Ativista brasileiro é deportado da Argentina por ordem do governo Milei


O ativista pelos direitos humanos Thiago Ávila, conhecido internacionalmente por sua atuação em defesa da causa Palestina, foi detido nesta terça-feira (31),  em Buenos Aires, ao desembarcar com sua esposa e filha em um dos aeroportos da capital argentina.

Segundo relatos de diversos apoiadores e também de sua companheira, Laura Souza, compartilhados nas redes sociais, o ativista teve o ingresso no país negado. Ele participaria de atividades e debates de divulgação da Global Sumud Flotilla, da qual é um dos dirigentes. 

A articulação envolve movimentos da sociedade civil que buscam furar o bloqueio e levar apoio internacional a comunidades vítimas de violações internacionais, especialmente na Faixa de Gaza.

Em nota, a Global Sumud Flotilla Brasil informou que Ávila, esposa e filha, uma criança com menos de dois anos, foram parados pela polícia aeroportuária ao chegarem no Aeroparque Jorge Newbery, aeroporto que fica na área central de Buenos Aires, por volta das 10h30 da manhã. Eles vinham de atividades no Uruguai.

“O ativista foi separado de sua família por alegações de problemas com o passaporte. Dali, foi encaminhado para uma delegacia onde os policiais o disseram que sabiam quem ele era, que não seria bem-vindo na Argentina, e que não seguiria para a atividade”, informou a entidade. A ordem, segundo relatos de parlamentares do país vizinho, teria sido dada pelo “alto escalão do governo argentino”. 

O presidente do país, o ultradireitista Javier Milei, é conhecido por sua defesa do Estado de Israel, apoiou a guerra em Gaza e é fã declarado do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Nenhuma autoridade da Argentina se manifestou sobre o ocorrido, até o momento.

Ainda de acordo com o relato da Global Sumud Flotilla Brasil, o grupo de solidariedade à Palestina na Argentina informou que Thiago se recusou a entrar no avião para ser deportado de forma imediata, de volta ao Uruguai, como queriam os policiais.

Após negociações, Ávila conseguiu ser levado ao Aeroporto de Ezeiza, o principal do país, de onde partirá para Barcelona, nesta quarta-feira (1º), em viagem que já estava prevista após a passagem por Buenos Aires.

No ano passado, Ávila e outras dezenas de ativistas, incluindo cerca de 11 brasileiros, chegaram a ser capturados por forças militares de Israel quando tentavam chegar à Faixa de Gaza, por via marítima, para entregar alimentos e medicamentos. O caso gerou grande repercussão internacional, e eles foram liberados após ficarem detidos em prisões israelenses, sob denúncia de tortura.  



EBC

INSS antecipa quase 30 mil agendamentos durante mutirão


O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que quase 30 mil agendamentos foram antecipados durante mutirão realizado no fim de semana passado (28 e 29 de março).

As equipes atenderam em todas as regiões do país.

De acordo com o instituto, a ação é para reduzir a fila de espera pelos exames de perícia médica e avaliações necessárias para liberação de benefícios previdenciários e assistenciais, como Auxílio por Incapacidade Temporária (antigo auxílio-doença) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).

Nas regiões com poucos peritos, a perícia é feita por teleatendimento. Neste caso, o segurado vai até uma agência do INSS e faz a perícia por videoconferência com um médico de outra localidade.

Durante o mutirão no dias 28 e 29 de março, a Região Nordeste registrou o maior número de atendimentos, 13.652. Em seguida, aparecem o Sudeste (7.687), Norte (3.928), Centro-Oeste (2.649) e Sul (1.076). 

 

 



EBC

Em busca do bi, Calderano vence estreia na Copa do Mundo de Macau


De olho no bicampeonato consecutivo, o brasileiro Hugo Calderano estreou com vitória acachapante na Copa do Mundo de tênis de mesa em Macau (China), nesta terça-feira (31), segundo dia de competições. Atual número 3 do mundo, o carioca precisou de 17 minutos para derrotar o tcheco Lumomir Jancarik (41º no ranking) por 3 sets a 0 (parciais de 11/4, 11/5 e 11/2) no primeiro jogo do Grupo 3.

Cabeça de chave, Calderano fará partida decisiva nesta quarta (1º) contra o sueco Kristian Karlsson (38º), a partir das 9h (horário de Brasília). O adversário estreou na segunda (30), também com vitória sobre Jancarik. Quem ganhar o segundo duelo da chave avança direto às oitavas de final.

A disputa da chave de simples reúne 48 atletas (em cada gênero), divididos em 16 grupos de três. Calderano está entre os favoritos ao título masculino, assim como o número 1 do mundo, o chinês Wang Chuqin; o vice-líder do ranking, o sueco Truls Moregard; o japonês Tomokazu Harimoto (4º) e o francês Felix Lebrun (6º).  

Na primeira fase do torneio, todos jogam entre si na mesma chave, em partidas definidas em melhor de cinco sets. Os primeiros colocados em cada grupo – total de 16 classificados – irão ao mata-mata (oitavas, quartas, semifinais e final). A partir das oitavas, os duelos serão em melhor de sete parciais.

Em abril do ano passado, Calderano faturou o título inédito da Copa do Mundo de Macau, tornando-se o primeiro mesatenista das Américas a conseguir a façanha. Na ocasião ele superou os principais cabeças de chave do torneio, até então vencido apenas por asiáticos e europeus.


Bruna Takahashi - tênis de mesa

Após estreia fácil, a paulista Bruna Takahashi enfrenta a romena Bernadette Szocs por vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de Macau  – Reprodução Twitter/CBTM

Bruna Takahashi compete nesta quarta

A paulista Bruna Takahashi (21ª no ranking) encara a romena Bernadette Szocs (25ª) a partir das 10h45 desta quarta (1º), no segundo jogo da disputa de simples feminina. A brasileira busca o segundo triunfo seguido na fase de grupos para chegar à fase eliminatória. Takahashi chega ao confrontos após vitória fácil na estreia: em 15 minutos ela superou a argelina Tania Morice (113ª) por 3 sets a 0 (11/4, 11/6 e 11/7).

Na edição passada, Takahashi protagonizou a melhor campanha de uma atleta brasileira na Copa de Macau. Ela parou nas quartas de final, após revés para a chinesa Chen Xingtong, atual número 3 do mundo.

Programação

quarta (1º) – últimos jogos da fase de grupos; 

quinta (2) – oitavas de final;

sexta (3) – quartas de final;

sábado (4) – semifinal;

domingo (5) – final.





EBC

Documentos do antigo Dops são transferidos para arquivo público do RJ


Documentos históricos do antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio de Janeiro, começaram a ser transferidos nesta terça-feira (31) para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj).

A medida atende a uma recomendação do Ministério Público Federal e busca garantir a preservação de um acervo considerado fundamental para a memória da ditadura militar no país.

A recomendação foi expedida em dezembro de 2025, no âmbito de inquérito civil conduzido pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, após a constatação de condições precárias de armazenamento no imóvel histórico. Segundo o procurador, a situação encontrada nas primeiras vistorias era alarmante.

“Havia documentos armazenados em sacos de lixo, acumulados no chão, sem identificação adequada e sem condições mínimas de preservação”, afirmou.

Para ele, a transferência do material representa um passo essencial para garantir o acesso público e a integridade de registros históricos sensíveis.

“A preservação desse acervo é essencial para assegurar o direito à memória, à verdade e à informação. Esses documentos não pertencem apenas ao Estado, mas à sociedade brasileira”, destacou Araujo.

 


Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2025 - Foto feita em  24/11/2014 – Prédio da antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante visita da Comissão da Verdade, em 2014, na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto feita em 24/11/2014 na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante visita da Comissão da Verdade, em 2014, na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Grupo de trabalho

Ao longo das investigações, o MPF articulou uma atuação conjunta com a Secretaria de Estado de Polícia Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Aperj, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e representantes da sociedade civil. O diálogo resultou na criação, em julho de 2024, do Grupo de Trabalho Dops.

Sob supervisão técnica do Aperj, o grupo realizou o tratamento inicial do acervo, com organização de documentos textuais e bibliográficos e identificação de materiais de maior relevância histórica, especialmente aqueles que registram perseguições políticas, violações de direitos humanos e práticas de tortura durante o regime militar.

A transferência ocorre em um momento de reforço das políticas de memória no país. Em novembro de 2025, o antigo prédio do Dops, localizado na Rua da Relação, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como patrimônio cultural brasileiro.

 


Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2025 - Foto feita em 24/11/2014 – Prédio da antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante visita da Comissão da Verdade, em 2014, na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto feita em 24/11/2014 na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante visita da Comissão da Verdade, em 2014, na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Memória

A expectativa de movimentos sociais e do próprio MPF é que o local seja transformado em um memorial dedicado às vítimas da violência de Estado, lembrando que durante décadas, o prédio foi símbolo de prisões arbitrárias, interrogatórios e torturas.

Por suas dependências passaram nomes como a médica Nise da Silveira, o ativista Abdias Nascimento e a militante Olga Benário, entre outros perseguidos políticos.

Com a transferência para o Aperj, o acervo passa a contar com condições técnicas adequadas de conservação e catalogação, além de perspectiva de futura disponibilização para consulta pública.

Para o MPF, a iniciativa não apenas protege documentos históricos, mas também reafirma o compromisso institucional com a transparência e a não repetição de violações:

“A atuação do Ministério Público busca garantir que documentos produzidos por órgãos de repressão sejam preservados e acessíveis, como forma de fortalecer a democracia e evitar que esse tipo de violência se repita”, concluiu Julio Araujo.



EBC

MP da subvenção de R$ 1,20 no diesel sai esta semana, diz Durigan


O Ministério da Fazenda deve publicar ainda nesta semana a medida provisória que cria um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro. A informação foi confirmada nesta terça-feira (31) pelo ministro Dario Durigan, que afirmou que o governo tenta garantir a adesão de todos os estados antes da publicação.

“Eu ainda aguardo que eles adiram para que todo mundo participe”, disse o ministro, ao comentar que dois ou três estados ainda resistem à proposta.

Busca por consenso

Apesar da tentativa de unanimidade, Durigan destacou que a medida não depende da adesão total dos governadores para entrar em vigor.

“Eu gostaria que tivesse unanimidade para que a gente fizesse o quanto antes, sem qualquer tipo de ruído ou de questionamento. Mas ainda que busquemos unanimidade, a gente não precisa de unanimidade”, afirmou.

Segundo o ministro, o governo está próximo de alcançar consenso entre os estados, após negociações conduzidas nos últimos dias.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Divisão custos

A proposta prevê que o custo total de R$ 3 bilhões, ao longo de dois meses, seja dividido igualmente entre a União e os estados. Cada ente – União e estado – arcaria com R$ 0,60 por litro subsidiado.

A iniciativa tem como objetivo conter a alta dos combustíveis e evitar riscos de desabastecimento, diante da defasagem entre os preços internos e o mercado internacional.

Medida temporária

O subsídio deve valer entre abril e maio e foi desenhado como resposta aos impactos da alta do petróleo, influenciada por tensões no Oriente Médio.

Segundo Durigan, há entendimento entre os governadores de que a ação é pontual. “Os governadores entenderam que é uma medida limitada e temporária”, disse.

Pressão externa

O aumento dos preços dos combustíveis está ligado ao cenário internacional, especialmente aos conflitos no Oriente Médio, que elevaram o valor do barril de petróleo e pressionaram os custos no Brasil.

Nesse contexto, o governo federal busca alternativas emergenciais para reduzir os impactos sobre consumidores e setores produtivos.

Inadimplência

Durigan também comentou as medidas para reduzir a inadimplência em estudo pelo governo. Ele disse ter recebido um diagnóstico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre onde está a maior parte do endividamento da população e disse que está se reunindo com outros ministérios para definir um pacote de ajuda.

Segundo o ministro, ainda não há data para o lançamento das medidas porque os estudos estão em fase inicial. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Durigan um conjunto de ações para diminuir a inadimplência no país.

De acordo com os números mais recentes do Banco Central (BC), o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,7% da renda anual em janeiro, próximo do recorde de 49,9% registrado em julho de 2022. O indicador compara a dívida total de um lar com a renda da família em um ano.

A parcela da renda das famílias comprometida com as instituições financeiras subiu de 26,9% em dezembro para 27,1% em janeiro. O indicador mede o quanto da renda mensal as famílias usam para pagar as parcelas.



EBC

Brasil cria 255,3 mil postos de trabalho em fevereiro, aponta Caged


Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que 255.321 postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em fevereiro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

O saldo é maior em relação a janeiro, quando o país criou 115.018 empregos.

A criação de empregos caiu 42% em comparação a fevereiro do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 440.432 postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.

Em relação aos meses de fevereiro desde 2020, esse é o terceiro resultado mais baixo da série, só perdendo para o mesmo mês de 2020 (+217,329 postos) e de 2023 (+252.480 postos). A mudança da metodologia impede a comparação com anos anteriores a 2020.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Acumulado

Em janeiro e fevereiro, o Caged registrou queda de 37,8% no acumulado de vagas formais. Foram 370.339 nos dois primeiros meses de 2026 contra 594.953 no mesmo período de 2025.

Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores.

Setores

Na divisão por ramos de atividade, todos os cinco setores pesquisados criaram empregos formais em fevereiro.

  • Serviços: 177.953 postos
  • Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): 32.027
  • Construção civil: 31.099
  • Agropecuária: 8.123
  • Comércio: 6.127

Tradicionalmente, o mês de fevereiro é fraco para o comércio, que se recupera dos fins dos contratos temporários no Natal.

Destaques

Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com a abertura de 79.788 postos formais. A categoria de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas abriu 48.132 vagas.

Na indústria, o destaque positivo ficou com a indústria de transformação, que contratou 29.029 trabalhadores a mais do que demitiu. Em segundo lugar, ficou o segmento de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação, que abriu 1.626 vagas. A indústria extrativa abriu 1.199 vagas em fevereiro

Regiões e estados

Todas as cinco regiões registraram abertura de vagas formais em fevereiro.

>> Veja abaixo o desempenho de cada região:

  • Sudeste: 133.052 postos
  • Sul: 67.718
  • Centro-Oeste: 32.328
  • Nordeste: 11.629
  • Norte: 10.634

Na divisão por unidades da Federação, 24 registraram saldo positivo e três demitiram mais do que contrataram. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (+95.896 postos); Rio Grande do Sul (+24.392) e Minas Gerais (+22.874).

Os estados que eliminaram empregos formais em fevereiro foram Alagoas (-3.023), Rio Grande do Norte (-2.221) e Paraíba (-1.186);

Carteira assinada

Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou fevereiro em 48.837.602, alta de 0,53% em relação a janeiro e de 2,19% em relação ao mesmo mês do ano passado.



EBC

Jornalista da comunicação do Psol denuncia perseguição e ameaças


O jornalista Fernando Busian, integrante da equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), denuncia que tem sido alvo de ameaças desde a última quarta-feira (25). 

O caso foi registrado na segunda-feira (30) na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, e o comunicador acredita que a motivação é violência política. “Discurso bem de extrema-direita”, classifica em entrevista à Agência Brasil.

Busian conta que os ataques começaram depois do envio de um comunicado à imprensa sobre a troca de comando da Federação PSOL-Rede. O texto foi enviado a uma lista com 1,7 mil destinatários de diferentes partes do país.

No mesmo dia, mensagens sobre cemitérios e serviços funerários começaram a chegar, e um perfil falso em seu nome foi criado na plataforma GetNinjas, usada para a contratação de prestadores de serviços. A partir desse cadastro, ele relata que recebeu orçamentos de mais serviços funerários e de empresas de segurança.

“Bloqueei o primeiro [orçamento falso], o segundo. O terceiro já veio com um portfólio de serviços de segurança. Aí, disse, opa. Com cemitério e serviço de segurança, eu fiz o link”, conta.

A reportagem procurou a GetNinjas e aguarda retorno. Caso haja manifestação da empresa, será adicionada à matéria. 

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Endereço e familiares

A situação se agravou ainda na quinta-feira (26), quando mensagens anônimas no WhatsApp fizeram referência à região onde o jornalista mora e ao nome de sua mãe.

“Ela sabe que o filho dela é um lixo?”, dizia uma das mensagens, segundo o comunicador, que acredita que as ameaças tenham conotação política por conta de sua atuação profissional junto ao Psol. 

“Só para começo de conversa: não sou filiado, nada. Inclusive, o pessoal me contratou por isso, porque já trabalhei para outros políticos, outras tendências políticas e tenho trânsito na imprensa. Então, tenho um bom nome, credibilidade. Não sou uma pessoa militante”, afirma. 

Violência contra jornalistas

Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificam o caso como grave, por envolver ameaças de morte que se estendem a familiares do jornalista, além de vigilância e vazamento de dados pessoais. 

“Trata-se de um episódio gravíssimo, que não pode ser naturalizado. O SJSP e a Fenaj prestam toda a solidariedade e apoio ao jornalista e cobrarão das autoridades a devida investigação, em especial no âmbito dos crimes virtuais e do uso indevido de dados pessoais, para que os responsáveis sejam identificados e punidos.”

Em seu último relatório sobre violência contra jornalistas, a Fenaj contabilizou 144 ataques contra esses profissionais em 2024, número que representa diminuição em relação aos anos anteriores. 

Durante a pandemia de covid-19 e o governo de Jair Bolsonaro, os ataques chegaram ao patamar recorde de 430 casos, em 2021, número que caiu para 181 em 2023.



EBC

Suspeito de operar falso estacionamento é preso em São Paulo


A Polícia Civil de São Paulo anunciou nesta terça (31) que prendeu um homem suspeito de participar de um esquema em que um falso estacionamento era usado para roubar carros no bairro do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. A detenção aconteceu durante a noite de segunda-feira (30).

Após a divulgação de que o investigado era um dos envolvidos no crime, o suspeito se apresentou voluntariamente na 34ª Delegacia de Polícia da capital. O homem foi acusado de furto qualificado e associação criminosa.

Para chegar aos criminosos, a polícia rastreou as transações financeiras realizadas via Pix no local do golpe. Os valores eram encaminhados para a conta de uma parente do acusado que, de acordo com a polícia, não tem ligação com os crimes.

O prazo inicial de detenção é cinco dias, podendo ser estendido por igual período, conforme previsto na legislação. O indivíduo foi levado ao 91º Distrito Policial e apresentado em audiência de custódia na manhã desta terça-feira.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Falso estacionamento

No dia 22 de março, criminosos montaram um falso estacionamento em um terreno próximo de uma casa de shows, no bairro do Butantã. O grupo simulava um serviço comum ao utilizar coletes, placas improvisadas e recibos falsos.

Ao menos sete pessoas registraram boletim de ocorrência depois que seus veículos foram roubados. As imagens de câmeras de segurança mostram que os carros eram retirados do local em poucos minutos.

Alguns dos veículos foram localizados em um desmanche ilegal na zona leste da cidade, o que fortalece a suposição de que o delito possa ter sido planejado e possivelmente encomendado. A busca por outros tipos de automóveis continua. As investigações da Polícia Civil seguem com o objetivo de identificar e capturar os demais participantes do esquema.

 




EBC

Longa da UFF vai investigar os ecos da escravidão no Brasil e no mundo


Um documentário de longa-metragem em fase de pré-produção promete lançar luz sobre como a escravidão ainda estrutura desigualdades sociais, econômicas e políticas no Brasil contemporâneo.

Desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o projeto reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros em uma investigação que conecta passado e presente a partir de uma perspectiva transnacional.

A produção integra um amplo projeto internacional financiado pelo governo britânico, que envolve instituições acadêmicas de vários países, como a University of Bristol, universidades em Gana e na Dominica, além da parceria com o’’ Cultne’’, organização brasileira dedicada à preservação da memória audiovisual da cultura negra.

À frente do roteiro e da produção no Brasil está a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora do Departamento de História da UFF. Em entrevista à Agência Brasil, ela explica que o filme nasce de uma pesquisa mais ampla sobre reparações históricas da escravidão em diferentes territórios.

“A ideia é pensar não só as reverberações da escravidão atlântica de maneira comparada e conectada, mas sobretudo entender como os processos de reparação vêm sendo construídos nesses países”, afirma.

No Brasil, o documentário terá como eixo central a região da Pequena África, no Rio de Janeiro, especialmente o Cais do Valongo que é reconhecido como o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp


Rio de Janeiro (RJ), 23/11/2023 – Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro, recebe obras de valorização do espaço. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 23/11/2023 – Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo a pesquisadora, o território é simbólico não apenas pela dimensão histórica, mas também pelas lutas contemporâneas de moradores, ativistas e pesquisadores: “É um território muito emblemático. A ideia é pensar as reparações possíveis a partir das narrativas e das lutas sociais construídas ali”, explica.

O projeto também contará com a participação do Instituto Pretos Novos, que atua na preservação da memória de africanos escravizados a partir de vestígios arqueológicos encontrados na região.

Para Ynaê Lopes, o documentário parte de uma questão urgente: compreender como estruturas criadas durante a escravidão permanecem ativas na sociedade brasileira.

“Nós temos a manutenção de uma desigualdade que foi criada durante a escravidão e que não foi resolvida ao longo de mais de 130 anos de República”, afirma.

A proposta é revelar o funcionamento do racismo a partir da experiência histórica da população negra, evidenciando impactos que atravessam diferentes dimensões da vida social.

“Existe uma desigualdade abissal entre a população branca e a população negra. E discutir reparação não é apenas sobre a população negra — é sobre o país inteiro,” destaca Ynaê.

O documentário brasileiro fará parte de uma série de produções realizadas em diversos países, cada uma abordando a escravidão a partir de seu território, mas em diálogo com as demais.

A escolha dos países parceiros – Brasil, Inglaterra, Gana e Dominica – busca refletir as múltiplas dimensões do sistema escravista atlântico: “A Inglaterra foi o país que mais traficou africanos escravizados e também um dos primeiros a liderar o movimento abolicionista. Hoje, participa desse debate reconhecendo sua responsabilidade histórica”, assinala a historiadora.

Além do longa, o projeto prevê a produção de conteúdos audiovisuais curtos para uso educacional, alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às leis que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas.

A iniciativa também aposta no audiovisual como ferramenta de democratização do conhecimento acadêmico: “A universidade pública produz conhecimento de qualidade. O desafio é transformar isso em uma linguagem que dialogue com o público mais amplo”, afirma Ynaê.

 


06/09/2023,  Entrevista com Ynaê Lopes dos Santos, historiadora e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF). Foto: Ricardo Borges/ Divulgação

06/09/2023, Ynaê Lopes dos Santos, historiadora e professora da UFF, está à frente do roteiro e da produção do documentário no Brasil . Foto: Ricardo Borges/ Divulgação – Ricardo Borges/ Divulgação

Segundo ela, o filme pretende equilibrar rigor histórico e acessibilidade, valorizando o protagonismo de lideranças negras, pesquisadores e moradores da região.

“A ideia é fazer um bom uso do audiovisual, criando conexões, emoções e trazendo protagonismo para quem sempre esteve à frente dessa luta,” diz a historiadora.

Ainda sem título definido, o documentário deve ser concluído até o fim de 2027. A equipe avalia, inclusive, a possibilidade de desdobrar o projeto em uma série, diante da complexidade do tema.

Mais do que revisitar o passado, a proposta é provocar o presente: “Falar de reparação é falar de um problema atual. É uma discussão que tem o tamanho da história do Brasil e que precisa ser enfrentada”, conclui Ynaê.



EBC

Justiça argentina barra trechos da reforma trabalhista de Milei


Uma decisão da Justiça da Argentina suspendeu trechos importantes da reforma trabalhista do governo Javier Milei, alterando uma das principais apostas do governo.

A decisão provisória foi divulgada nesta segunda-feira (30) e atinge 82 artigos da lei, aprovada pelo Senado em fevereiro, em meio a protestos e forte disputa política.

Entre os pontos suspensos estão a ampliação da jornada para até 12 horas diárias sem pagamento de horas extras, a redução e o parcelamento de indenizações por demissão, e restrições ao direito de greve.

Também ficam sem efeito regras que dificultavam o reconhecimento de vínculo empregatício e medidas que limitavam a atuação de sindicatos.

A decisão foi tomada após um pedido da principal central sindical do país. O juiz responsável entendeu que a aplicação imediata das mudanças poderia causar danos irreparáveis aos trabalhadores, caso a lei seja considerada inconstitucional no julgamento final.

A suspensão é temporária, e o governo ainda pode recorrer. O caso mantém o embate entre a gestão Milei, que defende a flexibilização das regras, e os sindicatos, que apontam perda de direitos.

Confira as informações sobre a decisão argentina o Repórter Brasil, da TV Brasil

*Com informações da Reuters

 



EBC