Bloco do Amor faz carnaval respeitoso e livre de preconceitos no DF


Aceitar as diferenças é algo revolucionário. Por ser um espaço em que as diferenças podem conviver, o carnaval carrega consigo esse potencial revolucionário que, em passos de formiga ou na velocidade da luz, pode trazer a paz que todos merecem. É com esse pensamento que, ao longo de 11 anos de história, o Bloco do Amor vem ganhando cada vez mais espaço na capital do país.

O bloco, que ano passado chegou a ter um público de quase 70 mil pessoas segundo os organizadores, juntou novamente o público neste sábado de carnaval nos arredores da Biblioteca e do Museu Nacional.

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com o propósito de ocupar o centro de Brasília com manifestos político-poéticos de respeito, diversidade e afeto coletivo. Tudo com muita cor e glitter.

Trata-se, segundo os organizadores, de uma das celebrações mais emblemáticas e afetuosas do carnaval de Brasília, em uma mistura de nostalgia e celebração que espalhou um mar de brilho no centro de Brasília.

Sonhar como ato de existência

Na edição de 2026, o bloco veio com o lema Sonhar como Ato de Existência, proposta que enxerga o sonho e a alegria como ferramentas de resistência e de transformação social.

Com o público extremamente plural da comunidade LGBTQIAPN+, o bloco se apresenta como um território livre de preconceitos, onde a folia está presente de forma respeitosa.

“A diversidade está presente, inclusive, na variedade de ritmos que empurram os foliões, indo do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e pelo forró”, explicou à Agência Brasil a coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena.


Brasília (DF), 14/02/2026 –   A coordenadora do Bloco do Amor, Letícia Helena fala com Agência Brasil.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Letícia Helena conta que a diversidade está presente inclusive na variedade de ritmos do bloco- Valter Campanato/Agência Brasil

A edição 2026 integra a Plataforma Monumental, uma estrutura montada para comportar diversos eventos ao longo de quatro dias.

Amor na cidade

Produtora cultural, cantora, figurinista e formada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), Letícia Helena explica que o Bloco do Amor surgiu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”.

“Nascemos de um trabalho voluntário na Via S2 do Plano Piloto, onde havia muitos profissionais que vendiam amor. Foi ali a primeira edição do bloco. Como cresceu muito, o espaço não comportava mais o público, mudando para a área externa do Museu Nacional de Brasília”, acrescentou.

Segundo ela, são 11 anos de folia curtida com respeito, usando da comunicação para passar, ao público, mensagens sobre aceitação e bom convívio na diversidade.

“Percebemos, ao longo desses anos, muitas coisas melhorando. Isso está nas estatísticas. Para você ter uma ideia, o número de casos de assédio eram muito grandes no começo. Mas em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidadde de registros de violência e assédio contra mulheres”, comemora a coordenadora do bloco

Segundo ela, muito disso se deve ao trabalho de preparação que é feito com a equipe de produção. “Temos até protocolos indicando como agir nas mais diversas situações”.

Bloco do coração

A poucos metros do palco, onde diversos dançarinos expressavam, em seus movimentos, toda as sensações provocadas por um ritmo eletrônico bem diferente daquelas músicas tradicionais do carnaval, Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, diziam que o Bloco do Amor era o bloco dos corações do casal.


Brasília (DF), 14/02/2026 – O casal Fernando Franque e Ana Flávia Garcia fala com Agência Brasil, durante apresentação do Bloco do Amor no museu da republica.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Fernando Franq e Ana Flávia Garcia dizem que o Bloco do Amor é o bloco do coração deles – Valter Campanato/Agência Brasil

“É um ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”, disse Fernando.

Ana Flávia acrescenta que, além de muito musical, o Bloco do Amor é seguro e sem preconceitos. “É um ambiente reverberado por pessoas apropriadas do próprio corpo. Aqui, todos são aceitos”.

Por esse motivo, ela reitera que, em sua essência, o carnaval é revolucionário, quando agrega respeito e aceitação ao pensamento coletivo.

“Note que temos uma juventude que já percebe a importância de um ambiente tranquilo por ser respeitoso, onde a nudez pode e deve ser respeitada, livre de assédios e preconceitos”, argumentou.


Brasília (DF), 14/02/2026 – A biologa Clarice Pontes fala com Agência Brasil, durante apresentação do Bloco do Amor no museu da republica.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Clarice só quer amor e curtição no primeiro carnaval que aproveita em Brasília – Valter Campanato/Agência Brasil

Primeiro carnaval

Uma dessas jovens mencionadas pela foliã é Clarisse Pontes, 22, recém formada em Biologia. “É a primeira vez que vou a um bloco de carnaval”, confessa a bióloga que trabalha, também, como babá.

Ela diz que sempre ouviu muitas histórias relacionando carnaval a bebidas e dança, mas que o que espera ter é “muita paz e curtição”, neste bloco tão associado a aceitação e respeito à diversidade.

 

 

“Penso que, como disseram aqui, os espaços de Brasília são de todos, com todos, para todos. Que a gente tenha um carnaval de muita diversidade e respeito.

Com um currículo de quatro edições de Bloco do Amor, o estudante Alasca Ricarte, 23, explica que a fantasia dele mistura o mito grego de Dionisus com a bandeira da bisexualidade.

Para Alasca, o carnaval é uma oportunidade para as pessoas se mostrarem de uma forma mais verdadeira. “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”, disse.


Brasília (DF), 14/02/2026 – O estudante Alasca Ricart fala com Agência Brasil, durante apresentação do Bloco do Amor no museu da republica.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Alasca vê o carnaval como um momento de liberdade e aceitação- Valter Campanato/Agência Brasil

Na avaliação do estudante de design da UnB, o mundo tem conseguido avançar no sentido da aceitação das diferenças, “ainda que haja forças atuando sempre no sentido inverso”.

O estudante lamenta que Brasília ainda seja um lugar onde pessoas conservadoras e preconceituosas tentam desmanchar o carnaval e a liberdade que ele representa.

“A cidade é um verdadeiro palco de disputas por espaço, entre habitantes com ideais diferentes sobre o uso do espaço. Percebo que, quanto mais tenso o embate, mais difícil é o debate sobre aceitação. O que garante os avanços é exatamente a nossa resistência. As pessoas têm de entender que, mesmo sendo um quadrado pequeno, Brasília é para todos”, argumentou.

Respeito à liberdade

Foi também em busca de um carnaval onde homens e mulheres se respeitam que a estudante Ana Luíza, 25, optou pela folia no Bloco do Amor. “Ví muito, em outros blocos, mulheres sendo desrespeitadas por homens. A meu ver, carnaval, para ser bom, tem de ser curtido com respeito à liberdade”, disse

“Vim aqui porque gosto desse ambiente de aceitação, e aceitação significa, também, segurança. Este é um bloco mais tranquilo, que tem como lema o amor e o convívio entre pessoas que buscam a alegria do carnaval”, disse à Agência Brasil a estudante.


Brasília (DF), 14/02/2026 – A família Ricardo Mauricio com sua esposa e filha fala com Agência Brasil, durante apresentação do Bloco do Amor no museu da republica.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ricardo Maurício quer que a filha compreenda a riqueza das diferenças- Valter Campanato/Agência Brasil

Acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, Ricardo Maurício, 41, diz que conversa muito com a filha sobre a questão da diversidade. “Sempre trabalhei esse tema da diversidade com a minha família, até porque temos uma família diversa”, disse.

“Respeitamos diferenças e vivemos na diversidade de um mundo que é grande e diverso. Quero que minha filha saiba disso, e que compreenda a riqueza das diferenças. Ela está acostumada com isso, até porque convive com casais gays e trans. Para ela, a diversidade já é algo trivial”, complementou.



EBC

Nicole Silveira alcança melhor resultado olímpico do Brasil no gelo


A gaúcha Nicole Silveira atingiu o melhor resultado olímpico da história do Brasil em provas de gelo. Neste sábado (14), a brasileira concluiu a disputa do skeleton nos Jogos de Inverno das cidades italianas de Milão e Cortina na 11ª colocação. São duas posições à frente do que a própria atleta obteve em 2022, na edição de Pequim, na China.

No skeleton, os atletas encaram uma pista de gelo a bordo de um trenó individual, de bruços e com a cabeça para frente, após largarem de pé. A velocidade pode superar os 140 quilômetros por hora (km/h). Ao todo, são quatro descidas, sendo duas em um dia e duas em outro. Vence o competidor com a menor somatória de tempo.

Ao todo, Nicole cravou o tempo de 3min51s82, ficando a 42 centésimos de um top-10. Na sexta-feira (13), a primeira descida foi feita em 57s93 e a segunda em 57s85. Neste sábado, a gaúcha inicialmente completou o percurso no gelo em 58s11. Na quarta e última descida, ela repetiu a marca da primeira (57s93).

A medalha de ouro foi para a austríaca Janine Flock, com somatória de 3min49s02. Ela ficou 30 centésimos à frente da alemã Susanne Kreher, campeã mundial em 2023, que levou a prata. Outra competidora da Alemanha, Jacqueline Pfeifer, ficou com o bronze. A belga Kim Meylemans, esposa de Nicole, foi a sexta colocada.

Considerando resultados femininos em gelo e neve, o feito de Nicole fica atrás apenas do nono lugar da carioca Isabel Clark nos Jogos de Turim, na Itália, no snowboard cross, em 2006. Este também era o melhor desempenho do país em uma Olimpíada de Inverno até Lucas Pinheiro Braathen, norueguês de nascimento, que decidiu representar o Brasil de sua mãe, ser ouro na prova do slalom gigante neste sábado.

Nicole, de 30 anos, nasceu em Rio Grande (RS), mas se mudou aos sete anos para Calgary, no Canadá, onde conheceu o skeleton. Além de atleta de alto rendimento, a gaúcha, que chegou a treinar fisiculturismo, atua como enfermeira. Em 2020, em meio à pandemia da covid-19, ela falou à Agência Brasil sobre o dia a dia nos hospitais em que trabalhava à ocasião, um deles infantil.



EBC

Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval em Brasília


No início, era apenas um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico cruzando as ruas da cidade onde diziam que “não tinha carnaval”. Inspirado nas aparelhagens do Pará, neste sábado (14), o Aparelhinho completa 15 anos consolidado não apenas como um bloco, mas como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público na capital federal.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, disse o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília, nesta sexta-feira (13).

“Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”, contou Ops.

 


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, os Djs,  Rodrigo Barat (e) e Rafael Ops (d).
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, os Djs, Rodrigo Barat (e) e Rafael Ops (d) – Joédson Alves/Agência Brasil

 

O DJ explicou que o primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Na época, era estudante de artes cênicas na UnB e fez o primeiro projeto em parceria com o arquiteto Gustavo Góes.

“Ele não surgiu como um trio elétrico, como um palco, ele surgiu como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir em calçada, ele vai para onde a gente imaginar. Era simplezinho, com quatro caixinhas de som ativas. Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. Já de cara, a cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou.

Ao longo dos anos, o carrinho elétrico evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante com as cores do bloco: azul e laranja. Os organizadores explicaram que já teve carrinho de madeira, de ferro, foi online na pandemia, foi charrete, foi trio e já foi carreta.


Brasília 14/02/2026  -Evoluçaõ do Bloco Aparelhinho.
Foto: bloco.aparelhinho/Instagram

Evolução do Bloco Aparelhinho – bloco.aparelhinho/Instagram

Há alguns carnavais, o Aparelhinho sai às ruas com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, em 2026, tem cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul,  desainer Bruna Daibert
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Bruna defende a importância de formar novos públicos carnavalescos para que a folia possa dominar a cidade uma vez por ano – Joédson Alves/Agência Brasil

A publicitária Bruna Daibert frequenta o bloco desde a primeira edição, em 2012, e resume: “amo muito o carnaval. Enquanto o Aparelhinho sair, eu vou também”. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, explicando que a filha, hoje com 16 anos, se diverte no bloco desde criança.

“Acho muito importante a gente formar esse novo público de carnavalescos, pra gente se fixar cada vez mais e o carnaval ocupar, inclusive, o meio das quadras [residenciais]”.

Bruna se referiu à disputa entre os que querem a festa popular em todos os espaços e aqueles que defendem a concentração dos blocos em lugares fixos, em razão do barulho e da sujeira.

Em 2023, por exemplo, o bloco Galinho de Brasília, um dos mais tradicionais da capital federal, cancelou o desfile diante da restrição de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul. Hoje, o bloco de frevo se concentra no Setor de Autarquias Sul.

“Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”, completou Bruna.

Música eletrônica

Arrastando os foliões pelo Setor Bancário Sul de Brasília, o aniversário do bloco contou com um repertório de músicas elaborado pelos DJs fundadores – Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata – além dos convidados Biba e Mica e Pororoca DJs, com Emidio e Leroy. “A gente toca música do mundo”, disse Barata, também em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília.

Barata contou que a linguagem sonora é de base eletrônica e passa por remix de músicas dos carnavais brasileiros, dos frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, até rock and roll e música eletrônica de várias vertentes.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, Iago Roberto.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Iago Roberto diz que o carnaval brasiliense não o decepcionou – Joédson Alves/Agência Brasil

É o primeiro carnaval do cozinheiro Iago Roberto e a festa, para ele, não decepcionou.

“Não escuto [música eletrônica] no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, disse.

 

Mais novo, Iago contou que priorizava o trabalho e os estudos e, após três anos morando fora do Brasil, voltou com vontade de conhecer o carnaval de rua. “Amo Brasília. Estava com expectativa alta e está atendendo”, afirmou.


Brasília (DF), 14/02/2026 - Carnaval de rua Bloco Aparelhinho no setor bancário sul, dentista Fabiana Montandon .
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Fabiana Montandon encontrou desafios nas ruas do Setor Bancário Sul – Joédson Alves/Agência Brasil

O Aparelhinho é promovido como um espaço democrático e inclusivo e também recebe foliões infantis e pessoas com dificuldade de locomoção.

Mas a dentista Fabiana Montandon encontrou desafios pelas ruas do setor bancário. “Bastante buraco na pista, a calçada não tem rampinhas pra descer e o banheiro é pseudo-acessível”. Ela acompanha o Aparelhinho há 10 anos e, neste ano, mesmo com a perna imobilizada, estava no bloco.

“Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, disse.

 

“Gosto bastante de música eletrônica, o Aparelhinho é bem diverso, toca música moderna, dos anos 80, eu adoro esse bloco”, afirmou.





EBC

Lula parabeniza Lucas Pinheiro por ouro inédito nos Jogos de Inverno


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou neste sábado (14) a medalha de ouro conquistada pelo brasileiro Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante, modalidade esportiva dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Para Lula, o resultado inédito conquistado pelo atleta demonstra que o esporte brasileiro “não tem limites”.

“É o reflexo de talento, dedicação e do trabalho contínuo de fortalecimento do esporte em todas as suas dimensões”, completou, ao citar que Lucas e toda a equipe envolvida na conquista inspiram novas gerações e ampliam o horizonte do esporte nacional.

Entenda

O slalom gigante consiste em duas descidas em um percurso com mastros fincados na neve, as chamadas portas, separadas por cerca de 25 metros. O esquiador deve passar entre eles. Vence quem obtiver a menor somatória de tempo.

Nascido em Oslo, capital da Noruega, mas de mãe brasileira, Lucas realizou as descidas em 2 minutos e 25 segundos, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata. O bronze também foi para um atleta da Suíça, Loic Meillard.

Lucas assumiu a liderança na primeira descida, ao concluir o percurso em 1 minuto, 13 segundos e 92 milésimos. Apesar de fazer apenas o 11º melhor tempo na descida seguinte (1 minuto, 11 segundos e 8 milésimos), a marca foi suficiente para o brasileiro se manter à frente dos suíços.

 





EBC

Caso de Itumbiara acende alerta para violência vicária; entenda


Em meio aos mais diversos tipos de violência contra a mulher registrados todos os dias no Brasil, um caso no interior de Goiás trouxe à tona uma modalidade pouco conhecida ou, pelo menos, pouco comentada: a chamada violência vicária, que ocorre quando um homem machuca ou mata pessoas íntimas de uma mulher com o objetivo de puni-la ou de atingi-la psicologicamente.

Na última quarta-feira (11), o secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência onde morava e, em seguida, tirou a própria vida. Um dos meninos, de 12 anos, morreu antes que pudesse ser socorrido. O irmão mais novo, de 8 anos, foi levado ao hospital em estado gravíssimo, mas morreu horas depois. 

Em entrevista à Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, descreveu o conceito de violência vicária como uma situação em que o agressor ofende e cria situações de dor e até morte para atingir pessoas que têm relação de afeto com a vítima, principalmente filhos, mas também mães e mesmo animais de estimação.

“Na maioria das vezes, são utilizados crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe – que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe. É como se ela recebesse a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”, explicou.

Estela lembrou que, no caso de Itumbiara e na grande maioria dos demais casos, o agressor constrói ainda uma narrativa em que se coloca como vítima e responsabiliza a companheira pelo ocorrido. Antes de atirar contra si mesmo, Thales Machado postou, nas redes socias, uma carta em que cita uma suposta traição por parte da esposa e uma crise conjugal.

“Ele executa os filhos e constrói, antes de morrer, por meio de narrativas, a responsabilização da esposa. E ainda coloca sobre ela a responsabilidade da morte, da execução que ele cometeu, porque estava sendo rejeitado e o relacionamento amoroso já não correspondia ao que ela desejava para a vida dela”, detalhou a secretária.

“O mais grave dessa situação é que há manipulação. O assassino e também suicida construiu uma narrativa para culpabilizar a vítima que, neste caso, é a mulher. Ela teve os filhos assassinados, teve a imagem dela e a história dela expostas e a responsabilidade, na tragédia, pela narrativa social e pelo machismo, sobrecai nela”, disse. “Esse tipo de violência tenta penalizar a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. E o crime cometido é escolha de quem mata. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher”, completou.


Brasília 14/02/2026  - secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra.
Foto: Ministério das Mulheres

Secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, diz que na violência vicária agressor constrói ainda narrativa em que se coloca como vítima – Foto Ministério das Mulheres

Segundo Estela, casos de violência vicária são muito comuns no Brasil, mas pouco falados.

“Esse tipo de violência é sistemático, acontece no dia a dia. Vai de situações sutis até situações mais explícitas, como essa em que o homem executa os próprios filhos”.

Ela citou outro caso recente de violência vicária registrado no país, em que um servidor da Controladoria-Geral da União (CGU) agride o filho e a ex-companheira.

“Na cena em que vemos um servidor da CGU atacar uma criança e a mulher, ele ataca primeiro a criança. A mulher tenta proteger a criança e ele ataca também a mulher. Ele bate na criança e na mulher. Quando a mulher se livra, ele ataca a criança novamente. Então, atacar o filho, a mãe e até os animais domésticos ou maltratá-los é uma coisa cotidiana, que acontece em situações de violência doméstica.”

“Há uma cultura muito machista presente no Brasil e no mundo. Há uma assimetria de gênero muito forte, potencializada em várias áreas, na representação política, na economia, onde mulheres recebem menos do que homens, mesmo sendo mais qualificadas. E a maior expressão dessa assimetria se dá no instrumento de violência, um instrumento de manutenção da mulher num lugar de subalternidade, de medo, que não permite a liberdade”, completou.

Sociedade civil

Ao comentar o caso em Itumbiara, o Instituto Maria da Penha, organização não governamental (ONG) que atua no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres, confirmou que casos de violência vicária não são exceção. “É uma forma de violência de gênero que atinge mulheres por meio de crianças e adolescentes. Quando filhos e filhas são usados como instrumentos de controle, punição ou chantagem”.

“Não estamos falando de conflito familiar. Estamos falando de violência. E de violação grave de direitos humanos. Por muito tempo, essa prática foi naturalizada, invisibilizada ou tratada como disputa privada. O resultado é o sofrimento silencioso de mulheres e o impacto profundo no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.” 

Para a ONG, avançar no debate é fundamental. “O Brasil reconheceu oficialmente [por meio de resolução conjunta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher] a violência vicária como violência de gênero e estabeleceu diretrizes para a atuação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, reforçando a necessidade de prevenção, proteção e resposta interinstitucional”.

“Nomear a violência é o primeiro passo para enfrentá-la. Informação de qualidade também é uma forma de proteção. O Instituto Maria da Penha atua para fortalecer políticas públicas, qualificar o debate e contribuir para que nenhuma forma de violência seja tratada como invisível. A informação precisa circular para proteger vínculos, infâncias e direitos.”

A entidade alerta para as seguintes formas em que a violência vicária pode se manifestar:

– ameaças envolvendo os filhos;

– afastamento forçado da convivência;

– manipulação emocional;

– falsas acusações;

– sequestro ou retenção ilegal de crianças.

Defensoria pública

Ao se posicionar sobre o caso em Itumbiara, a Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) publicou nota em que reforça que atos de abuso, violência e feminicídio são crimes e que a prática de ferir os filhos para atingir a mãe tem nome: violência vicária. “Ela não tem culpa. Ponto final”.

“Em novembro de 2024, a DPE-GO promoveu a campanha Ela Não tem Culpa – 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, em que buscou refletir sobre a constante culpabilização e julgamento das mulheres, mesmo quando elas são vítimas”, destacou o órgão.

“A DPE-GO reforça que a responsabilidade é sempre de quem comete a violência. Independentemente do comportamento, da roupa ou da voz de quem está do outro lado. E expor a mulher vítima de violência pode configurar crime. Refletir sobre a culpabilização da mulher é o primeiro passo para romper com desigualdades de gênero que perpetuam ciclos de violência.”

 



EBC

Festival Rec-Beat começa neste sábado no Recife, celebrando 30 anos


No começo da noite deste sábado (14) gordo de Carnaval, o Cais da Alfândega, no Recife, receberá mais uma edição do Rec-Beat – festival que comemora 30 anos em 2026, mantendo vivas a vitalidade e a inquietação que marcaram sua origem.

Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-beat construiu ao longo de sua história uma trajetória pautada pela diversidade, onde diferentes públicos, estéticas e gerações se encontram.

O festival se consolidou como um espaço de descoberta, experimentação e circulação de novas ideias musicais, unido pelo diálogo entre tradições e vanguardas.

Em um cenário cada vez mais marcado pela mesmice, o Rec-Beat traz em sua programação a mescla entre gêneros, estilos e cenas, misturando artistas do Brasil e do mundo, e atendo às transformações da música, se firmando como um manifesto cultural cada vez mais necessário nos dias de hoje.

De 14 a 17 de fevereiro, de forma gratuita, o festival inaugura sua plataforma de descoberta, circulação e diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África.

Entre os destaques desta edição, nomes emergentes como NandaTsunami, AJULLIACOSTA e Jadsa se somam a artistas como Djonga, Johnny Hooker e Carlos do Complexo.

O pernambucano Johnny Hooker faz um retorno ao Rec-Beat com a estreia nacional da turnê Viver e Morrer de Amor na América Latina, baseada em seu quarto álbum de estúdio.

O festival traz ainda Chico Chico, Josyara, AJULLIACOSTA e Felipe Cordeiro, que celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas, dividindo o show com Layse, nome emergente da cena paraense.

Nomes internacionais como o senegalês Momi Maiga Quartet e os colombianos Ghetto Kumbé também estarão presentes. A curadoria traduz a proposta do festival, pautado pela diversidade estética e experimentação sonora.

Com público de mais de 60 mil pessoas por edição, o festival segue com o interesse renovado em propiciar uma experiência inesquecível em um ambiente democrático e inclusivo.

Música eletrônica

Uma das principais novidades desta edição é o lançamento do Moritz, projeto dedicado exclusivamente à música eletrônica, que estreia dentro da programação do Rec-Beat, ocupando o palco neste primeiro dia do festival.

Pensado como uma plataforma autônoma, o Moritz nasce como uma expansão natural do DNA do Rec-Beat e deve ganhar edições próprias no futuro, com foco na pista, na curadoria autoral e na experimentação.

Estão confirmados na programação a DJ e produtora pernambucana Paulete Lindacelva, Carlos do Complexo, a colombiana Piolinda Marcela, SPHYNX, LOFIHOUSEBOY e DAVS. 

Entre os destaques deste ano está o senegalês Momi Maiga Quartet, virtuose do tradicional instrumento kora, que funde jazz étnico, flamenco e música africana. Seu segundo álbum, Kairo (2024), traz uma abordagem política e humanista, em um diálogo entre África, Europa e Mediterrâneo. 

Outro nome é Faizal Mostrixx, produtor e performer ugandense que criou o conceito de tribal electronics, mesclando gravações de campo, ritmos regionais do Leste Africano e música eletrônica de pista.

Também está na programação a DJ e produtora nigeriana-britânica residente na Alemanha Kikelomo, com uma fusão de drum’n’bass e jungle.

O lineup de DJs que se apresentam na abertura e intervalo dos shows, traz uma diversidade de estilos e propostas sonoras. Por mais um ano, o festival destaca a cena eletrônica local com um lineup inteiramente pernambucano, tendo como co-curador KAI, DJ e pesquisador musical.

Zoe Beats, cria de Camaragibe, faz um set baseado no grime, garage e jungle, alinhadas com as referências pernambucanas, como o manguebeat.

Afrobitch propõe um intercâmbio das múltiplas vertentes do house com gêneros como dembow, dancehall e funk, sempre com uma perspectiva negra e afrodiaspórica. Bobi une disco e house com ritmos afrolatinos, com samples que vão do piseiro ao funk.  

A programação completa pode ser conferida na página do festival na internet.




EBC

Brasil encerra Mundial de parabadminton com bronze de Vitor Tavares


O Campeonato Mundial de parabadminton terminou neste sábado (14), em Manama, no Bahrein. A participação brasileira chegou ao fim na última sexta-feira (13), com o paranaense Vitor Tavares conquistando a medalha de bronze nas duplas masculinas da classe SH6 (baixa estatura).

Vitor atuou ao lado do estadunidense Miles Krajewski. Na semifinal, eles perderam para os chineses Lin Naili e Zeng Qingtao por 2 sets a 0, parciais de 21/14 e 21/12. Como não há disputa de terceiro lugar, a parceria do brasileiro assegurou o bronze. Mesma cor de medalha que o paranaense obteve na Paralimpíada de Paris, na França, em 2024, mas jogando simples.

Desta vez, Vitor ficou distante da briga por medalhas na chave individual. Ele foi eliminado nas oitavas de final do Mundial. Curiosamente, quem o superou foi Krajewski, parceiro de duplas. O brasileiro realizou oito jogos em Manama, com seis vitórias e duas derrotas.

Ao todo, 14 atletas representaram o país no Mundial, que teve início no último dia 8 de fevereiro. Fora Vitor, os melhores resultados vieram com as mulheres em classes para atletas com deficiências de membros inferiores, mas que andam.

Na disputa de simples da classe SL4, a maranhense Ana Carolina Coutinho e a paranaense Edwarda Oliveira atingiram as quartas de final. Mesma campanha da parceria entre a paulista Mikaela Almeida e a paranaense Kauana Beckenkamp nas duplas das classes SL3-SU5 (inclui atletas com deficiência de membros superiores).



EBC

Metrô de SP funcionará ininterruptamente de sábado para domingo


O Metrô de São Paulo funcionará ininterruptamente na virada deste sábado (14) para o domingo de carnaval. Todas as estações ficarão abertas para embarque e desembarque ao longo da madrugada. 

Já de domingo (15) para a segunda-feira, a operação ocorrerá com embarque durante toda a madrugada permitido apenas nas estações Portuguesa-Tietê e Palmeiras-Barra Funda, enquanto as demais estações funcionarão exclusivamente para desembarque e transferências. A partir da segunda-feira, o funcionamento volta a ocorrer no horário normal.

Já a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) manterá em funcionamento de embarque e desembarque 24 horas neste sábado e domingo apenas a Estação Palmeiras-Barra Funda. As demais estações ficarão abertas na madrugada exclusivamente para desembarque e transferências.

Para acessar o Sambódromo do Anhembi, ônibus do serviço Atende, da prefeitura, serão disponibilizados gratuitamente, partindo das estações Portuguesa-Tietê e Palmeiras-Barra Funda, a partir das 18h e durante todo o período dos desfiles, com partidas frequentes conforme a demanda.

Já os ônibus do transporte coletivo municipal funcionarão nos dias 14, 16 e 17 de fevereiro com a frota e o mesmo esquema de operação correspondente à de um sábado. Ou seja, 6.843 veículos em 1.128 linhas. Já no dia 15, a frota operacional seguirá o cronograma de domingo, com 4.922 veículos em 1.042 linhas.



EBC

SC tem alerta vermelho para alagamentos e deslizamentos na capital


A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina emitiu um alerta vermelho de risco muito alto para alagamentos, enxurradas e deslizamentos na região da Grande Florianópolis. O alerta tem validade a partir da tarde deste sábado (14) até a madrugada do domingo (15).

De acordo com o aviso emitido, a previsão indica acumulados que podem chegar a 150 milímetros em curto período de tempo, com possibilidade de valores maiores em pontos isolados.

“A chuva segue persistente ao longo do sábado (14) e do domingo (15). Entre a Grande Florianópolis e o litoral sul, uma área de baixa pressão atmosférica provoca chuva persistente e intensa, aumentando o risco para ocorrências”, disse a secretaria, em nota.

De acordo com a previsão, na segunda-feira (16), o tempo deverá seguir instável na região, mantendo as condições para temporais isolados. No entanto, os acumulados previstos são menores em comparação aos dias anteriores.

Recomendações

A Defesa Civil orienta que, durante temporais, as pessoas busquem abrigo em local seguro, longe de janelas e objetos que possam ser arremessados pelo vento. Em caso de rajadas fortes, não é recomendado transitar ou se abrigar próximo de árvores, placas, muros e postes de energia e, em alagamentos, atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos.



EBC

Lula sanciona programa Gás do Povo; saiba como funciona


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (13) a Lei nº 15.348, que institui o programa Gás do Povo. A iniciativa assegura gratuidade na recarga do botijão de gás de cozinha de 13 quilos (kg) para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), desde que tenham renda per capita de até meio salário mínimo.

Em nota, a Presidência da República informou que o programa busca enfrentar a pobreza energética de famílias de baixa renda, sobretudo a dificuldade de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. A previsão do governo é que o programa esteja em pleno funcionamento em março, quando 15 milhões de famílias (cerca de 50 milhões de pessoas) serão contempladas.

A iniciativa envolve os ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, além da Caixa.

“Com o marco de 10 mil pontos de comercialização credenciados em menos de dois meses, uma em cada seis revendas de GLP do país está conectada à iniciativa”, destacou o Planalto.

Entenda

Para se candidatar ao programa, a família deve ser beneficiária do Bolsa Família com pelo menos duas pessoas, ter renda per capita de até meio salário mínimo e manter o CadÚnico atualizado nos últimos 24 meses. Também é preciso que o CPF do responsável familiar esteja regular e que o cadastro não apresente pendências como averiguação cadastral ou indício de óbito.

Aplicativo

No app Meu Social – Gás do Povo, as famílias podem verificar se estão elegíveis, conferir a situação do vale recarga e encontrar revendas credenciadas, além de telefones e endereços de pontos credenciados.

Para pessoas sem acesso à internet ou celular, também é possível usar o vale recarga por meio das opções: cartão do Programa Bolsa Família (com chip); cartão de débito da Caixa; informando o CPF do responsável familiar na máquina do cartão.

Canais

Beneficiários do CadÚnico podem consultar o direito ao vale recarga Gás do Povo pelos seguintes canais:

– aplicativo Meu Social – Gás do Povo

– consulta do CPF do responsável familiar na página do programa 

Portal Cidadão Caixa 

– Atendimento Caixa Cidadão – 0800 726 0207



EBC