Governo lança fórum para fortalecer políticas de saúde da mulher


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, lançaram nesta terça-feira (28), em Brasília, o Fórum de Mulheres na Saúde.

O espaço será de debate permanente e de construção coletiva de políticas públicas voltadas às mulheres por meio da participação social no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa tem o objetivo de promover a saúde integral das mulheres.

O Ministério da Saúde destaca que a criação do fórum reforça o compromisso do governo federal com a equidade de gênero e com a valorização da presença feminina no SUS.

Na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a saúde da mulher é prioridade da pasta.

“Quem mais usa o SUS são as mulheres, seja para fazer o seu cuidado próprio ou, muitas vezes, para acompanhar o filho, o marido, pai, o avô. Elas são a maioria dos profissionais [de saúde] também. No SUS, 75% dos profissionais são mulheres. Na saúde, como um todo, na saúde pública e privada, 65% são mulheres. Então, tem que ser uma prioridade absoluta.”

 


Brasília (DF), 28/10/2025 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante o lançamento do Fórum de Mulheres na Saúde, espaço permanente para debater e fortalecer políticas públicas de saúde para as mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante o lançamento do Fórum de Mulheres na Saúde – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A iniciativa tem o objetivo de garantir que as políticas públicas atendam às reais necessidades das mulheres brasileiras. Por isso, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a criação do fórum, com a representação de diversos segmentos sociais, pode contribuir para a construção de políticas públicas voltadas às mulheres.

“Nós temos nos estados e nos municípios grupos, movimentos, entidades, autoridades públicas ou lideranças públicas e comunitárias que conhecem a realidade local e que têm respostas para ela.”

Apoiadoras

Presente ao evento, a esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin, Lu Alckmin, destacou a importância do processo “de escuta e diálogo para valorizar as vozes femininas”.

A ativista, empresária e ex-modelo Luiza Brunet definiu o fórum como um importante canal de comunicação com ministros, deputados e outras pessoas que podem contribuir para validar as vozes das mulheres.

“Além de tomar conta das nossas mulheres, temos também que educar os maridos para que eles possam confiar nas suas mulheres, para que elas possam ter uma saúde mental e física compatível com que a gente precisa. Porque, quando a mulher é cuidada, ela é uma mulher que sofre menos violência.”

A assistente social Elisandra Martins de Freitas, conhecida como MC Lis da Batalha das Gurias, representante do movimento hip-hop, reivindicou atenção à saúde mental e que sejam consideradas as sugestões dos movimentos sociais já existentes.

“A gente não precisa reinventar a roda para encontrar as potencialidades do território. Uma sugestão para o fórum é buscar saber quais são os movimentos que já acontecem no território e que são oportunos para poder somar em todo esse processo”, sugeriu.

A representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) no Distrito Federal, Aline Sousa, destacou que 80% da força de trabalho do setor são compostos por mulheres e que 72% delas são negras.

Ela citou a importância da reciclagem de materiais para a saúde pública e avaliou que o segmento tem muito a contribuir no novo fórum. “Muitas vezes, os catadores não têm essa consciência porque estamos atrás apenas da sobrevivência. Mas a gente sabe, tem as novas gerações de catadores e vão conscientizando as antigas sobre o nosso impacto, que é bem maior do que garantir a renda.”

Fórum de Mulheres na Saúde

Coordenado pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Mulheres, o Fórum de Mulheres na Saúde terá caráter consultivo e propositivo.

Serão debatidos temas relacionados à saúde das mulheres, como saúde sexual e reprodutiva, atenção ao parto e pós-parto, menopausa, saúde menstrual, violência de gênero, saúde mental e prevenção do câncer.

A primeira reunião está marcada para janeiro de 2026.

Saúde da mulher

A secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, listou um conjunto de ações do governo federal para promoção dos direitos das mulheres e ampliação do acesso à saúde.

Entre elas, o Programa Dignidade Menstrual, criado em 2024, que já beneficia 3,7 milhões de mulheres e meninas com a distribuição gratuita de 392 milhões de absorventes higiênicos, em um investimento superior a R$ 195 milhões.

Outras políticas estratégicas citadas incluem a Rede Alyne, que destina R$ 1,2 bilhão à atenção materna e infantil, e os espaços conhecidos como Sala Lilás, voltados ao acolhimento de mulheres vítimas de violência.



EBC

Castro quer transferir 10 detentos do Rio para presídios federais| Agência Brasil


O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pediu nesta terça-feira (28) à Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senapen), órgão do Ministério da Justiça, a transferência de 10 detentos presos em penitenciárias do Rio para presídios federais. 

Eles teriam liderado de dentro da cadeia às ações que culminaram com o caos na cidade, determinando o bloqueio de pistas, com o sequestro de ônibus em vários pontos da cidade.

Mais cedo, Castro falou com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffman, e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre a operação realizada hoje nos Complexos do Alemão e da Penha.  

A Operação Contenção resultou em 64 mortos, entre eles, quatro policiais, além de 15 policiais civis e militares feridos. Foram apreendidos 93 fuzis, além de 86 prisões de suspeitos. 

Castro disse que sempre foi muito bem recebido pela ministra Gleisi e o ministro Rui Costa. “Me ofereceu ajuda do governo federal e ficamos de nos falar novamente agora à noite”.

O governador disse que antes vai conversar com o secretário de Segurança do Rio, Victor dos Santos para falar novamente com Rui Costa. 

“Ficamos de nos falar mais uma vez para entender os passos de amanhã [29]. Eu não acredito que segurança se faz politizando. Então qualquer ajuda que o governo federal quiser dar dentro do que a gente necessita, será bem-vinda”.

Castro disse que não houve precipitação na ação de hoje, com a reação dos criminosos. O governador disse que a ação foi para cumprir mandados judiciais e uma investigação de mais de um ano que estava sendo planejada há 60 dias, inclusive com a presença do Ministério Público estadual. Todos os preceitos da ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental] foram cumpridos e nós sabíamos que poderia ter reação dos criminosos da região”.

A operação ainda não terminou. Na noite de hoje, agentes do Bope trocavam tiros com criminosos na área de mata na localidade conhecida como Vacaria, no Complexo do Alemão. 

A Rio Ônibus informou que 71 coletivos foram uados como barricadas em vários pontos da cidade ao longo do dia para impedir as ações das forças de segurança do Estado.



EBC

Diretor de O Agente Secreto quer que filme seja descoberto por jovens


Nesta terça-feira (29), o filme brasileiro O Agente Secreto recebeu indicações ao Gotham Film Awards, premiação que reconhece o cinema independente. O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho foi indicado a roteiro original e também de melhor atuação para Wagner Moura.

As indicações se somam a uma lista de prêmios que o filme, que estreia no Brasil no dia 6 de novembro, já vem trilhando e conquistando em solo internacional. Em maio, ele recebeu os prêmios de melhor direção e de melhor ator no Festival de Cannes, uma das premiações mais importantes do cinema mundial.

A expectativa é que o longa, que foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para ser o representante do Brasil no Oscar do próximo ano, possa repetir o feito de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que neste ano foi escolhido como o melhor filme internacional da maior premiação do cinema.

Mas isso ainda é um longo percurso, admitiu Wagner Moura, em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje (28) na capital paulista.

“A gente está fazendo tudo direito, mas eu acho que a gente tem que ter calma e respirar. Mas quando começa a ter essas indicações de outras premiações como o Gotham, aí eu começo a dizer que a gente tem um caminho que está parecendo mais real do que há duas semanas”, disse.

Enquanto essa indicação não chega, o maior objetivo do diretor Kleber Mendonça é conquistar o público brasileiro e atrai-lo para os cinemas, principalmente os mais jovens.

“Quero que o filme seja visto por um público grande no Brasil, mas eu tenho um desejo muito especial de que esse filme seja descoberto por gente muito jovem – como estudantes, meninos e meninas – que vão ao cinema e veem um filme brasileiro que conta a história brasileira. Talvez esses jovens possam descobrir alguma coisa nova, algum ponto de vista interessante sobre o nosso país”, ressaltou o diretor.

Escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto conta a história de Marcelo, interpretado por Moura, um homem que retorna a Recife em busca do filho e para fugir de um passado misterioso. O filme é todo ambientado nos anos 70, durante a ditadura militar.

E esse é um dos períodos da história do Brasil que o diretor espera que a juventude conheça ainda mais.

“Eu saí de uma sessão do filme Ainda Estou Aqui, no Recife, e na minha frente saíram duas meninas muito jovens que falaram uma para outra que não sabiam que o regime militar tinha sido tão ruim daquele jeito. Então, eu acho que são pequenas informações, pequenos sentimentos, que um filme, principalmente um filme brasileiro, pode trazer sobre o nosso país”, afirmou.

Memória

O Agente Secreto começa com um retorno ao passado, uma busca por memórias e entendimentos. Mostra não somente o retorno de Marcelo para sua família e sua casa, como também apresenta um momento histórico do país que, segundo o diretor, sempre se tenta apagar, mas que continua a provocar traumas e violências constantes.

“O Brasil é um país que tem algumas questões com memória, é um país que tende a esquecer de muita coisa. Eu acho que o cinema é um instrumento muito bom, porque ele é um bom filme, prende a sua atenção, te diverte e te mantém entretido, mas ele também pode ter uma carga de informação de verdade sobre o lugar onde a gente mora”.

Para o intérprete de Marcelo, a busca por essas memórias é uma característica não somente de O Agente Secreto, mas do cinema nacional, como um todo.

“A memória é importante, porque se a gente não tivesse, por exemplo, a Lei da Anistia, que foi uma lei que apagou a memória do Brasil, a gente não teria tido o presidente que a gente teve, esse que foi condenado [Jair Bolsonaro]. A memória é uma coisa importante e não só para a cultura e o cinema, mas o jornalismo, a universidade, a sociedade como um todo, têm a função de preservar a nossa memória para que cresçamos como país”, completou o ator.



EBC

Mega-sena acumula e prêmio principal vai para R$ 7 milhões


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.933 da Mega-Sena, realizado nesta terça-feira (28). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 7 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 01 – 18 – 22 – 42 – 48 – 50

  • 12 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 85.025,66 cada
  • 1.231 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.366,22 cada

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Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de quinta-feira (30), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.




EBC

“Entrei na estação para fugir dos tiros”, conta moradora do Rio


Moradores do Rio de Janeiro viveram momentos de pânico e medo nesta terça-feira (28) diante da operação policial nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 60 mortos e 80 presos. Milhares enfrentaram dificuldades para conseguir chegar em casa, devido aos bloqueios das vias da cidade, além de terem de fugir dos tiroteios.

As estações de metrô e os pontos de ônibus ficaram lotados durante a tarde. Segundo a PM, criminosos da facção Comando Vermelho receberam ordens para fechar as principais vias da cidade.

Tiroteio 

A professora Marise Flor conta que ficou no meio de um tiroteio ao pegar um ônibus de volta para casa. O filho chegou a tentar buscá-la de carro, mas não conseguiu passar pelos bloqueios. Ela precisou descer na estação Outeiro Santo, no corredor Transolímpica, em Jacarepaguá, na zona oeste por causa das barricadas, montadas pelas facções criminosas.

Segundo ela, os policiais militares chegaram e atiraram para dispersar os moradores que insistiam em permanecer no local. Neste momento, Marise Flor voltou para dentro da estação para fugir dos tiros.

“Entrei na estação de volta por baixo da roleta para me esconder dos tiros”.

A professora tentou pegar um carro de aplicativo. “Só depois consegui sair da estação. Meu filho conseguiu me pegar e cheguei em casa”.

Ela conta que a situação de desespero provocou dor no estômago. “Em seguida, desabei. Tive uma crise de choro”.

Barricadas

A atendente de um quiosque de sorvete em um supermercado no Engenho Novo, Mariana Colbert, de 24 anos e grávida de 4 meses, conta que às 8h30 as ruas onde vive, no Engenho da Rainha, já estavam fechadas.

De acordo com a jovem, três ônibus estavam atravessados na pista. Mais de 50 ônibus foram utilizados como barricadas no Rio de Janeiro.

Ela teve de caminhar até Inhaúma para pegar um ônibus em direção ao trabalho. Mariana Colbert conta que o motorista mudou o itinerário para evitar passar na comunidade comandada pela facção Comando Vermelho, alvo da megaoperação policial.

“Levei uma hora para chegar ao trabalho, mas ainda consegui chegar. Muita gente não foi trabalhar, muitas lojas ficaram fechadas. Quando deu 16h fui liberada. Peguei um Uber, que estava mais caro, mas consegui chegar rápido em casa. Quando voltei [para casa], a pista já estava liberada e tinha muita polícia nas ruas”, relata. 

Operação Contenção 

O Rio de Janeiro passa pela maior operação de segurança em 15 anos, de acordo com o governo do estado. 

Ao todo, 2,5 mil policiais civis e militares foram mobilizados em ações nos complexos do Alemão e da Penha. O objetivo é capturar lideranças criminosas e conter a expansão territorial do Comando Vermelho. 

A operação, que deixa pelo menos 64 mortos é também a mais letal, superando o número de mortos da operação no Jacarezinho, que provocou 28 mortes, em 2021. 



EBC

Ministros farão reunião de emergência com Castro nesta quarta-feira


Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) farão uma reunião de emergência com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nesta quarta-feira (30). 

A operação Contenção, realizada nesta terç-feira (29), nos complexos do Alemão e da Penha, deixou pelo menos 64 pessoas mortas e é considerada a mais letal do Rio de Janeiro.

Além disso, Rui Costa atendeu ao pedido do governador do Rio de Janeiro para transferência de 10 detentos para presídios federais. 

Esses homens teriam liderado de dentro da cadeia ações que culminaram com o caos na cidade, incluindo bloqueio de pistas e sequestro de ônibus em diferentes pontos da capital fluminense.

Reunião avaliou desdobramentos

O governo federal acrescentou, em nota, que, uma reunião na Casa Civil com a presença do então presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e dos ministros Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Jorge Messias (AGU), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania), Sidônio Palmeira (Comunicação) e do secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos, avaliaram os desdobramentos da operação no Rio de Janeiro.

“Durante a reunião, as forças policiais e militares federais reiteraram que não houve qualquer consulta ou pedido de apoio, por parte do governo estadual do Rio de Janeiro, para realização da operação”, informou o governo.

Também nesta tarde, o ministro Ricardo Lewandowski havia indicado não ter recebido pedido do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para apoio à Operação Contenção.

 



EBC

Ação no RJ é cortina de fumaça e expõe população, dizem especialistas| Agência Brasil


Um dia de terror para os mais de 150 mil habitantes dos complexos da Penha e do Alemão, que passaram horas debaixo de tiros e explosões em uma operação policial que afetou também todos aqueles que precisaram transitar pelas principais vias da cidade, em diversos bairros da capital fluminense, que ainda não acabou.

A Operação Contenção que se estendeu por toda esta terça-feira (28), deixou pelo menos 64 pessoas mortas – incluindo quatro policiais -, interrompeu o trânsito das principais vias da cidade, fechou escolas, postos de saúde e estabelecimentos comerciais. Segundo o governo do estado, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos, além de pistolas e granadas. Trata-se da maior operação dos últimos 15 anos e também da mais letal de toda a história do estado.

Para especialistas, a operação gerou um grande impacto na capital fluminense e não atingiu o objetivo de conter o crime organizado, pelo contrário, ações como esta apenas fortalecem a violência.

“Essa lógica de medir força armada bélica com estruturas do tráfico sempre resultaram em mortes cada vez maiores, em sofrimento cada vez mais intenso, perda de acesso a serviços públicos, perda de mobilidade urbana, os mais frágeis sempre vão sofrer muito mais. A economia é afetada diretamente e o problema nunca foi sequer arranhado”, diz o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), José Cláudio Souza Alves.

Segundo o professor, combater o crime organizado exige outras estratégias, inclusive oferecer oportunidades e qualidade de vida a população em situação de vulnerabilidade.

“Criar novas formas de interceptar, de investigar, de seguir dinheiro, de prender pessoas, de colocar limitações nesse funcionamento, de dar alternativa real para essa população. Você tem que disputar palma a palmo nesses territórios, essas populações que são facilmente convencidas pela grana da droga, da arma, pela grana dos ilegalismos, dos golpes. Se não pensarmos isso, a gente está absolutamente comprometido, não vamos conseguir”, defende.  

“Isso tudo que vocês estão vendo aí hoje, arrebentando no Rio de Janeiro todo, é apenas uma imensa e gigantesca cortina de fumaça, um rolo gigantesco de fumaça cegando a todos”, diz, Alves. 

Lambança político-operacional

Em entrevista ao programa Revista Rio, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, classificou a operação como amadora e uma “lambança político-operacional”.

Segundo ela, foram cometidos erros táticos que vão ao encontro do que está previsto nas próprias instruções normativas de segurança pública.

“Para colocar 2,5 mil policiais, tem que fazer uma previsão de 7,5 mil a 10 mil policiais, porque tem três turnos de trabalho e escala. Isso quer dizer que para fazer esta operação, que eu chamei de uma lambança político-operacional do governador Castro, teve que se retirar o policiamento de 3 milhões a 5 milhões de pessoas na região metropolitana”, diz. “De um lado, esquentou-se a chapa numa área crítica, não reduziu a capacidade operacional do crime, por outro, viabilizou a morte de policiais, o ferimento de policiais, de cidadãos sem que isso significasse um avanço sobre o crime organizado”.

Ela acrescenta:

“Isso é muito sério porque põe em risco a vida dos policiais, põe em risco a vida da população, inviabiliza a circulação de pessoas, de mercadorias. Nós estamos produzindo fechamento da Linha Amarela, da Linha Vermelha, da Avenida Brasil, dando um nó em toda a região metropolitana. Ou seja, esquentando a chapa e multiplicando a insegurança”, diz.

 

Ela explicou que a operação tinha razão para existir, mas foi mal concebida. “A finalidade dela foi politiqueira, pondo em risco a vida dos agentes da lei, da população, com resultados que não se sustentam diante da doutrina de operações policiais, que fique claro, porque há critérios técnicos sim, polícia não é amadorismo, a polícia é profissão”.

Avanço do crime organizado

O objetivo da operação, de acordo com o governo do estado era cumprir mandados de prisão e conter a expansão territorial do Comando Vermelho. A ação conjunta mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares, com a participação do Ministério Público.

Segundo pesquisa divulgada no ano passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado, o Comando Vermelho foi a única facção criminosa a expandir seu controle territorial de 2022 para 2023, no Grande Rio. Com o aumento de 8,4%, a organização ultrapassou as milícias e passou a responder por 51,9% das áreas controladas por criminosos na região. 

A pesquisa mostrou que o Comando Vermelho retomou a liderança de 242 km² que tinham sido perdidos para as milícias em 2021. Naquele ano, 46,5% das áreas sob controle criminoso pertenciam às milícias e 42,9% ao Comando Vermelho.

População na linha de tiro

Para o Instituto Fogo Cruzado, instituição que produz dados e informações sobre violência armada, e que copilou informações sobre a Operação Contenção, ações como esta não combatem de fato o crime organizado.

“Combater o crime organizado exige outra lógica. É preciso atacar fluxos financeiros, investigar lavagem de dinheiro, fortalecer corregedorias independentes e combater a corrupção dentro do Estado. Tudo que o Rio de Janeiro não faz há décadas”, afirmou em nota.

 

“As polícias do Rio começaram o dia com a Operação Contenção e o que se viu foi parte expressiva da população na linha de tiro e uma cidade inteira parada. Este é o planejamento do governo do estado? Operações como essa mostram a incapacidade do governo estadual de fazer política pública de segurança pública”, explicou a organização.

 O Instituto reforça que esta é a maior chacina policial já registrada na história do estado do Rio de Janeiro, superando as tragédias do Jacarezinho (2021) com 28 mortos, e da Vila Cruzeiro (2022) com 24 mortos, chacinas policiais que também ocorreram no governo de Cláudio Castro. 

 



EBC

Favelas e ONGS sobre mortes no Rio: “segurança não se faz com sangue”


Barricadas e fogo nas ruas. Vias bloqueadas. Impactos nos transportes, escolas, universidades e unidades de saúde. O Rio de Janeiro vive uma terça-feira (28) violenta desde o início da Operação Contenção que mobiliza 2,5 mil policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo o governo do estado, o objetivo é realizar prisões e conter o avanço da facção criminosa Comando Vermelho.

>> MPF e DPU cobram explicações ao governo do Rio sobre operação

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>> Lewandowski diz que não recebeu pedido de apoio à operação no Rio

Movimentos de favelas reforçam, porém, que é preciso dimensionar os efeitos desiguais que as ações policiais provocam nos territórios periféricos. Para o diretor da Iniciativa Direto à Memória e Justiça Racial e militante do movimento de favelas, Fransérgio Goulart, o que se vê é uma guerra dentro de territórios negros e pobres.

“Chama a atenção os corpos negros algemados. Os corpos jogados pelo chão da favela, fora os desaparecidos no entorno da mata. A polícia não age da mesma forma na Zona Sul. Agora mesmo, passei de ônibus pela região, e a praia estava cheia. Nos territórios pretos, a polícia age historicamente de outra forma”, diz Fransérgio.

No início da noite, o registro era de 64 pessoas mortas em decorrência da operação policial, entre civis e militares –  oque faz com que a operação seja a mais letal já realizada no estado. O número, no entanto, pode ser bem maior.

“O que eu mais estranho é a própria grande mídia entrar nesse discurso de dar muito peso ao fato de os mortos serem bandidos ou não, nessa dualidade simplista. A gente teve, pelo menos, 64 pessoas mortas por causa de uma operação policial. Isso no mundo inteiro iria causar um impacto, uma comoção, uma sensibilização. E o governador está passando ileso. A política de segurança pública dele executou 64 pessoas”, complementa.

Fransérgio também critica o alto montante do orçamento público destinado às ações de confronto da polícia.

“O orçamento público previsto para as polícias no estado do Rio de Janeiro em 2026 é de R$ 19 bilhões. E esses recursos servem a uma política de produção de morte. Não para pensar uma polícia de inteligência, de menos confrontos. Qual o custo dessa operação policial para os cofres públicos, diretos e indiretos? Quais os custos de uma cidade parada, do caos que foi gerado?”, questiona.

 


Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Durante operação policia contra o Comando Vermelho, filas nos pontos de ônibus e vans de transporte complementar na região da Central do Brasil, com trabalhadores sendo liberados mais cedo pela situação de violência. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Passageiros tentam embarcar para voltar para casa em dia de caos nos transportes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Morte como política pública

Uma nota conjunta de 27 organizações da sociedade civil critica a operação que é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Antes dela, a operação de 2021 no Jacarezinho deixou 27 civis mortos.

Segundo as organizações, “segurança pública não se faz com sangue” e os resultados da operação desta terça-feira expõem “o fracasso e a violência estrutural da política de segurança no estado”.

O texto diz ainda que, ao longo dos quase 40 anos de vigência da Constituição Federal, as favelas fluminenses têm visto a consolidação de uma política de segurança baseada no uso da força e da morte, travestida de “guerra” ou “resistência à criminalidade”. As ações seriam atuação seletiva, dirigida contra populações negras e empobrecidas.

Além de não haver sinais de que as ações reduzam o poder das facções criminosas, geram insegurança e medo na população e interrompem o cotidianos de milhares de famílias. A morte não pode ser tratada como política pública, dizem as entidades.

“O que se testemunha hoje é o colapso de qualquer compromisso com a legalidade e os direitos humanos: o Estado substitui a segurança pública baseada em direitos por ações militares de grande escala. Sob o pretexto da ‘guerra às drogas’, instala-se um estado de insegurança permanente, voltado contra a população negra e pobre das favelas. Não há justificativa para que uma política estatal, supostamente voltada à proteção da sociedade, continue a ser conduzida a partir do derramamento de sangue”, diz trecho do comunicado.

Assinam o texto, as entidades Anistia Internacional Brasil, Justiça Global, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania — CESeC, Conectas Direitos Humanos, Centro pela Justiça e o Direito Internacional — CEJIL, Instituto Papo Reto do Complexo do Alemão, Redes da Maré, Instituto de Estudos da Religião — ISER, Observatório de Favelas, Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP), Movimento Unidos dos Camelôs, Grupo Tortura Nunca Mais — RJ, Fórum Popular de Segurança Pública do Rio de Janeiro, CIDADES – Núcleo de Pesquisa Urbana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Defensores de Direitos Humanos — DDH, Iniciativa Direito Memória e Justiça Racial, Frente Estadual pelo Desencarceramento — RJ, Instituto Terra Trabalho e Cidadania — ITTC, Associação de Amigos/as e Familiares de Pessoas Presas e Internos/as da Fundação Casa — Amparar, Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares — GAJOP, Instituto Sou da Paz, Rede Justiça Criminal, Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional — FASE RJ, Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares — RENAP RJ, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Casa Fluminense e Plataforma Justa.

O governador do Rio de Janeiro defendeu a operação afirmando que se for necessário vai exceder os limites e as competências do governo estadual para manter “a nossa missão de servir e proteger nosso povo”. Ao justificar a operação, o governador cobrou mais apoio federal no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no estado e em outras partes do território brasileiro. Segundo Castro, o estado está atuando “sozinho nesta guerra”.



EBC

Bolsa volta a bater recorde e dólar cai para R$ 5,36


Em mais um dia de euforia no mercado financeiro, a bolsa voltou a bater recorde e aproximou-se da marca de 148 mil pontos. O dólar caiu pela segunda vez consecutiva e atingiu o menor valor desde o início do mês.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta terça-feira (28) aos 147.429 pontos, com alta de 0,31%. Embora tenha superado momentaneamente a marca dos 147 mil pontos nos dois últimos pregões, essa foi a primeira vez em que o Ibovespa fechou o dia acima desse nível.

O câmbio voltou a ter um dia de alívio. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,36, com recuo de R$ 0,01 (-0,19%). A cotação subiu durante a manhã, encostando em R$ 5,39 nos primeiros minutos de negociação, mas reverteu o movimento e passou a cair durante a tarde. Na mínima do dia, por volta das 15h20, chegou a R$ 5,35.

A moeda estadunidense está no valor mais baixo desde 8 de outubro. A divisa sobe 0,69% em outubro, mas cai 13,25% em 2025.

A expectativa de um novo corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) na reunião desta quarta-feira (29) animou os investidores. Além disso, a confirmação do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para quinta-feira (30) na Coreia do Sul, ajudou a diminuir as tensões comerciais entre as duas maiores economias do planeta.

*Com informações da Reuters



EBC

Jornalistas de SP processam União e Estado por crimes da ditadura


“A ditadura militar tem que ser responsabilizada”, afirmou Thiago Tanji, na manhã desta terça-feira (28), na sede do Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo, ao anunciar que a entidade entrou com um processo judicial contra a União e o governo do estado pelos crimes cometidos contra a categoria durante o período da ditadura.

Os crimes são, no geral, violações dos direitos humanos de profissionais da área e incluem censura, sequestro, tortura e morte. A iniciativa faz parte das ações pelos 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, morto no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo.

Durante a coletiva, Tanji afirmou que é papel do sindicato defender a categoria em todas as faces. “O sindicato luta pelo livre exercício da nossa profissão, para que ela seja feita sem constrangimento, sem ameaças, sem ataques, sem tortura”. Para ele é preciso que haja esforço para que a responsabilização dos culpados aconteça também hoje em dia, no presente.

Tiago lembra que o sindicato dos jornalistas processou, em 2021, Jair Bolsonaro, então presidente da República, por danos morais coletivos à categoria. “E estamos entrando agora com esta ação contra a União e contra o governo do Estado de São Paulo por todas as violações que aconteceram contra jornalistas durante a ditadura militar”.

Para ele, o caso de Herzog é “emblemático” e é um ponto de virada no combate à ditadura, mas não é o único.

“Herzog foi apenas uma das vítimas da nossa categoria no período. Temos casos de prisões, de tortura, de assassinato, de censura. É possível que muitos jornalistas do estado de São Paulo tenham tido sua profissão duramente afetada por conta da ditadura”.

Rafael Maia, advogado e coordenador jurídico do sindicato explicou que a ação é coletiva e visa beneficiar toda a categoria, mesmo 50 anos depois. “O tempo é necessário para que todas as instituições estejam preparadas para este tipo de situação”. O processo inclui também o Estado de São Paulo porque, segundo Maia, agentes da polícia civil e militar “participaram junto com a União de atos de tortura, prisões e as instalações do Estado de SP foram utilizadas, como o DOPS”.

O advogado diz ainda que a indenização é simbólica e que não é voltada para os jornalistas ou mesmo para o sindicato. “Estamos solicitando à Justiça que reverta esta indenização para o Instituto Vladimir Herzog, que não tem fins lucrativos e que luta pelos direitos humanos e pela democracia”.

Na ação também há outros pedidos que são “de obrigação de fazer” e inclui-se aí uma solicitação para que não se repita o que aconteceu no passado. Assim, há o pedido de uma “reforma institucional nos cursos de formação dos agentes de segurança da União e do Estado, para que entendam a importância do jornalismo e da liberdade de imprensa para a democracia”.



EBC