Exposição imersiva revela memória do povo Mura, originário da Amazônia


A exposição “Amazônia Imersiva: narrativas indígens”, aberta nessa segunda-feira (27) no Centro de Realidade Estendida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), mostra a história e vivências do povo indígena Mura, originário da Amazônia. O projeto é gratuito e foi idealizado por Humberto Salgueiro, ex-aluno da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com criação dos alumnis da instituição de ensino, os músicos e irmãos Darlison e Lucas Meireles, descendentes do povo Mura que vivem no norte do Paraná.

A exposição poderá ser visitada até o dia 11 de novembro.

“A gente uniu esse intercâmbio cultural de trazer lá do norte do estado a história do povo Mura, aqui para Curitiba”, disse Salgueiro à Agência Brasil. “A gente tem sessões o dia inteiro, das 9h às 21h”.

Quem quiser participar dessa experiência deve acessar o site oficial do evento e agendar a data e o horário da sessão. A classificação etária é livre.


Rio de Janeiro (RJ), 27/10/2025 - Exposição Amazônia Imersiva. Foto: Humberto Salgueiro/Divulgação

Exposição Amazônia Imersiva – Foto Humberto Salgueiro/Divulgação

A realização é da produtora Click Arte Cultura e Educativos e do coletivo Puxirum, que significa trabalho coletivo, na língua Mura.

“O nome Puxirum que a gente traz no projeto é sobre um mutirão, um coletivo. A gente traz essa história, passada de gerações a gerações, porque é uma herança do povo Mura”. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc de Incentivo à Cultura. ‘É um projeto financiado pelo estado do Paraná”.

Tecnologia imersiva

A exposição reúne a tecnologia imersiva junto com os conhecimentos dos irmãos Meireles, projeção 360º, cenografia e iluminação especiais “e também cheiros da floresta”, destacou Humberto Salgueiro.

“Então, a gente trouxe essa experiência sensorial de várias formas”. A iluminação interage com o som. “A gente monta a floresta, tem a cenografia das plantas. A iluminação começa diurna”.

Com isso, os sons vêm do teto, das paredes; ouvem-se cantos de pássaros e sons de animais diurnos. De repente, com o entardecer e a noite, os sons mudam. Aparecem grilos, animais noturnos.

“A gente trouxe essa experiência para as pessoas verem e sentirem um ambiente bem diferente do que estão acostumadas”. A mostra aborda também a chegada dos europeus à Amazônia, o que ocorre com os Mura, e a dispersão desse povo.

Os idealizadores pretendem levar a exposição sobre o povo Mura para outras regiões do Paraná, em primeiro lugar, e também para outros locais do Brasil. “Acho que esse projeto pode expandir e trazer mais culturas para dentro dele”. Salgueiro acredita que a ajuda da tecnologia pode facilitar muito o conhecimento sobre os povos originários da Amazônia. “Às vezes, fica muito mais atrativo as pessoas quererem participar de uma atração imersiva e conhecer esses povos originários, ribeirinhos, essa cultura que o nosso Brasil tem. É importante valorizar a cultura brasileira”.


Rio de Janeiro (RJ), 27/10/2025 - Exposição Amazônia Imersiva. Foto: Humberto Salgueiro/Divulgação

Exposição Amazônia Imersiva mostra história do povo Mura, da Amazônia. Foto Humberto Salgueiro/Divulgação

O povo Mura ainda vive na Amazônia, em especial na localidade de Autazes, no estado do Amazonas, próximo ao Rio Madeira. A exposição tem o objetivo ainda de ser um instrumento de educação ambiental e valorização da cultura indígena. Na abertura da exposição, estudantes de escolas públicas ficaram entusiasmados com o cheiro dos ambientes, das plantas, e puderam conhecer ao vivo alguns elementos da natureza, como a árvore Pau-brasil, símbolo do país. 



EBC

Seleção feminina defende supremacia sobre Itália em novo amistoso


Após a vitória histórica sobre a campeã europeia Inglaterra, o Brasil terá pela frente a seleção eliminada justamente pelas inglesas na semifinal do torneio continental. Nesta terça-feira (28), a seleção feminina de futebol enfrenta a Itália em amistoso no Estádio Ennio Tardini, em Parma, a partir das 13h15 (horário de Brasília).

A delegação verde e amarela chegou à Itália na tarde do último domingo (26). Atletas e comissão técnica desembarcaram em Bolonha e foram de ônibus até Parma, em um trajeto de 100 quilômetros. Na última segunda-feira (27), as brasileiras realizaram, à tarde, o único treino no palco do jogo desta terça.

O técnico Arthur Elias terá de fazer pelo menos uma alteração na equipe. A volante Angelina, expulsa logo aos 21 minutos do primeiro tempo na vitória por 2 a 1 sobre as inglesas, está fora. A capitã deve dar lugar a Ary Borges. A tendência, porém, é que o treinador realize mais trocas e dê oportunidades a outras atletas, principalmente no ataque, setor com mais convocadas (oito).

O histórico de confrontos é favorável às sul-americanas. São oito triunfos do Brasil e um empate. No último embate, em outubro de 2022, a seleção verde e amarela, comandada por Pia Sundhage, ganhou por 1 a 0, na cidade italiana de Gênova, com gol da atacante Adriana. Do atual grupo, três atletas estiveram naquele duelo: Ary Borges, a volante Duda Sampaio e a atacante Bia Zaneratto.

A Itália vive o melhor momento na modalidade em muitos anos. A seleção ocupa o 12º lugar do ranking da Federação Internacional de Futebol (Fifa), colocação mais alta em 13 anos. Com sete convocadas entre as 30 atletas chamadas pelo técnico Andrea Soncin, a Juventus é o time mais representado, com destaque à veterana Cristiana Girelli, atacante de 35 anos e com mais de cem partidas pela Azzurra.

O duelo com o Brasil será apenas o segundo delas desde a Eurocopa. Na sexta-feira (24), a Itália recebeu o Japão no Estádio Giuseppe Sinigaglia, em Como, e empatou por 1 a 1. As anfitriãs até saíram na frente com Giada Greggi, mas a também meia Yui Hasegawa evitou a derrota das asiáticas.





EBC

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 7


A Caixa Econômica Federal paga nesta terça-feira (28) a parcela de outubro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 7.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 683,42. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês, o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 18,91 milhões de famílias, com gasto de R$ 12,88 bilhões.

Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até 6 meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Os beneficiários de 39 cidades receberam o pagamento na segunda-feira (20), independentemente do NIS. A medida beneficiou os moradores de 22 municípios do Acre afetados pela seca e de algumas cidades em quatro estados: Amazonas (três), Paraná (duas), Piauí (duas), Roraima (seis) e Sergipe (quatro).

Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 1,89 milhão de famílias estão na regra de proteção em outubro. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até um ano, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. No mês, 211.466 famílias entraram na regra de proteção.

Em junho, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois anos para um. No entanto, a mudança só abrange as novas famílias que entraram na fase de transição. Quem se enquadrou na regra até maio deste ano continuará a receber metade do benefício por dois anos.

 


Calendário Bolsa Família 2025 - outubro



EBC

Cantor Lô Borges tem quadro estável após passar por traqueostomia


A produção do cantor  e compositor Lô Borges confirmou que o artista passou por uma traqueostomia neste sábado (25). Seu quadro segue grave, porém estável.

Segundo o boletim médico divulgado hoje, o procedimento foi necessário para oferecer mais conforto e manter a ventilação mecânica.

Lô Borges está internado há dez dias na unidade Contorno da Unimed em Belo Horizonte, desde um caso de intoxicação medicamentosa, e não tem previsão de alta hospitalar. 

Biografia

Lô Borges foi um dos fundadores, ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento, do movimento Clube da Esquina, que revolucionou a música nacional a partir dos anos 1970 e 1980. O movimento, batizado em referência a um disco homônimo de 1972, fundia influências do rock, do jazz e da música psicodélica com a tradição da MPB e das mineiras, criando uma sonoridade atemporal e complexa.

Algumas canções de autoria de Lô Borges são O Trem Azul, Um girassol da cor do seu cabelo, Tudo Que Você Podia Ser e Nada Será Como Antes, em parceria com Milton Nascimento.

Ele teve músicas gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis, Skank, Nando Reis, entre outros.



EBC

Henrique Marques conquista 2º ouro brasileiro no Mundial de Taekwondo


O Campeonato Mundial de Taekwondo deste ano, realizado em Wuxi (China), já é histórico para o Brasil. Nesta segunda-feira (27), o fluminense Henrique Marques se tornou o primeiro homem do país – e o terceiro atleta, sendo o segundo nesta edição – a conquistar uma medalha de ouro no evento.

Quinto colocado do ranking mundial da categoria até 80 quilos (kg), Henrique garantiu o título inédito superando um atleta da casa na final, o chinês Qizhang Xiang. Antes, o lutador de 21 anos derrotou Kelvin Calderón Martinez, de Cuba, Faysal Sawadogo, de Burkina Faso, CJ Nickolas, dos Estados Unidos, e Artem Mytarev, russo que compete como atleta neutro devido à suspensão do país pela invasão à Ucrânia.

A conquista em Wuxi coroa a volta por cima de Henrique após dois anos difíceis. Em 2024, o lutador enfrentou o falecimento do pai, Ari Fernandes. Em 2023, ele quase deixou o esporte ao descobrir uma arritmia cardíaca, que o levou à mesa de cirurgia. O lutador conheceu o taekwondo em um projeto social em Porto de Caixas, bairro pobre de Itaboraí (RJ), cidade em que nasceu. Na Olimpíada de Paris, na França, o atleta parou nas quartas de final.

Também nesta segunda, o Brasil foi representado no Mundial pela catarinense Júlia Nazário (categoria até 46 kg) e pela mineira Raiany Fidelis (acima de 73 kg). Ambas ganharam os combates de estreia, mas caíram na segunda rodada. Júlia superou a uzbeque Madina Shoniyozova, mas não resistiu à Dzejla Makas, da Bósnia e Herzegovina. Já Raiany, que iniciou a caminhada batendo a catari Noor Nazar Mohammed, perdeu a luta seguinte, para a espanhola Tania Etcheverria.

Na última sexta-feira (24), a paulista Maria Clara Pacheco já tinha feito história ao vencer a disputa entre atletas até 57 kg, repetindo o feito da paranaense Natália Falavigna, primeira atleta brasileira campeã mundial, em 2005. Nesta terça-feira (28), o Brasil tem mais dois lutadores brigando por medalhas na China: o catarinense João Victor Souza Diniz (até 68 kg) e a paulista Milena Titoneli (até 67 kg). Esta última possui um bronze da edição de 2019, em Manchester (Inglaterra).



EBC

Bolsa bate recorde e dólar cai após reunião entre Lula e Trump


O mercado financeiro teve um dia de alívio no dia seguinte ao encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O dólar caiu para o menor nível em quase três semanas, e a bolsa de valores renovou o recorde histórico.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta segunda-feira (27) aos 147.969 pontos, com alta de 0,55%. O indicador, que acumulava queda em outubro, agora sobe 0,5% no mês.

O mercado de câmbio teve um dia favorável. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,37, com recuo de R$ 0,224 (-0,42%). A cotação operou em queda durante toda a sessão. Na mínima do dia, por volta das 10h15, chegou a R$ 5,36.

A moeda estadunidense está no menor valor desde 8 de outubro. A divisa acumula alta de 0,88% em outubro, mas cai 13,11% em 2025.

Tanto fatores internos como externos trouxeram alívio para o mercado. No cenário internacional, a reunião entre Lula e Trump reduziu as tensões sobre o Brasil. Além disso, o índice S&P 500 (das 500 maiores empresas estadunidenses) também bateu recorde nesta segunda.

Paralelamente, a reabertura de negociações entre os Estados Unidos e a China, anunciada no domingo (26) por Trump, ajudou a elevar o preço das commodities (bens primários com cotação internacional), favorecendo países emergentes. Na quinta-feira (30), está previsto um encontro entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.

No cenário doméstico, a forte desaceleração da prévia da inflação oficial em outubro teve reflexo positivo na bolsa de valores. Nesta segunda, o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central (BC), reduziu para 4,56% a previsão para a inflação oficial em 2025.

 

* com informações da Reuters



EBC

Procissão do Recírio reúne milhares de fiéis em Belém


Milhares de devotos católicos celebraram nesta segunda-feira (27), em Belém, mais uma edição do Recírio, o último dia de eventos religiosos que marca o encerramento da Festividade Nazarena em 2025. A celebração começou com uma missa na Praça do Santuário, seguida da Romaria do Recírio, a 14ª procissão da Festividade, que encerrou oficialmente os 15 dias de homenagens à Nossa Senhora de Nazaré.

Após a romaria, os fiéis acompanharam a subida da imagem original de Nazinha, como é carinhosamente chamada, ao Glória do Altar-Mor da Basílica Santuário, onde permanece até o início da próxima festividade, em 2026. A procissão do Recírio é realizada desde 1859, mantendo viva uma tradição de mais de 160 anos. O novo arcebispo metropolitano de Belém, dom Júlio Endi Akamine, participou pela primeira vez do evento, que este ano recebeu pelo menos 2,5 milhões de pessoas no segundo domingo de outubro (12), data da principal procissão.

“Uma coisa é quando a gente ouve o testemunho das pessoas, outra é quando a gente participa pessoalmente do Círio de Nazaré. Eu fui muito impactado por esta partilha das pessoas que relataram a experiência. Então, em todos os lugares por onde a gente passou, dava para ver isso na face, no rosto das pessoas. Mesmo que passando muito rapidamente, era evidente este transbordamento. Transbordamento de pessoas, transbordamento de devoção à Nossa Senhora, de amor à Nossa Senhora de Nazaré”, relata.

Este ano, aproximadamente 100 mil turistas estiveram em Belém para participar do Círio de Nazaré, a maior festa católica do país. No dia 12 de outubro, cerca de 2,5 milhões de romeiros participaram da principal procissão do Círio, num percurso de 52,3 quilômetros. Além de Belém – que sedia em novembro a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) – as cidades metropolitanas de Ananindeua e Marituba também receberam os fiéis nesta que é considerada a maior procissão católica do país.

Considerado patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Círio de Nazaré é uma festa que, além de mostrar a devoção do povo paraense, movimenta a economia local, atraindo turistas e impulsionando setores como de hotelaria, transporte, alimentação e comércio.

O Círio de Nazaré 2026 terá como tema “Maria, missionária que nos dá Jesus”.

Ouça na Radioagência Nacional:



EBC

Ex-diretor do INSS nega vínculo político em depoimento à CPI


O ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alexandre Guimarães, negou, nesta segunda-feira (27), ter mantido relação com políticos em sua trajetória profissional em órgãos públicos. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Guimarães afirmou que os cargos que ocupou foram obtidos por meio da distribuição de currículos a parlamentares.

“Não tenho relação com políticos”, afirmou o ex-diretor, que ocupou o cargo de 2021 até o início de 2023. Guimarães, no entanto, admitiu ter sido indicado ao INSS após uma reunião rápida com o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).

Guimarães é investigado sob suspeita de ter recebido R$ 313 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos operadores de um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

No depoimento, Guimarães admitiu ter conhecido Antunes em 2022. O ex-diretor alegou que os repasses foram totalmente legais e deveram-se ao fornecimento de material de educação financeira de sua empresa para uma consultoria de Antunes e do filho dele.

Guimarães, no entanto, admitiu que a empresa do Careca do INSS era a única cliente de sua empresa. Ele disse ter encerrado a prestação de serviços após a Polícia Federal (PF) desbaratar o esquema de cobranças não autorizadas de aposentados e pensionistas a associações.

O ex-diretor negou qualquer participação, enquanto ocupava o cargo no INSS, da celebração de acordos entre o órgão e as entidades que fizeram os descontos ilegais. Também afirmou só ter tido conhecimento do esquema após a operação da PF.

Respostas

Em resposta, Pettersen confirmou que o encontro pode ter ocorrido, mas negou qualquer irregularidade.

“Posso realmente ter me reunido com ele, como com tantos outros que buscam apoio para indicações em órgãos públicos. Cada indicado é responsável por suas ações”, declarou o deputado.

Durante a sessão, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), anunciou a intenção de convocar Pettersen e o senador Weverton Rocha (PDT-MA) para prestarem esclarecimentos à comissão. “Espero que não haja nenhuma blindagem. Esses esclarecimentos são bons para o deputado e para o senador”, afirmou o relator.

Até o momento, há um requerimento formal de convocação de Weverton Rocha, protocolado pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP). O documento menciona que o senador teria recebido o Careca do INSS em seu gabinete. A CPMI deverá votar, nas próximas sessões, os pedidos de convocação de parlamentares e a ampliação das quebras de sigilo de pessoas investigadas no caso.

Em nota, o senador afirmou estranhar a menção a seu nome e declarou não ser alvo de investigação.

“Acho estranha essa menção, já que não sou investigado nem citado em nenhuma apuração. Na minha opinião, o relator deve se concentrar em oferecer respostas concretas para combater as fraudes no INSS”, rebateu Weverton.



EBC

Braga Netto apresenta recurso ao STF e aponta falta de imparcialidade


A defesa do general da reserva Walter Souza Braga Netto apresentou nesta segunda-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) embargos de declaração contra a decisão que o condenou a 26 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. O caso foi relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Nos embargos apresentados agora, a defesa do general argumenta que o processo foi marcado por “falta de imparcialidade” e “cerceamento de defesa”. Os advogados alegam que o ministro Alexandre de Moraes teria adotado “postura inquisitória” ao conduzir a instrução do processo e ignorado novas provas de suspeição apresentadas após decisão anterior do plenário.

A peça também sustenta que houve violação ao contraditório e à ampla defesa, já que o acesso ao vasto conjunto de provas digitais teria sido poucos dias antes do início das audiências. Segundo a defesa, a análise integral desse material seria impossível no tempo disponível, o que tornaria nula a instrução processual.

Outro ponto questionado é o indeferimento do pedido de gravação da acareação entre Braga Netto e Mauro Cid, realizada em 24 de junho de 2025. O relator proibiu tanto o registro oficial quanto gravações feitas pelos próprios advogados.

Os embargos também pedem que o STF reconheça a nulidade do acordo de delação de Mauro Cid, argumentando que o colaborador teria sido coagido por investigadores.

Além das alegações de nulidades processuais, a defesa pede a correção de supostos erros materiais e contradições na dosimetria da pena. Os advogados afirmam que houve equívoco na soma final das penas – que deveria totalizar 25 anos e seis meses, e não 26 anos – e questionam o uso de critérios diferentes para o aumento da pena-base em cada crime.

Com os embargos, a defesa de Braga Netto requer que o Supremo anule parte dos atos processuais, inclusive a instrução e a acareação.

Julgamento

Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF confirmou a condenação de Braga Netto, que está preso desde dezembro de 2024. De acordo com a acusação, o general teve papel central na articulação de uma trama golpista voltada a reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022 e depor o governo legitimamente constituído. 

A condenação se baseou em depoimentos, mensagens, áudios e vídeos colhidos pela Polícia Federal. Entre os elementos mencionados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), estão registros de reuniões e conversas em que Braga Netto teria discutido a aplicação de medidas de exceção para impedir a posse do presidente eleito e a continuidade do processo democrático. 

Segundo o acórdão, o general participou da elaboração de um plano clandestino conhecido como Plano Copa 2022, idealizado por militares da reserva, que previa ações de força contra o Supremo Tribunal Federal e outras instituições.

A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro, também foi apontada como peça fundamental da acusação. Em seu acordo, Cid afirmou que Braga Netto teria entregue recursos em espécie para financiar a trama e participou de encontros com militares e civis que planejaram atos de violência e sequestro de autoridades.

Durante o julgamento, ministros da Primeira Turma ressaltaram a gravidade das condutas imputadas ao general. O ministro Luiz Fux destacou que reuniões entre Braga Netto, Mauro Cid e outros militares evidenciariam um plano concreto para “ceifar a vida de um ministro do Supremo”, o que, segundo ele, representaria uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito.

Para os magistrados, o alto posto ocupado por Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato à Vice-Presidência em 2022 – conferia maior gravidade aos atos e aumentava sua responsabilidade institucional.

A condenação de Braga Netto é considerada um marco histórico, por envolver pela primeira vez militares de alta patente em julgamento e punição por atentados contra o regime democrático. Caso o STF não acolha os embargos, a defesa ainda poderá recorrer por meio de recursos extraordinários ou pedidos de habeas corpus.



EBC

Metanol: crise completa um mês com alerta para falsificação de bebidas


Após 30 dias desde que os primeiros nove casos de suspeita de intoxicação por presença de metanol em bebidas foram divulgados, em 26 de setembro, várias medidas foram tomadas pelos órgãos públicos. A testagem ficou mais rápida, confirmando ou descartando casos suspeitos em ritmo intenso.

Hospitais pólo foram organizados, mesmo fora das áreas com confirmação de contaminação, como em estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Os Centros de Informação e Assitência Toxicológica (Ciatox), primeira rede de alerta, assumiram a frente na detecção, enquanto a vigilância sanitária e as polícias atuaram nos locais de venda e consumo. 

Mesmo sem conseguir impedir todos os novos casos, se encontrou uma origem provável: a falsificação de bebidas levou à contaminação pois usou álcool combustível, que por sua vez também estava adulterado e continha metanol. 

Dos casos divulgados inicialmente pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, após um alerta do Ciatox de Campinas (SP), até a revelação dos postos no ABC paulista que venderam o combustível adulterado foram vinte dias. Suficiente para 58 casos de contaminação e 15 mortes, a maioria no estado de São Paulo. 

Ainda não há confirmação se os casos em outros estados, principalmente Paraná e Pernambuco, envolvem também produtos falsificados na região metropolitana de São Paulo.

Ainda em 26 de setembro o Ciatox já atribuía os casos à ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas, e a mais de um tipo de bebida destilada. Os casos eram então considerados  “fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol”. 

Mesmo com esse alerta inicial, o consumo não foi afetado de imediato e o caso só tomou espaço na mídia durante a semana seguinte, quando os estados começaram a mobilizar vigilâncias sanitárias, procons e polícias. 

As ações foram integradas em 07 de outubro, quando o governo federal criou um comitê para lidar com o problema. No mesmo dia foi anunciada a segunda remessa de etanol farmacêutico aos hospitais pólo e a aquisição de outro antídoto, o composto fomepizol. As ações buscavam reverter o aumento de quadros e permitir a atuação rápida das equipes de emergência. 

Na mesma semana, no dia 08, o Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou que o metanol encontrado em garrafas contaminadas examinadas foi adicionado, pois sua concentração era  anormal e muito acima da encontrada em processos de destilação natural. No dia seguinte, 09, a Polícia Técnico-Científica de São Paulo iniciou a adoção de um novo protocolo de identificação de bebidas adulteradas, diminuindo o tempo de análise, enquanto as equipes de fiscalização traziam cada vez mais vasilhames das autuações. 

O estado conta com dois centros de excelência, o Ciatox de Campinas e o Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (Latof) da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.

A atuação integrada permitiu respostas mais rápidas dos laboratórios estaduais e diminuiu o impacto no comércio, que teve diminuição de até 5% do consumo somente em setembro, segundo a Abrasel, associação patronal do setor de bares e restaurantes.

Vinte e um dias após o primeiro alerta, em 17 de outubro, uma operação da Polícia Civil de São Paulo encontrou os dois postos de onde saiu o combustível com metanol, acompanhando um caso de um homem que havia consumido a bebida falsificada e está até então internado em estado grave no bairro da Saúde, zona sul da capital paulista. Os policiais haviam encontrado, dias antes, a distribuidora de bebidas onde eram envasados os produtos falsos.

“O primeiro ciclo foi fechado. Vamos continuar as diligências para identificar a origem de todas as bebidas adulteradas no estado”, disse então o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. 

As investigações ainda continuam. Neste meio tempo as universidade trabalharam e entregaram soluções rápidas, como o “nariz eletrônico” desenvolvido por pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que consegue identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas. Basta uma única gota da bebida para o equipamento reconhecer odores estranhos em relação à bebida original.

“O nariz eletrônico transforma aromas em dados. Esses dados alimentam a inteligência artificial que aprende a reconhecer a assinatura do cheiro de cada amostra”, explicou à Agência Brasil o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática.

No último boletim divulgado, na sexta-feira (24), foram confirmados 58 casos e 50 estavam em investigação. Até então foram descartadas 635 notificações. O registro de mortes chegou a 15, sendo nove em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco. Mais nove óbitos seguiam em investigação: quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e um em São Paulo. Foram descartadas 32 notificações de óbitos que estavam sob investigação. 

O tema tem fomentado ações também do poder legislativo. Na capital paulista, uma CPI iniciará seus trabalhos amanhã, ouvindo autoridades estaduais sobre os esforços de combate à falsificação de bebidas. Na Câmara dos Deputados, pode entrar em votação essa semana o PL 2307/07, que torna crime hediondo a adulteração de alimentos e bebidas.



EBC