Festival É Tudo Verdade começa nesta quinta no Rio e em São Paulo


Começa amanhã (9), em São Paulo e no Rio de Janeiro, a 31ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, com sessões gratuitas em sete salas de cinema. Este ano, o evento inaugura sua curadoria infantil e homenageia os cineastas Vivian Ostrovsky, Jean-Claude Bernardet, Luiz Ferraz, Rubens Crispim Jr, Silvio Da-Rin e Silvio Tendler.

Foram selecionados 75 filmes para compor a programação oficial, que poderão ser assistidos pelo público até o dia 19 de abril. Os títulos que concorrem a premiações estão divididos em quatro mostras: a de longas e médias-metragens brasileiros; longas e médias-metragens internacionais; curtas-metragens brasileiros e curta-metragens internacionais. 

Na abertura da capital paulista, um ícone imortal terá a vida projetada no telão. Em uma hora e meia de duração, o diretor Jonathan Stiasny relembra, com Bowie: O Ato Final, por que David Bowie era incomparável e assim permanece, dez anos depois de sua morte. 

No Rio, o festival começa com VIVO 76, do pernambucano Lírio Ferreira, que esteve à frente do longa Árido Movie, estrelado por um elenco de finas atuações, como Selton Mello, Matheus Nachtergaele e Mariana Lima. A produção recupera arquivos raros para percorrer o universo de Alceu Valença, a partir do álbum de 1976, emblema da vertente psicodélica da música nacional. Ambos os filmes terão sessões nas duas capitais.

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Os documentários vencedores serão anunciados em cerimônia especial, no dia 18, às 19 horas, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Todos os títulos contemplados com prêmios serão reexibidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, no dia 19. 

Além do eixo de competições, a curadoria criou outras mostras:

  • Programas Especiais,
  • Foco Latino-Americano,
  • O Estado das Coisas,
  • Clássicos É Tudo Verdade,
  • Retrospectiva,
  • Homenagens
  • É Tudinho Verdade, novidade voltada ao público infantil.

Esta última terá filmes de David Reeks e Renata Meirelles, com a temática brincadeiras de diferentes regiões do país.

Sem ficar restrito às salas de cinema, o festival disponibilizará dez curtas em streaming, com exclusividade do Itaú Cultural Play . O período de acesso será de 20 de abril e 4 de maio.

A programação completa, que inclui encontros, masterclass com o cineasta Jorge Bodanzky, de Iracema, Uma Transa Amazônica, e lançamento de livro, pode ser conferida no site oficial do festival, viabilizado com recursos captados pela Lei Rouanet, pelo Ministério da Cultura, conjuntamente com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do governo estadual de São Paulo.



EBC

Moraes libera para julgamento ação que pede limites para delação


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou nesta quarta-feira (8) para julgamento a ação que pede a fixação de limites para acordos de delação premiada.

Moraes, relator do caso, pediu a inclusão do processo na pauta do plenário físico do Supremo.

A ação está em tramitação desde 2021 e foi protocolada pelo PT. O partido defende que a Corte determine a adoção de parâmetros para os acordos de colaboração firmados com investigados.

A legenda defende que a delação assinada com quem está preso deve ser considerada nula. O partido quer garantir que a delação cruzada, quando um acusado delata outro, não seja usada para decretação de medidas cautelares.

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A ação também quer garantir liberdade das partes para pactuar as cláusulas dos acordos, conforme limites pré-estabelecidos em lei.

A data do julgamento ainda não foi definida. Caberá ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, agendar a sessão.

Caso Master

O julgamento ocorre no momento em que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, preparam uma proposta de delação premiada. 



EBC

Produção de veículos em março registrou melhor resultado desde 2019


O desempenho do setor automotivo em março superou as expectativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Segundo balanço da associação, divulgado nesta quarta-feira (8), este foi o melhor mês para a produção de veículos desde outubro de 2019 e também o melhor mês de março desde 2018, com 264,1 mil unidades produzidas entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. Isso representou uma alta de 35,6% sobre março de 2025 e de 27,6% sobre fevereiro.

“Tivemos um excelente número de produção no mês de março, o melhor resultado em um mês desde outubro de 2019, pré-pandemia. Esse foi um dado que nos chamou bastante a atenção”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante entrevista à imprensa.

No acumulado do ano, a produção somou 634,7 mil unidades, um incremento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do bom resultado, Calvet acentuou que o setor se mantém em alerta, principalmente pela conjuntura externa e os conflitos no Oriente Médio que podem continuar pressionando o preço do petróleo.

Quanto aos emplacamentos, este foi o melhor mês de março desde 2013, com 269,5 milhões de autoveículos comercializados. Este também foi, segundo a Anfavea, o melhor resultado para um mês desde dezembro de 2014.

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Na comparação com março do ano passado, houve aumento de 37,8% nos emplacamentos. No entanto, a Anfavea ressalta que neste ano o mês de março teve mais dias úteis que no ano passado, quando teve o carnaval. Já em relação a fevereiro, o aumento foi de 45,5%.

Considerando-se as vendas do primeiro trimestre deste ano, o crescimento alcançou 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado, com 625,2 mil veículos emplacados.

“O desempenho surpreende, mas ainda não é tempo de comemorarmos. Março surpreende, mas são os próximos meses que vão definir como vamos lidar com o restante do ano”, disse Calvet.

Caminhões

Um dos destaques do mês foi o segmento de caminhões, com 8,8 mil unidades emplacadas, 31,9% a mais que fevereiro, mas 6,2% inferior a março de 2025. Isso se deveu, de acordo com a associação, ao lançamento do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos.

“No segmento de caminhões, tivemos agora um suspiro. Não foi ainda um respiro profundo, mas um pequeno suspiro”, disse o presidente da entidade. “Ainda é um cenário ruim, mas é menos pior, embora ainda seja de bastante preocupação”, ressaltou.

Exportações e importações

As exportações atingiram 40,4 mil unidades em março deste ano, o que representou um crescimento de 21,1% sobre fevereiro e de 1,1% em relação a março de 2025.

Já as importações somaram 47,3 mil unidades, incremento de 40% em relação a fevereiro e 25,7% ante março do ano passado.

Crescimento

Mesmo com as incertezas provocadas principalmente pela guerra no Oriente Médio, a Anfavea manteve suas projeções de crescimento neste ano.

Segundo a entidade, a expectativa é que de 2026 feche com alta de 3,7% na produção de veículos – o que engloba automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões.

Também é esperada alta no licenciamento desses veículos, que devem crescer em torno de 2,7% neste ano.



EBC

Estudo quer mostrar potencial de aproveitamento de resíduos no país


Um estudo já em andamento quer identificar todo o resíduo que hoje é descartado no país, mas que pode voltar para a economia na forma de matéria-prima. 

O diagnóstico mais completo em realização no Brasil sobre esse potencial foi contratado por uma empresa privada interessada na riqueza de materiais presente no que hoje vai parar em aterros sanitários e lixões.

“O Brasil gera, por dia, 215 mil toneladas de resíduos nas suas residências. Disso, hoje, só é aproveitado algo em torno de 5%. Reaproveitar tanta matéria-prima é muito mais do que uma necessidade ambiental, é uma necessidade real de não desperdiçar”, afirma o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery.

Em uma primeira fase do estudo foram coletadas amostras dos resíduos gerados em diferentes cidades do país para uma primeira análise sobre quais matérias estão presentes nos resíduos urbanos. 

Essa etapa, chamada de gravimetria, demonstrou que mais de 50% do que é descartado é alimento, revela o empresário.

“Essa composição é comum no Brasil inteiro e, a partir daí, você tem as outras frações que se compõem, como 13% de plástico, 17% de papel/papelão, 9% de vidro e todos os outros produtos que estão incluídos no nosso descarte”, explica Nery.

De acordo com o empresário, conhecer essa composição não é o suficiente para entender o real cenário dos resíduos no país. 

Ele ressalta que é necessário também compreender qual é e onde está a demanda por esse tipo de material.

“A pesquisa vai nos mostrar também quais desses produtos hoje já têm mercado definido. Como esse mercado funciona? Quem são os participantes? E o que é que a gente ainda pode incluir na economia? Você ainda tem muito material descartado no resíduo domiciliar que não está indo para esse mercado”, explica o empresário.

Recursos

A pesquisa foi selecionada para receber crédito do Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico Tecnológico (FNDCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Segundo Paulo José Resende, gerente de Transição Energética da Finep, o financiamento à empresa é uma linha ofertada a todos os setores da economia, para que os empreendimentos tenham a capacidade de alavancar aplicações em tecnologia e inovação.

“Assim [com esse financiamento] essas empresas podem ganhar competitividade e eficiência, não só nas próprias atividades, mas também em benefícios para a sociedade”, avalia.

Ao todo, foram concedidos crédito de R$ 84 milhões, em dois projetos que envolvem, além da pesquisa com previsão de entrega em setembro, um Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR), na cidade de Aquiraz, no Ceará, a cerca de 30 km de Fortaleza.

“Dentro dessa estrutura teremos compostagem, tratamento de chorume para produção de água destilada, triagem e separação de resíduos”, adiantou o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery.

Seleção

De acordo com Paulo José Resende, os projetos financiados pela Finep passam por um processo criterioso de seleção, no qual, além das capacidades de endividamento e de desenvolvimento da proposta de inovação pela empresa, a iniciativa também é avaliada a partir da perspectiva de avanço tecnológico e de benefícios socioambientais.

“É uma dotação que, este ano, está estimada em R$ 30 bilhões, exclusivamente para projetos de ciência, tecnologia e inovação, para empresas que pretendem dar um passo tecnológico adiante, trazer a tecnologia para o coração da sua atividade empresarial, industrial, e assim poder colher frutos”, reforça.

Apoio financeiro

Inovação, circularidade econômica e descarbonização também são os principais eixos de uma outra linha de acesso aos recursos da Finep, disponibilizada pelo programa Mais Inovação Brasil. 

De acordo com Resende, a diferença é que os recursos oferecidos pelo programa não são reembolsáveis.

“É o recurso mais nobre que o governo brasileiro oferece às empresas para desenvolverem tecnologia. E a partir da subvenção econômica, elas passam a ter a capacidade de desenvolver tecnologias mais ousadas e incertas, ou seja, aquelas que ainda não têm 100% de segurança de funcionamento”, explica o gestor do Finep.

A Finep está aberta para uma segunda rodada de seleção de financiamentos do programa Mais Inovação Brasil até o dia 31 de agosto, com a oferta de R$ 150 milhões.

Para participar, é necessário fazer um cadastro online na Finep. 

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), serão ofertados por meio do Mais Inovação Brasil, um total de R$ 108 bilhões.



EBC

Israel mantém bombardeios no Líbano após cessar-fogo


A Força de Defesa de Israel (FDI) segue atacando o Líbano, incluindo a capital Beirute, nesta quarta-feira (8), mesmo após o acordo de cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo Irã e os Estados Unidos (EUA).

A ofensiva de Israel contra o Líbano pode atrapalhar as negociações entre Teerã e Washington, marcadas para começar na próxima sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão. Isso porque o Irã incluiu, entre os dez pontos para negociações, o fim da guerra em todas as frentes no Oriente Médio, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.

Nesta manhã, Israel informou que fez “o maior ataque” em todo o Líbano desde o dia 2 de março atingindo mais de 100 alvos.

“Há pouco tempo, as Forças de Defesa de Israel concluíram ampla onda de ataques contra centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, Beqaa e no sul do Líbano”, disse a FDI.

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A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que foram realizados diversos ataques em várias partes do país, especialmente no Sul.

“Um drone israelense atingiu um veículo em Qasmiyeh, com relatos de feridos, enquanto outro ataque de drone atingiu uma motocicleta em Kfardounin, também causando ferimentos. Aviões de guerra também realizaram um ataque à cidade de Sawaneh, no distrito de Marjayoun”, comunicou o veículo oficial do governo libanês.

O Ministério da Saúde do Líbano calcula que a atual fase do conflito, iniciada no dia 2 de março, matou mais de 1,5 mil pessoas, ferindo mais 4,8 mil. Israel ainda bombardeou 93 unidades de saúde libanesas e 57 profissionais de saúde foram assassinados. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas de suas residências no período.


Emergency responders work at the site of an Israeli strike, in Al-Mazraa in Beirut, Lebanon, April 8, 2026. REUTERS/Yara Nardi

Ataque israelense em Beirute, no Líbano – Foto REUTERS/Yara Nardi/proibida reprodução

Israel quer ocupar território libanês

O Chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, comunicou que Israel continuará atacando o Hezbollah. “Aproveitaremos todas as oportunidades operacionais. Não comprometeremos a segurança dos moradores do norte de Israel. Continuaremos atacando com determinação”, disse.

Israel prometeu ocupar o território do Líbano até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da atual fronteira entre os dois países, levando a denúncias de possível anexação definitiva do território, assim como Tel Aviv fez com as Colinas de Golã, da Síria.

Ocupado durante a guerra de 1967 por Israel, o território sírio foi, posteriormente, anexado por aprovação no Parlamento em Tel Aviv. Atualmente, a anexação é reconhecida pelo governo de Donald Trump, mas rejeitada pela maior parte da comunidade internacional.

Analistas consultados pela Agência Brasil informaram que o Hezbollah parece ter conseguido barrar o avanço do Exército de Israel com inúmeros ataques com drones e mísseis. O grupo chegou a anunciar que mais de 100 tanques israelenses foram destruídos.

Hezbollah

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o grupo libanês Hezbollah pediu que os habitantes das áreas despovoadas pela guerra não retornem imediatamente aos seus bairros e vilas antes do anúncio definitivo do cessar-fogo no Líbano.

“Este inimigo traiçoeiro e bárbaro, procurando escapar à imagem da sua derrota, poderá recorrer a tentativas traiçoeiras para criar a falsa impressão de ter alcançado uma vitória que não conseguiu obter no campo de batalha”, diz o comunicado.

O Hezbollah não tem reivindicado mais ataques contra as forças israelenses desde o anúncio do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos.

Entenda

Os bombardeios de Israel contra o Líbano foram intensificados com o início da guerra no Irã, depois que o Hezbollah voltou a promover ataques contra Israel, no dia 2 de março. 

O Hezbollah alegou agir em retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano nos últimos meses e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação de Israel no Líbano para perseguição dos grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país. Ao longo dos anos, o grupo se torna um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos.

A atual fase do conflito entre Israel e o Hezbollah tem relação com a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense.

Em novembro de 2024, foi costurado um acordo de cessar fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, depois que Israel conseguiu matar lideranças do Hezbollah.

Porém, Israel seguiu com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do Hezbollah, que evitava reagir até o início da guerra no Irã.

O Líbano ainda foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011.



EBC

Novas regras para mobilidade no Rio dependem de mais infraestrutura


As novas regras para a circulação de equipamentos elétricos de micromobilidade como ciclomotores (duas ou três rodas e a velocidade máxima de 50 quilômetros por hora) e autopropelidos (podem ter uma ou mais rodas e a velocidade máxima de 32 quilômetros por hora) na cidade do Rio vêm promovendo debate entre especialistas de engenharia viária, planejamento urbano e usuários.

A medida veio uma semana após o atropelamento e morte de mãe e filho que estavam em uma bicicleta elétrica por um ônibus na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro.

As regras já estão em vigor, com exceção da exigência de emplacamento, que terá prazo até 31 de dezembro deste ano.

Passa a ser obrigatório o uso de capacete para todos os usuários. Além disso, é proibido transportar na garupa mais de uma pessoa que também deverá utilizar equipamento de segurança. Outro ponto é a exigência de registro, licenciamento e emplacamento para ciclomotores — incluindo equipamentos autopropelidos com assento, que passam a ser equiparados a essa categoria.

O condutor precisará estar devidamente habilitado com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) enquadrada na categoria A. Ciclomotores e autopropelidos, a partir de agora, não podem circular nas ciclovias da cidade, que passam a ser restritas a bicicletas, patinetes e bicicletas elétricas, com velocidade limitada de 25km/h.

Nas vias com BRS, sistema de faixas exclusivas para ônibus no Rio de Janeiro (Bus Rapid Service), está proibida a circulação de bicicletas elétricas, ciclomotores e patinetes elétricas.

Para o professor do curso de Engenharia Civil e do Programa de Engenharia Urbana da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Victor Hugo Souza de Abreu, as novas regras implementadas pela Prefeitura do Rio representam um avanço relevante no esforço de organizar a circulação dos novos modos de micromobilidade, atuando de forma complementar à Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nº 996/2023.

“De maneira geral, a iniciativa é positiva. A exigência de emplacamento e habilitação para veículos autopropelidos — definidos pelo novo decreto como aqueles dotados de sistema próprio de propulsão, que dispensam esforço físico contínuo, de uso individual, dimensões reduzidas e sem pedal — quando conduzidos na posição sentada e, portanto, equiparados aos ciclomotores, contribui para o aumento da segurança viária, o ordenamento do espaço urbano e a responsabilização dos condutores”, avalia o professor.

Segundo o pesquisador, nesse contexto, o emplacamento favorece a identificação e a fiscalização, enquanto a exigência de habilitação assegura um nível mínimo de conhecimento das normas de trânsito, elemento essencial para a convivência segura entre os diferentes modos de transporte.

Ele acrescenta que, no entanto, há desafios relevantes. “Parte significativa dos usuários utiliza esses veículos como alternativa acessível de mobilidade, e a exigência de habilitação pode se tornar uma barreira de acesso. Além disso, o poder público ainda precisa estruturar adequadamente os processos de registro, fiscalização e comunicação com a população. Portanto, é uma medida viável, mas que exige implementação gradual e bem planejada”.

Victor Hugo avalia que quanto aos impactos na circulação viária, as medidas têm potencial tanto de melhorar quanto de gerar novos conflitos. “A retirada de autopropelidos na posição sentada das ciclovias e ciclofaixas, por exemplo, é tecnicamente coerente, pois esses veículos tendem a operar com maior velocidade e massa, aumentando o risco para ciclistas e pedestres. Por outro lado, se não houver infraestrutura adequada nas vias, essa mudança pode deslocar o problema para o tráfego geral, aumentando a exposição ao risco”.

O pesquisador destaca que a definição de limites de velocidade das vias (até 40 km/h e até 60 km/h) também é uma diretriz correta do ponto de vista normativo, pois busca compatibilizar o desempenho dos veículos com o ambiente viário. “Entretanto, a efetividade dessa medida depende diretamente das condições reais de operação — como sinalização, fiscalização e, principalmente, infraestrutura adequada. Sem isso, há o risco de que a norma tenha baixo impacto prático”, afirma.

 


Rio de Janeiro (RJ), 06/04/2026 – Novas regras para a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e patinetes nas vias da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Novas regras para a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e patinetes nas vias da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O que pode ser melhorado

• Investimento em infraestrutura segregada para micromobilidade motorizada;

• Campanhas de educação no trânsito voltadas a todos os usuários;

• Fiscalização efetiva e contínua;

• Regulamentação mais diferenciada, considerando potência e velocidade dos veículos; • Integração dessas medidas ao planejamento urbano e de transportes.

Para o especialista, é fundamental fortalecer o chamado tripé da engenharia de tráfego — internacionalmente conhecido como “3 E’s of Traffic Engineering” — baseado na atuação integrada em Engineering (Engenharia), Education (Educação) e Enforcement (Fiscalização). “Esses pilares são essenciais para garantir a efetividade das medidas, promover mudanças de comportamento e assegurar condições seguras de circulação para todos os usuários do sistema viário”, disse Victor Hugo.

Território nacional

De acordo com o professor da UFRJ, em âmbito nacional, o principal desafio é a convivência entre modos tão distintos — veículos motorizados, bicicletas, ciclomotores, patinetes e pedestres — em um mesmo espaço viário. Para ele, essa coexistência só é possível de forma segura quando há uma clara hierarquização do sistema viário, com definição adequada de espaços, velocidades e prioridades.

“O Brasil ainda enfrenta dificuldades nesse aspecto, especialmente pela falta de infraestrutura e pela cultura de priorização do automóvel. A tendência, no entanto, é que a micromobilidade ganhe cada vez mais espaço, exigindo regulamentações mais integradas, consistentes e alinhadas com os princípios da segurança viária e da mobilidade sustentável”, afirmou.

“Em síntese, a regulamentação do Rio é um passo necessário e tecnicamente justificável, mas seu sucesso dependerá da capacidade de implementação, fiscalização e, sobretudo, da criação de condições reais para uma convivência segura entre os diferentes modos de transporte”, completou Victor Hugo.

 


Rio de Janeiro (RJ), 06/04/2026 – Novas regras para a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e patinetes nas vias da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Novas regras para a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e patinetes nas vias da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Regulamentação necessária

Na avaliação da professora Marina Baltar, do Programa de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), há anos era necessário um regramento para esses tipos de transportes.

“Mas a cidade precisa se preparar para essa regulamentação, que é baseada em velocidades nas vias. É preciso questionar as velocidades que a gente tem hoje na cidade, ver se elas realmente fazem sentido. Quando a gente pensa em segurança viária, o pilar central é a redução da velocidade na cidade como um todo. Primeiro é necessário esse estudo das velocidades e instalar placas de sinalização. Quem usa bicicleta elétrica e ciclomotores precisa saber quais são as vias com até 40 km/h e até 60 km/h”, disse a professora.

Marina avalia que para se ter uma cidade mais atrativa para esses modos mais sustentáveis como a bicicleta é preciso planejamento e engajamento da comunidade. “Precisa planejar e expandir as ciclovias. A cidade teve expansão pequena de ciclovias concentradas na zona sul”.

Ela destaca que a proibição dos ciclomotores e bicicletas elétricas em vias com BRS vai atrapalhar muito porque é onde há pontos de interesse como o comércio. “Para esses pontos, a gente precisa ter um grupo de trabalho que realmente consiga definir, não apenas proibir a circulação das bicicletas em vias com BRS”, disse a professora.

Novos meios de transporte

O técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Erivelton Pires Guedes avalia, a princípio, como positiva a iniciativa de tentar normatizar e de alguma forma disciplinar o grande problema que é a micromobilidade urbana hoje.

“As tecnologias rapidamente evoluíram, principalmente no modo elétrico, e surgiram vários equipamentos diferentes que nós não estávamos acostumados. Além disso, surgiu um novo mundo com muitas motos e bicicletas para entregas, além de motos por aplicativos para passageiros. Esta grande diversidade de interesses gera grandes conflitos, difíceis de serem resolvidos”, pontuou o pesquisador.

Segundo o técnico do Ipea, por outro lado, o decreto traz divergências conceituais em relação aos veículos normatizados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). 

“Isso possivelmente vai gerar insegurança jurídica e questionamentos. Este é um grande desafio, pois todos estes veículos possuem características muitas vezes próximas, que dificultam sua exata classificação. Isso confunde tanto os fornecedores quanto os cidadãos e todos têm muitas dúvidas a respeito do que pode e o que não pode”, afirmou Guedes.

Para ele, é importante que governos federal, estadual e municipal tratem o problema da segurança viária de forma integrada. “Os problemas são grandes e esta situação tratada neste decreto é apenas parte do grande problema. Estamos assistindo a um crescente aumento do número de mortes no trânsito, em especial com motocicletas”.

“Dentro das ações integradas podemos destacar a principal ação, disponível a todas as prefeituras: a redução e o controle da velocidade. Esta é uma ação que muitas vezes gera reações negativas, mas que precisa ser enfrentada”, disse o especialista.

“Reforçando: a segurança viária precisa ser vista como um todo. Ações isoladas não resolvem os problemas. A ação da prefeitura é oportuna mas ainda incipiente. É necessária uma coordenação nacional e um esforço em diversas frentes para que possamos reduzir (com foco em zero) os sinistros de trânsito”, ponderou o técnico do Ipea.

Bicicleta elétrica

Moradora de Copacabana, na zona sul do Rio, a produtora de eventos Ananda Ruschel Sayão, de 48 anos, adotou a bicicleta elétrica há 3 anos para o seu dia a dia. Ela usa bastante o equipamento para levar e buscar a filha de 7 anos ao colégio, para supermercado, além de outras tarefas cotidianas.


Rio de Janeiro (RJ), 07/04/2026 - A promotora de eventos Ananda Sayão mora em Copacabana e busca a filha Alice de bicicleta elétrica na Escola Municipal Pedro Ernesto, na Fonte da Saudade, Lagoa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A promotora de eventos Ananda Sayão mora em Copacabana e busca a filha Alice de bicicleta elétrica na Escola Municipal Pedro Ernesto, na Fonte da Saudade, Lagoa. Foto:  Rovena Rosa/Agência Brasil

“Na pista eu fico insegura porque os carros e as motos principalmente ignoram as bicicletas. Tiram fino. A gente fica sem espaço. Não tenho ciclovias em todos os meus trajetos. Existem algumas ruas com ciclofaixas que estão quase apagadas, mas os carros não respeitam essas faixas pintadas no chão. Quando não tem ciclovia eu ando pela esquerda onde não está a pista de ônibus”, comenta Ananda.

Ela acredita que é preciso um projeto de planejamento urbano para mais ciclovias. E acrescenta que a convivência com os ciclomotores é sempre ruim. “Essas motinhas andam na calçada como se fosse bicicleta, têm velocidade maior e são maiores. Isso causa um estranhamento para quem está de bicicleta e para o pedestre. Como tem muito motoboy usando essas motinhas para entrega, eles andam como uns loucos. Isso acaba afetando as pessoas que andam direito. A gente tem que ter muito cuidado com eles, que andam na contramão, não respeitam os sinais”, observa a produtora de eventos.

Ananda completa que é a favor das novas regras para ciclomotores, autopropelidas e bicicletas elétricas. “Tem que ter regras, e mais ciclovias internas”.

 

 

 

 



EBC

Municípios do Tocantins são alvos de operação da Polícia Federal


A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (8), a Operação Código Branco, com o objetivo de apurar fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro, em contratações na área da saúde de vários municípios da região norte do Tocantins.

As investigações indicam que “uma empresa de serviços médicos teria sido reiteradamente contratada por municípios da região, mediante procedimentos licitatórios com indícios de direcionamento”.

Os policiais constaram “ausência de competitividade e de descumprimento da legislação, além de realizar subcontratações vedadas em edital e em repasses financeiros suspeitos, com possível ocultação e dissimulação da origem dos recursos”, diz a PF.

Estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nas cidades de Araguaína, Riachinho, Filadélfia, Babaçulândia e Barra do Ouro. As ações judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Araguaína.

De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, de corrupção ativa e passiva, de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.



EBC

Incêndio atinge Velódromo do Parque Olímpico no Rio


Um incêndio iniciado na madrugada desta quarta-feira (8) atingiu o Velódromo do Parque Olímpico, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. O fogo já foi controlado e afetou principalmente o teto.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, não há registro de vítimas.

A operação conta com cerca de 60 bombeiros militares, de seis unidades, com apoio de mais de 20 viaturas e equipes especializadas.

A prefeitura do Rio informou que não há bloqueios nas vias do entorno.

O velódromo abriga desde agosto do ano passado o Rio Museu Olímpico como parte do legado para relembrar os Jogos Olímpicos de 2016.

A instalação é moderna e oferece uma experiência imersiva para os visitantes, foi erguido no andar superior do velódromo em uma área de cerca de 1,7 mil metros quadrados. O acervo do espaço tem mil peças instaladas em 13 áreas temáticas.

*Matéria em atualização.




EBC

RJ: STF decide se eleição para mandato-tampão será direta ou indireta


O Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta quarta-feira (8) se as eleições para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro serão diretas ou indiretas. O julgamento está previsto para começar às 14h. 

A questão será decidida em uma ação na qual o diretório estadual do PSD defende a realização de eleições populares para o comando interino do estado, e não votação indireta, por meio dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Após a decisão do Supremo, as eleições para o mandato-tampão deverão ser convocadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou pela Alerj. Quem for eleito para comandar o estado ficará no cargo até o fim deste ano. Em janeiro de 2027, o governador eleito em outubro assumirá o cargo normalmente pelos próximos quatro anos. 

Entenda 

No dia 23 de março, o ex-governador Cláudio Castro foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em função da condenação, o tribunal determinou a realização de eleições indiretas para o mandato-tampão.

Contudo, o PSD recorreu ao Supremo e defendeu eleições diretas. No dia anterior ao julgamento, Castro renunciou ao mandato para cumprir o prazo de desincompatibilização para se candidatar ao Senado. A medida foi vista como uma manobra para forçar a realização de eleições indiretas, e não diretas. O ex-governador poderia deixar o cargo até o dia 4 de abril. 

A eleição para o mandato-tampão deverá ser realizada porque a linha sucessória do estado está desfalcada. 

O ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo, em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado. Desde estão, o estado não tem vice-governador. 

O próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar. No entanto, o parlamentar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro e já deixou o cargo. Antes da decisão, Bacellar também foi afastado da presidência da Casa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado no caso que envolve o ex-deputado TH Joias. 

Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado



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Futmesa estreia nos JUBsFut 2026 unindo técnica e emoção


A bola subiu para as competições de Futmesa nos JUBsFut (Jogos Universitários Brasileiros de Futebol). As disputas começaram nesta terça-feira (7) no ginásio da Universidade Tiradentes (Unit), em Aracaju (Sergipe).

A modalidade mistura regras de tênis de mesa, vôlei e futebol. Assim como no futebol, pode ser jogada com qualquer parte do corpo fora as mãos. Vence quem ganhar dois sets de 15 pontos. Em caso de empate, há um tie-break de 12 pontos. Jogado em duplas, o esporte possui categorias feminina, masculina e mista.

Talita Braz, atleta da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que joga com o namorado e também com uma colega da faculdade, comenta sobre sua preferência. “Difícil responder. Não sei dizer qual prefiro. São estilos diferentes: no feminino é mais coletivo, enquanto na mista existe mais apoio ao ataque. Fico na dúvida, mas todos têm a mesma intensidade”, analisa a aluna do oitavo período de Publicidade e Propaganda da UFMT.

Ela destaca ainda o papel do esporte em sua vida acadêmica: “Deixa a caminhada da minha formação mais leve, melhora meu psicológico e alimenta o sonho que tenho de ser atleta profissional”.

Inovação Brasileira

Inspirado no húngaro Teqball, o Futmesa é uma inovação brasileira e possui algumas diferenças de regras em relação à invenção estrangeira. Mas, para se destacar em qualquer um dos dois, é preciso treino e dedicação. A receita vem do tetracampeão dos JUBs, Lucas Bernardes, o China.

“Se Deus quiser, vamos tentar o penta”, afirma o estudante de Educação Física do Centro Universitário do Ceará (UniAteneu), que já se profissionalizou na modalidade, mas não deixa de participar dos jogos universitários.

“É uma experiência TOP e vou carregá-la para o resto da minha vida. Também penso em outros caminhos para além do esporte. Aqui conheço gente de tudo quanto é canto. Sei que isso vai me ajudar, porque quero trabalhar, no futuro, lidando com pessoas”, declarou.

Os JUBsFut, que são organizados pela CBDU (Confederação Brasileira do Desporto Universitário), vão até o próximo sábado na capital sergipana e ainda envolvem provas de futebol tradicional, Fut7 e os desafios de X1 e X2. A maior competição universitária de futebol do país envolve aproximadamente 1,5 mil atletas de 17 estados.

*Jornalista viajou a convite da CBDU.



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