Chefe de Segurança do Irã diz que não haverá negociação com Trump


Ali Larijani, chefe de Segurança do Irã, afirmou nesta segunda-feira (2), na Rede Social X, que o país não fará acordo com o presidente Donald Trump. “Não haverá negociação com os Estados Unidos”, escreveu ele.

A mensagem de Larijani vai na contramão do que disse Trump neste domingo (1), quando afirmou que o novo líder do país estaria interessado em negociar.

Larijani publicou outras mensagens na rede social e escreveu que “Trump traiu o ‘América Primeiro’ e adotou o ‘Israel Primeiro”.  Em outra postagem, o chefe de Segurança iraniano escreveu que o presidente norte-americano “puxou toda a região para uma guerra desnecessária e agora está devidamente preocupado com as mortes de norte-americanos. É muito triste ele sacrificar o tesouro e o sangue americano para avançar nas ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”.

O ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, que teve início no sábado (28), não deve parar tão cedo. Segundo o próprio Trump, as agressões continuarão até que os objetivos militares dos EUA sejam atingidos.

Trump também pediu que a Guarda Revolucionária iraniana entregue as armas sob o risco de “encarar a morte.”

Os bombardeios ao Irã causaram a morte do Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Hamenei. O ex-presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, também morreu.

 



EBC

Povo Parakanã, do Pará, reocupa território após retirada de invasores 


Dois anos depois da retirada de invasores da Terra Indígena (TI) Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã está reocupando os limites do território e fazendo planos para o futuro. Apesar disso, ainda enfrenta reflexos de anos de ocupação ilegal de produtores rurais e grileiros. O programa Caminhos da Reportagem mostrará, em sua edição desta segunda-feira (2), às 22h30, na TV Brasil, o trabalho dos órgãos governamentais para manter a TI Apyterewa livre de invasores e a organização dos Parakanã para manter o controle total de seu território. 

As ações de retirada dos invasores de terras indígenas, chamadas de desintrusão, foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023. Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro do mesmo ano.  


Território indígena Apyterewa (PA), 16/12/2025 - Povo Parakanã na Aldeia Apyterewa, onde acontece a ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Operações de desintrusão ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal onde vivem 60 mil indígenas – Foto Bruno Peres/Agência Brasil

De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, que coordenou o trabalho conjunto de 20 órgãos e agências federais, as operações de desintrusão ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal onde vivem 60 mil indígenas. Segundo Nilton Tubino, que esteve à frente das ações, o processo em Apyterewa foi o mais tenso de todos devido principalmente à interferência de políticos e fazendeiros que tentaram barrar a operação. 

“A grande pressão era a quantidade de gado. Nesse processo, foi construída uma vila que era utilizada próximo da base [da Funai]. No meio da terra tinha um posto de gasolina, vários comércios e igrejas”, explica Tubino. 

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), os mais de 2 mil não indígenas que viviam no território foram retirados logo nos primeiros meses e, em março de 2024, a TI foi simbolicamente devolvida aos Parakanã. 


Território indígena Apyterewa (PA), 16/12/2025 - Povo Parakanã na Aldeia Apyterewa, onde acontece a ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Povo Parakanã, na Aldeia Apyterewa, passa por ação de desintrusão feita de forma integrada por vários órgãos de governo – Foto Bruno Peres/Agência Brasil

Apesar de não haver mais não indígenas vivendo ilegalmente em Apyterewa, as ações das agências governamentais continuam, já que parte do rebanho bovino de fazendeiros locais ainda pasta dentro da TI. 

Embora a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada pelos próprios pecuaristas durante a desintrusão, ainda restaram cerca de 1.300 bovinos espalhados em 43 pontos do território, de acordo com monitoramento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).  

Uma equipe de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) esteve na TI Apyterewa em dezembro e acompanhou de perto o trabalho para manter o território livre de invasores e do gado ilegal. 

Na ocasião, a operação para a retirada de animais remanescentes no território terminou de forma trágica, com o assassinato de Marcos Antônio Pereira da Cruz, um dos 12 vaqueiros contratados pelo Ibama para ajudar a tocar a boiada. 

Marcos tinha 38 anos, morava na cidade de Padre Bernardo, em Goiás, e tinha um filho de um ano. A irmã mais velha, Luciane Pereira, lembra que “ele sempre falou que era perigoso, que lá no Pará era perigoso. Só que ele confortava a gente, a minha mãe principalmente, falando que ele estava acompanhado por policiais, por pessoas que iriam garantir a segurança dele lá.” 

No fim de janeiro, a Polícia Federal anunciou a prisão de um suspeito do assassinato e de atentados contra os indígenas, mas afirmou que as investigações seguem em sigilo.  

“A morte do Marcos não pode ficar impune e não ter nenhum responsável identificado nessa ação porque foi um ataque contra o Estado brasileiro, porque ele estava a serviço de uma determinação judicial”, declara Marcos Kaingang, secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). 


Terra Indígena Apyterewa (PA), 11/12/2025 - Mamá Parakanã, cacique-geral da Terra Indígena Apyterewa. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Mamá Parakanã, cacique-geral da Terra Indígena Apyterewa, que passa por processo de desintrusão – Foto Bruno Peres/Agência Brasil

No mês seguinte, o carro da associação Tato’a, que representa o povo Parakanã, foi cravejado de balas e o assessor que conduzia o veículo escapou pela mata. Os parakanãs vêm denunciando ameaças, tentativas de invasão e ataques de pistoleiros. Segundo Mamá Parakanã, cacique-geral da TI Apyterewa, ocorreram oito ataques às aldeias depois da desintrusão e um indígena chegou a ser baleado na perna. 

“A gente recebia e recebe até hoje muita ameaça. Mas a gente está firme aqui porque essa terra foi demarcada, homologada, registrada. Então essa terra é nossa. Não é do fazendeiro, não é do deputado, não é do senador”, afirma o cacique. 


Território indígena Apyterewa (PA), 16/12/2025 - Povo Parakanã na Aldeia Apyterewa, onde acontece a ação de desintrusão no território indígena Apyterewa, é realizada de forma integrada, com participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Ibama, Força Nacional, polícias Civil e Militar do Pará e da Agência de Defesa Agropecuária do estado.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Ação de retirada de invasores foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023 – Foto Bruno Peres/Agência Brasil

A área de 773 mil hectares, onde vivem cerca de 1.400 parakanãs, começou a ser demarcada no início dos anos 1990 e foi homologada em 2007. Mas continuou a ser invadida nas últimas décadas, principalmente por pecuaristas. Por causa da criação de gado ilegal, a terra indígena é a mais desmatada da Amazônia. Segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a derrubada da floresta atingiu o ápice em 2022, com 102 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento, e caiu mais de 90% após a desintrusão, chegando a 7,5 km² de desmatamento em 2025. 

Oaea Parakanã saía para caçar e voltava com as mãos vazias porque a destruição promovida pelos antigos ocupantes ilegais espantava os animais, mas já sente os efeitos positivos da retirada dos invasores. “Agora eu acho que está recuperando. Agora tem jabuti, porcão, dá pra gente ver mutum”, conta o indígena. 
 
“Positivamente, as desintrusões têm garantido que os povos indígenas consigam fazer a manutenção devida do seu território, principalmente na pauta de preservação, conservação e reprodução sociocultural”, afirma o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá.  O maior desafio, segundo ele, é a manutenção da presença estatal para garantir que os povos indígenas continuem em posse dos seus territórios, o que é um direito constitucional. 

Marcos Kaingang garante que as medidas de proteção aos territórios vão continuar e que o MPI vem fazendo interlocuções com outros órgãos para aumentar a segurança na TI Apyterewa. 

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou, em nota, que “está promovendo o reforço do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública na região, tendo reforçado a operação em dezembro de 2025 com o envio de efetivo especializado, incluindo profissionais com capacitação em pilotagem de drones, e prevendo novo reforço nos próximos dias, conforme as demandas operacionais”.


Terra Indígena Apyterewa (PA), 11/12/2025 - Wenatoa Parakanã, presidente da associação Tato'a, na aldeia Terra Indígena Apyterewa. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Wenatoa Parakanã, presidente da Associação Tato’a, na aldeia Terra Indígena Apyterewa – Foto Bruno Peres/Agência Brasil

Enquanto constroem um plano de proteção do território em conjunto com os órgãos governamentais, os parakanãs avançam na busca de parceiros que ajudem a reparar os danos causados pelos invasores e recuperar as matas perdidas.

Wenatoa Parakanã, presidente da associação Tato’a, diz que o próximo passo é fazer o reflorestamento. “Inclusive, as mulheres já receberam capacitação, como secar a semente, como plantar”, conta Wenatoa.

*A equipe da EBC viajou a convite do Ministério dos Povos Indígenas 



EBC

Fortaleza e Ceará ficam no empate na primeira partida da final


Fortaleza e Ceará ficaram no 1 a 1 na tarde desse domingo (1°), no Estádio Castelão, em Fortaleza, pelo jogo de ida da final do Campeonato Cearense, em partida transmitida ao vivo pela TV Brasil.

Os dois gols do clássico foram marcados quase no final do jogo. Aos 41 minutos do segundo tempo, Lucas Emanoel abriu para o Fortaleza. Só que, nos acréscimos, aos 46, Lucca empatou.

Com esse resultado, o vencedor da partida de volta (no dia 8, próximo domingo) será campeão do Estadual. Novo empate leva a decisão do título aos pênaltis.

No histórico, o Leão do Pici busca voltar a conquistar o estadual depois de três anos. O Vozão quer o tricampeonato e abrir vantagem sobre o rival no ranking de títulos estaduais. O Ceará soma 47. E o Fortaleza, 46.



EBC

Grupo dos Dez faz apresentação única de Madame Satã em BH


O Grupo dos Dez retoma os trabalhos em Belo Horizonte com uma apresentação única do espetáculo Madame Satã, neste domingo (01), às 20h, no Sesc Palladium. A volta aos palcos da capital mineira marca novo momento da companhia, que completa 15 anos de trajetória e reafirma o teatro negro como pilar fundamental da cultura brasileira.

Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã integra o projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e apresentação da Petrobras. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados, reunindo obras inéditas, espetáculos consagrados e ações formativas voltadas ao diálogo entre arte, memória e território.

Além da reapresentação de Madame Satã, a programação comemorativa inclui a estreia do novo espetáculo Afroapocalíptico, no dia 13 de março, no Palácio das Artes. 

A montagem parte da cosmovisão do congado mineiro para construir uma experiência artística imersiva, sensorial e política.

Como outros coletivos de teatro independente, o grupo enfrentou períodos de suspensão e incertezas após a pandemia. 

O retorno à cidade, que recebeu o espetáculo pela última vez em 2018, carrega o desejo de expandir fronteiras, descolonizar narrativas e reafirmar o teatro negro como elemento estruturante da produção cultural brasileira.

Co-diretor e dramaturgo do espetáculo e coordenador do projeto comemorativo, Rodrigo Jerônimo destaca o valor simbólico da retomada. 

“Chegar aos 15 anos significa olhar para trás e reconhecer tudo o que conquistamos, mas também reafirmar que nosso trabalho só ganha sentido quando é capaz de criar coletivamente e transformar realidades”, afirma.

Para a artista e diretora musical Bia Nogueira, a volta aos palcos consolida uma vocação que sempre esteve no centro da companhia: fazer da arte um meio de encontro, escuta e pertencimento. 

“Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o Brasil em toda a sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas”, diz.

Madame Satã é o terceiro espetáculo do grupo e se vale da biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com a crítica à homofobia, à transfobia e ao racismo. 


01/03/2026 - Espetáculo Mademe Satã aborda temas fortes como identidade, racismo, homofobia e transfobia com uma narrativa intensa e envolvente. Foto: Felipe Barbosa/Divulgação

Espetáculo Madame Satã aborda temas como identidade, racismo, homofobia e transfobia – Foto Felipe Barbosa/Divulgação

A obra também dá visibilidade a personagens historicamente empurrados para as margens da sociedade, ao abordar histórias que não se enquadram na heteronormatividade vigente.

Montado originalmente em 2014, o musical estreou em 2015 e permaneceu em circulação até 2019, com apresentações em diversas capitais brasileiras. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio Brasil Musical 2019, na categoria melhor espetáculo musical da Região Sudeste, e o Prêmio Leda Maria Martins 2017, como melhor espetáculo.

Rodrigo Jerônimo ressalta ainda que o espetáculo passa por atualizações ao longo de sua trajetória. Segundo ele, acompanhar a história de Madame Satã é aceitar um convite ao deslocamento e à escuta de narrativas que a sociedade insiste em marginalizar. 

“Apesar de discursos de ódio estarem impregnados em nossa sociedade desde os primórdios, é importante mostrar que os crimes permanecem impunes e continuam acontecendo no Brasil, como o assassinato do povo negro, indígena e LGBTs”, afirma.

Madame Satã é o único espetáculo de João das Neves ainda em cartaz entre mais de 40 trabalhos dirigidos pelo encenador.

Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro, inspirado nas tradições populares, africanas e indígenas. 


01/03/2026 - Espetáculo Mademe Satã aborda temas fortes como identidade, racismo, homofobia e transfobia com uma narrativa intensa e envolvente. Foto: Felipe Barbosa/Divulgação

Espetáculo Madame Satã volta aos palcos de Belo Horizonte e marca 15 anos do grupo – Foto Felipe Barbosa/Divulgação

Ao longo da trajetória, a companhia lançou luz sobre temas como a homoafetividade, os desafios enfrentados pela população negra, a luta das mulheres e o enfrentamento às opressões contra pessoas LGBTQIAPN+.

Além da produção de espetáculos, o grupo mantém iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura afro-indígena, como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, o Festival Imune e o Laboratório Editorial Aquilombô. As ações contribuem para a promoção da empregabilidade negra LGBTQIAPN+ no teatro, na literatura e na música.

Ao retomar as apresentações em Belo Horizonte, a companhia reafirma a importância do teatro negro como espaço de memória, formação, pertencimento e produção de novas narrativas, ao mesmo tempo em que projeta o futuro de um trabalho comprometido com a transformação social por meio da arte.



EBC

Buscas em Juiz de Fora estão encerradas; moradores seguem fora de casa


A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, estão encerradas. O corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras.

O número de mortos em decorrência das chuvas chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), segundo atualização da Polícia Civil do estado. Ao todo, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo 65 de Juiz de Fora e sete de Ubá. Uma pessoa continua desaparecida em Ubá, onde as buscas serão intensificadas.

A equipe da Agência Brasil esteve em Juiz de Fora na última sexta-feira (27). No bairro Paineiras, área de classe média com casarões antigos e prédios residenciais, moradores seguiam fora de casa após o deslizamento de terra que atingiu imóveis na noite de segunda-feira (23). A Defesa Civil orientou a retirada das famílias diante do risco de novos desmoronamentos, especialmente pela instabilidade na encosta do Morro do Cristo.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento de terra do Morro do Cristo, ocorrido durante a tempestade de segunda-feira, 23 de fevereiro, no Bairro Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Deslizamento de terra do Morro do Cristo atinge o Bairro Paineiras, em Juiz de Fora – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

O engenheiro civil Guilherme Belini Golver, atualmente desempregado, mora em um casarão na rua atingida, onde vive com os pais. Ele não estava em casa no momento do deslizamento, mas percebeu a gravidade da situação ainda durante o temporal : “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”, relatou. Guilherme saiu por volta das 22h10 para buscar a filha na faculdade. Cerca de 20 minutos depois, recebeu a ligação de um vizinho: “Quando ele chegou aqui fora, já estava essa tragédia toda. A terra invadindo a casa, dentro do portão, da garagem.”

Desde então, a família não pôde permanecer no imóvel.

“A Defesa Civil pediu para a gente sair porque não se sabe a gravidade, né? Não sabe se pode vir mais alguma coisa lá do Morro do Cristo.”

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Morador do bairro Paineiras, Guilherme Gouveia, ajuda na limpeza da lama trazida pelo deslizamentoto de terra, ocorrido durante a tempestade de segunda-feira, 23 de fevereiro, no Morro do Cristo.  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Morador do bairro Paineiras, Guilherme Gouveia ajuda na limpeza da lama trazida pelo deslizamentoto de terra no Morro do Cristo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ele tem retornado apenas para tentar limpar a lama e vigiar o imóvel, que ficou vulnerável após o impacto da terra : “Limpar, tentar acabar com esse lamaçal. E também ficar de olho na casa, que ficou vulnerável. Ficou aberta, a gente perdeu a tranca.”

O engenheiro lembra que, há cerca de 40 anos, pequenas pedras deslizaram da encosta, o que levou à instalação de contenções. “Mas isso há 40 anos, não foram pedras grandes. Foram pequenas”.  Apesar da experiência passada, ele admite o receio de novos episódios. “A cabeça da gente fica meio preocupada, aquele medo de acontecer de novo.”

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento de terra do Morro do Cristo, ocorrido durante a tempestade de segunda-feira, 23 de fevereiro, no Bairro Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Casas e apartamentos são atingidos por deslizamento de terra do Morro do Cristo no Bairro Paineiras, em Juiz de Fora – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Na mesma rua, um policial penal que morava ali há cerca de quatro meses, morreu durante o deslizamento. A poucos metros do casarão de Guilherme, três prédios residenciais alugados por uma mesma família também foram atingidos. Em um dos apartamentos mora o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos. Ele estava fora quando o desabamento ocorreu, por volta das 22h50.

“No momento eu tinha ido buscar minha irmã no serviço por causa da chuva. Quando curvei aqui para entrar  no prédio, já tinha caído tudo”, conta Barbosa.

Segundo ele, moradores precisaram improvisar uma rota de fuga entre apartamentos para escapar: “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Isso, salvamos todo mundo. Ninguém veio ajudar a gente. Eu e um policial militar que fizemos o caminho para salvar todos.”

Um vizinho, que trabalhava como policial penal , morreu no episódio. “A gente perdeu um policial do nosso prédio.”, lamenta Paulo.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento de terra do Morro do Cristo, ocorrido durante a tempestade de segunda-feira, 23 de fevereiro, no Bairro Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Chuvas em Juiz de Fora provocam deslizamentos de terra no Bairro Paineiras – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Desde então, os moradores aguardam autorização para entrar nos imóveis e retirar documentos e pertences. O acesso permanece interditado por risco estrutural :

“A gente quer pegar o básico, documento, roupa. A gente está sem nada, de favor na casa dos outros. A gente está usando roupa dos outros. Sem nada para comer.”

Paulo afirma que, até então, não havia um posicionamento formal sobre a situação dos prédios: “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro.”

Ele relata dificuldades para se alimentar e dormir desde a tragédia. “Desde o dia do acontecimento, eu não como, não consigo comer. Nem dormindo direito a gente está.”

Moradores também denunciam saques durante a madrugada nos imóveis interditados. “Porque de madrugada, quando o pessoal para de trabalhar, estão vindo roubar, saquear nosso prédio.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Deslizamento de terra do Morro do Cristo, ocorrido durante a tempestade de segunda-feira, 23 de fevereiro, no Bairro Paineiras. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Moradores denunciam saques nos imóveis interditados – Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Os deslizamentos no Paineiras atingiram dois pontos distintos, em ruas próximas. Em uma delas, onde ficam casarões e prédios de classe média, ocorreram danos estruturais e uma morte. Na rua seguinte, equipes de resgate atuaram intensamente após registros de vítimas e desaparecimento, incluindo o caso de Pietro, de 9 anos, encontrado no sábado.



EBC

Marcelo Melo é campeão do ATP 500 em Acapulco nas duplas


Marcelo Melo e Alexander Zverev comemoraram, na noite deste sábado (28), o título de duplas masculinas do ATP 500 de Acapulco, no México. Essa foi a primeira conquista do mineiro e do alemão juntos.

Na decisão, Melo e Zverev derrotaram o austríaco Alexander Erler e o norte-americano Robert Galloway por 2 sets a 0 ( 6/3 e 6/4 ) em 1h09min.

A conquista representou para Melo o 42º título na carreira em 80 finais.

 Bicampeão no Rio Open, no dia 22 deste mês, Melo trocou o saibro pela quadra dura para conquistar seu segundo ATP 500 em menos de uma semana, somando oito vitórias seguidas.

Com o título em Acapulco, ele voltará ao top 50 do ranking, devendo aparecer na 46ª colocação na próxima atualização.



EBC

Ato contra feminicídio inaugura mural em homenagem a Tainara em SP


Um ato contra o feminicídio marcou na manhã deste domingo (1º) a inauguração, na capital paulista, de um mural de mais de 140 metros em homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio, em novembro de 2025. A obra foi pintada por grafiteiras e artistas visuais. O ato inaugurou também a programação oficial do governo federal em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. 

O local do mural, na Marginal Tietê, no Parque Novo Mundo, zona norte da cidade, é o mesmo onde Tainara foi atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro do ano passado. Após a agressão, a mulher foi internada com ferimentos graves, precisou amputar as duas pernas e morreu em 24 de dezembro, em decorrência das lesões.


Sao Paulo (SP)-01/03/2026.  
Um ato no domingo em memória de Tainara Souza
Santos, de 31 anos, que morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo, irá marcar o início das mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres. 
Organizado pelo Ministério das Mulheres, o local escolhido para o ato é a Marginal Tietê, na zona norte da cidade de São Paulo, onde Tainara foi agredida, atropelada pelo ex-companheiro Douglas Alves da Silva e arrastada por mais de 1 quilômetro ao ficar presa ao carro dele, em 29 de novembro do ano passado. O ato contou com a presença das
ministras Márcia Lopes, Marina Silva , Sônia Guajajara e do Ministro Paulo Teixeira e a mãe Luciane ( mãe da vítima Taynara). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ato faz homenagem à memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo – Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

O ato contou com a presença de movimentos sociais, sindicais, moradores da comunidade do Parque Novo Mundo e parlamentares. Participaram também as ministras Márcia Souza, das Mulheres, Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

“A gente vai olhar para aquele muro pintado pelas grafiteiras e vai dizer: esse é o muro da restauração, da reparação, é o muro da transformação das nossas vidas, é o muro que vai ficar marcado neste território o que aconteceu como uma lição. Vamos ter a coragem de perguntar para cada menino, para cada menina, para cada jovem, para cada homem, o que está acontecendo?” disse Márcia Souza.

A ministra Marina Silva destacou a quantidade de mulheres assassinadas diariamente e reforçou a necessidade do combate ao feminicídio. “O que nós estamos fazendo aqui é um ato em defesa da vida, um ato em defesa da dignidade de todas as mulheres. A gente tem o assassinato de quatro mulheres por dia. São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”, afirmou.


Sao Paulo (SP)-01/03/2026.  
Um ato no domingo em memória de Tainara Souza
Santos, de 31 anos, que morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo, irá marcar o início das mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres. 
Organizado pelo Ministério das Mulheres, o local escolhido para o ato é a Marginal Tietê, na zona norte da cidade de São Paulo, onde Tainara foi agredida, atropelada pelo ex-companheiro Douglas Alves da Silva e arrastada por mais de 1 quilômetro ao ficar presa ao carro dele, em 29 de novembro do ano passado. O ato contou com a presença das
ministras Márcia Lopes, Marina Silva , Sônia Guajajara e do Ministro Paulo Teixeira e a mãe Luciane ( mãe da vítima Taynara). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ato em homenagem à memória de Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio em São Paulo, marca o início das comemorações do Dia Internacional da Mulher – Foto  Paulo Pinto/Agência Brasil

A mãe de Tainara, Lúcia Aparecida da Silva, prestou homenagem à filha e falou sobre a dor da perda. “Ela era uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim de um jeito que vocês mesmos viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo, um animal. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Gente, isso [o agressor] não é um ser humano”.

Mural

O mural de mais de 140 metros foi pintado por mais de 35 mulheres grafiteiras, coordenadas pelas artistas Katia Lombardo e Simone Siss. “Eu tive muito em contato com a família da Tainara, porque eu queria construir uma arte em conjunto com a dona Lúcia [mãe de Tainara]. Ela passa aqui todos os dias e eu fiquei pensando como que eu ia fazer”.

“Fiz a Tainara alegre, como ela me contou que ela era, coloquei os bottons ‘I love dance’ porque ela adorava dançar, os apaches [símbolos dos clubes] da Vila Maria, as mulheres da várzea. Então a gente está deixando uma mensagem de acolhimento para família e o mural com mensagens contra o feminicídio”, disse Siss.

Para Crica Monteiro, uma das autoras do mural, a mensagem principal da obra é o pedido para que as mulheres não sejam mortas. “Somos mulheres pintando nesse muro, um grupão de mulheres que se organizaram para fazer isso aqui. E significa a vida. Mantenha a gente viva para gente poder fazer as nossas coisas. E é também uma mensagem de amor e carinho para a mãe da Tainara porque elas moram aqui nessa região”.

* Matéria ampliada às 16h25 para acréscimo de informações sobre o mural. 



EBC

Netanyahu afirma que ofensiva contra o Irã será intensificada


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo (1º) que a ofensiva militar contra o Irã, iniciada no último sábado (28), vai ser intensificada.

“Nossas forças estão avançando no coração de Teerã com intensidade crescente, e isso só se intensificará ainda mais nos próximos dias.”

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã já deixaram centenas de mortos e feridos. Entre as vítimas, o Ministério da Educação do Irã inclui 153 meninas mortas e 95 feridas em um bombardeio aéreo a uma escola em Minab, no sul do país.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou neste domingo o lançamento de um ataque contra o território israelense e pelo menos 27 bases americanas na região do Oriente Médio.

Netanyahu reconheceu o custo humano do conflito para a população israelense, e citou ataques contra duas cidades do país: Tel Aviv e Beit Shemesh.

Benjamin Netanyahu classificou o momento como “dias dolorosos” e prestou condolências às famílias das vítimas. Por fim, desejou uma rápida recuperação aos feridos.

Queda do regime

O político israelense usou sua conta na rede social X para comentar os últimos desdobramentos da campanha militar contra o país persa.

“Acabei de sair de uma reunião com o Ministro da Defesa, o Chefe do Estado-Maior e o chefe do Mossad [Instituto de Inteligência e Operações Especiais de Israel]. Dei instruções para a continuação da campanha”, publicou o líder israelense.

O premiê destacou a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. “Ontem [28], eliminamos o ditador Khamenei. Juntamente com ele, eliminamos dezenas de figuras importantes do regime opressor.”

Aliança militar com os EUA

Em vídeo publicado, o mandatário israelense diz que tem mobilizado todo o poder das Forças de Defesa de Israel, “como nunca antes, para garantir a existência do país no futuro”. Além disso, ressaltou a parceria com os Estados Unidos e seu presidente, Donald Trump, a quem chama de amigo.  

“Essa combinação de forças nos permite fazer o que eu venho esperando fazer há 40 anos: atacar o regime terrorista em cheio. Eu prometi, e nós vamos cumprir”.



EBC

Guerra no Oriente Médio tem mais bombardeios e mortes neste domingo


Os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã desde a madrugada de sábado (28) seguiram neste domingo (1º), quando foram confirmadas mortes de autoridades do país persa, como o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Forças militares de Estados Unidos e Israel usaram perfis nas redes sociais para anunciar prejuízos impostos pelos bombardeios contra o país. 

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável por operações militares do país na Ásia Central e no Oriente Médio, afirmou nesta tarde, em publicação na rede social X, que a sede da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foi destruída. As informações não foram confirmadas pelo Irã.

O Centcom negou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln tenha sido atingido por mísseis do Irã, como havia divulgado a IRGC.

Também em redes sociais, o presidente Donald Trump disse que navios iranianos importantes foram afundados: “Acabei de ser informado de que destruímos e afundamos nove navios da Marinha iraniana, alguns deles relativamente grandes e importantes. Vamos atrás dos demais — em breve, eles também estarão no fundo do mar!”

Já as Forças de Defesa de Israel, em publicação no X, divulgaram que “todos os líderes terroristas de alto escalão do Eixo do Terror do Irã foram eliminados”. 

Bombardeios e mortes

Somente até a tarde de sábado (28), ao menos 201 pessoas foram mortas e 747 ficaram feridas no Irã. A informação é atribuída a um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho, organização civil humanitária. 

Neste domingo, o Ministério da Educação do Irã atualizou para 153 o número de meninas mortas no ataque de sábado a uma escola em Minab, no sul do país. Outras 95 alunas ficaram feridas. 

De acordo com a Al Jazeera, o Hospital Gandhi, no norte de Teerã, a capital do Irã, foi alvo de ataques aéreos israelenses e dos EUA.

“O Hospital Gandhi de Teerã foi atacado por ataques aéreos sionistas-americanos”, dizia a publicação. As agências de notícias Fars e Mizan publicaram um vídeo, supostamente gravado dentro do hospital, mostrando destroços no chão entre cadeiras de rodas vazias.

Do lado americano, o Centcom informou que três militares do país morreram e cinco tiveram ferimentos graves durante os ataques ao Irã. “Vários outros” se feriram sem gravidade e devem retornar ao conflito.

Segundo o serviço nacional de emergência médica e desastres de Israel Magen David Adom (MDA), ataques retaliatórios do Irã deixaram nove pessoas mortas e 28 feridas, sendo duas gravemente. 

Publicação das Forças de Defesa de Israel nas redes sociais afirma que mísseis do Irã foram disparados diretamente contra um bairro de Beit Shemesh, matando civis.



EBC

Caio Bonfim ganha prata em etapa mundial da marcha atlética na China


O brasiliense Caio Bonfim, de 33 anos, conquistou na noite do último sábado (28) a medalha de prata na meia-maratona da etapa Gold do circuito mundial de marcha atlética, disputada em Taicang, na China.

Com o tempo de 1h23min00s, Bonfim estabeleceu novo recorde brasileiro e sul-americano na distância de 21,097 km, que passará a integrar oficialmente o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

A prova substitui os tradicionais 20 km e marca uma nova era para a modalidade.

Duas semanas antes, em 15 de fevereiro, Bonfim já havia demonstrado que estava pronto para o desafio, ao alcançar o recorde sul-americano da distância no Campeonato Japonês de Meia Maratona, em Kobe, com 1h21min44s.

Em publicação nas redes sociais, o medalhista celebrou o resultado e destacou o simbolismo da conquista em solo chinês, tradicional potência da modalidade.

“As medalhas aqui são sempre muito lindas. Bom resultado pro Brasil. Em 2024, fomos medalha de bronze aqui. Hoje, o Brasil tem uma ótima prata, boa marca. É 1h23min. Encerramos nossa etapa aqui na Ásia. Um recorde brasileiro, sul-americano. Agora subimos no pódio. É um brasileiro contra 30 chineses. Então, obrigado a todos que participaram”, afirmou.

O atleta também agradeceu à equipe técnica, patrocinadores e apoiadores institucionais. “Obrigado ao Comitê Olímpico [do Brasil], à seleção brasileira, à Puma, ao CEL, à Caixa [Econômica Federal], à Secretaria de Esporte de Brasília. Obrigado a todos que torceram e acompanharam. Estamos juntos. Voltamos para casa agora com o Brasil”.



EBC