Laura Pigossi e Ana Candiotto são campeãs do WTA 125 de Cali


No primeiro torneio formando dupla, Laura Pigossi e Ana Candiotto faturaram o título no WTA 125 de Cali, na Colômbia. As brasileiras fizeram 2 sets a 0, perdendo apenas 4 games na grande final (6/3 e 6/1), em cima das favoritas Nicole Fossa e Ekaterine Gorgodze, principais cabeças de chave do torneio. As tenistas brasileiras fizeram uma campanha perfeita no torneio disputado no piso de saibro, sem perder nenhum set durante toda a competição.

Esse foi o maior título da carreira de Ana Candiotto. Com apenas 21 anos, ela ganhou o 14° troféu de duplas. A também paulista Laura Pigossi, de 31, alcançou a marca de 45 títulos em duplas. Com os 125 pontos somados na Colômbia, Pigossi deve chegar ao 83° lugar no ranking na próxima atualização e Candiotto, à 230ª colocação. Ambas atletas alcançarão os melhores postos na lista mundial em toda trajetória esportiva.

 




EBC

Conceição Evaristo é a 1ª personalidade homenageada em vida pela Flup


A escritora Conceição Evaristo já participou de diversas edições da Festa Literária das Periferias (Flup), no Rio de Janeiro, mas este ano, na 15ª edição, será de uma maneira diferente. Uma das mais importantes vozes da literatura contemporânea é a primeira personalidade homenageada, em vida, pelo festival. 

Para o diretor, curador geral e idealizador da Flup, Julio Ludemir, ao homenagear a autora, a Flup “reconhece a escrevivência como um gesto político e poético, capaz de reencantar o mundo a partir das vozes negras e periféricas”.

Nos últimos anos, na edição de 2024 da Flup, a homenageada foi a historiadora, pesquisadora e ativista, Beatriz Nascimento; em 2023, o escritor Machado de Assis e a Mãe Beata de Iemanjá, escritora e sacerdotisa de um sagrado sem bíblia, fundadora do terreiro de Candomblé Ilê Axé Omiojuarô, em Miguel Couto, na Baixada Fluminense; em 2022, o escolhido foi o compositor e músico Pixinguinha; no formato híbrido virtual e presencial; em 2021, o compositor e músico Aldir Blanc; e em 2020, houve outra homenagem dupla, à antropóloga, ativista e escritora, Lélia Gonzalez e a escritora, cantora, compositora e poeta Carolina Maria de Jesus.

“A gente não sai do campo semântico das homenagens e tributos que a gente faz, porem a gente nunca ousou em homenagear um autor em vida. A gente propôs esse desafio da Conceição ao homenagear um autor em vida, o que traz uma responsabilidade muito maior, de partilhar com Conceição toda e qualquer ideia, para que nós a homenageemos e a festejemos, porque tanto ela, como nós, aceitamos esse desafio”, diz Ludemir.

Para o diretor, a história da Festa Literária é um pouco a história de Conceição. “O crescimento e a visibilidade que a Flup tem tido nos últimos anos, dialogam minimamente com o mesmo público, com o mesmo Brasil da Conceição Evaristo, que vem crescendo consistentemente ano a ano, mês a mês, semana a semana dia a dia, a cada segundo aparece um novo leitor da Conceição Evaristo”, afirmou Ludemir à Agência Brasil.

Ele disse ainda que a escolha da escritora ao mesmo tempo homenageia o Brasil das ações afirmativas, das cotas, do que está se desensibilizando, principalmente, a partir de uma política pública.

“Em nenhum lugar, as ações afirmativas tiveram um impacto tão amplo e rápido como no Brasil. Nós temos uma nova intelectualidade, temos uma nova classe artística e ninguém representa isso melhor do que Conceição Evaristo. Homenagear Conceição Evaristo é homenagear a obra dela, a militância dela, a biografia, mas tanto a obra, quanto a militância e a biografia dela, são tão relevantes exatamente porque dialogam com este Brasil popular, da mulher negra, com esse Brasil que produz utopias permanentemente”, analisou o idealizador da Flup.

“Quando você estiver cansado, olhe para uma mulher negra grávida e você vai ver que existe futuro. Um povo que foi escravizado, que teve toda a história que o povo negro tem e que é um povo que jamais deixou de olhar para o futuro, jamais deixou de acreditar quase nessa coisa bíblica de crescei e multiplicai-vos”, ressaltou.

Segundo Ludemir, quando se homenageia Conceição, está “vendo nela a voz, o corpo, a trajetória, a obra, desse Brasil novo, desse Brasil que continua sendo mais homofóbico, mais transfóbico, que mais mata mulheres, mas por outro lado, não existe esse fenômeno Conceição Evaristo pelo mundo”.

“Ela produziu e produz uma obra, que hoje em dia ocupa no imaginário brasileiro, o mesmo lugar que o Jorge Amado ocupou, de tocar no coração das pessoas. Quando se lê cada vírgula da Conceição, tem a sensação de que está entrando em contato imediato com a história do Brasil, com o cotidiano”, acrescentou.

 


Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Julio Ludemir. Foto: Hildemar Terceiro/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 – Para Julio Ludemir, Conceição Evaristo produziu e produz uma obra, que hoje em dia ocupa no imaginário brasileiro, o mesmo lugar que o Jorge Amado ocupou. Foto: Hildemar Terceiro/Divulgação – Hildemar Terceiro/Divulgação

Segundo o idealizador da Flip, para além desse cenário, Conceição consegue também “produzir e tocar a chave do amor de uma forma que poucas pessoas na história do Brasil, está refletida nas crianças, nas mulheres negras que adoram a escritora e nas pessoas que querem tocar e tirar fotos com ela”.

“Não é uma coisa de fã, é uma coisa de se ver na Conceição Evaristo. Quando a gente homenageia a Conceição, está homenageando o Brasil, esse país que passou por ditaduras e conseguiu sair das ditaduras. Está homenageando o país que condenou Bolsonaro, o que os Estados Unidos não fizeram. A gente está homenageando a história de um povo que não desistiu nunca da possibilidade de criar um país melhor para seus filhos”, pontuou.

Programação

Com o tema Ideias para Reencantar o Mundo: Escrevivências, Sonhos e Batidões, a Flup 2025 vai ocorrer entre os dias 19 e 23 e 27 e 30 de novembro, no Viaduto de Madureira, na Central Única das Favelas (CUFA), que entre outras atividades, recebe no primeiro fim de semana, o Festival Literário da Igualdade Racial (FLIIR), com mesas e oficinas dedicadas à valorização da literatura negra e indígena. Outro local é o Zê êne, que sedia as semifinais do Slam BR, Campeonato Brasileiro de Slam Poetry, realizando duas disputas intensas de poesia falada: a primeira das 19h às 21h, e a segunda das 21h30 às 23h30.

No segundo fim de semana, o Zê Êne fará atividades das editoras parceiras e a CUFA terá uma mostra especial dedicada ao cineasta britânico Steve McQueen. Tudo isso no bairro de Madureira, zona norte do Rio.

Apontada como uma das mais relevantes festas literárias do Brasil e espaço de encontro da palavra, do corpo e do território, a Flup “celebra a força da imaginação e da escrita como práticas de resistência e reconstrução simbólica”.

A programação da 15ª edição da Flup reúne autores, artistas e pensadores do Brasil, África, Caribe, América do Norte e Europa. Além de Conceição Evaristo, que participará de todos os dias da festa, Achille Mbembe, Ana Maria Gonçalves, Mireille Fanon Mendès-France, Eliana Alves Cruz, Steve McQueen entre outros. Nos shows já estão previstas as apresentações de Sandra Sá, Mano Brown, Luedji Luna, Jonathan Ferr e Majur.

A curadoria internacional, repetindo o que ocorreu no ano passado, é assinada pela professora e pesquisadora franco-senegalesa Mame-Fatou Niang, que define, a partir de sua presença na Flup, como surpreendente e desafiador, compreender a presença negra na cultura brasileira.

 


Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Mame-Fatou Niang. Foto: Hildemar Terceiro/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 – A curadoria internacinal da Flup é da pesquisadora franco-senegalesa Mame-Fatou Niangr.. Foto: Hildemar Terceiro/Divulgação – Hildemar Terceiro/Divulgação

“Pra mim, o Brasil é um mistério. Eu cresci assistindo novelas, amando Pelé, o futebol e o Carnaval em fevereiro, mas eu não sabia que o Brasil era um país negro, porque não é isso que é mostrado”, comentou em texto divulgado pela Flup.

França- Brasil

Incluída na programação da temporada cultural França-Brasil, a Flup assume papel central fortalecendo o compromisso como “um espaço de trocas entre saberes periféricos, línguas ancestrais, músicas e tradições que atravessam o tempo e os territórios”.

“A França, o Instituto Francês e a embaixada francesa têm sido nossos parceiros mais presentes na história da Flup. Em todos os anos a gente teve o suporte da França. Nos piores anos de nossa vida, mesmo no auge do bolsonarismo, do Temer, no auge do momento de não termos Ministério da Cultura, não termos Secretaria de Cultura, a gente sempre conseguiu trazer autores franceses, sempre conseguiu alguma verba francesa, para fazer o nosso festival”, comentou.

Ludemir destacou que a presença da Flup no ano França-Brasil foi inevitável diante da solidez dessa parceria. “A Flup, como projeto, convenceu antes o mundo do que o Brasil. Quando a gente chegou com a ideia de fazer um festival literário em uma favela do Rio de Janeiro, a França abriu as portas”, afirmou, acrescentando que a Flup voltou a ter parceria também com o Reino Unido, por meio de edital do British Council.



EBC

Campanha alerta para riscos da diabetes à visão


Campanha de conscientização do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) alerta para os riscos aumentados que os portadores de diabetes tem de desenvolver a retinoplastia diabética, doença que pode causar a perda parcial ou total de visão.

Segundo o CBO há estudos que indicam que 4 em cada 5 pacientes crônicos tem risco de comprometimento por retinoplastia em algum grau. A doença afeta os vasos sanguíneos da retina, alvo principal nesta campanha. 

Durando todo o mês de novembro, a mobilização promovida pela CBO começa neste sábado (1º), com uma maratona online de conscientização e o início de um calendário de mutirões de atendimentos em diversas regiões do país, voltados ao diagnóstico e ao tratamento precoces. Os mutirões, organizados por município, podem ser pesquisados pelo site da campanha.

O público também poderá acompanhar a programação ao vivo entre hoje e domingo, no canal da CBO no Youtube, e acessar conteúdos complementares no site oficial do 24 Horas pelo Diabetes, que será atualizado ao longo do mês de novembro com vídeos, podcasts e depoimentos em apoio à campanha.

A diabetes é uma das principais doenças crônicas do país, e atinge mais de 16 milhões de pessoas, cerca de 7% de nossa população. Seu acompanhamento pode ser feito nas unidades básicas de saúde, em todo o território nacional, de maneira gratuita. O Sistema Único de Saúde (SUS) também fornece materiais para medição e controle da doença, capaz de complicar a condição de pacientes para diversas outras doenças, como demências e doenças metabólicas. A própria diabetes é uma doença com risco de complicações metabólicas e circulatórias, podendo levar à morte se não for devidamente tratada.

 



EBC

Maternidade da UFRJ é referência no acolhimento ao luto gestacional


Uma maternidade pública na zona sul da cidade do Rio de Janeiro se tornou referência no atendimento a famílias enlutadas depois da morte de um bebê na gestação, no parto ou nos primeiros dias de vida. Neste outubro, mês que, pela primeira vez, pauta o luto gestacional, neonatal e infantil no Brasil, a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro abriu suas portas para apresentar como faz o acolhimento de pacientes e como vem evoluindo suas práticas há pelo menos 15 anos, apesar dos desafios.

Em agosto deste ano, passou a vigorar a política de humanização do luto materno e parental, que determina um atendimento respeitoso, que ajude na recuperação das pessoas que passaram por esse trauma. A política traz uma série de determinações às maternidades públicas e privadas, incluindo a possibilidade das famílias poderem ter um último momento com a criança, bater fotos ou receberem registros como as digitais do pezinho e poderem se despedir. Também foi determinada a possibilidade de registrar o nome do bebê na certidão de óbito, e se for do interesse da família, enterrar ou cremar.

Na maternidade da UFRJ, esse momento de despedida ocorre em um local diferenciado, chamado “morge”, que, muitas vezes, não é aberto às famílias nas unidades. Ali, acontecem momentos singelos, mas cheios de afeto, contou a psicóloga Paula Zanuto.

“Nesta semana, ocorreu uma despedida que emocionou toda a equipe. Um pai e uma avó vieram se despedir de um bebê que nasceu a termo, acho que com 38 semanas, mas só viveu por um dia“, revelou a psicóloga. 

“O pai e a avó vieram muito cuidadosos, muito amorosos com o corpinho do bebê, o pai colocou a roupinha, vestiu a luvinha, a meinha, muito cuidadoso, a avó falando ‘cuidado para ele não sentir frio’ , por mais que o bebê estivesse morto. A avó ainda ninou um pouquinho no ombro, enrolou na mantinha. O pai colocou a alcinha do nosso coração [de pano] em volta do bracinho do neném e na altura do coração de verdade. Foi uma cena linda, todo mundo segurou o choro, eles enfrentaram uma perda difícil juntos”, descreveu Paula para ressaltar a importância do morge.


Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – Lembrança entregue aos pais de bebês no momento da despedida, na Maternidade Escola da UFRJ, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Lembrança entregue aos pais de bebês no momento da despedida, na Maternidade Escola da UFRJ – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A maternidade separou para aquele momento um local especial, com adesivos enfeitando as paredes, mantinhas cheias de bichinhos, cueiro e roupinhas de recém-nascido, para o caso de a família não ter. Outro diferencial foram os coraçõezinhos de pano, produzidos por voluntárias e que são doados às famílias, como lembrança. 

“A gente oferece um par. Uma unidade fica com a mãe ou o pai e a outra embalamos junto com o bêbê”, explicou Daniela Porto Faus, chefe da Unidade de Atenção Psicossocial e psicóloga clínica da unidade.

“A gente favorece muito esse momento de despedida, seja no centro obstétrico ou na UTI. Respeitamos o tempo da família, temos muito cuidado”, acrescentou Daniela, dando exemplo de outro protocolo muito sensível: “quando o bebê na UTI está muito grave e nós sabemos que vai ter um desfecho ruim, a gente já oferece [que ele vá para] o colo para que esse bebê possa ir ao óbito ali juntinho da mãe”.

Segundo a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Andrea Marinho Barbosa, responsável pela implementação da política, há a intenção de ampliar o morge para que as famílias tenham mais espaço para a prática, considerada importante para o luto. 

“Nosso grande problema hoje é a estrutura física. O local do morge, onde ficam os corpos, é um pouco pequeno para receber a família toda na despedida do neném”, disse. 

Além desse espaço, as mães, no leito da enfermaria, ou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) têm o tempo que precisarem para se despedir. Na UTI, a equipe prepara uma espécie de biombo, para garantir a privacidade do momento. 

“Elas ficam extremamente agradecidas, agradecem muito, se sentem acolhidas, né?”, revelou Andrea, acrescentando que o mesmo acontece com a possibilidade de colocar o nome na certidão. 

“Algumas [mães] já pediam antes, mas como não tinha nada formalizado, a gente não colocava, botava natimorto, agora, a grande maioria pede para colocar o nome escolhido pelos pais”, disse.

Há pelo menos 15 anos a maternidade coloca em prática medidas para garantir mais respeito e acolhimento para famílias nessa situação. A primeira delas foi a instalação da Enfermaria da Finitude, para onde vão essas mães. A maternidade observou que a convivência daquelas enlutadas com outras mães de filhos nascidos vivos ou em aleitamento causava sofrimento psíquico para as puérperas e fez a separação.


Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – A chefe da unidade de atenção psicossocial, Daniela Porto Faus na Maternidade Escola da UFRJ, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro  Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Respeitamos o tempo da família, temos muito cuidado”, explica a chefe da unidade de atenção psicossocial, Daniela Porto Faus, na Maternidade Escola da UFRJ. FotoTomaz Silva/Agência Brasil

Muitas outras unidades de saúde esbarram na superlotação e na falta de espaço físico para fazer a separação, mas, de acordo com a nova política, a medida é obrigatória. A Lei 15.139 também assegura às mulheres que tiveram perdas gestacionais a investigação sobre o motivo do óbito, bem como o acompanhamento específico em nova gestação.

Outra determinação da lei é o atendimento psicológico após a alta. A maternidade da UFRJ oferece atendimento presencial e por meio de telefone, mas reconhece limitações, como a dificuldade de as mães regressarem para a unidade, e a própria limitação das equipes, problema apontado como um gargalo da política. 

“A gente ainda não tem condições de fazer esse atendimento [em casa], oferecemos somente na nossa unidade e à distância, mas queremos fazer parcerias com outras unidades, para que as pessoas não tenham que se deslocar para cá”, disse a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Andrea Marinho Barbosa. 

A nova lei admite parcerias das unidades de saúde com organizações do terceiro setor, que devem ser uma opção.

Musicoterapia

Outras determinações da política de humanização do luto na maternidade escola da UFRJ, e que são exemplo, incluem musicoterapia para as pacientes e equipes de saúde, que, segundo Andrea, é “para eles tiraram um pouco desse peso”, com apoio das psicólogas e assistentes sociais da própria equipe. 


Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – Sala onde familiares se despedem dos bebês, na Maternidade Escola da UFRJ, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Sala onde familiares se despedem dos bebês, na Maternidade Escola da UFRJ – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A lei recomenda a inclusão da discussão sobre o luto materno na formação de profissionais da área de saúde, o que torna também oportuno o compartilhamento de experiências pelos técnicos, médicos e enfermeiros.

A implementação da política, mesmo estipulada em lei, requer uma mudança de mentalidade, de acordo com a diretora da unidade, Penélope Saldanha, que  lembra o processo para garantia da presença de um acompanhante no parto, este ano.

“Inicialmente, todo mundo achou que não ia ser possível, que as maternidades não iam comportar, que não ia caber no centro cirúrgico. Aqui, pedimos para que as acompanhantes priorizassem alguém do sexo feminino, para assegurar a privacidade das parturientes. Demorou mais um tempo para reconhecermos que as mulheres queriam a participação do seu companheiro no parto e, então, a nós coube nos adaptar e assegurar esse direito”.

A maternidade da UFRJ que é referência para seis unidades básicas de saúde na cidade do Rio de Janeiro, faz também pré-natal de grávidas de alto risco, e recebe, de todo o estado, grávidas com diagnóstico de doença trofoblástica gestacional, um tipo de tumor que pode evoluir para o câncer de placenta, além de atender partos de emergência.



EBC

Nacional transmite partida entre Ceará e Fluminense neste domingo


Os ouvintes da Rádio Nacional vão acompanhar, ao vivo, neste domingo (2), todos os detalhes da partida entre Ceará e Fluminense, válido pela 31ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. O duelo acontece na Arena Castelão, em Fortaleza, a partir das 16h e promete fortes emoções com o Tricolor das Laranjeiras em busca de uma vaga na Copa Libertadores e o Alvinegro lutando para se afastar da zona de rebaixamento.

A jornada esportiva começa às 15h30, dentro da faixa Show de Bola Nacional, com o pré-jogo trazendo notícias sobre as equipes, detalhes da escalação dos times e a tabela atualizada dos clubes na competição.

O Fluminense, comandado por Luis Zubeldía, vem embalado pela vitória por 1 a 0 sobre o próprio Ceará, em partida atrasada da 12ª rodada disputada na última quarta-feira (29), no Maracanã. Com o resultado, o Tricolor chegou a 47 pontos e ocupa a sexta colocação, dentro da zona de classificação para a Libertadores.

Já o Ceará, dirigido por Léo Condé, tenta a revanche diante da torcida e busca encerrar o jejum de três partidas sem marcar gols. A equipe soma 35 pontos e ocupa o 14º lugar, tentando se afastar do Z4.

A transmissão contará com locução de Luciana Zogaib, comentários e participação de Rodrigo Ricardo, além de reportagens e plantão da informação com Carlos Molinari.

O jogo será transmitido para parte da rede em AM e OC, além do FM no Rio de Janeiro e no Alto Solimões. Nas demais praças, a Nacional FM segue com a programação musical. O público também pode acompanhar a partida pelo aplicativo Rádios EBC e pelo site da emissora, com áudio disponível em tempo real por streaming nas duas plataformas.

Informações sobre o Campeonato Brasileiro

O Campeonato Brasileiro é a liga brasileira de futebol profissional entre clubes do Brasil, sendo a principal competição futebolística no país. Por meio da disputa, são indicados os representantes brasileiros para a Copa Libertadores da América (juntamente com o campeão da Copa do Brasil).

Vinte clubes participam do torneio. No decorrer da temporada, cada time joga duas vezes contra os outros (em um sistema de pontos corridos), uma vez em seu estádio e a outra no de seu adversário, em um total de 38 jogos.

As equipes recebem três pontos por vitória e um por empate. Os clubes são classificados pelo total de pontos, depois pelo saldo de gols e, em seguida, pelos gols marcados. Em caso de empate entre dois ou mais times, os critérios de desempate são: maior número de vitórias; maior saldo de gols; maior número de gols pró; confronto direto; menor número de cartões vermelhos recebidos; e menor número de cartões amarelos recebidos.



EBC

Últimos corpos de pessoas assassinadas em operação no Rio deixam o IML


As últimas famílias das pessoas assassinadas na Operação Contenção, do governo do Estado do Rio de Janeiro, no início desta semana, nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte, começam a deixar o Instituto Médico Legal (IML), no centro da cidade do Rio de Janeiro. Até ontem (31), a Polícia Civil informou que faltavam ser  identificados apenas 8 corpos.

Os familiares relatam alívio pelo fim da peregrinação atrás de filhos, primos e netos, mas também indignação com a tragédia. 

Grávida de poucos meses, Karine Beatriz de 26 anos, esteve no IML para reconhecer o corpo do esposo, Wagner Nunes Santana, pai de seu bebê, após três dias de busca na mata. Na sexta, ela contou que ele foi retirado de dentro de um lago na Serra da Misericórdia, na Penha.

“Após três dias de buscas consegui localizar o corpo, mas alívio eu só vou ter com repostas para as perguntar que não vão calar: “de onde vem pena de morte, se existe presídio, presídio é apenas enfeite? Até quando vai isso? “, questionou o governo, sobre a alta letalidade das operações no Rio, nos últimos anos. “Temos crianças assustadas, uma comunidade abalada, é muita dor”, desabafou.

Ela contou que, independente das razões que levaram o esposo para o crime, o companheiro era um pai de família, trabalhador, responsável pelo sustento da casa e o cuidado.

“Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família, semana passada, estava ajudando a erguer uma casa na comunidade, ajudou a fazer o ‘cabelo maluco’ da minha filha. Tenho uma filha de 9 anos, que não era filha dele e ele fez o cabelo dela para escola, levou para brincar, sabe, são momentos que não vão voltar,” explicou.

O corpo de Wagner foi retirado de um lago com um tiro na testa, segundo Karine. A polícia não esclareceu as circunstâncias do assassinato. Ela, conta que esteve desde os primeiros dias na mata e também denuncia execuções na ação.

“Eles não vieram prender ninguém, eles foram para matar. É até mesmo quem se entregou, eles mataram. Eu procurei, desde o primeiro dia, eu procurei um por um. Não sei o que fizeram, mas enterro vai ter de ser caixão fechado”, relatou. 

De acordo com o balanço mais recente sobre a Operação Contenção, de sexta-feira, 99 pessoas já tinham sido identificadas pelo IML. Do total, 42 tinham mandado de prisão pendente e 78 tinham envolvimento com o crime. 13 eram oriundos de outros estados, como Pará, Bahia e Amazonas, além de Ceara, Paraíba e Espírito Santo.

O governo do Estado justificou a operação como forma de conter a expansão do Comando Vermelho, mesmo que não tenha conseguido cumprir os mandados contra os principais chefes da facção. Segundo a nota enviada à imprensa, as investigações indicavam que integrantes do grupo recebiam instruções em armamento, tiro, uso de explosivos e táticas de combate nas localidades visadas.

O trabalho também revelou que o fluxo de caixa da facção nessas áreas movimentava cerca de 10 toneladas de drogas por mês. “Tanto o Alemão quanto a Penha serviam como polos de abastecimento, distribuindo drogas e armas para outras comunidades controladas pelo grupo criminoso”. 

Apesar dos questionamentos sobre a eficácia e os custos da operação para a cidade do Rio, que parou na terça-feira, mas não conseguiu prender os principais chefes do crime e retomar o controle do território, pelo Estado, ao lado da alta letalidade, o governador Cláudio Castro defendeu a ação:

“Tendo em vista estes resultados, a gente vê que o trabalho de investigação e inteligência foi adequado, todos perigosos e com ficha criminal. Também, pela identificação das origens desses ‘narcoterroristas’, reforço a importância da integração com os estados. Em breve, vamos entregar os relatórios completos para as autoridades competentes”, disse o governador Castro, em nota, ontem.

 

 

 



EBC

Convívio entre gerações é receita contra etarismo, aponta especialista


O etarismo é o preconceito, a discriminação baseada na idade, principalmente em relação às pessoas idosas, que se manifesta em diferentes contextos da vida cotidiana. Isso se traduz, por exemplo, no trabalho, na exclusão de profissionais mais velhos em processos seletivos e na falta de oportunidade de capacitação. Esse tipo de situação também acontece na saúde, quando profissionais desautorizam a queixa do idoso ou a associam simplesmente a sintomas da idade, alegando que isso é normal para a faixa etária do paciente e não deve ser valorizado.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a proporção de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) na população brasileira vem aumentando. De 2000 a 2023, esse percentual quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Em números absolutos, o total de idosos no país aumentou de 15,2 milhões para 33 milhões no período.

Segundo as Projeções de População do IBGE, em 2070, os idosos representarão quase 40% (37,8%) dos habitantes do Brasil. Serão 75,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade no país.


Brasília (DF), 31/10/2025 - Dra. Isabela Azevedo Trindade, fisioterapeuta e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. Foto: SBGG/Divulgação

Fisioterapeuta Isabela Azevedo Trindade alerta que o preconceito impacta a saúde física e mental de idosos – Foto: SBGG/Divulgação

Presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a fisioterapeuta Isabela Azevedo Trindade diz que, nos meios de comunicação, são comuns representações estereotipadas de idosos como frágeis, dependentes, incapazes. “Na própria relação social familiar, [observam-se] a infantilização, a superproteção ou a desconsideração da autonomia da pessoa idosa.”

Ela acrescenta que, muitas vezes, a pessoa idosa acaba incorporando o preconceito, acreditando que é sinônimo de perda, de incapacidade. “Trata-se de um problema social, que impacta a saúde física e mental da pessoa. Ele favorece o isolamento social, induz ao não engajamento em atividades produtivas, perpetua a ideia de que o envelhecimento é algo negativo. Isso é muito ruim”, aponta Isabela. Na visão da especialista, combater o etarismo é uma forma de valorizar o envelhecimento como uma parte natural da vida, de se construir uma sociedade para todas as idades.

Intergeracionalidade

Para combater o etarismo, segundo a especialista, a receita é promover o relacionamento intergeracional, valorizando o convívio e a troca entre gerações.

“[É preciso] incluir a pauta do envelhecimento nos meios de comunicação, mostrando idosos ativos, produtivos; capacitar profissionais da saúde, reconhecer e evitar atitudes etaristas; fomentar políticas públicas que garantam a inclusão social e a empregabilidade de pessoas idosas, estimulando uma mudança cultural”, enumera Isabela Azevedo.

Procurar ter uma longevidade saudável tem muito a ver com a forma como a pessoa vai envelhecer. Ela deve procurar fazer atividade física, ter alimentação saudável, sono adequado em todas as fases da vida, destaca a especialista. “Mas tudo isso começa antes. É a pessoa procurar ter um envelhecimento saudável. Tem muito a ver com essa forma de viver, como você vai passar os seus anos de vida.”

Indagada por que os jovens, especialmente, acreditam que a pessoa idosa não deve mais trabalhar, está “morta” para o amor e, inclusive, para o sexo, Isabela avalia que isso tem a ver com a educação, que é geracional. “Isso é muito ruim. A gente tem que trabalhar isso, fomentando a relação intergeracional, valorizando o convívio e a troca entre gerações.”


Brasília (DF), 26/03/2025 - O  Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos, Alexandre da Silva,  participa do lançamento de gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade em escola no Itapoã, região administrativa do Distrito Federal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos, Alexandre da Silva, diz que é preciso ensinar as crianças sobre a importância do envelhecer – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Outro ponto importante é desmistificar a ideia de que a velhice significa o fim da vida afetiva, do amor, da sexualidade. “A afetividade e o desejo fazem parte de todas as idades. O que muda são as formas de expressão e as prioridades. A gente precisa dessa mudança cultural de valorizar o envelhecimento como parte natural da trajetória humana.”

Para o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Alexandre da Silva, o enfrentamento ao etarismo passa pelos aspectos cultural e da educação.

“A criança que não tem essa visão positiva do envelhecer também vai falar mal do que é uma pessoa idosa”, diz o secretário, em entrevista à Agência Brasil. “O mesmo vai ocorrer com o adolescente e outras faixas etárias”, complementa.

História em quadrinhos

De acordo com a Ouvidoria do MDHC, as pessoas mais jovens são as que mais violentam os idosos, mas são também as que mais podem proteger. Por isso, a secretaria lançou a revista em quadrinhos Turma da Mônica em: Intergeracionalidade, que busca estabelecer um diálogo entre gerações, usando personagens idosos para falar de diversidade, respeito e etarismo.

“É uma forma de aproximar em que todo mundo ganha”, destaca Silva. “Somos uma sociedade constituída por vários povos, como os povos africanos e asiáticos, que têm uma cultura de respeito aos mais velhos.”

>> Acesse a versão digital da revista em quadrinhos

 


Brasília (DF), 26/03/2025 - O ministério dos Direitos Humanos e Instituto Maurício de Souza lançam gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade em escola no Itapoã, região administrativa do Distrito Federal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O gibi foi lançado em evento numa escola pública do Distrito Federal, em março deste ano. Participaram do lançamento a pensionista Varlinda Lisboa Leite, de 61 anos, e o seu neto, Arthur Digo, de 12 anos (foto principal), que moram juntos desde que o menino nasceu.

Na ocasião, Varlinda, que também foi criada pela avó, destacou a importância da troca de experiências com o quinto neto, mesmo com a diferença de idade de quase 40 anos. “Eu ensino muito o que os meus pais e minha avó me passaram. A ter respeito pelo próximo”, contou Varlinda.

A Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa desenvolve outras ações para essa parcela da população, como iniciativas educacionais voltadas ao combate ao analfabetismo.

“Nós estamos também criando uma ação junto ao Ministério da Educação visando à formação tecnológica para idosos e temos um programa chamado Viva Mais Cidadania, que está alinhado ao Artigo 5º da Convenção Interamericana, que fala das pessoas que estão em situações de vulnerabilidade. A gente já faz isso para vários grupos, como quilombolas, indígenas, pessoas ribeirinhas, refugiados, pessoas idosas LGBTQIA+. E já começa um pouquinho antes dos 60 anos”, informa o secretário Alexandre da Silva.



EBC

Projeto de Lei Antifacção: conheça os principais pontos da proposta


O projeto de Lei Antifacção, assinado pelo presidente Lula e que chegou ao Congresso Nacional, nesta sexta (31), em regime de urgência, traz novidades no combate ao crime organizado. A mensagem do Executivo foi publicada em edição extra, nesta noite, no Diário Oficial da União.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a proposta é uma prioridade do governo ao trazer mais força ao Estado para reprimir as organizações criminosas que exercem controle de territórios e atividades econômicas. 

Ao assinar o projeto, Lula argumentou que é necessário endurecer no combate às facções criminosas.

“Nós vamos mostrar como é que se enfrentam essas facções, que vivem de explorar o povo mais humilde desse país”, disse.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, acrescentou que o projeto vai ao encontro da sociedade brasileira e do Parlamento. O projeto prevê que os crimes das facções criminosas passariam a ser hediondos.

Confira os principais pontos do projeto que preveem aumento de pena: 

Homicídios cometidos por ordem ou em benefício de facções criminosas poderão levar a penas de 12 a 30 anos. 

As penas passam a ser mais duras, de 8 a 15 anos de prisão se a atuação da organização tiver como objetivo o controle de territórios ou atividades econômicas, mediante o uso de violência, coação ou ameaça. 

Haverá ainda aumento de pena se houver conexão com outras organizações, comprovação de transnacionalidade da organização, domínio territorial ou prisional pela organização criminosa, e também nos casos de morte ou lesão corporal de agente de segurança pública.

Outra demanda do projeto de lei é que haja fortalecimento dos instrumentos e aperfeiçoamentos de investigação e sejam ampliadas ferramentas legais para a responsabilização de integrantes de facções.

Entre as propostas, o projeto inclui: 

Prevê o uso de técnicas de investigação, com a possibilidade de infiltração de policiais e de colaboradores em facções. 

Juiz poderá determinar que provedores de internet, telefonia e empresas de tecnologia viabilizem acesso a dados de geolocalização em casos de ameaça à vida ou integridade de pessoas. 

Projeto autoriza que o Poder Executivo crie o Banco Nacional de Facções Criminosas.

Se facções estiverem infiltradas no Poder Público, estariam previstos os afastamentos de agente público, por decisão judicial, quando houver indícios de envolvimento com facção criminosa. 

Réu condenado por facção ficará impedido de contratar com Poder Público ou receber incentivos fiscais pelo prazo de 14 anos.

Outra providência do projeto é tentar estrangular o poder econômico das facções das seguintes formas:

Facilitar a apreensão de bens em favor da União e a intervenção judicial em empresas utilizadas para crimes e o bloqueio de operações financeiras;

Suspensão de contratos com o poder público.

Para reduzir o poder operacional das facções, o projeto prevê ainda:

Monitoramento dos encontros de membros de facções criminosas no parlatório. 

A administração de presídios poderá determinar a transferência de presos de facções criminosas entre estabelecimentos sem prévia autorização judicial nos casos de motim, rebelião ou outras situações de grave perturbação da ordem no estabelecimento prisional

O projeto que chegou ao Congresso prevê a cooperação policial internacional, a cargo da Polícia Federal, e inclui o setor privado na busca de provas e informações de interesse da investigação. 

Outra ação é aprimorar os mecanismos legais de intervenção na administração de pessoas jurídicas utilizadas para a prática de crimes por organizações criminosas.
Também, nesta sexta, Lula defendeu tramitação rápida no Congresso.  Ele ressalta que a proposta do Executivo garante instrumentos que blindam os órgãos públicos da atuação de membros desse tipo de organizações criminosas. 

 



EBC

Paixão pela profissão mantém médicos longevos na ativa


A paixão pela medicina é o que move três especialistas com mais de 80 anos que continuam na ativa, vencendo o preconceito daqueles que acreditam que uma pessoa nessa faixa etária deve ficar em casa e descansar.

Um desses profissionais é a nefrologista Deise de Boni Monteiro de Carvalho, de 85 anos, sendo 65 deles passados dentro de hospitais, trabalhando. Em entrevista à Agência Brasil, ela diz que não pensa em parar de trabalhar e que não sente preconceito no dia a dia.

“Eu trabalho o tempo inteiro e, na medida em que fui ficando mais longeva, eu sou até mais respeitada, mais solicitada. Não sinto preconceito não, nem por ser mulher, nem por ser velha. Ainda não pensei em deixar de trabalhar. Eu não sei fazer outra coisa também”, conta Deise, que é aposentada do Ministério da Saúde.


Brasília (DF), 30/10/2025 - Nefrologista Deise de Boni Monteiro de Carvalho. Foto: Deise de Boni/Arquivo pessoal

Nefrologista Deise de Boni Monteiro de Carvalho diz que não sente preconceito por ser mulher e pela idade – Foto: Deise de Boni/Arquivo pessoal

Uma das pioneiras no setor da nefrologia no país, Deise de Boni integrou a equipe que realizou o primeiro transplante renal feito em São Paulo, em 1965, no Hospital das Clínicas, e é uma das fundadoras da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Atualmente, é chefe dos serviços de Nefrologia dos hospitais São Vicente de Paulo (HSVP) e São Francisco na Providência de Deus (HSF), ambos na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, onde coordena a equipe de transplantes renais

O HSF é o principal centro transplantador renal do estado do Rio e o segundo maior do país. Sob sua coordenação, já foram realizados 2.751 transplantes renais na unidade, até o último dia 24, desde o início do serviço, em 2013. Com sua simpatia e dedicação, Deise já fez parte de momentos importantes na vida de seus pacientes, tendo comparecido, inclusive, ao casamento de um deles, no Acre.

Para as pessoas consideradas idosas, acima de 60 anos, ela aconselha: “Não pare de trabalhar. Seja útil. O trabalho me deixa ligada, você lida com gente de várias idades, com jovens”.

Atualmente, a equipe que Deise coordena é toda “pediátrica”, como ela mesma brinca. Ela considera esse fato muito positivo, porque são cabeças mais arejadas, e o intercâmbio é positivo. “Eu não sei se eles têm preconceito. Se têm, eles escondem”, diz a médica sorrindo.

Família longeva

O cirurgião cardíaco Henrique Murad, de 82 anos, segue trabalhando por uma razão principal:

“Gosto muito de trabalhar; gosto do que faço, apesar de ter muitos outros interesses. Gosto de cinema, de teatro, não vou mais jogar futebol porque não dá, mas eu gosto da vida e de trabalhar. É prazeroso”, diz.

Henrique Murad vem de uma família em que seu pai trabalhava muito. “Minha mulher trabalha muito; meus filhos trabalham muito. Faz parte da vida. Não é esforço nenhum. Foi assim que a gente foi educado e é assim que a gente continua.”

Na família dele, a bisavó morreu com 98 anos; o pai, com 94; e a mãe, que ainda nadava aos 87 anos, faleceu com 98 anos.

Em razão de um problema de saúde (estenose do canal medular), o médico resolveu parar de operar ao completar 80 anos e mudou de foco, dedicando-se a partir daí ao consultório, ao ensino e à editoria de uma revista médica.


Brasília (DF), 30/10/2025 - O cirurgião cardíaco Henrique Murad. Foto: Henrique Murad/Arquivo pessoal

Para o cirurgião cardíaco Henrique Murad, não se deve desprezar um profissional em função da idade, porque se perde muito conhecimento – Foto: Henrique Murad/Arquivo pessoal

Em entrevista à Agência Brasil, Murad cita diretriz da Sociedade Americana de Cirurgia Geral que orienta que o cirurgião idoso é muito importante pelo conhecimento adquirido e por poder passá-lo para outros profissionais, por isso é uma mão de obra que não deve ser dispensada. A regra, porém, tem que ser adaptada.

“Tem gente que está ótimo aos 95 anos e tem gente que, com 70, está horroroso. Por isso, não adianta fazer uma regra que vale para todos”, avalia.

Para Murad, não se deve desprezar um profissional em função da idade, porque se perde muito conhecimento. “Ela [a regra da Sociedade Americana de Cirurgia Geral] advoga que se avaliem as condições do médico. Se ele estiver bem, continua operando, continua trabalhando enquanto puder. Acho que essa é uma política boa.”

Referência brasileira na realização de cirurgias de aorta, Henrique Murad mantém-se ativo no serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP-RJ), que chefiou por 40 anos. “Trabalhar para mim não é esforço”, assegura ele, que responde por cerca de 5 mil cirurgias de coração durante sua trajetória profissional de quase 60 anos. É ainda imortal da Academia Nacional de Medicina (ANM). No próximo dia 9 de dezembro, ele falará exatamente sobre etarismo na medicina, durante a Jornada Médica do HSVP-RJ.

Mesma rotina há mais de duas décadas

Com 95 anos de idade, completados no último dia 28 de outubro, o cirurgião José Badim (à esquerda na foto principal) continua com a mesma rotina de quando fundou o hospital que leva seu sobrenome, há 24 anos. Ele acorda às 5h, toma café e vai para a unidade, situada na Tijuca, zona norte do Rio, onde atende pacientes em consultas e realiza cirurgias.

Indagado sobre o porquê de continuar trabalhando, Badim respondeu que, acima de tudo, por amor à profissão e ao ser humano.

“Me sinto maravilhosamente bem. Vou ao hospital todos os dias. Chego cedo, passo visita aos pacientes e ainda opero. Adoro essa rotina. Só vou parar se algo me impedir, uma doença. Enquanto estiver apto e com as mãos firmes, continuo.”

Para José Badim, o contato com o paciente exige muita dedicação e altruísmo e, mesmo com o conhecimento da técnica, o médico não pode descuidar da visão humanitária do cuidado. “Trabalho até hoje em razão de adorar fazer medicina. A medicina é um estímulo contínuo para mim. Ela me mantém vivo. Se eu pudesse voltar no tempo e optar novamente, faria a mesma escolha de vida, sem dúvida alguma.”


Brasília (DF), 30/10/2025 - O médico José Badim. Foto: José Badim/Arquivo pessoal

O médico José Badim diz que um profissional precisa estar sempre atualizado para ser respeitado – Foto: José Badim/Arquivo pessoal

Perguntado se já sofreu discriminação por continuar na ativa, apesar da idade, ele disse que um profissional precisa estar sempre atualizado para ser respeitado.

“Eu assisti e vivi todas as mudanças na medicina nos últimos 60 anos, e a evolução é brutal. Hoje, não fazemos nada sem a ajuda da tecnologia. Antes, o médico tinha que abrir o tórax; agora, fazemos dois ou três furos para tratar o mesmo problema e, no dia seguinte, o paciente vai embora para casa. Um avanço fantástico”, destaca.

“Essa evolução vem proporcionando melhor diagnóstico, melhor cura em mais curto prazo, maior economia, retorno à vida normal em menos tempo, melhor qualidade de vida. É fundamental buscar sempre a atualização técnica. A medicina evolui rapidamente, e o médico precisa estar receptivo à colaboração das novas tecnologias e dos novos tratamentos na sua prática médica”, acrescenta.

Para José Badim, o etarismo não o afeta de maneira nenhuma. “A longevidade depende do cirurgião. Normalmente, quando chega aos 60 ou 65 anos de idade, o homem começa a desenvolver um certo tremor nas mãos. Quando isso acontece com o cirurgião, ele resolve parar, porque isso é incompatível com a cirurgia”, diz.

“Com a mão firme, podendo fazer um corte limpo, o profissional não precisa se aposentar. É exatamente assim que me sinto: seguro para operar. E entro no centro cirúrgico com o maior prazer. Sou uma pessoa ativa demais para me aposentar. A mente trabalhando, ativa e estimulada pelas obrigações e responsabilidades, nos mantém vivos. Isso é um aspecto que deve contar muito para a aposentadoria”, complementa.

Formado em 1956 pela Faculdade Nacional de Medicina, José Badim especializou-se em cirurgia plástica e reconstrutiva pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, onde atuou por sete anos. Ele voltou ao Brasil em 1963, onde realizou dois procedimentos pioneiros no país: os primeiros implantes de mão e de couro cabeludo. O cirurgião ganhou notoriedade em 1972, ao atender as vítimas de uma explosão na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), realizando enxertos de pele humana nas pessoas que tiveram parte do corpo queimada no incêndio.



EBC

Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece


“Uma bomba invisível”. É assim que o professor José Claudio Sousa Alves, do departamento de ciências sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), descreve as consequências para a população de operações policiais como a Operação Contenção, considerada a maior e mais letal dos últimos anos no Rio de Janeiro.

A operação, realizada na última terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou ao menos 121 pessoas mortas, gerou pânico com tiroteios, fechamento de comércio, escolas e postos de saúde, com interdição das principais vias da cidade, rotas de transporte público alteradas e ônibus queimados. Corpos foram estendidos no meio da rua em meio a parentes e a toda uma comunidade horrorizada e em luto. As consequências seguirão sendo sentidas, adverte Alves.

“As pessoas ficam com diabetes, hipertensão, distúrbios emocionais, distúrbios mentais, não dormem, têm AVCs [acidente vascular cerebral], inúmeras complicações de saúde, problemas de visão, glaucoma. É uma bomba invisível”, diz o professor, que é referência em violência urbana e segurança pública.

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) tenta descrever esse cenário. O estudo comparou a situação de saúde de moradores de favelas expostas a um número maior de tiroteios envolvendo agentes do Estado com a de pessoas que vivem em comunidades mais tranquilas, com número menor de confrontos armados. 

A pesquisa mostrou, por exemplo, que o risco de moradores de favelas mais expostas a tiroteios desenvolverem depressão e ansiedade é mais que duas vezes maior que o daqueles de outras comunidades. A probabilidade também é maior de apresentar quadros de insônia (73%) e hipertensão arterial (42%). Um terço dos moradores dessas comunidades também relatou sudorese, falta de sono, tremor e falta de ar durante os tiroteios.

A dirigente sindical Raimunda de Jesus foi uma das pessoas que participou da manifestação contra a Operação Contenção, realizada no Complexo da Penha na última sexta-feira (31).

“A forma que aconteceu aqui não acontece na Zona Sul, nas áreas mais ricas, mas lá também tem bandidos. Nós, que moramos na periferia, somos discriminados. Mas o Estado não pode nos ver como inimigos. O Estado tem que tratar e cuidar do seu povo, de toda a sua população”, afirmou.

Liliane Santos Rodrigues, moradora do Complexo do Alemão, também compareceu ao ato. Ela perdeu o filho Gabriel Santos Vieira, de 17 anos, há apenas seis meses. O jovem estava na garupa de uma moto por aplicativo, a caminho do trabalho, quando foi baleado com cinco tiros durante uma perseguição policial. 

“Eu estou sentindo a dor dessas mães. Foi um baque muito grande ver que um rapaz foi morto no mesmo lugar em que o meu filho morreu. Tem três dias que eu não sei o que é dormir direito””

 


Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Complexos de favelas

De acordo com a Secretaria de Segurança do Rio Janeiro, os complexos do Alemão e da Penha são considerados o quartel general do Comando Vermelho, com lideranças de diversos estados

“Ali, é o lugar onde vários donos de morro, várias lideranças de firmas locais do tráfico de drogas acabam morando. Os poucos que se encontram em liberdade ─ a maioria das lideranças do tráfico no Rio de Janeiro já se encontram presas e lideram tráfico a partir da prisão ─ é muito comum que morem, que tenham casas dentro do Complexo da Penha, do Complexo Alemão, onde há uma contenção armada que oferece maior resistência. Ou seja, há mais tempo para se esconder, para fugir, para mudar de casa, desde o início de uma operação policial até o seu final”, diz a coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), Carolina Grillo.

Esses locais, no entanto, não se restringem à criminalidade. Ali vivem mais de 110 mil pessoas, que são diretamente impactadas por operações policiais. Operações como esta, mesmo com as 113 prisões realizadas, com as mortes e apreensões, não afetam a estrutura do Comando Vermelho, mas impactam enormemente a população, avalia a pesquisadora.

“Quem serão impactados serão as famílias, as pessoas assassinadas, serão os moradores daquele território que ficaram traumatizados para sempre”, diz.

 


Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – Atendimento aos familiares durante o reconhecimento dos corpos dos mortos na Operação Contenção no Instituto Médico Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Atendimento aos familiares durante o reconhecimento dos corpos dos mortos na Operação Contenção no Instituto Médico Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Comando Vermelho

A operação mirou no Comando Vermelho, organização criminosa que nasceu no sistema prisional do Rio de Janeiro no final dos anos 1970. “Ele está associado a condições do presídio no Caldeirão do Diabo, em Ilha Grande, a tortura, morte, tratamento absolutamente aviltante, como e não é diferente até os dias de hoje. O Comando Vermelho responde com uma capacidade organizativa que vai deslocar o crime do mundo do roubo a bancos para o mundo do tráfico de drogas, que é muito mais amplo e era uma forma organizativa. Esse Comando Vermelho, então, vem crescendo”, diz José Claudio Sousa Alves.

Segundo nota técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Comando Vermelho é apontado como a segunda maior organização criminosa do país, também presente em 24 estados e no Distrito Federal, além de manter conexões internacionais para o comércio de drogas e outras atividades.

Pesquisa do Geni e Instituto Fogo Cruzado mostrou que o Comando Vermelho foi a única facção criminosa a expandir seu controle territorial de 2022 para 2023 no Grande Rio. Com o aumento de 8,4%, a organização ultrapassou as milícias e passou a responder por 51,9% das áreas controladas por criminosos na região.

De acordo com o estudo, as milícias reduziram suas áreas em 19,3%, de 2022 para 2023, e passaram a responder por 38,9% dos territórios controlados por grupos criminosos. A pesquisa mostrou que o Comando Vermelho retomou a liderança de 242 km² que tinham sido perdidos para as milícias em 2021. Naquele ano, 46,5% das áreas sob controle criminoso pertenciam às milícias e 42,9% ao Comando Vermelho.

Os lugares onde a facção mais cresceu foram a Baixada Fluminense e o Leste Metropolitano. Já as milícias tiveram as maiores perdas na Baixada e na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Não à toa, o crime organizado se instala e prospera em territórios de população vulnerável. “Há uma oferta quase inesgotável de mão de obra para o trabalho criminoso, devido às muito precárias oportunidades oferecidas aos jovens no Brasil hoje em dia, devido às terríveis desigualdades sociais, que são estruturais no país”,  diz Carolina Grillo.

 


Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – Crianças brincam em praça da Vila Cruzeiro ao lado de barricadas que foram colocadas para conter avanço de policiais durante a Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Crianças brincam em praça da Vila Cruzeiro ao lado de barricadas que foram colocadas para conter avanço de policiais durante a Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

População é vítima

A forma de operar do Comando Vermelho também mudou ao longo do tempo, deixando de lucrar apenas com a venda de drogas. Segundo José Claudio Sousa Alves, isso se deu principalmente a partir do contato com o modus operandi das milícias no Rio de Janeiro, que exploram os moradores dos territórios controlados, cobrando serviços e taxas.

Apesar de a operação ter apreendido toneladas de drogas – o total ainda não foi precisado –, o próprio secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, reconheceu que a droga não é a principal fonte de financiamento do crime organizado.

“A droga hoje é cerca de 10% a 15% do faturamento das facções. Ela enxergou que o território é sinônimo de receita, de dinheiro, exploração econômica. Justamente explorando tudo que tem no interior dele: internet, gás, energia elétrica, água, construções irregulares, extorsão de comerciantes no interior de comunidade, de moradores e etc. Então, é isso que o comando vermelho quer, justamente, explorar economicamente o território”, disse o secretário.

Combate ao crime 

Tanto José Claudio Sousa Alves quanto Carolina Grillo defendem que as operações policiais não são a forma mais efetiva de combater o crime organizado. Para eles, a prova disso é que mesmo com as operações realizadas ao longo dos últimos anos, o crime organizado não perdeu território.

Segundo o estudo do Geni e Fogo Cruzado, 3.603.440 moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro estão em territórios sob domínio de milícias (29,2%). O Comando Vermelho tem hegemonia em uma área habitada por 2.981.982 moradores (24,2%); seguido do Terceiro Comando, com 445.626 (3,6%) e Amigo dos Amigos, com 48.232 (0,4%). Pouco mais de 4,4 milhões de fluminenses residem em bairros que ainda são alvo de disputa (36,2%). 

“Existem outros elos estratégicos, cujo combate se dá de uma forma não violenta. Operações que desmantelaram estruturas, braços financeiros do PCC [Primeiro Comando da Capital], foram deflagradas sem nenhum tiro fosse disparado”, diz Carolina Grillo, citando a operação Carbono Oculto como exemplo.

Outro exemplo dado foi a operação deflagrada pela Polícia Federal que desarticulou, no Rio de Janeiro, uma organização criminosa especializada na produção, montagem e comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito.

“Tem um efeito de desarmamento do crime organizado muito maior do que essas ações centradas no confronto, que têm um impacto gigantesco para a sociedade, traumatizam as crianças, vulnerabilizam uma série de famílias que ficam impedidas de trabalhar, impedidas de levar seus filhos para escola, submetidas a traumas irreparáveis, sem que nenhum resultado positivo de libertação dessas famílias em relação ao julgo desses grupos armados possa ser desfrutado”, diz a pesquisadora.

José Claudio Sousa Alves complementa: “Para onde vai essa grana toda do tráfico? Quem tá operando? É o pé de chinelo lá do Alemão? É o pobre vendedor no varejo? Para onde vai essa grana toda? Tá com ele mesmo? Não tá. É óbvio que não. Você tem estruturas muito mais amplas. Você tem estrutura internacional, hoje, do tráfico. Há condições de investigar. A Carbono Oculto nos mostra que isso é possível”, diz. 

Outra linha de atuação possível é ofertar oportunidades às populações de favelas e áreas vulneráveis, sobretudo aos jovens, para que não integrem o crime organizado e fortaleçam as facções. “Não há propostas nem do atual governo, muito menos dos anteriores, em relação a essa massa de pessoas que não conseguem acessar mercado de trabalho, estão cada vez mais precarizados, há uma população que vive sem salário”, diz o professor.

Carolina Grillo destaca a importância do Pronasci Juventude, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem por objetivo prevenir as violências e a criminalidade associadas aos mercados ilegais de drogas. Os jovens recebem apoio para estudos, capacitação e inserção no mercado de trabalho.

*Colaborou Tâmara Freire.



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