Cidade devastada por tornado tem 2 mil sem luz; 32 seguem internados


Trinta e duas pessoas seguem internadas em hospitais do Paraná, vítimas da passagem de um tornado pelo estado, na última sexta-feira (7). De acordo com boletim da Secretaria estadual de Saúde, divulgado no fim da manhã deste domingo (9), quatro pacientes estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), “mas nenhum caso grave”.

Ventos de mais de 250 quilômetros por hora atingiram a cidade de 14 mil habitantes, que fica no Centro-Sul paranaense, 400 km ao leste da capital, Curitiba. De acordo com a Defesa Civil, 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreram algum estrago na infraestrutura. O fenômeno climático deixou seis mortes, cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava, também no Centro-Sul do estado.  

A Secretaria de Saúde atualizou para 835 o número de atendimentos médicos. O socorro aos feridos ficou concentrado na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul.

O governo estadual encaminhou para a região um lote de insumos hospitalares, como frascos de soro, ataduras, seringas, agulhas e compressas. O material segue de avião até o aeroporto de Guarapuava, de onde foi transportado em quatro helicópteros até Laranjeiras do Sul.

O Corpo de Bombeiros informou que não há registro de desaparecidos, e as buscas foram encerradas. O trabalho das equipes agora é direcionado à reorganização de serviços essenciais, como abastecimento de água e luz, além de distribuição de alimentos e água potável.

Metade sem luz

A Copel, empresa responsável pela distribuição de energia no Paraná, informou que restabeleceu 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu. No sábado (8), a companhia tinha informado que 3.790 endereços estavam sem luz em Rio Bonito do Iguaçu, o que representava cerca de 75% do total de clientes na cidade.

Quase 2 mil casas e estabelecimentos estão sem energia. A Copel detalhou que já foram religadas estruturas prioritárias de urgência, como o Centro de Comando da Defesa Civil, o posto de saúde e o Centro do Idoso.

O número de postes destruídos passa de 300. “As redes elétricas vão ter que ser construídas do zero em boa parte da cidade”, afirma comunicado da empresa.

Mais de 200 eletricistas, técnicos e projetistas atuam no esforço de emergência.

Em todo o estado, a Copel informa que restabeleceu a rede elétrica em 90% dos endereços que tiveram interrupção. Cerca de 14,9 mil clientes ainda precisam de reparos, sendo a grande maioria no norte paranaense (12,7 mil).

Clientes sem luz podem fazer a notificação pelo telefone 0800 5100 116.

A Copel informou que monitora permanentemente cada um dos endereços de aplicação de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a garantia do fornecimento de energia. Especificamente em Rio Bonito do Iguaçu, a realização do exame foi suspensa

Municípios atingidos

De acordo com a última atualização da Defesa Civil do Paraná, no começo da manhã deste domingo, 12 municípios foram atingidos pela passagem do tornado: Candói, Cantagalo, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Guarapuava, Londrina, Matinhos, Porto Barreiro, Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Umuarama.

Foram afetadas 14.751 pessoas – por exemplo, ficaram sem energia elétrica, água ou comunicações, sendo 11.785 em Rio Bonito do Iguaçu.

O número de desalojados (foram para casa de parentes ou amigos) chega a 1.060, e 28 estão desabrigadas (pessoas em abrigos públicos).

O boletim aponta que 704 casas foram danificadas, sendo 620 em Porto Barreiro. Quinze domicílios foram destruídos, todos em Guarapuava.

Autoridades

O governador do Paraná, Ratinho Junior, decretou estado de calamidade em Rio Bonito do Iguaçu. 

O estado de calamidade pública permite o governo local executar gastos emergenciais sem as restrições normais do orçamento, além de facilitar acesso a verbas federais.

O Ministério da Saúde enviou no sábado uma equipe da Força Nacional do SUS para Rio Bonito do Iguaçu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou as redes sociais para prestar solidariedade aos atingidos. 



EBC

TV Brasil estreia nova temporada de “Parques do Brasil” neste domingo


A TV Brasil lança a quarta temporada da série documental de grande sucesso Parques do Brasil neste domingo (9), às 19h, com um episódio dedicado à Amazônia. A atração vai ao ar na véspera da abertura da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro.

Com seis episódios semanais de 26 minutos, a produção original apresenta um diário de expedição pelas principais unidades de conservação do país. A série revela imagens exuberantes da fauna e da flora dos biomas brasileiros, com trilha sonora original de Flavia Tygel. Ela estará disponível também no aplicativo TV Brasil Play.

“Parques do Brasil, que agora chega à sua quarta temporada, é um programa icônico da TV Brasil. Trata-se de um conteúdo que eleva a audiência e realiza a missão da EBC que é fomentar o senso crítico da população. Além disso, ‘Parques’ nos coloca, como TV pública, em diálogo com outras TVs públicas do mundo — todas têm faixas de programação orientadas para a exibição de conteúdo sobre natureza e meio ambiente”, afirma Antonia Pellegrino, Diretora de Conteúdo e Programação da EBC.

A série percorre parques nacionais reconhecidos como Patrimônio Natural da Humanidade pela ONU, destacando áreas de excepcional diversidade biológica e paisagística. Lançado em 2018, o programa é resultado de uma parceria institucional entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“A estreia no mês da COP30 mostra a força da parceria entre as instituições. É uma produção que marca nossa contribuição para o debate público naquilo que há de mais urgente no nosso tempo”, complementa Pellegrino.

Destinos da nova temporada

A nova temporada inicia sua expedição científica no Parque Nacional da Amazônia, acompanhando o Rio Tapajós e revelando espécies ameaçadas como a onça-pintada e a ararajuba. Na sequência, a série mergulha na biodiversidade marinha do Parque Nacional dos Abrolhos (BA), explora os vales e serras da Chapada dos Veadeiros (GO), visita as praias e aves de Fernando de Noronha (PE), percorre as dunas e lagoas dos Lençóis Maranhenses (MA) e encerra com as grutas e pinturas rupestres do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG).

Ficha Técnica

Coprodução: TV Brasil, COC/Fiocruz e ICMBio

Gênero: Documental

Episódios: 6 | Duração: 26 min |

Classificação: Livre

Ano: 2025

Direção e Produção Executiva: Carlos Sanches

Pesquisa de Campo e Análise de Conteúdo: Luciana Alvarenga

Roteiro: Carlos Sanches, Joana Moscatelli, Paulo Fernandes

Narração: Sidney Ferreira

Montagem: Carolina Rodrigues

Trilha Musical Original: Flavia Tygel

Imagens: Luciana Alvarenga, Edson Faria Jr., Fábio Fontes

Imagens Subaquáticas: Fábio Negrão, Álvaro Migoto, Enrico Marcovaldi, Galdi Valentim, Edson Faria Jr.

Color Grading: Glauco Guigon

Mixagem de Som: Tiago Picado

Coordenação de Produção e Coprodução – EBC/TV Brasil: Eduardo Gurgel e Poliana Guimarães

Gerência de Criação de Conteúdos Artísticos e Projetos Especiais: Alice Lanari

Gerência de Produção e Coprodução de Conteúdo Audiovisual: Linei Lopes

Gerência Executiva de Conteúdo: Maria Augusta Ramos

Direção de Conteúdo e Programação: Antonia Pellegrino

Serviço

Parques do Brasil – Estreia: domingo, 9 de novembro, às 19h, na TV Brasil
Disponível também no TV Brasil Play: http://tvbrasilplay.com.br

TV Brasil na internet e nas redes sociais

Site – https://tvbrasil.ebc.com.br

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EBC

Ataque a aborto legal espalha “pânico moral”, diz dirigente do Conanda


Projetos que dificultam o aborto para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual tentam “espalhar pânico moral” para enfraquecer o direito ao aborto legal no Brasil. A avaliação é da vice-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Marina De Pol Poniwas, para quem o Projeto de Decreto Legislativo 03 de 2025, aprovado nesta quinta-feira pela Câmara dos Deputados, afronta os direitos fundamentais. 

“Esse é um debate de saúde pública, não do Legislativo, mas não querem permitir que um órgão como o Conanda exerça sua função para que essas crianças e adolescentes sejam de fato protegidos”, protesta.

Marina ocupava a presidência do Conselho no ano passado e, por isso, assina a Resolução 258, alvo do projeto de decreto legislativo aprovado pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5)Apesar da votação na Câmara, a resolução continua vigente, já que o projeto precisa ser aprovado também pelo Senado para ter validade.

A psicóloga explica que o conselho viu necessidade de editar a resolução após a divulgação de dados que indicavam recorde de estupros em 2023, no Brasil, e também em resposta a outros projetos que tentavam limitar o acesso ao aborto legal, como o PL que pretendia equiparar a interrupção da gravidez ao crime de homicídio, mesmo nos casos autorizados por lei.

De acordo com Marina, há 13 projetos protocolados na Câmara contra a Resolução, que também foi contestada na Justiça.

“O aborto legal não é crime. O Código Penal tem previsão com relação a isso desde 1940. O Estatuto da Criança e do Adolescente é absolutamente protetivo, um marco civilizatório na nossa sociedade”.

“O que a gente pretendeu com essa resolução é orientar o sistema de garantia de direitos sobre como utilizar esse arcabouço legal existente para acessar um direito legal previsto pelo menos desde 1940, mas que vem sendo constantemente impedido”.

A vice-presidenta complementa que o Conanda também entendeu que é preciso orientar os serviços de saúde, assistência social e escolas sobre a importância do sigilo. “A Resolução 258 não fala só sobre o aborto, mas sim sobre todo esse processo de atendimento em casos de violência sexual”, contesta.  

A resolução não trata apenas do direito ao aborto legal, mas “dispõe sobre o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e a garantia dos seus direitos”. O documento explica, por exemplo, que as vítimas devem receber escuta especializada, e que o atendimento de saúde deve ser priorizado.

Quanto ao aborto legal, o texto explica que uma vítima de estupro ou estupro de vulnerável que tenha engravidado em decorrência da violência não precisa apresentar boletim de ocorrência nem decisão judicial para ter direito ao aborto legal.

A resolução orienta também que os casos de violência sexual só precisam ser notificados, com a identificação da vítima, ao Conselho Tutelar, a quem cabe procurar o sistema de Justiça, salvo exceções específicas. Ainda de acordo com as disposições do texto, a criança ou adolescente vitima deve ser adequadamente informada sobre seus direitos, e sua vontade expressa deve ser priorizada, em casos de divergência com os pais ou representantes legais.

Marina argumenta que nada disso foi “criado” pelo Conanda, que editou a Resolução de acordo com a legislação vigente no país, para combater barreiras ilegais impostas, como a exigência do boletim de ocorrência.

“É uma orientação para que os profissionais e os operadores do sistema de garantia de direitos possam ter aquilo de fácil acesso e saibam conduzir da melhor forma possível esse cuidado célere, humanizado e não revitimizante daquela criança que já está num grave sofrimento”.

Reação dos movimentos sociais

Organizações que defendem os direitos das crianças e das mulheres também reagiram ao projeto de decreto legislativo e lançaram um abaixo-assinado contra a medida, dentro da campanha “Criança não é mãe”, que ganhou grande visibilidade em protesto contra o chamado PL do Estupro. A campanha também vai convocar atos para a próxima terça-feira (11). Já estão confirmadas manifestações no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e no Espírito Santo.

Laura Molinari, codiretora da campanha “Nem Presa Nem Morta”, que integra a ação “Criança não é Mãe”, lembra que o movimento feminista vem lutando há cerca de duas décadas contra diversos projetos que tentam recrudescer a legislação sobre aborto no Brasil. Ao longo deste tempo, perceberam que as propostas se avolumam conforme se aproxima o período eleitoral.

“Entra em um pacote moral das candidaturas e dos políticos de extrema direita. São os candidatos que falam que são contra as drogas, contra os gays e contra o aborto. Mas a gente tem um problema real que não entra nessa conta, que é justamente o caso das meninas que sofrem violência e terminam grávidas. A gravidez é um desfecho da violência em muitos casos. E a gente está falando especialmente das meninas, porque elas são as maiores vítimas de violência sexual no Brasil”, argumenta a ativista.

Por enquanto, nenhum projeto conseguiu derrubar as permissões concedidas pelo Código Penal de 1940, que autoriza a interrupção da gravidez nos casos de violência sexual e de risco de vida para a mãe. Além disso, em 2012, o Supremo Tribunal Federal estendeu a excepcionalidade aos casos de anencefalia, quando o cérebro do feto não se desenvolve, uma condição incompatível com a vida fora do útero.

A legislação brasileira nunca exigiu boletim de ocorrência ou processo judicial para a realização do procedimento, e também não impõe limite de idade gestacional.

Apesar de o direito ao aborto legal continuar garantido, Laura diz que todos esses ataques e as informações mentirosas disseminadas criam uma confusão deliberada que afasta crianças e mulheres dos serviços e gera insegurança para os profissionais que trabalham neles.

“Hoje, menos de 4% dos municípios brasileiros têm serviço de aborto legal. A gente tem uma média de 2 mil abortos legais por ano e, no caso das meninas estupradas, são menos de 200 por ano, enquanto 30 dão à luz todos os dias com menos de 14 anos no Brasil”.

“Essa confusão normativa é um problema para efetivação do aborto legal, então, a resolução do Conanda, veio para organizar o que já está na lei, justamente porque na prática o acesso basicamente não acontece”.

Pesquisa recente divulgada pelo Instituto Patrícia Galvão mostra que seis em cada dez mulheres que foram vítimas de violência sexual antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso e apenas 27% confiaram em algum familiar. Quase a totalidade dos entrevistados ─ 96% ─ considera que meninas de até 13 anos não têm preparo físico e emocional para ser mães.

Outro levantamento feito pelo Instituto, em 2020, identificou que 82% dos entrevistados são favoráveis ao direito ao aborto em casos de estupro. Eles também foram perguntados sobre o caso da menina de 10 anos, que engravidou após ser violentada pelo tio no Espírito Santo, e só conseguiu realizar o procedimento em hospital de Recife.

Para 94% dos entrevistados à época, o aborto deve ser permitido em casos como esse. Laura acredita que a reação dos movimentos sociais após cada ataque “tem ajudado a construir na opinião pública e na sociedade um entendimento de quais são os marcos legais do aborto no Brasil”, mas a oportunidade também é aproveitada por quem se interessa em espalhar informações inverídicas.

“Pelo lado de quem precisa acessar o serviço de aborto ilegal, já existe pouca informação sobre quais são os serviços, onde tem, onde não tem. E com essa enxurrada de fake news, realmente, as pessoas ficam sem saber o que fazer e acabam tendo o filho no fim das contas”, pondera a codiretora da campanha Nem Presa Nem Morta

Resposta no Congresso

Parlamentares contrários à matéria também reagiram na Câmara. A deputada federal Jack Rocha (PT-ES) protocolou um projeto de lei, com o apoio de outros 60 deputados, para “conferir força de lei” às diretrizes estabelecidas pela resolução do Conanda, preservando integralmente a sua redação.

Em um vídeo, publicado em suas redes sociais, a deputada afirmou que o objetivo é “transformar em lei o que nunca deveria ter sido posto em dúvida, que criança não é mãe, que estuprador não é pai e que a infância precisa de proteção e não de retrocesso.”

“Quando a maioria da Câmara decide sustar essa Resolução do Conanda, ela não está apenas revogando um ato administrativo, ela está rasgando um pacto civilizatório para proteger as crianças desde o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ela está dizendo que uma menina vítima de estupro de 9, 10, 11 anos tem que ser levada à maternidade a qualquer custo. Gravidez forçada é tortura”, complementou.



EBC

Cartazes históricos do movimento negro serão digitalizados e expostos


Uma parceria firmada entre o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) pretende digitalizar mais de 250 cartazes históricos do Ipeafro. A iniciativa busca preservar e difundir a memória afro-brasileira e celebrar o Biênio Abdias Nascimento.  


Brasília - 07/11/2025 - Instituições firmam acordo de preservação da memória afro-brasileira. Fotos Acervo Ipeafro

Acervo do Ipeafro tem cartazes usados para convocar mobilização do movimento negro Fotos Acervo Ipeafro

Para Clícea Maria Miranda, diretora de Preservação e Gestão do Acervo Ipeafro, a ação fortalece o compromisso com a memória negra e luta por direitos sociais. 

“A parceria com o Mast, uma instituição pública da área da ciência e tecnologia, revela o reconhecimento da atuação dos povos negros na construção da cultura, da história e das ciências no Brasil e no mundo”, diz.  

Segundo Everaldo Pereira Frade, chefe do Serviço de Arquivo de História da Ciência (SEAHC-Mast), a parceria é importante por focar na preservação do acervo de Abdias Nascimento, “um símbolo das lutas pela igualdade, mas também por colocar o Mast como referência na captação e tratamento de arquivos pessoais de cientistas negros”, ressalta.   

Como parte do Acordo de Cooperação Técnica, as entidades vão realizar um evento de abertura para o público no dia 17 de novembro, às 13h30, no Mast, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O publico poderá conferir parte dos cartazes do Ipeafro ao visitar a exposição “Memória Negra em Cartaz(es)”, sobre a organização dos movimentos negros do Brasil, e participar da mesa “Evocação dos Ausentes”, na qual pesquisadores do projeto debatem o silenciamento de pessoas negras na ciência. 

Biênio Abdias Nascimento

Abdias Nascimento foi um ativista antirracista, ator, dramaturgo, político e um dos principais nomes do movimento negro brasileiro. Em sua trajetória criou organizações importantes como o Teatro Experimental do Negro, Museu de Arte Negra e o próprio Ipeafro. 

O “Biênio Abdias Nascimento 2024-2025” foi organizado pelo Ipeafro como uma celebração ao trabalho do ativista. O período marca datas como os 110 anos do nascimento de Abdias, os 80 anos da fundação do Teatro Experimental do Negro e os 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro. 

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia



EBC

Mega-Sena acumula e próximo concurso deve pagar R$ 67 milhões


Ninguém acertou as seis dezenas da Mega-Sena, sorteadas na noite desse sábado (8) em São Paulo,

O prêmio do Concurso 2.938 ficou acumulado em R$ 67 milhões. Os números sorteados foram: 10 – 14 – 15 – 35 – 44 – 56.

Cinco apostadores acertaram cinco dezenas e receberão, cada um, R$ R$ 44.047,10.

Os 4.955 ganhadores da quadra terão o prêmio individual de R$ 952,43.

O próximo sorteio da Mega-Sena será na terça-feira (11).

As apostas podem ser feitas até o dia do sorteio em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.



EBC

TV Brasil exibe tributo a Paulinho da Viola no Samba da Gamboa


Paulinho da Viola é o homenageado do programa Samba na Gamboa que a TV Brasil leva ao ar neste domingo (9), às 13h. o músico e compositor completa 82 anos na próxima quarta-feira, dia 12 de novembro.

Para celebrar a obra de Paulinho da Viola, a sambista Teresa Cristina recebe o cantor e compositor Alfredo Del-Penho, artista da chamada “Geração Lapa”, surgida nos anos 1990 no bairro boêmio do Rio de Janeiro e caracterizada pela revitalização do samba na cidade.

Paulinho da Viola é um dos maiores representantes do samba nacional. Além de cantor, o artista é multi-instrumentista e compositor de choro. Paulinho também mantém uma relação especial com o carnaval, pois é baluarte da Portela e integrante da Velha Guarda da escola.

Durante o programa inédito, Teresa Cristina fala de Paulinho como uma de suas grandes inspirações. No bate-papo, ela e Alfredo Del-Penho destacam a relevância do músico para a cultura brasileira. Entre uma conversa e outra, Teresa Cristina e Alfredo entoam composições de Paulinho que se tornaram sucessos na voz dele e de outros intérpretes.

O repertório que embala a edição deste domingo inclui Pecado Capital, Argumento, Coração Imprudente, Dança da Solidão, Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida, Eu Canto Samba, Só o Tempo, Coração Leviano, Coisas do Mundo, Minha Nega, Coração da Gente, O Tímido e a Manequim e Cantando.

Alfredo Del-Penho


Brasília -07/11/2025 - Tributo a Paulinho da Viola no Samba da Gamboa tem participação de Alfredo Del-Penho. Foto TV Brasil.

Tributo a Paulinho da Viola no Samba da Gamboa tem participação de Alfredo Del-Penho. Foto TV Brasil.

Em 25 anos de carreira, Alfredo Del-Penho tem mais de dez discos lançados como produtor ou intérprete e é considerado um dos grandes nomes do samba contemporâneo.

Del-Penho acumula parcerias com nomes como Nei Lopes e Chico César, já tendo sido indicado ao Grammy Latino e vencido duas vezes o Prêmio da Música Brasileira. Recebeu por seu trabalho como diretor musical e compositor de trilhas originais cerca de dez premiações, entre eles o Shell de melhor música em 2018.

Histórico da produção

O Samba na Gamboa reúne grandes intérpretes das novas gerações e nomes consagrados do gênero e ícones da MPB para uma animada roda de samba. Com Diogo Nogueira, o programa contou com sete temporadas e foi gravado entre 2008 e 2018. Até hoje a atração faz parte da grade do canal público.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.



EBC

Hoje é Dia: feriado de proclamação da República é o destaque da semana


O segundo dos três feriados nacionais do mês de novembro de 2025 será nesta semana. E, assim como no Dia de Finados, o Dia da Proclamação da República ocorrerá em um fim de semana (no sábado, 15 de novembro).

A data, que marca a promulgação do “Decreto 1” do país, rememora a data de 1889 em que o Brasil deixou de ser uma monarquia e se tornaria os “Estados Unidos do Brasil” (nomenclatura que mudou para República Federativa do Brasil em 1967). Essa matéria da Agência Brasil mostra que historiadores consideram o movimento pró-república como elitista. O contexto do episódio também foi explicado pelo Repórter Brasil em 2014 e 2020:

Antes, 11 de novembro, é um dia histórico para outro país lusófono. Neste ano, completam-se exatamente 50 anos da Independência de Angola. Foi neste dia que Agostinho Neto assumiu o cargo de presidente do país após lutas armadas e acordos políticos com Portugal.

Em 2015, o Caminhos da Reportagem contou um pouco da história da independência do país (e de outros países africanos na época). Já detalhes sobre Agostinho Neto e Angola foram abordados em publicações na página da TV Brasil ligadas ao programa Nova África e à novela angolana Windeck.

Outras datas de conscientização

Além de datas cívicas, a semana também tem uma gama gigantesca de datas das mais diversas. No dia 12 de novembro, é celebrado o Dia do Pantanal, bioma considerado um dos mais ricos do planeta, cuja preservação é vital para a biodiversidade e o equilíbrio climático. A Radioagência Nacional falou sobre a data em 2017. Já a série Nossos Biomas, da TV Brasil, fez um tour no Pantanal em 2022.

No mesmo dia, o mundo também lembra o Dia do Hip Hop, instituído em memória da criação da Nação Zulu no Bronx, em 1973. O movimento, nascido da periferia de Nova York, foi lembrado em uma entrevista da Agência Brasil com MV Bill em 2023. O Repórter Brasil também já fez uma matéria sobre a data, em 2020.

O dia 13 de novembro é marcado por uma data simbólica: o Dia Mundial da Gentileza. A data, que serve como reflexão de como pequenos gestos podem gerar transformações profundas no cotidiano coletivo, é uma homenagem à criação do Movimento Mundial da Gentileza em 1996 no Japão. No Brasil, a data é sempre ligada à figura do poeta José Daltrino (mais conhecido como Gentileza). A Radioagência Nacional e a TV Brasil já falaram sobre a trajetória dele:

Saúde, educação e religião

No campo da saúde e da educação, o 14 de novembro carrega duas marcas importantes. O Dia Mundial do Diabetes é uma homenagem ao nascimento de Frederick Banting (responsável, junto de Charles Best, pela descoberta da insulina em 1921) e uma oportunidade de falar sobre a prevenção para a doença que atinge milhões de pessoas no mundo. A Radioagência Nacional, a Agência Brasil e a TV Brasil já fizeram conteúdos especiais sobre a data.

No mesmo dia, é celebrado o Dia Nacional da Alfabetização, momento de destacar a importância da leitura e da escrita como ferramentas de cidadania e inclusão. Em 2016, o Repórter Brasil, da TV Brasil, falou sobre a data:

Para fechar a semana, “voltamos” ao 15 de novembro. No mesmo dia do feriado de Proclamação da República, é celebrado o Dia Nacional da Umbanda. A efeméride foi instituída em memória à data da 1ª manifestação do “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, que se incorporou em 15 de novembro de 1908 no então jovem médium brasileiro, Zélio Fernandino de Moraes. O dia também serve para fomentar debates sobre intolerância religiosa, o que já foi feito por Agência Brasil, Radioagência Nacional e Repórter Brasil:

*Confira a lista completa de efemérides de 9 a 15 de novembro de 2025

MENSAL

Novembro de 2025

9/11

Queda do Muro de Berlim (1989) – o governo da Alemanha Oriental anuncia que os cidadãos podem atravessar livremente para a Alemanha Ocidental, levando à derrubada do Muro de Berlim. Um marco do fim da Guerra Fria

Lançado o navegador Netscape Navigator 1.0, um dos primeiros navegadores de internet populares (em 1994)

Nascimento de Carl Sagan – astrônomo e divulgador científico norte-americano, criador da série Cosmos (em 1934).

Morte de Charles de Gaulle, general e ex-presidente da França (em 1970)

10/11

Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento – comemoração instituída em 2001 pela Unesco, celebrada no Brasil com a realização anual de um Concurso de Trabalhos Escritos e de Desenhos, para estudantes, além de atividades voltadas para autoridades, pesquisadores, cientistas, professores e demais interessados

11/11

O então primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, proclamou a independência de Angola, “de jure” e de “facto” de Portugal (50 anos)

Criação da Academia Campineira de Letras e Artes, na cidade de Campinas (SP) (55 anos)

12/11

Nascimento do compositor e instrumentista matogrossense Levino da Conceição (130 anos)

Nascimento do escultor francês Auguste Rodin (185 anos)

Dia do Pantanal

Dia Mundial do Hip Hop – comemorado para marcar a data da criação da Nação Zulu ocorrida em 12 de novembro de 1973, no bairro novaiorquino do Bronx (Estados Unidos da América), que é tida como a 1ª Organização a oficialmente incluir o Hip Hop em seus interesses, ao trabalhar para converter a violência dos subúrbios em jogos artísticos

13/11

Dia Mundial da Gentileza – celebrado na Austrália, Brasil, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Itália, Índia, Japão, Nigéria e Reino Unido, entre outros, para marcar a data da abertura da “1ª Conferência Mundial do Movimento da Bondade”, ocorrida na cidade japonesa de Tóquio em 1998, e do aniversário do Movimento Mundial da Gentileza, que surgiu em 1996 num pequeno encontro no Japão

Fundação de Cabo Frio (410 anos) – cidade se consolidou como um influente polo turístico

14/11

Nascimento do pintor impressionista francês Claude Monet (185 anos)

Dia do Bandeirante

Dia Mundial do Diabetes – a data foi escolhida por marcar o aniversário de Frederick Banting que, junto com Charles Best, concebeu a ideia que levou à descoberta da insulina em 1921

Dia Nacional da Alfabetização

15/11

Morte do astrônomo, astrólogo e matemático alemão Johannes Kepler (395 anos) – considerado figura-chave da revolução científica do século XVII, é todavia célebre por ter formulado as três leis fundamentais da mecânica celeste, denominadas por Leis de Kepler

Dia do Esporte Amador

Dia da Proclamação da República – comemorado por brasileiros, conforme Lei Nº 662, de 6 de abril de 1949, ratificada pela Lei Nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, para marcar a data da promulgação do Decreto 1 de 15 de novembro de 1889, que foi assinado pelo então Marechal Deodoro da Fonseca

Dia Nacional da Umbanda – comemoração instituída pela Lei Nº 12.644, de 16 de maio de 2012, e que inicialmente foi instituída pelo Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda; tem por fim marcar a data da 1ª manifestação do “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, que se incorporou em 15 de novembro de 1908 no então jovem médium brasileiro Zélio Fernandino de Moraes

Tem início a 1ª Semana do Cinema Brasileiro, primeira edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (60 anos)

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

 




EBC

Governo trabalha para liberar FGTS de atingidos por tornado no PR


A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse neste sábado (8) que o governo acionou a Caixa Econômica Federal para agilizar a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para trabalhadores que tenham sido afetados pela passagem devastadora de um tornado que atingiu o Paraná na sexta-feira (7).

“Estamos tomando providências em relação ao FGTS, à liberação do Fundo de Garantia. Conversei com o presidente da Caixa antes de vir pra cá”, disse Gleisi a jornalistas durante visita a Rio Bonito do Iguaçu, município paranaense mais atingindo pelo desastre climático.

A ministra acrescentou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também foi mobilizado e está tomando providências no sentido de auxiliar os beneficiários e de providenciar novos benefícios também.

Atualmente, o FGTS já conta com o Saque Calamidade, modalidade que autoriza o cotista a sacar parte do fundo caso more em município atingido por desastre natural. Para isso, a calamidade precisa ser reconhecida pelo governo federal e o município ser habilitado junto à Caixa.

Reconstrução

Gleisi chegou no início da tarde à cidade que, segundo estimativa da Defesa Civil, teve 90% da infraestrutura urbana comprometida pelos ventos de até 250 quilômetros por hora. O tornado foi classificado como de nível F3 pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Segundo a ministra, houve reuniões entre os governos municipal, estadual e federal para coordenar os esforços de reconstrução. Ela afirmou que recursos federais estão disponíveis de imediato para a compra de material para atendimento aos feridos, mas sobretudo para material de construção.

“A gente tem um apoio emergencial, mas isso o estado está suprindo”, apontou Gleisi.

“O que o prefeito vai precisar de ajuda é para reconstrução de escola, unidades de saúde, ajuda pra reconstruir casa, isso tudo o governo federal tem condição de dar”.  

Em paralelo, o governo mobilizou a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para auxiliar no atendimento aos atingidos.

Pelos dados oficiais divulgados pelo governo estadual, seis pessoas morreram em decorrência do tornado, cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Mais de 750 feridos foram atendidos por equipes de saúde.

Desalojados e desabrigados

Em levantamento preliminar, a Defesa Civil contabilizou 1 mil pessoas desalojadas, que foram obrigadas a deixar suas casas para se abrigar com parentes ou amigos, e 28 desabrigadas, que não têm onde ficar.

Um abrigo foi montado pelo governo do Paraná na Casa de Líderes, no município vizinho de Laranjeiras do Sul, com capacidade para receber 80 pessoas de imediato.

Em Rio Bonito do Iguaçu, estruturas provisórias foram montadas para fazer a triagem e o cadastro das pessoas afetadas, bem como um centro para alimentação e outro para o atendimento a idosos.

“Os cadastros estão sendo feitos no Ginásio do Bugre, então as pessoas devem se deslocar até lá, fazer um cadastro dos danos em seus imóveis para poder receber auxílio”, orientou o secretário estadual da Segurança Pública, Hudson Teixeira.



EBC

Projeto mapeia locais com vulnerabilidade climática e sugere soluções


Com a ajuda da inteligência artificial (IA), entre outras ferramentas, o projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) Riskclima identifica as áreas do Brasil mais vulneráveis aos extremos climáticos e os problemas sociais causados por eles. Com essas informações, são propostas soluções específicas para cada localidade para melhorar a qualidade de vida da população.

Por vezes, as soluções são simples, como um lembrete constante para a população beber água. “Isso pode salvar vidas”. Em áreas de ondas de calor intensas, é comum as pessoas infartarem, principalmente idosos, e a desidratação está entre os fatores negativos.

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto Riskclima foi criado em 2022 e tem duração prevista até 2026. Os pesquisadores vêm observando o que está ocorrendo com o clima nas últimas seis décadas e fazendo projeções climáticas.

“A ideia é criar um relatório executivo e, de alguma maneira, tentar fazer com que ele possa contribuir para criação de políticas públicas”, diz o coordenador do projeto Riskclima, Márcio Cataldi, professor do Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático (Lammoc) da UFF.

Como funciona o projeto

Os pesquisadores do Riskclima investigam quais são os fenômenos extremos mais frequentes e mais intensos que podem, de acordo com a vulnerabilidade, ocasionar algum tipo de risco. A partir da avaliação dos perigos prevalecentes em cada zona do país analisada, é realizado um levantamento das ações cabíveis para mitigar o impacto climático em cada área.

Uma das ferramentas utilizadas no projeto, é a IA, usada para adequar os modelos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para uma realidade brasileira atual. O IPCC conta com modelos utilizados pelo mundo todo, que vão indicar a mudança climática daqui a 20 anos.

A IA é utilizada para selecionar os modelos mais eficazes de previsão do clima presente. Por exemplo, se um modelo faz uma simulação satisfatória, mas subestima a chuva, a IA aprenderá e aplicará esse conhecimento num próximo cenário.

Resultados encontrados

Na Região Norte, por exemplo, onde vai ocorrer, na próxima semana, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, a pesquisa tem observado ondas de calor intenso. “A gente tem observado o aumento das ondas de calor e desenvolveu durante o projeto um índice de onda de calor, que tinha aplicado na Europa. Quando a gente aplica esse índice para o Brasil, para nossa surpresa, a região onde as ondas de calor estão mais intensas nos últimos dez anos foi a Região Norte. Elas aumentaram em todo o país, mas na Região Norte foi onde elas mais aumentaram. Então, isso foi um resultado que a gente não tinha conhecimento. Foi um pouco assustador, porque é a região onde você tem menos capacidade de adaptação”, explicou Cataldi nesta sexta-feira (7) à Agência Brasil.

Cataldi defende que a Região Norte tem que ser discutida por vários níveis de conhecimento. As populações mais ribeirinhas, mais tradicionais, não querem, por exemplo, ações muito invasivas. De acordo com o professor da UFF, essas populações estão acostumadas a lidar com a variabilidade natural do clima.

“Então, não dá para você chegar com ventilador, um gerador elétrico para elas. Você tem que tentar trabalhar com soluções que elas aceitem. Mas, para isso, é preciso primeiro trabalhar com essas populações a nível de uma educação ambiental, mostrar que a variabilidade natural do clima que elas estão acostumados a lidar não existe mais. Todos os antepassados deles sempre lidaram com as oscilações do clima, mas a forma como o clima está oscilando hoje é diferente. Então, eles precisam sim de adaptações tecnológicas ou adaptações que sejam criativas, mas são adaptações diferentes. Esse é o primeiro desafio. São essas populações muito tradicionais”, apontou o professor.

Enchentes no Sul

Já na Região Sul, as chuvas são a maior preocupação. Ali, o projeto Riskclima analisa o aumento dos bloqueios atmosféricos. “Isso significa que quando a gente tem um bloqueio na Região Sudeste, as frentes frias não conseguem avançar para o Sudeste. Elas ficam paradas no Sul, como aconteceu em abril e início de maio do ano passado”. O pesquisador se refere às enchentes que deixaram 184 mortes no Rio Grande do Sul em 2024.

Márcio Cataldi lembrou que, este ano, o fenômeno aconteceu também, mas com menos intensidade. “O problema todo é que esse parece ser o padrão normal a partir de agora”. O pesquisador avaliou que precisa ser feito um levantamento, por exemplo, de áreas de inundação.

Em Porto Alegre, por exemplo, grande parte das áreas inundadas são superfícies favoráveis a inundações normalmente, em razão da posição geográfica em que se encontram. Márcio Cataldi a tragédia fna cidade foi agravada pela falta de manutenção e inoperância das comportas comportas na capital gaúcha.

Cataldi indicou que é necessário lidar com esses problemas de forma séria, criar políticas e trabalhar com a legislação para que essas políticas sejam continuadas. “Não pode ser uma coisa de um governo porque aí chega outro e diz que isso aqui não me interessa. Não pode ser”.

Seca

No Sudeste e no Centro-Oeste, a seca prevalece devido à ausência de chuva. Artigo publicado pelos pesquisadores do Riskclima na Revista Nature mostra que o primeiro passo mais grave da seca é que a umidade do solo vai diminuindo. Isso acontece porque durante anos consecutivos vem chovendo menos do que a média. Foram usados sensores de satélites da NASA para mostrar isso.

Cataldi destacou que Sudeste e o Centro-Oeste constituem a região mais populosa do país, a região de maior agricultura, onde estão os grandes reservatórios de energia. Por isso, o pesquisador destaca a necessidade de ciência e tomadores de decisão pensarem em forma de colocar a água como prioridade nacional. “Cada setor exige uma solução específica”.

Por exemplo, é preciso otimizar a irrigação, a geração de água dos aquíferos, otimizar as gerações de energias alternativas, renováveis, como a eólica e a solar, e preservar a geração hídrica. “Porque ela tem que ser usada quando você não tiver outras fontes de geração na base, porque os reservatórios, há muito tempo, não conseguem atingir níveis muito altos. Tem uma série de soluções que têm que ser pensadas para cada setor. Porque a gente está falando de abastecimento de água humana e para animais, agricultura, ou seja, tudo demanda energia. É necessidade básica da população brasileira”. Por isso, a questão da seca e do agravamento da seca é um ponto muito importante para ser tratado com urgência, sinalizou Cataldi.

Também no Nordeste, na região da Caatinga, do sertão, no semiárido, o principal problema é o agravamento da seca caminhando para um processo de desertificação, que se encontra já avançando. “É uma região que era seca, mas que está ficando mais seca”.

Saúde pública

Todos esses problemas climáticos acarretam impactos também na saúde pública, variando entre as regiões. Os bloqueios atmosféricos, por exemplo, estão mais frequentes na Região Sudeste. A pesquisa da UFF está estudando o quanto esses bloqueios atmosféricos afetam a qualidade do ar, porque eles aprisionam os poluentes próximo da superfície.

“Um ponto que a gente vai ver é uma piora da qualidade do ar, com o aumento desses bloqueios. Outro ponto importante é a questão de calor. Quando você tem uma perda de água muito grande, durante um episódio de onda de calor, o sangue fica mais viscoso; é como se ele ficasse mais fácil de embolar e, aí, isso facilita a coagulação, resulta em trombose e ataque cardíaco”. Essa desidratação abrupta acaba gerando ataques cardíacos.

O professor disse que o número de mortes por desidratação na Europa é absurdo. Na última onda de calor, registrada em 2023, ocorreram 70 mil mortes, informou. “A gente tem que tomar cuidado, porque por mais que o Brasil esteja acostumado com as ondas de calor, é preciso trabalhar para essa hidratação, principalmente com os idosos”.

Márcio Cataldi salientou que também os cuidadores e responsáveis pelos idosos devem estar informados da necessidade de todos se hidratarem. Esse é um grande desafio, admitiu. São coisas do cotidiano para os quais a gente precisa ficar mais alerta.

Próximos passos

Antes do encerramento do projeto, previsto para 2026, será apresentado às autoridades do Brasil um relatório executivo com propostas de soluções, visando a tomada de providências e a elaboração de políticas públicas que ajudem a sanar esses diferentes problemas climáticos.

“O importante é sentar com as autoridades, mostrar a urgência de implementação dessas políticas e nos colocar à disposição, como universidade pública, para ajudar a começar a mitigar os problemas climáticos”, afirmou Cataldi. “Não dá pra esperar”, ressaltou.

Cataldi argumentou que não se deve esperar 2050, porque os perigos climáticos já estão acontecendo agora. O objetivo, enfatizou, é trabalhar com o nível de conhecimento que se tem, para que essas soluções sejam adaptadas e comecem a fazer efeito, isto é, comecem a melhorar todos os problemas climáticos, até começar a mitigar.

O pesquisador esclareceu ainda que mesmo se os países deixassem de emitir hoje os gases de efeito estufa, o clima não voltaria ao que era antes. “Ainda demoraria duas décadas para retornar o equilíbrio. Então, o que a gente quer fazer é tentar mostrar onde as ações de mitigação deveriam ser prioritárias”.



EBC

Tornados são fenômenos rápidos e difíceis de prever


Tornados, como o que atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, são fenômenos localizados, de curta duração e difíceis de prever. De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Danilo Siden, eles se formam dentro de nuvens de tempestade e causam estragos quando atingem o solo.

“Com a formação do ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, a gente teve também a formação de uma frente fria na parte mais norte desse ciclone, ou seja, no Paraná. Dentro dessa frente fria, nós temos vários fenômenos, como chuvas intensas, tempestades de raios, queda de granizo, e há a possibilidade de uma dessas nuvens formar um tornado”, informou o meteorologista do Inmet.

“É um fenômeno bem intenso, mas de curta duração, que a gente sabe que pode ocorrer dentro de uma frente fria, mas a gente não tem como fazer previsão porque ele é bem localizado”, acrescenta Danilo.

No caso de Rio Bonito do Iguaçu, a nuvem que deu origem ao tornado foi chamada de “supercélula” pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Como os ventos ultrapassaram 250 quilômetros por hora (km/h), o tornado foi classificado como F3, na escala Fujita, que vai de 0 a 5. Isso representa danos severos.

Formação de tornados

De acordo com o meteorologista, algumas características podem favorecer a formação de tornados, como a presença de ar mais quente próximo ao solo, e a mudança rápida na direção ou velocidade do vento, mas mesmo em locais que têm sistema de alertas só conseguem prevê-los com cerca de 15 minutos de antecedência.

No Brasil, os tornados parecem raros, mas não são. A engenheira ambiental e pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Instituto Serrapilheira, Celina Rodrigues, explica que a Região Sul do país é um dos locais com maior incidência da América do Sul, ao lado da Argentina e do Paraguai.

“Esse fenômeno é relativamente frequente, mas suas consequências ficam mais evidentes quando atingem áreas povoadas. É mais comum no período de transição entre a primavera e o verão”, disse Celina.

Apesar de ter ocorrido após a formação de um ciclone extratropical, a engenheira ambiental revelou também que os dois fenômenos não são iguais, e nem sempre ocorrem juntos.

“Os tornados são fenômenos de pequena extensão, que variam de dezenas a centenas de metros, podendo atingir poucos quilômetros, e têm uma duração que vai de segundos a minutos. Por outro lado, os ciclones atmosféricos são fenômenos de grande escala, que afetam grandes áreas. Sua duração geralmente é de alguns dias, cobrindo de centenas a milhares de quilômetros.”

O ciclone que ainda atua na costa das regiões Sul e Sudeste do país é chamado de extratropical por ser formado por massas de ar quente e fria. Além de causar ventos fortes, ele provocou o deslocamento de uma frente fria, levando chuvas intensas para diversos pontos dessas duas regiões.



EBC