Galípolo diz que mercado de trabalho é o mais exuberante em 3 décadas


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o mercado de trabalho no Brasil é “o mais exuberante” das últimas três décadas. Disse também que, pelas expectativas do mercado, não se vê a inflação atingindo a meta pelo menos até 2028.

A afirmação foi feita nesta segunda-feira (6) durante palestra proferida no Instituto Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo.

“A série histórica dá a entender que talvez estejamos em pleno emprego. Temos dados bastante fortes do que vem acontecendo [em relação a isso]. A massa salarial e o rendimento médio real têm uma alta bastante acentuada nesse sentido. Então acho que é difícil dizer que a gente não tem, provavelmente, o mercado de trabalho mais exuberante que a gente viu nas últimas três décadas”, disse o presidente do BC.

Galípolo disse, ainda, que para o país continuar crescendo sem ter uma pressão inflacionária, é muito importante que esse crescimento se dê por aumento de produtividade. “Mas por uma produtividade que permita a gente ter uma sustentabilidade, [de forma a termos] uma duração mais longa nesse crescimento”, complementou.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Ele reiterou que a elevação dos juros se deve às pressões inflacionárias. “A gente sabe que 15% é uma taxa de juros elevada, mas percebam a situação que a gente tinha em abril: 57% dos itens que compõem o IPCA estavam superiores ao dobro da meta de inflação”, disse.

“A gente não vê a inflação na meta em nenhum dos horizontes, nem até 2028, pelas expectativas do Focus. É óbvio que o BC tem suas próprias projeções. E a gente incorpora todas essas projeções. Dentro das expectativas do Focus e dentro das nossas projeções, esse é um indicativo de bastante incômodo”, complementou.

 



EBC

Pejotização pode levar ao fim da Previdência, alerta secretário


Representantes do Ministério da Previdência alertaram, nesta segunda-feira (6), que o avanço da chamada pejotização, que é a contratação de trabalhadores como Pessoa Jurídica (PJ), ou seja, como uma empresa, levaria ao fim do modelo de previdência social como conhecemos no Brasil.

“A pejotização é muito mais do que uma reforma da Previdência. É o fim do modelo de Previdência Social do Brasil”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha, em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF).

Convocada pelo ministro Gilmar Mendes, o relator da ação que suspendeu todos os processos sobre suposta fraude contratual de trabalhadores via PJ, a audiência pública recebe 78 pessoas, entre representantes do governo, da sociedade civil, do setor empresarial, de sindicatos, entre outros.  

“[A pejotização] vai jogar quem está na CLT para fora dela. O que restará à sociedade e ao Estado são dois caminhos. Ou o Estado ampliará enormemente suas despesas com previdência nos próximos anos e décadas, ou, o que é bem mais provável que aconteça, novas propostas de reforma da Previdência trarão cortes gigantescos nessa proteção social”, disse.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Adroaldo alertou que 73% da Previdência é financiada pela folha de pagamento dos empregados contratados via CLT e que a substituição de 10% desses trabalhadores para um regime de PJ traria uma perda anual de aproximadamente R$ 47 bilhões.

A chamada pejotização vem substituindo os contratos de trabalho via carteira de trabalho [CLT], levando a uma redução das obrigações trabalhistas por parte das empresas, que não precisam pagar a previdência e o FGTS, por exemplo, causando perdas bilionárias ao INSS. A prática costuma ser interpretada pela Justiça do Trabalho como fraude.

O diretor do Departamento de Regime Geral da Previdência Social do INSS, Eduardo da Silva Pereira, citou o envelhecimento da população como um fator que agrava o financiamento da Previdência. Para ele, o aumento da pejotização agravará a situação.  

“Nós já temos uma acentuada necessidade de financiamento e isso só agravaria o processo. O processo de pejotização desfaz o pacto social construído em torno da Previdência, em que nós temos um financiamento tripartite, empregadores, trabalhadores e governo financiando a Previdência. O processo de pejotização tira o empregador desse processo. Quem vai financiar é só o governo e o empregado”, pontuou.

Nova arquitetura

Especialistas ouvidos na audiência pública do STF nesta segunda-feira, afirmaram que para evitar a perda de arrecadação da Previdência Social, seria preciso elaborar um novo modelo de financiamento.

O economista Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda do governo de São Paulo, entende que a pejotização é um caminho sem volta e que não deve se alterar.  

“As novas relações do mercado de trabalho, a incorporação de novas tecnologias, a modernização, elas são irreversíveis. Nós não vamos mais conseguir voltar atrás e imaginar um mundo ideal em que todos estejam simplesmente contratados pela CLT”, disse.

Para Salto, será preciso pensar em novas formas de arrecadação para sustentar as políticas públicas, sobretudo a Previdência Social.

“[Uma sugestão é] a introdução de uma progressividade na tributação das pessoas jurídicas, sobretudo as chamadas uniprofissionais. Uma consolidação dos regimes que hoje nós temos, do MEI, do Simples, das uniprofissionais e da CLT, em benefício do financiamento do Estado”, ponderou o especialista.



EBC

Lula conversa com Trump e pede fim de tarifaço a produtos brasileiros


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,  tiveram nesta segunda-feira (6) uma conversa de 30 minutos por videoconferência. Na oportunidade, Lula solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a conversa entre os dois chefes de Estado como “positiva”, do ponto de vista econômico.

“Em tom amistoso, os dois líderes conversaram por 30 minutos, quando relembraram a boa química que tiveram em Nova York por ocasião da Assembleia Geral da ONU. Os dois presidentes reiteraram a impressão positiva daquele encontro”, informou o Planalto.

De acordo com o Planalto, a ligação telefônica ocorreu por iniciativa de Trump. Os dois presidentes chegaram a trocar telefones para estabelecer via direta de comunicação.

Na conversa, Lula disse que o contato representa uma “oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”.

Ele recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. Na sequência, solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta a produtos nacionais, além das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras.

“O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”, informou o Planalto.

Os dois presidentes acordaram encontrar-se pessoalmente em breve. Lula sugeriu que o encontro seja durante a Cúpula da Asean, na Malásia. Ele reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém; e se dispôs  também a viajar aos Estados Unidos.



EBC

Usina de Itaipu termina montagem de “ilha solar” que vai gerar energia


A usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e Paraguai, terminou a primeira fase de montagem do projeto piloto de uma ilha solar flutuante, que vai gerar energia limpa para uso interno da instalação.

O empreendimento consiste na montagem e ancoragem de 1.568 painéis fotovoltaicos no leito do reservatório do Rio Paraná, que fornece a água que faz girar as 20 turbinas de Itaipu e gerar energia elétrica. A primeira fase terminou em 26 de setembro e foi informada pela empresa na sexta-feira (3).

A ilha solar ocupa uma área de 7,6 mil metros quadrados (m²), o equivalente a quase um campo de futebol. O próximo passo do projeto piloto são, nas próximas duas semanas, a instalação dos últimos equipamentos e a conexão de cabos de energia e comunicação, para, em seguida, iniciar testes frios (sem geração de energia) e quente (com energização).

A estimativa da empresa é que a operação comece em novembro, com geração de 1 MWp (megawatt-pico), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia limpa é equivalente para abastecer 650 casas e será utilizada para consumo próprio da usina.

Prazo

A Agência Brasil visitou o empreendimento no fim de julho, quando a construção estava 60% pronta. À época, a previsão era entrega do projeto em setembro.

No entanto, o engenheiro Márcio Massakiti Kubo, da Superintendência de Energias Renováveis, explica que “o cronograma sofreu pequenos ajustes devido às chuvas e à necessidade de garantir a segurança dos trabalhadores e da operação da hidrelétrica”.

Ele acrescenta que a montagem exige cuidados especiais por estar próxima ao vertedouro (estrutura para liberar excesso de água no reservatório) e área náutica de segurança operativa da usina.

O investimento é US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,5 milhões). As obras são realizadas pelo consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor de licitação.

Avaliação

Depois de iniciada a operação, a ilha solar passará pelo período de um ano de avaliação sobre a viabilidade técnica, benefícios e possíveis impactos ambientais. A análise servirá para subsidiar decisões sobre expansão do sistema.

Estimativas de Itaipu apontam que a cobertura de 1% da área do reservatório pode gerar até 3,6 TWh por ano — o equivalente a cerca de 4% da produção anual da hidrelétrica em 2023.

Segundo a empresa, do ponto de vista ambiental, “não foram identificados impactos significativos na literatura especializada, o que encorajou a realização do projeto”.

O projeto-piloto prevê monitoramentos contínuos para avaliar eventuais efeitos sobre a biodiversidade, como alterações no habitat de aves e peixes, qualidade da água, floração de algas, entre outros impactos.

Capacidade ampliada

Durante a vista da Agência Brasil, o superintendente da Assessoria de Energias Renováveis da Itaipu, Rogério Meneghetti, estimou que, se no futuro Itaipu conseguir cobrir 10% do reservatório com placas solares, será possível gerar 14 mil MW, o que significa dobrar a capacidade atual da empresa, que deixaria de ser apenas uma hidrelétrica.

No entanto, ele ponderou que não são todas as áreas do reservatório que podem ser utilizadas. Ficam de fora, por exemplo, áreas de navegação e de reprodução de peixes.

Recorde de produção

Responsável por cerca de 9% da produção de energia elétrica consumida no Brasil, a hidrelétrica Itaipu é um projeto Binacional, que envolve Brasil e o Paraguai. A lado brasileiro da usina fica em Foz do Iguaçu, no Paraná.

No dia 5 de setembro, a hidrelétrica alcançou a marca histórica de 3,1 bilhões de megawatts-hora (MWh) produzidos desde que entrou em operação em 1984. 

Para se ter noção, a produção de 3,1 bilhões de MWh é suficiente para abastecer o mundo inteiro por 44 dias ou o Brasil por seis anos e um mês.

Além da energia hidrelétrica, o empreendimento faz pesquisas para ampliar a produção de energia renovável, como hidrogênio verde e biocombustíveis. Uma das iniciativas envolve transformar apreensão de contrabando em biogás. 

 



EBC

Mercado financeiro reduz previsão de inflação para 4,8%


Pela segunda semana consecutiva, o mercado financeiro revê para baixo as expectativas que tem com relação à inflação em 2025, passando dos 4,81 projetados há uma semana para 4,80%, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central.

Há quatro semanas, o mercado trabalhava com uma projeção de 4,85% no ano, para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do país). Para os anos subsequentes, projeta inflação de 4,28% em 2026; e de 3,90% em 2027.

A estimativa para 2025 ainda está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,48%, impactada principalmente pelo preço da energia elétrica. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em -0,14%. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula 5,32%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A prévia da inflação mostra que os preços dos alimentos caíram pelo quarto mês seguido. Em setembro, o recuo foi 0,35% e impacto de -0,08 p.p. Em agosto, a queda foi 0,53%.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Selic), definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Este é o mesmo percentual projetado pelo Focus há 15 semanas consecutivas.

As incertezas do cenário econômico externo e indicadores que mostram a moderação no crescimento interno estão entre os fatores que levaram à manutenção da Selic, na última reunião

De acordo com a última ata divulgada, a taxa de juros atual deverá ser mantida “por período bastante prolongado” para garantir que a meta da inflação seja alcançada.

Para os anos de 2026 e 2027, o mercado projeta redução dessa taxa para 12,25% e 10,50%, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB

Já com relação à economia, o mercado financeiro mantém, há quatro semanas a mesma projeção para 2025, de um Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) em 2,16%.

Para os anos subsequentes, as projeções também se mantiveram estáveis, mas por três semanas consecutivas, em 1,80% para 2026; e em 1,90% em 2027.

Dólar

Com relação ao câmbio, o Boletim Focus trabalha com a expectativa de queda na cotação do dólar. O mercado financeiro projeta que a moeda norte-americana fechará 2025 cotada a R$ 5,45.

Na edição anterior do boletim, publicada há uma semana, a expectativa era de que o dólar fecharia o ano a R$ 5,48; e há quatro semanas a projeção estava em R$ 5,55. Para 2026, o mercado trabalha com uma cotação do dólar a R$ 5,53; e para 2024, a R$ 5,56.

 



EBC

Caminhos da Reportagem aborda educação para pessoas com deficiência


Nesta segunda-feira (6), a TV Brasil exibe, às 23h, um episódio do programa Caminhos da Reportagem que tem como tema “Uma Escola Para Todos”. A atração mostra os desafios e avanços na educação para pessoas com deficiência no Brasil. 

De acordo com o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 14,4 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência, cerca de 7% da população. No entanto, os dados da pesquisa apontam uma profunda desigualdade para essa parcela da sociedade: quase dois terços (63,1%) das pessoas com deficiência com mais de 25 anos não completaram o ensino fundamental. Além disso, a taxa de analfabetismo (21,3%) é três vezes maior do que a meta estabelecida no Plano Nacional de Educação. 

Para Meire Cavalcante, da Rede Ibero-Americana REDSEI/OEI, a perspectiva sobre a pessoa com deficiência no contexto escolar tem mudado nos últimos anos. “Antes, entendia-se a deficiência como algo próprio do sujeito. A partir da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 2006, estabelece-se um novo conceito, que retira o foco da pessoa. O foco passa a ser a sociedade”, explica. 

Caminhos da Reportagem ouviu também o relato de pais de crianças com deficiência para entender os principais desafios relacionados à educação. É o caso da educadora Fabiana Elisa dos Santos, mãe de Victor, de oito anos. Ao programa, ela conta que conseguir uma escola para o filho, que tem paralisia cerebral, tornou-se um desafio.

“Duas escolas que eu achava muito boas me decepcionaram. Em uma delas, me disseram que a sala de aula tinha 20 alunos, mas que não havia ninguém para ficar com ele, porque o Victor ainda não andava”, lamenta. 

O casal Karla Cunha e André Nogueira também compartilha da mesma luta. Os pais de Felipe, de 14 anos, afirmam que, embora nenhuma escola tenha negado matrícula explicitamente, o acolhimento sempre foi problemático.

“Desde que começou a alfabetização, a gente percebia que as escolas não sabiam lidar com ele, nem como integrá-lo à turma. Por ele ser muito tranquilo, é fácil passar despercebido. E isso é muito ruim, porque ele está sendo excluído, né?”, desabafa o pai. 

Educação inclusiva 

Segundo o Ministério da Educação, atualmente, 92% das crianças e adolescentes com deficiência estão matriculados no sistema de ensino, a grande maioria delas, mais de 85%, na rede pública. A secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI), Zara Figueiredo, destaca: “Isso mostra para nós que as políticas, os programas e as ações desenhadas a partir de 2008 foram muito exitosas ao trazer esse público para dentro das escolas, para as turmas, as classes comuns da escola pública”. 

A cantora lírica Giovanna Maira perdeu a visão antes de completar 2 anos. Apesar dos desafios, conseguiu entrar para a graduação e se formar em Música.

“Partitura em braile não existia, ou era preciso mandar fazer. Então, eu escrevia à mão as minhas”, lembra.

Giovanna reconhece os avanços: “Hoje em dia as coisas estão muito melhores. Tenho muito orgulho daquilo que plantei. Mas desejo que essa nova geração não desista e lute pela próxima, para que tudo seja cada vez melhor”. 



EBC

Lula entrega 2.837 moradias do Minha Casa, Minha Vida nesta segunda


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrega, nesta segunda-feira (6), em Imperatriz (MA), 2.837 unidades do Minha Casa, Minha Vida. O Residencial Canto da Serra teve mais de R$ 358,6 milhões em investimentos do governo federal.

Mais de 11 mil pessoas serão beneficiadas. Entre os contemplados, estão 1.619 famílias que integram o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), enquadradas na Faixa 1 do programa de habitação, que receberão as moradias totalmente subsidiadas.

Em 2023, com a retomada do Minha Casa, Minha Vida pelo governo Lula, o Ministério das Cidades isentou os beneficiários desses programas sociais de pagarem as parcelas do financiamento, ou seja, recebem a casa própria de graça. A isenção é permanente: mesmo se deixarem o Bolsa Família ou o BPC, eles continuam livre das prestações.

Os recursos para isso vêm do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS).

A Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida é voltada para o público de baixa renda e com maiores percentuais de subsídio. A renda familiar bruta para enquadramento é de R$ 2.850 para os imóveis urbanos.

Na Faixa 2 são atendidas famílias com renda entre R$ 2.850,01 a R$ 4,7 mil e na Faixa 3 as de renda entre R$ 4,7 mil a R$ 8,6 mil. O programa oferece ainda crédito habitacional para famílias com renda até R$ 12 mil, por meio do Minha Casa, Minha Vida Classe Média.



EBC

Uma em cada seis crianças de até 6 anos foi vítima de racismo no país


Uma em cada seis crianças de até 6 anos de idade foi vítima de racismo no Brasil. As creches e pré-escolas são os locais onde ocorreu a maior parte desses crimes. Os dados são do Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo, pesquisa nacional encomendada ao Datafolha pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal – organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância -, divulgada nesta segunda-feira (6).

A pesquisa ouviu 2.206 pessoas, sendo 822 responsáveis pelo cuidado de bebês e crianças de 0 a 6 anos. Os dados foram coletados em abril deste ano, por meio de entrevistas presenciais realizadas em pontos de grande fluxo populacional.

Os dados coletados mostram que 16% dos responsáveis por crianças de até 6 anos afirmam que elas já sofreram discriminação racial. A discriminação é maior quando os responsáveis são também pessoas de pele preta ou parda. Entre elas, esse índice chega a 19%, enquanto entre crianças com responsáveis de pele branca a porcentagem é 10%.

Separados por idade, 10% dos cuidadores de crianças de até 3 anos de idade afirmam que os bebês e crianças sofreram racismo e 21% daqueles com crianças de idade entre 4 e 6 anos relatam que elas foram vítimas desse crime.

Onde ocorreram os casos 

A pesquisa revela ainda que creches e pré-escolas foram os ambientes mais citados como locais onde crianças já sofreram discriminação racial – 54% dos cuidadores afirmam que as crianças vivenciaram situações desse tipo em unidades de educação infantil, sendo 61% na pré-escola e 38% nas creches.

Pouco menos da metade dos entrevistados, 42%, afirmam que o crime ocorreu em espaços públicos, como na rua, praça ou parquinho; cerca de 20% dizem que ocorreu no bairro, na comunidade, no condomínio ou vizinhança; e 16% contam que ocorreu na família. Espaços privados, como shopping, comércio e clube, aparecem entre os locais citados por 14% dos entrevistados, seguidos por serviços de saúde ou assistenciais (6%) e por igrejas, templos e espaços de culto (3%).

Segundo a CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, a escola é o primeiro espaço de socialização da criança, é onde ela passa grande parte do tempo é que deveria ser de proteção.

“É um espaço social que, pelas nossas peças legislativas, deveria ser um dever nosso, da sociedade, que a escola seja um espaço de proteção e de desenvolvimento. É muito crítico a gente combater o racismo desde o berço, desde uma mulher grávida, na verdade, para que ela não sofra racismo na gravidez. Agora, com o bebê, com uma criança pequena, é ainda mais contundente a necessidade de combate ao racismo estrutural, para que ele não aconteça nunca, mas sobretudo nessa fase da vida que é onde o maior pico de desenvolvimento está acontecendo”, diz.

Quando perguntados sobre como percebem o racismo praticado contra bebês e crianças, a maior parte dos responsáveis entrevistados (63%) acredita que pessoas pretas e pardas são tratadas de forma diferente por causa da cor da pele, do tipo de cabelo e de outras características físicas. Outros 22% acreditam que, embora exista racismo, é raro que crianças na primeira infância, ou seja, com idade até 6 anos, sejam vítimas desse crime. Na outra ponta, 10% acreditam que a sociedade brasileira praticamente não é racista e 5% desconhecem o assunto.

“O primeiro passo em qualquer grande desafio é a gente reconhecer que é uma sociedade racista e combater isso com veemência”, diz Mariana Luz. Segundo ela, as escolas devem ter protocolos para lidar com essas situações, que incluam a formalização das denúncias e a formação de todos os profissionais que atuam na instituição. 

“Para todo mundo saber o que fazer, cada escola, primeiro, tem que qualificar o corpo dos professores, dos diretores, dos supervisores, dos auxiliares, de toda essa rede que lida no dia a dia com as crianças. Também a gestão, desde a secretaria municipal de Educação, à estadual, até o Ministério da Educação. Precisa ser um conjunto grande de todo mundo atuando nessa mesma direção”, acrescenta.

Impactos do racismo

O estudo mostra que o racismo sofrido por bebês e crianças tem impacto no desenvolvimento delas. “O racismo é um dos fatores que compõem as chamadas experiências adversas na infância, vivências que expõem a criança ao estresse tóxico, que interferem em sua saúde física e socioemocional e no seu desenvolvimento integral”, afirma o texto.

Segundo a pesquisa, creches e pré-escolas são os espaços de maior oportunidade de prevenção e proteção contra a discriminação. Para isso, é fundamental que a educação infantil conte com profissionais preparados e materiais adequados para a educação das relações étnico-raciais. 

“É dever de toda a sociedade reconhecer e combater o racismo e promover uma educação antirracista desde cedo, como determina a Lei nº 10.639/2003, garantindo proteção às crianças na primeira infância contra qualquer forma de discriminação e violência”, diz o estudo.

A Lei 10.639/2003 estabelece que os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira sejam ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, ou seja, em todas as etapas de ensino, da educação infantil ao ensino médio. A lei, no entanto, não é cumprida. Uma pesquisa divulgada em 2023 mostra que sete em cada dez secretarias municipais de Educação não realizaram nenhuma ação ou poucas ações para implementação do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.

Mariana Luz complementa que os dados revelam a importância de uma educação antirracista desde a primeira infância, tanto para proteger as crianças negras e indígenas, quanto para educar as crianças brancas desde pequenas.

“O fato de a primeira infância ser a maior fase de desenvolvimento, também precisa ser um momento inicial de combate ao racismo e de proteção dessas crianças, mas também de educação de crianças brancas e do corpo docente, de todo o corpo de professores, para que a gente consiga combater o racismo estrutural”. 

Racismo é crime

De acordo com a Lei nº 7.716/1989, racismo é crime no Brasil. A lei regulamenta trecho da Constituição Federal que tornou o racismo inafiançável e imprescritível.

A Lei nº 14.532, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023, aumenta a pena para a injúria relacionada à raça, cor, etnia ou procedência nacional. Com a norma, quem proferir ofensas que desrespeitem alguém, seu decoro, sua honra, seus bens ou sua vida poderá ser punido com reclusão de 2 a 5 anos. A pena poderá ser dobrada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.

As vítimas de racismo devem registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. É importante tomar nota da situação, citar testemunhas que também possam identificar o agressor. Em caso de agressão física, a vítima precisa fazer exame de corpo de delito logo após a denúncia e não deve limpar os machucados, nem trocar de roupa – essas evidências podem servir como provas da agressão.



EBC

Segunda edição do CNU atrai servidores em busca de cargos melhores


Responsável por cerca de 80% da lotação das 3.652 vagas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU 2025), o Distrito Federal atraiu um público específico. Servidores em busca de cargos melhores estão disputando a prova junto com iniciantes.

Os candidatos apontam os salários maiores que os atuais e a jornada de trabalho como atrativos para disputarem uma nova seleção. A possibilidade de converter um cargo temporário em definitivo também pesa na decisão.


 Brasília - 05/10/2025 -A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante visita ao campus da Asa Norte do Centro Universitário de Brasília (CEUB), onde 7.068 pessoas estão inscritas para realizar a prova do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). ( Lívia Blandina.). 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 A arqueóloga Lívia Blandina, 40 anos, tenta uma vaga no Bloco Temático 2 do CNU (Cultura e Educação). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ocupante de um cargo temporário no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a arqueóloga Lívia Blandina, 40 anos, chegou cerca de duas horas antes da abertura dos portões para disputar uma vaga no Bloco Temático 2 do CNU (Cultura e Educação). Natural do interior de Pernambuco, ela mora em Brasília desde o ano passado, quando assumiu o posto temporário.

“Como fiz outro concurso no ano passado, praticamente terminei a prova e continuei estudando”, diz Blandina. “Já estou adaptada ao ritmo de estudos de quatro horas por dia, mas, especificamente para o CNU, estou me preparando desde julho”, continua.

Segundo a arqueóloga, a maior dificuldade é estudar conteúdos de estatística, cobrados na prova do Bloco 2.

Falta de crescimento


Brasília - 05/10/2025 -A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante visita ao campus da Asa Norte do Centro Universitário de Brasília (CEUB), onde 7.068 pessoas estão inscritas para realizar a prova do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU).
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Candidata aguarda para entrar no local onde fará a prova objetiva do Concurso Público Nacional Unificado (CNU). Foto:  Valter Campanato/Agência Brasil

Mesmo servidores públicos com anos de carreira estão disputando a edição de 2025 do CNU. Professora concursada há 12 anos da rede pública de ensino do Distrito Federal, Rosana Silva, 42 anos, disputa um cargo no Bloco 5 (Administração). Segundo ela, a falta de perspectivas de crescimento na carreira e o fato de levar frequentemente trabalho para casa a convenceram a tentar uma vaga no governo federal.

“Sou professora desde os 30 anos e dou aula de português para 200 alunos. Tenho muita redação para corrigir em casa. Na verdade, trabalho mais em casa do que em sala de aula”, destaca.

Com tempo para estudar apenas aos fins de semana e feriados, ela faz um cursinho online e pretende continuar a se preparar para ser servidora do Poder Judiciário, independentemente se passar ou não no CNU.

Rosana Silva também reclama da falta de valorização profissional do professor e de um plano de carreira sólido na rede pública. “Tenho especialização e mestrado e ganho R$ 8 mil líquidos por mês. Um professor com doutorado recebe na faixa de R$ 13 mil líquidos. Parece muito para a maioria da população, mas é pouco para o tanto que o professor estuda e se prepara”, afirma.

Matemática

A segunda etapa do CNU também atrai o público tradicional de não servidores públicos em busca de uma oportunidade profissional. Recém-formado em direito, Fabiano Schelb, 32 anos, sonha em trabalhar num tribunal. Ele pretende aproveitar a predominância de conteúdo em direito do Bloco 7 (Justiça e Defesa) para tentar uma vaga no Poder Executivo enquanto, assim como Rosana, prepara-se ingressar no Poder Judiciário.

“Quem estudou direito naturalmente leva uma vantagem”, acredita Schelb, que chegou ao centro universitário na Asa Norte, em Brasília, por volta das 10h50. Ele diz que a experiência na primeira edição do CNU, no ano passado, ajudou-o, mas alerta para as dificuldades com questões de matemática.

“No ano passado, fui bem no conteúdo de direito e de português. Mas só acertei duas questões de matemática, que eu não sabia que seria cobrada daquela forma. Este ano, estou mais bem preparado”, relata o recém-formado.



EBC

Ederson se machuca e John, ex-Botafogo, é convocado para amistosos


O técnico da seleção masculina de futebol, Carlo Ancelotti, precisou efetuar uma segunda troca na relação de convocados para os amistosos contra Japão e Coreia do Sul.

Neste domingo (5), o goleiro John, do Nottingham Forest, da Inglaterra, foi chamado para o lugar de Ederson, do Fenerbahçe, da Turquia, que se contundiu durante um treino no último sábado (4).

John, de 29 anos, chegou ao futebol inglês no fim de agosto, negociado pelo Botafogo. É a primeira convocação do goleiro para a seleção principal.

Em 2013, quando defendia o Santos, ele representou o Brasil no Campeonato Sul-Americano sub-17 junto de nomes como o zagueiro Léo Pereira (hoje no Flamengo, mas à época no Athletico-PR), o meia Arthur (Grêmio) e o volante Thiago Maia (atualmente no Internacional, foi companheiro do arqueiro no Peixe).

Revelado no Alvinegro Praiano, John também jogou em Portuguesa Santista, Internacional e Valladolid, da Espanha, antes de chegar ao Botafogo e ser decisivo nas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2024.

O goleiro, porém, fez apenas um jogo pelo Nottingham Forest até o momento. No último dia 17 de setembro, ele foi titular na derrota por 3 a 2 para o Swansea City, pela Copa da Liga Inglesa.

Além de John, as opções que Ancelotti terá para o setor nos amistosos com Japão e Coreia do Sul são Hugo Souza, do Corinthians, e Bento, do Al Nassr, da Arábia Saudita.

Este último, aliás, foi o primeiro jogador a se apresentar ao técnico italiano em Seul, capital sul-coreana, onde a delegação estará concentrada antes do jogo com os donos da casa, na sexta-feira (10), às 8h (horário de Brasília), no Sangam Stadium.

Já no dia 14, às 7h30, será a vez de visitar os japoneses no Ajinomoto Stadium, em Tóquio.

A outra mudança na convocação original de Ancelotti também foi provocada por questões médicas. Na quinta-feira (2), o lateral Vitinho, do Botafogo, foi escolhido para substituir Vanderson, do Mônaco.

Um dia antes, o defensor do time francês sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda durante o empate por 2 a 2 com o Manchester City, da Inglaterra, pela Liga dos Campeões.

Eliminação precoce

Também neste domingo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou a saída de Ramon Menezes do comando da seleção masculina sub-20.

O treinador deixa o cargo após a eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo da modalidade, disputada no Chile.

No último sábado, o Brasil perdeu por 1 a 0 para a Espanha, no Estádio Nacional de Santiago, despedindo-se da competição sem nenhum triunfo.

“O torcedor também fica triste e chateado, mas, às vezes, ele também não entende as dificuldades que passamos. Pouco tempo para trabalhar, pouco tempo para treinar, se não nem esses atletas teriam sido liberados. Nós nos apresentamos no dia 22 de setembro e nossa estreia já era dia 28”, lamentou Ramon, ao site da CBF, após a eliminação no Mundial.



EBC