Tornados são fenômenos rápidos e difíceis de prever


Tornados, como o que atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, são fenômenos localizados, de curta duração e difíceis de prever. De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Danilo Siden, eles se formam dentro de nuvens de tempestade e causam estragos quando atingem o solo.

“Com a formação do ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, a gente teve também a formação de uma frente fria na parte mais norte desse ciclone, ou seja, no Paraná. Dentro dessa frente fria, nós temos vários fenômenos, como chuvas intensas, tempestades de raios, queda de granizo, e há a possibilidade de uma dessas nuvens formar um tornado”, informou o meteorologista do Inmet.

“É um fenômeno bem intenso, mas de curta duração, que a gente sabe que pode ocorrer dentro de uma frente fria, mas a gente não tem como fazer previsão porque ele é bem localizado”, acrescenta Danilo.

No caso de Rio Bonito do Iguaçu, a nuvem que deu origem ao tornado foi chamada de “supercélula” pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Como os ventos ultrapassaram 250 quilômetros por hora (km/h), o tornado foi classificado como F3, na escala Fujita, que vai de 0 a 5. Isso representa danos severos.

Formação de tornados

De acordo com o meteorologista, algumas características podem favorecer a formação de tornados, como a presença de ar mais quente próximo ao solo, e a mudança rápida na direção ou velocidade do vento, mas mesmo em locais que têm sistema de alertas só conseguem prevê-los com cerca de 15 minutos de antecedência.

No Brasil, os tornados parecem raros, mas não são. A engenheira ambiental e pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Instituto Serrapilheira, Celina Rodrigues, explica que a Região Sul do país é um dos locais com maior incidência da América do Sul, ao lado da Argentina e do Paraguai.

“Esse fenômeno é relativamente frequente, mas suas consequências ficam mais evidentes quando atingem áreas povoadas. É mais comum no período de transição entre a primavera e o verão”, disse Celina.

Apesar de ter ocorrido após a formação de um ciclone extratropical, a engenheira ambiental revelou também que os dois fenômenos não são iguais, e nem sempre ocorrem juntos.

“Os tornados são fenômenos de pequena extensão, que variam de dezenas a centenas de metros, podendo atingir poucos quilômetros, e têm uma duração que vai de segundos a minutos. Por outro lado, os ciclones atmosféricos são fenômenos de grande escala, que afetam grandes áreas. Sua duração geralmente é de alguns dias, cobrindo de centenas a milhares de quilômetros.”

O ciclone que ainda atua na costa das regiões Sul e Sudeste do país é chamado de extratropical por ser formado por massas de ar quente e fria. Além de causar ventos fortes, ele provocou o deslocamento de uma frente fria, levando chuvas intensas para diversos pontos dessas duas regiões.



EBC

Rádio Nacional: Roda de Samba traz Vinicius de Moraes em vários papeis


Em 2025 são 45 anos sem Vinicius de Moraes – poeta, dramaturgo, jornalista, cronista, diplomata, cantor e compositor – um dos vértices que criou a bossa nova, junto com Tom Jobim e com João Gilberto.

Vinicius eram tantos que o cronista Sérgio Porto, na pele da personagem Tia Zulmira, disse que “se Vinicius de Moraes fosse um só, não seria Vinicius de Moraes, seria Vinicio de Moral.”

Essa multiplicidade está representada na peça “Vinicius”, em cartaz há dez anos, e exibido mensalmente no Teatro Mapati, em Brasília. No espetáculo, há o Vinicius que sofre por amor, que se casa e descasa várias vezes, que migra do Itamaraty para os shows, e que beberica uísque com a plêiade de amigos e parceiros em festas animadas.

Na peça, o espectador se vê numa festa em homenagem ao poeta após a morte dele, em julho de 1980. Com direito ao destilado, a plateia percorre a “casa de Vinicius” e encontra a cada cômodo os seus múltiplos personagens.

O espetáculo sobre Vinicius é assunto do programa Roda de Samba que neste domingo (9), ao meio-dia, entrevista o ator Marcellus Inácio, do elenco da peça.

Grandes atrações

Iniciado em 2019, o Roda de Samba já conversou com compositores como Nei Lopes, Leci Brandão e Herminio Belo de Carvalho, com as cantoras Teresa Cristina, Roberta Sá e Áurea Martins, escritores como Ruy Castro, Alberto Mussa e Paulo Lins. Também foram ao ar pelo programa as últimas entrevistas de Monarco, João Donato e do crítico musical Zuza Homem de Melo.

O Roda de Samba vai ao ar todo domingo, ao meio-dia, nas 11 emissoras da Rádio Nacional, e é posteriormente distribuído na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). O acervo do programa pode ser ouvido na página do programa.



EBC

Usina solar garantirá descarbonização da energia em Noronha até 2027


O projeto da Usina Solar Noronha Verde, que tem o objetivo de descarbonizar a geração de energia elétrica no arquipélago de Fernando de Noronha até 2027, foi lançado neste sábado (8) pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e o grupo Neoenergia. A estrutura prevê o abastecimento completo da ilha de energia elétrica por fonte solar. A parceria tem também a participação do governo de Pernambuco.

Com investimento de R$ 350 milhões da Neoenergia, o empreendimento prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares fotovoltaicos integrados a sistemas de armazenamento por baterias. Os painéis serão instalados em 24,63 hectares, o que equivale a 1,5% da área de Fernando de Noronha. Essas áreas foram cedidas pela Aeronáutica e pela administração da ilha, que é feita pelo governo pernambucano.

A implantação será realizada em duas fases, sendo a primeira prevista para entrar em operação até maio de 2026 e a segunda, no primeiro semestre de 2027. Com isso, Noronha será a primeira ilha oceânica habitada da América Latina a alcançar esse patamar de descarbonização. O anúncio do projeto ocorreu às vésperas da COP30, que será, este ano, no Brasil.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que, com o Noronha Verde, o país dá exemplo, no âmbito da COP30, em relação à transição de matriz energética.


São Paulo - 08/11/2025- O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), e o grupo Neoenergia lançaram, neste sábado (8), o projeto da Usina Solar Noronha Verde. Foto: divulgação Neoenergia

São Paulo – 08/11/2025- O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), e o grupo Neoenergia lançaram, neste sábado (8), o projeto da Usina Solar Noronha Verde. Foto: divulgação Neoenergia – divulgação Neoenergia

“Nós avançamos nessa nova economia, que é a economia verde. [A mudança da matriz energética], que começou sob o pilar da sustentabilidade, hoje gera emprego e renda. Não há solução fora dessa nova economia. Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. O Brasil dá exemplo dentro da COP, da sua mudança da matriz energética”, disse Silveira.

Para Ignacio Galán, presidente da Iberdola, que é a controladora da Neoenergia, o projeto celebrado hoje é um exemplo de como a cooperação e uma visão compartilhada podem transformar realidades, além de deixar um legado para as gerações futuras.

“Nada disso seria possível sem uma política energética clara, a visão promovida pelo presidente Lula e pelo ministro Silveira e a estabilidade regulatória do país tornaram o Brasil uma referência mundial no setor elétrico”, disse Galán.

A nova planta solar fotovoltaica, integrada ao sistema de baterias, terá capacidade de geração de 22 MWp, com 49 MWh de sistema BESS, o equivalente ao consumo de 9 mil residências no continente, informou a empresa.

“Reforço ainda que os benefícios do projeto vão além da energia limpa e sustentável, o projeto também contribuirá para o sistema elétrico brasileiro ao reduzir em até 10% o custo da geração da ilha. Portanto, energia mais limpa, sustentável e mais barata”, disse o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

Ele explicou que, durante o dia, a usina solar fornecerá a energia necessária para o consumo instantâneo da ilha e para carregar as baterias, enquanto durante a noite as baterias, previamente carregadas, fornecerão a energia para o consumo noturno. “Tudo isso com segurança no fornecimento e emissões zero.”

A professora Edileuza Maria dos Santos, moradora de Fernando de Noronha, participou do evento e falou em nome da comunidade.

“Queríamos ver nossa ilha crescer sem perder a essência da natureza que tanto amamos. E agora, com essa usina solar, isso será possível. Nos orgulhamos em saber que teremos energia limpa e um futuro feliz para nossos filhos, nossos netos e nossa comunidade”, disse.

Em seu discurso, a governadora de Pernambuco Raquel Lyra saudou a professora Edileuza. “Muito bom ouvir sua fala porque, na verdade, tudo isso importa se fizer sentido pra vocês. Se não fosse pra trazer repercussão de verdade, para modificar a vida de quem vive aqui, pra gente não faria sentido algum, então obrigada pela confiança”, disse. Ela acrescentou que “um lugar só é bom para visitar quando ele é bom pra viver”.

 


Brasília (DF) 05/02/2025  A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, na posse do novo presidente do Consórcio Nordeste.   Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou que tirar o diesel da geração de energia de Noronha é um novo começo para a ilha. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Arquivo Agência Brasil

Segundo Lyra, por muito tempo a ilha não recebeu investimentos. “A gente hoje lança uma pedra fundamental. Tirar o diesel daqui significa um novo começo para Fernando de Noronha. Tirar combustível fóssil da ilha, [significa] permitir que a gente possa começar uma nova janela de oportunidade, de investimentos em turismo e desenvolvimento sustentável”.

Energia gerada por diesel

Atualmente, a energia consumida em Fernando de Noronha é gerada pela Usina Tubarão, à base de diesel – um combustível fóssil -, que atende 95% da demanda. Os outros 5% são atendidos por três pequenas usinas solares que operam na ilha. Após a transição completa, Tubarão ficará disponível apenas como backup, em caso de alguma necessidade.

Considerando a logística desse combustível, em média 200 mil litros de diesel chegam por meio de navios oriundos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. São utilizados na usina cerca de 30 mil litros de combustível por dia para o abastecimento energético na ilha. Segundo a empresa, em 2024, a operação da Usina Tubarão resultou na emissão de 21 toneladas de CO².

A Neoenergia informou que o projeto da usina solar foi licenciado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do ICMBio, gestor das Unidades de Conservação Federal. “Será um legado para o país em um momento em que recebemos o mais importante evento com foco na agenda climática global, a COP”, disse Capelastegui.

*A repórter viajou a convite da Neoenergia



EBC

GP de Interlagos: Lando Norris larga na pole position no domingo


O fim de semana em São Paulo começou perfeito para o britânico Lando Norris, da McLaren. Neste sábado (8), o piloto venceu a corrida sprint no autódromo de Interlagos e, para completar, registrou o melhor tempo no treino classificatório para o GP do Brasil. Com isso, na reta final da temporada da Fórmula 1, tem a chance de abrir vantagem na corrida pelo título inédito da categoria.

Neste domingo, Norris larga em primeiro, seguido por Kimi Antonelli, da Mercedes e Charles Leclerc, da Ferrari. Oscar Piastri, companheiro de Norris na McLaren e principal concorrente na briga para ser campeão da temporada, vai largar em quarto lugar. A prova está marcada para as 15h de Brasília.

No começo do dia, na corrida sprint, Norris levou a melhor, sendo acompanhado por Antonelli e George Russell, da Mercedes no top 3. Com isso, abriu mais oito pontos sobre Piastri, que teve uma colisão e não pontuou. Norris pulou para 365 pontos, nove a mais que Piastri.

Outro destaque da prova sprint ficou com o brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber. Ele bateu na última volta e o carro ficou destruído. A equipe tentou recuperar o carro para que ele pudesse participar do treino classificatório, mas não conseguiu cumprir a missão com o prazo apertado. Com isso, Bortoleto vai largar dos boxes, na última colocação.

Terceiro colocado na disputa pelo título de pilotos, o holandês Max Verstappen, campeão das últimas quatro temporadas, foi muito mal na classificação, terminando apenas em 16º. Outra lenda, o britânico Lewis Hamilton, dono de sete títulos, vai largar com a sua Ferrari na 13ª colocação.



EBC

Tornados: mudanças climáticas podem aumentar frequência e intensidade


O tornado que destruiu 90% da cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu e deixou ao menos 750 feridos deveria servir como alerta de “desespero e urgência” para as autoridades reunidas da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-30), defendeu o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. O evento começa na próxima segunda-feira (10), mas o encontro de chefes de Estado foi realizado nas últimas quinta e sexta-feira. 

“O que aconteceu no Paraná, que é triste e grave, é mais uma repetição do que vem acontecendo não apenas no Brasil, na Amazônia, no Rio Grande do Sul, em São Sebastião, em Petrópolis, no norte de Minas, sul da Bahia, como no mundo inteiro também”, destacou.

“Os últimos dez anos foram os dez anos mais quentes da história. Tudo isso deveria entrar para dentro da Conferência do Clima, mas, muitas vezes, o que a gente vê é que a reunião fica impermeável ao mundo real”, criticou Astrini, que representa a principal rede da sociedade civil brasileira com atuação sobre as mudanças climáticas.

Astrini espera que o evento do Paraná seja citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura oficial da COP, segunda-feira (10) e que essa “realidade” ajude a sensibilizar os países participantes sobre “o mundo real, que está agonizando”.

“A gente têm alguns países que são mais vulneráveis a essa situação, como o Brasil, que depende da agricultura, a geração da nossa energia depende da regularidade climática, com as hidrelétricas. O presidente Lula deve fazer a abertura, pode ser que ele cite. A gente sempre espera que essas citações e essas realidades tenham efeito lá pra dentro”, complementa. 

A oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da Universidade de São Paulo, apoiada pelo Instituto Serrapilheira, explica que tornados, como o que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, não acontecem apenas por causa das mudanças climáticas, mas o desequilíbrio do clima pode contribuir para que eles sejam mais frequentes e intensos. 

“As mudanças climáticas estão associadas a um aporte de combustíveis fósseis e de gases de efeito estufa na atmosfera e isso aumenta a energia, causando o aquecimento da atmosfera e também dos oceanos. Esse aumento do calor provoca também o aumento da umidade, pela evaporação. Mais calor e mais umidade servem quase como um combustível para esses eventos meteorológicos extremos”

A especialista explica que tornados são colunas de ar que giram em altíssima velocidade, formadas a partir de nuvens de tempestades. Apesar de serem rápidos e de pequena extensão, podem ter grande poder destrutivo, ao tocarem o solo. O fenômeno é favorecido pela alta umidade e pelo ar quente. 

O professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Michel Mahiques afirma que esse tipo de fenômeno pode se tornar mais comum. 

“Tornados, como o que aconteceu no Paraná, ocorrem por conta de grandes diferenças de pressão, causadas por massas de ar com propriedades muito diferentes, como a temperatura. Agora, com as mudanças climáticas, essas diferenças se intensificam, e a possibilidade de ocorrer eventos extremos como esse aumenta” 



EBC

Programa do governo quer aprofundar conexão com as periferias


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, lançou na tarde deste sábado (8), na periferia da capital paulista, a iniciativa Governo na Rua, ação para ouvir a população e levar as demandas para o governo federal. O evento ocorreu na região do Capão Redondo, na zona sul, em um campo de futebol no Morro da Lua.

“É uma iniciativa que nos permite, através do Ministério da Secretaria Geral da Presidência, ouvir as pessoas. Hoje, nós fizemos aqui um exercício de escuta. Falou o entregador de aplicativo, falou a trabalhadora da escala 6 por 1, falaram jovens da região colocando as suas demandas, falaram aqui movimentos sociais de luta por moradia, falou a cultura periférica”, disse Boulos.

O ministro destacou que a iniciativa irá atender a todos os estados do país e também funcionará de maneira online, pela internet. Ele destacou que a ação pretende aprofundar a conexão do governo com as periferias.

“O presidente Lula ganhou por ampla margem entre quem ganha menos de dois salários mínimos, que é a maioria do povo que está nas periferias. A missão que o presidente Lula me deu foi aproximar ainda mais as políticas do governo federal, do governo do Brasil, com o povo que está nas periferias”, acrescentou.

De acordo com Boulos, a iniciativa funcionará digitalmente pela plataforma Brasil Participativo, por meio do Orçamento Participativo Digital. 

“O povo também tem que apresentar o que quer que esteja no orçamento do governo do Brasil. Nessa plataforma, é só botar seus dados, botar ali e falar, ó, na minha região a prioridade é isso aqui ou é aquilo outro. E aí todo mundo vai poder ter o seu dedo, a sua mão na decisão de para onde vai o dinheiro do governo federal”, explicou.

Demandas

Liderança jovem da periferia, Guilherme Coelho pediu protagonismo da juventude nas decisões do governo.

“É importante demais a gente ter a juventude incluída nesses espaços de discussão de políticas públicas. A gente não quer só ser ouvido. A gente quer ter esse protagonismo de estar junto na mesa, discutindo com a população a implantação das políticas públicas que vão servir para a gente”, disse.

A coordenadora do Movimento Vida Além do Trabalho, Bruna Simões Miranda, defendeu o fim da escala 6×1 e maior atenção com a saúde mental dos trabalhadores.

“A gente sabe que aqui na periferia a maioria trabalha no esquema 6×1, e o nosso movimento está pedindo para que a gente tenha mais vida, para que a gente possa ter tempo para a nossa família, e para cultuar a nossa fé”, defendeu. 

“Dizem que a economia vai quebrar sem a escala 6×1, que vai ter desemprego. Levantam dados. Mas nós somos os dados, nós somos quem está com a saúde mental afetada”, acrescentou.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direito, Elias Pereira Freitas da Silva, conhecido como Júnior Freitas, defendeu políticas públicas voltadas aos entregadores por aplicativo, e a participação da categoria nos espaços de poder. 

“A gente está sendo sucateado nas ruas todos os dias. Os jovens desse país estão morrendo nas ruas trabalhando para aplicativo que hoje está ganhando bilhões em cima das costas dos trabalhadores”, disse. 

“A gente precisa de pessoas comprometidas com o povo trabalhador, porque elas exercem cargos, eleitas por nós. Mas quem manda é a população e é por isso que a gente não pode deixar de lutar. Hoje é simbólico, mas é muito importante”, acrescentou.



EBC

Tornado no Paraná aumenta pressão por decisões concretas na COP30


No mesmo dia em que terminou a Cúpula de Líderes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), um tornado atingiu cidades do Paraná, provocou seis mortes e deixou 750 feridos. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil disseram que o fenômeno é mais uma prova da necessidade de ações concretas e investimentos para lidar com os extremos climáticos.

Segundo Carlos Rittl, diretor global de políticas públicas para florestas e mudanças climáticas da Wildlife Conservation Society (organização não governamental internacional), eventos recentes pressionam por compromissos mais efetivos na COP30.

“Tivemos o furacão que assolou a Jamaica. Um tufão que passou pelas Filipinas, provocando mais de 180 mortes. E, depois, o mesmo com o Vietnã. Estamos vivendo na era de extremos. E isso impõe uma responsabilidade muito grande ao Brasil na presidência da COP30, assim como dos demais negociadores, a darem respostas”, disse Carlos.

“Por um lado, é reconhecer que a ação está mais lenta do que o necessário no corte de emissões de gases de efeito estufa. E a principal referência continua sendo o Acordo de Paris, para limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. Precisamos evitar que a interferência humana no sistema climático ultrapasse limites perigosos”, complementou.

Uma das críticas comuns entre as organizações ambientais é a de que o tema “adaptação” recebe menos atenção e investimentos do que a “mitigação”. Reduzir as emissões de gases do efeito estufa é fundamental, mas as cidades precisam de investimentos urgentes para aumentarem a capacidade de lidar com os eventos extremos cada vez mais comuns.

“Eu estou em Belém, prestes a iniciar o evento geral da COP30 e é preciso colocar na mesa dos políticos de que esse mapeamento já foi feito pelos cientistas. Todas as projeções apontam para a necessidade de preparar as cidades. E para fazer essa preparação, é obrigatório ter recurso financeiro”, disse Everaldo Barreiros, professor de meteorologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Barreiras explica que a COP em Belém vai discutir esse financiamento para que os países mais vulneráveis aos eventos extremos de mudanças climáticas possam estar preparados e saibam lidar com esses impactos. “Eles são inevitáveis. Precisamos preparar as cidades para diminuir esses prejuízos e, principalmente, proteger a vida”, complementou.

O diretor da Wildlife Conservation Society reforça que os investimentos externos devem estar alinhados com a aplicação dos próprios municípios em medidas de adaptação climática. Cada região vive os impactos de maneira diferente e precisa estabelecer metodologias próprias aos desafios e vulnerabilidades locais.

“Nessa COP, temos como uma das pautas triplicar os recursos disponíveis para apoiar países em desenvolvimento nas suas ações de adaptação e reduzir as suas vulnerabilidades aos impactos das mudanças climáticas”, disse Carlos Rittl.

O especialista ressalta, entretanto, que cada município deve pensar em estabelecer as próprias estratégias de adaptação. “Tivemos as chuvas severas que atingiram o Rio Grande do Sul. Nesses dois últimos anos, aqui na Amazônia, tivemos seca muito severa, o que agravou a situação dos incêndios. São exemplos que mostram ser necessária essa ação local.”



EBC

Brasil cai nos pênaltis para o México e fecha em 4º no Mundial Sub-17


Por muito pouco a seleção brasileira de futebol feminino sub-17 não terminou o Mundial da categoria no pódio. Neste sábado (8), na disputa do terceiro lugar, a equipe vencia o México até os acréscimos, quando Evelin marcou contra e levou a decisão da colocação final para os pênaltis. Após o empate por 1 a 1 no tempo normal, as mexicanas fizeram 3 a 1 nas cobranças das penalidades e ficaram com o terceiro posto.

A quarta colocação é o melhor resultado do Brasil na história da competição. A final acontece neste sábado, entre Holanda e Coreia do Norte. O Mundial é disputado no Marrocos.

Após um primeiro tempo equilibrado, o Brasil abriu o placar na reta final da partida. Aos 33 da segunda etapa, Maria fez boa jogada pela esquerda, foi até a linha de fundo e tocou para o meio. Kaylane completou de primeira para o fundo das redes.

A arbitragem sinalizou oito minutos de acréscimos e o México se beneficiou do tempo prolongado e de uma infelicidade brasileira para empatar. Aos 50, após falta cobrada na área, Evelin desviou de cabeça e acabou pegando a goleira Ana Morganti no contra pé, marcando contra. A atacante, autora do gol, ficou visivelmente abalada, chegando a chorar.

Nas cobranças de pênaltis, o Brasil começou bem, marcando com Gaby e vendo Ana Morganti defender a primeira cobrança adversária. No entanto, na sequência, os papéis se inverteram, com a seleção brasileira desperdiçando três cobranças, com Dulce Maria, Kaylane e Dany, enquanto o México converteu as três seguintes, encerrando a disputa em 3 a 1.



EBC

Ciclone causa danos em dez municípios gaúchos e 200 mil ficam sem luz


O ciclone extratropical que atingiu a região Sul do Brasil nessa sexta-feira (7) causou estragos em, pelo menos, dez municípios gaúchos com chuvas de até 177 milímetros (mm) e ventos de até 95 quilômetros por hora (km/h), segundo boletim da Defesa Civil do estado publicado na manhã deste sábado (8).

A tempestade também deixou pelo menos 200 mil residências sem energia elétrica, segundo a Equatorial Energia, empresa responsável por um terço da energia no estado. A companhia informou que trabalha para restabelecer os serviços, dando prioridade a hospitais e unidades de abastecimento de água.

Apesar dos estragos menores que no Paraná, no Rio Grande do Sul o fenômeno causou a obstrução de vias, queda de árvores, destelhamento de residências e prédios comerciais, além de rompimento de cabos de energia elétrica.

Reportaram estragos os municípios de Anta Gorda, Bom Retiro do Sul, Cidreira, Erechim e Relvado, entre outros. Em Frederico Westphalen, houve o destelhamento de um pavilhão industrial e um depósito de madeireira.

O governador do estado, Eduardo Leite, informou que as equipes estão em campo tentando desobstruir as vias e auxiliando prefeituras e companhias de energia e saneamento para o restabelecimento dos serviços interrompidos.

“Houve uma linha de instabilidade que passou pelo estado, já gerando muitos ventos e chuva intensa. Trouxeram naturalmente muitos transtornos, quedas de árvores. que acabam fazendo cair energia elétrica”, comentou em rede social, acrescentando que os planos de contingência foram acionados.

As regiões mais atingidas foram o Norte do RS e a Grande Porto Alegre. As maiores chuvas foram registradas em Ilópolis, Anta Gorda, Dois Lajeadores e Arvorezinha. Já os ventos mais fortes foram registrados nos municípios de Planalto, Canguçu, Passo Fundo e Tramandaí. Em Porto Alegre, o vendaval chegou a 77 km/h e as chuvas ficaram em 28 mm.  

Paraná

Na cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu, seis pessoas morreram com a passagem do tornado. Cerca de 90% das residências e comerciais da cidade de 14 mil habitantes foram atingidos e pelo menos 750 pessoas ficaram feridas. O estado decretou calamidade pública.



EBC

Número de feridos chega a 750 após passagem de tornado pelo Paraná


O governo do Paraná informou que, até o início da tarde deste sábado (8), 750 pessoas foram atendidas em unidades de Saúde do estado em decorrência da passagem de um tornado por cidades paranaenses. O fenômeno provocou a morte de seis pessoas.

O município mais atingido foi Rio Bonito do Iguaçu, que fica a cerca de 400 quilômetros de Curitiba. Dados da Defesa Civil paranaense estimam que até 90% da área urbana da cidade foram atingidos.

Segundo as informações oficiais, a maior parte dos feridos foi atendida em duas unidades hospitalares, uma unidade básica de saúde (UBS) e uma faculdade de Laranjeiras do Sul.

Casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital Universitário de Cascavel e para o Hospital Regional de Guarapuava. Quatro pessoas precisaram passar por cirurgia.

Em Rio Bonito do Iguaçu, “as estruturas de saúde estão todas colapsadas”, disse o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto. Segundo o gestor, apenas um centro de saúde da cidade está aberto. “Um grande movimento das prefeituras do entorno somou uma força tarefa para manter funcionando”, acrescentou o secretário.

Tornado

O fenômeno climático atingiu a região Centro-Sul do Paraná na noite de sexta-feira e foi classificado como tornado de categoria F3, com ventos de até 250 quilômetros por hora, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

O governador do Paraná, Ratinho Jr., foi para a cidade de manhã cedo. Além dos esforços para o atendimento de desabrigados e feridos, ele anunciou uma parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para agilizar o levantamento dos estragos e antecipar os esforços de reconstrução, principalmente, de casas.

O número total de desabrigados ainda não foi calculado pelas autoridades. Até o início da manhã, a Defesa Civil calculava 10 mil pessoas impactadas pelos ventos, com 28 desabrigados e 1 mil desalojados.

“Agora vamos realizar esse levantamento para que possamos ajudá-las de alguma forma, seja com linhas de crédito, seja com apoio para reconstrução ou para cobrir prejuízos em diversos setores. A cidade está praticamente destruída, o que torna impossível fazer um levantamento detalhado neste momento”, disse o prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também anunciou o envio imediato de equipes da Defesa Civil Nacional especializadas no trabalho de acolhimento das vítimas e de reconstrução. Ele enviou a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para acompanhar os trabalhos no local. 

O Ministério da Saúde enviou neste sábado (8) uma equipe da Força Nacional do SUS ao município de Rio Bonito do Iguaçu. A equipe é composta por cinco profissionais especializados, entre eles, um especialista em saúde mental em desastres, um médico sanitarista, um enfermeiro, um analista de recursos logísticos e um analista de incidentes e reconstrução assistencial. 

Os profissionais irão atuar na reativação dos serviços de saúde, no apoio à gestão local e na resposta assistencial e psicossocial imediata, garantindo a retomada segura e rápida do atendimento integral à população afetada.

A expectativa para os próximos dias é que uma massa de ar frio derrube as temperaturas no Paraná e em Santa Catarina. Em Rio Bonito do Iguaçu, epicentro do tornado, a temperatura deve oscilar entre 13 e 22 graus Celsius (°C) neste sábado (8), mas a medição mínima pode chegar a 11°C no domingo (9). 



EBC