Belém vira galeria a céu aberto com estátuas de onças coloridas


A partir deste sábado (25), Belém se transforma em uma grande galeria a céu aberto com a chegada da Jaguar Parade 2025, exposição internacional que une arte, cultura e consciência ambiental. A mostra, que coincide com o período em que a cidade sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP30), apresenta cerca de 50 esculturas de onças-pintadas espalhadas por pontos turísticos e espaços de grande circulação.

As esculturas coloridas e estilizadas, criadas por artistas brasileiros e internacionais, destacam a importância da preservação da onça-pintada e de seu habitat, especialmente na Amazônia, onde vive a maior população do felino.

Das 50 obras expostas, 38 foram customizadas por artistas paraenses, duas vieram do Maranhão e dez são reapresentações de edições anteriores em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Nova York, Cali e Paris – onde o projeto integrou a programação dos Jogos Olímpicos de 2024.

A edição de Belém também valoriza o protagonismo feminino amazônico. As artistas e madrinhas Gaby Amarantos, Fafá de Belém e Isabelle Nogueira se unem à iniciativa para reforçar a mensagem de defesa da floresta e da biodiversidade.


Belém (PA), 24/10/2025 - Galeria a céu aberto com estátuas de onças coloridas. Foto: Jaguar Parade/Divulgação

Esculturas de onças-pintadas ficam expostas em Belém até 30 de novembro – Foto: Jaguar Parade/Divulgação

As esculturas ficarão expostas até 30 de novembro. No dia 29, quando se celebra o Dia Nacional da Onça-Pintada, será realizado o leilão beneficente das obras. Toda a arrecadação será destinada para instituições que atuam na conservação da espécie, como Onçafari, Panthera, Ampara Silvestre, SOS Pantanal, Instituto Libio, Instituto Peabiru e BRC.

Criada em 2019, a Jaguar Parade chega pela primeira vez à Região Norte, com o propósito de aliar arte e impacto socioambiental. As onças poderão ser vistas em locais emblemáticos como o Portal da Amazônia, Estação das Docas, Ver-o-Rio, Praça da República, Praça Santuário de Nazaré e Parque da Residência, entre outros.

Serviço

Jaguar Parade Belém 2025
Exposição em Belém: 25 de outubro a 30 de novembro
Leilão da Jaguar Parade: 29 de novembro
Informações: www.jaguarparade.com/belem2025
Redes sociais: @jaguar.parade



EBC

Meio século após sua morte, Herzog tem legado preservado em filme e IA


Há exatos 50 anos, o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, apresentava-se voluntariamente no Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão da ditadura militar subordinado ao Exército, onde foi preso sem ordem judicial. Horas depois, após ser interrogado sob tortura, foi morto pelo Estado brasileiro, em 25 de outubro de 1975. O assassinato do então diretor de Jornalismo da TV Cultura foi um marco que gerou grande mobilização contra a repressão e também de luta pela democracia.

Cinco décadas após sua execução, produções inéditas contribuem para a preservação do legado de Vlado, incluindo o lançamento de documentário e podcast sobre sua vida, além de uma ferramenta que utiliza inteligência artificial (IA) para simular respostas na voz de Vlado, com base em um acervo de produções do jornalista.

O documentário A Vida de Vlado – 50 anos do Caso Herzog, produzido pela TV Cultura, vai ao ar na emissora, neste sábado (25), a partir das 23h. A produção, que traz materiais inéditos, conta a história da família Herzog e a vida de Vlado até sua morte, além de mostrar o legado do jornalista, que é preservado pelo Instituto Vladimir Herzog (IVH).

O lançamento oficial ocorreu nessa sexta-feira (24), na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O pôster feito especialmente para o evento tem uma foto inédita de Vlado, ao lado de sua esposa e os dois filhos, tirada dias antes de sua morte.

Diretora de Jornalismo da TV Cultura, Marília Assef contou que o filme traz fotos e documentos inéditos, além de entrevistas com pessoas que trabalharam e conviveram com Vlado. “O arquivo usado foi vasto, aqui da TV Cultura e do instituto. Tem muita foto que o Instituto Vladimir Herzog recebeu ultimamente, slides do filme que ele estava fazendo sobre Canudos. Tinha slides inéditos do Vlado, que agora foram recuperados pelo instituto”, diz.

“A importância [do filme] é contar a história do Vlado, por isso o documentário tem esse nome. A gente conta o que ele gostava de fazer, quem ele era, a importância dele como pessoa, como jornalista, as vontades e os desejos dele.”

A diretora lembra a relevância do jornalista para a história do país, ao avaliar que seu assassinato teve grande impacto para a transição democrática pós-ditadura militar.

O documentário resgata ainda filmes raros gravados durante o culto ecumênico na Catedral da Sé, em 31 de outubro de 1975, e no descerramento do túmulo de Herzog, no cemitério Israelita do Butantã, um ano após sua morte.

Neste domingo (26), a Praça Memorial Vladimir Herzog, no centro de São Paulo, receberá uma intervenção permanente chamada Calçadão do Reconhecimento. No piso, haverá a instalação dos nomes de todas as pessoas e coletivos vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do país.

Uma das homenagens será ao conjunto dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que recebeu, em 2022, o Prêmio Especial Vladimir Herzog Contribuição ao Jornalismo, pela resistência na defesa da comunicação pública. O reconhecimento decorreu da atuação dos profissionais durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a censura, o governismo e a perseguição foram disseminadas na empresa.

 


São Paulo (SP) - Instituto Vladimir Herzog lança campanha para oficializar 25 de outubro como dia nacional da democracia. Foto: Wilson Ribeiro/Acervo Vladimir Herzog

Assassinato de Vladimir Herzog gerou grande mobilização contra a repressão e também de luta pela democracia – Foto: Wilson Ribeiro/Acervo Vladimir Herzog

A foto e a farsa

No podcast O Caso Herzog: A Foto e a Farsa, o jornalista Camilo Vannuchi entrevista o fotógrafo Silvaldo Leong, que fez a imagem do corpo de Vlado pendurado no DOI-Codi. A produção conta também com entrevistas, documentos e áudios inéditos, além de análises que contextualizam o Brasil da ditadura e suas marcas no contexto atual, e está disponível nas plataformas de streaming.

“A foto é uma farsa, uma farsa muito violenta, porque foi simular um suicídio com o Herzog pendurado numa janela com o suposto cinto de pano que faria parte do uniforme dos presos na carceragem do DOI-Codi, mas na carceragem não tinha cinto, nem de pano, nem de qualquer outro material, ninguém usava cinto”, relata Camilo Vannuchi.

Além disso, Vlado era mais alto do que a janela em que foi pendurado, ficando com joelhos dobrados e os pés arrastando no chão. “É toda uma situação inconcebível, segundo os especialistas, os médicos, não dá para se matar se pendurando de uma altura menor do que você mesmo.”

Como Vlado era judeu, em caso de suicídio – como dizia a versão oficial da época –, ele deveria ser enterrado em local específico, de acordo com a tradição religiosa. No entanto, no processo de preparação do corpo, conta Camilo, um funcionário procurou o rabino Henry Sobel, para relatar que havia hematomas e escoriações no corpo. “Ele fala isso ao telefone, e o Henry Sobel fala ‘não, ele não se matou, vamos enterrar na área nobre’”, conta Vannuchi.

O jornalista Paulo Markun, amigo de Vlado, que também estava preso no DOI-Codi na data da morte, relata que houve até um inquérito para mascarar o assassinato. “Tudo isso era uma farsa e uma ficção, a gente tentou argumentar mas eles [agentes do DOI-Codi] insistiam que ele tinha se matado”, diz ele, que também era colega de Herzog na TV Cultura.

Markun lembra que eram “24 horas por dia ouvindo gritos das pessoas apanhando” no local. “Quando [fui levado], já cheguei num local que era um centro de tortura. Não era uma delegacia, não tinha um escrivão, nada disso. Era a violência desde o início.” Ele reforça que todos os detidos usavam macacão sem cinto, o que ajuda a desmentir a farsa do suicídio, com uso de um cinto, montada pelos militares.

Inteligência artificial

Na sua atuação profissional, Markun desenvolveu uma ferramenta, com uso da inteligência artificial, que cria respostas a partir de materiais produzidos por Herzog ao longo de sua vida. “É um conjunto de livros, reportagens, textos do Vlado, cartas que ele escreveu, organizados numa base de conhecimento, sobre a qual a inteligência artificial responde com a voz do Vlado”, explica.

Quando o usuário faz uma pergunta ao avatar construído a partir da voz clonada de Herzog, a plataforma faz uma busca na base de conhecimento a partir de palavras-chave, e a inteligência artificial constrói a resposta em texto, que é transformada em áudio instantaneamente. A ferramenta será apresentada em evento que discutirá como a inteligência artificial pode servir à preservação da memória, nos dias 30 e 31 deste mês, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP.

Para Markun, essa é mais uma maneira de apresentar a história de Herzog, por meio de um novo formato.

“É uma voz clonada do Vlado a partir do pequeno trecho [da voz original] que há disponível, e permite que esse avatar responda a qualquer pergunta sobre ele, sobre a trajetória dele e a carreira, a biografia, os projetos, os textos e o cenário político, até a manhã do dia 25 de outubro de 1975, quando ele se apresenta no DOI-Codi”, destaca.

O jornalista avalia que as iniciativas em torno da rememoração dos 50 anos da morte de Vlado são uma demonstração de que, mesmo entre diferentes posições políticas e crenças, há o entendimento comum de que algumas premissas devem ser asseguradas. “A primeira delas é o respeito ao voto popular. A segunda, casada com isso, é que direitos humanos são fundamentais. A terceira é que a liberdade de expressão é essencial”, enumera.

“O que levou à derrota da ditadura foi o entendimento de que pessoas que pensam diferente podem se unir em torno dessa ideia de que a democracia é importante e que a ditadura é inaceitável”, lembra, ao citar o ato inter-religioso que ocorreu sete dias após o assassinato de Herzog e que se repetirá neste sábado (25), às 19h, na Catedral da Sé.

Frente democrática

Em 31 de outubro de 1975, mais de 8 mil pessoas se reuniram na Sé para um ato em homenagem a Herzog, conduzido por líderes religiosos como o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, com o apoio do jornalista Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O evento tornou-se símbolo da resistência democrática.

Segundo Paulo Markun, na época, uma frente ampla se formou também no âmbito político. “Naquela primeira manifestação e ao longo do tempo, foi-se construindo algo que já vinha sendo desenhado na eleição de 1974, que era a criação de uma grande frente democrática, da qual participavam a esquerda, os comunistas, outros grupos foram se aproximando.”

“Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Thales Ramalho e Pedro Simon, nomes que nada tem a ver com a esquerda, [se uniram em torno da] ideia de que era preciso derrotar a ditadura e que essa derrota se daria pela participação de ampla massa da população brasileira. Isso deságua na campanha das Diretas em 1984 e na eleição do Tancredo Neves”, diz o jornalista sobre o movimento de virada para a redemocratização.



EBC

Liesa vai colocar à venda ingressos para frisas no Sambódromo


A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) vai recolocar à venda, na próxima terça-feira (28), a partir das 9h, as frisas que sobraram para o Rio Carnaval 2026. As compras deverão ser feitas diretamente na plataforma da Ticketmaster, com pagamento feito exclusivamente por Pix.

Com os mesmos valores da primeira etapa de vendas, entre R$ 1.800 e R$ 10.000, a nova fase será destinada apenas a pessoas físicas. Será necessário acessar a plataforma da Ticketmaster, entrar na fila de espera e, em seguida, escolher o dia e o setor desejado.

Cada pessoa poderá adquirir uma única frisa por vez, contendo seis lugares. Desta forma, quem quiser comprar frisas para mais de um dia de desfile deverá concluir o primeiro pedido, efetuar o pagamento e depois retornar ao menu específico da plataforma para realizar nova solicitação, mediante disponibilidade. No total, cada um poderá adquirir uma frisa por dia de desfile competitivo e também para o desfile do sábado das campeãs.

Nesta nova etapa, será possível – graças à verificação detalhada dos pedidos da primeira fase – identificar as tentativas de fraude e inconsistências cadastrais. As medidas adotadas visam a garantir que os espaços sejam destinados exclusivamente aos consumidores finais e sambistas, assegurando transparência, lisura e o cumprimento das normas legais.

Os desfiles do Rio Carnaval 2026, da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa) acontecerão nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro — domingo, segunda e terça-feira de Carnaval —, além do sábado das Campeãs (21), quando as seis primeiras colocadas voltam ao Sambódromo.



EBC

Lula critica guerra em Gaza e inércia na criação do Estado palestino


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a continuidade da guerra em Gaza e a resistência mundial em criar um Estado palestino. A declaração foi dada neste sábado (25), durante a cerimônia de recebimento do título de doutor “Honoris Causa” em Filosofia e Desenvolvimento Internacional do Sul Global pela Universidade Nacional da Malásia, em Putrajaya, capital administrativa da Malásia.

“As comunidades universitárias em todo o mundo têm elevado suas vozes contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral que impede até hoje que o Estado Palestino seja criado. Quase sempre são os jovens que nos recordam que a paz é o valor mais precioso da humanidade”, discursou.

O presidente Lula afirmou que o aumento de tarifas no comércio entre países não pode ser adotados como mecanismos de coerção internacional. “Nações que não se dobram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, disse, sem mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumentou em 50% as tarifas de importação sobre produtos brasileiros, no início de agosto.

Multilateralismo

Ao defender o multilateralismo e a necessidade de mudanças nos organismos internacionais, o presidente Lula destacou o papel do Sul Global no cenário internacional pela justiça e pela superação das desigualdades. 

FRASE PARA DESTAQUE

“A defesa de uma ordem baseada no diálogo na diplomacia e na igualdade soberana das nações está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas, que sem maior representatividade o Conselho de Segurança seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafios do nosso tempo.” 

No campo econômico, o presidente brasileiro considera inaceitável que os países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) do que o Sul Global, termo referente a um grupo de países da América Latina, da Ásia e da África, com histórico de colonialismo e que compartilham desigualdades econômicas e sociais.

Lula acrescentou que o protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) impõem uma situação de assimetria insustentável para o Sul Global. “É a hora de interromper os mecanismos que sustentam há séculos o financiamento do mundo desenvolvido às custas das economias emergentes em desenvolvimento.”

Para o mandatário, a estrutura financeira mundial deve direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável das nações emergentes. “Não podemos vislumbrar um mundo diferente sem questionar um modelo neoliberal que aprofunda desigualdades: 3 mil bilionários ganharam U$ 6,5 trilhões, desde 2015. Esta cifra supera o PIB nominal atual da Asean [Associação de Nações do Sudeste Asiático] e do Brasil somados.”

Agenda

O presidente Lula permanece na Malásia até a próxima terça-feira (28), quando participa de encontro com empresários da Malásia e da Asean, bloco que reúne países do Sudeste Asiático. Neste domingo (26), o presidente Lula deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump para buscar uma solução para a questão das tarifas aos produtos brasileiros importados pelos norte-americanos.



EBC

Problema do mundo é ausência de lideranças , diz Lula na Malásia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no início da madrugada deste sábado (25), em Kuala Lumpur, na Malásia, que um dos problemas do mundo é a falta de lideranças para conter as guerras e a fome.

“Na ausência de lideranças, tudo que é de pior pode acontecer”, avaliou o presidente. 

No evento com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, em que celebrou parcerias com o país asiático, Lula criticou a guerra entre Ucrânia e Rússia e o conflito no Oriente Médio, que ele voltou a chamar de genocídio contra Palestina. 

Lula argumentou que esses conflitos e também os desastres ambientais têm ocorrido por falta de instrumentos de governança global. ”Hoje, o Conselho de Segurança da ONU e a ONU não funcionam mais. Todas as guerras nos últimos tempos foram determinadas por gente que faz parte do Conselho de Segurança da ONU”, lamentou. 

“Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com um genocídio impetrado na Faixa de Gaza durante tanto tempo?”, questionou. 

Ele apontou que as violências vão além dos tiros e das bombas. “Mas a violência de utilizar fome, a vontade de comer de uma criança, como forma de tortura. Quando nós aceitamos isso como normal, nós não estamos sendo seres humanos”, criticou. Ele argumentou que isso ocorre porque as instituições multilaterais “pararam de existir”.

O presidente atacou a falta de responsabilidade dos países com o meio ambiente. “Como é que nós vamos evitar que o planeta possa ser destruído, se nós sabemos o que está destruindo o planeta e não tomamos atitude para evitar que ele seja destruído?”, questionou Lula, afirmando que a COP30, em Belém, será a COP da verdade.

“Nós, lideres políticos, é que temos que tomar a decisão do que fazer. Chega um momento que a gente tem que pensar no planeta. E aí é que é preciso ter instrumentos de governança global. E isso é o que nos faz falta hoje.”

Parceria

Na visita à Malásia, Lula disse que a parceria excede o interesse comercial entre os dois países. Há um movimento de exportações e importações na casa dos US$ 5,8 bilhões por ano. Ele destacou os acordos de cooperação na área de ciência e tecnologia e lamentou que nenhum presidente brasileiro esteve no país nos últimos 30 anos.

“A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje. Eu não vim aqui apenas com o interesse de vender ou com o interesse de comprar. Nós temos possibilidade de mudar o mundo, de fazer com que as coisas sejam melhores.”

O presidente defendeu que o humanismo não deve ser derrotado pelos algoritmos e disse que o mundo precisa de paz e não de guerra, de livre comércio e não de protecionismo. “Quero dizer ao mundo que precisamos de mais comida e menos armas. Esse é o objetivo da minha visita à Malásia.” 

Lula voltou a defender o papel do Estado no auxílio aos mais pobres. 

“Governar é fazer escolhas, é decidir de que lado você está. Para um governante, andar de cabeça erguida é mais importante que um Prêmio Nobel. Cuidar das pessoas mais humildes é quase uma missão bíblica.” 

O primeiro-ministro da Malásia cumprimentou o presidente brasileiro que irá receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia, em evento que deve ocorrer ainda neste sábado. Anwar Ibrahim destacou ainda o papel de liderança de Lula. “Este é um encontro entre amigos que compartilham convicções e ideias. E tenho certeza de que nossos países vão trabalhar juntos como parceiros em diferentes áreas”.



EBC

Secretaria diz que não tinha e-mail do STF para informar sobre Collor


A Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas informou nesta sexta-feira (24), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a demora no envio de informações sobre o monitoramento do ex-presidente Fernando Collor ocorreu pela “falta de conhecimento” do e-mail do gabinete do ministro.

Na semana passada, Moraes pediu explicações sobre o desligamento da tornozeleira eletrônica. Collor cumpre prisão domiciliar em Maceió.

Segundo o ministro, a tornozeleira ficou sem bateria nos dias 2 e 3 de maio deste ano, mas o episódio só foi informado ao STF em outubro, cinco meses depois.

De acordo com a secretaria, o monitoramento sempre foi realizado de forma efetiva, mas os relatórios não foram enviados porque o órgão não sabia o endereço eletrônico do gabinete do ministro.

“A demora verificada decorreu exclusivamente da ausência de conhecimento prévio do e-mail institucional designado para recebimento da requisição, somada à necessária cautela administrava que rege o envio de informações oficiais. Superada a dúvida quanto à origem e à segurança da comunicação, as providências cabíveis foram imediatamente adotadas, com o envio integral dos relatórios requisitados ao e-mail”, justificou o órgão.

A secretaria ainda negou a intenção de omitir informações. “Resta demonstrado que não houve qualquer intenção de omissão, mas, sim, zelo e observância aos procedimentos internos e à integridade da informação, em estrita observância aos princípios da legalidade e da segurança administrava”, completou o órgão.

Em 2023, Collor foi condenado pelo STFSegundo a decisão, o ex-presidente e ex-senador, como antigo dirigente do PTB, foi responsável por indicações políticas para a BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras, e recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da empresa. De acordo com a denúncia, os crimes ocorreram entre 2010 e 2014.

Em abril, a prisão de Collor foi determinada após o Supremo negar os recursos protocolados pela defesa para evitar a condenação.

Após o ex-presidente iniciar o cumprimento da pena, a defesa solicitou ao STF a concessão de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira. 

Os advogados alegaram que Collor tem 75 anos e possui diversas comorbidades, como doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.



EBC

Músico Lô Borges é internado por intoxicação medicamentosa


O cantor e compositor mineiro Lô Borges, um dos principais nomes da música popular brasileira (MPB), está internado no hospital da Unimed, de Belo Horizonte, após sofrer uma intoxicação medicamentosa. Aos 73 anos, o artista deu entrada na unidade de saúde na sexta-feira (17), após passar mal em casa. A confirmação foi do irmão mais novo, Yé Borges, nesta quarta-feira (22).

Segundo o último boletim médico, o estado de saúde de Lô Borges é considerado estável. “O estado de saúde é de estabilidade, com todas os parâmetros clínicos em bom nível”, afirmou o hospital. O músico apresenta melhora significativa em seu quadro clínico, mas ainda não há previsão de alta hospitalar.

Discografia

Nascido Salomão Borges Filho, Lô Borges, foi um dos fundadores, ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento, do movimento Clube da Esquina, que revolucionou a música nacional a partir dos anos 1970 e 1980. O movimento, batizado em referência a um disco homônimo de 1972, fundia influências do rock, do jazz e da música psicodélica com a tradição da MPB e das mineiras, criando uma sonoridade atemporal e complexa.

Algumas canções de autoria de Lô Borges: O Trem Azul, Um girassol da cor do seu cabelo, Tudo Que Você Podia Ser e Nada Será Como Antes, em parceria com Milton Nascimento.

A obra de Lô Borges é considerada um dos pilares que sustentam a riqueza e a diversidade da produção musical do país. Ele teve músicas gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis, Skank, Nando Reis, entre outros.

Intoxicação

De acordo com o Conselho Nacional de Farmácia, o caso envolvendo o artista serve como um alerta grave para um problema de saúde público silencioso e frequente. Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) apontam consistentemente os medicamentos como uma das principais causas de intoxicação no Brasil.

A atuação do farmacêutico é uma ferramenta de prevenção necessária. Ele é fundamental para orientar pacientes e familiares sobre a administração correta de cada medicamento, como dose, horários, via administração, o que pode prevenir erros graves.

 Em casos de pacientes que utilizam vários remédios, situação comum entre idosos, o medicamento pode identificar interações perigosas entre as substâncias, potencializando efeitos tóxicos.

Uma das atribuições do farmacêutico “é alertar sobre os riscos da automedicação, uma prática culturalmente enraizada no país, é uma de suas atribuições primordiais. A ingestão inadvertida de um remédio, ou sua combinação com outro, pode ter consequências graves”.



EBC

Moraes assina carta para intimar Paulo Figueiredo nos Estados Unidos


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinou nesta sexta-feira (24) uma carta rogatória para que o blogueiro Paulo Figueiredo seja intimado nos Estados Unidos.

O procedimento foi adotado porque Figueiredo é residente permanente nos Estados Unidos há dez anos e precisa ser informado pessoalmente sobre a denúncia na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusa do crime de coação no curso do processo no inquérito do tarifaço contra as exportações brasileiras. Paulo Figueiredo é neto do ex-presidente da ditadura João Figueiredo.

Na carta, Moraes informou aos Estados Unidos que o acusado deve apresentar defesa no prazo de 15 dias após o recebimento da notificação.

“O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, órgão de cúpula do Poder Judiciário do Brasil, faz saber aos Estados Unidos da América que tramitam nesta Corte os autos do processo em epígrafe”, diz trecho da carta.

A carta rogatória é um procedimento demorado de notificação e deve passar pelas diplomacias do Brasil e Estados Unidos. Além disso, ainda depende da atuação do Judiciário norte-americano. 

Denúncia

Paulo Figueiredo e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram denunciados ao Supremo pelo crime de coação no curso do processo. Ambos estão nos Estados Unidos e foram investigados no inquérito que apurou a participação deles na promoção do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e de sanções contra integrantes do governo federal e do Supremo. 

Na denúncia apresentada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que Eduardo e Figueiredo ajudaram a promover “graves sanções” contra o Brasil para demover o Supremo a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista, o que ocorreu em julgamento realizado em setembro.

Em nota conjunta divulgada após a denúncia, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo desqualificaram a denúncia da PGR e reafirmaram que vão continuar atuando com “parceiros internacionais” para que novas sanções sejam aplicadas a autoridades brasileiras. 



EBC

Licença na Margem Equatorial deve impulsionar debates, diz Ana Toni


A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou nesta sexta-feira (24) que a licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a Petrobras para iniciar operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial não afeta a credibilidade da presidência do Brasil na COP. Segundo ela, a licença deve impulsionar um debate maduro sobre o tema.

“Não acho que afeta diretamente a credibilidade, a legitimidade da presidência da COP porque essas contradições que a gente está vivendo no Brasil, todos os outros países estão também vivendo”, disse ao participar do Encontro com a Imprensa Internacional promovido pela Associação da Imprensa Estrangeira (AIE).

Segundo ela, a licença possibilitará um debate mais amplo com a sociedade sobre o uso de combustíveis fósseis como o petróleo.

“A gente tem um problema de desmatamento, é a nossa maior fonte de emissão. A gente enfrentou aquele problema, debateu com a sociedade, tem políticas públicas, tem um caminho aí para acabar com desmatamento. Esse debate sobre energia no Brasil nunca foi tão maduro, comparado com o que já foi sobre desmatamento e floresta. E eu fico muito feliz que a gente está tendo finalmente um debate cada vez mais maduro sobre que que matriz energética energia que a gente quer para o Brasil, o que que a sociedade quer”, defendeu.

Licença 

Às vésperas para da 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre em novembro, em Belém, o Ibama concedeu à Petrobras a licença para iniciar operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, região localizada no Norte do país, apontada como novo pré-sal devido ao seu potencial petrolífero. 

A medida foi criticada por organizações ambientais, indígenas, quilombolas, de pescadores artesanais, entre outras, que falhas técnicas do processo de licenciamento e alertam para os riscos ambientais

A exploração é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta sexta, disse que o Brasil usará recursos obtidos a partir do petróleo para investir na transição energética. Segundo ele, a grande quantidade de dinheiro obtida com combustíveis fósseis é o que ajudará a Petrobras deixar de ser uma empresa de petróleo para se tornar uma empresa de energia.

Perguntada se o Brasil terá que se defender diante dos outros países por incentivar a exploração de recursos fósseis enquanto a meta global, definida na COP28, é promover uma transição energética e se afastar de petróleo, gás e carvão, Ana Toni diz que acredita que o país não precisa fazer isso.

“Eu não acho que o Brasil precisa se defender, para falar bem a verdade. É uma decisão soberana do governo brasileiro”, disse. “Ao contrário, eu acho que o Brasil está super bem posicionado no quesito de coerência sobre mudança do clima”.

A diretora-executiva disse ainda que o Brasil cumpre as obrigações estabelecidas no Acordo de Paris – tratado internacional adotado em 2015, que visa limitar o aquecimento global e seus impactos através da cooperação de países para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

“O Brasil vem cumprindo com todas as suas obrigações dentro do Acordo de Paris, vem enfrentando abertamente e publicamente de maneira transparente os seus maiores desafios, como foi o tema do desmatamento, e como a gente vai enfrentar também a transição energética”, defendeu.

E acrescentou: “Esse debate vai estar na nossa COP e eu espero que todos os países encarem as suas contradições e os seus desafios, de maneira transparente assim como a gente tá fazendo aqui no Brasil”.

Cenário internacional

Sobre a participação na COP, Ana Toni disse que até o momento 163 delegações estão credenciadas e 132 já estão com as acomodações garantidas. “Esse número é bem alto e daqui até lá tenho certeza que o resto também conseguirá as suas acomodações”, disse.

A diretora-executiva comentou ainda os impactos do cenário internacional nas negociações do clima que ocorrerão na Conferência. “São guerras militares, guerras comerciais que estão acontecendo no mundo inteiro, que certamente vão afetar a COP30 porque nenhuma convenção é uma bolha, ela é afetada pela geopolítica que temos”, disse.

Entre os impactos está o anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. “Isso é obviamente muito marcante, isso já aconteceu no passado, mas agora a gente tá vendo uma um posicionamento sobre clima dos Estados Unidos nacional e internacional muito mais forte”, destaca.

Segundo a Ana Toni, o presidente Lula deverá reforçar o convite para participar da COP ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso se encontrem na cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e para o encontro de líderes do Leste Asiático (EAS), na Malásia. 

“Tenho certeza de que o presidente Lula vai novamente reforçar o convite para o presidente Trump para vir para a COP”, disse. “Se eles vierem, serão muito bem tratados. Logicamente eles são partes do Acordo de Paris, da Convenção do Clima e serão tratados como qualquer outro negociador”.



EBC

Brasil tem 58 casos de intoxicação por metanol; mortes chegam a 15


O número de notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas atualizado pelo Ministério da Saúde, nesta sexta-feira (24), indica, ao todo, 58 casos confirmados e 50 em investigação. Já foram descartadas 635 notificações.

O registro de mortes chegou a 15, sendo nove em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco.

Mais nove óbitos seguem em investigação: quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e um em São Paulo. Foram descartadas 32 notificações de óbitos que estavam sob investigação.

>>Metanol: Entenda como é feita a análise de bebidas adulteradas

São Paulo lidera 

O estado de São Paulo segue com o maior número de casos: 44 confirmados e 14 em investigação. Há ainda seis casos confirmados no Paraná, cinco em Pernambuco, um no Rio Grande do Sul, um em Mato Grosso e um em Tocantins.

 


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arte-metanol – Arte/Agência Brasil



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