CEO de petroleira dos EUA a Trump: “é inviável investir na Venezuela”


O presidente e CEO da ExxonMobil, Darren Woods, avaliou, em reunião com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, nessa sexta-feira (9), que, atualmente, é inviável investir no setor na Venezuela.

 “Se analisarmos as estruturas legais e comerciais vigentes hoje na Venezuela, veremos que o país é inviável para investimentos”, afirmou. O diagnóstico foi tornado público em uma postagem na página da maior empresa petrolífera dos Estados Unidos.

Woods ponderou a Trump que, para viabilizar ações no país, mudanças significativas precisam ser feitas nas estruturas comerciais e no sistema jurídico.

“É necessário haver proteções duradouras para os investimentos, e as leis de hidrocarbonetos do país precisam ser alteradas”, afirmou Woods.

No final da carta, ele abriu a possibilidade de, a convite do governo venezuelano e com garantias de segurança, enviar uma equipe ao local.

“Acredito que podemos contribuir para levar o petróleo bruto venezuelano ao mercado e obter um preço justo, ajudando assim a melhorar a situação financeira do país”.

Alterações pedidas

O presidente da empresa acrescentou, no entanto, que há confiança de que o trabalho em conjunto dos governos estadunidense e venezuelano poderá implementar alterações. 

“Com relação ao governo venezuelano, não temos opinião formada”, ressaltou. Ele destacou o maior desafio no caso dos recursos. 

“Eles são uma importante fonte de receita que ajuda a sustentar as pessoas das regiões onde atuamos. E tem que ser vantajosa para as pessoas. Precisamos ser bem-vindos lá — e ser bons vizinhos”. 

O CEO da petroleira recordou ao presidente Trump que a empresa entrou na Venezuela pela primeira vez na década de 1940 e saiu há 20 anos.

“Nossos bens foram confiscados lá duas vezes. Portanto, você pode imaginar que uma terceira entrada exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente aqui e ao que é a situação atual”.

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EBC

Dores lombares tiram João Fonseca de mais um torneio na Austrália


O brasileiro João Fonseca está fora do ATP 250 de Adelaide, na Austrália. Neste sábado (10), o tenista carioca publicou um vídeo na rede social Instagram, em que comunica a desistência em razão de dores lombares. É a mesma lesão que já o tirou do ATP 250 de Brisbane, também em solo australiano, e do compromisso do Brasil diante do Canadá pela Copa Davis, torneio equivalente a um Mundial masculino de seleções no tênis.

“Infelizmente, tive que me retirar do torneio de Adelaide. Estou sentindo uma dor nas costas e tentando me recuperar o mais rápido possível para estar 100% em quadra de novo”, declarou o carioca de 19 anos, no vídeo.

Fonseca corre contra o tempo para disputar o Aberto da Austrália, primeiro dos quatro principais torneios do circuito – os chamados Grand Slams – da temporada. Depois da publicação nas redes sociais, ele concedeu uma entrevista coletiva em Adelaide. Segundo o brasileiro, as dores lombares têm sido crônicas.

“Eu nasci com um algo nas minhas costas e às vezes fica mais dolorido. Já tive uma fratura por estresse há cinco anos, mas é algo que vai estar no meu corpo, então preciso lidar com isso. Fizemos uma ressonância magnética e não é nada muito sério, mas pode ficar sério, então queremos estar 100%”, disse Fonseca.

O brasileiro é o 29º colocado do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Ele caiu cinco posições em relação a 2025, após ficar fora do ATP de Brisbane, e deve perder mais alguns lugares pela ausência em Adelaide. Mesmo assim, está garantido como um dos 32 cabeças de chave do Aberto da Austrália, o que significa evitar um confronto com um top-30 do mundo, ao menos, nas duas primeiras fases.



EBC

Lucas Pinheiro garante outra prata na Copa do Mundo de esqui alpino


O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen alcançou, pela terceira vez nesta temporada, um pódio na Copa do Mundo de esqui alpino. Neste sábado (10), ele conquistou a medalha de prata na etapa de Adelboden, na Suíça, na prova do slalom gigante.

A vitória foi do suíço Marco Odermatt, pelo quinto ano consecutivo. O francês Léo Anguenot completou o pódio. Norueguês de nascimento mas com mãe brasileira, Lucas volta a competir em Adelboden neste domingo (11), a partir das 6h30 (horário de Brasília), no slalom, prova em que ele foi prata no ano passado, no mesmo local.

Em ambas as provas, o esquiador realiza duas descidas em um percurso de curvas rápidas, tendo que passar entre mastros fincados na neve – as chamadas “portas”. Vence quem tiver a menor somatória de tempos. A diferença é que, no gigante, a distância entre as portas é maior (cerca de 25 metros), o que leva a velocidades maiores que no slalom “convencional”, onde o espaço de um mastro a outro é menor (aproximadamente 13 metros) e o competidor necessita de mais técnica para concluir o desafio.

Na disputa deste sábado, Lucas fez a segunda melhor marca da primeira descida, com 1min14s89, apenas 49 décimos atrás de Odermatt. Na seguinte, ele cravou os mesmos 1min16s83 do suíço, com tempo total de 2min31s72. Se não deu para buscar a liderança, a somatória bastou para deixá-lo à frente de Anguenot por 19 décimos.

O brasileiro não concluía as duas descidas do slalom gigante em Adelboden desde 2021, quando ainda representava a Noruega. Naquele ano, sofreu uma lesão séria no joelho.

“Fiquei muito emocionado entre as descidas hoje [sábado]. É a primeira vez que vejo a linha de chegada em Adelboden desde que me lesionei aqui. Levou alguns anos, mas quando voltei, fui direto para o pódio”, disse Lucas, em entrevista à Federação Internacional de Ski e Snowboard (FIS).

Além da prata na Suíça, Lucas teve outro segundo lugar em Alta Badia, na Itália, em dezembro, também no slalom gigante, e foi campeão da etapa de Levi, na Finlândia, no slalom, no mês de outubro. O brasileiro ocupa a vice-liderança da Copa do Mundo de Esqui Alpino, com 488 pontos, contabilizando os 80 somados neste sábado. São 37 de vantagem para o austríaco Marco Schwarz. A ponta é de Odermatt, com 955 pontos. A vitória em Adelboden rendeu 100 pontos ao suíço.

Lucas é uma das principais esperanças do Brasil na Olimpíada de Inverno deste ano, que será disputada nas cidades italianas de Milão e Cortina, entre os dias 6 e 22 de fevereiro. O país busca uma medalha inédita no evento.



EBC

Acordo Mercosul-UE está alinhado a objetivos ambientais, diz ministra


A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) pela Comissão da UE e avaliou de forma positiva os termos celebrados entre os países que irão compor a maior zona de livre comércio do mundo.

“As negociações resultaram em um texto equilibrado e alinhado aos desafios ambientais, sociais e econômicos contemporâneos”, destaca nota oficial divulgada pelo ministério.

Na avaliação da ministra, o texto do acordo está alinhado a agenda ambiental brasileira, capaz de promover o desenvolvimento ao mesmo tempo em que protege a natureza e enfrenta a mudança do clima.

“Em três anos, conseguimos reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% e em 32,3% no Cerrado e, ao mesmo tempo, abrir mais de 500 novos mercados para o agronegócio do país”, reforça.

Para Marina Silva, a condução dessa agenda pelo governo brasileiro e os compromissos ambientais assumidos pelos países do Mercosul foram definitivos para que o conselho do bloco europeu finalizasse as negociações de forma favorável. “Depois de 25 anos, a aprovação deste acordo está ancorada na confiança de que o governo do presidente Lula conduz uma agenda ambiental séria, consistente e comprometida com resultados”, diz.

Destaques

Entre os pontos fortes do acordo comercial destacados na nota do MMA estão a reafirmação de compromissos pela sustentabilidade ambiental e climática dos países envolvidos. A exemplo da adoção do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e do reforço à soberania na definição dos padrões ambientais de cada país.

O documento também avança ao considerar instrumentos financeiros das agendas de clima e biodiversidade, como a possibilidade de valoração dos serviços prestados pela natureza e o financiamento ambiental.

A promoção de produtos da bioeconomia e bens sustentáveis também entraram no acordo de comércio entre os blocos, que prevê ainda o fornecimento de informações sobre desmatamento e o cumprimento da legislação ambiental pelos países exportadores.

As salvaguardas estabelecidas pelo texto, de acordo com o comunicado do MMA, previnem impactos ambientais negativos e asseguram que a ampliação do comércio contribua para a promoção da sustentabilidade.

 



EBC

Inpe confirma redução de desmatamento na maioria dos biomas em 2024


O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) consolidou os dados do sistema de Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa (Prodes) do ano de 2024 para todos os biomas brasileiros. A análise sobre as imagens dos alertas divulgados anteriormente confirmou a redução da supressão de vegetação natural na maioria dos biomas monitorados, em relação a 2023.  

Os dados consolidados apontam que entre os anos de 2023 e 2024 houve redução do desmatamento nos seguintes biomas:

Amazônia: 28,09%

Área não florestal na Amazônia: 5,27%

Cerrado: 25,76%

Mata Atlântica: 37,89%

Pampa: 20,08%

Os biomas Caatinga e Pantanal foram os únicos que apresentaram crescimento em relação às áreas que sofreram supressão da vegetação nativa. Os aumentos foram de:

Caatinga: 9,93%

Pantanal: 16,5%

De acordo com nota técnica divulgada pelo Inpe, somente é considerada supressão a remoção da cobertura da vegetação nativa, independentemente das características da vegetação e da futura utilização da área.  As análises são feitas a partir de imagens de satélites das áreas com supressão, identificadas automaticamente e classificadas a partir dos índices de vegetação. Depois passam por interpretação visual.

Na avaliação da vice-coordenadora do Programa do Inpe BiomasBR, Silvana Amaral, a queda no desmatamento na maioria dos biomas brasileiros entre 2023 e 2024 corrobora a efetividade e a importância de políticas públicas de comando e controle, bem como de mecanismos regulatórios como acordos e termos de conduta firmados entre sociedade civil e setores de comércio e exportação de produtos agropecuários.

A consolidação dos dados do Prodes serve para a análise de tendências de médio e longo prazo do desmatamento no Brasil, de forma complementar aos resultados antecipados. São informações que dão subsidio à construção e implementação de políticas públicas ambientais.



EBC

Inmet emite alerta de tempestade e vento na Região Sul


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu neste sábado (10) um alerta laranja para a ocorrência de tempestade e ventos costeiros nos estados do Sul do país.

O alerta laranja, que é válido até as 12h deste domingo (11), é o grau intermediário entre os três avisos emitidos pelo instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo.

De acordo com o Inmet, estão previstos para os três estados da Região Sul chuva de 30 a 60 milímetros por hora ou 50 a 100 mm por dia, ventos intensos (60-100 km/h), e queda de granizo. 

Há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.

Na região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, ocorrerá Intensificação dos ventos nas regiões litorâneas, movimentando dunas de areia sobre construções na orla.

Segundo o Inmet, em caso de rajadas de vento, a orientação é não se abrigar debaixo de árvores e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. É recomendado também evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Caso necessário, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros, 193

 

 



EBC

Defesa Civil de SP alerta para ocorrência de chuva forte no estado


A Defesa Civil de São Paulo divulgou alerta para a chegada de uma frente fria na Região Sul do estado, que deverá causar chuvas fortes e isoladas neste sábado (10) e domingo (11). Também são esperadas rajadas de ventos e ocorrência de granizo. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou aviso de Perigo Potencial para o estado, iniciando às 10h40 deste sábado, com vigência até as 11h de amanhã. São esperados chuva de 20 a 30 milímetros por hora e até 50 mm/dia, ventos intensos,  de 40 a 60 km/h, e queda de granizo.

Segundo o Inmet, em caso de rajadas de vento, a orientação é não se abrigar debaixo de árvores e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. É recomendado também evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Caso necessário, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros, 193.



EBC

Cinco criminosos do Comando Vermelho foram presos esta semana no Rio


As forças de segurança do Rio prenderam, nesta semana, cinco lideranças do tráfico de drogas do Comando Vermelho, que vieram para o Rio se esconder e comandar as ações do tráfico de drogas em seus estados de origem. Eles são de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas. Os criminosos são acusados de crimes como homicídios, tráfico de armas e drogas, estupro, roubos, entre outros. As prisões ocorreram em ações de inteligência entre segunda-feira (5) e esta sexta-feira (9).

A Polícia Militar prendeu nesta sexta, Cássio Dumont, o “Cascão”, localizado no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, região central do Rio. O criminoso é apontado como uma das lideranças do crime organizado no estado de Goiás. A ação contou com a participação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Subsecretaria de Inteligência da corporação. De acordo com informações repassadas pelos órgãos de segurança de Goiás, Cascão possui passagens por homicídio e participou da fuga da Penitenciária de Trindade, na região metropolitana de Goiânia.

Em São Gonçalo, policiais civis da 29ª delegacia policial (Madureira) prenderam, na quinta-feira (8), uma das lideranças do tráfico de drogas da Bahia, ligado ao grupo “Bonde do Maluco”. Contra ele, foram cumpridos três mandados de prisão por homicídio.

No dia anterior (7), a Polícia Militar (PM) prendeu o criminoso mais procurado do Mato Grosso. Rafael Amorim de Brito estava escondido em Itaboraí, região metropolitana do Rio. De acordo com as investigações, “Rafão” tem passagens por estupro, tráfico de drogas e roubo, além de quatro mandados de prisão em aberto expedidos pela Justiça mato-grossense. Também é apontado como responsável pelo assassinato de policiais, entre eles o sargento da PM, Odenil, em dezembro de 2024.

Já na segunda-feira (5), policiais militares do 6º BPM (Tijuca) prenderam um criminoso acusado de participação em 19 homicídios no estado do Piauí. “Gordinho” é acusado de integrar o chamado “Bonde dos 40”, facção que o nome faz referência ao conto popular de origem árabe Ali Babá e os Quarenta Ladrões.

Também na segunda, policiais civis da 59ª delegacia policial (Duque de Caxias) prenderam o líder do tráfico de drogas de Campo Alegre, em Alagoas. Ele foi capturado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após trabalho de inteligência e troca de informações com a Polícia Civil alagoana. Contra ele, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado.

 



EBC

Escolas mirins se apresentarão nos ensaios na Marques de Sapucaí


As escolas de samba mirins terão mais dias para desfilar no Rio Carnaval 2026. Em sorteio, na sede da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), os dirigentes das agremiações conheceram os detalhes do novo formato, que contará com a divisão de mais dias para a criançada se apresentar. Agora, além da sexta-feira, 20 de fevereiro, véspera do Sábado das Campeãs, haverá desfiles na abertura dos ensaios técnicos dos dias 31 de janeiro, 1º e 8 de fevereiro.

“As escolas mirins são a base do nosso carnaval. É aqui que nascem futuros ritmistas, passistas, intérpretes, casais de mestre-sala e porta-bandeira e tantos outros componentes”, avaliou a diretora cultural da Liesa, Evelyn Bastos.

Confira a ordem dos desfiles das escolas de samba mirins:

SÁBADO – 31 DE JANEIRO
Início: 18h
1- Miúda da Cabuçu
2- Inocentes da Caprichosos
3- Império do Futuro

DOMINGO – 1º DE FEVEREIRO
Início: 17h30
1- Golfinhos do Rio de Janeiro
2- Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy
3- Petizes da Penha

DOMINGO – 8 DE FEVEREIRO
Início: 18h
1- Corações Unidos do CIEP
2- Nova Geração da Estácio de Sá

SEXTA-FEIRA – 20 DE FEVEREIRO
Início: 17h
1- Infantes do Lins
2- Herdeiros da Vila
3- Pimpolhos da Grande Rio
4- Tijuquinha do Borel
5- Estrelinha da Mocidade
6- Mangueira do Amanhã
7- Aprendizes do Salgueiro
8- Sonho do Beija-Flor
9- Filhos da Águia
10- Crias Imperatriz
11- Netinhos do Tuiuti
12- Virando Esperança

 



EBC

Anvisa quer reduzir fila de análises e priorizar inovações nacionais


Em agosto de 2025, o Senado aprovou três nomes para a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo o novo diretor-presidente, o economista Leandro Safatle, que passou a ocupar o cargo após o fim do mandato de Antônio Barra Torres.
Safatle assumiu a presidência da Anvisa em um momento de grandes transformações no setor regulatório sanitário, onde o ritmo de descobertas, sobretudo em saúde, é intenso, mas os processos de análise e aprovação dentro da própria agência seguem a passos mais lentos.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o novo diretor-presidente conversou sobre as principais inovações nacionais em saúde, sobretudo do ponto de vista do Sistema Único de Saúde (SUS). “Ainda temos muita inovação vinda de fora. Agora, estamos lidando com inovação feita no país”, disse.

Safatle comentou ainda sobre o recém-criado Comitê de Inovação, com foco em temas considerados prioritários para a Anvisa; sobre um processo interno para otimizar filas de análises processuais; e sobre a possibilidade de a agência se consolidar como autoridade sanitária de referência nas Américas e globalmente.

Confira os principais trechos da conversa:

Agência Brasil: A Anvisa autorizou este mês o início da primeira fase de estudos clínicos com a polilaminina, medicamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros para tratar lesão na medula. O que a gente pode esperar desses estudos e quais os próximos passos?

Leandro Safatle: Estamos falando de uma pesquisa nacional feita por uma pesquisadora de uma universidade pública. Com inovação nacional, cientista nacional, desenvolvimento nacional, todo um processo de desenvolvimento feito no país, e isso é muito importante. No setor saúde, a gente ainda tem muita inovação vinda de fora. Agora, estamos lidando com inovação feita no país. A indústria está fazendo inovação no país. Hoje, isso é um fato bastante importante para atender demandas do país. Esse é um desses casos.

Um laboratório nacional encampou esse projeto. Protocolaram o pedido de início de estudo de pesquisa clínica na Anvisa. Foi aprovada a fase 1, que tem o objetivo de focar na segurança do produto. São cinco pacientes que vão fazer parte desse estudo. Aprovando a fase 1, vem a fase 2, a 3, onde vamos avaliar questões como a eficácia do produto de fato, além de aprofundar mais na segurança. Precisa passar por esse ciclo regulatório completo para conseguir o registro na Anvisa. É um assunto promissor. Há fortes indícios de que o produto pode ter um segmento importante no decurso de pessoas que têm lesão medular.

É difícil falar de prazo porque estamos falando de inovação, de estudo clínico. E o estudo clínico leva seu tempo. O que eu posso dizer é que a Anvisa vai dar a celeridade necessária para o avanço desse projeto. Será prioridade.

Agência Brasil: A Anvisa realizou, em dezembro, a primeira reunião do Comitê de Inovação, criado para acompanhar e avaliar produtos e tecnologias inovadores considerados prioritários para a saúde pública brasileira. Como esse comitê vai atuar e quais os temas considerados prioritários?

Safatle: O comitê está pegando casos de inovação que estão acontecendo no país, projetos importantes que têm impacto, principalmente, na saúde pública. Selecionamos quatro produtos que estão dentro desse comitê: a polilaminina, a vacina contra o Chikungunya, o método Wolbachia para combate à dengue e endopróteses. A gente está acompanhando esses quatro casos.

Já tivemos reunião para tratar desses temas e a ideia é que a gente acompanhe e dê o apoio necessário para que a equipe técnica faça a melhor análise possível. É um comitê que puxa, para a alta gestão da Anvisa, o trabalho de acompanhar os casos. E que vai dar o apoio necessário, o subsídio necessário para que a área técnica faça o melhor trabalho possível de avaliação.

 


Brasília (DF), 09/01//2026 -O presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, durante entrevista exclusiva a Agência Brasil, na sede da Anvisa.  Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, durante entrevista exclusiva à Agência Brasil – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Agência Brasil: Por que a escolha dessas quatro inovações?

Safatle: A gente tem alguns estudos, em fase inicial, de inovação radical nacional. São casos que tratam desses temas. É inovação feita no país, com desenvolvimento feito no país. Por isso, foram selecionados. Trata-se de inovação importante, que pode ter uma repercussão grande em termos de saúde pública.

Agência Brasil: Em dezembro, a Anvisa aprovou uma proposta com medidas excepcionais e temporárias para otimizar a fila de análises processuais.  A expectativa é reduzir as filas pela metade em seis meses e normalizar os pedidos em um ano. Como vai funcionar esse processo?

Safatle: Nós colocamos essa questão da fila de análises processuais da Anvisa como uma das prioridades para que a gente possa atuar ao longo desse ano. Foi feita a aprovação, por meio de uma RDC [resolução da Diretoria Colegiada], de uma série de medidas para a gente poder acelerar essas filas, principalmente filas de medicamentos, vacinas, dispositivos médicos, filas de inspeção. O que a gente quer? A gente quer trazer melhores prazos. A gente viu que havia um processo, de certa forma, demorado para poder aprovar essas novas tecnologias. Elaboramos uma série de medidas para poder reduzir esses prazos.

Essas medidas envolvem força-tarefa dentro da casa, para poder agilizar esses processos; aproveitar parte de estudos clínicos feitos fora, que a gente chama de reliance (confiança regulatória), aproveitando parte da documentação que é feita fora; análises otimizadas que agregam vários produtos, fazendo análises conjuntas no intuito de ganhar tempo. Estamos com uma série de instrumentos para cada uma das filas, para ver de que forma a gente consegue atuar para poder mitigar esse problema.

Ao mesmo tempo, temos uma sala de situação dentro da agência que acompanha diariamente a evolução das filas. Já temos alguns resultados importantes de redução de fila e de tempo de análise. A ideia é fazer uma gestão regulatória ágil, para poder dar respostas mais rápidas para essas questões. Também criamos um comitê de monitoramento dessas medidas para que esse processo todo seja acompanhado pela sociedade civil e pelo setor regulado, para dar a devida transparência para essas ações.

Agência Brasil: Para que fique claro: a proposta não é afrouxar as regras em relação às análises processuais, mas dar celeridade, fazer andar mais rápido?

Safatle: Isso. São medidas temporárias. Temos o prazo de um ano para executá-las. Mas o processo de análise permanece o mesmo. As regras não estão sendo afrouxadas ou nada nesse sentido. O rigor científico e a segurança sanitária são primazia na agência, são o que traz confiança da sociedade para o trabalho da agência. Nesse sentido, a gente segue stricto sensu a questão da segurança sanitária. O que estamos fazendo é mecanismo de gestão. Gestão de pessoas, gestão de processos, para otimizar o tempo, a análise e fazer força-tarefa.

Tivemos um concurso importante. No fim do ano passado, foram chamados 100 especialistas da Anvisa. O curso de formação terminou, e essa turma deve ser nomeada agora, entre janeiro e fevereiro. É o maior reforço que a Anvisa já teve nos últimos dez anos. A ideia é que esses 100 entrem já para ajudar nesse processo de redução das filas, prioritariamente. Que eles entrem nesse esforço que a casa inteira está fazendo para redução das filas.

Agência Brasil: Sobre essa questão do rigor técnico, a Anvisa tem como meta, para 2026, o reconhecimento internacional, a consolidação da agência como uma autoridade sanitária de referência?

Safatle: Esse é um ponto muito importante. A Anvisa está sofrendo um processo de qualificação neste momento por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nós já somos uma agência de referência, mas, agora, estamos passando por um processo de qualificação como as principais agências do mundo passaram, estão passando ou vão passar em breve.

Estamos num empenho muito grande para poder seguir bem nesse processo de qualificação. A ideia é que, com essa qualificação, a OMS reconheça a Anvisa como uma agência de referência. Isso é muito importante para o Brasil, no sentido de ter uma agência de referência, para a região das Américas e para o mundo.



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