STF: Castro diz que imagens de câmeras de policiais foram preservadas


O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, informou nesta segunda-feira (17) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares e civis que participaram da Operação Contenção foram preservadas.

As informações foram enviadas ao Supremo antes do término do prazo concedido pelo ministro para o governo estadual prestar esclarecimentos sobre a operação, que matou 121 pessoas no dia 28 de outubro. O prazo termina hoje. 

De acordo com o governador, as câmeras foram usadas por 60 policiais, e as gravações desses equipamentos foram salvas. Contudo, parte dos equipamentos apresentou falhas, que causaram a inoperância de 30 câmeras.

“As imagens das câmeras utilizadas pelos policiais civis e militares foram devidamente preservadas. No âmbito da Polícia Civil, todas as gravações realizadas durante a operação classificadas no modo Evidência, assegurando sua preservação integral pelo prazo contratual. Já a Polícia Militar, por intermédio de sua corregedoria, requisitou à Diretoria de Infraestrutura e Tecnologia a adoção das medidas técnicas necessárias para a preservação de todas as imagens captadas pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) durante a operação”, afirmou Castro.

O governador também informou que vai enviar à Corte as cópias dos laudos necroscópicos dos mortos na operação. A transmissão dos dados será feita por meio de uma VPN (rede privada) devido ao “conteúdo sensível” dos documentos.

No dia 3 deste mês, o governo do Rio remeteu a Moraes 18 esclarecimentos sobre a operação.

Alexandre de Moraes é o relator temporário do processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.

“Divisor de águas”

No documento enviado à Corte, o governo do Rio argumenta que a realização da Operação Contenção deve ser reconhecida como uma “política pública de defesa institucional”.

A procuradoria do estado diz que a operação foi uma resposta institucional necessária e proporcional para combater o narcotráfico no Complexo da Penha e fruto do trabalho de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público.

“Mais do que uma ação policial, a Operação Contenção deve ser reconhecida como uma política pública de defesa institucional, jurídica e social, concebida sob parâmetros de inteligência estratégica, responsabilidade estatal e controle democrático, simbolizando um marco de resistência, coragem e efetividade no enfrentamento ao crime organizado”, diz o relatório.

O governo do Rio também classificou a operação como “divisor de águas” no enfretamento à criminalidade.

“A Operação Contenção representa um divisor de águas no enfrentamento qualificado ao crime organizado, demonstrando que a presença do Estado é permanente, a ação policial é técnica e controlada, e o compromisso institucional com a paz social é inegociável”, completou o documento.



EBC

Brasil terá Wesley na lateral-direita em jogo contra Tunísia na terça


A seleção brasileira masculina de futebol terá ao menos duas alterações no time que entra em campo contra a Tunísia, às 16h30 (horário de Brasília) deste terça-feira (18), no último amistoso do ano, na a Decathlon Arena, em Lille (França). O jogador Wesley(Roma/Itália) será o titular na lateral-direita, substituindo Gabriel Magalhães, cortado por conta de lesão. Já Éder Militão retorná à zaga, onde atuará junto com Marquinhos. No último sábado (15), na vitória contra Senegal (2 a 0), Militão atuou na lateral-direita. Os amistosos são preparatórios para a Copa do Mundo de 2026 no Canadá, México e Estados Unidos.

A escalação de Wesley foi anunciada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti durante coletiva de imprensa concedida antes do último treino da Amarelinha. O treinador revelou que ainda avalia outras mudanças.

“Estamos pensando em fazer alguma mudança para o jogo de amanhã. Quero avaliar o treino de hoje para ver como os jogadores se recuperaram do esforço no jogo com Senegal. Eles estão bem, infelizmente tivemos a lesão de Gabriel Magalhães, vamos substituí-lo com Wesley no lado direito. Queremos fazer um bom jogo e seguir na mesma dinâmica contra Senegal, que foi bonito na atitude, intensidade e qualidade”, projetou o técnico, antes do treino fechado à imprensa.

Ancelotti disse ainda que a seleção seguirá jogando no esquema 4-2-4, mas variações poderão ocorrer mediante o desempenho do time em campo.

Temos que ter uma ideia muito clara do que fazer. Deu certo o sistema com muitos na frente, mas também temos que pensar uma formação mais defensiva como plano B. Gostei do sistema [ofensivo] porque a atitude dos jogadores da frente foi boa, o trabalho que fazem no aspecto defensivo é importante para a equipe. Se não fizerem bem, temos duas opções: mudar o jogador ou o sistema, concluiu.

Após o confronto contra a Tunísia, a seleção volta a se reunir na próxima Data Fifa (março de 2026), para amistosos contra França e Croácia nos Estados Unidos.

A provável escalação do Brasil contra a Tunísia nesta terça (17) deve ser com Ederson, Wesley, Éder Militão, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Estêvão, Matheus Cunha, Vinicius Júnior e Rodrygo.





EBC

PM entra armada em escola em SP após queixa de pai de desenho de orixá


A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que está apurando o caso em que policiais militares foram até uma escola, armados, após um pai ter acionado a polícia depois de a filha ter feito um desenho de orixá. 

Quatro policiais militares entraram, portando armas, na Emei Antônio Bento (Butantã), depois de terem recebido a ligação do pai. O caso ocorreu na tarde da última quarta-feira (12). O pai teria dito que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de religião africana. 

No dia anterior, terça-feira (11), o pai da criança já havia ido à escola demonstrar sua insatisfação em relação à aula e teria se portado de maneira inadequada, retirando do mural o desenho de Iansã que a filha havia feito. 

Os policiais permaneceram na escola por mais de uma hora e foram embora por volta das 17h10 junto com o pai da aluna.

Em nota, a diretora Aline Aparecida Nogueira informou que a escola “não trabalha com doutrina religiosa” e que o “trabalho centrado a partir do currículo antirracista”. Ela disse ainda ter sido “coagida e interpelada pela equipe por aproximadamente 20 minutos”. 

O caso provocou revolta nas famílias que têm filhos na unidade escolar. Eles se dispuseram a prestar depoimento sobre o ocorrido.

Repercussão

Em nota à Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a “Polícia Militar instaurou apuração sobre a conduta da equipe que atendeu à ocorrência, inclusive com a análise das imagens das câmeras corporais”. Segundo o órgão, a professora da unidade de ensino registrou boletim de ocorrência contra o pai da estudante “por ameaça”.

A Secretaria Municipal de Educação também se manifestou sobre o caso e escreveu que “o pai recebeu esclarecimento que o trabalho apresentado por sua filha integra uma produção coletiva do grupo” e que a atividade “faz parte de propostas pedagógicas da escola, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena dentro do Currículo da Cidade de São Paulo”.

O Sindicato dos Profissionais de Educação manifestou apoio aos responsáveis pela Emei Antonio Bento e afirma que a entrada dos policiais na unidade “gerou constrangimento, intimidação e profundo abalo emocional na equipe escolar”. O sindicato ainda informou que a atividade desenvolvida tem respaldo pedagógico e que “repudia qualquer violação à autonomia pedagógica, qualquer forma de intimidação aos profissionais da educação e qualquer situação que coloque em risco a segurança física e emocional de educadores e estudantes”. A entidade pede a apuração dos fatos.

A deputada federal Luciene Cavalcanti e o deputado estadual Carlos Giannazi, ambos do PSOL, acionaram o Ministério da Igualdade Racial para que acompanhe o caso.



EBC

Demarcar terras dá segurança a quem protege o meio ambiente, diz MJ


A demarcação das 10 terras indígenas, anunciada nesta tarde desta segunda-feira (17) pelo governo federal, ajuda a enfrentar a crise climática, já que garante segurança a quem protege o meio ambiente. Essa foi a avaliação da secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça, Sheila de Carvalho.

“A demarcação reduz conflitos, fortalece a governança socioambiental e bloqueia as engrenagens da destruição, como grilagem, mineração ilegal e exploração predatória”, afirmou a secretária nacional, conforme foi divulgado em nota pelo governo.

No ano passado, foram 11 terras indígenas oficializadas. Com essas novas portarias assinadas, 21 terras indígenas passam a ser reconhecidas. Desde 2018, não havia demarcação.

As portarias que tratam das demarcações foram assinadas pelo ministro Ricardo Lewandowski. A demarcação representa o reconhecimento do direito às terras indígenas e a definição dos limites do território. O processo ainda demanda atos administrativos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do próprio ministério e da Presidência da República.

“A decisão final desse processo é do presidente da República que, mediante decreto, decide sobre a concessão definitiva da titularidade das terras indígenas às comunidades, por meio de homologação”, explica nota do ministério. 

13,8% do território

As terras indígenas ocupam 117,4 milhões de hectares, cerca de 13,8% do território nacional (áreas que figuram entre os maiores contínuos de floresta tropical do planeta), conforme contabiliza o governo. 

O governo levou em conta um estudo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC), que amplia as demarcações e pode evitar até 20% do desmatamento adicional e reduzir em 26% as emissões de carbono até 2030.

“Direito ancestral”

Sheila de Carvalho defendeu que, mais do que reconhecer um direito previsto na Constituição, a demarcação reconhece um direito ancestral. Os documentos assinados pelo ministro em ação conjunta com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). 

O ato englobou os territórios indígenas: Vista Alegre (AM), Comexatiba – (Cahy-Pequi) (BA), Ypoi Triunfo (MS), Sawre Ba’pim (PA), Pankará da Serra do Arapuá (PE), Sambaqui (PR), Ka’aguy Hovy (SP), Pakurity (SP), Ka’aguy Mirim (SP).

As áreas são ocupadas pelos povos indígenas Mura, Tupinambá de Olivença, Pataxó, Guarani-Kaiowá, Munduruku, Pankará e Guarani-Mbya.

Diferentes biomas

Durante a COP30, lideranças indígenas defenderam que não há política climática robusta sem segurança territorial. “As dez demarcações abrangem povos, biomas e regiões distintas, fortalecendo a proteção climática, a diversidade sociocultural e a justiça ambiental”, avalia o ministério.

>> Confira os territórios demarcados: 

Tupinambá de Olivença (BA) 

O território Tupinambá de Olivença é ocupado pelo povo de mesmo nome. A área demarcada conta com 47.374 hectares e é ocupada por 4.631 pessoas, de acordo com as últimas medições. No ano passado, o povo tupinambá recebeu de volta o manto sagrado, guardado no Museu Nacional da Dinamarca por três séculos. A demarcação havia sido prometida durante o ato de devolução do objeto histórico. 

Vista Alegre (AM)  

No Amazonas,  se encontram as terras indígenas Vista Alegre, habitada pelo povo Mura. A área reconhecida pela portaria conta com 13.206 hectares. Em 2008, a população indígena era de 160 pessoas. 

Comexatiba – (Cahy-Pequi) (BA)

O município de Prado (BA), onde se localiza o território Comexatiba – (Cahy-Pequi), abriga o povo Pataxó. A área demarcada tem 28.077 hectares e é habitada por 732 indígenas..

Ypoi Triunfo (MS) 

No município de Paranhos (MS), o território indígena Ypoi Triunfo foi demarcado com uma área de 19.756 hectares e abriga 869 indígenas, segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de 2009. 

Sawre Ba’pim (PA)

Com 150.330 hectares, a terra indígena Sawre Ba’pim é lar do povo Munduruku, no município de Itaituba (PA). A localidade conta com 62 cadastros de ocupações, sendo um imóvel registrado e as demais ocupações identificadas como posse.

Pankará da Serra do Arapuá (PE) 

Em Pernambuco, no município de Carnaubeira da Penha, está o território indígena Pankará da Serra do Arapuá, habitado pelo povo Pankará. A área tem 15.114 hectares e é ocupada por 4.716 indígenas.

Sambaqui (PR)  

No município Pontal do Paraná está situada a terra indígena Sambaqui, habitada pelo povo Guarani-Mbya. O território demarcado possui 2.798 hectares, ocupado por 31 pessoas.

Ka’aguy Hovy (SP)

Na cidade da Iguape (SP), o povo Guarani-Mbya vive na terra indígena Ka’aguy Hovy, situada no Vale da Ribeira, que em conjunto com a zona litorânea paulista, abriga a maior extensão contínua ainda conservada da Mata Atlântica no Brasil. A área demarcada tem 1.950 hectares e é habitada por 90 indígenas.

Pakurity (SP) 

Habitado pelo povo Guarani-Mbya, o território indígena Pakurity, no município de Cananéia (SP), foi demarcado. A área possui 5.730 hectares e, segundo dados de 2016 da Funai, abriga 133 indígenas. 

Ka’aguy Mirim (SP)

Ainda no estado de São Paulo, nos municípios de Miracatu e de Pedro Toledo, o povo Guarani-Mbya teve o território Ka’aguy Mirim demarcado. A área possui 1.190 hectares, é habitada por 70 indígenas, e está situada no Vale da Ribeira.



EBC

COP30 monta força-tarefa para antecipar decisões


A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) anunciou nesta segunda-feira (17) que montou uma força-tarefa entre os negociadores dos países participantes para acelerar as discussões e definir um conjunto de medidas, no que está sendo chamado de Pacote de Belém.

A ideia é que o pacote seja aprovado em duas etapas: a primeira sendo finalizada para aprovação ainda na plenária de quarta-feira (19), dois dias antes do encerramento oficial da conferência; e a segunda para ser concluída na sexta-feira (21), data final do evento.

A metodologia de trabalho foi comunicada em carta enviada às partes pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, nesta semana decisiva do evento – que ocorre pela primeira vez na Amazônia – quando ministros dos diferentes governos estão na capital paraense com poder político para fechar possíveis acordos.

“Trabalhemos lado a lado, em modo de força-tarefa, para implementar o Pacote de Belém: com rapidez, equidade e respeito por todos. Aceleremos o ritmo, superemos as divisões e foquemos não no que nos separa, mas no que nos une em propósito e humanidade”, diz um trecho da carta do embaixador.

“O mundo observa não só o que decidimos, mas como decidimos: se o nosso processo reflete confiança, generosidade e coragem. Mais importante ainda, o mutirão pode demonstrar a nossa capacidade de trabalhar em conjunto para responder à urgência”, declara outro trecho do documento.

Pacote de Belém

Os itens do pacote que podem ter suas decisões antecipadas incluem o Objetivo Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês), o programa de trabalho sobre transição justa, planos nacionais de adaptação, financiamento climático, programa de trabalho sobre mitigação, assuntos relacionados à Comissão Permanente de Finanças, ao Fundo Verde para o Clima e ao Fundo Global para o Meio Ambiente e orientações ao Fundo para Resposta a Perdas e Danos.

Também estão incluídos nesse primeiro pacote relatório e assuntos relacionados ao Fundo de Adaptação, Programa de Implementação de Tecnologia e assuntos relacionados ao Artigo 13 do Acordo de Paris, que trata dos relatórios de transparência das ações climáticas.

“O que a presidência propôs e as partes aceitaram é tentar concluir esse primeiro pacote de decisões até quarta-feira à noite. E, com isso, nós mostraremos que o multilateralismo pode gerar entregas e entregas antes mesmo do prazo final”, destacou a diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Liliam Chagas.

Além desses itens que estão já consolidados na Agenda de Ação da COP30, há um conjunto de quatro temas, que incluem o apelo por ampliação das metas climáticas – as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) -, o financiamento público de países desenvolvidos a países em desenvolvimento, medidas unilaterais de comércio (imposição de tarifas) e relatórios biaunais de transparência.

Esses pontos, em conjunto, também estão sendo chamados de mutirão de Belém. O segundo pacote tratará de outras questões técnicas. Ao todo, a Agenda de Ação da COP30 tem cerca de 145 itens.  

Para viabilizar a força-tarefa, a presidência da COP30 vai pedir autorização à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) para estender o horário de funcionamento da conferência, por tempo indeterminado.

“Cada grupo decidirá quanto tempo precisa para avançar com o trabalho em andamento”, disse Liliam Chagas.

“Essa ideia surgiu do clima criado na primeira semana, e as partes [países] propuseram isso ao presidente, que seria possível. Então, repito, essa ideia surgiu dessas conversas com as partes, não foi algo que definimos”, reforçou Corrêa do Lago, presidente da conferência em Belém.

Reações

Organizações da sociedade civil que acompanham as negociações avaliaram positivamente o anúncio do pacote de decisões que pode antecipar acordos na COP30.

“O anúncio do pacote político a ser negociado, chamado de ‘mutirão’, nos traz esperança. O plano de resposta global à lacuna de ambição e os ‘mapas do caminho’ para proteção das florestas e para eliminação gradual dos combustíveis fósseis estão na mesa após muitos países demonstrarem apoio na semana passada, dentro e fora das salas de negociação”, afirmou a especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo.

Segundo a especialista, opções sobre o aumento e o acompanhamento do financiamento público de países desenvolvidos, incluindo pelo menos triplicar investimentos para adaptação até 2030, também estão na mesa: “Porém, o conteúdo de tal pacote ainda está em aberto, incluindo opções mais ambiciosas e outras mais fracas”, completou Anna.

Para a WWF, o mutirão decisório anunciado nesta segunda-feira sugere que as negociações estão em ritmo satisfatório, embora ainda esteja em aberto o conteúdo que será, de fato, pactuado de forma consensual entre as partes.

“O anúncio feito hoje pela Presidência da COP sobre o avanço de dois pacotes de negociação é uma evidência encorajadora de progresso. Uma liderança política decisiva será necessária para retomarmos o caminho rumo ao limite de temperatura de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris”, observou Manuel Pulgar-Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF.

 



EBC

Ex-jogador Robinho é transferido do presídio de Tremembé para Limeira


O ex-jogador Robson de Souza, o Robinho, foi transferido hoje da Penitenciária II Dr. José Augusto César Salgado, conhecida como Tremembé, para o Centro de Ressocialização de Limeira.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária a transferência foi feita após pedido da defesa do custodiado.

Robinho está preso desde março de 2024 e teve novo pedido de liberdade, por meio de recurso, negado em setembro deste ano.

O atleta foi condenado pela justiça italiana por participar de um estupro em 2013, na cidade de Milão.

A decisão da corte italiana foi aceita pelo judiciário brasileiro, que negou o pedido inicial de extradição mas deu cumprimento à pena, de nove anos de prisão.

 



EBC

Biblioteca Nacional envia literatura brasileira em árabe à Palestina


Acordo assinado entre o presidente da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil (FBN), Marco Lucchesi, com o diretor da Biblioteca Nacional da Palestina, ex-ministro da Educação daquele Estado, Marwan Awartani, garantiu o envio de livros de 21 autores brasileiros àquela instituição e a centros culturais locais, traduzidos para o árabe.

Enviados com auxílio do Itamaraty, os livros serão distribuídos mensalmente às instituições pelo embaixador brasileiro junto ao Estado Palestino, João Marcelo Queiroz. O protocolo foi assinado no escritório da representação do Brasil na Cisjordânia, Palestina. Marco Lucchesi participou por videoconferência.

Em entrevista nesta segunda-feira (17) à Agência Brasil, Marco Lucchesi destacou que a FBN trabalha a favor da cultura de paz, realizando a diplomacia do livro “no sentido da tradição antiga, que sempre existiu, porque os livros eram a biblioteca dos reis, dos presidentes, só que agora ela está ligada à cidadania”. Segundo Lucchesi, há compreensão de que houve um deslocamento do processo e, hoje, todos estão mergulhados em uma cidadania global.

“Uma cidadania em que os laços humanitários, solidários e fraternos agora atravessam as fronteiras”. Com isso, a diplomacia do livro se realiza em uma perspectiva da cultura de uma paz solidária, acentuou o presidente da FBN. “A Palestina assume uma paisagem extremamente importante e solidária, da mesma forma que o Haiti”, salientou Lucchesi.

A imigração dos povos árabes para o Brasil criou laços muito antigos que se renovam agora com essa proposta. A BN assinou anteriormente com a Câmara Árabe do Livro acordo de cooperação técnica, devido à existência no Brasil de muitos jornais escritos em árabe e publicados no país. “É um acordo que é a favor de todos. Não é contra ninguém. É um acordo a favor da paz, da solidariedade dos povos”, ressalta Lucchesi.

A imigração dos povos árabes para o Brasil criou laços muito antigos que se renovam agora com essa proposta. A BN assinou anteriormente com a Câmara Árabe do Livro acordo de cooperação técnica, devido à existência no Brasil de muitos jornais escritos em árabe e publicados no país. “É um acordo que é a favor de todos. Não é contra ninguém. É um acordo a favor da paz, da solidariedade dos povos”.

Para 2026, a FBN está propondo à BN da Palestina a realização de cursos de preservação e conservação do ponto de vista digital e físico, bem como a realização de seminários. Está prevista uma visita de Marco Lucchesi à Palestina, integrando comitiva de autoridades brasileiras.


Rio de Janeiro (RJ), 17/11/2025 –  Acordo inédito envia livros de autores brasileiros para a Palestina.
Representação brasileira na Palestina/Divulgação

Marwan Awartani (direita), João Marcelo Queiroz (esquerda) e presidente da FBN (tela)  firmam acordo.  – Foto da representação brasileira na Palestina/ divulgação/Divulgação

Haiti

Também foi firmado acordo com o Haiti que permitirá que uma equipe daquele país, liderada pelo diretor da Biblioteca Nacional local, Dangelo Neard, seja recebida na FBN, no Rio de Janeiro, provavelmente no início do próximo ano. “No caso do Haiti, nós vamos oferecer para eles, in loco, um curso de conservação e preservação”. Marco Lucchesi lembrou a importância da iniciativa, tendo em vista que a biblioteca daquele país sofreu perda muito importante de acervo no ano passado, com a atuação de grupos armados que incendiaram e saquearam a BN haitiana. A BN do Brasil também disponibilizará um curso online sobre restauração de acervos em francês, para a equipe da BN haitiana.

De acordo com Lucchesi, a BN do Brasil tem uma responsabilidade muito grande com as bibliotecas da América Latina, já que assumiu a vice-presidência da Associação de Estados Ibero-Americanos para o Desenvolvimento das Bibliotecas Nacionais dos Países Ibero-Americanos (Abinia). “Por isso e por outras razões, damos assistência a diversas bibliotecas da América Latina”. 

França

Na semana passada, foi firmado acordo com a BN da França, que aposta também nas tecnologias novas da informação. No próximo dia 25, a FBN vai inaugurar exposição com curadorias francesa e brasileira para celebrar os 200 anos de relações entre os dois países. Outro acordo importante é com o Vaticano. Em 2026, Marco Lucchesi terá encontro com o Papa Leão 14, que será presenteado com livro publicado pela BN brasileira. Além disso, está programada para janeiro a inauguração, na Universidade Gregoriana, de uma exposição virtual da FBN para celebrar os 200 anos de relacionamento da Santa Sé com o Brasil.

Lucchesi reforçou que além da diplomacia do livro, há uma grande rede de comunicação entre as bibliotecas nacionais do mundo. “Elas se abrem e oferecem seus serviços para os leitores e pesquisadores. Essa é a nossa paixão, o nosso destino”, concluiu.



EBC

Inca ganha primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica do SUS


O primeiro centro de formação em cirurgia robótica do Sistema Único de Saude foi inaugurado nesta segunda-feira (17) pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. A expectativa é formar 14 novos profissionais por ano, com dupla titulação em sua área médica e em cirurgia robótica, além de impulsionar novas pesquisas.

As cirurgias robóticas são minimamente invasivas e permitem ao cirurgião realizar movimentos com maior precisão e ampliar, em até dez vezes, o seu campo visual. Por isso, reduzem o risco de complicações, a dor e o tempo de recuperação dos pacientes.

Desde 2012, o INCA realiza cirurgias robóticas de forma pioneira no SUS, com mais de 2 mil procedimentos realizados nas especialidades de urologia, ginecologia, cabeça e pescoço, abdome e tórax. Agora, o novo Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica vai ampliar a capacidade de formação médica e pesquisa aplicada do Instituto, que é a principal referência em câncer do Brasil.  

Um dos principais usos da cirurgia robótica no tratamento oncológico é a prostatectomia robótica, cirurgia de remoção parcial ou total da próstata, após o diagnóstico de câncer. Recentemente, o procedimento foi incorporado no Sistema Único de Saúde e, de acordo com o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, o novo Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica, vai auxiliar na implementação da nova tecnologia pelo país. 

“Antigamente, você tinha que ir para o exterior e tentar essa capacitação. Isso significa que a gente tem capacidade de capilarizar e disseminar esse procedimento, com médicos certificados por todo o território brasileiro. É um processo gradativo”.

Um dos grandes trunfos do novo centro é o novo robô Da Vinci XI, equipamento com três consoles cirúrgicos e um simulador de realidade virtual, o que possibilita que os cirurgiões sejam treinados com segurança em um ambiente realista.

O Instituto precisou fazer adaptações em seu edifício para a passagem do equipamento, que teve que ser içado até o andar onde foi instalado. O novo centro também é certificado pela fabricante do robô, o que garante formação oficial aos cirurgiões especializados.

Pesquisa e inovação

Durante a cerimônia de inauguração do centro, o Inca também apresentou dois projetos de pesquisa que buscam avançar na detecção precoce do câncer de próstata, tipo de neoplasia mais incidente entre os homens, com quase 72 mil novos casos estimados por ano, no Brasil. As duas pesquisas estão sendo desenvolvidas com o suporte do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

Uma deles é uma pesquisa genética somática, que vai analisar amostras de lesões de 980 pacientes, em busca de “estruturas que possam dar um diagnóstico mais correto”, explica o chefe do setor de Urologia do Inca, Franz Campos.

“Esses pacientes serão acompanhados por pelo menos três anos à procura de marcadores moleculares que possam influenciar no rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de pŕóstata, pensando em uma medicina de precisão”, complementa. 

A segunda pesquisa vai fazer o sequenciamento genético completo de cerca de 3 mil pacientes com câncer, de baixo ou alto grau, e com hiperplasia protástica, condição benigna em que há aumento do órgão. O objetivo é identificar possíveis mutações somáticas relacionadas ao câncer. 



EBC

Mãe denuncia agressão a menino brasileiro em escola de Portugal


Um menino brasileiro de 9 anos sofreu uma amputação parcial de dois dedos em uma escola de Portugal. Tanto a mãe do garoto quanto políticos do país suspeitam que o caso pode se tratar de uma agressão motivada por xenofobia e racismo. 

O caso ocorreu em Cinfães, no dia 10 de novembro, na Escola Básica Fonte Coberta, que teria dito à mãe do menino que o ferimento ocorreu por acidente.

Relatos da mãe da criança indicam que estudantes praticavam bullying contra seu filho e teriam usado a porta do banheiro para pressionar os dedos da criança, amputando-os parcialmente.

O caso chamou a atenção da mídia portuguesa, levando a coordenadora do Bloco da Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação de Portugal sobre a possibilidade de se tratar de mais um caso de racismo e xenofobia nas escolas daquele país.

Presidente da Câmara Municipal de Cinfães, Carlos Cardoso disse ter conversado com um diretor da escola, e que ele teria assegurado já estar em curso um processo interno para averiguar o caso.

A Comissão de Proteção de Criança e Jovens de Cinfães informou que vai analisar a situação “de acordo com a lei de promoção e proteção de crianças e jovens”.

Relato da mãe

A mãe do menino, Nívea Estevam, usou as redes sociais para denunciar o caso. Ela disse que foi contatada pela escola, que classificou o caso como um acidente. 

Nívea contatou a polícia pública portuguesa para denunciar o caso, uma vez que seu filho estava sob responsabilidade da escola no momento do ocorrido. 

A mãe afirma ter sido muito mal atendida pelos policiais, principalmente após ter informado sobre a possibilidade de se tratar de um caso de racismo, uma vez que seu filho é negro.

O policial, então, teria batido na mesa e dito que não iria tolerar que se falasse em racismo ou xenofobia, porque todos seriam iguais em Portugal, e que se a escola havia dito que foi algo acidental, é porque, de fato, teria sido um acidente.

Itamaraty

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que “permanece à disposição para prestar a assistência consular cabível”.

O Itamaraty, no entanto, esclarece que, por questões legais, não pode divulgar informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e que tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.

*Com informações da RTP.



EBC

Em marcha global, indígenas cobram punição por morte de Guarani Kaiowá


Parem de nos matar. A frase estava em cartazes e foi repetida com frequência por lideranças na Marcha Global dos Povos Indígenas nesta segunda-feira (17), em Belém. No ato, houve solidariedade, em especial, ao assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos, atingido por um tiro na cabeça durante um ataque armado à retomada Pyelito Kue, no município de Iguatemi, Mato Grosso do Sul, neste domingo.

Outros quatro indígenas, entre eles adolescentes e uma mulher, ficaram feridos por arma de fogo ou balas de borracha. A comunidade relatou que os pistoleiros tentaram levar o corpo de Vicente, o que foi impedido pelos indígenas.

Vilma Vera Caletana Rios, do povo Avá Guarani, aldeia Guasu Gauavira, no Paraná, mostrou indignação pelo assassinato do Guarani Kaiowá e cobrou punição para os responsáveis.


Belém (PA), 17/11/2025 - Vilma Vera Caletana Rios, liderança do povo Ava Guarani, participa da Marcha Global dos Povos Indígenas - A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Vilma Vera Caletana Rios mostra indignação pela morte de Vicente Fernandes em Mato Grosso  – Bruno Peres/Agência Brasil

“Mais um indígena, mais uma liderança, mais um homem assassinado no seu território. Quando a gente fala de justiça climática, não podemos esquecer de fazer justiça pelas pessoas que já foram assassinadas nos seus territórios. Não podemos nos calar diante de uma violência tão grande”, disse Vilma.

Paulo Macuxi, coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), endossou o discurso da companheira de luta e a crítica pela falta de ação da justiça.

“Nossos parentes estão sendo assassinados e isso não vai ficar barato. Isso não pode ficar como se fosse algo comum. Alguém tem que ser responsabilizado, alguém tem que ser punido porque são vidas sendo perdida, dia após dia, e ninguém faz nada. Os órgãos são incompetentes, ninguém faz nada para sanar essas nossas dores”, disse Macuxi.

Nadia Tupinambá, do território indígena de Olivença, no sul da Bahia, exigiu que as autoridades tenham mais respeito pelo “sangue derramado de todos os ancestrais”.

“Estamos aqui para dizer: ‘parem de nos matar’. Parem de matar nossas florestas. Parem de vender nossos rios. Enfrentamos muitas lutas, mas não vamos desistir”, disse Nádia.

“Na COP30, eles estão falando de clima, mas não estão falando de demarcação do nosso território, onde nosso povo está perdendo vida, onde tem criança, mulher e indefeso sendo atacado, até pela polícia, pelo Estado, sem ordem judicial. Mas nós não vamos desistir. Somos todos Guarani Kaiowá”, complementou.



EBC