Lula sanciona, com vetos, reajuste salarial para cargos do Legislativo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou as leis que reajustam os salários e reestruturam as gratificações de servidores do Legislativo.

Lula vetou trechos que previam os chamados penduricalhos, que permitiriam o pagamento acima do teto constitucional, que hoje é de R$ 46.366,19.

Os textos, aprovados pelo Congresso Nacional, foram publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18): leis nº 15.349 (Câmara dos Deputados), nº 15.350 (Senado Federal) e nº 15.351 (Tribunal de Contas da União).

“A sanção parcial mantém recomposição prevista para 2026 e moderniza as carreiras. Foram vetados escalonamentos após o atual mandato, licença compensatória com possibilidade de indenização acima do teto e regras que contrariavam a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explicou a presidência da República, em comunicado.

Os chamados penduricalhos, que foram vetados, são os aumentos graduais nos salários de 2027, 2028 e 2029; pagamentos retroativos de despesas continuadas; e a criação de uma licença compensatória que previa dias de folga que poderiam ser convertidos em dinheiro no caso de atividades extras, como sessões noturnas, auditorias e plantões.

Lula também vetou regras que previam forma de cálculo semestral para aposentadorias e pensões.

Foram mantidos os dispositivos que estabelecem a recomposição remuneratória para 2026 nas três carreiras do Legislativo.

Além disso, foi criada uma gratificação de desempenho para os servidores efetivos tanto da Câmara quanto do Senado que vai variar de 40% a 100% sobre o maior vencimento básico. Ela substituiu a gratificação em vigor e está sujeita ao teto constitucional.

No caso do TCU, houve ampliação do número de cargos, elevação dos níveis de funções de confiança e a exigência de nível superior para todos eles. Os cargos efetivos nas três instituições ainda ficam reconhecidos como carreiras típicas de Estado, o que dá mais segurança jurídica a esses servidores.



EBC

BC decreta liquidação do Banco Pleno, presidido por ex-sócio do Master


O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. Anunciada nesta quarta-feira (18), em Brasília, a medida inclui nesse regime especial a Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliários – integrante do conglomerado prudencial Pleno.

Segundo a autoridade monetária, trata-se de conglomerado de porte pequeno, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno. Este conglomerado detém, de acordo com o BC, 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.

Banco Master

Anteriormente conhecido como Banco Voiter, o Banco Pleno integrava, até meados de 2025, o conglomerado financeiro do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero.

A operação investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal. Segundo as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

Pleno

O Banco Pleno é comandado por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master.

“A liquidação extrajudicial [do Banco Pleno e de sua distribuidora] foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, justificou, em nota, o BC.

Outras medidas podem ser tomadas pela autoridade monetária para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. Caso as suspeitas de irregularidades se confirmem, serão adotadas medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes.

Entre as medidas previstas está a indisponibilidade dos bens de controladores e administradores do conglomerado prudencial Pleno.



EBC

Rodízio de veículos volta a partir desta quinta-feira (19) em SP


O rodízio de veículos voltará a valer, na cidade de São Paulo, nesta quinta-feira (19), após suspensão durante o carnaval e a Quarta-feira de Cinzas.

A restrição de circulação vale para o centro expandido do município, de segunda a sexta-feira, das 7h às 10h e das 17h às 20h.

Eventualmente, a prefeitura suspende a medida em situações como feriados e greves de trabalhadores dos transportes.

Para cada dia da semana, há restrição conforme a numeração final da placa dos veículos. Às segundas-feiras, finais 1 e 2 não podem circular nos horários definidos; às terças-feiras, 3 e 4; quartas-feiras, 5 e 6; quintas-feiras, 7 e 8; e sextas-feiras, 9 e 0.




EBC

Maior Copa do Brasil da história inicia com recorde de clubes e jogos


A noite dessa terça-feira (17) foi marcada pelo primeiro dos 155 jogos previstos na Copa do Brasil deste ano. No Estádio Lourival Gomes, em Saquarema (RJ), a Desportiva venceu o Sampaio Corrêa-RJ nos pênaltis, por 3 a 1, após empate por 1 a 1 no tempo normal.

A Locomotiva Grená, como o time capixaba é conhecido, abriu o placar aos 24 minutos do segundo tempo, em chute forte de Tiago Moura. O empate dos anfitriões saiu aos 42, em penalidade cobrada pelo também atacante Octávio.

Na disputa por pênaltis, o Sampaio pecou na pontaria. O lateral Guilherme e os atacantes Matheus Goiano e Lecarlos desperdiçaram as cobranças, para alegria da torcida da Desportiva, que viajou mais de 470 quilômetros para empurrar o time em Saquarema. Foi a primeira vez que o clube avançou de fase na Copa do Brasil.

A vitória valeu R$ 830 mil ao time capixaba pela classificação. Somados aos R$ 400 mil da cota de participação, a Locomotiva já acumula R$ 1,23 milhão em premiações no campeonato.

A primeira fase reúne os 28 times classificados à competição que são os piores colocados no ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Onze partidas movimentam o torneio nesta quarta (18) e mais duas na quinta-feira (19). Confira os confrontos, no horário de Brasília:

Jogos de quarta-feira (18)

16h – Porto-BA x Serra Branca – Agnaldo Bento, em Porto Seguro (BA)

16h30 – Maguary x Laguna – Arthur Tavares, em Bonito (PE)

17h – Baré x Madureira – Canarinho, em Boa Vista

19h30 – Araguaína x Primavera-SP – Mirandão, em Araguaína (TO)

20h – Betim x Piauí – Arena Urbsan, em Betim (MG)

20h – Santa Catarina x Iape – Alfredo Krieck, em Rio do Sul (SC)

20h – Gama x Monte Roraima – Bezerrão, em Gama (DF)

20h – América-SE x Tirol – Batistão, em Aracaju

20h30 – Ji-Paraná x Pantanal – Biancão, em Ji-Paraná (RO)

20h30 – Ivinhema x Independente-AP – Saraivão, em Ivinhema (MS)

21h – Vasco-AC x Velo Clube – Arena da Floresta, em Rio Branco

Jogos de quinta-feira (19)

20h – Primavera-MT x Bragantino-PA – Cerradão, em Primavera do Leste (MT)

21h – Galvez x Guaporé – Arena da Floresta, em Rio Branco

Novo formato

A edição 2026 da Copa do Brasil reúne o número recorde de 126 clubes. O regulamento sofreu mudanças. Se até o ano passado as equipes com vaga na Libertadores e os campeões nacionais (Séries B, C e D) e das copas regionais entravam na terceira fase, desta vez a inclusão de novos participantes ocorre da segunda até a quinta fase, a última antes das oitavas de final, que é quando os 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro chegam para a disputa.

A definição de confrontos em jogo único, restrita anteriormente às duas primeiras etapas, foi estendida até a quarta fase. A partir dai, os duelos terão partidas de ida e volta, exceto a final, que será realizada, de maneira inédita, em apenas uma partida e campo neutro.

Aos 14 times classificados da primeira fase, serão incluídos outros 74, totalizando 88 clubes. A Desportiva, pela classificação na terça, terá pela frente o Sport. A partida está marcada para o dia 5 de março, uma quinta-feira, às 19h, no Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica (ES).



EBC

Quizomba leva ao Aterro do Flamengo conscientização sobre ecologia


O Bloco Quizomba arrastou uma multidão nesta terça-feira (17) de carnaval no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, com os temas Verde que te Quero Ver e o combate ao feminicídio.

O fundador e mestre de bateria André Schmidt explicou que o bloco quer conscientizar sobre a ecologia e recuperação dos biomas. 

“Nossa ideia é de levar para a avenida a necessidade de pensar o futuro do planeta”, disse.

Schmidt acrescenta que o outro tema é em parceria com o Levante Mulheres Vivas, que é contra a violência contra as mulheres e o feminicídio. 

“O carnaval é um teatro a céu aberto e como todo teatro a gente tem momentos de reflexão, ainda mais aqui no Brasil que o feminicídio só aumenta. Nós, homens, temos que nos conscientizar, temos que falar com outros homens, que têm que apoiar a pauta feminista”, ressaltou.

Dados do sistema judiciário mostram que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, uma alta de 17% em relação ao ano anterior.  

No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 medidas por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Bloco Quizomba desfila no Aterro do Flamengo, na Glória, região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Bateria do Bloco Quizomba durante desfile no Aterro do Flamengo – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A bateria com 160 integrantes é formada por alunos da oficina de percussão do Quizomba que acontece no Circo Voador. “O Quizomba é um bloco plural. Fomos um dos precursores da revitalização do carnaval carioca. A gente traz samba, axé, marchinha, samba reggae, rock, pop rock”, disse Schmidt.

Criado em 2001 no Rio de Janeiro a partir de uma oficina de percussão, o Quizomba nasceu da reunião de amigos com o objetivo de criar um bloco que levasse às ruas a diversidade musical brasileira em forma de festa.

A publicitária Patricia Lima toca tamborim. Ela conta que conheceu o bloco como foliã. “Eu me apaixonei pelo bloco e resolvi fazer a oficina há três anos. O que me atraiu foi o repertório com MPB, samba enredo, rock. É muito diversificado”. 

A professora Andreia Martins veio de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro para participar do bloco. É a primeira vez que passa o carnaval na cidade. 

“Tenho um amigo no bloco que toca surdo. Acho importante o grupo que toca tambor porque reforça nossa ancestralidade. Achei importante o tema da natureza, que está pedindo socorro. Tudo que faça uma ode à preservação ambiental é muito importante”, disse.



EBC

Calango Careta ocupa Brasília com alegorias, orquestra e arte circense


Um calango gigante saiu em cortejo, no fim da manhã desta terça-feira (17), ocupando a Asa Norte, bairro do centro de Brasília. A alegoria do animal típico do Cerrado – em verde, amarelo e vermelho – é a autêntica marca do bloco de Carnaval Calango Careta, desde 2015.

Diferentemente dos grandes blocos do Distrito Federal, que ficam em áreas isoladas como o Eixo Monumental e o Museu da República, o calango erguido e articulado por bambus, nos moldes do dragão do bloco de Olinda (PE) Eu Acho é Pouco, serpenteia para fazer um “carnaval de vizinhança”, ao lado de prédios residenciais. A regra é a coletividade.

A analista de sistemas Ana Bastos há 19 anos reside em Brasília e trouxe a filha Helena Louzada, de 16 anos, para aproveitar a festa.

A recifense confirma que a capital federal não deixa a desejar na hora da folia, mesmo que em uma escala menor, se comparada à de sua terra natal. “Os bloquinhos são uma delícia, há animação e tranquilidade.” 


Brasília (DF), 17/02/2026 -Carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Carnaval de rua do Bloco Calango Careta. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Mensagens

Para comunicar a preservação do Cerrado, o bicho é acompanhado por um enorme boneco de saruê, que muitas vezes é hostilizado por se parecer com um roedor.

Abaixo da estrutura, o bonequeiro voluntário, o educador social Gabriel Ballarini diz que adora dar vida à alegoria.


Brasília (DF), 17/02/2026 - Gabriel Balarine com sua fantasia de saruê participa do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Gabriel Ballarini veste fantasia de saruê. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“Basicamente, tenho que acenar para a galera e pular. Pesa um pouco, tem uns quatro quilos. Mas, estou me sentindo muito orgulhoso hoje.”

O bonecão desta espécie de gambá fez sucesso com o pequeno Rui, de 1 ano e quatro meses. Os pais dele escolheram fantasiá-lo de outro animal bastante recorrente no bioma, a capivara.

Pedro Tarcísio, que trabalha com design de produtos, conta que o filho ama a percussão e é influenciado pela mãe, uma musicista.


Brasília (DF), 17/02/2026 - Pedro Tarcísio com seu filho Bruno participam do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Pedro Tarcísio e o filho curtem o Calango Careta. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“Este é o nosso bloco favorito. Mostrar os instrumentos, os animais o deixam muito apaixonado por tudo isso.”

Estética

A estética do bloco é marcada por uma mescla de cultura popular e psicodelia das roupas de artistas com grandes asas, apeados em pernas de pau, acompanhados de palhaços, acrobatas mascarados e outros circenses que mostram a direção do cortejo ao público.

Apoiadora do grupo há um ano, Vanessa Cândida Rezende veio para o gramado munida de girassóis e um regador que despeja glitter em outros foliões.

“Tenho glitter no corpo, em casa, em todos os cantos. Essa é a alegria do carnaval que levaremos para o resto do ano e, por isso, estou aqui regando um jardim de glitter.”


Brasília (DF), 17/02/2026 - Vanessa Cândido participa do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Vanessa Cândido levou um regador de glitter. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Se em 2025, as homenagens à atriz Fernanda Torres, pelo filme Ainda Estou Aqui, se multiplicaram Brasil afora, em 2026, a esperança de uma nova estatueta do Oscar está registrada nas fantasias que remetem à outra produção brasileira: O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Inspiração que pautou um casal presente ao Calango: a jornalista Ana Chalub e o músico Luiz Bragança.

A jornalista estava fantasiada de Dona Sebastiana, interpretada pela atriz potiguar Tânia Maria, de 79 anos, com o plus de ter um cigarrinho fake sempre à mão. Ana Chalub explica que mirou nas cenas de carnaval do filme.

“O início já ocorre em um dia de carnaval e a gente achou que tinha tudo a ver com o momento político e por ser super favorável ao filme. Para a preparação da personagem, tive até que aprender a colocar bobs no cabelo curtinho.”


Brasília (DF), 17/02/2026 - Ana Chalub e seu compaheiro Luiz Brangaça participam do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Casal se inspirou no filme O Agente Secreto. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Já Luiz Bragança apostou na fantasia de orelhão, retratado tantas vezes nas ruas do Recife e de Brasília da década de 1970. A irreverência ganhou corpo com pedaços de boia do tipo espaguete e fita crepe. 

“O carnaval é o espaço de tempo para a gente tentar outras possiblidades e fazer algo que não está no nosso dia a dia. É o momento de celebrar a nossa cultura, nossa música”, festejou.

Sonoridade pede passagem

Sob as copas das árvores, o Calango tem fanfarra própria. Ali, é a Orquestra Camaleônica quem ditou o ritmo bem marcado pelo sopro dos trompetes, trombones, saxofones e potente percussão.

No repertório, muito ciranda, frevo, maracatu e hits da música popular brasileira (MPB). A canção Lucro, do grupo BaianaSystem, e Frevo Mulher, de Zé Ramalho, já viraram clássicos ecoados pelos foliões aos pulos.

Não há cordas ou abadás. A interação é bem próxima entre músicos e público, como a da estudante Mariana Junqueira Marini, de 15 anos, fantasiada de uma personagem do desenho Backyardigans.


Brasília (DF), 17/02/2026 - As amigas Mariana Junqueira (e), Isis Rocha (c) e Helena de Aragão (e), participam do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – As amigas Mariana Junqueira (e), Isis Rocha (c) e Helena de Aragão (e) participam do carnaval de rua. Foto:  Joédson Alves/Agência Brasil

“Minha mãe sempre me levou para o carnaval, mas eu não curtia muito. Agora, gosto mais porque venho com minhas amigas.”

Amiga que não economizou na tinta azul para ficar parecida com o personagem de infância, como conta Isis Frank Rocha, de 16 anos.

“Minha mãe ajudou a me pintar. Eu gosto de brincar no carnaval, de ser engraçada. Não é só para ficar bonita.”

Vibração sem idade

O Calango Careta mistura no mesmo espaço crianças pequenas, jovens e idosos.

Pela primeira vez, a performance do grupo fisgou a fisioterapeuta Gabriela Barcellos, grávida de 8 meses de Henrique. Os planos dela são de criar o filho curtindo o carnaval, ao lado da enteada de 6 anos, que vai ao bloco interessada em jogar espuma e confetes para cima.


Brasília (DF), 17/02/2026 - Gabriela Barcellos participa do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Gabriela Barcellos participa do Bloco Calango Careta. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“Aqui em Brasília, a cultura do carnaval tem aumentado bastante.”

Há anos, quem vem guiada pelo estandarte colorido do Calango é a aposentada Mara Carvalho. Aos 75 anos, ela trouxe para mais um carnaval a filha, o genro e o neto. A missão é perpetuar a tradição.

“Desde pequenininha, eu gosto muito de carnaval. Minha mãe, minha irmã, meu irmão, todo mundo brincava.”


Brasília (DF), 17/02/2026 - Mara Carvalho 75 anos participa do carnaval de rua no Bloco Calango Careta.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília (DF), 17/02/2026 – Mara Carvalho levou a família para manter a tradição de carnaval. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

A folia da dona Mara não terminou no Calango Careta. Nesta terça-feira, ela promete emendar pelas ruas de Brasília outro bloco, o Pacotão, famoso pela sátira política.

Calango Careta

Desde 2015, é tradição que o local de saída do Calango Careta às ruas seja divulgado horas antes do cortejo, para criar expectativa.

O Calango Careta também inspirou até fábulas escolares locais, como A Fábula do Calango Careta ou a Folia de Mil Dias, usada em escolas da Asa Norte para ensinar sobre cultura popular, pertencimento e ocupação pública.

Na sexta-feira (20), será exibido em sessão única no Cine Brasília o documentário Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval, que conta a história de um grupo de amigos que construiu um calango gigante para brincar o carnaval nas ruas de Brasília e se tornou um dos ícones da cidade. O bloco que virou movimento, a brincadeira que virou tradição.

 

>> Veja as imagens do Calango Careta

 



EBC

Bobsled: Brasil garante melhor resultado no trenó para dois atletas


A participação do Brasil nas disputas do trenó para dois atletas do bobsled (o chamado “2-men”) chegou ao fim nesta terça-feira (17) nos Jogos de Milão e Cortina, na Itália.

A dupla formada pelo baiano Edson Bindilatti e o paulista Luís Bacca terminou em 24º lugar, melhor colocação do país na prova em uma Olimpíada de Inverno.

O resultado supera em três posições o dos Jogos de Pequim, na China, em 2022, quando Bindilatti desceu a pista de gelo acompanhado pelo também paulista Edson Martins. Quatro anos antes, em PyeongChang, na Coreia do Sul, a dupla de xarás ficou em 29º lugar na estreia brasileira em disputa olímpica do 2-men.

Os brasileiros realizaram três descidas, sendo duas na segunda-feira (16) e uma nesta terça-feira. Para terem direito a uma quarta tentativa, eles teriam de finalizar a terceira entre os 20 melhores.

Eles melhoraram a marca em relação ao primeiro dia, mas ainda ficaram a 1s29 da dupla Martin Kranz e David Tschofen, do Liechtenstein, 20ª colocada, na somatória dos tempos.

O Brasil ainda tem pela frente o 4-men, que é a categoria do bobsled para quatro atletas e principal prova da equipe verde e amarela. Além dos integrantes do 2-men, compõem o quarteto o paulista Davidson de Souza, o Boka, e o carioca Rafael Souza. Este último, assim como Bindilatti, ajudou o trenó brasileiro a conquistar o 20º lugar em Pequim.

O quarteto inicia os treinos oficiais nesta quarta-feira (18). As duas primeiras descidas ocorrem sábado (21), a partir de 6h (horário de Brasília). As duas últimas no domingo (22), no mesmo horário. A disputa marca a aposentadoria de Bindilatti, piloto do trenó brasileiro, que participa, em Milão-Cortina, da sexta Olimpíada de Inverno da carreira.



EBC

Vini Jr marca golaço e denuncia caso de racismo em Liga dos Campeões


O atacante Vinícius Júnior denunciou ter sido vítima de racismo na vitória de seu clube, o Real Madrid, da Espanha, sobre o Benfica, de Portugal, por 1 a 0, pelo mata-mata da Liga dos Campeões da Europa. O episódio ocorreu logo após o brasileiro marcar um golaço no Estádio da Luz, abrindo o marcador em Lisboa, capital portuguesa.

Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini Jr recebeu do atacante Kylian Mbappé na esquerda e bateu da entrada da área. A bola fez um arco e acertou o ângulo do goleiro Anatoliy Trubin. O camisa 7 do Real Madrid festejou dançando em frente à bandeira de escanteio, próximo a torcedores do Benfica.

Os jogadores do time português foram tirar satisfações com Vini Jr, que recebeu cartão amarelo do árbitro François Letexier. Quando a confusão parecia encerrada, o brasileiro se dirigiu ao juiz reclamando que foi chamado de “mono”, termo em espanhol para macaco. Ele tinha acabado de discutir com Gianluca Prestianni, do Benfica. As imagens da transmissão de TV mostraram que, em certo momento, o atacante argentino colocou a camisa em direção à boca.

Após a denúncia de Vini Jr, o juiz ergueu os braços em forma de “X”, acionando o protocolo antirracismo e interrompendo o jogo. A paralisação durou cerca de dez minutos e jogadores do Real Madrid cogitaram deixar o gramado, mas não houve punição e o duelo foi retomado. O brasileiro passou a ser vaiado pela torcida do Benfica em todo instante que encostava na bola.

O gol marcado nesta terça isolou Vini Jr como segundo jogador brasileiro que mais balançou as redes na Liga dos Campeões. Ele chegou a 31 gols, superando o ex-meia Kaká, que atuou por Real Madrid e Milan, da Itália. O líder da estatística é o atacante Neymar, que marcou 42 gols por Barcelona, da Espanha, e Paris Saint-Germain, da França.

Com o triunfo por 1 a 0, o Real Madrid tem a vantagem do empate no duelo de volta do confronto, que dá vaga às oitavas de final. As equipes se reencontram na quarta-feira da próxima semana (25), às 17h (horário de Brasília), no Santiago Bernabeu, em Madri, capital espanhola.



EBC

Mocidade Alegre é campeã do Carnaval de São Paulo pela 13ª vez


A Mocidade Alegre é a nova campeã do Carnaval de São Paulo. A apuração dos votos dos jurados aconteceu nesta tarde de terça-feira (17) e a vitória veio após uma disputa acirrada contra a Gaviões da Fiel e a Dragões da Real.

A pontuação da campeã foi de 269.8 pontos. A Gaviões, vice-campeã, ficou com 269.7 pontos. A Dragões, terceira colocada, teve 269.6 pontos.

A Mocidade Alegre desfilou no Sambódromo do Anhembi na segunda noite com o samba-enredo “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra” destacou o papel da atriz Léa Garcia pela igualdade racial no país e sua trajetória como militante e liderança a partir do teatro e do cinema. Ela morreu em 2023, aos 90 anos de idade.

O desfile da Mocidade no Sambódromo do Anhembi fez referência a alguns dos principais trabalhos de Léa, como a a novela clássica Escrava Isaura, lançada pela Globo em 1976. Também foram citadas outras obras com a participação da atriz no cinema, como o filme Orfeu Negro, de 1959.

Com esta conquista, a Mocidade Alegre chega ao seu 13º título do carnaval de São Paulo. O último título da escola havia sido em 2024.

A Rosas de Ouro, campeã do Carnaval paulista de 2025, foi rebaixada. A escola foi penalizada e entrou no Sambódromo com meio ponto a menos. A Rosas conseguiu apenas 268,4 pontos, o que a levou para o Grupo de Acesso. A Águia de Ouro, com 268,2 pontos, também foi rebaixada.

A Acadêmicos do Tucuruvi, campeã do Grupo de Acesso deste ano, estará do Grupo Especial em 2027.

A Pérola Negra também sobe para o Grupo Especial. A escola terminou empatada com a Mancha Verde, ambas com 269,4 pontos, mas a Pérola levou a melhor no critério de desempate.



EBC

Mães ambulantes cobram pontos de apoio para crianças no carnaval


Ter algo gelado para beber no meio de um bloco de carnaval sob o sol escaldante na cidade do Rio de Janeiro pode ser um alívio. Os responsáveis por vender as bebidas em meio a multidões são os ambulantes, que circulam pela folia. 

Esses trabalhadores enfrentam condições precárias para se manterem horas sob o sol, longas jornadas e cuidar dos próprios filhos durante os dias de feriado. Sem escolas abertas e sem apoio de outros cuidadores, a solução de muitos é levar as crianças junto com o isopor.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Ambulante Taís Epifânio, com a filha de 4 anos.
Foto: Movimento Elas por Elas

 Ambulante Taís Epifânio com a filha de 4 anos. Foto: Movimento Elas por Elas

Essa é a situação de Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos. Ela mora na favela do Arará, na Zona Norte, e vai de ônibus, com bebidas e o carrinho para vender nos blocos da Zona Sul. Sua filha, de 4 anos, a acompanha. 

“Carnaval é quando a gente consegue ganhar mais dinheiro, é um evento grande, então, se eu não fizer isso, a gente não come, não bebe. E eu não posso deixá-la sozinha”, explicou. 

O filho mais velho, de 16 anos, fica em casa. “O que também me preocupa porque eu moro em comunidade”, disse, em função dos conflitos armados e do tráfico de drogas na região.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 – Lílian Conceição Santos não tem com quem deixar os filhos para trabalhar
Foto: Movimento Elas por Elas

Lílian Conceição Santos não tem com quem deixar os filhos para trabalhar Foto: Movimento Elas por Elas

No centro da cidade, Lílian Conceição Santos, de 34 anos, também carrega os filhos perto de si. Ela passa o dia com três filhos e sobrinhos, entre 2 e 14 anos, dentro da barraca. “O carnaval ajuda demais nas contas, não posso deixar de vir”, diz. 

Ela vende biscoitos, balas e bebidas, enquanto as crianças, em colchões no chão, refrescadas por ventiladores, estão com os olhos vidrados no celular. De noite, voltam para casa com a avó, que de dia ajuda nas vendas. 

“Aqui é precário. O banheiro que a gente usa é o bueiro, toma banho com água da polícia [do posto] e comida é na panela elétrica”, contou.

Apoio

O carnaval, que deve movimentar R$ 5,8 bilhões na economia do Rio, representa o maior faturamento do ano para os ambulantes e é considerado o décimo terceiro salário. Por isso, o esforço é necessário, de acordo com o Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Acolhimento aos filhos de ambulantes no Carnaval. .
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Espaço de colhimento aos filhos de ambulantes no Carnaval. oto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em busca de melhores condições para atuar, elas cobram apoio do poder público, com a instalação de espaços de convivência para os pequenos e para elas descansarem, de dia e de noite, em áreas centrais e, perto dos grandes blocos.

Neste carnaval, o Elas por Elas, em uma articulação com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), conseguiu, com a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura, um espaço para deixar as crianças de noite, mas somente nas noites de desfiles.

No local, as crianças de 4 a 12 anos fazem atividades lúdicas, descansam, tomam banho, recebem refeições e dormem com mais conforto enquanto os pais e mães fazem as vendas na rua. A unidade, que funciona entre 18h e 6h, recebe cerca de 20 crianças por noite.

Taís chegou a deixar sua filha no centro no primeiro dia, sábado (14), e contou que foi um alívio grande.

“Minha filha gostou, eu também entrei e achei um espaço super bacana, a minha filha, quando acordou, me contou que brincou, viu televisão, tinha cama, coisas que na rua, a gente não tem como dar”, disse a ambulante. “Estamos na luta para tentar ampliar o horário para atender as mães que trabalham de manhã”, completou.


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Luna Cristina Vitória Nunes Neves e Eduardo Vitor Nunes
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Luna Cristina e o filho Eduardo Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Vendendo churrasquinho quase em frente ao espaço das crianças, Luna Cristina Vitória, de 26 anos, também deixou os dois filhos, de 5 e 9 anos, lá, nos últimos dias. Ela mora na zona oeste e tem uma barraca próxima ao sambódromo. Os pais dela ajudam nas vendas e a solução foi aderir ao projeto. 

“Eles dão todo o suporte lá, as crianças jantam, tomam banho, dormem, saem umas 5h20, quando a gente já consegue pegar e levar para casa”, contou Luna. O seu filho, Eduardo Vitor Nunes Silva, de 9 anos, aprova. “Eu gosto mais de ficar no espaço que dá para desenhar”, disse ele, sobre a experiência domingo (15). 

Na segunda-feira (16), ele retornou para a família poder trabalhar. “Lá a gente come, brinca, dorme, tem uma televisão, é mais confortável”, completou.

Lílian Conceição, que trabalha no Largo da Carioca, gostaria que a prefeitura disponibilizasse esse tipo de serviço mais perto de onde está. “Lá na Sapucaí, é muito longe para mim. Mas se tivesse aqui, eu botava, porque senão, é só telefone (tela)”, lamentou.

Na avaliação das mães ambulantes, elas prestam um serviço ao carnaval carioca e recebem pouco apoio em troca. “Estamos falando de direitos nossos, como trabalhadoras, e das crianças”, disse Caroline Alves da Silva, umas das lideranças do Movimento Elas por Elas.

“No entanto, somos invisíveis. Faltam desde políticas públicas a itens básicos de proteção, como guarda-sol, blusa UV e chapéu”. Para ela, o lucro com o carnaval deveria prever benefícios para quem entrega os produtos ao público final. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Carol da Providência, vendedora ambulante
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 Caroline Alves da Silva, umas das lideranças do Movimento Elas por Elas Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A grande maioria das ambulantes no carnaval são mulheres negras, mães solo, que dormem embaixo de marquises”, disse Caroline.

“A gente faz parte [da economia do carnaval], a gente carrega cerveja, carrega carrinho pesado debaixo do Sol, nos blocos, na Sapucaí, mas somos invisíveis”. O movimento cobra mais diálogo sobre a organização do carnaval e a instalação dos pontos de apoio para elas e as crianças.

O vereador Leniel Borel (PP), publicou vídeos em suas redes sociais mostrando crianças e adolescentes trabalhando ou junto aos pais ambulantes à noite. Ele alerta também para abordagens de pedófilos e desaparecimentos. Nas imagens, conversa com os pais e cobra atuação da prefeitura. 

Ações de prevenção

A Secretaria Municipal de Assistência Social diz que faz ações permanentes e no carnaval com foco na prevenção de situações como o trabalho infantil, mas não deu detalhes. E destacou o espaço de convivência perto da Sapucaí.

“As nossas equipes circulam nos arredores da Sapucaí e oferecem o serviço, sempre que identificam a necessidade”, explicou a secretária Martha Rocha, em nota. “Os próprios ambulantes podem procurar os nossos profissionais, identificados com colete da SMAS, ou levar seus filhos e suas filhas direto ao espaço”, diz. 

O centro fica no Espaço de Desenvolvimento Infantil Rachel de Queiroz, em frente ao Edifício Balança Mas Não Cai.

Para aliviar o desgaste nos dias de trabalho, o Elas por Elas conseguiu que as ambulantes fossem incluídas, este ano, no Centro do Catador, perto da Sapucaí e a 15 minutos a pé do centro das crianças. 

“Não adianta a gente deixar os filhos dentro de um espaço seguro e ir dormir embaixo de marquise”, disse Caroline. “Tem algumas mulheres que trabalham no entorno da Sapucaí, mas, outras, só em bloco e dormem na rua”.

No Centro do Catador, que fica na Rua Viscondessa de Pirassununga, as ambulantes podem descansar, beber água, fazer refeições, tomar banho e pernoitar. 


Rio de Janeiro (RJ), 17/02/2026 - Casa do Catador 
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Casa do Catador ampliou o atendimento aos ambulantes Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Casa do Catador é uma iniciativa inédita da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima pensada para atender catadores de material reciclável. Muitos são oriundos de municípios da baixada fluminense e trabalham no sambódromo. No local, o atendimento às ambulantes foi ampliado com apoio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

A presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da casa, deputada Dani Monteiro (PSol), sabe da limitação do espaço, longe dos blocos. Mas disse que, mesmo assim, há um reconhecimento do papel das trabalhadoras no carnaval. 

“Garantir água, cuidado e um espaço digno é reconhecer que direitos humanos também são renda, saúde e respeito para quem mantém a cidade de pé no dia a dia e nas grandes festas”, disse, em nota. 

A prefeitura não comentou as críticas sobre o fornecimento de equipamentos de proteção aos ambulantes e a necessidade de ampliação do horário do centro de convivência para as crianças. 

Em 2026, a prefeitura limitou o credenciamento a 15 mil ambulantes, embora cerca de 50 mil tenham se cadastrado. Nas contas do movimento, é esse o número de trabalhadores pelas ruas.



EBC