bandeira bate recorde no Mundial de natação de Singapura


Gabriel Bandeira foi um dos destaques do Brasil, nesta quinta-feira (25), no Mundial de natação paralímpica disputado em Singapura. O paulista estabeleceu um novo recorde mundial na prova dos 200 metros medley para a classe SM14 (deficiência intelectual) para garantir a medalha de ouro.

Para vencer a final da prova, Gabriel Bandeira fez o tempo de 2min05s40, superando o britânico Rhys Darbey, prata com 2min05s84, e o canadense Nicholas Bennett, bronze com 2min06s30.

Quem também garantiu uma medalha dourada para o Brasil foi Carol Santiago na prova dos 100 metros livre S12 (baixa visão) com tempo de 1min00s51. Na mesma prova a paraense Lucilene Sousa ficou com o bronze.

“Confesso que não estou tão rápida quanto eu esperava nesta competição, mas fico feliz de trazer mais um ouro para o Brasil e treinar outras situações. É a primeira vez em que faço um programa de provas menor, tenho um espaço maior entre uma prova e outra e preciso me acostumar com isso também, a não estar o tempo todo no esforço, conseguir descansar e performar. Estou bem satisfeita com o campeonato Mundial. Três provas individuais, três medalhas de ouro e um recorde mundial no revezamento”, declarou a pernambucana.

A primeira medalha brasileira nesta quinta foi um bronze, conquistado pela mineira Laila Suzigan Abate nos 100 metros peito SB5 (comprometimento físico-motor). Outro terceiro lugar do Brasil veio nos 50 metros livre S4 (comprometimento físico-motor) com a mineira Patrícia Pereira. Na mesma prova, a carioca Lídia Cruz ficou com a prata.

Com estas medalhas o Brasil ocupa a 6ª colocação do quadro de medalhas da competição, com o total de 10 ouros, 12 pratas e nove bronzes.



EBC

Palmeiras goleia Sport e chega à semifinal da Copa do Brasil Feminina


Com uma goleada de 5 a 0, o Palmeiras derrotou o Sport, na noite desta quinta-feira (25) na Arena Barueri, e garantiu a classificação para a semifinal da Copa do Brasil Feminina.

As Palestrinas abriram o placar aos 38 minutos do primeiro tempo, com gol de cabeça após cruzamento de Raissa Bahia. Cinco minutos depois, Greicy aproveitou boa jogada de Taina Maranhão para ampliar. Antes do intervalo, Isadora marcou o terceiro do Palmeiras em gol de pênalti.

O quarto gol da equipe da casa saiu aos 14 minutos da etapa final, com chute colocado de Laís Melo. Aos 31 minutos Bahia tocou para Anny Marabá, que deu números finais ao marcador.

Quem também avançou na competição foi a Ferroviária, que, jogando no estádio Francisco Novelletto, em Porto Alegre, bateu o Internacional por 2 a 0 graças a gols de Nat Vendito e Sissi.





EBC

Toyota suspende produção no país após chuva destruir fábrica em SP


A Toyota suspendeu a produção em suas unidades no Brasil por causa de uma forte tempestade na última segunda-feira (22) que provocou danos na planta de Porto Feliz (SP), onde são produzidos os motores da marca de veículos.

Em razão dos danos na unidade de Porto Feliz, as fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, abastecidas pela planta de Porto Feliz e também localizadas no estado, interromperam as atividades.

“Em uma primeira análise, a retomada da planta de motores deverá levar meses e, considerando essa situação, a empresa está buscando alternativas de fornecimento de motores junto a unidades da Toyota em outros países, com o objetivo de retomar a produção de veículos nas plantas de Sorocaba (SP) e Indaiatuba (SP)”, disse a montadora, em nota.

Com a suspensão, a empresa afirmou que está em tratativas com os trabalhadores. A proposta é a suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff). Nesses casos, o trabalhador fica sem prestar serviços, sem receber o salário integral. O vínculo empregatício é mantido. 

Assembleia 

Os trabalhadores da fábrica de Sorocaba (SP) vão decidir, em assembleia virtual da categoria, a partir desta sexta-feira (25), se vão aceitar a proposta de layoff proposto pela empresa. Os funcionários terão até o dia 28 para deliberar sobre a proposta.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Metalúrgicas, Mecânicas, de Materiais Elétricos e Eletrônicos, Siderúrgicas, Fundidos, Automobilísticas, Autopeças e Aeroespacial de Itu, Porto Feliz, Boituva e Cabreúva disse, em nota, que a empresa assumiu o compromisso de manter os empregos de todos os trabalhadores de Porto Feliz, inclusive com a garantia dos benefícios já negociados.

Questionada sobre a proposta oferecida, a Toyota respondeu que “as propostas serão apresentadas a partir de hoje, para votação nos próximos dias e, assim que aprovadas, serão aplicadas de forma emergencial”.



EBC

Mega-Sena não tem ganhador no concurso 2.919; prêmio vai a R$ 80 mi


O concurso 2.919 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (25), não teve acertador das seis dezenas. Com isso, o prêmio acumulou para R$ 80 milhões. O próximo sorteio está marcado para sábado (27).

As seis dezenas sorteadas foram: 03 – 26 – 28 – 37 – 42 – 53

A quina teve 66 bilhetes premiados. Cada um receberá R$ 34.524,56. Os 4.131 acertadores da quadra terão o prêmio de R$ R$ 909,21 cada.

Para o próximo concurso da Mega-Sena, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) pelo aplicativo Loterias Caixa e no portal Loterias Caixa.

O jogo também pode ser feito nas casas lotéricas de todo o país. A aposta simples, com seis números marcados, custa R$ 6.




EBC

Marina Dias conquista bicampeonato no Mundial de escalada paralímpica


A brasileira Marina Dias conquistou, nesta quinta-feira (25), o bicampeonato da classe RP3 (atletas com limitações de alcance, força e potência) do Mundial de escalada paralímpica, que foi disputado em Seul (Coreia do Sul).

Na grande decisão, a paulista defendeu seu título ao alcançar a agarra 45, o suficiente para garantir o ouro. A americana Nat Vorel ficou com a prata (agarra 41), enquanto a japonesa Momoko Yoshida completou o pódio com o bronze, alcançando 38+ (quando o atleta ultrapassa a agarra 38 e inicia o movimento para a próxima).

“Esse bicampeonato era o meu objetivo desde o ano passado. Desde o título de 2023, não venci mais competições internacionais, mas me dediquei muito para chegar até aqui. Esse resultado é consequência do trabalho feito junto com minha equipe técnica, a quem agradeço muito”, declarou Marina.

Com o ouro da atleta paulista, o Brasil encerrou a competição com duas medalhas. A outra conquista foi a prata do paranaense Eduardo Schaus na classe AU2.





EBC

Capacitação de generalistas pode agilizar jornada do paciente, diz SBR


Desde criança, quando vivia na cidade de Ipupiara, no interior baiano, a artesã Regiane Araújo Pacheco, de 40 anos, sofria com muitas dores nos joelhos e no quadril. Isso a levou diversas vezes a procurar um clínico geral em sua cidade, que sempre receitava uma injeção para as dores que sentia. O diagnóstico, no entanto, só ocorreu quando ela já tinha 15 anos e decidiu ir a São Paulo buscar um médico especialista.

“Antes dos meus 15 anos, veio uma crise muito forte. Tive inchado no joelho, dormi e acordei com o quadril doendo tanto que me impossibilitava de andar. Nisso, eu fui para São Paulo, passei por um ortopedista e vários médicos, e nada de um diagnóstico firmado”, contou a Agência Brasil, ao participar do 10º Encontro Nacional de Pacientes, realizado em Salvador. Pouco tempo depois, ela foi finalmente indicada para um reumatologista e então obteve um diagnóstico de artrite reumatoide infantil.

Apesar desse diagnóstico, ela continuou sofrendo com muitas dores. Em 2008, buscou um especialista na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia. Entre diversas idas e vindas de sua cidade até Vitória da Conquista, finalmente ela conseguiu um diagnóstico para lúpus, doença para a qual ela faz tratamento até hoje.

Toda essa busca da Regiane por médicos para o diagnóstico e tratamento de sua doença é chamada de jornada do paciente. E, no caso dela, essa jornada foi extremamente longa: Regiane precisou enfrentar não só grandes distâncias para conseguir encontrar um médico especialista, como também levou anos para conseguir um diagnóstico e dar início ao tratamento.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez, um dos maiores desafios na área de saúde é exatamente conseguir diminuir a jornada dos pacientes, inclusive das pessoas que apresentam doenças reumáticas.

“Antes [de chegar] no especialista, há todo um trajeto que o paciente enfrenta. Por quantos médicos não especialistas ele [paciente] passou e que não suspeitaram ou que tiveram dificuldade para comprovar o diagnóstico [da doença], até que o paciente pudesse chegar na nossa especialidade? Então, quando a gente fala do programa Agora tem Especialistas, eu acho muito importante aumentar o número de especialistas [no país], mas eu acho muito mais importante que essa jornada do paciente seja encurtada”, defendeu ele.

Agora Tem Especialistas

O Programa Agora tem Especialistas é uma iniciativa do Ministério da Saúde e do governo federal que tem como principal objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos no Sistema Único de Saúde. Criada pelo governo federal, em parceria com estados e municípios, a iniciativa permite que as unidades de saúde ofereçam atendimento especializado a pacientes do SUS, colaborando para reduzir o tempo de espera da população por cirurgias, exames e consultas na saúde pública.

De acordo com o ministério, as ações desse programa visam a ampliar a oferta de serviços especializados de média e alta complexidade em seis áreas prioritárias: oncologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

Na quarta-feira (24), a medida provisória (MP) que criou o programa Agora tem Especialistas foi aprovada pelo Congresso Nacional. No plenário da Câmara dos Deputados, a MP teve 403 votos a favor, e foi aprovada por unanimidade no Senado. O texto agora segue para sanção presidencial.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a aprovação dessa medida provisória pelo Congresso “foi histórica” e vai dar “solidez” ao programa. “O Agora tem Especialistas busca enfrentar um problema que é o que a população mais sente hoje: o tempo de espera para atendimento especializado no Sistema Único de Saúde. As pessoas estão há meses ou anos esperando [atendimento especializado]”, disse ele.

“Esse programa traz inovações na legislação e permite que o governo federal possa estar mais próximo dos estados e municípios na oferta do tratamento especializado no país”, explicou o ministro a jornalistas na tarde desta quinta-feira (25), em São Paulo. “Uma outra coisa que o programa faz é levar cada vez mais médicos e especialistas e profissionais de saúde para regiões onde não temos médicos especialistas no nosso país. Queremos desconcentrar isso”, resumiu Padilha.

Melhorar atenção básica

Para o presidente da SBR, o programa do governo federal tem muitas qualidades. No entanto, ele defende que é preciso investir ainda mais na atenção básica, melhorando o atendimento e a formação dos profissionais que vão fazer o primeiro atendimento ao paciente.

“Se eu tivesse o cara da ponta, o da unidade de base da saúde, que desse uma resolutividade, o atendimento secundário ou terciário seria aliviado e se chegaria muito mais rapidamente naqueles casos que realmente precisam. E eu acho que esse é um grande desafio que a gente tem”, disse Martinez em uma entrevista coletiva concedida durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, que aconteceu entre os dias 17 e 20 de setembro em Salvador, na Bahia.

O presidente da SBR cita um exemplo: “Eu atuo no centro de uma região administrativa de Sorocaba. O meu paciente vem de Itararé (cidade paulista distante cerca de 243 km de Sorocaba). Algumas vezes, ele vem de transporte público. Ele sai às 02h da manhã e vem em um ônibus, com vários outros pacientes, e ele vai ser atendido às 13h. Ele é atendido e volta para Itararé. Aí, preciso marcar um retorno, e ele voltará daqui a seis meses ou um ano. Mas a solução seria que o médico que está lá [em Itararé] seguisse as diretrizes do SUS, ou seja, eu faço a contrarreferência e este médico segue [o tratamento deste paciente por lá]. O ideal seria usar a melhor a tecnologia [o que está previsto no atual programa do governo federal], mas seria necessário qualificar melhor o médico generalista na doença reumatológica. Assim, a jornada de um paciente com artrite reumatoide e lúpus para chegar no especialista ia ser muito mais rápida”, explicou.

Quem também concorda com Martinez é o médico reumatologista Valderilio Azevedo, membro da comissão científica de Biotecnologia da SBR. Para ele, se um médico generalista tivesse uma melhor formação, a jornada do paciente poderia ser encurtada.

“Tem muitas dessas doenças que você pode identificar precocemente e tratar ali [na atenção básica], sem que o paciente precise ir para o especialista”, disse ele. “Nem todo mundo precisa ir para um especialista. Se tivermos um generalista bem formado, identificando e tratando adequadamente e também encaminhando [o paciente] com qualidade, a gente diminuiria um pouco da jornada do paciente”, completou.

A médica Licia Maria Henrique da Mota, diretora científica da SBR, acredita que o problema maior está no referenciamento, encaminhamento de pacientes para um serviço mais especializado, e no contrarreferenciamento, retorno ao serviço menos especializado.

“Se eu tenho aquele paciente com artrite, e esse paciente está controlado e bem, precisando ser visto somente a cada três meses para checar uma série de exames complementares e a segurança do tratamento, ele não precisaria necessariamente voltar na minha unidade terciária”, ressaltou.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que tem “ampliado de forma consistente os investimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), considerada a principal porta de entrada do SUS”.

Por meio de nota, o ministério informou que “o orçamento da APS passou de R$ 35,3 bilhões, em 2022, para R$ 54,1 bilhões, em 2024, o que representa um aumento de mais de 50% nos recursos destinados ao fortalecimento desse nível de atenção. Atualmente, a cobertura da APS é estimada em 70% da população, com equipes atuando em Unidades Básicas de Saúde, Saúde da Família Ribeirinhas, Consultório na Rua e Atenção Primária Prisional”.

Ainda de acordo com o ministério, a Atenção Primária à Saúde não só trata de cuidado prestado por médicos de família e comunidade, como também “integra protocolos de qualificação profissional e ações voltadas ao acompanhamento de condições crônicas, contribuindo para reduzir o tempo de espera e encurtar a jornada do paciente até a Atenção Especializada à Saúde”.

* A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)



EBC

Menos da metade das escolas públicas está ligada à rede de esgoto


O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 apontou desigualdades na oferta de infraestrutura básica das escolas públicas nas diferentes regiões do país, incluindo acesso à água potável, energia elétrica, coleta de lixo, rede pública de esgoto, banheiros e cozinha. Elaborado pela organização Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna, o levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (25), chegando a sua 12ª edição.

Embora 95% das escolas públicas contem com os itens básicos de infraestrutura, há maior carência em dois itens: apenas 48,2% das unidades estão conectadas à rede pública de esgoto, e mais de 20% ainda não têm serviço de coleta de lixo.

No recorte por região, apenas 9,3% das escolas públicas no Norte e 30,8% no Nordeste têm rede pública de esgoto, enquanto o índice chega a 84,7% das unidades do Sudeste, 56,9% no Sul e 47,8% no Centro-Oeste. Mais da metade das escolas do Norte (54%) não tem coleta de lixo, enquanto quase todas as escolas do Sul (97,2%) contam com o serviço.

Para a gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Manoela Miranda, a ausência de infraestrutura básica, além de ser uma questão de dignidade, está diretamente ligada às condições de aprendizagem dos estudantes. Ela pondera que já houve muitos avanços no país quanto à educação, mas há regiões em que a situação permanece crítica.

“Três em cada dez escolas públicas no Acre e em Roraima não têm água potável, é uma situação difícil não ter nem água potável para os estudantes e gestores. Falta energia elétrica em um terço das escolas públicas no Acre e no Amazonas. E a falta de banheiro atinge um quarto das escolas públicas em Roraima”, apontou.

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Manoela ressalta que é preciso garantir condições mínimas para que a aula possa acontecer e os estudantes possam ficar na escola.

Na Região Norte, esses fatores operacionais são mais complexos e, segundo a especialista, é importante que as políticas públicas levem em consideração o chamado fator amazônico, ou seja, os custos logísticos e operacionais adicionais que a região impõe.

Equipamentos para ensino

Em relação à infraestrutura voltada à aprendizagem, o anuário mostrou que os equipamentos estão distribuídos de forma desigual também pelas etapas de ensino, além do recorte por região. As bibliotecas e salas de leitura, por exemplo, estão mais presentes em escolas públicas que oferecem os anos finais do ensino fundamental  (69,2%) e o ensino médio (86,5%) do que naquelas com turmas de anos iniciais (47,2%).

A presença de laboratório de informática foi registrada em apenas 27% das escolas públicas de anos iniciais do ensino fundamental, em 46,8% das de anos finais, e em 73% das unidades de ensino médio. Já os laboratórios de ciências estavam presentes em apenas 20,3% das escolas públicas de anos finais e, no ensino médio, em 46,9% das unidades.

“Eu destacaria também a mesma desigualdade [no recorte] regional. Se considerar as escolas de ensino médio que têm laboratórios de ciências na Região Norte, esse percentual cai para 40%. Tem estados como Roraima, com 22%, e Acre, com 21%”, disse Manoela.

Ela acrescentou que a defasagem não está só na infraestrutura básica, mas está refletida na infraestrutura voltada diretamente à aprendizagem dos alunos.

Na educação infantil, apenas 41% das escolas públicas tinham parque e 35,3% contavam com área verde dentro da unidade. O material pedagógico infantil chega a 69,6% das escolas.

Considerando o recorte regional, no Norte do país, parques infantis estavam presentes em 11,5% das escolas, área verde em 33% e material pedagógico infantil em 36,5%. No outro extremo do país, no Sul, os percentuais chegaram a 87,4% (parque), 60,6% (área verde) e 95,5% (material).

Aprendizagem

O anuário conclui que, “para que alcance plenamente seus objetivos, a educação pública de qualidade requer infraestrutura básica – como água potável, energia elétrica, banheiros, cozinha, coleta de lixo –, mas também deve dispor de equipamentos voltados ao ensino e à aprendizagem, como salas de leitura, laboratórios e recursos de tecnologia, incluindo acesso à internet.”

Apesar de 95,4% das escolas públicas contarem com acesso à internet, aponta o anuário, somente 44,5% são conectadas de acordo com parâmetros adequados para o uso pedagógico em sala de aula. O documento explica que a situação “limita o uso efetivo nos processos de ensino e aprendizagem”.

Segundo Manoela Miranda, no que diz respeito à aprendizagem, o país ainda tem um longo caminho a percorrer, especialmente quando se olha para o resultado de aprendizagem adequada em matemática e língua portuguesa no ensino médio.

O anuário mostra que apenas 4,5% dos jovens da 3ª série do ensino médio público tinham aprendizagem adequada em matemática e em língua portuguesa. Entre os jovens do 9º ano do ensino fundamental, esse percentual é de somente 13,3%, e, entre os alunos do 5º ano do ensino fundamental, chega a 37,2%.

“Quero destacar os avanços – especialmente em acesso à educação, conclusão, menor distorção idade-série –, por outro lado, quero destacar a importância desses dados e de se olhar para as desigualdades regionais, socioeconômicas e raciais que existem no país para avançarmos uma educação de qualidade com equidade”, disse.

Para a especialista, o anuário tem importância enquanto demonstração de evidências e base de dados para elaboração de políticas educacionais. “Atualmente, no Congresso [Nacional], tramita o Plano Nacional de Educação, que vai colocar metas e estratégias para o próximo decênio da educação brasileira. É muito importante olharmos para esses dados e os desafios que ainda existem para termos boas metas, ambiciosas mas realistas para a educação que queremos daqui a dez anos.”



EBC