Diplomatas indígenas relatam experiência em negociações da COP30


O termo kuntari katu, original das línguas indígenas nheengatu e tupi, significa “aquele que fala bem”. Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, que registrou a maior participação de povos originários e comunidades tradicionais da história desses eventos, jovens indígenas não apenas ocuparam as mobilizações de rua e os eventos de debate espalhados pela cidade, mas também participam diretamente das complexas negociações diplomáticas internacionais ainda em curso.

Esse processo foi possível graças a um programa de formação desenvolvido numa parceria entre os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), das Relações Exteriores (MRE) e o Instituto Rio Branco, este último responsável pela formação de diplomatas brasileiros. Batizado justamente de Kuntari Katu, o curso durou mais de um ano e preparou 30 jovens indígenas, de todas as regiões do país, com uma sólida formação para atuar no processo de negociação da COP30, que termina nesta sexta-feira (21). A reportagem da Agência Brasil conversou com três desses diplomatas indígenas, nos corredores da Zona Azul, a área oficial de negociações.


Belém (PA), 19/11/2025 - Wasady Xakriabá, articuladora da Articulação de Juventude Xakriabá (AJUX), jovem liderança indígena, “diplomata indígena”, que está atuando nas negociações da COP 30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Wasady Xakriabá, de Minas Gerais, diz que tudo que está sendo discutido na conferência impacta direta e indiretamente os povos indígenas – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Tudo o que está sendo discutido na COP nos impacta direta e indiretamente. Quando vai para a adaptação nos afeta, quando se trata da mitigação nos afeta, o financiamento nos afeta, porque apenas 1% desses recursos chega em nossos territórios, a gente se sente desassistido nesses espaços, por isso estar presente na negociação é importante, falando da nossa realidade. Nós somos nossos próprios porta-vozes, ninguém está falando pela gente”, afirma Wasady Xakriabá, de 28 anos, do norte de Minas Gerais.

Em Belém, ela vem acompanhando a Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, mecanismo oficial do Secretariado do Clima das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês) para debater as questões desses grupos nas negociações climáticas.

O curso Kuntari Katu começou a ser desenvolvido em agosto de 2024 e foi estruturado para treinar os participantes com ferramentas essenciais para atuar nos fóruns internacionais. Os módulos presenciais abordam desde as complexidades do financiamento climático até os mecanismos de mercado de carbono, passando por temas como gênero, mitigação e a integração entre as agendas de biodiversidade e clima.

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As aulas foram ministradas por diplomatas experientes e especialistas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), garantindo que os alunos compreendessem tanto a teoria quanto a prática das negociações internacionais.


Belém (PA), 19/11/2025 - Eliel Camlem, indígena Xokleng, de Santa Catarina.  jovem liderança indígena, “diplomata indígena”, que está atuando nas negociações da COP 30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Indígena do povo Xokleng Laklãnõ de Santa Catarina, Eliel Camlem acompanhou as discussões sobre as metas de adaptação climática na COP30 – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Estudante de relações internacionais, Eliel Camlem, de 24 anos, é indígena do povo Xokleng Laklãnõ, de Santa Catarina. Na COP30, ele acompanhou as discussões sobre as metas de adaptação climática, que avançou na definição de 59 indicadores. “Muita coisa sobre esses espaços eu aprendi na graduação, mas teoria e prática são coisas diferentes. O que eu posso destacar sobre estar e aprender nesses espaços, e que muitas vezes não dos damos conta, é a força que os indígenas possuem, mesmo sendo poucos acompanhando a negociação”, aponta.

Entre os principais desafios enfrentados na mesa de negociação pelos jovens do Kuntari Katu está a disputa por conceitos que vão aparecer nos documentos finais. “Uma coisa que a gente sempre diz é que a UNFCCC tem um dicionário próprio. Então, quando alguém tenta introduzir uma nova palavra para esse dicionário, acaba gerando um grande entrave nas negociações e acaba parando tudo”, relata Jean Truká, de 24 anos, do povo Truká, de Pernambuco. Também inserido na Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, ele revela que houve embates com outros países para inserir o conceito de demarcação territorial.

“Quando a gente pauta demarcação, dentro da mesa de negociação, os outros países não aceitam porque não é um conceito entendido da mesma forma no resto do mundo”, exemplifica Jean, formado em gestão ambiental.


Belém (PA), 19/11/2025 - Jean Anjos, indígena Truka, jovem liderança indígena, “diplomata indígena”, que está atuando nas negociações da COP 30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Jean Truká, de Pernambuco, cita o idioma como um dos obstáculos para a participação indígena nos espaços de negociação da COP – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Até o conceito de povos indígenas em outros países, muitos não se identificam dessa forma, principalmente o pessoal da China, por exemplo. Eles não se identificam como povos indígenas e, às vezes, nem como comunidades tradicionais”, acrescenta Eliel.

O obstáculo do idioma também é um desafio para a participação dos indígenas nos espaços de negociação. “A gente chega em salas de reunião e, muitas vezes, não tem nem português, só o inglês e o espanhol. Então, eu me pego pensando na participação dos nossos anciãos, caciques e das nossas lideranças nesse processo de negociação, isso pode dificultar a incidência dos povos indígenas”, observa Wasady. Mesmo assim, pondera, não há nada que possa deter o protagonismo dos povos tradicionais no cuidado com o planeta.

“A gente está trazendo não só nós nossas vozes enquanto pessoas, mas a voz das florestas, das árvores, dos animais, porque eles não podem falar, né. E a gente está ali vivenciando, então a gente meio que se torna porta-voz de todos os seres que habitam nossos territórios.”

Idealizadora do Kuntari Katu, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, explica que o formato foi pensado para garantir não apenas a presença dos indígenas nos espaços, mas desenvolver capacidade de intervenção nos debates negociais que ocorrem nessas conferências.


Belém (PA), 21/11/2025 - Ministra do Povos Indígenas, Sônia Guajajara, fala durante divulgação dos projetos comtemplados pelo Restaura Amazônia em Terras Indígenas, na COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A ministra do Povos Indígenas, Sonia Guajajara, na COP30 – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

“Quatro representantes do Kuntari Katu já estiveram na COP16 da Biodiversidade, em Cali, na Colômbia, e uma participou da COP29 do Clima em Baku, no Azerbaijão. Na preparatória de Bonn [Alemanha], 23 alunos do curso estiveram presentes para compreenderem os desafios que encontrariam em Belém. Agora, as lideranças estão incidindo nos debates da COP30, levando a pauta indígena para as mesas. Kuntari Katu significa aquele que fala bem. É isso o que esses jovens estão fazendo: falando sobre suas realidades e a importância dos territórios indígenas para a mitigação da emergência climática dentro dos espaços decisórios”, destacou a ministra.



EBC

Brasil marca no último minuto e garante vaga na semi do Mundial Sub-17


Graças a um gol marcado no último minuto do segundo tempo, a seleção brasileira derrotou o Marrocos pelo placar de 2 a 1, na tarde desta sexta-feira (21) no estádio Aspire Zone em Doha (Catar), e garantiu a classificação para as semifinais da Copa do Mundo Sub-17 de futebol masculino.

Na próxima etapa da competição, o Brasil medirá forças com Portugal, que superou a Suíça por 2 a 0 nesta sexta. O confronto entre brasileiros e lusitanos será disputado na próxima segunda-feira (24). No mesmo dia Áustria e Itália jogam em busca da outra vaga para a decisão.

O confronto entre Brasil e Marrocos foi muito disputado, com oportunidades claras de lado a lado. Porém, a partida teve um protagonista, o atacante Dell, que, logo aos 14 minutos do primeiro tempo, aproveitou cruzamento de Ruan Pablo para finalizar de primeira e superar o goleiro Bellaarouch.

Tudo caminhava para a seleção brasileira fechar a etapa inicial em vantagem. Mas, aos 46 minutos, o juiz marcou pênalti após Angelo cometer falta em El Aoud dentro da área. Baha foi para a cobrança e não falhou para igualar o marcador.

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Após o intervalo o Brasil assumiu o comando das ações e, já nos minutos finais, conseguiu arrancar a vitória e a classificação. Aos 49, Tiaguinho escorou a bola de cabeça na direção da área, onde Dell tocou de peito para se livrar do goleiro Bellaarouch antes de bater para o gol vazio e garantir a vaga na semifinal.





EBC

Juma Xipaia denuncia impactos de megaempreendimentos na Amazônia


Nos rios e matas do Xingu, na liderança de cargo político ou no tapete vermelho de Hollywood, a cacica Juma Xipaia mantém uma trajetória de coerência, mesmo que com diferentes tipos de linguagem: luta pelos direitos dos povos e para proteger a biodiversidade da Amazônia.

Recentemente, o nome de Juma tem recebido destaque por causa do documentário Yanuni, coproduzido por ela ao lado de Leonardo DiCaprio. O filme tem recebido prêmios no país e no exterior, e tenta uma indicação ao Oscar.

Mas, antes dos cinemas, Juma Xipaia já se destacou como líder da Aldeia Kaarimã, na Terra indígena Xipaya, região do Xingu, no Pará. Ela enfrentou desde cedo os impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. E segue denunciando os impactos sociais e ambientais que megaprojetos semelhantes, como Ferrogrão e a Hidrovia do Tapajós, podem causar para os que vivem na região.

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Juma foi ainda secretária de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas no Ministério dos Povos Indígenas (MPI). E se consolidou à frente da luta pela proteção dos territórios indígenas, enfrentou garimpeiros, grileiros e grandes corporações. Foram várias tentativas de assassinato por sua atuação na defesa da floresta.

Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a cacica tem participado ativamente dos debates que envolvem povos originários, movimentos sociais e justiça climática. E coloca como principal bandeira a demarcação dos territórios indígenas, pelo bem do futuro do planeta.

Agência Brasil: Qual o balanço que você faz da COP30 até agora, principalmente em relação às manifestações indígenas?

Juma Xipaia: Essas manifestações já estavam anunciadas, muito em consideração à demarcação dos nossos territórios, que é um processo histórico. Lutamos e reivindicamos muito isso porque não se trata apenas de ter o território, mas de manter a floresta em pé, proteger a biodiversidade e garantir todos os benefícios que nossos territórios oferecem para o mundo – principalmente para o clima.

Além disso, enfrentamos uma violência crescente nos nossos territórios – não só pela especulação imobiliária, mas também pelo garimpo, que continua crescendo. Mesmo com a queda nos índices de desmatamento na Amazônia, isso não significa que o problema acabou. E o problema tampouco se limita à Amazônia.

Precisamos de maior participação indígena de todos os biomas do país. Temos realidades extremamente diferentes de território para território, de bioma para bioma, mas existe um ponto comum que todos reivindicam em uma só voz: a demarcação dos nossos territórios.

 


Brasília - 21/11/2025 -Juma Xipaia denuncia impactos de megaempreendimentos na Amazônia. Foto: Evelyn Lynam

Juma Xipaia tem participado ativamente dos debates na COP30 que envolvem povos originários, movimentos sociais e justiça climática – Foto: Evelyn Lynam

Agência Brasil: O fato de o evento ocorrer na Amazônia favorece a mobilização dos povos tradicionais e dos movimentos sociais?

Juma Xipaia: Sim, eu vejo tudo isso com bons olhos, porque outros países que sediaram COPs anteriores nem sempre eram democráticos. Em alguns deles, nem mesmo os povos do próprio país podem se manifestar.

Por isso, ver a COP30 acontecendo no coração da Amazônia torna essas manifestações não apenas esperadas, mas um grito de liberdade, um grito de democracia. A COP deve ser um espaço que respeita a democracia, que fomenta e fortalece a democracia no mundo, que garante a liberdade de expressão.

Quando o povo vai às ruas, na COP, em Brasília ou em qualquer parte do mundo, não é uma luta isolada – é uma luta coletiva, por dignidade, por bem-viver. E essa é a forma mais direta e digna de nos expressarmos. Por isso, considero muito válido. E vimos que teve resultado: logo em seguida foi anunciada a demarcação de alguns territórios. Mas fica a pergunta: por que só anunciar e agir depois da manifestação? Por que não fazer isso antes?

Agência Brasil: Aqui, em Belém, você participou de eventos sobre transição energética justa. De que forma debates como esse chegam aos territórios indígenas?

Juma Xipaia: Para o público e para as lideranças que já acompanham essa temática em todas as COPs, é um assunto muito recorrente, cada vez mais falado e discutido.

Mas, quando você olha para o chão do território, eu não vejo os povos indígenas incluídos – e não somente os povos indígenas, mas também os povos tradicionais. Falta inclusão não apenas no debate, mas também nas tomadas de decisão. E isso precisa ser esclarecido, precisa ser dialogado.

Quando você fala sobre transição energética para um parente que está lá no território – para um indígena, para um ribeirinho, para um extrativista – a primeira reação é: “O que tu quer dizer com isso? O que isso significa”?

Fazer uma discussão tão importante usando linguagens técnicas, desconhecidas para a sociedade, é muito arriscado, porque exclui a grande maioria dessa discussão e das tomadas de decisão. Para mim, não existe transição energética justa e limpa se não houver entendimento, participação, consulta e se ela realmente não for limpa, garantida e acessível para a população.

Agência Brasil: Você teve uma participação de liderança na luta contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Xingu. Nesse momento, o impacto social e ambiental de outros megaempreendimentos estão em pauta, como a hidrovia no Tapajós e a Ferrogrão. Há semelhanças entre esses processos e da mobilização indígena?

Juma Xipaia: Vejo muita semelhança entre Belo Monte, Belo Sun, a hidrovia, a Ferrogrão. A principal é a não consulta livre, prévia e informada aos povos que habitam essas regiões.

O processo de implementação desses grandes empreendimentos ignora os impactos ambientais, sociais e culturais nesses territórios. Não enxergam as pessoas que ali habitam.

Em relação ao movimento indígena, eu não vejo mais a mesma força, a mesma intensidade como alguns anos atrás. Não porque nós estamos fracos – pelo contrário, a luta, a resistência, continuam.

Mas é devastador quando chega um processo e é executado um projeto como Belo Monte. Ele adoeceu não somente o Rio Xingu. Ele cortou laços familiares, cortou laços sociais, cortou laços de movimento. Então, o impacto que nós sofremos hoje é imensurável.

E, com isso, causou uma divisão dos povos, dos movimentos sociais; causou um enfraquecimento. Esses grandes empreendimentos, o que eles mais trazem, além de tudo, é o enfraquecimento da mobilização social, das organizações sociais de base. Usam a tática do ‘dividir para conquistar’.

Mas eu continuo acreditando na força do povo. Eu continuo acreditando na força da natureza. Eu continuo acreditando que vale a pena, sim, continuar essa resistência.

 


Brasília - 21/11/2025 -Juma Xipaia denuncia impactos de megaempreendimentos na Amazônia. Foto: Evelyn Lynam

Juma Xipaia é protagonista do documentário Yanuni, sobre luta indígena – Foto: Divulgação/Yanuni

Agência Brasil: Nesse contexto de luta, como surge a decisão de produzir o documentário Yanuni ao lado de Leonardo DiCaprio?

Juma Xipaia: Eu aceitei esse projeto do documentário em um momento muito delicado da minha vida, quando, de fato, não queria falar com absolutamente ninguém – vindo de um processo de ameaças, de silenciamento forçado. Mas eu vi que, com Yanuni, teria oportunidade não somente de ecoar a minha voz, mas de todos os povos que trabalham defendendo a floresta com as suas próprias vidas.

Estar no cinema e ter a oportunidade de fazer uma campanha de impacto com o objetivo de chegar até ao Oscar é algo que eu nunca imaginei na minha vida.

Quando olho para o retrocesso dos nossos direitos, a ausência de inúmeras políticas públicas, as invasões e a degradação dos nossos territórios, a violência contra mulheres e meninas em vários contextos e biomas diferentes, não tem como não se envolver, não tem como não lutar, não tem como deixar o cansaço ser maior.

Pensando no coletivo e pensando que essa oportunidade seria para romper camadas, somando com outros filmes indígenas que já foram lançados, Yanuni me fez acreditar que seria necessário encarar esse projeto e o que a gente está fazendo: levando Yanuni pelo mundo e a nossa mensagem que vem do coração da floresta amazônica para o mundo.

Agência Brasil: Além dessas frentes, você também tem o Instituto Juma. Está conseguindo conectar todos esses projetos e lutas?

Juma Xipaia: Com o Instituto Juma, a gente tem conseguido continuar os nossos trabalhos, as nossas ações em defesa não somente do nosso território, mas da floresta e da biodiversidade. A gente tem dado continuidade.

O instituto já existia antes do filme e vai continuar existindo para além da campanha de impacto. E, por isso, eu digo que a história não termina quando o filme acaba: porque nós vamos continuar existindo. O filme é apenas uma vírgula de todo o nosso contexto ancestral e milenar de existência. Ele é um chamado. Ele é um chamado do coração da floresta para o mundo – e nós vamos continuar fazendo o que acreditamos e amamos.



EBC

Lançamento de foguete sul-coreano da base de Alcântara é adiado


A janela de lançamento do foguete sul-coreano Hanbit-Nano a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, foi estendida até o dia 22 de dezembro. Com a mudança do cronograma da Operação Spaceward, a data estimada para a tentativa inicial de lançamento, prevista inicialmente para o sábado (22), passou para o dia 17 de dezembro.

De acordo com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o sucesso da operação, a partir do território nacional, representará a entrada do Brasil no restrito mercado global de lançamento de foguetes, impulsionando investimentos, geração de renda e desenvolvimento tecnológico.

Com 21,8 metros de altura; 1,4 metro de diâmetro; e aproximadamente 20 toneladas, o Hanbit-Nanor, da empresa sul-coreana Innospace, levará a bordo, para colocar em órbita, cinco satélites e fará três experimentos desenvolvidos por universidades e empresas brasileiras e indianas.

A Operação Spaceward é coordenada pela AEB em parceria com a Força Aérea Brasileira.

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Cargas

Das oito cargas transportadas, sete são brasileiras e uma é estrangeira.

“Entre as cargas embarcadas, três contam com apoio direto da AEB, que viabilizou sua participação no lançamento: os nanossatélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e o Sistema de Navegação Inercial (SNI-GNSS), criado por um consórcio formado pelas empresas Concert Space, Cron e Horuseye Tech”, detalha a AEB.

Segundo a agência, outra carga com participação da AEB é o PION-BR2 – Cientistas de Alcântara, um satélite educacional desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION. O projeto integra o programa Cientistas de Alcântara, iniciativa que incentiva jovens maranhenses a se aproximarem da ciência e da tecnologia espacial.

O diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), Clóvis Martins, ressalta que a entrada do Brasil nesse mercado resultará em mais renda, emprego e investimentos no país. Ele explica que a decisão pela ampliação da janela de lançamento foi tomada “de forma conjunta e fundamentada em avaliações técnicas”.

Coordenador-Geral da Operação, Rogério Moreira Cazo explica que os ensaios para validação dos sistemas de aviônica indicaram a “necessidade de aprimoramentos no veículo antes do voo”, disse ele ao afirmar que ajustes como este são comuns em missões inaugurais.

Além disso, segundo a agência, a prorrogação do período operacional permitirá, também, aprimoramentos no processamento dos sinais coletados do veículo espacial. Esses sinais são utilizados na avaliação de desempenho durante o lançamento.

Hanbit-Nano

De acordo com a Agência Espacial Brasileira, o Hanbit-Nano é um veículo orbital de dois estágios que utiliza propulsão híbrida. Ele foi projetado para colocar até 90 quilos de carga útil em uma órbita de 500 quilômetros.

No primeiro estágio, utiliza um motor híbrido de 25 toneladas de empuxo, alimentado por combustível sólido de base parafínica e oxidante líquido. A AEB explica que essa combinação oferece simplicidade estrutural, baixo custo operacional e elevada segurança.

No segundo estágio, ele pode operar com dois motores distintos, a depender da missão: o HyPER, motor híbrido de alto desempenho, e o LiMER, motor a base de metano líquido com bomba elétrica.

Ele conta com um Sistema de Terminação de Voo (FTS) que garante interrupção imediata da progressão do voo, caso alguma anomalia ocorra.

O projeto contou com a participação de 247 profissionais. Entre eles, 102 engenheiros com dedicação exclusiva.

As equipes atuam em quatro áreas de especialidade: Propulsão para o Primeiro Estágio, Motor a Base de Metano para o Segundo Estágio, Sistemas de Alimentação por Bomba Elétrica e Controle e Aviônicos.




EBC

Presidente da COP30 convoca países a buscar consenso em reta final


Enquanto as negociações chegam ao ponto decisivo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o presidente do evento, André Corrêa do Lago, convocou na manhã desta sexta-feira (21) os países a chegarem a um consenso pelo bem comum do planeta.

Corrêa do Lago disse que o momento é de cooperação internacional e que os países não devem pensar os resultados da COP em termos de vitória ou derrota.

“Sabemos o quanto há de obstáculos para colocar palavras em prática e como é muito difícil chegar a consensos. Mas nós nunca podemos esquecer que o mesmo consenso que às vezes nos exaspera — analistas, delegados, tantas pessoas — fortalece este regime. Temos que mostrar que esta é a COP em que consenso é força”, disse o embaixador.

“Não podemos nos dividir no contexto do Acordo de Paris. Temos aqui a percepção de divisão que vem de vários negociadores da convenção. Essa noção de divisão nós tentamos reduzir durante esta negociação, com transparência e soluções verdadeiras que vêm das delegações”, complementou.

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Para o embaixador, pelo menos três objetivos colocados como centrais para a presidência brasileira serão alcançados: fortalecer o multilateralismo; conectar os debates da COP à vida das pessoas; e acelerar a implementação do Acordo de Paris (que busca reduzir emissões de gases do efeito estufa e limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC).

O presidente da COP30 também destacou que realizar o evento em Belém, na Amazônia, foi essencial para a mensagem de preservação do bioma.

“Ao organizar esta COP na Amazônia, o presidente Lula quis que o mundo visse não apenas a beleza forte desse bioma incrível, mas também os desafios que nós temos que desenvolver”, disse Corrêa do Lago.

“Eu acredito que mudamos a percepção da relação entre natureza e clima. Obrigado pelos momentos que todos vocês passaram aqui e pela sensibilidade em relação às nossas florestas, que é algo que nem todos instintivamente entendem que é preciso proteger”, complementou.

Incêndio

Durante a abertura da plenária informal na Zona Sul, espaço oficial onde ocorre a COP30, o embaixador também lembrou o incêndio que destruiu parte dos pavilhões nesta quinta-feira (20).

Ele disse que, apesar de todos os aspectos negativos do ocorrido, houve demonstração de apoio coletivo, que poderia ser levado para a mesa de negociação da carta final do evento.

“Estamos aqui juntos depois do fogo. Isso foi rapidamente controlado e contido. Isso nos lembrou da nossa vulnerabilidade compartilhada e de como instintivamente agimos juntos em momentos de crise. Eu gostaria de agradecer a todos pelo profissionalismo e solidariedade. Recebemos muitas mensagens de apoio. Muitas delas foram realmente muito fortes, amigáveis e sensíveis”, disse o Corrêa do Lago.

 



EBC

Lula desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do G20


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou, nesta sexta-feira (21), a Joanesburgo, na África do Sul, para participar da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo. “O G20 traz em 2025 o lema Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade, temas de fundamental importância para o Brasil e para o Sul Global”, escreveu Lula em publicação nas redes sociais nesta manhã, ao desembarcar na capital sul-africana.

Como presidente do bloco em 2024, o Brasil tem participação destacada também nesta edição da cúpula, por integrar a “troika” ao lado da África do Sul e dos Estados Unidos, próximo país a assumir o comando do fórum. A troika é a cooperação entre a presidência atual, a anterior e a próxima do grupo para garantir a continuidade e a preparação para a cúpula.

Ao conduzir os trabalhos, a presidência sul-africana elencou quatro prioridades para as discussões: fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; financiamento para a transição energética justa; e minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.

O G20 é o principal órgão para cooperação econômica internacional, criado em 1999. A cúpula será dividida em três sessões temáticas e resultará em uma declaração de líderes. Entre os avanços, o texto vai tratar sobre os princípios que devem ser observados na extração e beneficiamento dos minerais estratégicos e terras raras.

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Outros atos da cúpula incluem a declaração dos ministros de Finanças sobre sustentabilidade da dívida e um relatório sobre melhorias nos métodos de funcionamento do G20. A presidência da África do Sul encerra o primeiro ciclo completo de presidências pelos países do grupo e manteve, por exemplo, uma prática iniciada pelo Brasil de reuniões inclusivas durante a semana de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, para que países não membros do G20 possam se fazer ouvir.

No sábado (22) de manhã, os líderes discutem crescimento econômico sustentável, abordam o financiamento ao desenvolvimento, comércio e dívidas públicas. À tarde, será a vez da sessão dedicada à mudança do clima, redução de riscos de desastres, segurança alimentar e transição energética. No domingo (23), a reunião terá como tema os minerais críticos, trabalho decente e inteligência artificial.

À margem da cúpula, o presidente Lula também deve manter encontros bilaterais com chefes de Estado e autoridades presentes e, no domingo, está prevista reunião entre os líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). A iniciativa trilateral foi desenvolvida em 2003 no intuito de promover a cooperação entre os países do Sul Global.

Moçambique

Na sequência, Lula embarca para Maputo, capital de Moçambique, onde faz uma visita de trabalho na segunda-feira (24). A viagem se insere nas comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países [https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-11/relacoes-entre-brasil-e-mocambique-fazem-50-anos-e-lula-viaja-ao-pais].

Moçambique é o maior beneficiário da cooperação brasileira com recursos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) na África, cobrindo áreas diversificadas – saúde, agricultura, educação, formação profissional, entre outros – e envolvendo projetos estruturantes. Durante a visita, deverão ser revisitadas as cooperações em áreas como agricultura, empreendedorismo, saúde, educação e combate ao crime organizado.

Os dois países querem ainda, ampliar o comércio e os investimentos. Nesse sentido, está sendo organizado um fórum empresarial, que deve contar com a presença de 150 a 200 empresários brasileiros e moçambicanos, com painéis sobre agronegócio, indústria e inovação e saúde.

Em Maputo, Lula será recebido pelo presidente do país, Daniel Chapo. Já está prevista a assinatura de um acordo sobre cooperação entre academias diplomáticas e outros termos de cooperação técnica seguem sendo negociados.

O presidente também participa do encerramento do fórum empresarial e deve receber o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Maputo.

A previsão é que Lula embarque de volta para o Brasil ainda na segunda-feira.



EBC

Nigeriano critica soluções ilusórias para África na agenda climática


Ele acumula experiência de ter participado em nove edições de conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP). O ativista nigeriano Olumide Idowu, diretor executivo e fundador da International Climate and Development Initiative Africa (ICCDI), tem dedicado a vida para divulgar e defender as demandas climáticas da Nigéria e de todo o continente africano.

Olumide conversou com a reportagem da Agência Brasil nesta quinta-feira (20), no espaço oficial da COP30, que ocorre em Belém. Enquanto as autoridades dos países negociadores entram em momento decisivo da conferência, o ativista cobra maior protagonismo para o continente africano e critica soluções que não atendem necessidades reais das populações do continente.

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Segundo o diretor da ICCDI, a África busca financiamento climático compatível com suas necessidades, sem mecanismos de apropriação territorial. Olumide diz que o momento exige ação imediata:

“Já passou da hora de pararmos de falar e começarmos a implementar. Estamos falando há mais de 30 anos, e não parece que a mudança está acontecendo.” 

Confira a seguir, os principais trechos da entrevista com Olumide Idowu:

Agência Brasil: Como funciona o trabalho da ICCDI África e qual é o tipo de atuação da entidade aqui na COP30?
Olumide Idowu: Nós defendemos construir uma geração com consciência climática em toda a África, dentro das comunidades locais. Trabalhamos com temas relacionados ao clima: energia renovável, água, saneamento, agricultura e biodiversidade.

O que tentamos fazer como organização é reduzir a distância entre a comunidade e o governo, para identificar problemas e propor soluções por meio de ações conduzidas pelas próprias comunidades.

Minha presença aqui também tem o objetivo de observar outra dimensão: o que vai acontecer com todos os acordos sobre os quais o Sul Global vem falando? Porque esse é o único caminho para resolvermos os problemas em que nos encontramos.

Vemos as discussões sobre financiamento climático, perdas e danos, e também quero acompanhar o que o governo nigeriano está dizendo aqui. Como eles estão enxergando o financiamento climático, que é muito crítico para o país.

E também ouvir o que o Grupo Africano de Negociadores está defendendo, para garantir que todos os países africanos sejam incluídos nesse espaço.
 


Belém (PA), 20/11/2025 - Entrevista com ativista nigeriano, Olumide Idowu, ativista climático da Nigéria, fala sobre negociações da COP30 e representação dos países africanos no evento. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Belém (PA), 20/11/2025 – Entrevista com ativista nigeriano, Olumide Idowu, ativista climático da Nigéria, fala sobre negociações da COP30 e representação dos países africanos no evento. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil – Bruno Peres/Agência Brasil

Agência Brasil: A organização consegue se conectar com todos os países da África?
Olumide Idowu: Na ICCDI já realizamos projetos em diferentes países africanos, embora ainda não sejamos uma instituição registrada nesses países. Mas já fizemos várias intervenções.

Nossa comunicação acontece principalmente pelas redes sociais, e-mail e também quando participamos de eventos presenciais, como reuniões da União Africana ou convites de instituições da ONU.

Também temos uma plataforma chamada Climate Wednesday. Trazemos jovens, professores e especialistas de diferentes países da África e do mundo para falar sobre os problemas que enfrentamos e como podemos resolvê-los. Contamos essas histórias para que cheguem à base, às comunidades, ajudando a criar mecanismos de retorno e engajamento.

Agência Brasil: Você está satisfeito com a representação da África na COP30 e com a posição que o continente ocupa nas mesas de negociações?
Olumide Idowu: A África tem apresentado vozes muito proeminentes nesta COP. Estamos nos posicionando para que o mundo entenda o que precisamos. O que defendemos aqui não é apenas conversa. É um movimento. Um movimento para mudar a narrativa de como fazemos as coisas no campo ambiental.

Existe um ditado na África: “Quando dois elefantes brigam, é a grama que sofre”.

Nós temos sofrido por décadas. É hora de a África assumir o potencial de seus recursos e defender os direitos de seu povo, para que nossas terras não sejam tomadas para créditos de carbono, compensações ou mercados de carbono. Nossas terras devem ser produtivas, gerar renda e apoiar as comunidades locais.

Também estamos discutindo o carbono azul — o que vai acontecer com nossas áreas de manguezal? Às vezes parece que estamos em uma prisão. Diz-se que estamos todos no mesmo barco, mas parece que nossos barcos são diferentes.

A África está dizendo claramente: precisamos de mudança! Precisamos avançar rápido, para não sermos pegos no meio do caminho.

Agência Brasil: E quais demandas o bloco africano tem trazido para as discussões?
Olumide Idowu: A África é um continente de recursos. Temos muitos recursos. Qualquer tipo de recurso que você procure no mundo — nós temos. Somos ricos por natureza. Por isso buscamos soluções reais. Não queremos créditos de carbono que resultem na apropriação de terras. Queremos financiamento climático que atenda às estratégias de adaptação e mitigação.

É por isso que o Grupo Africano de Negociadores luta para garantir que o continente africano seja ouvido pelo Norte Global e pelos poluidores — que devem pagar.

Toda essa conversa busca reposicionar a África. Queremos que a África deixe de ser vista como um local de despejo e passe a ser vista como um local de recursos, onde as pessoas queiram investir e trabalhar.

A África não está aqui apenas por causa da população, mas pelo que estamos enfrentando e pelo que buscamos resolver, passo a passo.

Agência Brasil: O 20 de novembro é uma data importante no Brasil, Dia da Consciência Negra, que dialoga com uma herança africana. É possível conectar lutas africanas e dos brasileiros afrodescendentes na COP30?
Olumide Idowu: Antes de tudo: preto é ouro. Somos valorizados porque viemos de um continente de força. Mas existe o desafio de que muitos não conseguem permanecer aqui na COP, porque é caro, e acabam voltando para casa para evitar dívidas.

A África é um continente cheio de oportunidades. África é ousada, é ouro, é valorizada — e nossas terras são férteis para investimentos. Hoje, celebro cada homem, mulher e criança negra no Brasil e na África. Desejo a todos uma grande celebração.

Sobre nossas lutas e a COP30, acho que já passou da hora de pararmos de falar e começarmos a implementar. Estamos falando há mais de 30 anos, e não parece que a mudança está acontecendo. Nossos líderes precisam repensar.

Precisamos de mais capacidade digital, mais formação, para que entendam o que é a mudança climática e vejam as consequências que isso trará no futuro. Devemos passar da ambição para a ação, para alcançarmos mais — pela África e pelo mundo inteiro.

 



EBC

Ativistas paraenses contam história da Marcha das Mulheres Negras


Instalada na Praça da República, na cidade de Belém (PA), a Black Zone reúne mulheres negras de diferentes lugares em encontros, trocas de vivências e debates, que ocorrem paralelamente aos eventos oficiais da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Além de fazer ecoar as vozes de quem não está no espaço oficial das negociações globais sobre o clima, elas também se preparam para a Marcha das Mulheres Negras.


Belém (PA), 20/11/2025 - Nilma Bentes, ativista do movimento negro, no Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Dona Nilma no Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O espaço temporário dos encontros presta uma homenagem à belenense Raimunda Nilma Bentes, a Dona Nilma, artista, escritora, ativista da população negra e idealizadora da primeira marcha ocorrida em 2015.

“Em 2011, a gente estava na Bahia em uma atividade internacional e, talvez por força de algumas falas, eu senti uma necessidade de que a gente fizesse algo mais contundente. Dai eu resolvi sugerir, em uma micro reunião da Associação de Organização de Mulheres Negras, uma marcha das 100 mil mulheres negras”, relembra Dona Nilma.

O ano escolhido foi 2015 já que em 2014 o Brasil receberia a Copa do Mundo de Futebol e em 2016, as Olimpíadas no Rio de Janeiro.

“Por coincidência, era também o ano que batia com a comemoração da primeira marcha mista de pessoas negras, realizada em 1995. Ou seja, ela [a marcha] foi proposta assim, quase que feita”, recorda.

O tema escolhido Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência pelo Bem Viver, refletia as principais lutas enfrentadas por elas e ainda sem uma grande rede de organizações sociais e movimentos de pessoas negras estruturada, cerca de 70 mil mulheres marcharam até a Praça dos Três Poderes, no dia 18 de novembro de 2015.

“Foi muita gente, muito mais do que a gente pensava que ia. Pareceu que havia uma demanda reprimida. E nós víamos mulheres soltas, não era de organização nenhuma. Mulheres negras só vindo dali, do outro lado, de todo lado. Queriam ir, participar”, diz Dona Nilma.

Dez anos depois


Belém (PA), 20/11/2025 - Maria Malcher, coordenadora de projetos do Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará), no Cedenpa. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A coordenadora de projetos do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará Maria Malcher – Tânia Rêgo/Agência Brasil

No próximo dia 25 de novembro, dez anos depois, um grande número de mulheres negras se dirige aos Poderes de Brasília com demandas muito similares: reparação e bem viver.

Segundo a coordenadora de projetos do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, Maria Malcher, a reparação é um tema com muito mais alcance, no qual também se insere a luta contra a violência, a xenofobia e o racismo.

“Trata da própria reparação histórica, pelo processo de escravização da diáspora africana no Brasil, e a gente tem essa presunção de ancestralidade, mas a gente também quer denunciar, no sentido de aprofundar mesmo as pautas do movimento de mulheres negras”, explica.

O bem viver já alcança dois aspectos, um mais macro e outro mais no aspecto das lutas locais territoriais, explica Dona Nilma.

“O aspecto macro é uma proposta de projeto político, como uma transição energética com justiça social, a questão do não ao consumismo, a supremacia do coletivo sobre o individualismo, a cooperação em vez de competição e a questão da economia ser subordinada a fatores ecológicos do meio ambiente, e não ao contrário como acontece hoje”, diz.

Para Dona Nilma, no aspecto mais regional o bem viver alcança as demandas por melhores condições específicas de cada território.

“Estamos falando de mulheres negras no Brasil, onde a maioria de nós é trabalhadora doméstica, não que isso seja ruim, mas tem a questão do status e da remuneração, de uma aposentadoria que considere a valorização do cuidado. As mulheres sempre foram cuidadoras, já vem de dentro de uma barriga. A gente querer cobrar, inclusive, questão de participação no Parlamento, a sub-representação em todos os lugares”, reforça.

No contexto da cidade de Belém e do próprio Brasil, onde as mulheres são maioria e entre elas, as mulheres negras somam um maior número, a COP30 debate a mudança do clima que para elas é uma urgência já vivida.

“As mudanças vêm para todo mundo, mas como você sabe, ela é agravada pelas condições e objetivos que estão dados, ou seja: a desigualdade socioeconômica, cultural e ambiental”, lamenta Dona Nilma.

Comitê

Para fazer frente ao desafio e lutar por mais representatividade e participação nas decisões e ações climáticas, elas constituíram o Comitê Nacional das Mulheres Negras por Justiça Climática, oficializado no último dia 10 de novembro, em Belém.

“A gente lançou com 36 organizações do movimento negro, algumas inclusive com acesso à COP, sobretudo as organizações nacionais que estão no Sudeste. Porque a gente não tem notícia de nenhuma organização do movimento negro na Amazônia que tenha tido acesso a credencial”, diz.

O colegiado além de fazer incidência no ambiente da COP30 também trabalha em um manifesto a ser entregue aos chefes dos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário –, no dia 25 durante a marcha em Brasília.
 


Belém (PA), 20/11/2025 - Maria Malcher, coordenadora de projetos do Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará) e Nilma Bentes, ativista do movimento negro, no Cedenpa. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Maria Malcher e Dona Nilma Bentes, ativistas do movimento negro, falam sobre a Marcha das Mulheres Negras – Tânia Rêgo/Agência Brasil

A programação também inclui outras atividades que vão convergir para o grande encontro das mulheres negras.

“Serão mais de 50 atividades, desde os diálogos globais, sobretudo os diálogos do movimento de mulheres, a assembleia da Rede Afrolatinoamericana e caribenha, que vai reunir mulheres de toda a América Latina e Caribe. A gente vai ter o diálogo transnacional LGBTQAPN+, e o diálogo das juventudes. Essas três categorias vão estar em Brasília fazendo seus encontros e ficando para a marcha”, diz Maria Malcher.

Somados ao documento final da marcha, haverá ainda um manifesto do Levante Negro pela Educação que atua na luta por um Plano Nacional da Educação (PNE) antirracista, outro manifesto econômico, além de estudos.

“A marcha tem essa dimensão formativa. A gente construiu um manifesto econômico e esse manifesto vai ser entregue. Algumas pesquisas também, em parceria com organizações negras de pesquisa”, reforça Maria.

Cartilha

Para as organizações, redes e grupos de mulheres negras, uma cartilha organizada pela comunicadora Flávia Ribeiro. Segundo Maria Malcher, o documento é orientador, de formação e mobilização, destinado a quem queira participar da marcha.

“A Flávia fez essa transposição didática desse trabalho muito importante aqui, sobre a marcha. Sobretudo a Marcha de Belém e a nossa atuação no Estado do Pará em formato de cartilha, já trazendo a história, que é importante, como caminhamos nessa segunda marcha e também as proposições da reparação”, conclui.

 



EBC

Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda


Cerca de 249 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco podem saber se receberão restituição nesta sexta-feira (21). 

A partir das 10h, a Receita Federal libera a consulta ao lote da malha fina de fevereiro, que também contempla restituições residuais de anos anteriores.

Ao todo, 214.310 contribuintes receberão R$ 494,09 milhões. Desse total, R$ 296,95 milhões irão para contribuintes com prioridade no reembolso.

Entre o público com prioridade, estão 138.164 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix.

Também têm prioridade contribuintes de 60 a 79 anos; contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave; e contribuintes acima de 80 anos.

A Receita também pagará restituição a 30.867 contribuintes sem prioridade, que acertaram as contas e saíram da malha fina.

A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em Meu Imposto de Renda e, em seguida, no botão Consultar a Restituição. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

Pagamento

O pagamento será feito em 28 de novembro na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda.

Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil.

Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessando o menu Declarações e Demonstrativos, clicar em Meu Imposto de Renda e, em seguida, no campo Solicitar Restituição Não Resgatada na Rede Bancária.




EBC

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5


A Caixa Econômica Federal paga nesta sexta-feira (21) a parcela de novembro do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 683,28. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 18,65 milhões de famílias, com gasto de R$ 12,69 bilhões.

Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Pagamento unificado

Os beneficiários de 735 cidades receberam o pagamento no último dia 14, independentemente do NIS. A medida beneficiou os moradores dos 497 municípios do Rio Grande do Sul e de todos os 22 municípios do Acre. Também foram beneficiadas cidades em sete estados: Rio Grande do Norte (147), Paraná (38), Sergipe (9), São Paulo (7), Piauí (6), Roraima (6) e Amazonas (3). Entre as cidades paranaenses com pagamento unificado, está Rio Bonito do Iguaçu, que teve 90% das construções destruídas por um tornado .

Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 2,42 milhões de famílias estão na regra de proteção em novembro. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

Em junho, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, a mudança só abrange as famílias que entraram na fase de transição desde junho. Quem se enquadrou na regra até maio deste ano continuará a receber metade do benefício por dois anos.

Auxílio Gás

Neste mês não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que beneficia famílias cadastradas no CadÚnico. Como o benefício só é pago a cada dois meses, o pagamento voltará em dezembro.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.


Calendário Bolsa Família 2025 - novembro

 



EBC