Ministério diz que Enel pode perder concessão se não cumprir metas


O Ministério de Minas e Energia afirmou neste domingo (14) que a Enel poderá perder a concessão para operar no estado de São Paulo se não cumprir integralmente os índices de qualidade e as obrigações contratuais previstas.

O posicionamento da pasta foi divulgado depois que a concessionária voltou a ser alvo de críticas pela demora no restabelecimento da energia elétrica após a passagem de um ciclone extratropical pelo estado.

No auge da crise, na quarta-feira (10), cerca de 2,2 milhões de clientes foram impactados. Os ventos, que chegaram a 98km/h em algumas regiões, derrubaram mais de 300 árvores. Muitas delas caíram sobre a rede de fios, destruindo cabos e postes. Até ontem, ainda havia mais de 417 mil sem o serviço.

Em nota divulgada à imprensa, o ministério disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou rigor absoluto na fiscalização da qualidade dos serviços de energia.

“O governo do Brasil não tolerará falhas reiteradas, interrupções prolongadas ou qualquer desrespeito à população, especialmente em um serviço essencial como o fornecimento de energia elétrica”, declarou a pasta.

O órgão também informou que o ministro Alexandre Silveira atua desde 2023 para alertar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os problemas envolvendo a Enel.

Segundo o ministério, Silveira também propôs uma reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, para “alinhamento de responsabilidades” envolvendo o caso.

Outro lado

Em comunicado aos consumidores, a Enel disse que a energia foi restabelecida neste domingo para 99% dos clientes da companhia. A empresa afirmou ainda que segue atuando para atender todos os clientes afetados.

“Desde a manhã de quarta-feira, mobilizamos um número recorde de equipes em campo, chegando a até 1.800 times ao longo dos dias de trabalho”, disse a Enel.



EBC

Quatro dias após ventania, SP tem mais de 60 mil clientes sem luz


Mais de 66 mil clientes ainda estão sem energia elétrica na Grande São Paulo neste domingo (14), quatro dias depois da ventania provocada pela chegada de um ciclone extratropical.

Ontem, a Enel afirmou que restabeleceria o serviço hoje, porém, 0.78% do total de consumidores atendidos pela concessionária estão às escuras.

Segundo comunicado da empresa, as equipes continuam nas ruas trabalhando para restabelecer o serviço.

No auge da crise, na quarta-feira (10), cerca de 2,2 milhões de clientes foram impactados. Os ventos, que chegaram a 98km/h em algumas regiões, derrubaram mais de 300 árvores. Muitas delas caíram sobre a rede de fios, destruindo cabos e postes.

Devido à gravidade da situação, neste sábado (13), a Justiça de São Paulo deu o prazo de 12 horas para a Enel religar a energia na cidade e também nos municípios vizinhos sob o risco de multa de R$ 200 mil por hora.

Neste domingo, o Ministério de Minas e Energia divulgou nota dizendo que a Enel poderá perder a concessão para operar no estado de São Paulo se não cumprir integralmente os índices de qualidade e as obrigações contratuais previstas.



EBC

Governo brasileiro repudia atentado na Austrália


O Governo federal divulgou nota de repúdio ao ataque terrorista que aconteceu numa praia da Austrália neste domingo (14) durante uma celebração judaica. 16 pessoas morreram e 29 ficaram feridas.

“O Governo brasileiro expressa solidariedade às famílias das vítimas, às pessoas feridas e a todos os demais afetados, bem como ao povo e ao Governo australianos”.

Na nota, o governo reafirma “seu enérgico repúdio a todo ato de terrorismo e a quaisquer manifestações de antissemitismo, ódio e intolerância religiosa”.

Atentado

O ataque aconteceu na praia de Bondi, que recebia uma festa judaica. Doze pessoas foram mortas no atentado e mais de vinte foram encaminhadas para o hospital. Os óbitos aumentaram nas horas subsequentes e chegaram a dezesseis.




EBC

Osasco garante lugar no pódio do Mundial de Clubes feminino de vôlei


A medalha de bronze do Campeonato Mundial de Clubes feminino de vôlei, realizado em São Paulo, é do Osasco/São Cristóvão Saúde. Neste domingo (14), a equipe paulista venceu o duelo 100% brasileiro com o Dentil Praia Clube por 3 sets a 0, parciais de 25/20, 28/26 e 25/19, no ginásio do Pacaembu, pela disputa do terceiro lugar.

Campeão em 2012, o Osasco repetiu 1994 e 2011, quando também ficou em terceiro. Em 2010 e 2014, o time da grande São Paulo foi vice. O Praia Clube, por sua vez, igualou o desempenho das últimas três edições, em que caiu nas semifinais e perdeu a disputa pelo bronze, terminando o torneio em quarto lugar.

Depois de um primeiro set com domínio osasquense, o time de Uberlândia (MG) esboçou reação, mas não aproveitou a vantagem construída ao longo da segunda parcial, quando esteve a um ponto de empatar o jogo, e sucumbiu ao bloqueio paulista – foram 12 pontos no fundamento durante a partida, contra dois do rival. No terceiro set, o Osasco repetiu o desempenho do começo do confronto, controlando as ações desde o início, e sacramentou a vitória em um ataque da ponteira Maiara Basso. 

A oposta argentina Bianca Cugno, com 21 pontos, brilhou como maior pontuadora do Osasco e da partida – a ponteira norte-americana Payton Caffrey, com 18 pontos, foi o destaque do Praia. Ao final do jogo, o técnico Luizomar de Moura foi para a torcida comemorar e cantar. O treinador é ídolo histórico do time paulista.

A final será totalmente italiana, entre Conegliano – da ponteira Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira – e Scandicci. O duelo no Pacaembu começa às 16h30 (horário de Brasília). O confronto reedita a final da última Liga dos Campeões da Europa, vencida pelo Conegliano, que busca o tetra mundial. O Scandicci mira o primeiro título.

Mundial masculino

O Brasil também será sede do Mundial de Clubes masculino, que começa terça-feira (16), em Belém. É a quarta vez nos últimos cinco anos que a competição acontece no país. Em 2021 e 2022, o torneio foi em Betim (MG), enquanto Uberlândia recebeu o evento na temporada passada.

Dos oito participantes, três são brasileiros: Sada Cruzeiro, Vôlei Renata e Praia Clube. A Raposa, atual campeã e dona de cinco títulos, está no Grupo B, com Perugia, da Itália; Osaka Bluteon, do Japão, e Swehly, da Líbia. Os mineiros encaram os japoneses na terça, às 10h, abrindo a competição.

Os outros representantes do país ocupam o Grupo A, junto de Warta Zawiercie, da Polônia, e do Al-Rayyan, do Catar. Também na terça-feira, o Praia, terceiro da última Superliga, enfrenta os cataris às 17h. Por fim, às 20h30, o Vôlei Renata, vice nacional para o Cruzeiro, mede forças com os poloneses.

O único brasileiro a ter vencido o Mundial masculino foi o Cruzeiro, em 2013, 2015, 2016, 2021 e 2024. Em 1990, na edição de Milão, na Itália, e no ano seguinte, em São Paulo, o Banespa foi vice. O Vôlei Renata, que chegou a Campinas (SP) em 2010, surgiu como continuidade ao projeto do Banespa.



EBC

Carla Zambelli renuncia ao mandato; Câmara dará posse ao suplente


A Câmara dos Deputados informou neste domingo (14) que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) renunciou ao mandato. A comunicação foi enviada à Mesa Diretora da Casa. 

Com a renúncia, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve dar posse nesta segunda-feira (15) ao suplente da parlamentar, Adilson Barroso (PL-SP). 

Zambelli deixa o mandato dois dias após Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a cassação imediata do mandato dela. 

Na sexta-feira (12), a Primeira Turma do Supremo confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação e manteve o mandato da deputada.

Na última quarta-feira (10), a Câmara decidiu manter o mandato de Carla Zambelli pelo placar de 227 votos a favor e 110 contra. Eram necessários 257 votos para aprovação da cassação.

Diante da deliberação que manteve o mandato da parlamentar, Alexandre de Moraes decidiu anular a resolução da Casa que oficializou o resultado da votação.

O ministro disse que a decisão é inconstitucional. No entendimento de Moraes, a Constituição definiu que cabe ao Poder Judiciário determinar a perda do mandato de parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabendo à Câmara somente “declarar a perda do mandato”.

Fuga

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por ter dupla cidadania, a deputada deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

A decisão final sobre o processo de extradição feito pelo governo brasileiro será tomada em audiência da Justiça italiana na próxima quinta-feira (18).  



EBC

Em várias capitais, manifestantes vão às ruas contra PL da Dosimetria


Manifestantes de diversas cidades brasileiras foram às ruas neste domingo (14) contra a aprovação do chamado PL da Dosimetria, o projeto de lei que pretende diminuir o cálculo das penas (dosimetria) de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os atos são promovidos pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos de esquerda que se mobilizaram contra a aprovação do projeto.

Pela manhã, os atos foram realizados nas principais capitais do país, entre elas, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Maceió, Fortaleza, Salvador e Brasília.

Na capital federal, os manifestantes se reuniram em frente ao Museu da República e se dirigiram ao Congresso, onde gritaram palavras de ordem e ergueram cartazes com os dizeres “Sem anistia para golpista”. Também houve criticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Em São Paulo, o ato também está acontecendo, começou às 14h, em frente ao Masp, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, a concentração estava marcada para as 13h, na altura do posto 5, em Copacabana.

Projeto de lei

Na quarta-feira (10), a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que prevê a redução de penas de pessoas condenadas pelos atos golpistas.

O texto foi aprovado durante a madrugada e é substitutivo do relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ao Projeto de Lei 2162/23, do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). 

O substitutivo determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

Após a aprovação na Câmara, o projeto seguiu para o Senado, onde será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima quarta-feira (17). 



EBC

Flamengo busca reabilitação após derrota na Champions do basquete


O Flamengo volta a quadra neste domingo (14) pela Champions League das Américas, a “Libertadores” do basquete masculino, em busca da reabilitação. O Rubro-Negro encara o Obras Sanitarias, da Argentina, a partir das 21h10 (horário de Brasília), no Ginásio 8 de Junio, na cidade uruguaia de Paysandú, sede dos jogos do primeiro turno do Grupo B.

Em atuação pouco inspirada, os brasileiros estrearam com derrota para o Nacional, do Uruguai, no sábado (13), por 75 a 63. O terceiro quarto foi determinante, com os anfitriões fazendo 23 pontos contra apenas 11 dos cariocas. No último período, a diferença a favor dos uruguaios chegou a cair para quatro pontos, restando cerca de um minuto e meio para o fim, mas a reação parou aí e os donos da casa controlaram a reta final do jogo.

O ala Connor Zinaich, com 21 pontos e dez rebotes, comandou o triunfo do Nacional. O também norte-americano Shaquille Johnson, ala-armador do Flamengo, foi o destaque do lado rubro-negro.

Os uruguaios lideram o Grupo B com os dois pontos da vitória de sábado. Os brasileiros somam um ponto por conta da derrota. Se vencerem o Obras neste domingo, vão a três pontos e assumem a ponta de forma provisória, já que os argentinos terão o Nacional pela frente na segunda-feira (15), completando o primeiro turno.

A segunda janela da chave terá os jogos no Rio de Janeiro, com mando do Flamengo. O Rubro-Negro pega o Obras em 17 de janeiro e o Nacional dois dias depois. O terceiro e último turno será em Buenos Aires, capital argentina, entre 7 e 9 de fevereiro. Os dois primeiros do grupo avançam às quartas de final.



EBC

Videogame brasileiro tem menino yanomami como herói


A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a partir do laboratório Leetra, produziu e lançou um videogame pensado na introdução da cultura dos povos indígenas para estudantes do Ensino Fundamental 1.

O jogo de plataforma 2D se chama Eli e a Queda do Céu em Território Yanomami e tem como protagonista um menino que deve enfrentar seres malignos para salvar a Floresta Amazônica.

A obra foi inspirada no livro A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, porém, apresenta diversos elementos originais, como o próprio protagonista.

O jogo faz parte de um projeto coordenado pela professora do Departamento de Letras da UFSCar, Maria Silvia Cintra Martins, que procura atender a uma antiga demanda de professores do ensino infantil por mais materiais educativos voltados à história indígena. Antes do lançamento do game, outros dois jogos foram publicados: Jeriguigui e O Jaguar na Terra dos Bororos e Kawã.

Ferramenta

Desde 2008, é obrigatório o estudo da história e cultura indígena nas redes de ensino fundamental e médio em todo o país, mas as ferramentas são limitadas.

“Como formadora de docentes de educação infantil, eu sei da demanda dos professores por material de subsídio para que eles possam, de fato, cumprir a lei”, aponta Maria Silvia.

A coordenadora do projeto fez uma extensa pesquisa bibliográfica para representar de forma respeitosa a cultura yanomami. “Eu fiz muita pesquisa online, em busca de elementos geográficos, históricos, políticos e culturais, a respeito do povo yanomami”.

Os personagens que aparecem no jogo foram criados com diversos elementos inspirados pela cultura anomami. O protagonista da história, Eli, que não existe na história original, possui traços xamânicos e acessórios típicos da comunidade indígena representada.

Também foi criada uma menina xamã no jogo, após Martins sentir que faltava uma figura feminina na narrativa. Lia aparece nos momentos finais do game para apoiar Eli no confronto final.

“Conversando com um engenheiro, falei para ele: nossa, acho que estamos falhando. Neste momento é tão importante a força feminina atuante. Afinal, existem mulheres xamãs também. Então, é por isso que criamos a Lia,” explica Martins.

Por se tratar de um jogo infantil, o design dos personagens e dos cenários foram idealizados de forma leve, com cores chamativas e vibrantes. O Ilustrador do game, Hugo Cestari, apontou que histórias indígenas muitas vezes contêm temas sinistros, por isso, procurou suavizar o visual.

“Os personagens ficaram com uma aparência amigável. Até os vilões têm uma aparência mais amigável. Então, a gente fez tudo pensando no público infantil e para representar a cultura indígena, mas sempre com ar de brincadeira, de aprendizado,” contou Cestari.

Eli e a Queda do Céu em território yanomami pode ser acessado baixado de graça .

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior



EBC

Exposição mostra achados arqueológicos sobre origens da cidade de SP


O passado de entreposto, muito distante da metrópole pujante e urbana dos últimos 100 anos, é retomado na exposição Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana, em cartaz até 29 de março de 2026 na Casa Museu Ema Klabin.

Integrada ao acervo da casa, a exposição propõe uma reflexão sobre origens e cotidiano, mostrando os resultados de pesquisas arqueológicas realizadas na capital paulista durante as duas últimas décadas.

De ferramentas e pontas de flechas talhadas em pedras a fragmentos de cerâmica, é possível acompanhar um passado de uma região que era importante para diversas aldeias, além de marcada por cheias constantes.

A proposta, da curadoria do arquiteto Paulo de Freitas Costa e da doutora em arqueologia Paula Nishida, é revelar aspectos da investigação sobre esse território, em suas dinâmicas anteriores à vila e cidade, como as conhecemos.

Ao apresentar sítios arqueológicos paulistanos, percebe-se que onde há hoje prédios, viadutos, praças, ruas e avenidas, havia estruturas naturais de quartzo e depósitos de argila, materiais usados por diferentes povos – indígenas, europeus e africanos -, na fabricação de pontas de lanças, flechas e cerâmicas.

Esses sítios estão distribuídos pelas várzeas do Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, deram origem ao povoado Piratininga ou peixe seco, por conta dos peixes que ficavam espalhados pelas planícies após o recuo das águas dos rios. Mais tarde, o povoado se transformaria na cidade de São Paulo.

Para a exposição, foram selecionados materiais e mapas de oito dos cerca de 90 sítios arqueológicos já identificados na cidade, representando períodos distintos e importantes para a formação do território paulistano.

“Os sítios Lítico do Morumbi, as urnas funerárias, e os sítios Jaraguá I, II e Olaria II representam o universo dos povos originários antes da invasão europeia. As Cavas de Ouro do Jaraguá e o Pinheiros 2 testemunham o contato entre indígenas e colonizadores; e a Casa do Butantã e a Casa do Itaim Bibi trazem à tona aspectos do período colonial, ampliando o olhar para além do eixo central da cidade”, explica Paula Nishida.

Entre as peças, inclusive reproduções em exposição táctil, há itens datados de 600 anos até 4 mil anos atrás, com usos práticos, como defesa, caçadas e produção de outras ferramentas, até peças de uso simbólicos, como urnas funerárias, encontradas em sítios no que hoje são as regiões central e leste da capital paulistana.

 


São Paulo (SP), 05/11/2025 - Exposição

São Paulo (SP), 05/11/2025 – Exposição “Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

As visitas podem ser feitas de quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h. Elas são mediadas por monitores da Casa ocorrem de quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h, e aos sábados, domingos e feriados, às 14h.  As visitas são gratuitas para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública. Para os demais públicos, os ingressos custam R$ 20,00, com meia entrada para diversas categorias.

Parceria com escolas

A Casa Museu desenvolve processos de formação continuada de professores e parceria com escolas, promovidas pelo seu educativo, além de receber escolas para visitas guiadas ao acervo e às exposições temporárias, como essa dedicada à arqueologia paulistana.

“A gente traz todo o nosso métier de ações que o educativo faz, desde caminhada no bairro a ações que falam sobre a coleção de outros pontos de perspectiva. Eles [os professores] trazem então as turmas, complementando as discussões que a gente teve ao longo da residência”, explica Felipe Azevêdo, educador da instituição.

Dessa forma, a Casa atende os estudantes com mais qualidade, pois o trabalho prévio, com os professores, permite uma abordagem integrada ao currículo das turmas.

Essa estratégia tem suprido a principal dificuldade da Casa Museu, que é a de atrair grupos de visitantes sem dispor de recursos para custear transporte, já que a região tem poucas escolas públicas, quase nenhuma próxima.

 


São Paulo (SP), 05/11/2025 - Exposição

São Paulo (SP), 05/11/2025 – Casa Museu Ema Klabin está localizado no Jardim Europa. No local, a empresária Ema Klabin viveu de 1961 a 1994. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

Mesmo com essa limitação – a Casa está no Jardim Europa, uma das regiões mais caras da cidade – o número de visitantes tem crescido, com vinda de escolas de regiões localizadas há mais de 10 quilômetros.

“A ideia é fazer parcerias. Nós vamos nas escolas também, conhecemos as crianças, conversamos com elas, entendemos o projeto pedagógico da escola e propomos uma visita de acordo com o projeto da escola. Acho que é uma via de mão dupla também”, completa Azevêdo.

Ema Klabin

A residência onde viveu a empresária Ema Klabin, de 1961 a 1994, abriga a Coleção Ema Klabin, com pinturas do russo Marc Chagall e do holandês Frans Post, obras do modernismo brasileiro, com autores como Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de artes decorativas, peças arqueológicas e livros raros, reunindo variadas culturas em um arco temporal de 35 séculos, distribuídos em um jardim projetado por Roberto Burle Marx e uma ampla casa térrea, decorada por Terri Della Stufa.



EBC

Rio recebe exposição do artista plástico Gilberto Salvador


Os trabalhos do artista plástico Gilberto Salvador passam por diversas fases do autor, todas representativas de seu momento de vida. A exposição Geometria Visceral, instalada nos três salões do segundo andar do prédio do Paço Imperial, no centro do Rio, fica à disposição do público até 1º de março do ano que vem.

A mostra representa a volta de Gilberto Salvador ao Rio, 17 anos depois de sua última exposição local. Estão expostas cerca de 40 obras, entre pinturas, esculturas e vídeos, desenvolvidas em mais de 60 anos de jornada.


Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2025 - Exposição “Geometria Visceral”, com um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador, no Paço Imperial, centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As cores entraram nos trabalhos do artista de forma característica. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O artista tinha 18 anos quando fez sua primeira exposição. Embora seja, em boa parte, referente à produção mais recente, a mostra traz trabalhos que foram destaque nas décadas de 1960 e 1970. A rejeição à ditadura militar está presente no trabalho em Viu…! de 1968, período relevante em sua carreira.

“Meu trabalho acabou ganhando identidade muito política, porque estavamos vivendo uma ditadura militar com coerção de tudo quanto é tipo e limitações grandes de ação”, afirmou., em entrevista à Agência Brasil

Salvador lembrou sua participação na Bienal de São Paulo com obras contestatórias na década de 60, ressaltando que ele e a família sempre foram antifascistas.

Como resistência, ele usou em seu trabalho a forma de cartaz de cinema e de história em quadrinhos para mandar as mensagens.

“Foi o momento que utilizei minha linguagem plástica como afirmação de algumas ideias”, disse. 

Na década de 70, mudou o rumo para um discurso mais ligado à ecologia, ao ficar amigo do paisagista Roberto Burle Marx e do arquiteto Oscar Niemeyer. “Existe um fator importante que é a natureza brasileira, difusa, maravilhosa e múltipla, onde as cores são vibrantes”.


Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2025 - Exposição “Geometria Visceral”, com um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador, no Paço Imperial, centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Mostra representa a volta de Gilberto Salvador ao Rio, 17 anos depois da última exposição local. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Assim, as cores entraram nos trabalhos do artista de forma característica.

“A gente é tropicalista não por uma questão conceitual, mas por uma questão existencial.  A opção de uma paleta tropicalista  foi muito mais existencial do que conceitual.”

“Por outro lado, durante 60 anos fui me interessando por vários aspectos do meu trabalho. Teve momentos em que usei até tapeçarias, produzi várias gravuras junto com pintura, cerâmica, escultura em bronze. Fiz muita coisa, porque felizmente ainda estou vivo”, descreveu.

A mostra representa a volta de Gilberto Salvador ao Rio, 17 anos depois da sua última exposição local, que ele gosta de retratar nas suas obras.

Como arquiteto e urbanista, o artista admira a paisagem local e tem satisfação de novamente expor na cidade. “Eu sou apaixonado pelo Rio de Janeiro por causa da topografia. Eu vinha velejando de Ubatuba ao Rio e essa topografia é maravilhosa. Fora que a minha convivência com os cariocas sempre foi positiva”, afirmou, revelando que tem, entre os trabalhos, um com a paisagem do Pão de Açúcar e outro com o Morro Dois Irmãos.

Salvador considera que a formação em arquitetura foi fundamental para seu trabalho, desde quando começou a pintar, fabricando as próprias tintas, o que aprendeu a fazer com o avô.

“A faculdade de arquitetura dá uma leitura de espaço bastante crítica e construtiva e acabei me aproveitando”, disse, acrescentando que trabalhou como arquiteto e deu aulas na universidade até se dedicar especificamente à arte.

Vida


Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2025 - Exposição “Geometria Visceral”, com um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador, no Paço Imperial, centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Se fosse pela vontade de Gilberto, todas as obras poderiam ser tocadas pelos visitantes. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gilberto Salvador teve paralisia infantil aos 9 meses de idade, o que, no entanto, nunca o impediu de fazer o que queria. “Depois fui operado, hoje sou cadeirante. Eu nadei muito, mergulhei muito, velejei muito, hoje estou impossibilitado”, disse. Ele acrescentou que não foi impedimento para desenvolver sua arte, aguçada pela vontade de ter proximidade com o fazer artístico na linguagem plástica, na pintura, no desenho e na escultura. “Não foi uma predisposição, mas uma disposição que foi acontecendo e me levou à sequência de exposições, trabalhos e bienais aqui no Brasil e no exterior”, revelou.

“Há muito tempo utilizo da minha atividade artística como maneira de poder me expressar sentimentalmente aos outros”, pontuou.

Acessibilidade

A preocupação com a acessibilidade está presente na mostra. Ao saber pela curadora que precisava incluir, na exposição, trabalhos que pudessem ser tocados pelos visitantes, lembrou imediatamente de duas esculturas com essa característica. “Trouxemos duas pequenas esculturas para que a pessoa possa passar a mão e ter uma certa sensação do que eu penso da tridimensionalidade e do espaço”, afirmou.

Se fosse pela vontade de Gilberto, todas as obras poderiam ser tocadas pelos visitantes. “Eu, no fundo, cá entre nós, acho que as pessoas podiam mexer em tudo”, comentou o artista, embora reconheça que existiria o risco de danos nas obras, caso fosse permitido.

A curadora tem certeza que o público vai gostar da experiência. “Não é uma leitura tátil daquela obra como a gente sempre faz. No caso do Gilberto, é uma obra que ele disponibilizou para ser tocada”, disse.

Representação na arte

“Ele é uma pessoa admirável. Tem tantos problemas com a condição dele, mas é uma pessoa que jamais se vitimiza, que nem leva muito isso em consideração”, descreveu a crítica de arte e uma das mais respeitadas curadoras do país, Denise Mattar, responsável pela curadoria da exposição em entrevista à Agência Brasil.


Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2025 - Denise Mattar curadora da exposição “Geometria Visceral”, com um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador, no Paço Imperial, centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Denise Mattar é curadora da exposição Geometria Visceral do artista paulistano Gilberto Salvador, no Paço Imperial. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para Denise, o trabalho de Gilberto Salvador tem papel importante na arte brasileira, oriundo dos anos 70, inserido em uma geração que formou o seleto grupo de artistas do período, incluindo Rubens Gerchman, Carlos Vergara e Cildo Meireles. 

“São artistas que abriram as possibilidades do trabalho artístico. Foram os primeiros que fizeram objetos, que começaram a fazer com que a escultura saísse da parede e alcançasse outros caminhos”, disse. Ela destacou que essa geração é fundamental para a arte brasileira.

“É um grupo de artistas extraordinário. Acho que o Gilberto está bem encaixado nesse grupo”, pontuou.

A curadora destascou que há muito tempo conhece o trabalho do artista e ficou muito contente com o convite para fazer a curadoria. “Me deu inteira liberdade de seleção das obras, que preferi focar na produção contemporânea, mas fiz uma pincelada, porque faz tempo que ele não expõe no Rio.”  A mostra traz ainda obras com acrílico que estão presentes na fase mais atual do artista.

A curadora disse que esta não é uma exposição que tem módulos, mas procurou estabelecer conversas entre conjuntos de trabalho. “Revendo as obras, me veio a compreensão de que o trabalho dele vai sempre na borda entre o geométrico e o orgânico”, disse. Ela acrescentou que foi a partir dessa constatação que escolheu o título da mostra.

“Isso é uma constante em toda obra dele e, de repente, o título me estalou: Geometria Visceral. Quando liguei para ele e disse que ia dar o nome, ele falou ‘isso não é um título, é um resumo do meu trabalho”, comentou.



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