Corpo de ex-delegado-geral executado em Praia Grande é velado na Alesp


O corpo do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado por criminosos na Praia Grande, no litoral paulista, é velado desde as 11h10 desta terça-feira (16) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na capital.

O corpo deixou o Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 7h30 e foi levado para a Alesp, onde será velado até as 15h. Acompanham a cerimônia amigos, familiares, políticos e autoridades do estado de São Paulo, incluindo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deputados estaduais e federais, além do prefeito da capital, Ricardo Nunes.

Fontes, que atualmente era secretário de Administração da prefeitura de Praia Grande, foi morto por volta das 18h desta segunda-feira (15), em bairro próximo da prefeitura e do fórum do município.

Imagens de câmeras de segurança mostraram seu carro em fuga, em alta velocidade, até capotar entre dois ônibus ao tentar entrar em uma avenida. O carro que o perseguia chega pouco depois e dele saem três homens com fuzis. As imagens mostram dois deles indo até o carro de Fontes e disparando vários tiros. Em seguida, eles entram no carro e fogem pela mesma avenida onde perseguiram Fontes.

Segundo a prefeitura de Praia Grande, outros dois homens ficaram feridos na ocorrência. Eles foram atendidos pelas equipes do Samu e encaminhados para a UPA Quietude, de onde foram transferidos para o Hospital Municipal Irmã Dulce, sem risco de morte.

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O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, se pronunciou em um vídeo, dizendo estar muito triste pela morte do secretário de administração. Mourão elogiou sua atuação como delegado-geral e disse que Fontes trabalhou intensamente para que a polícia tivesse meios, condições e tecnologia disponível para, cada vez mais, fazer uma boa prestação de serviço à sociedade.

“Infelizmente, acabou sendo assassinado por pessoas que a gente desconhece a motivação. Mas é fundamental que se apure esses fatos. A polícia já está colocando todo efetivo à disposição e o governador [Tarcísio de Freitas] ligou e disse que colocou toda a força tarefa para apurar com intensidade essa situação. Nos cabe nesse momento ficarmos solidários à sua família, que neste momento está sofrendo muito com a morte”, afirmou.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou por meio de nota que determinou uma força-tarefa integrada pelas polícias Civil e Militar, para identificar e localizar os envolvidos no homicídio de Fontes.

“Equipes estão em diligências contínuas na região com apoio de batalhões da Polícia Militar – incluindo o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Santos e equipes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota)”.

Ainda segundo a SSP-SP, o caso foi registrado junto à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande e será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de demais departamentos. “Dois veículos foram apreendidos na ocorrência e imagens de câmeras de segurança são analisadas. Foram requisitados exames ao Instituto de Criminalística (IC), que estão em elaboração”, disse a secretaria.


São Paulo (SP), 16/09/2025 - Corpo do ex-delegado Ruy Ferraz é velado no Hall Monumental do Palácio 9 de Julho , Assembleia Legislativa de São Paulo. 
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Velório do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, por Paulo Pinto/Agência Brasil

Também por meio de nota, a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo afirmou se solidarizar com os familiares, amigos e companheiros de trabalho de Fontes, a quem se referiu como um policial que ‘teve uma trajetória notabilizada pelo combate ao crime organizado, em suas diversas modalidades”.

Para a Ouvidoria, o episódio pede célere investigação e punição imediata dos culpados, para que se evitem mais mortes, bem como o uso excessivo da força policial, como registrado em operações naquela região do estado, como as denominadas Escudo e Verão.

“A Polícia Civil de nosso estado possui instrumentos de inteligência e comprovada experiência em diligências semelhantes, para dar uma resposta pronta e evitar operações açodadas que inflacionem e dilatem o desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas e terminem por ampliar o quadro de vítimas inocentes em nossa recente e triste história naquele território”, ressalta a nota.

Na noite de segunda-feira (15), o Ministério Público confirmou que atuará na investigação do caso.

“O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, em conversa com o secretário de Estado da Segurança, Guilherme Derrite, informou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) vai apoiar a investigação da Polícia Civil no caso da execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, que ocorreu nesta segunda-feira, na Praia Grande”, afirmou o órgão por meio de nota.

Histórico

Fontes foi delegado por mais de 40 anos, tendo passado pela Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), além de ter sido delegado de Polícia Titular da 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), delegado de Polícia Titular da 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandado outras delegacias e divisões na capital.

Também foi diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP) e esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo.

Fontes foi responsável pela prisão de lideranças do PCC nos anos 2000, quando atuava na repressão a roubo de bancos, e enquanto delegado-geral, função que exerceu até 2022. Depois de se aposentar, ele assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande (janeiro de 2023), permanecendo na gestão que se iniciou em 2025, com o prefeito Alberto Mourão.



EBC

Cartão do SUS será unificado com dados de CPF do usuário


O novo Cartão Nacional de Saúde (CNS), a partir de agora, passa a exibir nome e CPF no lugar do antigo número. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (16) pelos ministérios da Saúde e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A previsão é que 111 milhões de cadastros sejam inativados até abril de 2026 – desde julho, 54 milhões já foram suspensos. Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que pacientes sem CPF continuam sendo atendidos normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não estamos deixando ninguém para trás. As pessoas que não têm CPF ainda vão continuar a ser atendidas”, disse. “Não há sistema nacional de saúde público que tenha o volume, a diversidade e a complexidade dos dados que tem o SUS”, completou.

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Higienização

Para tornar a unificação possível, a pasta iniciou uma espécie de limpeza da base de cadastros de usuários do SUS, conhecida como CadSUS. Desde então, os registros passaram de 340 milhões para 286,8 milhões de cadastros ativos.

Desse total, 246 milhões já estão vinculadas ao CPF, enquanto 40,8 milhões permanecem sem CPF, em fase de análise para inativação. O processo de higienização, de acordo com o ministério, alcança ainda cadastros inconsistentes ou duplicados.

“Estamos dando um passo muito decisivo para uma revolução tecnológica no Sistema Único de Saúde. Não é simples o que estamos fazendo”, avaliou Padilha, ao citar que o sistema nacional de saúde pública inglês, ao criar seu cartão de unificação, demorou 10 anos para conseguir implementar a ação.

Integração

A estimativa do governo é que 11 milhões de registros sejam inativados todos os meses, totalizando 111 milhões até abril de 2026. A meta é que, ao final da ação, a base de cadastros de usuários do SUS seja equivalente ao total de CPFs ativos na Receita Federal: 228,9 milhões.

O avanço, segundo o ministério, foi possível graças à interoperabilidade do CadSUS e da base de dados da Receita Federal, utilizando o CPF como identificador único do cidadão e viabilizando acesso a dados como histórico de vacinas e medicamentos garantidos no programa Farmácia Popular.

Usuários sem CPF

Em nota, a pasta informou ter estabelecido um cadastro temporário para cidadãos atendidos no SUS sem CPF, válido por um ano. A medida, de acordo com o comunicado, atende a situações em que a pessoa não consegue informar o CPF no momento do atendimento, como em casos de emergência.

“Após a alta ou regularização, é necessária a prova de vida e a inclusão do CPF”, destacou o ministério.

Populações que não utilizam CPF, como estrangeiros, indígenas e ribeirinhos, permanecem identificadas pelo Cadastro Nacional de Saúde, nomenclatura que vai substituir a expressão Cartão Nacional de Saúde “para reforçar que se trata de um registro secundário e complementar”, reforçou a pasta.

Bases de dados

O ministério informou que vai readequar todos os sistemas de informação do SUS para que passem a utilizar o CPF do paciente – a começar pelos mais utilizados por estados e municípios, como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o prontuário eletrônico da atenção primária.

O calendário, segundo Padilha, será pactuado com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O prazo para conclusão é dezembro de 2026.

Ainda de acordo com a pasta, o CadSUS será integrado à Infraestrutura Nacional de Dados (IND), coordenada pelo MGI. “A medida permitirá receber informações de outros ministérios e órgão, como IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] e CadÚnico [Cadastro Único], e compartilhar dados de saúde de forma segura, sem transferência integral da base”.

“A ação vai melhorar o monitoramento, combater o desperdício e fortalecer a gestão pública”, concluiu o ministério na nota.



EBC

Robert Redford, ícone de Hollywood e ativista ambiental, morre nos EUA


O ator e diretor Robert Redford, um dos maiores nomes da história do cinema norte-americano, faleceu durante o sono na manhã desta terça-feira (16), aos 89 anos, em sua casa em Utah, nos Estados Unidos.

A informação foi confirmada por sua assessoria de imprensa. A causa da morte não foi divulgada.

Redford marcou gerações tanto como astro de Hollywood quanto como cineasta e ativista. Com uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, estrelou clássicos como Butch Cassidy (1969), Golpe de Mestre (1973), Todos os Homens do Presidente (1976) e Entre Dois Amores (1985).

Foi indicado ao Oscar como ator, mas conquistou a estatueta de melhor diretor em sua estreia atrás das câmeras, com Gente como a Gente (1980), que também venceu como melhor filme. Ao longo da carreira, dirigiu ainda títulos como Nada é para Sempre (1992) e Quiz Show – A Verdade dos Bastidores (1994), ambos aclamados pela crítica.

Mais do que estrela de cinema, Redford teve papel decisivo na consolidação do cinema independente americano. Em 1981, fundou o Instituto Sundance e, poucos anos depois, idealizou o Festival de Cinema de Sundance, hoje referência mundial na descoberta de novos talentos. Foi nesse palco que cineastas como Steven Soderbergh despontaram, com o sucesso Sexo, Mentiras e Videotape (1989).

Em 1999, o filme brasileiro Central do Brasil, dirigido por Walter Salles, foi premiado no Festival de Sundance. A vitória no evento, um dos mais importantes do cinema independente, ajudou a impulsionar a carreira do longa, que mais tarde seria indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

No início da década de 1990, Redford e a atriz brasileira Sônia Braga viveram um relacionamento, que foi noticiado pela imprensa na época. O caso foi uma das relações mais famosas do ator, que sempre se mostrou discreto em relação a sua vida pessoal.

Fora das telas, o ator também se destacou pelo ativismo ambiental. Nos anos 1970, participou de campanhas contra projetos de rodovias e usinas poluentes em Utah, conquistando vitórias que ajudaram a transformar áreas naturais em monumentos nacionais.

Galã nas telas e referência de engajamento fora delas, Redford deixa um legado que vai muito além do cinema. Sua trajetória uniu glamour, consciência social e a defesa de um cinema autoral, distante dos holofotes dos grandes estúdios.




EBC

Sete em cada 10 alunos do ensino médio usam IA generativa em pesquisas


Sete em cada dez estudantes brasileiros do ensino médio usuários da internet utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT e o Gemini, para realizar pesquisas escolares. Apesar disso, poucos deles (apenas 32% do total) receberam alguma orientação nas escolas sobre como utilizar de forma segura e responsável essa tecnologia.

As informações fazem parte da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, que foi divulgada na manhã de hoje (16) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O núcleo foi criado para implementar projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que é o responsável por coordenar e integrar as iniciativas e serviços da internet no país.

“Nesta primeira coleta de dados, 37% dos estudantes de ensino fundamental e médio disseram que se valem dessas ferramentas na busca de informações. Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, a proporção é de 39% e entre os estudantes do ensino médio, de 70%. O dado evidencia novas práticas de aprendizagem adotadas pelos adolescentes”, explicou Daniela Costa, coordenadora do estudo.

“Tais recursos requerem novas formas de lidar com a linguagem, de pensar a curadoria de conteúdos e de compreender a informação e o conhecimento”, ressaltou.

Segundo ela, as escolas já estão se adaptando a esse novo uso e passando a debater com os pais o uso de IA Generativa pelos alunos.

De acordo com dados da pesquisa, as regras sobre o uso de IA generativa por alunos e professores nas atividades escolares já é pauta de reuniões dos gestores com professores, pais, mães e responsáveis.

“68% dos gestores escolares dizem que realizaram reunião com professores e outros funcionários e 60% com pais, mães e responsáveis sobre o uso de tecnologias digitais nas escolas. Regras sobre o uso de celulares nas instituições foram uma das principais pautas desses encontros, mas regras sobre o uso de ferramentas de IA pelos alunos ou pelos professores são citadas por 40% dos gestores”, explicou.

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Apesar de a maioria dos estudantes brasileiros de ensino médio já usar ferramentas de IA Generativa em seus trabalhos escolares, poucos deles (apenas 32% do total) receberam alguma orientação nas escolas sobre como utilizar essa tecnologia, o que seria extremamente importante, defendeu a coordenadora do estudo.

“O principal ponto é que essas práticas de busca de informações baseadas em IA trazem novas demandas para as escolas no que diz respeito a orientar os alunos sobre a integridade da informação, a autoria e sobre como avaliar fontes de informação”, destacou a coordenadora.

“Além disso, é importante também que os alunos saibam como se valer desses recursos para construir o próprio conhecimento e ampliar as suas estratégias de aprendizagem, além de receber uma resposta pronta e considerá-la como única resposta possível, a mais adequada ou a verdadeira”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Esta foi a primeira vez que a TIC Educação investigou os recursos adotados pelos estudantes na realização de pesquisas escolares. O levantamento foi feito entre agosto do ano passado e março deste ano por meio de entrevistas realizadas com 945 gestores e 864 coordenadores em 1.023 escolas públicas e privadas. A pesquisa também ouviu 1.462 professores e 7.476 alunos, tanto de escolas rurais quanto urbanas de todo o país. Os resultados estão disponíveis no site do levantamento.

Celulares

A pesquisa TIC Educação foi realizada enquanto estava sendo promulgada a Lei 15.100, de janeiro deste ano, que passou a restringir o uso de dispositivos móveis, como celulares nas escolas.

Apesar disso, a pesquisa já começou a demonstrar a mudança de uso nas regras de aparelhos celulares dentro das escolas. Em 2023, por exemplo, 28% das instituições proibiam o uso do telefone celular pelos alunos e 64% permitiam o uso apenas em alguns espaços e horários. Em 2024, a proporção de escolas que não permitem o uso do dispositivo aumentou para 39%, enquanto a permissão em alguns espaços e horários diminuiu para 56%.

“Os indicadores confirmam a tendência de redução de uso de telefones celulares pelos alunos, especialmente entre os estudantes de escolas localizadas em áreas rurais (de 47% para 30%), de escolas municipais (de 32% para 20%) e particulares (de 64% para 46%)”, explicou a coordenadora da pesquisa TIC Educação.

Segundo ela, essa mesma tendência é observada nas escolas particulares, que vêm diminuindo o uso de tecnologias digitais, inclusive nos espaços escolares. “A proporção de escolas particulares com disponibilidade de acesso à internet na sala de aula passou de 70% em 2020 para 52% em 2024”, disse Daniela à Agência Brasil.

Conectividade nas escolas

A pesquisa também apontou que quase a totalidade das escolas brasileiras (96% do total) possui acesso à internet. Esse acesso cresceu principalmente nas instituições municipais (que passaram de 71% de acesso em 2020 para 94% em 2024) e nas escolas rurais (que passou de 52% para 89% nesse mesmo período).

No entanto, embora a conectividade tenha crescido, as desigualdades nesse acesso permanecem presentes. Se nas escolas estaduais, 67% dos alunos utilizam a internet para fazer atividades solicitadas pelos professores, na rede municipal, a proporção é de apenas 27%.

No caso das instituições de educação básica municipais, por exemplo, 75% dispõem de, pelo menos, um espaço com conexão à Internet para uso dos alunos, mas apenas 51% delas têm computadores para atividades educacionais e 47% contam com acesso à Internet e dispositivos para os estudantes.

“O acesso à internet tem se disseminado entre as escolas de ensino fundamental e médio”, diz a coordenadora do estudo.

Em 2020, 52% das escolas rurais contavam com acesso à rede, proporção que passou para 89% na edição 2024.

“No entanto, a disponibilidade de dispositivos digitais, como computadores, ainda é um grande desafio para as instituições, especialmente nas escolas rurais e municipais de pequeno porte. Entre 2022 e 2024, a presença de ao menos um computador para uso dos alunos nas escolas rurais diminuiu, passando de 46% para 33%”, explicou.

Para ela, essas desigualdades só poderão ser reduzidas a partir de “melhor entendimento sobre o papel das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem” e também com “iniciativas que permitam a equalização de oportunidades entre os estudantes de diferentes contextos”.

Formação docente

Além disso, a pesquisa revelou que, nos últimos anos, caiu o número de professores que participaram de formação voltada ao uso de tecnologia digital nos processos de ensino e de aprendizagem. Se em 2021, cerca de 65% dos professores dizia ter feito algum curso de formação sobre tecnologia digital, em 2024 esse número caiu para 54%. A queda foi ainda maior entre os professores da rede pública municipal, que passou de 62% em 2021 para apenas 43% no ano passado.

Para a coordenadora do estudo, o acesso dos professores a cursos de formação, apoio e atualização seria essencial, “especialmente em um contexto de mudanças nas formas de lidar com a aprendizagem, como a inserção de tecnologias emergentes – entre elas a IA, nas práticas pedagógicas”.

Essa formação também é importante porque permitiria que os professores orientassem melhor seus alunos para o uso seguro, crítico, responsável e criativo das tecnologias digitais. Segundo Daniela, esse foi um dado comprovado pela pesquisa: a maior parte dos docentes que realizaram desenvolvimento profissional (67% do total) mencionou que a atividade contribuiu para melhor orientar os alunos sobre o uso dessas tecnologias.



EBC

Mostra traz filmes que discutem negritude, gênero e sexualidade


A mostra online Rastros da Experimentação Negra Contemporânea exibe 14 filmes de realizadores negros – entre longas, médias e curtas-metragens –, disponível de forma gratuita, para todo o Brasil, através da plataforma de streaming SPcine Play (spcineplay.com.br), após um breve cadastro.

Em comum a experimentação de vanguarda traz produções que trafegam com leveza por temáticas complexas como negritude, gênero e sexualidade.

No catálogo há cinco produções internacionais. Em coprodução da Etiópia, Reino Unido e Somália, o filme Except This Time Nothing Returns From the Ashes, de Asmaa Jama e Gouled Ahmed, explora o significado da presença e da revisitação do passado familiar e social, através de um jogo de textura com diferentes câmeras e técnicas.

Já a coprodução da República Dominicana com os EUA The Ritual to Beauty, de Maria Marrone e Shenny De Los Angeles, discute o que é a beleza por meio de três gerações de mulheres dominicanas.

Há ainda três produções dos Estados Unidos, Sojourner, de Cauleen Smith, indicado ao Tiger Awards do Festival de Roterdã; Pilgrim, da mesma cineasta; além de Tygers, de Kevin Jerome Everson, sobre um treino de um time de futebol americano. 

Eixo

O projeto curatorial, assinado pelo jornalista e professor Heitor Augusto, divide a mostra em quatro eixos temáticos: Movimento, Casa, Ritmo e Nossa Gente.

O eixo Movimento traz seis curta-metragens com diversas concepções de movimentação, refletindo sobre a liberdade e as limitações de movimento impostas pelo racismo e pela LGBTfobia:

  • Só que desta vez nada retorna das cinzas (2023, Reino Unido) de Asmaa Jama e Gouled Ahmed;
  • [in]Consciência (2018, Brasil) de Jéferson;
  • Por que não ensinaram as bixas pretas a amar? (2023, Brasil), de Juan Rodrigues;
  • Pilgrim (2017, EUA) de Cauleen Smith;
  • Sojourner (2018, EUA) também de Cauleen Smith; e
  • Tygers (2014, EUA) de Kevin Jerome Everson.

O eixo Casa dialoga, em cinco curtas-metragens, com os conceitos de morada, conforto e identidade: 

  • Entenda o processo colonial em 5 minutos (2019, Brasil) de Ana Julia Travia;
  • Cicatriz tatuada (2022, Brasil) de Eugênio Lima, Gabriela Miranda e Matheus Brant;
  • Morde e assopra (2020, Brasil) de Stanley Albano;
  • Rito de beleza (2020, EUA/República Dominicana) de Maria Marrone e Shenny De Los Angeles; e
  • Olhos de erê (2020, Brasil), de Luan Manzo.

 O eixo Ritmo apresenta duas obras que provocam reflexões a partir de elementos da montagem como a cadência, o andamento e o corte, despertando discussões sobre saúde mental e a experiência negra na diáspora:

  • As vezes que não estou lá (2021, Brasil) de Dandara de Morais; e
  • Pontes sobre abismos (2017, Brasil), de Aline Motta.

Por fim, o eixo Nossa Gente é representado pelo filme Sessão Bruta, de as talavistas e ela.ltda, que apresenta o estar em comunidade, enfocando vivências, estratégias e criação.

Curadoria

O projeto curatorial foi aprovado no edital de Seleção e Apoio de Propostas Curatoriais de Conteúdo Audiovisual para SPcine Play (2023), da SPcine. A Agência Brasil conversou com o curador sobre a importância de abordar os temas principais em uma plataforma pública e seu potencial para pessoas que lidam com dinâmicas próximas às dos realizadores ou às dos personagens: 

Agência Brasil: Como você vê a relação entre este conjunto de filmes e o impacto que eles podem ter para a população, principalmente para a população negra e periférica?
Heitor Augusto: O principal impacto, na verdade, são dois. Primeiro que esse conjunto de filmes e essa reunião de filmes sob o signo da experimentação e do sistema experimental permite às populações negras e populações negras e periféricas que elas possam sonhar, imaginar, para além da realidade que está imposta e tem sido imposta para essas pessoas desde muito tempo. E a segunda importância que eu destacaria desses filmes é como muitos deles permitem que justamente essa população tenha as suas questões validadas.

Agência Brasil: Nisso inclui-se tratar diretamente do problema, discutir o racismo de forma direta?
Heitor Augusto: A gente sabe como uma das estratégias do racismo é fazer com que as populações pretas e periféricas não possam dar nome às coisas tal como elas são. A gente sabe como o racismo é sempre diminuído, ou melhor, a violência do racismo é sempre diminuída, então esse conjunto de filmes, entre outras coisas, permite também que essa população possa ver as suas questões validadas por meio, especificamente, de alguns filmes. Se eu fosse destacar, chamaria atenção tanto para [in]Consciência quanto para Por que não ensinaram as bixas pretas a amar?, pela importância deles para que as populações negras e periféricas tenham suas questões validadas.

Agência Brasil: O gênero é elemento que atravessa parte dos filmes, se não todos. Como que esse recorte composto por ambos, gênero e raça, longe de se atrapalhar, causando ruído, se complementa e é importante para a experimentação e inovação nestes filmes?
Heitor Augusto: Bem, eu tenho a sensação de que por muito tempo os movimentos negros organizados, tanto no Brasil quanto em diferentes lugares do mundo, foram organizados a partir de um certo paradigma de que qualquer busca de atravessamento de outra identidade ou de demandas de outras identidades, tirariam a atenção ou enfraqueceriam a atenção das pautas. Isso é uma falácia, infelizmente, ela é uma falácia normativa, uma falácia patriarcal.
A gente pode ver, por exemplo, como um filme como Línguas Desatadas, de 1989, que não está na mostra, mas eu estou aqui trazendo para poder ilustrar o meu ponto, como esse filme inclusive endereça essa questão, um dos momentos ali, justamente chama essa conversa. Ocorre também com o filme do Marlon Hicks, chamado Preto é Preto não é.
Ambos os filmes, eles endereçam essa falácia, e é importante chamar isso tal como é. É importante dizer que se na luta antirracista um dos objetivos é equidade, um dos objetivos é a humanidade e a humanização de pessoas negras, a gente precisa começar a ampliar o nosso imaginário.

Agência Brasil: De que formas precisamos avançar nessa ampliação?
Heitor Augusto: Quando a gente fala da pessoa negra ao longo da história infelizmente imaginamos o homem cis hétero? Então é bastante imprescindível, primeiro politicamente, que nós ampliemos os nossos imaginários e que entendamos que sem a libertação de pessoas negras de diferentes matizes, de matizes de gênero, de matizes de sexualidade, a libertação negra nunca será.
Em relação a como o gênero se complementa ou faz uma intersecção com a raça e traz a experiência, a experimentação e a inovação nesses filmes, trazer filmes, ou que centralize a questão de gênero, ou que tenha sido dirigido por mulheres, não é um ato de benevolência. Pelo contrário, é um ato de atenção curatorial, porque qualquer pesquisa curatorial minimamente séria e atenciosa para filmes negros feitos nos últimos 10 anos vai perceber o quão indissociável é, não só a realização de mulheres, mas a questão de gênero. E eu acho muito criativa a forma que os filmes que estão presentes na mostra são filmes que não se escondem, de novo, de olhar para as comunidades negras em todos os seus matizes, o matiz de classe, o matiz de sexualidade, o matiz de gênero. Essa é justamente sua potência.

Agência Brasil: Se formos indicar um filme para introduzir este tema, entre os escolhidos na mostra, principalmente para jovens que estejam começando a lidar com o tema de raça, qual você recomenda e por qual motivo?
Heitor Augusto: Um filme que eu recomendaria que tem a questão de gênero, especialmente para quem está começando a lidar com questões raciais, é o Rito de Beleza. E destacaria ele por algumas razões.
Primeiro, porque é um filme que endereça questões e traumas intergeracionais. Se a gente for falar sobre as violências do racismo, a gente precisa, sim, falar sobre traumas intergeracionais, a gente precisa, sim, falar e questionar e debater e refletir sobre as estratégias de sobrevivência que foram empregadas por gerações anteriores e o quanto dessas estratégias  nos competem hoje.
Mas também destacaria porque é um filme feito por duas diretoras mulheres, mas não só, é um filme que endereça mulheres em relação às mulheres. Então, no caso ali, mães e avós em relação às suas filhas, filhas em relação às suas mães e suas avós.
E terceiro, porque o filme faz toda essa discussão trabalhando com um signo que é muito importante e tem sido muito relevante para o imaginário das lutas antirracistas contemporâneas no Brasil, que é a questão da autoaceitação, sendo o cabelo o elemento mais visual dessa jornada de autoaceitação. Então, eu chamaria a atenção para esse filme, para quem tivesse sendo introduzido nas pautas raciais e se interessa pelas intersecções de gênero nas pautas raciais dentro dos filmes da Mostra.



EBC

História afro nas escolas ajuda a reduzir preconceitos, dizem mestres


Mestres da cultura popular defendem o ensino da história e cultura afro-brasileiras e africanas nas escolas como forma de combater a intolerância e o racismo. No Brasil, esse ensino está previsto na Lei 10.639/03 e deve ocorrer em todas as escolas públicas e particulares. A lei, no entanto, não é cumprida em muitas instituições. 

“Tem escola que finge que faz, tem escola que nem finge. Tem algumas que colocam uma estante com alguns livrinhos. Para que? Se alguém pergunta, respondem ‘Nós temos, olha nossa biblioteca, mas é fingimento”, diz a Rainha de Congo das Guardas de Congo e Moçambique Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário, Isabel Casimira, que é também dirigente da Federação dos Congados de Minas Gerais.

Isabel Casimira é codiretora do filme A Rainha Nzinga Chegou (2019), premiado em festivais nacionais e internacionais, exibido no 14ª Festival Artes Vertentes, em Tiradentes.

Nesta edição do festival, ela participou também de debate ao lado de Claudinei Matias do Nascimento, conhecido como Mestre-Capitão Prego do Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia.  

Ambos defenderam a educação como forma de os brasileiros conhecerem a própria história, e de a história do povo negro e todas as suas contribuições nas mais diversas áreas de conhecimento não serem apagadas.

A Rainha de Congo conta que realiza conversas e palestras em escolas para ajudar na formação de professores para este ensino. Ela diz que muitas vezes os próprios professores não dominam o assunto. Ela dá, então, orientações que por vezes são simples, mas fazem diferença.

“Quando a professora vai falar, por exemplo, de candomblé e diz que povo de candomblé veste vermelho. Qual o povo? Quantos povos têm? A pobre da mulher nem sabe que existem várias etnias que podem ser chamadas de candomblé. Se ela não sabe, ela não pode falar do povo de candomblé. Ela tem que pôr junto [o termo] ‘alguns’, porque quando ela insere ‘alguns’, ela abre para mais: ‘Alguns povos de candomblé vestem vermelho’. As professoras ficam felizes quando entendem que com uma palavra ela pode falar sem criar bobagem na cabeça dos alunos”, diz.

Já Mestre Prego diz que é procurado por diversas escolas de fora de Minas Gerais, mas que não é valorizado no próprio município.

“A gente recebe aqui várias escolas do Rio de Janeiro e eu dou a oficina de toque de tambor, ensino os nossos cantos de Congo e Moçambique e também dou oficina de balão de pintura no atelier. O interessante é falar sobre a nossa cultura. A gente recebe essas escolas todas, mas nas escolas do município ninguém tem interesse de falar sobre a cultura dos nossos povos negros e tampouco dos indígenas”, diz.
 


Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O fundador e líder do Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, Claudinei Matias do Nascimento, conhecido como Mestre Prego durante mesa Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes no Festival Artes Vertentes, no escritório técnico do IPHAN, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O fundador e líder do Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, Claudinei Matias do Nascimento, conhecido como Mestre Prego – Tomaz Silva/Agência Brasil

Intolerância

O desconhecimento gera preconceitos. O congado e a igreja católica compartilham a devoção à Nossa Senhora do Rosário. Mestre Prego conta que o grupo costumava ter acesso à igreja, em Tiradentes, mas que isso mudou. Foram proibidos de entrar enquanto tivessem no nome e na bandeira que os identifica a Escrava Anastácia.

“Hoje, para a gente, é uma data importante. A gente está recebendo uma rainha, a nossa Rainha Conga do Estado de Minas Gerais. Então hoje, para nós, era um dia que nós teríamos que entrar na igreja, a igreja que foi feita pelos nossos irmãos, para a gente louvar”, lamenta o mestre.

Ele ressalta que na região viveram 22 mil pessoas escravizadas e que foram elas as responsáveis pela pavimentação das ruas, feitas de pedras colocadas à mão; pela construção das igrejas, dos casarões, história que também é silenciada e não faz parte das rotas turísticas tradicionais. 

Isabel Casimira complementa que o ensino nas escolas ajudaria as pessoas a conhecerem e respeitarem crenças e religiões, mesmo que diferentes da que praticam.

“[Seria bom] se dentro de cada escola tivesse uma pessoa que fosse que não falasse de religião, mas de educação. De educar as pessoas para que elas entendam a história do outro. A pessoa pode ser evangélica, budista, umbandista, católica. Independentemente do que ela seja, se ela for educada para respeitar o sagrado alheio, ela é uma boa pessoa”, defende.

E acrescenta: “Assim como alguém chama Deus de Jeová, de Allah, de Maomé, de Buda, seja que denominação for, o nosso jeito de falar com Deus é chamar ele de Zambi. Ele é nosso pai, ele é nosso pai Zambi. Não tem nada demais eu falar diferente coisas iguais”.

Patrimônio Cultural

Em 2025, após 17 anos de espera, o congado tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil, registrado como Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas no Livro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Essas tradições são diversas, incluem, por exemplo, massambiques (moçambiques), congos (congados, conguistas, congueiros), catopês (catupés, catopés), marujos, caboclos (caboclinhos, penachos, cabocladas), tamborzeiros, pifeiros, entre outros grupos rituais, e reinados (côrtes ou tronos coroados) descritos e registrados por pesquisadores, em diferentes contextos e regiões do Brasil, especialmente nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

As tradições contam com mais de 300 anos de história e têm como identidade fundamental a ancestralidade de matriz africana com canto, ritmo e dança.

Festival Artes Vertentes

A 14ª edição do Festival Artes Vertentes tem como tema Entre as margens do Atlântico, propondo um diálogo entre três continentes intimamente ligados pela história: América, África e Europa.

A programação de 2025 também faz parte da Temporada França-Brasil, que ocorre até o final do ano em 15 cidades brasileiras e tem como objetivo aproximar, por meio da cultura, os dois países.

O festival segue até dia 21 na cidade de Tiradentes, com mostras de cinema que discutem memória, ancestralidade e resistência também nas cidades de São João del Rei e Bichinho. Mais detalhes no site www.artesvertentes.com/.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Festival Artes e Vertentes



EBC

Mega-Sena sorteia nesta terça-feira prêmio acumulado em R$ 27 milhões


As seis dezenas do concurso 2.915 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 27 milhões.

Por se tratar de um concurso com final cinco, ele recebe um adicional das arrecadações dos cinco concursos anteriores, conforme regra da modalidade.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa. 

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp  

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.




EBC

.Dia Nacional do Caminhoneiro lembra importância da categoria


Neste 16 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Caminhoneiro, data instituída pela Lei nº 11.927, de 2009, em reconhecimento ao papel desses profissionais, que cruzam o país transportando cargas e conectando regiões. A data homenageia aqueles que, mesmo diante de desafios como longas jornadas, infraestrutura precária e altos custos operacionais, mantêm o fluxo de mercadorias e o abastecimento nacional.

Além da data nacional, existem outras celebrações locais que reforçam o reconhecimento à categoria, como os dias 30 de junho, comemorado no estado de São Paulo, e 25 de julho, dedicado a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, amplamente celebrado em todo o país com festas e bênçãos nas estradas. 

O cotidiano desses profissionais envolve inúmeros desafios. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, parte dos motoristas excede o limite legal de tempo ao volante, muitas vezes recorrendo a substâncias para permanecer acordados, em condições que colocam em risco sua saúde e a segurança viária. Diante disso, o governo federal tem implementado políticas públicas voltadas à melhoria das condições de trabalho na estrada e à valorização da categoria.

Entre as principais iniciativas está a Política Nacional de Pontos de Parada e Descanso (PPDs), estabelecida pela Portaria nº 387/2024 do Ministério dos Transportes. A medida prevê a implantação de estruturas adequadas nas rodovias federais, oferecendo locais seguros com serviços básicos de higiene, alimentação, segurança e repouso. A política torna obrigatória a inclusão de pelo menos um ponto de parada por contrato de concessão em vigor, com estudos de viabilidade sendo conduzidos também para rodovias sob gestão direta do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Este ano, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) sugeriu que os postos hoje já certificados como PPDs sejam vistoriados pelo DNIT nas rodovias sem concessão, ou pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), onde há concessão. Os caminhoneiros afirmam que muitos estabelecimentos fechados ainda são considerados pontos de descanso na lista do Ministério dos Transportes. 

Mais especialistas

Outra política pública importante para os caminhoneiros é o programa Microempreendedor Individual (MEI) Caminhoneiro. Ao se formalizar como MEI Caminhoneiro, o profissional pode ter acesso aos benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) e pensão por morte

Enquanto o MEI comum paga 5%, o MEI Caminhoneiro paga 12% sobre o salário mínimo mensal, além de impostos como ICMS (R$ 1) e ISS (R$ 5), quando aplicáveis. A diferença no percentual se justifica pelas características específicas da profissão como, por exemplo, maior exposição a riscos. 

Em agosto, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério dos Transporte, apresentou o modelo das novas unidades móveis de saúde voltadas para caminhoneiros. A ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em maio, que busca reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) e levar atendimento primário a locais com grande circulação de motoristas, como rodovias, postos e portos. 

A proposta considera que muitos caminhoneiros vivem em áreas com pouco acesso a serviços de saúde e enfrentam dificuldades para comparecer a unidades fixas devido à natureza itinerante da profissão. Por isso, além das unidades móveis, também serão implantadas estruturas semifixas, todas integradas ao prontuário eletrônico do SUS.



EBC

Justiça Eleitoral do Ceará nega pedido de prisão de Ciro Gomes


A Justiça Eleitoral do Ceará negou pedido de prisão do ex-ministro Ciro Gomes, alvo de uma ação do Ministério Público por violência política de gênero contra a ex-senadora e atual prefeita de Crateús (CE), Janaína Carla Farias (PT).

A decisão foi proferida neste domingo (14) pelo juiz Victor Nunes Barroso, da 115ª Zona Eleitoral de Fortaleza. A prisão foi solicitada pela Advocacia do Senado, que realiza a defesa de Janaína no processo. 

Apesar de rejeitar o pedido de prisão, o magistrado proibiu Ciro Gomes de proferir ofensas e qualquer menção injuriosa ou difamatória contra a prefeita, de forma direta ou indireta.

Em caso de descumprimento, o político deverá pagar multa de R$ 10 mil por postagem ou declaração.

“Tendo em conta as circunstâncias do caso concreto, considero necessária a imposição de medida cautelar diversa da prisão, que se mostra suficiente e adequada, qual seja: proibição de menção ao nome da ofendida Janaína Carla Farias, ainda que de forma indireta, em pronunciamentos públicos ou privados com caráter público (reuniões, entrevistas, eventos, etc) ou em postagens nas redes sociais”, decidiu o juiz.

Ciro Gomes passou a responder ao processo em julho de 2024. Em uma entrevista, Ciro disse que Janaína Farias, que ocupava cargo de senadora, atuava como “assessora de cama” do ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE).

Procurado pela Agência Brasil, o advogado Walber de Moura Agra declarou que a defesa reitera que Ciro não praticou violência de gênero.

“Decisão judicial, a gente não discute, a gente cumpre. Nós continuamos reiterando que não há nenhuma violência política de gênero. A medida cautelar é se houver calúnia e difamação contra a prefeita Janaína, mas não houve interdição do debate político, que é saber como são indicados determinados cargos públicos dentro do Ceará. Esse é o debate que Ciro Gomes vem fazendo”, afirmou. 

Matéria ampliada às 20h40 para inclusão do posicionamento da defesa de Ciro Gomes.




EBC

“O Agente Secreto vai representar o nosso cinema com louvor”, diz Lula


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou nesta segunda-feira (15) a escolha do filme O Agente Secreto como representante brasileiro no Oscar 2026, na categoria Melhor Filme Internacional.

Em uma postagem na rede X, Lula ressaltou que o cinema nacional “vive um grande momento”.  

“O audiovisual brasileiro vive um grande momento, fruto de muito talento, trabalho e incentivo. Estou certo de que O Agente Secreto vai representar o nosso cinema com louvor”, disse. 

No mês passado, o presidente Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva receberam a equipe e elenco do longa para uma sessão especial no Palácio da Alvorada. Foi a primeira exibição do filme no Brasil, que teve a estreia mundial no 78º Festival de Cannes, na França, em maio, quando recebeu aplausos do público por aproximadamente 15 minutos.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme acompanha Marcelo, protagonizado por Wagner Moura, durante a ditadura militar. O professor de tecnologia tenta recomeçar a vida no Recife, mas acaba mergulhado em um universo de espionagem e paranoia

O Agente Secreto, que ainda não estreou em circuito nacional, já levou vários prêmios internacionais, entre eles, o de Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho, e de Melhor Ator, para Wagner Moura, no Festival de Cannes.



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