Editoras independentes transformam mercado e aproximam público


Editoras independentes e livrarias de rua tomaram rumos diferentes de grandes conglomerados e desenvolveram estratégias para garantir a qualidade das publicações e driblar os desafios econômicos do mercado editorial e livreiro no país. Incluindo as empresas de maior porte, o setor gera ao menos 70 mil empregos diretos no país, segundo levantamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Profissionais ouvidos pela Agência Brasil apontam a promoção da cultura no país e a geração de empregos e renda como impactos positivos desses negócios. No entanto, mencionam a necessidade de políticas públicas voltadas à disseminação da leitura, assim como incentivos fiscais para a manutenção desses empreendedores.

Apesar da menor capacidade de investimentos, esses negócios obtiveram resultados como a ampliação do catálogo de autores disponível no país, inclusive com traduções de obras contemporâneas mundialmente reconhecidas que não tinham espaço nas grandes editoras.

Houve ainda aproximação com o público leitor por meio de estratégias como financiamentos coletivos, clubes de livros e uso das redes sociais.

“A editora independente é marginalizada no mercado. Então, ela está sempre tentando transformar esse mercado”, diz o editor e publisher da editora Autonomia Literária e da revista Jacobina, Cauê Seignemartin Ameni.

O florescimento de editoras independentes teve início há cerca de 10 anos, relata Cauê, que também é um dos organizadores da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei). “O independente sempre foi muito marginal e, aí, veio com força após 2015”.

Após a ocorrência de crises no setor de livros, como a recuperação judicial das livrarias Cultura e Saraiva, em 2018, grandes e pequenas editoras foram impactadas e tomaram calotes.

Nos últimos anos, entretanto, levantamento da CBL apontou expansão do mercado editorial e livreiro no país, especialmente no pós-pandemia, com aumento no número de empresas do setor.

Entre 2023 e 2025, houve um crescimento de 13% no número total de empresas, com destaque para o avanço das editoras e do comércio varejista de livros. E, de 2024 para 2025, o aumento foi consistente em todos os segmentos mapeados, ressaltou a CBL.

Debates independentes

As editoras independentes têm levantado, no Brasil, debates atuais em outras partes do mundo, fazendo com que as ideias circulem, acredita o publisher. Cauê aponta que, antes do fenômeno das independentes, publicações de grandes clássicos estavam estagnadas por causa de “um viés ideológico de grandes editoras e conglomerados”.

“O meu papel é de importador de ideias, de certa forma”, resume.

Ele cita debates em torno da China, inteligência artificial, crise climática, ascensão do fascismo na Europa, Estado Islâmico, Palestina.


Brasília (DF), 09/01/2026 - Setor editorial. Cauê Seignemartin Ameni. Foto: Cauê Seignemartin Ameni/Arquivo Pessoal

Editor e publisher da editora Autonomia Literária e da revista Jacobina, Cauê Seignemartin Ameni Foto: Cauê Seignemartin Ameni/Arquivo Pessoal

 

“São crises que afligem o Brasil, que é um país que, por exemplo, recebe muitos refugiados. É preciso entender a origem. Então, [nosso papel é] ajudar o brasileiro a compreender o mundo”, afirma. “Se as pessoas não entendem, o país acaba entrando numa grande confusão, numa grande enrascada, que foi o bolsonarismo. Se criou um caldo cultural para isso, e teve um trabalho forte [de autores e editoras]”.

Na época da ascensão da extrema-direita e do antipetismo, Cauê tinha uma livraria dentro da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).

Ele conta que, no mercado editorial, começaram a surgir publicações relacionadas ao fenômeno do olavismo cultural, que se deu pela circulação de ideias ultraconservadoras do filósofo Olavo de Carvalho, que influenciaram a direita brasileira. Havia uma disputa para explicar crises como junho de 2013 e a Primavera Árabe através de uma ótica de direita, lembra.

“A leitura de esquerda existe, mas ela estava estancada no mercado. Eu, como era livreiro, via que tinha uma demanda forte, só que a galera comprava xerox na faculdade porque os livros não eram reimpressos”, conta.

Diante desses eventos, Cauê percebeu que muitos títulos relevantes internacionalmente, que abordavam as crises mundiais, não eram publicados no Brasil.

“A gente começou a crescer nesse vácuo, fazendo um debate contra tudo aquilo que o olavismo e a extrema-direita pregavam.”

Com a radicalização da extrema-direita no país, a editora se voltou para publicações antifascistas. O primeiro livro publicado pela Autonomia Literária tratava da ascensão do Estado Islâmico, no Oriente Médio, do jornalista Patrick Cockburn.

“Não tinha essa história bem contada aqui, mas lá fora tinha. A gente pegou esse livro, traduziu e publicou no Brasil, só que foi um best-seller logo de cara. O Elio Gaspari me ligou: ‘ainda bem que vocês traduziram esse livro’”.

Desafio nas vendas

Um grande desafio do mercado de livros é o ciclo de vendas. Como estratégia para se manter financeiramente saudável, sem abrir mão de sua proposta editorial, a editora Ubu criou o próprio clube do livro ─ que tem atualmente 2 mil assinantes. Diretora editorial e sócia da editora, Florencia Ferrari explica que uma obra que se mostra relevante para uma reflexão importante na sociedade não é necessariamente um livro que vai vender muito.

“[Os assinantes] nos dão um cheque em branco para nossa curadoria. E, ao fazer isso, eles nos permitem manter uma editora com um catálogo de alta qualidade, que não abre mão de nenhuma maneira dessa qualidade, e que não precisa ir atrás de títulos que tem como objetivo vender bastante”, diz.

 


Brasília (DF), 09/01/2026 - Setor editorial. Florência Ferrari. Foto: Victor Caiano/Divulgação

Diretora editorial e sócia da editora da Ubu, Florencia Ferrari Foto: Victor Caiano/Divulgação

A editora, inclusive, já realizou publicações em que esses dois aspectos se juntaram: alta qualidade e boas vendas. Foi o caso de autores como Nego Bispo, Vladimir Safatle, Hanna Limulja, Malcom Ferdinand e Françoise Vergès.

“Ter o clube é uma maneira de garantir um catálogo consistente, de alta qualidade e uma equação [financeira] saudável.”

Para publicar um livro, uma editora tem que investir inicialmente em direito autoral, tradução, revisão, projeto gráfico, capa e impressão.

Depois, os exemplares são distribuídos nas livrarias no modelo de consignação. Isso significa que, à medida em que os livros são vendidos, as livrarias vão realizando os pagamentos para as editoras, o que pode ocorrer em até 90 dias, em alguns casos.

“O dinheiro volta para as editoras de um jeito muito pingado e lento em relação ao tempo inicial. Às vezes, demora oito, dez, 12 meses ou dois anos para uma edição ter o retorno do seu investimento”, relata.

Esse é um cenário comum para todas as editoras, mas atinge principalmente as independentes, já que elas têm um catálogo mais de “fundo” ─ como classificou Florencia ─ e não de best-sellers, que vendem milhares de cópias já nos primeiros meses após o lançamento.

Um catálogo de fundo corresponde a livros que continuam vendendo por muitos anos, ainda que alguns tenham tiragens menores. São autores e obras relevantes, ainda que não sejam best-sellers. Exemplos disso são catálogos universitários e os clássicos da literatura.

Diretor presidente da Associação Quatro Cinco Um, entidade responsável pela revista homônima, editora Tinta-da-China Brasil e Feira do Livro, Paulo Werneck ressalta que, em contexto de adversidades, tais negócios precisam criar “estratégias de guerrilha”.

“As editoras independentes realmente são notáveis, são um patrimônio cultural que está florescendo no Brasil, mas que está muito ameaçado por esse jogo de concentração”, celebra.

“Os editores independentes têm que ser super ágeis, têm que inventar um novo canal de vendas, ter contato direto com o público, tem que criar feiras de livro. São empresários resilientes e criativos, tem que ficar reinventando seu próprio negócio todo ano”, acrescenta. 

As editoras independentes passaram a vender os exemplares no próprio site e utilizar o modelo Print on Demand (POD), ou impressão sob demanda. Com isso, os livros são impressos conforme as vendas, o que elimina a necessidade de estoques e grandes tiragens iniciais.

Promoção de cultura e incentivos

A presença crescente das livrarias de rua permitiu a formação de pequenos núcleos culturais nos bairros, defende Werneck, que mencionou que cidades como Paris e Barcelona, por exemplo, têm incentivo fiscal para livrarias de rua, por serem empreendimentos qualificam as regiões.


Brasília (DF), 09/01/2026 - Setor editorial. Paulo Werneck. Foto: Gabriel Guarany/Divulgação

Diretor presidente da Associação Quatro Cinco Um, editora Tinta-da-China Brasil e Feira do Livro, Paulo Werneck Foto: Gabriel Guarany/Divulgação

“Elas transformam o bairro, tudo o que está ao redor. É dos poucos comércios que têm esse efeito”, destaca.

A Câmara Brasileira do Livro traz em seu levantamento um dado que relaciona a presença de livrarias e os indicadores de desenvolvimento das cidades. Entre os 1.830 municípios que têm livrarias, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC) é 3% superior à média nacional.

“Basta ver o que está acontecendo aqui no centro de São Paulo. Vira um programa cultural ir em uma livraria. E quem sustenta esse programa? O livreiro independente.”

Werneck cita incentivos como editais voltados ao setor, isenção de IPTU, acesso a crédito e apoio de entes públicos aos eventos oferecidos pelos empreendimentos.

“Livrarias oferecem uma programação cultural gratuita, como lançamentos e debates. Você pode entrar, assistir e ir embora sem comprar um livro, e elas não têm nenhum incentivo para a realização desta programação.”

Os resultados alcançados pelo setor editorial, reforçou Florencia Ferrari, têm um impacto para a cultura, educação e qualidade de vida das pessoas.

“O estado deveria se atentar, porque é um tipo de financiamento relativamente baixo, por exemplo, para compra de livros para biblioteca e para alunos, que são políticas públicas de aquisição de exemplares. Às vezes, é só isso que uma cidade precisa: uma biblioteca com livros acessíveis”.

Ferrari lembra que as editoras reúnem uma diversidade de profissionais, além de prestadores de serviço externos. Um investimento no setor também teria reflexos, portanto, na geração de empregos e mobilização da economia. São ilustradores, designers, fotógrafos, revisores de texto, tradutores, revisores técnicos, entre outros.

Sócio da Autonomia Literária, Cauê defende as isenções e benefícios fiscais para livrarias, que são espaços fundamentais para a circulação das obras. Apesar das dificuldades em relação ao modelo de vendas, as livrarias têm um papel relevante na expansão do público-alvo. O editor ressalta que é preciso fazer com que as obras circulem e saiam dos nichos.

Cauê avalia que a presença das obras nesses espaços é uma forma de favorecer sua circulação, ainda que haja riscos no modelo de consignação.

“Se só trabalhar na bolha, não se faz a disputa. Tem que jogar nas livrarias, vai ter que correr o risco do calote, mas vai fazer o seu livro circular em grande escala”.

Além disso, ele menciona soluções como incentivo à leitura por meio de crédito para estudantes e incentivos para modernização do parque industrial do setor.

“Quando a gente vai em gráficas pelo mundo, depois vê no Brasil, a gente fala: nossa, a gente tem umas gráficas dos anos 80”.



EBC

Morre Manoel Carlos, um dos principais autores de novela brasileira


Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, Manoel Carlos, responsável por novelas clássicas brasileiras como Páginas da Vida, Por Amor, entre outras.

A produtora Boa Palavra, que tem os direitos autorais de Carlos, soltou um comunicado ontem, no qual confirmou a morte:

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”.

Manoel Carlos, nascido em 14 de março de 1933 em São Paulo, começou sua carreira em 1950, no teatro, como ator. Mas já em 1952 lançou sua primeira novela, Helena, na TV Paulista, emissora que mais tarde se tornaria a TV Globo. Também passou pela TV Tupi, Record, Manchete, Band, com novelas, minisséries, direção de programas etc.

Mas foi mesmo com seus folhetins na Globo que Maneco ganhou reconhecimento nacional. Sua primeira novela no canal foi Maria, Maria, em 1978, na faixa das 18h. Em 1980, entrou para o horário das 20h, considerado nobre, e foi coautor de Água Viva ao lado de Gilberto Braga. Foi um grande sucesso para o canal. Outros êxitos históricos surgiram em 1981 e 1982, com Baila Comigo e Sol de Verão, respectivamente.

O bom relacionamento de Maneco com a Globo gerou mais novelas de sucesso como Felicidade (1991 a 1992), Por Amor (1997 a 1998), Laços de Família (2000 a 2001), Mulheres Apaixonadas (2003), Páginas da Vida (2006 a 2007), Viver a Vida (2009-2010) e foi até 2014, com se último folhetim, Em Família.

Manoel Caros também foi muito bem-sucedido em séries e teve alguns hits importantes como a altamente elogiada Malu Mulher, entre 1979 e 1980. Em 2001, escreveu Presença de Anita e em 2009 foi a vez de Maysa: Quando Fala o Coração.

Com suas protagonistas chamadas de Helena, histórias de família e mulheres fortes, Maneco, apesar de ser paulistano, usou muito bem o Rio de Janeiro como cenário e, com tudo isso, deixa uma marca eterna na TV brasileira.



EBC

Profissionais do setor editorial lembram trajetória e obras preferidas


“Eu me orgulho muito de poder ver o meu nome nos créditos de livros que sejam realmente incríveis, saber que eu sou parte de uma obra cuja leitura pode, eventualmente, ser a leitura da vida de alguém”.

Editor autônomo e publisher, Hugo Maciel de Carvalho formou-se em Direito e chegou a trabalhar em escritório de advocacia, mas ajustou a rota e abriu caminhos no mercado dos livros.

No contexto da expansão do setor editorial e livreiro no país nos últimos anos, com aumento do número de empresas, conforme apontou levantamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL), profissionais entrevistados pela Agência Brasil relataram como o setor possibilita que eles vejam propósito em seu trabalho. 

Desde que achou o novo rumo, Hugo assume que já perdeu a conta de quantos livros têm seu nome nos créditos.

“No fim das contas, o que realmente importa é saber que, de algum jeito, eu ajudei a dar forma a ideias que circulam, são lidas, discutidas, questionadas ─ e continuam produzindo sentido no mundo.”

O livro pelo qual tem mais carinho é A Terra Árida, do autor T.S. Eliot, na tradução de Gilmar Leal Santos.

“É um dos meus poemas preferidos de todos os tempos. Este foi o primeiro livro que eu publiquei pelo meu selo, como publisher”, disse Hugo, acrescentando que preza por projetos que ajudem a pensar sobre o futuro.

“A crise na Venezuela me lembrou de dois livros que merecem ser lidos juntos. Trabalhei como preparador de texto em ambos”, relembrou.

O primeiro deles ─ Autonorama, do Peter Norton ─ mostra que tipo de escolha política moldou o mundo para criar uma infraestrutura que corrói a vida social. O segundo ─ Estrada para Lugar Nenhum, do Paris Marx ─ amplia esse diagnóstico, ao analisar diversos mecanismos de concentração de poder, privatização das infraestruturas e controle social.

“Norton explica como chegamos até aqui. Marx mostra a direção para a qual estamos sendo empurrados agora”, concluiu.

Ele destacou também um livro em que trabalhou e ainda não foi publicado: A Escada de Jacó, da escritora russa Liudmila Ulítskaia.

“É um romance monumental, construído a partir de cartas, diários e documentos, que acompanha várias gerações de uma família russa ao longo do Século 20, atravessando revolução, guerra, stalinismo, exílio e o fim da União Soviética”, adiantou o editor.

“Este foi um dos projetos mais exigentes e intelectualmente estimulantes da minha trajetória, porque cada página cruza literatura, linguística, filosofia, música, ciência e história com uma densidade rara na ficção contemporânea”, explicou.

Tradição familiar

A leitura é como uma tradição na família, Hugo lê para o filho desde seu nascimento. Além dos livros em casa, fazem visitas semanais a bibliotecas públicas.

“Ele agora já sabe ler sozinho, mas todas as noites eu e minha esposa lemos para ele, ou ao lado dele, e isso faz muito bem para nós três, para a nossa memória afetiva como leitores. Faz bem para o nosso futuro”.

“Eu amo livros. Aos 12 anos de idade, meu avô me deu o livro dele para eu comentar. Tudo começou aí. Um dia, ele chegou na minha casa e foi direto até o meu quarto, fechou a porta e tirou um manuscrito de dentro de um envelope. Só me disse assim: ‘leia, quero a sua opinião, quando você estiver pronto, me avisa; mas é um segredo, não conta para ninguém’”, revelou à reportagem.

Hugo sustentou o desejo do avô, trabalharam no livro “em segredo” até publicarem a primeira edição.

 


Editor autônomo e publisher Hugo Maciel de Carvalho e seu avô. Foto: Hugo Maciel de Carvalho/Arquivo pessoal

Editor autônomo e publisher Hugo Maciel de Carvalho e seu avô. Foto: Hugo Maciel de Carvalho/Arquivo pessoal

“Depois disso, a gente continuou trabalhando juntos nos livros dele, quatro no total. Quando ele faleceu, a gente ainda estava trabalhando nos livros. Um dia ainda vou publicar suas ‘Obras completas’.”

O editor revela que o ritmo de trabalho é intenso e exige muito foco, com muitas páginas por dia.

“Não é algo que você lê e pronto, como um livro que você deita na rede para ler num sábado à tarde; precisa ler, reler, voltar pro começo para ver se tem alguma contradição, discutir com o autor ou com a editora, ler mais uma vez para ver se ficou bom. Eu trabalho muito de madrugada, por conta do silêncio.”

“Paga muito pouco. As pessoas acham que ser revisor de textos é um ‘bico’ interessante. Mas dá muito trabalho, se você sabe o que está fazendo. E nem sempre tem demanda. Então, tem horas que você precisa inventar trabalho ou vai acabar é revisando os boletos atrasados que vão se acumulando”, relatou Hugo, com bom humor.

Uma editora independente

Para Florencia Ferrari, sócia da Ubu, as editoras independentes, em geral, são resultado de um desejo dos editores que querem publicar obras que gostam e que admiram.

“Eu não fujo à regra”, disse.

Ela conta que vê a Ubu como uma plataforma de projetos, onde há a oportunidade de criação e aprendizado, inclusive junto aos designers, artistas e autores.

O sentido deste trabalho, para ela, vai além de gerar renda: “é um lugar de realização e uma forma de estar no mundo”.

Ela ressalta ainda a importância de boas relações de trabalho nesse contexto. “Eu já vivi ambientes de trabalho tóxicos, competitivos, de vigilância, de controle. E eu gosto de pensar que a gente criou na Ubu um ambiente que se caracteriza por troca, aprendizado, colaboração, apoio, cuidado e pela liderança das pessoas que conhecem suas áreas.”

Além de um ambiente de trabalho saudável, da produção de conhecimento e divulgação de ideias, Florencia ressalta que o posicionamento ético e político integra o modo de atuação da editora.

“Eu acho que isso também é característica de algumas editoras independentes: eu vejo a Ubu como um lugar de posicionamento e de pensamento, inclusive de atitude crítica, no sentido do Foucault, de atitude política, de se colocar. Não fazendo disso uma militância, mas sim uma ética política”, explicou.

Mais de 500 livros

Atualmente professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mas sem deixar a profissão de tradutor, Adail Sobral já traduziu mais de 500 livros. Foi também membro do corpo de jurados do Prêmio Jabuti nos anos de 2004, 2007, 2008 e 2018.


Brasília (DF), 09/01/2026 - Setor editorial. Adail Sobral. Foto: Adail Sobral/Arquivo Pessoal

Professor da Universidade Federal do Rio Grande e tradutor Adail Sobral. Foto: Adail Sobral/Arquivo Pessoal

“Eu comecei por acaso, mas aí eu me apaixonei pela tradução. E não parei.”

A tradução do primeiro livro ─ Atos de fala, de John Searle ─ aconteceu enquanto era aluno de pós-graduação, em 1981, quando a tradução fazia parte das atividades acadêmicas.

“Eles convocaram todo mundo para começar a traduzir. Era a universidade que traduzia e fazia parte de nossas atividades. A gente traduzia de graça. Ali, não era profissional ainda”, contou Adail.

De 1985 até 1999, ele se dedicou totalmente à profissão, em grande parte junto à sua esposa na época, Maria Stela Gonçalves (1954-2015).

“Em uma época, eu traduzi bastante coisa de informática. Era o que me sustentava. Depois, comecei a traduzir da área de ciências humanas, e aí teve um monte de coisas”, lembrou Adail, citando autores como Jean Baudrillard, Jonathan Barnes, David Harvey e Félix Guattari, além de títulos religiosos. Depois, o tradutor se especializou na área de medicina. “É o que dava dinheiro”, revela.

Uma das obras que mais gostou de trabalhar foi Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell.

“Ele escreve sobre mitologia de uma maneira que é literária e também é técnica. Então é um livro bonito, que esteticamente agrada, não só o conteúdo mas a forma, a maneira como ele é organizado. E essa tradução tinha uma particularidade. Não deu tempo de ser editada, não teve revisão. A revisão foi minha mesmo, eu mesmo traduzi, eu mesmo revisei”, lembrou.

“Eu gostei também de traduzir, junto com Maria Stela, o Jean Baudrillard: A troca simbólica e a morte, que saiu em 1996. Esse livro tem também uma particularidade, o primeiro capítulo dele é uma transcrição de fala. Nós conseguimos reproduzir por escrito a fala, ficou muito bonito”, contou.

O casal traduziu ainda as obras completas de Santa Teresa de Jesus, que é outro dos trabalhos que mais lhe trouxe satisfação, apesar de exigir intensa dedicação.

“Era um original do Século 16, e a tradução teve que ser adaptada para o tempo moderno. Eram 2 mil páginas. Passamos um ano traduzindo,180 [páginas] por mês, mais ou menos”, lembrou.

“Esses três [trabalhos] eu adoro. Esses livros eu adoro de toda maneira. E o da Santa Teresa, imagina, levamos um ano convivendo com uma obra”, disse com entusiasmo.

Valorização profissional

Adail menciona o cansaço causado pelo ofício e suas longas jornadas de trabalho, ainda que tenha se encontrado na profissão.

“Eu fiquei traduzindo 15 anos fora da universidade. Depois, eu resolvi voltar porque eu estava cansado de só traduzir. Uma época, eu traduzia 14 horas por dia, tinha dois ou três clientes [ao mesmo tempo]”, lembrou.

Em relação ao modelo de contratação no setor editorial e livreiro naquela época, ele avalia que era uma relação quase paternalista.

“De certo modo, a gente não era considerado um profissional. A remuneração não era boa, você tinha que traduzir bastante para conseguir sobreviver. Hoje eu acho que está um pouco melhor, mas nem tanto também.”

Adail menciona que os empregadores justificavam um salário menor por conta do pagamento ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, os tradutores prestam serviços como pessoa jurídica, mas ainda há desvalorização profissional.

“As grandes editoras [no país] determinam qual é o preço que elas vão pagar para a tradução. As menores negociam um pouco, mas justamente elas não têm poder de pagamento”, comentou sobre as dificuldades da profissão no país.

Segundo ele, os profissionais alcançam melhor remuneração em traduções de áreas técnicas ─ que exigem precisão terminológica ─ e na prestação de serviços para clientes estrangeiros.



EBC

Estaduais: Cruzeiro apresenta Gerson com derrota; Palmeiras bate Lusa


O torcedor do Cruzeiro presente no Mineirão no último sábado (10) viveu emoções distintas. Primeiro, a empolgação pela contratação do meia Gerson, que foi apresentado com festa aos mais de 35 mil presentes no estádio. Depois, a frustração pela derrota por 2 a 1 para o Pouso Alegre, pela rodada de abertura do Campeonato Mineiro.

Gerson foi ao gramado acompanhado de familiares e de Pedro Loureiro, principal acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro. O meia vestiu a camisa 97, alusiva ao ano da conquista da última Libertadores pela Raposa (1997). O contrato assinado pelo atleta de 28 anos, que veio do Zenit, da Rússia, e foi multicampeão pelo Flamengo, vale até 2030. O clube não divulgou valores, mas trata a negociação como “histórica para o futebol brasileiro”.

Com a bola rolando, porém, o Pouso Alegre precisou de apenas quatro minutos para estragar a festa celeste, com Alexandre. Na etapa final, aos dez, o também meia Gabriel Tota ampliou para o time visitante, no retorno aos gramados após dois anos e dois meses eliminado do futebol por envolvimento em esquemas de manipulação de resultados. Ele não atuava desde maio de 2023, quando defendia o Ypiranga-RS.

Nos acréscimos, o lateral Kauã Prates descontou, mas não foi suficiente para evitar a derrota na estreia de Tite no comando do Cruzeiro. O treinador levou a campo um time alternativo, formado por jogadores da base, reservas e que retornaram de empréstimo.

Mais três jogos movimentaram a primeira rodada do Campeonato Mineiro. Na partida que ​abriu o Estadual, Uberlândia e Tombense não saíram do zero no Parque do Sabiá, em Uberlândia (MG). Mesmo placar de URT e North no Estádio Zama Maciel, em Patos de Minas (MG). Já o Democrata superou o Itabirito no Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima (MG), por 1 a 0.

Deu Verdão no clássico das colônias

A primeira rodada do Campeonato Paulista já reservou um clássico entre as colônias lusitana e italiana de São Paulo para a noite de sábado. Melhor para o Palmeiras, que venceu a Portuguesa por 1 a 0 no Canindé.

O gol dos atuais vice-campeões saiu dos pés de Luighi, aos sete minutos da etapa final. O também atacante Igor Torres, da Lusa, foi expulso três minutos antes de o Verdão sair na frente. O volante Marlon Freitas, ex-Botafogo, fez a estreia na equipe dirigida por Abel Ferreira, que escalou um time misto.

Em outro confronto, Guarani e Primavera empataram por 1 a 1 no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP). O zagueiro Raphael Rodrigues, aos 20 minutos do segundo tempo, abriu o placar para o Bugre, mas o atacante Josiel, aos 50, evitou a derrota do Fantasma, estreante na elite do Paulistão, marcando o primeiro gol do clube de Indaiatuba (SP) na primeira divisão.


11/01/2026 - Inter avança e segue na busca pelo hexa da Copinha. Foto: Nathan Bizotto/Internacional

Inter avança e segue na busca pelo hexa da Copinha. Foto: Nathan Bizotto/Internacional 

Goleada tricolor no interior gaúcho

O único time a vencer no primeiro sábado de bola rolando pelo Campeonato Gaúcho foi o Grêmio, que goleou o Avenida por 4 a 0 no Estádio dos Eucaliptos, em Santa Cruz do Sul (RS). O atacante Francis Amuzu, o zagueiro Wagner Leonardo, o volante Arthur e o meia Roger marcaram para o Tricolor, que teve a estreia do lateral Caio Paulista e do técnico Luís Castro. Todos os gols saíram na segunda etapa.

O Gauchão teve início com dois empates por 1 a 1. No Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS), Juventude e Ypiranga balançaram as redes uma vez cada, assim como Guarany e Monsoon, que duelaram no Estádio Estrela D’Alva, em Bagé (RS).

Londrina arranca empate heroico

De volta à Série A do Campeonato Brasileiro, o Coritiba voltou a tropeçar em casa pelo Campeonato Paranaense. Na tarde de sábado, mesmo terminando a partida com dois homens a mais, o Coxa não saiu de um empate por 2 a 2 com o Londrina, no Couto Pereira, em Curitiba.

O Tubarão, como é conhecido o time do interior, abriu o placar com Iago Teles, mas o também atacante Thiago Azaf igualou, em cobrança de pênalti que levou à expulsão do zagueiro Wallace. Com um a mais, o Coritiba passou à frente com o meia Matheus Dias. Pouco antes dos acréscimos, o lateral Kevyn empatou. O volante André Júnior ainda levou o cartão vermelho nos minutos finais, mas o Londrina segurou o resultado.

Derrotado na última quarta-feira (7) pelo Foz do Iguaçu, por 3 a 2, também no Couto, o Coxa somou o primeiro ponto no Estadual. O Tubarão, que estreou superando o atual campeão Operário por 2 a 0, no Estádio do Café, em Londrina (PR), tem quatro pontos.

Ainda no sábado, a segunda rodada do Paranaense foi aberta com a reedição da última final, entre Operário e Maringá, no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa (PR). As equipes ficaram no 1 a 1. O Fantasma somou o primeiro ponto, enquanto o Dogão – que empatou por 3 a 3 com o Cianorte no Estádio Albino Turbay, em Cianorte (PR), na quarta passada – chegou a dois pontos na classificação.

Ceará estreia com vitória em 2026

A estreia do Ceará no Campeonato Cearense foi com vitória por 1 a 0 sobre o Floresta no Domingão, em Horizonte (CE). O atacante Enzo Lodovico marcou o gol do Vozão, que foi a campo com a equipe sub-20. O compromisso de sábado foi válido pela segunda rodada do Estadual – o Alvinegro folgou na primeira.

O atual bicampeão cearense volta a campo nesta quarta-feira (14), às 21h30 (horário de Brasília), diante do Maranguape, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. O jogo será transmitido ao vivo pela TV Brasil, em parceria com a TV Ceará.

Em outra partida de sábado pelo Estadual, o Quixadá recebeu o Maracanã no Abilhão, em Quixadá (CE), e ganhou por 1 a 0. O Canarinho do Sertão, como o clube é conhecido, soma quatro pontos após duas rodadas, enquanto o Bicolor de Maracanaú (CE) acumula duas derrotas e segue zerado.



EBC

Brasil no Mundo analisa ofensiva dos EUA sobre Venezuela


TV Brasil apresenta neste domingo (11), às 19h30, uma edição inédita do programa Brasil no Mundo. Para discutir os desdobramentos da ofensiva dos Estados Unidos sobre a Venezuela e o sinal que essa ação envia ao mundo, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat recebem Monica Herz, que é PhD em Relações internacionais pela London School of Economics and Political Science. O episódio também aborda os impactos para a América Latina e os riscos que se abrem diante desse novo cenário.

>> Acompanhe a cobertura da Agência Brasil

Um dos destaques da edição é que a participação de Yan Boechat ocorrerá direto da Ponte Simón Bolívar, principal fronteira terrestre entre Venezuela e Colômbia. O jornalista está na cidade colombiana de Cúcuta, acompanhando in loco os desdobramentos do conflito, junto ao coordenador de cinegrafia Gilvan Alves. A ida dos dois à fronteira dá continuidade à cobertura especial que a TV Brasil desenvolve sobre o tema desde o sábado (3), data da invasão à Venezuela e do sequestro do presidente Nicolas Maduro pelos Estados Unidos. A emissora foi a primeira a exibir imagens da região de fronteira, graças à parceria com a TV Universitária de Roraima, integrante da Rede Nacional de Comunicação Pública.

Monica Herz é diretora do Instituto Latino-Americano para o Multilateralismo e, até 2025, foi professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É referência em política internacional da América Latina e governança global, com vasta produção acadêmica em livros e artigos sobre relações internacionais e segurança global.

Sobre a produção

O programa Brasil no Mundo se dedica a destrinchar os grandes acontecimentos globais com a profundidade que cada tema exige. Conduzido pelos jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, apresenta análises consistentes e, a cada edição, recebe um convidado que contribui para ampliar a compreensão do cenário internacional e de seus reflexos na sociedade. Com exibição semanal na TV Brasil, sempre aos domingos, às 19h30, o programa tem duração de uma hora.

Cristina Serra atua como jornalista há cerca de 40 anos, tendo trabalhado na Globo por 26 anos, como correspondente em Nova Iorque, entre outras funções. Jamil Chade trabalha há duas décadas como correspondente de diversos veículos no escritório da ONU em Genebra, período em que contribuiu com BBC, CNN, The Guardian e veículos brasileiros. Yan Boechat cobre conflitos internacionais há 20 anos para diversos veículos e já fez reportagens in loco na África, Oriente Médio, Rússia e América Latina.

O programa já entrevistou personalidades como a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva; o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30; além do geógrafo Elias Jabbour.

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EBC

Trump diz que Estados Unidos “estão prontos para ajudar o Irã”


O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os Estados Unidos (EUA) estão prontos para intervir no Irã, onde ocorrem manifestações populares contra o governo.

“O Irã está em busca de liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar, escreveu em sua própria rede social.

Trump afirmou nessa sexta-feira (9) que seu país poderia entrar em ação no Irã caso o regime matasse os manifestantes. No momento, já morreram mais de 50 pessoas. Além disso, as autoridades iranianas intensificaram a repressão contra os protestos, segundo informam as agências internacionais.

O Irã passa por um apagão na internet desde ontem (9), provocado pelas autoridades locais. Telefonemas também não chegam ao país e os voos foram cancelados.

As manifestações começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o aumento da inflação, mas já passaram para o âmbito político e buscam agora a derrubada do governo.

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse que os protestos são promovidos por “vândalos” que agem em nome de Donald Trump.



EBC

Secretário executivo é nomeado ministro interino da Justiça


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, para chefiar a pasta interinamente. A indicação foi publicada nessa sexta-feira (9) no Diário Oficial da União

Ele substitui temporariamente o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que entregou, na quinta-feira (8), uma carta com pedido de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 e alegou que questões pessoais e familiares o levaram a tomar a decisão.

“Tenho a convicção de que exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos”, escreveu Lewandowski na carta.

Interino

O ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto já foi secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em 2014, teve o nome aprovado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar o cargo de secretário-geral da Corte. 

Almeida Neto exerceu por oito anos o cargo de diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No âmbito acadêmico, foi professor e cursou pós-doutorado e doutorado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).



EBC

Vitória e Atlético-BA abrem Campeonato Baiano com empate sem gols


O Vitória estreou com empate no Campeonato Baiano. Neste sábado (10), o Leão não saiu do zero com o Atlético-BA, de Alagoinhas, no Barradão, em Salvador, pela primeira rodada da competição. A partida foi transmitida ao vivo pela TV Brasil, em parceria com a TVE Bahia.

O planejamento do Vitória para 2026 contempla a utilização de um time mesclado no Baianão, com jogadores pouco aproveitados e atletas da base, sob comando de Rodrigo Chagas, auxiliar do técnico Jair Ventura. A equipe principal tem a preparação voltada ao Campeonato Brasileiro. O Leão estreia no dia 28 de janeiro, em casa, contra o Remo.

Entre os jogadores escalados para o primeiro compromisso rubro-negro no ano, o mais experiente era o meia Dudu Maraíma, que realizou, neste sábado, a partida de número 101 pelo Vitória. Revelado no clube, ele não atuava pela equipe desde 2023. De lá para cá, esteve emprestado ao Náutico, à Portuguesa, ao CSA, Noroeste e São Bernardo.

Do lado atleticano, o nome mais famoso do elenco não saiu do banco. Trata-se do atacante Walter, de 36 anos, que despontou no Internacional, onde foi campeão da Libertadores em 2010, passando também pelo Porto, de Portugal; Fluminense, Cruzeiro e outros 19 clubes. Já o técnico Agnaldo Liz foi zagueiro do Vitória e fez parte do grupo que foi vice do Brasileirão em 1993 – assim como Rodrigo Chagas, lateral daquele time.

O Atlético, que não tinha nada a ver com a opção estratégica do Vitória para o Estadual, iniciou tomando a iniciativa e assustou aos sete minutos. O atacante Higor foi lançado pelo meia Miller, às costas de Kauan, encarou a marcação do zagueiro na área e bateu no travessão.

O Leão foi se encontrando na partida e respondeu aos 14 com o próprio Kauan. Após escanteio da esquerda cobrado pelo meia Pablo, o zagueiro cabeceou a bola na trave. Dez minutos depois, Pablo recebeu do atacante Lawan e chutou. A finalização explodiu na marcação e encobriu o goleiro Patyêgo, mas o zagueiro Dedé, praticamente em cima da linha, salvou os visitantes.

No segundo tempo, o ritmo das equipes, ambas em início de temporada, caiu bastante, e as chances de gol rarearam. No Vitória, destaque para as entradas do lateral Jamerson, que voltou a jogar após sete meses tratando o rompimento dos ligamentos do tornozelo direito, e do atacante Kike Saverio, italiano de nacionalidade equatoriana e espanhola, revelado nas categorias de base do Barcelona, da Espanha. Nos acréscimos, os donos da casa conseguiram ocupar o campo de ataque, mas sem êxito.

Tem mais Baianão na TV Brasil

Neste domingo (11), quem estreia no Baianão é o atual campeão. Em outro duelo com transmissão ao vivo da TV Brasil, o Bahia enfrenta o Jequié na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em Salvador, às 16h (horário de Brasília). Assim como o Vitória, o Esquadrão de Aço disputará o Estadual com um time alternativo, com a diferença que a equipe será dirigida pelo próprio técnico Rogério Ceni.

A edição deste ano é a de número 122 do Campeonato Baiano. A competição reúne dez times, que jogam entre si na primeira fase. Os quatro primeiros avançam às semifinais, que serão disputadas em partida única, assim como a decisão. Os dois últimos caem à segunda divisão de 2027. O Bahia é o maior vencedor, com 51 títulos. O Vitória conquistou o torneio 30 vezes.

Gabigol marca na volta ao Santos

O Campeonato Paulista também começou neste sábado. Primeiro dos quatro principais clubes de São Paulo a estrear, o Santos venceu o Novorizontino por 2 a 1, de virada, na Vila Belmiro. A partida marcou a reestreia do atacante Gabriel Barbosa, o Gabigol, que deu início à terceira passagem pelo Alvinegro Praiano.

O Tigre abriu o marcador. Aos 25 minutos do primeiro tempo, Diego Galo recebeu do também meia Rômulo na entrada da área pela esquerda e chutou por baixo do goleiro Gabriel Brazão. O Peixe igualou aos seis da etapa final, com Gabigol aproveitando a sobra de um chute do meia Benjamin Rollheiser e finalizando de primeira. Aos 43, o lateral Igor Vinícius cruzou pela direita e o meia Thaciano completou para as redes, garantindo o triunfo dos anfitriões em Santos (SP).

Na partida que abriu a 86ª edição do Paulistão, o São Bernardo recebeu o recém-promovido Capivariano e goleou por 4 a 0. Os atacantes Echaporã, Felipe Garcia e Pedro Vitor balançaram as redes no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). No ano passado, o clube do ABC conquistou o acesso à Série B do Brasileirão.

Para se adequar à diminuição de 16 para 12 datas, o Campeonato Paulista adotou novo regulamento para 2026. Os 16 participantes foram divididos em potes (quatro em cada), conforme a classificação na edição anterior do torneio. Na primeira fase, além de enfrentar os rivais do mesmo pote, os clubes encaram mais cinco adversários decididos por sorteio.

Após oito rodadas, os oito primeiros vão às quartas de final, que terão jogo único, assim como as semifinais. A decisão será realizada em partidas de ida e volta. Os dois últimos da primeira fase vão para a Série A2, a segunda divisão do Paulistão. O Corinthians é o maior campeão, com 31 títulos, e venceu a edição de 2025.



EBC

CEO de petroleira dos EUA a Trump: “é inviável investir na Venezuela”


O presidente e CEO da ExxonMobil, Darren Woods, avaliou, em reunião com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, nessa sexta-feira (9), que, atualmente, é inviável investir no setor na Venezuela.

 “Se analisarmos as estruturas legais e comerciais vigentes hoje na Venezuela, veremos que o país é inviável para investimentos”, afirmou. O diagnóstico foi tornado público em uma postagem na página da maior empresa petrolífera dos Estados Unidos.

Woods ponderou a Trump que, para viabilizar ações no país, mudanças significativas precisam ser feitas nas estruturas comerciais e no sistema jurídico.

“É necessário haver proteções duradouras para os investimentos, e as leis de hidrocarbonetos do país precisam ser alteradas”, afirmou Woods.

No final da carta, ele abriu a possibilidade de, a convite do governo venezuelano e com garantias de segurança, enviar uma equipe ao local.

“Acredito que podemos contribuir para levar o petróleo bruto venezuelano ao mercado e obter um preço justo, ajudando assim a melhorar a situação financeira do país”.

Alterações pedidas

O presidente da empresa acrescentou, no entanto, que há confiança de que o trabalho em conjunto dos governos estadunidense e venezuelano poderá implementar alterações. 

“Com relação ao governo venezuelano, não temos opinião formada”, ressaltou. Ele destacou o maior desafio no caso dos recursos. 

“Eles são uma importante fonte de receita que ajuda a sustentar as pessoas das regiões onde atuamos. E tem que ser vantajosa para as pessoas. Precisamos ser bem-vindos lá — e ser bons vizinhos”. 

O CEO da petroleira recordou ao presidente Trump que a empresa entrou na Venezuela pela primeira vez na década de 1940 e saiu há 20 anos.

“Nossos bens foram confiscados lá duas vezes. Portanto, você pode imaginar que uma terceira entrada exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente aqui e ao que é a situação atual”.

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EBC

Dores lombares tiram João Fonseca de mais um torneio na Austrália


O brasileiro João Fonseca está fora do ATP 250 de Adelaide, na Austrália. Neste sábado (10), o tenista carioca publicou um vídeo na rede social Instagram, em que comunica a desistência em razão de dores lombares. É a mesma lesão que já o tirou do ATP 250 de Brisbane, também em solo australiano, e do compromisso do Brasil diante do Canadá pela Copa Davis, torneio equivalente a um Mundial masculino de seleções no tênis.

“Infelizmente, tive que me retirar do torneio de Adelaide. Estou sentindo uma dor nas costas e tentando me recuperar o mais rápido possível para estar 100% em quadra de novo”, declarou o carioca de 19 anos, no vídeo.

Fonseca corre contra o tempo para disputar o Aberto da Austrália, primeiro dos quatro principais torneios do circuito – os chamados Grand Slams – da temporada. Depois da publicação nas redes sociais, ele concedeu uma entrevista coletiva em Adelaide. Segundo o brasileiro, as dores lombares têm sido crônicas.

“Eu nasci com um algo nas minhas costas e às vezes fica mais dolorido. Já tive uma fratura por estresse há cinco anos, mas é algo que vai estar no meu corpo, então preciso lidar com isso. Fizemos uma ressonância magnética e não é nada muito sério, mas pode ficar sério, então queremos estar 100%”, disse Fonseca.

O brasileiro é o 29º colocado do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Ele caiu cinco posições em relação a 2025, após ficar fora do ATP de Brisbane, e deve perder mais alguns lugares pela ausência em Adelaide. Mesmo assim, está garantido como um dos 32 cabeças de chave do Aberto da Austrália, o que significa evitar um confronto com um top-30 do mundo, ao menos, nas duas primeiras fases.



EBC