Em marcha global, indígenas cobram punição por morte de Guarani Kaiowá


Parem de nos matar. A frase estava em cartazes e foi repetida com frequência por lideranças na Marcha Global dos Povos Indígenas nesta segunda-feira (17), em Belém. No ato, houve solidariedade, em especial, ao assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos, atingido por um tiro na cabeça durante um ataque armado à retomada Pyelito Kue, no município de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, neste domingo.

Outros quatro indígenas, entre eles adolescentes e uma mulher, ficaram feridos por arma de fogo ou balas de borracha. A comunidade relatou que os pistoleiros tentaram levar o corpo de Vicente, o que foi impedido pelos indígenas.

Vilma Vera Caletana Rios, do povo Avá Guarani, aldeia Guasu Gauavira, no Paraná, mostrou indignação pelo assassinato do Guarani Kaiowá e cobrou punição para os responsáveis.


Belém (PA), 17/11/2025 - Vilma Vera Caletana Rios, liderança do povo Ava Guarani, participa da Marcha Global dos Povos Indígenas - A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Vilma Vera Caletana Rios mostra indignação pela morte de Vicente Fernandes em Mato Grosso  – Bruno Peres/Agência Brasil

“Mais um indígena, mais uma liderança, mais um homem assassinado no seu território. Quando a gente fala de justiça climática, não podemos esquecer de fazer justiça pelas pessoas que já foram assassinadas nos seus territórios. Não podemos nos calar diante de uma violência tão grande”, disse Vilma.

Paulo Macuxi, coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), endossou o discurso da companheira de luta e a crítica pela falta de ação da justiça.

“Nossos parentes estão sendo assassinados e isso não vai ficar barato. Isso não pode ficar como se fosse algo comum. Alguém tem que ser responsabilizado, alguém tem que ser punido porque são vidas sendo perdida, dia após dia, e ninguém faz nada. Os órgãos são incompetentes, ninguém faz nada para sanar essas nossas dores”, disse Macuxi.

Nadia Tupinambá, do território indígena de Olivença, no sul da Bahia, exigiu que as autoridades tenham mais respeito pelo “sangue derramado de todos os ancestrais”.

“Estamos aqui para dizer: ‘parem de nos matar’. Parem de matar nossas florestas. Parem de vender nossos rios. Enfrentamos muitas lutas, mas não vamos desistir”, disse Nádia.

“Na COP30, eles estão falando de clima, mas não estão falando de demarcação do nosso território, onde nosso povo está perdendo vida, onde tem criança, mulher e indefeso sendo atacado, até pela polícia, pelo Estado, sem ordem judicial. Mas nós não vamos desistir. Somos todos Guarani Kaiowá”, complementou.



EBC

Caminhos da Reportagem analisa ação policial mais letal do país


O episódio desta segunda-feira (17) do premiado programa Caminhos da Reportagem aborda a Operação Contenção, ação policial que entrou para a história como a mais letal do Brasil.

A produção da TV Brasil vai ao ar às 23h e analisa os impactos da operação realizada em 28 de outubro de 2025, quando 2.500 policiais ingressaram nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, para cumprir mandados de prisão contra suspeitos ligados ao Comando Vermelho. A ação resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes de segurança.

O programa traz uma reflexão sobre a política de enfrentamento que vem sendo adotada há mais de quatro décadas pelas autoridades de segurança fluminense. A reportagem resgata os relatos de familiares de vítimas.

Débora Velloso, mãe do policial civil Rodrigo Velloso, descreve a devastação ao perder o filhoTauã Brito, mãe de Wellington Brito, jovem de 20 anos morto durante a incursão, relata o desespero ao tentar alcançá-lo para que pudesse se entregar.

A edição também apresenta a visão das autoridades.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, classificou a operação como histórica.

“Foi um dia histórico para o Rio de Janeiro. A maior operação da história das polícias aqui. Foi uma operação de cumprimento de mandado judicial, de mais de um ano de investigação, mais de 60 dias de planejamento. Temos muita tranquilidade de defendermos tudo o que foi feito ontem”, disse o governador, no dia seguinte à operação.

Especialistas em segurança pública, ouvidos pelo Caminhos da Reportagem, analisam criticamente a eficácia desse modelo de confronto direto adotado pelo estado carioca. A coordenadora do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carolina Grillo, explica por que ações dessa natureza não conseguem desarticular as facções criminosas.

“Essa operação em nada vai afetar o Comando Vermelho enquanto organização. Essas operações de incursão armada em territórios de favela são o principal método de combate ao crime no Rio de Janeiro há quase quatro décadas e elas já se mostraram ineficientes no combate ao controle territorial armado e aos mercados ilegais que operam nesses territórios”, afirma Carolina Grillo. 

O pesquisador Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a repetição dessas operações violentas contribui para a criação de um ambiente de guerra.

“Esse tipo de ação violenta produz respostas violentas e um mercado de guerra. Muita gente começou a ganhar dinheiro em torno disso. Em vez de produzir ordem, tem produzido desordem e contribuído para aumentar o caos das cidades”, conclui. 

A solução, na visão de pesquisadores da área de segurança pública, passa pelo combate à corrupção, melhorias no sistema penitenciário e desarticulação do lado financeiro das organizações criminosas. Além disso, para eles, são necessárias políticas públicas para mudar a realidade social das favelas. “[É preciso] um investimento social para oferecer alternativas de vida para molecada que é seduzida pelo tráfico. Você tem que ter arte, cultura, esporte, uma série de atividades para que ela se sinta sonhando em participar do futuro numa sociedade que oferece oportunidades”, destaca Manso.

Ficha técnica

Reportagem: Ana Passos

Apoio à reportagem: Ana Graziela Aguiar, Thiago Padovan

Produção: Ana Graziela Aguiar, Thiago Padovan, Vitor Abdala, Vitor Gagliardo

Apoio à produção: Acácio Barros

Reportagem cinematográfica: Alexandre Nascimento, Sandro Tebaldi, Eusébio Gomes

Auxílio técnico: Adaroan Barros, Caio Araujo, Eduardo Domingues, Yuri Freire

Edição de texto: Ana Passos

Edição de imagem e finalização: Ubirajara Abreu

Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia

Pesquisa no acervo da EBC: Artur dos Santos, Fabio Araujo Jorge, Mariana Nazareth, Nelson Lin, Pedro Modesto, Thiago Guimarães

Sonorização: Maurício Azevedo

Intérprete de Libras: Mateus Delmar

Agradecimentos:  Band TV Rio, Luiza Arruda, Rede TV!, Voz das Comunidades

Serviço

Caminhos da Reportagem – Operação Contenção, a maior chacina do brasil –Segunda-feira (17), às 23 horas, na TV Brasil

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EBC

Lula envia ao Congresso Plano Nacional de Cultura


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (17), que o novo Plano Nacional de Cultura (PNC) quer criar as condições para que as comunidades explorem o potencial cultural que têm. Para ele, a cultura do país deve ser revolucionária, feita com participação social e não determinada por eixos comercias.

Uma cerimônia no Palácio do Planalto marcou o envio do novo PNC para análise do Congresso Nacional. Elaborado pelo Ministério da Cultura (MinC), o plano vai orientar as políticas culturais do país pelos próximos 10 anos.

Segundo Lula, o plano quer transformar a cultura em movimento efetivamente de base, popular. “Ao invés de ter aquelas coisas muito encalacradas, muito fechadas, aquelas redomas onde tudo funciona certinho, a gente ter uma espécie de guerrilha democrática cultural nesse país, aonde as pessoas precisam ter a liberdade de fazer e de provocar que os outros façam acontecer a cultura”, disse Lula.

O evento contou com a presença de cerca de 600 agentes territoriais e representantes dos comitês de cultura de todo o Brasil, integrantes do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), “que simbolizam a participação popular e o compromisso coletivo com a construção de políticas culturais democráticas e acessíveis”.

“Estou, na verdade, convocando vocês para serem mais do que agentes culturais dos comitês de cultura. Vocês tem que ser a base da conscientização, da politização de uma nova sociedade que precisamos criar para romper definitivamente com o negacionismo e o fascismo”, afirmou o presidente.

Durante a cerimônia, Lula também assinou o decreto que cria a Comissão Intergestores Tripartite, que acompanhará a execução do orçamento da cultura e será a instância permanente de diálogo entre União, estados e municípios para a implementação das políticas públicas do setor.


Brasília (DF), 17/11/2025 - A ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante cerimônia de envio do texto do novo Plano Nacional de Cultura (PNC) ao Congresso Nacional. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante cerimônia de envio do texto do novo Plano Nacional de Cultura ao Congresso Nacional. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, lembrou que o modelo é semelhante ao Sistema Único de Saúde (SUS), que também tem as ações pactuadas de maneira federativa. “Será o nosso SUS da cultura, amarrando as responsabilidades das cidades, dos estados e do governo federal com o setor cultural. Essa articulação é muito importante, já necessária há muito tempo para que a gente consiga efetivar e materializar a força que tem a cultura brasileira”, disse.

“Fazemos isso com o apoio importante dessa rede de presentes aqui de todo canto do país, os agentes territoriais, os comitês de cultura, os pontos de cultura, dos conselhos participativos e dos institutos federais. Porque é assim que aproximamos os territórios das comunidades de maneira democrática e inclusiva”, acrescentou a ministra.

Direito à cultura

O secretário executivo do MinC, Márcio Tavares, contou que o plano é composto por oito princípios e 21 diretrizes. A principal delas, segundo ele, trata do princípio fundamental dos direitos culturais.

“Ele está na Constituição e, agora, é organizado pelo plano, que afirma o direito de todas as pessoas ao acesso e à produção cultural, à arte e à liberdade de criar e se expressar sem qualquer tipo de censura, à memória e ao patrimônio e aos saberes e fazeres tradicionais, a participação, a acessibilidade e, aos criadores, os direitos autorais e a remuneração justa pelo seu trabalho”, disse.

Para Tavares, um dos grandes avanços dessa versão do plano é a incorporação de elementos transversais que atravessam toda ação cultural. Entre eles, ele cita o compromisso com os territórios e suas realidades diversas; a eliminação de barreiras estruturantes que impedem o acesso pleno aos bens culturais; o reconhecimento das matrizes indígenas e afro-brasileiras como fundamentos da cultura; e a responsabilidade de conectar as gerações na projeção de futuros possíveis.

O plano tem ainda oito eixos estratégicos que reúnem os objetivos a serem alcançados na próxima década na área cultural. São eles:

– gestão e participação social;

– fomento à cultura;

– patrimônio e memória;

– formação;

– infraestrutura, equipamentos e espaços culturais;

– economia criativa, economia solidária, trabalho, emprego, renda e proteção social;

– cultura, bem-viver e ação climática; e

– cultura digital e direitos digitais.

“Destaco aqui os dois últimos eixos que apontam para o futuro e que alinham o Brasil às grandes agendas globais da justiça climática e da soberania digital”, disse o secretário executivo do MinC.

Participação social

As agentes territoriais e dos comitês de cultura presentes na cerimônia estão em Brasília para o Encontro do PNCC, que começou nesse domingo (16) e segue até quarta-feira (19).


Brasília (DF), 17/11/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de cerimônia de envio do texto do novo Plano Nacional de Cultura (PNC) ao Congresso Nacional. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva envia ao Congresso o texto do novo Plano Nacional de Cultura. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os agentes territoriais são representantes da diversidade de suas localidades, selecionados por editais, que realizarão ações de mapeamento participativo, comunicação e mobilização social, mediante formação continuada. Eles estão vinculados a cursos de formação ofertados por instituições de ensino superior e, paralelamente, executam planos de ação cultural em seus territórios.

A elaboração do novo Plano Nacional de Cultura foi subsidiada pelas propostas aprovadas durante a 4ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), realizada pelo Ministério da Cultura em março de 2024. Com o tema Democracia e Direito à Cultura, o evento reuniu, em Brasília, 1,2 mil delegados de todo o país, que aprovaram 30 propostas de políticas públicas para o setor.

O representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Cultural, Shaolin Barreto, destacou que o plano é um símbolo de participação social e construção coletiva. “A gente está aqui nesse momento de assinatura desse PL que simboliza tantas outras milhares de assinaturas que esse documento já carrega”, disse, pedindo foco e organização na implementação do plano.

“O conselho nacional convoca a 4ª Conferência Nacional de Cultura a partir de todo um hiato e dando fim a um momento onde tentaram criminalizar a cultura no nosso país, onde tentaram falar que não se podia fazer cultura nos territórios, onde tentaram falar que os nossos povos não podiam fazer cultura”, destacou.

A 4ª CNC encerrou o intervalo de mais de 10 anos desde a última conferência, em dezembro de 2013, que avaliou a execução das metas do primeiro PNC.

O plano pioneiro foi instituído em 2010, pela Lei nº 12.343, após duas conferências nacionais, e teria vigência até dezembro de 2020. No entanto, em 2021 e 2022, o plano passou por duas prorrogações e o texto ficou em vigor até dezembro de 2024.



EBC

STJ adia prazo para regulamentação do plantio de cannabis medicinal


Por unanimidade, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou mais uma vez, até 31 de março do ano que vem, o prazo para que a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentem a importação de sementes e o plantio de cannabis para fins medicinais e científicos no país

Os ministros atenderam a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que no último dia do prazo mais recente, em 30 de setembro, pediu ao STJ um novo adiamento. O prazo original previa que a regulamentação deveria ter sido concluída em junho. 

A União e a Anvisa alegaram ser necessário mais tempo, pois o trabalho envolve uma equipe multidisciplinar e interministerial ampla, com fases de validação para que se possa concluir a redação de uma minuta de portaria que regulamente a importação de sementes, o cultivo, a industrialização e a comercialização de cannabis com baixo teor de THC

“São muitas as questões – profundas e tecnicamente relevantes – a serem ainda enfrentadas e superadas, para que a proposta de regulamentação seja efetiva e abrangente das atividades necessárias à garantia da segurança à saúde”, escreveu a AGU no pedido. 

A relatora do caso, ministra Regina Helena Costa, reconheceu que se trata de um processo “estrutural”, que por isso demanda maior flexibilidade em sua condução. Ela também reconheceu não haver má-fé do governo ou da Anvisa, que demonstraram boa-vontade em fazer avançar a questão

“Diversamente, a articulação de representantes das entidades para, de forma diligente e coordenada, reconhecer a inviabilidade da entrega das fases finais do planejamento até a data limite então fixada, propondo, ato contínuo, um calendário sob sua ótica exequível, denota a intenção de preservar a sinalização positiva até agora praticada de, efetivamente, atender à ordem judicial, não obstante as dificuldades envolvidas”, escreveu a ministra. 

Ela foi seguida por todos os demais ministros da Primeira Seção, que julga um Incidente de Assunção de Competência (IAC), tipo de processo cujo resultado vincula as demais instâncias da Justiça, que devem necessariamente seguir o entendimento do STJ. 

Entenda

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei das Drogas não alcança as espécies de cannabis com concentrações muito baixas de tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da planta que causa efeitos entorpecentes

Com isso, os ministros deram autorização a uma empresa que recorreu ao STJ para conseguir importar sementes de cannabis com baixo teor de THC e alto teor de canabidiol, composto que não possui efeitos entorpecentes, mas traz benefícios medicinais cada vez mais comprovados pela ciência.

Entre os usos comprovadamente eficazes, por exemplo, está o tratamento de pessoas portadoras de doenças que causam crises de convulsão e espasmos musculares, como epilepsia e esclerose múltipla

Para que a decisão possa ser cumprida, contudo, o STJ determinou a regulamentação da importação de sementes, do cultivo e da industrialização e comercialização de espécies de cannabis com baixa concentração de THC (menos de 0,3%). 

A medida abre caminho para a produção, no Brasil, de produtos industriais com base em outros compostos da cannabis, como o CBD, e também nas fibras do cânhamo industrial, que possui aplicação em diversas indústrias, incluindo a têxtil



EBC

Inep divulga resultado preliminar da análise de diplomas do Revalida


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga, nesta segunda-feira (17), o resultado preliminar da análise dos diplomas de formação médica enviados pelos candidatos que fizeram as provas da primeira etapa da segunda edição de 2025 do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida 2025/2).

O resultado foi publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na página do Participante no Sistema Revalida do Inep. Para acessar, é necessário fazer login com a conta da plataforma Gov.Br.

O participante que não enviou qualquer documentação comprobatória (diploma, certificado ou declaração) de conclusão de curso entre os dias 20 a 24 de outubro está automaticamente reprovado e não poderá participar da próxima fase, a da prova de habilidades clínicas.

Recursos

De acordo com edital da 1ª etapa do Revalida 2025/2, os candidatos que se consideram prejudicados podem entrar com recurso a partir desta segunda-feira até sexta-feira (21).

O resultado final será divulgado no dia 5 de dezembro. Caso o documento enviado seja reprovado, o participante não poderá se inscrever na segunda etapa do Revalida 2025/2, mesmo que tenha obtido desempenho individual mínimo esperado nas provas.

O Revalida 2025/2 foi aplicado no dia 19 de outubro, em todo o país.

O exame tem o objetivo de verificar a aquisição por candidatos formados em medicina no exterior de habilidades, competências e conhecimentos considerados necessários ao exercício profissional no Brasil.

Revalida

O exame tem duas edições anuais e é direcionado tanto aos estrangeiros formados em medicina fora do Brasil quanto aos brasileiros que se graduaram em outro país e querem exercer a profissão em sua terra natal.

O Revalida é composto pelas etapas teórica e de habilidades clínicas, que abordam, de forma interdisciplinar, as cinco grandes áreas da medicina: 

. clínica médica;

. cirurgia;

. ginecologia e obstetrícia;

. pediatria e medicina da família;

e comunidade (saúde coletiva).

O Revalida não classifica instituições de educação superior de outros países.

 




EBC

Com ata publicada, STF se aproxima da ordem de prisão de Bolsonaro


O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta segunda-feira (17) a ata do julgamento em que a Primeira Turma rejeitou os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro contra sua condenação a 27 anos de três meses de prisão em regime inicial fechado por crimes contra a democracia

A formalidade oficializa o resultado do julgamento, encerrado na sexta (14), em que a Primeira Turma rejeitou por unanimidade os primeiros embargos de declaração, tipo de recurso que visa esclarecer alguma contradição ou omissão na decisão condenatória. 

A rejeição aproxima Bolsonaro de uma ordem para que seja preso em regime fechado. O próximo passo é a publicação do acórdão, decisão colegiada que detalha por escrito a rejeição do recurso, com base nos votos dos quatro ministros que participaram do julgamento – o relator, Alexandre de Moraes, além de Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. 

Como os votos são sucintos, com pouca revisão de texto a ser feita, a expectativa é que a publicação do acórdão que rejeitou o primeiro recurso de Bolsonaro ocorra logo, até terça (18). Com isso, o prazo para novos recursos começaria a contar na quarta (19). 

Como há réu preso, os prazos são contados em dias corridos, mesmo em feriado e fim de semana. Contudo, se o último dia cair num sábado ou domingo, o fim do prazo fica adiado para o primeiro dia útil subsequente. 

Caminhos

A partir da publicação, a defesa de Bolsonaro teria dois caminhos para adiar a prisão: apresentar novos embargos de declaração contra a rejeição dos primeiros; tentar os embargos infringentes, tipo de apelo que se baseia na divergência de algum ministro para tentar reverter a condenação. 

No caso de um segundo embargo de declaração, que pode ser apresentado no prazo de cinco dias a partir da publicação do acórdão, é possível que Moraes, como relator, considere o novo recurso “meramente protelatório”. Isto é, sem viabilidade jurídica, sendo apresentado pelos advogados somente para adiar a prisão. 

Nessa hipótese, pela contagem de prazos, uma ordem de prisão poderia ser proferida ainda na última semana de novembro

No caso de embargos infringentes, é possível que o ministro também negue andamento, com base na jurisprudência do Supremo. Desde o julgamento do ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, em 2017, que a Corte exige ao menos dois votos divergentes para admitir esse tipo de recurso. No caso de Bolsonaro, há somente uma divergência, do ministro Luiz Fux. 

Se os infringentes foram negados, contudo, a defesa pode tentar ainda um agravo, questionando a rejeição do embargo pelo relator. Isso, em tese, poderia adiar eventual prisão, uma vez que o agravo precisaria ser analisado pela Primeira Turma, com consulta à Procuradoria-Geral da República (PGR)

Viabilidade 

Há pouca expectativa, contudo, que qualquer desses caminhos possa evitar a prisão de Bolsonaro. Por exemplo, o ministro Luiz Fux, único a votar pela absolvição do ex-presidente, não participa do julgamento de nenhum recurso.

Isso porque em outubro, após ter ficado isolado no voto pela absolvição, o ministro pediu transferência da Primeira para a Segunda Turma do Supremo, em vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Com isso, Fux deixou de participar de qualquer deliberação na Primeira Turma. 

Local da prisão 

O local em que o ex-presidente deve cumprir pena ainda não foi definido. Uma das possibilidades verificadas pelo Supremo é uma ala especial no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, que é voltada a policiais militares presos e fica segregada dos demais detentos

Pela jurisprudência do Supremo, por ser ex-presidente Bolsonaro tem direito a ficar em uma sala especial, mesmo que instalada em um presídio de segurança máxima comum. A instalação poderia ser montada também em algum edifício da Polícia Federal ou em uma unidade militar, por exemplo.  

A defesa do ex-presidente se prepara, contudo, para pedir para que cumpra pena em casa, por motivos de saúde. Bolsonaro sofre de diferentes males, em especial distúrbios na pele e complicações da facada que levou na barriga durante a campanha presidencial de 2018

A prisão domiciliar por motivos humanitários está prevista na lei e foi concedida recentemente no caso do ex-presidente Fernando Collor, por exemplo, que ficou preso por uma semana em uma penitenciária de Maceió antes de receber autorização para cumprir pena em casa. Ele é portador de transtornos como o Mal de Parkinson e distúrbios de humor. 

Bolsonaro já se encontra, há mais de cem dias, em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A medida está relacionada a outra investigação, sobre uma suposta participação do ex-presidente numa tentativa de obstruir o andamento da ação penal do golpe. 



EBC

Há 30 anos, marcha no Rio inaugurava paradas do orgulho LGBT no Brasil


Os 30 anos da primeira parada do orgulho LGBTI+ do Brasil, a do Rio de Janeiro, serão celebrados no próximo domingo (23). A manifestação volta à Praia de Copacabana, seu cenário desde 1995, para exaltar sua jornada e apostar no futuro, com o tema “30 anos fazendo história: das primeiras lutas pelo direito de existir à construção de futuros sustentáveis”.

As três décadas são contadas a partir da Marcha da Cidadania de 25 de junho de 1995, ao fim da 17ª Conferência Mundial da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (Ilga, em inglês). 

A passagem do evento internacional pelo Rio de Janeiro, pleiteada e concretizada pelo movimento LGBTI+ brasileiro, trouxe grande visibilidade à comunidade, ajudou a articular os grupos nacionalmente e a impulsionar as paradas do orgulho no país. Em vários locais, ativistas já se organizavam desde as décadas anteriores, mas com foco na urgência de conter a epidemia de HIV/Aids, explica o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Grupo de Trabalho Memória e Verdade LGBT, Renan Quinalha.

“Não era a primeira vez que o movimento LGBTI+ saía às ruas, mas com esse formato de manifestação, em diálogo com a sociedade, com uma agenda de reivindicações mais abrangente, acontece neste momento”, diferencia ele.

Quinalha explica que a marcha de 1995, no Rio de Janeiro, é icônica por iniciar um processo de acúmulo e aprendizado que se espalha pelo país nos anos seguintes e atinge a escala de milhões de participantes nos anos 2000, com destaque para a Parada LGBT+ de São Paulo, que se torna a maior do mundo. 

“Dá para dizer que as paradas são as maiores manifestações democráticas do Brasil. Nenhum outro movimento coloca tanta gente nas ruas anualmente em várias cidades”.  

Primeira tentativa


Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – O presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, fala sobre os 30 anos da Parada  LGBTI+. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil –

A história da vinda da conferência da Ilga para o Brasil começa quatro anos antes, em 1991, quando o ativista Adauto Belarmino consegue oficializar a candidatura do Rio de Janeiro como sede do evento, escolha que é confirmada em 1993. 

Naquele ano, o Movimento de Emancipação Homossexual Grupo Atobá, o recém criado Grupo Arco-Íris e outros movimentos haviam tentado convocar uma parada já na Praia de Copacabana. Mas o balanço foi de que a tentativa tinha fracassado: foram menos de 30 participantes, sendo a maior parte deles, os próprios organizadores.

Hoje presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, entidade que organiza a parada desde a sua primeira edição, Cláudio Nascimento tinha 23 anos e foi um dos que se sentaram, ao fim da caminhada, em um bar na Galeria Alaska, antigo ponto de encontro da comunidade em Copacabana, para discutir o que tinha dado errado.

“Os mais velhos estavam muito “P” da vida, dizendo que as pessoas eram traidoras, não tinham senso de coletividade, de comunidade. E nós, do Arco-Íris, um grupo novinho que estava nascendo, tivemos a ousadia de dizer para eles que, em vez de culpar a comunidade, a gente tinha que analisar os fatores que prejudicaram a participação. Primeiro, tinha que trabalhar a autoestima”, lembra.

A conclusão veio após uma virada de chave que foi vivida pelo movimento LGBTI+ no país nos anos 1990. A experiência de mais de uma década de luta contra a epidemia de AIDS e a reabertura democrática tiraram o movimento “da defensiva”, resgata Cláudio, permitindo a construção de uma pauta sobre cidadania, orgulho e reivindicação de políticas públicas.

Quando o Rio de Janeiro se confirma como sede da Conferência da Ilga o Grupo Arco-Íris percebe que se tratava de uma oportunidade para fortalecer essa mobilização.

Autoestima

Mesmo com os avanços, ainda havia um contexto que afastava os LGBTI+ da parada: medo de ser reconhecido em público e sofrer agressões verbais e físicas, de ficar sem emprego, de ser expulso de casa e até de perder companheiros que não estivessem dispostos a se assumir publicamente. 

“Em 1994, a gente decide não fazer mais a parada, mas promove eventos sociais e culturais, encontros semanais que chegam a reunir 60, 70 pessoas”, explica Cláudio, contando que o grupo queria estimular os participantes a ganharem confiança. 

Um desses eventos é a própria cerimônia pública de casamento de Claudio e Adauto Belarmino, em 1994, celebrada por ex-seminaristas católicos na sede do Sindicato dos Funcionários de Saúde e Previdência do Estado do Rio (Sindsprev). Também naquele ano, um encontro ao ar livre no jardim do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, chamado de tarde de convivência, chegou a reunir 600 pessoas. 

Conforme a mobilização crescia, paralelamente, a preparação para a conferência e a sonhada parada na cidade permaneciam no horizonte, lembra Cláudio.

“A gente recebeu de Nova York um fac-símile, com mais de 50 páginas e uma série de exigências. A gente, então, decide mentir e dizer que tinha tudo garantido. Se a gente falasse a verdade, que ainda ia buscar o apoio e as parcerias, [a conferência] poderia ter sido cancelada”, admite Cláudio.

Ele lembra que só ficou mais tranquilo com a realização da tarde com 600 participantes. “Ali, a gente teve certeza de que era possível, porque a gente saiu de menos de 30 para 600”.

1995, o marco inicial


Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – Ex-presidente do Grupo Arco Íris Augusto Andrade (esquerda), Luiz Carlos Ramos (centro), Claudio Nascimento (direito) na Marcha da Cidadania de 1995, a primeira Parada LGBT do Brasil 
Foto: Augusto Andrade/Arquivo pessoal

Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – Ex-presidente do Grupo Arco Íris Augusto Andrade (esquerda), Luiz Carlos Ramos (centro), Claudio Nascimento (direito) na Marcha da Cidadania de 1995, a primeira Parada LGBT do Brasil Foto: Augusto Andrade/Arquivo pessoal – Augusto Andrade/Arquivo pessoal

O Grupo Arco-Íris era presidido na época por Augusto Andrade, que o havia fundado com amigos na sala da casa em que morava com Luiz Carlos Barros, em maio de 1993. 

Após a confirmação da conferência, Augusto conta que o grupo enfrentou todo tipo de obstáculo para sua realização, inclusive do ponto de vista financeiro, contraindo dívidas no próprio nome dos integrantes para garantir o evento. 

Inscrições de participantes estrangeiros e doações de entidades internacionais, ativistas e artistas, como o cantor Renato Russo, nomeado padrinho da conferência, foram fundamentais. Carros de som e outros recursos do Sindsprevi, do sindicato dos bancários e do sindicatos dos trabalhadores das empresas telefônicas também foram indispensáveis para a marcha.

“A Ilga, naquela ocasião, tinha o status de órgão consultivo da ONU. Então, nós usamos isso como um carimbo para abrir portas. Porque, para muitas pessoas, era um choque, uma coisa inadmissível, inaceitável”, conta ele.

“Mas conseguimos uma visibilidade imensa. Tiramos a homossexualidade das páginas policiais para as páginas de economia, de política, de cultura, de moda”.


Brasília (DF), 14/11/2025 - Augusto Andrade, organizador da primeira Parada LGBTI+ do Rio de Janeiro, que chega, em 23 de novembro de 2025, a sua 30ª edição. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Augusto Andrade, organizador da primeira Parada LGBTI+ do Rio de Janeiro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

A conferência foi realizada entre 18 e 25 de junho de 1995, em um hotel no Posto 6, na Praia de Copacabana. No centro das discussões, que reuniam entre 2 mil e 3 mil pessoas por dia, estavam pontos que só seriam conquistados cerca de 20 anos depois, pela via judicial: o casamento homoafetivo (2011), legalizado pelo Supremo Tribunal Federal em 2011, e o reconhecimento da discriminação contra a população LGBTI+, tipificada pela Corte em 2019. 

Com a parada ao fim desse evento, a ambição do Arco-Íris era criar um símbolo de mobilização que pudesse ser repetido nos anos seguintes.

“A parada foi a solução que a gente achou para que, nos anos subsequentes, a discussão continuasse, e a nossa pauta se mantivesse viva”, relata Augusto.

Claudio Nascimento exalta o símbolo principal da parada do Rio, a bandeira arco-íris de 124 metros de comprimento por 10 de largura, que já estava presente em 1995. Esse gigantismo era estratégico:

“Queríamos que todo mundo pudesse ter o luxo de segurar, de tocar, e que, quando a imprensa tivesse que escolher apenas uma foto, escolheria ela. E até hoje, 30 anos depois, é o que acontece” 

Pertencimento


Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – A ativista LGBTQIA+, Rosângela Castro posa para fotografia no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A ativista LGBTQIA+, Rosângela Castro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil 

A ativista lésbica Rosangela Castro participava do Grupo Arco-Íris na época e lembra que, além do público da conferência internacional e dos ativistas de outros estados, a adesão da parada também foi resultado de um trabalho de divulgação em bares, boates e outros pontos de encontro das comunidades de gays, lésbicas, bissexuais e travestis.

“A gente teve muitas mãos colaborando com essa parada, então, foi uma sensação muito boa, de pertencimento, de que, a partir dali, as coisas começariam a mudar. Havia muitos olhares que não eram favoráveis, mas também muitos que encaravam como novidade, se perguntando: ‘Nossa, é tanta gente assim?’”, conta ela.

Depois da marcha no Rio, Rosângela e o Grupo Arco-Íris viajaram para outros estados, ajudando na organização de uma série de primeiras paradas, como a de São Paulo, em 1997. A ativista ficou no Arco-Íris até o início dos anos 2000, quando fundou o Grupo de Mulheres Felipa de Sousa, em 2001, dedicado a mulheres lésbicas e bissexuais e, posteriormente, focado nas mulheres negras dessa população.

“Há pouco tempo que comecei a ver a minha importância em tudo isso, de tanto as pessoas me falarem. Para mim, era uma coisa que eu tinha que fazer, era como estar viva. O ativismo é o que me move até hoje. Ano que vem, eu vou fazer 70 anos, e essa é minha forma de viver. Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu faria”.


Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – Ativista Jorge Caê Rodrigues na Marcha da Cidadania de 1995, a primeira Parada do Orgulho LGBTI+ do Brasil
Foto:  Jorge Caê Rodrigues/Arquivo Pessoal

 Ativista Jorge Caê Rodrigues na Marcha da Cidadania de 1995. Foto: Jorge Caê Rodrigues/Arquivo Pessoal 

Para Jorge Caê Rodrigues, que também participou da organização da parada, a história de sua vida e a do movimento LGBTI+ no Brasil se misturam. Jorge conheceu o marido, John MacCarthy, na militância, nos anos 1980, e os dois ficaram 39 anos juntos. Nessa estrada, a marcha pioneira no Rio de Janeiro foi um marco em que os dois trabalharam juntos.

“Não digo que foi o início. Em 1980, foi plantada a semente de uma árvore que cresceu e, ali, começou a dar frutos. Foi um processo longo, mas, em 1995, já era uma árvore forte, com raízes fincadas”, lembra ele “Foi um momento de uma glória inacreditável, de muita emoção. A parada foi a catarse”.

Mesmo depois de sair da organização da parada, no ano 2000, o casal não deixou de participar da manifestação. Em 2019, quando John morreu, um dos trios elétricos desfilou com uma foto em sua homenagem, mas Jorge não se sentiu em condições de voltar à rua durante o luto. 

Anos depois, em um novo relacionamento, Jorge Caê descobriu que o namorado, um homem mais jovem que tinha nascido no interior do Rio de Janeiro, nunca tinha ido a uma parada LGBTI+. Depois de contar a ele sua história, os dois decidiram ir juntos em 2023.

“Foi tocante estar com uma pessoa que nunca tinha ido, um homossexual do interior, e ver a alegria dele em ver que realmente não está sozinho, que não é o único, que é um pensamento que passa pela cabeça de muitos homossexuais. Foi muito comovente. Espero que a parada continue forever and ever”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2025 – John MacCarthy (esquerda), Jorge Caê Rodrigues e Gilza, na Parada LGBTI+ do Rio em 2009
Foto: Jorge Caê Rodrigues/Arquivo Pessoal

John MacCarthy (esquerda), Jorge Caê Rodrigues e Gilza, na Parada LGBTI+ do Rio em 2009 Foto: Jorge Caê Rodrigues/Arquivo Pessoal 



EBC

Enem 2025: pedido de reaplicação de provas começa nesta segunda


Os participantes que perderam a aplicação de um ou dois dias de provas do Enem afetados por problemas logísticos, desastres naturais ou doenças infectocontagiosas poderão solicitar a reaplicação do exame a partir desta segunda-feira (17) até as 12h da próxima sexta-feira (21), no horário de Brasília.

“Todos os que se sentirem prejudicados, por exemplo, pela falta de energia e fatores externos às escolas, terão direito à reaplicação nos dias 16 e 17 de dezembro.”

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) avisa que haverá apenas uma reaplicação do Enem.

Como solicitar

A solicitação deverá ser feita por meio da Página do Participante, no site do Inep, com login de acesso pela plataforma Gov.br.

Para a análise, o participante deverá inserir um documento legível, em língua portuguesa, que comprove a condição que motiva a solicitação de atendimento, com a data que contemple o dia perdido de aplicação do Enem 2025. 

Situações

Os participantes de cidades afetadas por desastres naturais terão a reaplicação do exame garantida.

O ministro da Educação, Camilo Santana, lembrou os candidatos que tiveram o Enem suspenso em Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, após a passagem de um tornado no dia 7 de novembro. O município ficou 90% destruído, de acordo com a Defesa Civil do estado.

O edital de abertura do Enem prevê que o participante afetado por problemas logísticos durante a aplicação das provas ou acometido por doença infectocontagiosa no primeiro ou no segundo dia das provas poderá solicitar a reaplicação. 

Doenças infecciosas

De acordo com o edital do Enem 2025, o participante infectado por uma das doenças a seguir deverá solicitar reaplicação: tuberculose, coqueluche, difteria, doença invasiva por Haemophilus influenzae, doença meningocócica e outras meningites, varíola, varíola dos macacos (monkeypox), influenza humana A e B, poliomielite por poliovírus selvagem, sarampo, rubéola, varicela (catapora) ou covid-19.

Problemas logísticos

Para reaplicação, são considerados problemas logísticos que prejudicaram o solicitante como: desastres naturais que comprometam a infraestrutura do local; falta de energia elétrica que comprometa a visibilidade da prova pela ausência de luz natural ou outro erro de execução de procedimento de aplicação.

Análise

Cada caso será analisado individualmente pela equipe do Inep. Somente a aprovação do documento comprobatório garante a participação na reaplicação do exame.

Para os casos em que o pedido for aceito (deferido), as provas serão reaplicadas nos dias 16 e 17 de dezembro.

O inscrito fará a prova somente do dia em que sua participação foi inviabilizada no Enem.



EBC

Lula envia nesta segunda ao Congresso o novo Plano Nacional de Cultura


O novo Plano Nacional de Cultura (PNC) será encaminhado nesta segunda-feira (17), pelo governo federal, para análise do Congresso Nacional. O plano vai orientar as políticas culturais do país pelos próximos 10 anos.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também assinará o decreto que cria a Comissão Intergestores Tripartite para a cultura.

“O texto reafirma a cultura como política de Estado e pilar estratégico da democracia, da soberania e de um desenvolvimento socialmente justo”, diz a divulgação do governo.

a Comissão Intergestores Tripartite será a instância permanente de diálogo entre União, estados e municípios para a implementação das políticas públicas de cultura, “fortalecendo a governança federativa e a cooperação entre gestores”.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e outras autoridades estarão presentes no evento.

Estão confirmadas também as participações de agentes territoriais e representantes dos comitês de cultura de todo o Brasil, integrantes do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), “que simbolizam a participação popular e o compromisso coletivo com a construção de políticas culturais democráticas e acessíveis”.

Conferência Nacional de Cultura

A elaboração do plano foi subsidiada pelas propostas aprovadas durante a 4ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), realizada pelo Ministério da Cultura em março de 2024. Com o tema Democracia e Direito à Cultura, o evento reuniu, em Brasília, 1,2 mil delegados de todo o país, que aprovaram 30 propostas de políticas públicas para o setor.

A propostas da sociedade que subsidiaram o plano incluem iniciativas em seis eixos temáticos:

  • Institucionalização, Marcos Legais e Sistema Nacional de Cultura;
  • Democratização do acesso à cultura e Participação Social;
  • Identidade, Patrimônio e Memória;
  • Diversidade Cultural e Transversalidades de Gênero, Raça e Acessibilidade na Política Cultural;
  • Economia Criativa, Trabalho, Renda e Sustentabilidade;
  • e Direito às Artes e Linguagens Digitais.

A 4ª CNC encerrou o intervalo de mais de 10 anos desde a última conferência, em dezembro de 2013, que avaliou a execução das metas do primeiro PNC.

O plano pioneiro foi instituído em 2010, pela Lei n° 12.343, após duas conferências nacionais, e teria vigência até dezembro de 2020. No entanto, em 2021 e 2022, o plano passou por duas prorrogações e o texto ficou em vigor até dezembro de 2024.

 



EBC

Enem: provas foram longas, mas com questões fáceis, dizem candidatos


Milhões de candidatos fizeram neste domingo (16) as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As provas de ciências da natureza e matemática foram aplicadas em 1.805 municípios das 27 unidades federativas.

As provas foram encerradas às 18h30, mas desde as 15h30, no horário de Brasília, os participantes já poderiam deixar a sala de aplicação, sem levar o caderno de provas. 


Brasília (DF) 16/11/2025 – Erika Tauany, estudante do 3º ano de Goiás, de 17 anos, e candidata do Enem 2025 que fez a prova no Distrito Federal.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Brasília (DF) 16/11/2025 – Erika Tauany foi uma das primeiras a deixar sala de provas do Enem. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

A concluinte do ensino médio, Érika Tauany, de 17 anos, foi uma das primeiras a cruzar o portão de saída em uma escola em Brasília. A candidata achou as questões relativamente fáceis.

Não foi muito complicado, não. Houve algumas questões fáceis, outras difíceis, em especial na prova de física”, contou à reportagem da Agência Brasil.

Quem também deixou o local de provas depois do tempo mínimo foi Thaylla Luara, estudante que se forma no terceiro ano do ensino médio em 2025. Aos 18 anos, ela sabe o quer: se formar em administração, para ter um curso superior e seguir na carreira de policial penal. “A prova foi bem tranquila, sem qualquer dificuldade em química, física e matemática. Consegui responder tudo rapidinho.”

Cansativa e difícil

Já outros candidatos relataram que as 90 questões foram mais difíceis que as do primeiro dia de provas, principalmente por causa dos conteúdo de matemática e física, que geralmente exigem mais cálculos e tempo de resolução.

Este foi o caso de Janderson Polibio, que fez o Enem para testar os conhecimentos após a conclusão do ensino médio há 13 anos. Das 90 questões, ele diz ter arriscado as respostas em um terço delas para garantir pontos extras.

“Fiz só o que eu sabia, o que eu lembrava. Chutei umas 30 questões. Não adianta eu ficar na prova sem me lembrar, sem nem ter noção do que é. Melhor chutar e ir pra casa”, justificou a saída precoce em Brasília.


Brasília (DF) 16/11/2025 – Janderson Polibio, que já concluiu o ensino médio há 13 anos, veio fazer o Enem 2025 para autotestar os conhecimentos
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Brasília (DF) 16/11/2025 – Janderson Polibio, que já concluiu o ensino médio há 13 anos, foi fazer o Enem 2025. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

No Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro, muitos candidatos relataram que a prova estava longa e cansativa.

“Achei cansativa, mas as questões estavam tranquilas, mais do que a gente esperava. Consegui fazer tudo. Vamos ver. Estou confiante”, contou Amanda Barbosa, 18 anos, que tenta uma vaga para nutrição.

Outra que achou cansativa foi a candidata Ana Gabriela, de 19 anos. “Cansativa, mas bem mais simples que a do ano passado quando fiz de treineira. Me preparei mais para este ano, estudei e as questões foram um pouquinho mais fáceis este ano”, disse a participante que quer fazer pedagogia.

Leonardo Drummond, 23 anos, achou a prova difícil. “Estudei me preparei, vamos ver aí o que vai dar. Matemática não é muito a minha praia não”, disse à reportagem o candidato para administração.

Para Davi da Paz Morais, 20 anos, “as questões estavam bem elaboradas e não teve nenhuma sem sentido”. “Achei boa a prova”, disse o jovem, que pretende cursar faculdade de direito.

Treineiros

Matheus Oliveira, de 16 anos, estudante do 1º ano de uma escola privada do centro da capital federal, foi o primeiro candidato a deixar o centro universitário de Brasília, onde prestou o Enem pela primeira vez como treineiro.

Mesmo considerando o nível de exigência da prova de matemática maior do que as demais, como química, biologia e física, Mateus considera necessário fazer o Enem para conhecer a prova sem ainda a pressão de ter que entrar em uma faculdade.

“Acho bom para me acostumar com a prova do jeito que ela é, que é diferente do que estou acostumado a fazer. É muito diferente dos simulados, porque, aqui, tive a pressão do horário no portão e lá dentro [da sala]”.

Na condição também de treineiros, estavam os irmãos Felipe e Bruno Turazzi, de 16 e 17 anos, respectivamente, estudantes do primeiro e segundo ano do ensino médio de uma escola privada do Distrito Federal. Os dois fizeram o Enem por sugestão da mãe.


Brasília (DF) 16/11/2025 – Os irmãos Felipe e Bruno Turazzi, de 16 e 17 anos, fizeram o Enem na condição de treineiro em 2025 para adquirir experiência.
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Brasília (DF) 16/11/2025 – Os irmãos Felipe e Bruno Turazzi, de 16 e 17 anos, fizeram o Enem na condição de treineiros. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Felipe achou a prova difícil. “É muito grande e muito complexa. Estou no primeiro [do ensino médio] e não aprendi o conteúdo de todos os anos para fazer bem o Enem. E ainda estou na minha semana de provas e preciso estudar”.

Bruno Turazzi pensa em cursar direito, e reconheceu que não foi bem também nas provas de hoje. “Sou muito ruim em matemática, o que complica.” Porém, disse que a experiência foi válida. “Eu já posso saber como são as questões.”

As notas dos treineiros não podem ser usadas para ingresso em universidades e somente serão conhecidas após 60 dias da divulgação das notas dos participantes regulares, em janeiro de 2026.

Famílias aguardavam do lado de fora

Enquanto os estudantes faziam a prova, do lado de fora de um dos locais de aplicação, estava a dona de casa Geni de Oliveira Penna Matos, que aguardava a saída da neta Leslianne Lohana de Matos Pereira.

As duas percorreram 50 quilômetros, vindas de Águas Lindas de Goiás, e chegaram ao local às 10h30. A jovem quer ingressar em uma faculdade pública para ser cardiologista ou fisioterapeuta.


Brasília (DF) 16/11/2025 – Geni de Oliveira Penna Matos, avó de uma candidata que faz prova do Enem 2025, neste domingo
Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

Brasília (DF) 16/11/2025 – Geni de Oliveira Penna Matos, avó de candidata que faz prova do Enem 2025. Foto: Daniella Almeida/Agência Brasil

 A avó, que cursou somente o 1º ano do ensino fundamental, ficou na torcida por um bom desempenho da neta, criada por ela desde o falecimento da mãe.

“Meu coração está explodindo. Leslianne se preparou muito bem para poder vir fazer essa prova.”

Quem passava pela mesma aflição era o pedreiro Darci Pinto de Sousa Pedreiro, pai de Keyse, de 18 anos. A filha busca entrar na faculdade de medicina.

O pai, que estudou até o 7º ano do ensino fundamental, valoriza o estudo das três filhas. “O que a gente não conseguiu, eu tento que alguma delas consiga. O tempo passou para mim e o delas chegou para isso. Estou na expectativa e com esperanças. A Keyse se preparou, é bem dedicada. O tempo todo estava na mesa de estudos.”

Saída definitiva

A partir das 18h, os candidatos puderam sair com o caderno de questões.

O participante com solicitação de tempo adicional, aprovada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tem direito a 60 minutos extras.

No caso dos candidatos que tiveram solicitação para o recurso de videoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras), o acréscimo será de 120 minutos, portanto, 20h30.

Reaplicação

Os participantes que perderam a aplicação de um ou dos dois dias de provas do Enem afetados por problemas logísticos, desastres naturais ou doenças infectocontagiosas poderão solicitar a reaplicação do Enem.

A solicitação deverá ser feita a partir desta segunda-feira (17) até 12h da próxima sexta-feira (21), no horário de Brasília, por meio da Página do Participante, no site do Inep, com login de acesso pela plataforma Gov.br.

A solicitação de reaplicação será analisada individualmente pelo Inep. Para os casos em que o pedido for aceito, as provas serão reaplicadas nos dias 16 e 17 de dezembro.



EBC