Atleta do taekwondo se despede de seu último JUBs com tricampeonato


A estudante Laura Paiva encerrou esta semana a última participação dela nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) com ouro. Aos 25 anos, ela foi a grande vencedora da categoria até 49kg no taekwondo e se tornou tricampeã dos Jubs. Dessa vez com uma grande diferença. A competição aconteceu em Natal e Laura pôde contar com a torcida da família e dos amigos. “Eu participo dos Jubs desde 2019, eu fechei um ciclo, eu fechei com chave de ouro, eu sou tricampeã, e contei com a minha torcida, com os meus pais, meus colegas de treino, então não teve sensação melhor”, festeja ela.

Laura é formada em Geografia e atualmente cursa o sexto período de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e está no primeiro período do mestrado em Geografia na mesma universidade. Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, ela também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim. Uma rotina agitada.

“Não é fácil, e eu acredito que eu só consigo fazer tudo isso porque eu tenho realmente uma rede de apoio. Eu tenho meus pais, eu não moro mais com eles, mas eu tenho eles a todo momento, a toda hora que eu preciso. Eu tenho meu companheiro que também está pra cima e pra baixo comigo na hora que eu preciso. Sem eles eu não conseguiria˜, explica.


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Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, Laura Paiva também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim (RN) – Paulo José/CBDU/Direitos Reservados

Mesmo com as dificuldades para encaixar tudo na agenda, Laura não abre mão da prática esportiva e acredita que ela traga muitos benefícios pra rotina.

“A mente do atleta eu vejo como uma mente diferenciada. A gente pratica não porque espera um resultado financeiro, mas pelo que a gente sente, pelo que a gente quer alcançar, pelos sonhos. Quando a gente coloca algo na cabeça, está acima de tudo. A gente vai realmente atrás daquilo que a gente quer. E eu acredito que hoje eu só consigo fazer tudo isso, tanto na vida esportiva, de atleta profissional, quanto na acadêmica, por causa do esporte”, revela.

O amor da Laura pelo esporte acabou contagiando também os alunos dela. “A gente tem que pensar muito no esporte para além do alto rendimento, mas o esporte como parte do desenvolvimento humano”, acredita. Laura conta que começou um projeto de taekwondo na escola em que trabalha e mais de 25 alunos conseguiram se classificar para a fase final dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns).

“Isso vindo de uma escola pública que é uma escola rural dentro de uma comunidade quilombola”, completa ela. Laura destaca que é gratificante ver o empenho dos alunos no esporte. “Eles conseguem viver ali aquela prática esportiva para além do que hoje em dia é muito comum pra adolescente, que são as redes sociais, as telas e tudo mais”, conclui.

* Verônica Dalcanal viajou a Natal à convite da Confederação Brasileira de Desportos Universitários.



EBC

Corinthians goleia Boca Juniors e vai à semi da Libertadores Feminina


Atual pentacampeão, o time feminino de futebol do Corinthians ficou mais perto de alcançar o hexa na tarde deste sábado (11). As Brabas avançaram às semifinais com goleada de 4 a 0 sobre o Boca Juniors no Estádio Francisco Urbano, na Argentina. O show do Timão teve hat-trick (três gols) da camisa 10 Gabi Zanotti, de 40 anos, artilheira da competição, com total de seis gols. A atacante Jhonson entrou no segundo tempo e em nove minutos em campo balançou a rede e completou o placar.

As adversárias das Brabas serão definidas no jogo de logo mais, às 20h (horário de Brasília), no duelo entre Ferroviária (Guerreiras Grenás) e a equipe equatoriana Dragonas Independiente del Valle. O terceiro time brasileiro nas quartas de final é o São Paulo que enfrenta o colombiano Deportivo Cali, às 20h de domingo (12), no Estádio Florêncio Sola, também na Argentina.

O jogo mal começou e a árbitra anotou pênalti: Bia Zanotti tentou dar um chapéu e a bola tocou no braço da zagueira Baccaro. A penalidade foi confirmada pelo VAR, e a própria Bia cobrou, aos seis minutos, abrindo o placar para as Brabas. Seis minutos depois, Zanotti balançou a rede de novo, aproveitando o escanteio marcado por Andressa Alves. Abaladas, as argentinas não conseguiam cruzar o meio campo. Já as brasileiras seguiram pressionando e conseguiram ampliar a vantagem para 3 a 0, novamente com ela, Bia Zanotti, desta vez de cabeça, após bela cobrança de falta de Duda Sampaio aos 40 minutos.

Na volta do intervalo, as Brabas mantiveram o ritmo intenso. Aos 16 minutos, Ariel Godoi finalizou com perigo, mas a goleira Oliveiros, do Boca, defendeu. A noite era mesmo do Corinthians: nove minutos após entrar em campo no lugar da camisa 10 Zanotti,  Jhonson completou a goleada de 4 a 0, após assistência de Letícia Monteiro aos 22 minutos. A partir daí, As Brabas administraram a vantagem, Do lado adversário, Kishi Núñez tentou o gol de honra em bolas chutadas de fora da área, mas finalizou todas para fora do gol.





EBC

Morre Diane Keaton, uma das atrizes mais celebradas de Hollywood


Vencedora do Oscar de Melhor Atriz de 1977 pelo filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Diane Keaton morreu neste sábado (11), aos 79 anos, segundo um comunicado divulgado por sua família. Ainda não há detalhes das causas.

Diane começou sua carreira no teatro e em 1970 chegou ao cinema e à TV, fazendo participações em filmes menores e em seriados. Seu primeiro longa foi As Mil Faces do Amor. Depois disso fez aparições em algumas séries e em 1971 entrou para o elenco de O Poderoso Chefão, que seria lançado em 1972. Ela já se tornou bem conhecida por sua atuação neste clássico de Francis Ford Coppola e sua carreira deslanchou rapidamente depois disso. No mesmo ano atuou em Sonhos de um Sedutor ao lado de Woody Allen. Em 1974, trabalhou em O Poderoso Chefão 2.

Já com bastante reconhecimento, Diane seguiu em grandes produções em Hollywood. Em 1977 ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, mais uma colaboração sua com o diretor e roteirista Woody Allen.

A atriz teve uma longa carreira e seguiu trabalhando bastante até recentemente. Seu último trabalho nas telas foi Summer Camp, mas ela também atuou em outras produções famosas nos últimos anos como De Repente 70, Procurando Dory (dublagem), Tudo em Família, O Pai da Noiva etc.

Diane nasceu em Los Angeles, em 1946, e nunca se casou oficialmente. Ela deixa dois filhos: Dexter e Duke.




EBC

Batalha de startups distribui R$ 200 mil em festival de inovação


Subir ao palco, pegar o microfone e vender em três minutos uma solução tecnológica para algum problema produtivo do país. Em jogo, dez prêmios de R$ 20 mil para o empurrão inicial do negócio.

Foi com esse desafio que chegou ao último dia, neste sábado (11), a primeira edição do Curicaca, festival sobre tecnologia e sustentabilidade na indústria promovido em Brasília pelo governo federal com a participação de diversas entidades ligadas à indústria nacional.

O edital havia sido lançado em agosto pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e um dos responsáveis por realizar o Curicaca.  

Ao todo, 40 projetos se inscreveram para o Desafio Nacional de Inovação, concebido para ocorrer como uma “batalha de startups”, formato já bem conhecido por jovens empreendedores que viajam pelo país em busca de financiamento para ideias originais.


Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Para o nosso projeto esse tipo de rodada de pitching é muito comum”, conta Antônio Silveira, de 19 anos, um dos mais jovens integrantes de um projeto de extensão na Faculdade Tecnológica de Pompéia Shunji Nishimura, no interior de São Paulo, que se transformou em startup.

O grupo, hoje com 12 alunos integrantes, desenvolveu o projeto Vigilância Agrícola e Resposta Digital, integrando antigas técnicas de captura de pragas com análises de inteligência artificial que permitem otimizar a colocação das armadilhas de combate a bichos como os tripes, pequenos insetos que prejudicam a cultura do algodão e outras.

A ideia conta com financiamento inicial da própria faculdade e venceu recentemente uma outra “batalha”, dessa vez por R$ 15 mil, no Desafio de Inovação Holambra Cooperativa, uma das mais tradicionais disputas de soluções tecnológicas para a agroindústria.

“Esse primeiro suporte financeiro ajuda muito, a gente precisa. Hoje a gente tem um protótipo, mas queremos transformar em um produto comercializável, perseguindo também a patente tecnológica”, observou Silveira.

Curicaca

Realizado entre os dias 7 e 11 de outubro no Estádio Mané Garrincha (Arena BRB), com entrada gratuita, o Festival Curicaca foi criado neste ano pela ABDI com inspiração em grandes conferências de tecnologia internacionais que unem promoção da inovação, discussões acadêmicas, debates sobre desafios das indústrias, questões ambientais e programação cultural.

Foram quatro palcos que em cinco dias de evento receberam discussões sobre tecnologia, inovação e sustentabilidade para a indústria e o desenvolvimento.

Os debates foram divididos em dez “trilhas do conhecimento”:

  • Energia renovável e sustentabilidade energética;
  • Inovação em saúde e biotecnologia;
  • Transformação digital e Indústria 4.0;
  • Segurança e defesa tecnológica;
  • Indústria verde e economia circular;
  • Agroindústria sustentável e agricultura familiar;
  • Inovação social e desenvolvimento regional;
  • Políticas e regulação;
  • Infraestrutura sustentável e mobilidade verde;
  • Tecnologia criativa e inclusão digital.

Brasília (DF), 11/10/2025 - Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Festival Curicaca foi realizado em Brasília Foto: José Cruz/Agência Brasil

Neste sábado (11), por exemplo, foram discutidos os temas “mulheres nas deep techs brasileiras”, sobre a presença feminina na ciência e inovação, e “narrativas que constroem ou desmontam: como a desinformação impacta a indústria e o que fazer diante das fake news?”.

À noite, o evento será encerrado com o show de Jorge Aragão, em palco montado no próprio Mané Garrincha. Em outros pontos de Brasília ocorrem outras apresentações musicais, com artistas como Dj Marky e bandas como Dead Fish.

O festival é uma das iniciativas previstas no programa Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial de longo prazo lançada pelo governo em 2024 e que prevê um investimento total de R$ 300 bilhões até 2026.  

O presidente da ABDI, Ricardo Capelli, descreveu o Festival Curicaca como um “esforço de aproximar indústria, inovação, universidades e institutos federais, para fortalecer e discutir a indústria do futuro, que não é mais feita de chaminé e fumaça, mas de inovação, biotecnologia e sustentabilidade”.

Além de investimento estatal direto, o evento foi em parte custeado pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura.



EBC

TV Brasil e Canal Gov transmitirão Círio de Nazaré neste domingo


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) prepara uma ampla operação para transmitir ao vivo, no próximo domingo (12), o Círio de Nazaré, diretamente de Belém (PA). A cobertura envolverá três frentes: a TV Brasil, em parceria com a TV Cultura do Pará, emissora que integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP); o Canal Gov, em colaboração com o Ministério do Turismo; e a TV Brasil Internacional, que vai replicar a transmissão para ampliar a visibilidade global do evento.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan e Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Círio é uma das maiores manifestações religiosas do mundo, reunindo milhões de fiéis em procissão pelas ruas de Belém. A tradição, iniciada em 1793, é um marco da cultura amazônica e do turismo religioso brasileiro.

Das 7h às 8h, a TV Brasil transmite o início da procissão. Além do acompanhamento do percurso em tempo real, a programação contará com entrevistas realizadas em um estúdio panorâmico, reportagens sobre os símbolos e tradições do Círio e apresentações musicais ao vivo. A cobertura retorna às 12h com a chegada da imagem peregrina à Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, um dos pontos culminantes da celebração.

O Canal Gov e a TV Brasil Internacional vão exibir um programa especial diretamente da Casa do Turismo, com duração de 2h30, apresentando a procissão em tempo real, entrevistas com autoridades e conteúdos sobre turismo religioso e cultura paraense.

“O Círio é uma tradição religiosa encravada na história de Belém e para nós da EBC é um orgulho poder transmitir novamente essa manifestação genuína da cultura popular, em parceria com a TV Cultura do Pará e com o Ministério do Turismo, cumprindo uma das missões estipuladas em nossa lei de criação que é dar visibilidade nacional à diversidade cultural e regional do país”, afirma o Diretor-Geral da EBC, Bráulio Ribeiro.

A transmissão também destacará a importância do turismo religioso no Brasil, segmento que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, segundo dados do Ministério do Turismo. Em 2025, o Círio ganha ainda mais relevância internacional por ocorrer no mesmo ano em que Belém sediará a COP30, conferência global sobre mudanças climáticas.

Serviço

Círio de Nazaré ao vivo

TV Brasil: das 7h às 8h e a partir das 12h 

Canal Gov e TV Brasil Internacional: das 10h às 12h30;

Disponível também pelo TV Brasil Play e nos canais oficiais da TV Brasil, Canal Gov e EBC Internacional. 

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EBC

Maratona circense no Museu do Pontal valoriza arte popular no Rio


Uma programação especial com espetáculos, intervenções e oficinas está no Museu do Pontal, no Rio, neste fim de semana para comemorar o Dia das Crianças. A Magia do Circo no Museu do Pontal tem mais de 15 atividades, que começaram às 10h e vão até as 18h. 

O picadeiro montado na praça jardim é um dos pontos de encontro. Neste domingo (12), às 15 h será apresentado o espetáculo Um solo de palhaço, com o palhaço Biribinha, personagem de Teófanes Silveira, que é o grande homenageado da festa. Em 2023 ele foi reconhecido pela Fundação Nacional de Artes vinculada ao Ministério da Cultura (Funarte/MinC) como Patrimônio Vivo de Alagoas e Mestre das Artes Brasileiras.

A programação inclui ainda a apresentação solo Alecrim no Olho da Rua, pela primeira vez no Museu. O pesquisador e brincante Francisco Gomide traz a ancestralidade da companhia familiar Carroça de Mamulengos, criada em Brasília, em 1977. O espetáculo de dramaturgia popular tem músicas populares e o encantamento do circo. O público vai ver ainda o Mirabolante Homem Bola e o Circo-Teatro Saltimbanco, da tradicional Família Cericola, de Niterói, região metropolitana do Rio.

A diretora do museu, Angela Mascelani, destacou que também na maratona circense será a última chance dos visitantes verem a exposição O Circo chegou!, que conta com obras do acervo do Museu do Pontal e fotografias de nomes como Pierre Verger (França) e Walter Firmo (Rio de Janeiro). Ela lembrou que o público vai ver de perto os palhaços das festas brasileiras tradicionais,

“A exposição O Circo Chegou! marcou o primeiro ano do Museu do Pontal na nova sede. Traz o circo conhecido pela maior parte das pessoas, o circo da infância, o que entrou no imaginário e no cinema e traz o circo em diálogo com os palhaços que estão dentro das manifestações das culturas populares. É o palhaço que está na Folia de Reis, é também o que está no Bumba Meu Boi”, comentou à Agência Brasil.

Mesmo com o fim da exposição, a diretora promete que o circo não deixará de estar presente no Museu do Pontal. “Este ano que a gente está completando quatro anos na nova sede, a exposição se despede, mas o circo nunca se despede do Museu do Pontal, porque é um tema muito caro a nós, aos artistas populares e ao público em geral”, completou.

Ainda na exposição o público vai poder admirar uma atração especial que é o “menor circo do mundo”, obra da artista pernambucana Socorro Rodrigues, além dos conjuntos com diversos personagens dos artistas Antônio de Oliveira e Adauto, com bandas de música, equilibristas e bailarinas.


Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2024 - O Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os 3 anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. O Festival de Circo no Museu do Pontal terá espetáculos e performances do mundo do picadeiro, apresentações musicais, brincadeiras e oficinas. Foto: Ratão Diniz/Divulgação

Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os quatro anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. Foto: Ratão Diniz/Divulgação

Museu 

A Magia do Circo no Museu do Pontal vai celebrar os quatro anos da nova sede deste espaço cultural, que é considerado o maior e mais significativo museu de arte popular do Brasil. O acervo do Museu do Pontal é resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, composto por mais de 9 mil peças de 300 artistas brasileiros, produzidas a partir do século XX.

O diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, lembrou dos desafios que o espaço cultural precisou enfrentar ainda na sede antiga, com risco de perda do acervo por causa de enchentes frequentes no local em que estava localizado no Recreio dos Bandeirantes, também na zona sudoeste do Rio.

“Cada ano é muito especial diante dos desafios que a gente teve para estar na nova sede e salvaguardar o acervo. Mais que isso, quando eu e a Angela [diretora do museu, Angela Mascelani] idealizamos o conceito dessa nova sede, de um museu praça, um museu democrático, que tivesse exposições dos artistas de camadas populares, mas também tivessem shows, oficinas e fosse um espaço dos mestres da cultura popular brasileira, a gente não esperava que desse tão certo”, disse à Agência Brasil.

Segundo ele, nos últimos quatro anos o museu recebeu mais de 300 mil visitantes, quatro vezes mais do que recebia na antiga sede. Foram realizads 20 exposições e mais de 2 mil artistas para fazer mais de 850 espetáculos e oficinas.

O diretor já está planejando os próximos rumos do Museu. “Preparando as festas para os nossos cinco anos na nova sede e os cinquenta anos do Museu”, afirmou.

O Museu do Pontal, por meio da lei federal de incentivo à Cultura, tem entre os apoiadores a Shell patrocinador master, a Vale como patrocinador estratégico, e como patronos a Repsol Sinopec Brasil, a Ternium, a Tenaris e o Itaú, além da Prefeitura do Rio.

A sede do Museu do Pontal é na Avenida Celia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca. O espaço cultural fica aberto de quinta a domingo, das 10h às 18h, sendo que o acesso às exposições se encerra às 17h30. 



EBC

Força Nacional do SUS reforça atendimento no Círio de Nazaré


Para dar maior apoio na realização do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atuará, neste fim de semana, em diversos pontos do trajeto das procissões, em Belém. A ação tem como objetivo apoiar as secretarias estadual e municipal de Saúde no atendimento à população durante o maior evento religioso do estado, que reúne milhões de romeiros e visitantes.

Segundo o Ministério da Saúde, as equipes estarão em postos estratégicos, equipados para atendimentos de urgência e emergência, com estrutura semelhante à de hospitais de campanha. 

Neste sábado (11), o trabalho ocorre durante o Círio Fluvial, com as equipes localizadas na Escadinha; na Transladação, com a força situada na Alfândega e Casa das 11 Janelas. No domingo (12), o trabalho segue durante a procissão do Círio na Casa das 11 Janelas e no Centro Arquitetônico de Nazaré.

Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma festa que mostra a devoção do povo paraense. A previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo. 

Este ano, a maior procissão católica do mundo celebra a sua 233ª edição às vésperas da  30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). 

A pasta informou ainda que a iniciativa também integra as ações de preparação do Ministério da Saúde para a COP30, fortalecendo a capacidade de resposta do sistema público a grandes eventos.



EBC

Romaria fluvial antecede procissão do Círio de Nazaré, em Belém


Belém amanheceu neste sábado (11) com a romaria do Círio Fluvial, que faz parte das comemorações do Círio de Nazaré. Saindo às 9h do Trapiche do Distrito de Icoaraci rumo à Escadinha da Estação das Docas, a imagem Peregrina é levada a bordo do navio Garnier Sampaio, da Marinha do Brasil, responsável também pela organização e controle da romaria. 

A estimativa é que cerca de 50 mil pessoas e mais de 400 embarcações participam da romaria em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Considerada uma das mais belas procissões do Círio, a Romaria Fluvial acontece desde 1986. O trajeto tem duração aproximada de duas horas, com 10 milhas marítimas (cerca de 18,5 km). A chegada da Imagem Peregrina à Escadinha (Praça Pedro Teixeira) é marcada por honras de Chefe de Estado, uma vez que uma lei estadual de 1971 proclamou Nossa Senhora de Nazaré Padroeira do Pará e Rainha da Amazônia.

Ainda ontem, a maior procissão em extensão, com a imagem peregrina de Nª Sª de Nazaré havia percorrido 52,3 quilômetros, até as 18h sem incidentes. Neste sábado, tem mais procissões: a procissão rodoviária por 24 quilômetros, antecedeu a Romaria Fluvial e, depois, com haverá a moto romaria.

À noite ocorre a Trasladação, que dura cerca de 5 horas e meia e numa antecipação do que acontecerá amanhã, a partir das 6h, quando tem início a procissão mais importante do Círio, com cerca de 2 milhões de pessoas.

Procissão

Este ano, a maior procissão católica do mundo celebra a sua 233ª edição às vésperas da 30ª, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30), e por isso está sendo considerada a COP da floresta. 

Considerado patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma festa que mostra a devoção do povo paraense e a previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo (12).

Casa de Plácido

Local de abrigo, solidariedade, acolhimento e amor, a Casa de Plácido faz uma homenagem ao paraense agricultor e caçador Plácido José de Souza, que no ano de 1.700 encontrou a pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré, entre pedras lodosas às margens do Igarapé Murutucu – onde atualmente se encontra a Basílica -, no tronco de uma árvore.

Após o achado, Plácido levou a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estava lá. Correu ao local do encontro e lá estava a imagem da Santinha. E o fato se repetiu várias vezes. Plácido, então, construiu no local uma ermida. Mas para muito além da história, é na “Casa de Plácido” que o milagre da fé se corporifica no ritual do lava-pés uma demonstração de humanidade e doação.

Por ali passam as caravanas dos romeiros. Segundo a coordenadora da Acolhida da Casa de Plácido, Maria da Conceição Rodrigues, este ano são esperadas 18 mil pessoas que serão atendidas pelas equipes de voluntários que trabalham em revezamento.

“Estamos neste Círio com 530 voluntários, de diversas profissões de médicos, advogados, contador, pedreiros, desempregados, todas as profissões. Temos também estudantes de medicina e de fisioterapia trabalhando como massagistas. Somos 14 equipes de trabalho, atendimento, recepção, pessoal que dá a refeição, pessoal que cozinha”, explicou Maria da Conceição.

A Casa de Plácido presta atendimento para os romeiros do Círio. O local foi aberto oficialmente na quarta-feira (8) e fica aberto até amanhã (12), às 13h. Sendo reaberta na terça-feira (14) para o resto da quinzena do Círio. O fechamento ocorre para que os voluntários também consigam acompanhar a procissão de domingo. O local.

“Ano passado, tivemos 238 caravanas e foram 20.500 pessoas só de caravanas, de romeiros visitantes foram 11 mil. Nós acreditamos que essa expectativa vai aumentar, até quarta-feira quando a casa não estava aberta já tínhamos 212 caravanas inscritas e já tinha uma média de 18 mil pessoas”, disse. 

“Por exemplo, a pessoa chegou passando mal, ela vai direto para o serviço médico, se precisar tomar um soro, toma; se precisa de uma insulina, toma. Se o médico avaliar que o caso é mais grave, temos a ambulância e ela já faz o encaminhamento para o hospital”, descreveu.

Arte e devoção

O Círio de Nazaré é um evento de múltiplas dimensões, além de congregar, a fé, devoção e a renovação da esperança, o Círio está presente em cada canto de Belém e também no trabalho dos artistas, artesãos, que buscam traduzir a experiência. Uma dessas pessoas é a artista paraense Aline Folha, que produz diversas peças, como camisas, louças, entre outras, com o tema do Círio.

“Desde o começo do mês, eu já vivo o Círio. Eu vivo em estado de outubro, como o paraense gosta de falar. A gente tem essa coisa de esperar pelo cheiro da cidade que fica diferente, a energia das ruas, que fica diferente”, relata.

Este ano, Aline foi convidada a criar a ilustração das peças de comunicação e ativações do Círio para uma empresa de mineração. Sua obra transita pelos estados emocionais do cotidiano feminino, especialmente pela vivência do maternar, em uma busca por liberdade, acolhimento e possibilidade. A artista imprime em suas criações os rastros do processo artístico, o que evidencia a presença da água e do grafite na relação entre desenho e aquarela.

“O Círio para mim é uma experiência bastante pessoal. Tem alguma coisa de subjetivo e tem algo que a gente vive em conjunto, em comunidade, tem uma memória coletiva que faz a gente partir para nossas criações, nós artistas”, explica. “O que me emociona é o ritual que cada pessoa vive, o ritual de família de sair para ver a santa passar no mesmo cantinho todos os anos”, aponta.

Reconhecida por sua sensibilidade e autenticidade, Aline já foi convidada três vezes (em 2016, 2017 e 2022) para criar os mantos oficiais do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, maior manifestação cultural-religiosa do Pará. Em 2023 e 2024, foi escolhida por uma empresa para desenvolver as primeiras coleções de louças temáticas da festividade, intituladas Caminhos do Círio e Raízes de Fé, projetos que celebram a fé e a identidade paraense com traços delicados e simbólicos.

“As minhas principais inspirações vieram das sensações que o Círio provoca em quem o vivencia. Busquei representar esses sentidos aflorados e como eles podem despertar memórias afetivas e coletivas nessa grande festa paraense”, conta Aline. A arte criada este ano incorpora diversos elementos culturais como o tacacá, os brinquedos de miriti, os gritos de “viva, viva, viva”, os fogos de artifício e a figura feminina que acolhe uma criança. “ O principal desafio foi manter o aspecto aquarelado em uma arte que pudesse ser aplicada de formas e tamanhos diversos nas peças da campanha”, acrescenta.

Aline realizou as seguintes exposições individuais: “Elas”, no Espaço Cultural do TRT-8; “Elas Estampadas”, na Casa Oiam; “Florescer Mãe”, no Shopping Bosque Grão Pará; e “O Peso das Coisas Leves”, novamente no Espaço Cultural do TRT-8.

Atualmente, faz do seu atelier na capital paraense um espaço múltiplo, onde além de produzir também realiza cursos livres ou corporativos, e recebe o público, clientes e alunos.

 

*A repórter viajou a Belém a convite da Vale



EBC

Fazendeiro planeja criar “universidade do búfalo” na Ilha de Marajó


Celular? Videogame? Brinquedos eletrônicos? Em uma das áreas alagadas no município de Soure, na Ilha de Marajó, crianças se divertem nadando com búfalos. Elas têm a missão de adestrar os animais, mas o trabalho vira um detalhe entre saltos e mergulhos, que ajudam a amenizar o calor intenso da região.

O búfalo é o principal símbolo do Marajó, que tem o maior rebanho do país: estimativas variam entre 650 mil e 800 mil animais. A maior parte está nos municípios de Soure, Chaves e Cachoeira do Arari. Eles estão representados em estátuas na rua, são usados para transporte, policiamento e na gastronomia, como o famoso filé mignon com queijo.

A centralidade do animal fez a família proprietária da Fazenda e Empório Mironga planejar a criação de uma “universidade do búfalo”: o Centro de Estudos da Bubalinocultura. Ainda não há previsão de implementação do projeto, mas seria o primeiro no país dedicado à pesquisa sobre genética, manejo e aproveitamento integral do mamífero.

“Nós precisamos de gente para estudar melhor o búfalo: melhoramento genético, como agregar valor no leite, no couro, na carne, manejo, questão sanitária. Precisamos estudar e divulgar. Este centro não seria privilégio do veterinário ou do agrônomo, zootecnista e biólogo. Envolveria outras áreas como um tecnólogo de alimento, de turismo, medicina”, diz o fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa, conhecido como Tonga.

Enquanto o projeto não sai do papel, a família organiza a “Vivência Mironga”, turismo pedagógico iniciado em 2017 que permite aos visitantes conhecerem o cotidiano da propriedade, a produção do queijo artesanal de leite de búfala e as práticas agroecológicas.

 


Soure (PA), 10/10/2025 - Carlos Augusto Gouvea, conhecido como Tonga, e a filha, Gabriela Gouvea, são os empreendedores da Fazenda Mironga. A fazenda produz queijos do leite de búfala e promove o turismo de experiência com o animal símbolo da Ilha de Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Soure (PA), 10/10/2025 – Carlos Augusto Gouvea, conhecido como Tonga, e a filha, Gabriela Gouvea, são os empreendedores da Fazenda Mironga. A fazenda produz queijos do leite de búfala e promove o turismo de experiência com o animal símbolo da Ilha de Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

“A gente produzia muito queijo e doce, e havia essa possibilidade de aumentar os negócios. Só que a gente tem uma área ilimitada, de 90 hectares. E a ideia não era produzir em escala maior. Foi quando entrou o turismo e paramos de tentar essa expansão da produção. Hoje, o turismo responde por dois terços da fazenda. Em setembro, tivemos um recorde de 400 visitantes”, diz Gabriela Gouvêa, filha de Tonga e presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó (APLQM).

O queijo do Marajó tem origem secular e é feito a partir de leite cru, com técnicas passadas de geração em geração. A luta pela legalização dessa produção foi longa e contou com a participação ativa da família, que ajudou a construir legislação sanitária específica para o queijo artesanal.

Em 2013, a queijaria da Mironga foi a primeira a obter inspeção oficial e, anos depois, o produto recebeu a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) participou do processo de diagnóstico, legalização e organização coletiva.

Culinária afetiva

 O Café Dona Bila, em Soure, se tornou um ponto de encontro entre a memória afetiva e a gastronomia regional. À frente do negócio está Lana Correia, empreendedora cearense que uniu a culinária nordestina — com cuscuz e tapioca — aos ingredientes típicos do Pará, com destaque para o queijo marajoara e a carne de búfalo.

“Comecei com delivery em 2023 e a demanda aumentou. Por isso, abri meu espaço físico. Queria que o café tivesse sabor e clima de casa”, conta Lana.“

As pessoas dizem que, quando comem aqui, lembram da infância, da casa da avó, dos tempos em que vinham à Praia do Amor [em frente ao estabelecimento]. Essa conexão emocional é o que torna o café especial”.

 


Soure (PA), 09/010/2025 -  Lana Correia, proprietária do Café da Dona Bila, em Soure. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

À frente do Café Dona Bila Lana Correia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ambiente acolhedor e o cardápio cheio de referências familiares conquistaram moradores e turistas. Os pratos mais pedidos são a tapioca molhada (com recheios de queijo e carne), o bolo de milho cremoso e o cuscuz recheado.

De olho na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que vai ser realizada em Belém, em novembro, a empreendedora criou dois novos pratos que destacam ingredientes locais: o Cuscuz de Murrá, feito com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.

Lana vive em Soure há quatro anos e completou dois à frente do Café Dona Bila. Antes, trabalhou na área de educação superior, em Fortaleza e Belém, e foi no Marajó que descobriu sua paixão pela gastronomia.

“Eu cozinhava só para amigos. Aqui, descobri um talento que nem eu sabia que tinha”, diz Lana.

Ela teve o apoio do Sebrae em capacitações e articulações locais, e tem se firmado como um símbolo da nova geração de empreendedores marajoaras, mais atentos à valorização da cultura local.

Preocupações ambientais

Em que pesem as relações culturais e econômicas históricas do búfalo no Marajó, a produção e consumo dos derivados do búfalo têm desafios ambientais para enfrentar. A redução da emissão de gases do efeito estufa é o tema principal da COP30. O último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), de 2023, indica a pecuária como segunda maior emissora do país, atrás apenas das mudanças de uso da terra.

Os bovinos, categoria dos quais o búfalo faz parte, foram responsáveis por emitir 405 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MTCO2e) nesse período. Isso ocorre pela liberação do gás metano (CH4) durante o processo de digestão do animal. Talvez seja esses um dos principais quebra-cabeças a serem estudados pelo futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura.

*A equipe de reportagem da Agência Brasil viajou a convite do Sebrae.

 

 



EBC

Casos de coqueluche crescem e provocam internações e mortes


Os casos de coqueluche em crianças pequenas aumentaram mais de 1200% no Brasil, conforme alerta o Observatório de Saúde na Infância. Em 2024, foram registrados pelo menos 2.152 casos da doença entre crianças menores de 5 anos de idade, que são as mais vulneráveis a complicações, mais do que a soma dos cinco anos anteriores. Dessas, 665 precisaram ser internadas por causa da doença, e 14 morreram, superando as dez mortes registradas entre 2019 e 2023.

“Como explicar todas essas crianças que morreram de algo totalmente prevenível?”, questiona a coordenadora do Observatório, Patrícia Boccolini. Este ano, os registros feitos até o mês de agosto indicam uma ligeira melhora, mas ainda em patamares altos: foram 1.148 casos, com 577 internações.

A coqueluche é uma infecção respiratória, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que pode ser prevenida com a vacinação. Os bebês devem receber três doses da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses de idade e as grávidas devem ser imunizadas com a DTPa em todas as gestações, para proteger os recém-nascidos.

Os dados coletados pelos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Faculdade de Medicina de Petrópolis do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase) mostram ainda que mais da metade dos casos do ano passado foram registrados em crianças menores de 1 ano, que também respondem por mais de 80% das internações.

Patricia Boccolini acredita que vários fatores podem estar contribuindo para o aumento dos casos, como a retomada dos ciclos naturais da doença no pós-pandemia, a desorganização de serviços locais de saúde e o aumento da testagem, mas uma das principais vulnerabilidades é a desigualdade das coberturas vacinais pelo país.

“Embora a gente não esteja conseguindo bater as metas, as coberturas vacinais não estão tão baixas assim, quando a gente olha para números nacionais e regionais. O grande problema é quando a gente começa a olhar no micro, os dados municipais mostram muita heterogeneidade, alguns polos com altas coberturas e outros não”, explica.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 90% dos bebês e de 86% das gestantes receberam os imunizantes que protegem contra a coqueluche no ano passado, superando os números de 2013. Mas a coordenadora do Observatório lembra que a meta de cobertura de 95% ainda não foi batida, e crianças mais velhas e adultos não vacinados também podem contrair e transmitir a doença, apesar dela atingir os pequenos de forma mais grave.

A quantidade de casos de 2024 se aproxima da de 2015, quando foram registrados mais de 2.300 casos entre crianças com menos de cinco anos. A partir de 2016, os casos começaram a cair e o último ano com mais de 1 mil registros havia sido em 2019. 

Mas não é só o Brasil que enfrenta aumento de casos. Toda a região das Américas está em alerta para a doença. De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), nos primeiros sete meses de 2025, nove países da região notificaram mais de 18 mil casos e 128 mortes em todas as idades. 

Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que a coqueluche tem essa característica de “ciclicidade”. 

“Dez anos atrás, alguns anos antes já se observava um aumento de casos no mundo, depois isso acaba chegando ao Brasil também. Então, mesmo que a gente tenha tido melhoria nas coberturas vacinais nos últimos dois anos, como a gente ainda não alcançou as metas, a gente tem esses casos, conforme a ciclicidade da doença”, disse.

Cunha lembra que a vacinação das gestantes foi incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) justamente durante esse ciclo anterior de aumento de casos. 

“Só a partir dos 6 meses que o bebê vai estar totalmente protegido, depois de receber todas as doses da vacina pentavalente. Então, vacinar a gestante é a principal forma de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. É preciso falar para as grávidas, que elas precisam se vacinar para se protegerem e protegerem seus bebês”, recomenda.

“Tem muita gente que não sabe nem o que é coqueluche. E isso também é fruto de um passado recente glorioso que a gente teve nas nossas altas coberturas. Mas, a partir do momento que a gente não viu mais muitos casos, não viu mais crianças morrendo de coqueluche, a gente perdeu o medo da doença. Eu espero que esses números sensibilizem a população”, alerta a coordenadora do Observatório de Saúde da Infância, Patrícia Boccolini.



EBC