Físico Luiz Davidovich vence prêmio da Academia Mundial de Ciências


O físico brasileiro Luiz Davidovich, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi o vencedor do Prêmio TWAS Apex 2025.

Concedido pela Academia Mundial de Ciências, vinculada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o prêmio, um dos mais importantes no cenário internacional, reconhece o trabalho de pesquisadores que contribuem para o avanço da ciência e da tecnologia no mundo.

Referência mundial em pesquisas voltadas ao impacto do ambiente em sistemas quânticos, Davidovich ressalta o papel transformador da ciência.

“Eu fico muito honrado com esse prêmio que recebi da Academia Mundial de Ciências, que eu considero que é uma entidade muito importante para o mundo, porque ela agrega cientistas de todo o mundo como da China, da Índia, da África e da América Latina. Essa entidade promove a cooperação entre esses cientistas, as conversas entre esses cientistas, muitas vezes de países que têm problemas, que estão em guerra. A ciência fura esses muros de preconceito, de guerra.”

O físico brasileiro também destaca a importância do prêmio na área da ciência quântica.

“Essa área está presente em nosso cotidiano. Ela está por trás de computadores, de painéis solares, smartphones, ferramentas médicas – como lasers e máquinas de ressonância magnética –, materiais avançados, está por trás do GPS e mesmo na agricultura de precisão. Tudo isso usa a física quântica, usa a mecânica quântica. Então esse é um ano de celebração.”

A cerimônia de entrega do Prêmio será realizada durante a 17ª Conferência Geral, que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro

Organizado em parceria com a Academia Brasileira de Ciências, o encontro terá como tema “Construindo um futuro sustentável: o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento global”.




EBC

Portos movimentam em julho o maior volume de cargas da história


Os portos brasileiros registraram, em julho, o maior volume mensal de cargas da história, com 124,7 milhões de toneladas transportadas, sendo 73% de navegação de longa distância – exportação e importação – e 20% de cabotagem – entre portos brasileiros. 

Nos primeiros sete meses do ano, os portos atingiram 780,4 milhões de toneladas de cargas, volume 1,76% maior do que o registrado no mesmo período de 2024.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, reafirmou que o governo federal tem atuado com a finalidade de ampliar as concessões e fortalecer a infraestrutura nacional. 

“Temos como foco garantir segurança jurídica e atrair novos investimentos. Essa política, liderada pelo presidente Lula, vem aumentando a capacidade dos portos e fortalecendo as exportações do Brasil”, afirmou em nota. 

De acordo com Sílvio Costa Filho, “a ampliação da capacidade de nossos portos é fundamental para a economia nacional”.

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A principal carga transportada foi de granéis sólidos (minerais e vegetais), com mais de 76,6 milhões de toneladas. Todos os tipos de carga tiveram aumento em julho, em relação aos números registrados no mesmo mês em 2024.

“Granéis líquidos [especialmente combustíveis] tiveram um aumento de 6%, enquanto a movimentação de granéis sólidos aumentou quase 4%. O crescimento de carga em contêineres foi de 3% no período e o volume de carga geral foi 0,9% superior ao registrado em julho do ano passado”, informou o ministério.



EBC

MPF pede à Justiça cancelamento das outorgas da Jovem Pan


O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo pediu nesta segunda-feira (15) à Justiça o cancelamento de três outorgas da rádio Jovem Pan. A outorga representa a autorização concedida para as emissoras de rádio e TV funcionarem

A solicitação faz parte das alegações finais do processo protocolado em 2023 contra a emissora pela acusação de difusão de desinformação contra o sistema eleitoral e às instituições durante o governo de Jair Bolsonaro.

Na manifestação, o órgão reitera que emissora teve “papel fundamental na campanha de desinformação”, veiculando “informações falsas” e incitações à intervenção das Forças Armadas.

De acordo com o MPF, a Constituição e as leis que regem a radiodifusão no país impedem a conduta adotada pela emissora.

“A Jovem Pan assumiu o reprovável papel de principal caixa de ressonância, na esfera pública brasileira, de discursos que pavimentavam as ações golpistas que vieram a ser desveladas, dando-lhes uma aparência indevida de suposta legitimidade”, diz o MPF.

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Além do cancelamento das outorgas, o MPF também pediu à Justiça que a Jovem Pan pague R$ 13,6 milhões em danos morais coletivos e veicule em sua programação conteúdos sobre a confiabilidade das eleições.

O caso será analisado pela 6ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo. Não há prazo para decisão.

Outro lado

A Agência Brasil entrou em contato com a diretoria da Jovem Pan e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.



EBC

Lei institui campanha para conscientização sobre câncer de pulmão


Lei publicada nesta segunda-feira (15) no Diário Oficial da União institui a campanha Agosto Branco, que anualmente irá conscientizar a população sobre o câncer de pulmão.  

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pulmão é a quarta neoplasia mais incidente no Brasil.  

Nesse mês, serão realizadas campanhas de esclarecimento sobre os sintomas da doença em todas as suas fases, prognóstico e tratamento, bem como divulgação dos serviços de atenção à saúde de referência para o cuidado dos pacientes. 

As iniciativas serão desenvolvidas pelas instâncias gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS), em cooperação com entidades civis, conselhos e associações profissionais, além de instituições de ensino. 

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Agosto 

Desde 1986, o dia 29 de agosto é considerado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Nessa data, são realizadas diversas ações para chamar atenção da população a respeito dos males do tabagismo, considerado uma doença grave, caracterizada pela dependência de nicotina. Estudo feito por pesquisadores da Fundação do Câncer aponta que o tabagismo responde por 80% das mortes por câncer de pulmão no Brasil. 

Segundo o Inca, parar de fumar sempre vale a pena, em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, como câncer, enfisema ou derrame. 

Confira, a seguir, o que acontece com o organismo do fumante ao parar de fumar: 

  • após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal; 
  • após duas horas, não há mais nicotina circulando no sangue; 
  • após oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza; 
  • após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor; 
  • após dois dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida; 
  • após três semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora; 
  • após um ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade; 
  • após 10 anos, o risco de sofrer infarto é igual ao das pessoas que nunca fumaram. 

Quem deseja parar de fumar pode recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece tratamento gratuito para o tabagismo.  

Consulte aqui a coordenação de controle do tabagismo da secretaria estadual ou municipal de Saúde de sua cidade para mais informações.



EBC

Pesquisa do IBGE vai medir impacto das enchentes no Rio Grande do Sul


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda (15) a Pesquisa Especial sobre Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. O levantamento vai abranger mais de 30 mil residências em 133 cidades gaúchas.

O propósito é medir os impactos causados e consequências das enchentes um ano após a tragédia climática que assolou o estado.

Segundo o IBGE, as informações coletadas fornecerão subsídios para planejamento de políticas públicas estruturais, auxílio à população afetada e elaboração de planos de prevenção mais eficazes a novos desastres climáticos.

A pesquisa será feita por telefone – exclusivamente por meio do número oficial: (21) 2142-0123 –, entre 15 de setembro e 19 de dezembro de 2025. Não foi divulgada a data de divulgação dos resultados da pesquisa.

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Como ocorre com a maioria dos levantamentos do IBGE, a pesquisa é por amostra. Serão entrevistadas pessoas maiores de 14 anos, que residiam no Rio Grande do Sul no período das enchentes (final de abril e todo mês de maio de 2024). O IBGE garante sigilo sobre identidade dos entrevistados.

Após ser contactado pelo IBGE, o entrevistado selecionado pode responder na hora ou agendar sua entrevista, por telefone no 0800 721 8181, ou pelo e-mail peers@ibge.gov.br. Veja abaixo o cronograma da coleta de dados por região do estado.

  • 15 a 26/09: Porto Alegre (12 municípios)
  • 29/09 a 10/10: Novo Hamburgo, Taquara, Montenegro, Charqueadas (23 municípios)
  • 13 a 17/10: Passo Fundo, Carazinho, Frederico Westphalen, Marau, Tapejara, entre outros (25 municípios)
  • 20 a 31/10: Santa Cruz do Sul, Lajeado, Sobradinho, Encantado (39 municípios)
  • 3 a 7/11: Pelotas, Camaquã (6 municípios)
  • 10 a 14/11: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Nova Prata (11 municípios)
  • 17 a 28/11: Santa Maria, São Gabriel, Uruguaiana, Cachoeira do Sul (17 municípios)
  • 1º a 19/12: Todas as regiões

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, destacou os trabalhos de pesquisa já realizados pelo instituto e reforçou o compromisso com a pesquisa: 

“Esse é o papel do IBGE há quase noventa anos, trazer informações para que seja possível [direcionar] políticas públicas mais adequadas.”

A secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Priscilla Maria Santana, fez um apelo à população para que participe do levantamento.

“Eu queria pedir pro gaúcho, pra gaúcha, responder, atender bem ao IBGE. Porque a partir desse manancial de dados coletados, [a gente] vai estar pensando no futuro de vocês”, disse.

 

*Estagiária sob supervisão de Gilberto Costa

 



EBC

Belém faz parceria para instalar painéis solares em unidades públicas


A prefeitura de Belém espera economizar R$ 1,1 milhão ao ano com a instalação, em breve, de painéis solares em duas unidades de saúde e duas escolas municipais da cidade. A iniciativa é fruto de parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

O acordo prevê fornecimento, instalação e manutenção dos painéis, sem custos para a prefeitura, nas unidades de saúde da família Guamá e nas escolas municipais Pedro Demo e Helder Fialho, ambas no distrito Outeiro. 

“Hoje, ao firmar essa parceria em uma área tão importante como a energia renovável, damos um passo para gerar economia aos cofres públicos, promover a sustentabilidade e contribuir para a preservação do nosso clima”, disse o prefeito Igor Normando.

Em nota, a prefeitura explicou que as quatro unidades contempladas com os painéis solares foram selecionadas com base em dois no volume de consumo energético e no atendimento a população em situação de vulnerabilidade.

A unidade de saúde Guamá, por exemplo, foi escolhida por ter maior número de atendimentos à população e, consequentemente, o maior consumo de energia elétrica. As duas escolas, no distrito Outeiro, foram selecionadas por atender também os refugiados venezuelanos da comunidade indígena Warao que buscam refúgio no Brasil.

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Indígenas Warao

No artigo Os Warao no Brasil, publicado no ano passado, a Acnur afirma que havia na época pouco mais de 7 mil indígenas Warao distribuídos por todas as regiões do Brasil. Destes, aproximadamente 800 vivem na região metropolitana de Belém, cidade que, segundo a entidade, “tem se consolidado como local de trânsito e destino” para os waraos e para pessoas de várias nacionalidades.

Segundo a Acnur, a parceria oficializada na última quinta-feira (11) estabelece as novas bases para a cooperação técnica entre a entidade e os órgãos municipais, com o propósito de “promover ações conjuntas em prol da proteção, assistência e integração de pessoas refugiadas, solicitantes de asilo e apátridas.”

Entre as ações previstas estão o apoio mútuo a iniciativas de acolhimento e integração de grupos em situação de maior vulnerabilidade, como acesso a documentos e oportunidade de trabalho e renda.

Acnur

A parceria tem validade inicial de dois anos, podendo ser renovada, e servirá de base para planos de trabalho conjuntos, garantindo a implementação de políticas públicas inclusivas e ampliação do acesso a serviços essenciais à população em situação de vulnerabilidade. A assinatura do acordo também marca o início da parceria entre a Acnur e a empresa chinesa Longi, fabricante dos equipamentos destinados à produção de energia solar.

O representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli, confirmou presença da entidade na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em Belém, em novembro deste ano.

“É preciso que refugiados integrem os debates sobre justiça climática, trazendo seus pontos de vista, para contribuir com as discussões globais a partir da realidade local. Sua inclusão fortalece os serviços públicos e gera benefícios concretos para toda a comunidade, promovendo sociedades mais resilientes e inclusivas”, afirmou.



EBC

Ipea: queda na inflação foi mais sentida pela população mais pobre


No mês de agosto, a queda na inflação foi mais sentida pelas famílias mais pobres. Enquanto o índice oficial ficou negativo em 0,11%, o custo de vida para famílias que ganham até R$ 3,3 mil teve recuo superior a 0,20%. Já na outra ponta, lares com renda mensal acima de R$ 22 mil, a inflação ficou positiva em 0,10%.

A constatação está no boletim mensal Inflação por Faixa de Renda do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento.

O estudo compara a inflação oficial, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o custo de vida de diversas faixas de renda.

Das seis faixas de renda familiar mensal, as três mais baixas tiveram percepção mais acentuada da deflação (queda média dos preços):

  • renda muito baixa: -0,29%
  • renda baixa: -0,21%
  • renda média-baixa: -0,19%
  • renda média: -0,07%
  • IPCA: -0,11%
  • renda média-alta: 0%
  • renda alta: 0,10%

O levantamento divide as famílias pelas seguintes faixas de renda mensal:

  • muito baixa: menos que R$ 2.202,02
  • baixa: entre R$ 2.202,02 e R$ 3.303,03
  • média-baixa: entre R$ 3.303,03 e R$ 5.505,06
  • média: entre R$ 5.505,06 e R$ 11.010,11
  • média-alta: entre R$ 11.010,11 e R$ 22.020,22
  • alta: acima de R$ 22.020,22

Já o IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.518.

Alimentos e conta de luz

De acordo com a autora da pesquisa, Maria Andreia Parente Lameiras, as famílias mais pobres tiveram alívio maior no bolso em agosto por causa do perfil de consumo, com maior peso para itens como alimentação e habitação.

“Além da intensificação da trajetória de deflação dos alimentos no domicílio, a queda das tarifas de energia elétrica, beneficiada pela incorporação do Bônus de Itaipu, anulando a pressão vinda da adoção da bandeira vermelha patamar 2, explicam esta queda mais forte da inflação nos segmentos de renda mais baixa, dado o peso desses itens no orçamento dessas famílias”, explica.

O chamado Bônus de Itaipu é o desconto na conta de luz que beneficiou 80,8 milhões de consumidores. Conforme adiantou a Agência Brasil, a bonificação compensou a bandeira tarifária vermelha 2, que adiciona R$ 7,87 na conta e luz a cada 100 Kwh consumidos.

O estudo do Ipea aponta que, no caso dos alimentos no domicílio, destacam-se em agosto as quedas dos cereais (-2,5%), tubérculos (-8,1%), café (-2,2%) e proteínas animais: carnes (-0,43%), aves e ovos (-0,8%) e leite (-1%).

Já para a faixas de renda mais altas, indica Lameiras, a deflação dos alimentos e da energia “foi parcialmente compensada pela elevação de preços em serviços, notadamente alimentação fora do domicílio e recreação”.

Acumulado

No acumulado de 12 meses, a percepção de inflação é o inverso da registrada em agosto, com as famílias mais pobres com peso maior no bolso.

  • renda muito baixa: 5,23%
  • renda baixa: 5,33%
  • renda média-baixa: 5,19%
  • renda média: 5,08%
  • renda média-alta: 5,07%
  • renda alta: 5%

O IPCA acumulado de 12 meses chega a 5,13%, acima da meta do governo, de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos, ou seja, indo no máximo a 4,5%.

“Nos últimos doze meses, as principais pressões inflacionárias vieram dos grupos alimentos e bebidas, habitação, transportes e saúde e cuidados pessoais”, aponta o estudo.



EBC

STF julga indulto de Bolsonaro a condenados por Massacre do Carandiru


Após ter suspendido as sessões plenárias na semana passada, em meio ao julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem como primeiro item na pauta de julgamentos da próxima quarta-feira (17) o indulto concedido pelo próprio Bolsonaro aos policiais militares condenados pelo Massacre do Carandiru.

Ocorrido em 1992, o massacre resultou da invasão do presídio do Carandiru (hoje desativado), em São Paulo, por mais de 300 policiais militares, que abriram fogo contra os detentos em rebelião. A operação resultou na morte de 111 presos.

Após serem denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com alguns sendo levados a júri popular, ao final 74 policiais militares foram condenados pelos assassinatos dos detentos no pavilhão 9 da casa de detenção de São Paulo. As penas variaram de 48 a 624 anos de prisão.

Em dezembro de 2022, entretanto, meses após o massacre ter completado 30 anos, Bolsonaro editou um decreto de indulto natalino para perdoar, de forma ampla, agentes de segurança pública que tivessem sido condenados por fatos ocorridos há mais de 30 anos, caso o crime não fosse considerado hediondo na época em que foi praticado.

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Logo após a publicação do decreto, o MPSP acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR), que em seguida pediu ao Supremo para suspender os efeitos do indulto enquanto analisasse se o decreto estava de acordo com a Constituição. Então presidente do Supremo, a ministro Rosa Weber, hoje aposentada, suspendeu os efeitos do indulto em janeiro de 2023.

Desde então, o tema aguarda julgamento de mérito, ou seja, definitivo. A ação direta de inconstitucionalidade (ADI) aberta pela PGR chegou a ser colocada em pauta no ano passado, mas acabou não sendo chamada a julgamento.

A PGR alega desvio de finalidade no decreto presidencial, por ter sido editado para beneficiar especificamente os envolvidos no Massacre do Carandiru. O órgão também sustenta a inconstitucionalidade da ordem, por violar dispositivos da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, mais conhecida como Pacto de San José da Costa Rica.

Esterilização voluntária

Consta também na pauta desta semana a retomada do julgamento sobre os critérios para esterilização voluntária estabelecidos na Lei de Planejamento Familiar (Lei 9.263/1996), segundo a qual o procedimento somente pode ser feito por quem tiver mais de 21 anos de idade ou ao menos dois filhos vivos.

O PSB questionou tais critérios em uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), alegando violação ao direito de personalidade e de tomar decisões livres e autônomas sobre os próprios corpos e a fertilidade.

O julgamento do tema já começou em sessões anteriores, e o placar se encontra em 4 votos a 3 para que somente a idade mínima de 18 anos seja exigida pelos sistemas de saúde público e privado de mulheres e homens que querem realizar procedimentos de laqueadura ou vasectomia.

Até o momento, prevalece o voto do relator, ministro Nunes Marques, para quem a capacidade civil plena, atingida aos 18 anos de idade, deve ser o único critério para autorizar ou não a esterilização voluntária. Ele foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin.

Até o momento, divergiram os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux, que votaram pela manutenção dos critérios atuais e de forma cumulativa, isto é, a exigência de 21 anos de idade e de dois filhos vivos devem ser observadas ao mesmo tempo.

A análise mais recente da ADI ocorreu no plenário virtual, em sessão realizada em junho deste ano, quando Dino pediu destaque da ação, isto é, pediu que ela fosse remetida para debate no plenário físico.



EBC

Em 40 anos, Amazônia perdeu área de vegetação do tamanho da França


A forma como o ser humano ocupou a Amazônia nos últimos 40 anos acelerou a ameaça sobre a capacidade de a maior floresta tropical do mundo contribuir com o equilíbrio do planeta. Uma análise dos dados da série histórica do Mapbiomas sobre o uso do solo, divulgada nesta segunda-feira (15), revela que entre os anos de 1985 e 2024, o bioma perdeu 52 milhões de hectares de área de vegetação nativa.

A área que foi convertida para uso humano no período representa 13% do território ocupado pelo bioma e é equivalente ao tamanho de alguns países, como a França, por exemplo. Somada ao que já havia sido afetado anteriormente, a Amazônia, em 2024, já havia perdido 18,7% da vegetação nativa, dos quais 15,3% foram ocupados por atividades humanas.

“A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista pela ciência como o possível ponto de não retorno do bioma, a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar”, alerta o pesquisador do MapBiomas, Bruno Ferreira.

De acordo com os pesquisadores, chama a atenção a velocidade da conversão da cobertura do solo nos últimos 40 anos, quando ocorreu a supressão de 83% do total da vegetação nativa. Nesse período, as coberturas verdes deram lugar a diversas atividades como pecuária, agricultura, silvicultura de espécies exóticas e mineração.

As pastagens, por exemplo, ocupavam 12,3 milhões de hectares em 1985 na Amazônia. Em 2024, esse tipo de uso do solo já estava presente em 56,1 milhões de hectares do bioma. A agricultura avançou mais ainda, passando a ocupar área 44 vezes maior que há 40 anos. De 180 mil hectares no início da série histórica, saltou para 7,9 milhões de hectares em 2024.

Proporcionalmente, a presença da silvicultura no bioma aumentou mais ainda – 110 vezes, saltando de 3,2 mil hectares para 352 mil hectares no período da série histórica. A mineração, também segue a curva ascendente, com um salto de 26 mil hectares para 444 mil hectares nas mesmas quatro décadas.

Moratória da soja

Outro dado que chama a atenção é a presença da lavoura de soja como o principal tipo de cultura no bioma, representando 74,4% de toda a área ocupada pela agricultura da Amazônia, com um total de 5,9 milhões de hectares em 2024.  

Na análise sobre a série histórica, os pesquisadores se debruçaram na evolução da lavoura de soja na região a partir da perspectiva da Moratória da Soja, um acordo comercial que proíbe a compra da cultura cultivada em áreas desmatadas no bioma após 2008.

A maior parte da ocupação do solo pela soja na Amazônia ocorreu após a data limite do acordo comercial, quando 4,3 milhões de hectares passaram a ser utilizados por esse tipo de cultura. De acordo com a análise, apesar do crescimento desse uso do solo, a maior parte 3,8 milhões de hectares de lavoura, cresceu sobre área já convertida anteriormente para pastagem ou outra modalidade de agricultura.

De 2008 a 2024, a conversão de formação florestal diretamente em lavoura de soja foi de 769 mil hectares.

Secas

De acordo com o estudo, essas atividades ocuparam o espaço, principalmente de floresta, a vegetação que mais foi suprimida. Em todo o período, foram 49,1 milhões de hectares, quase 95% do total do que foi removido de vegetação nativa.

“Já podemos perceber alguns dos impactos dessa perda de cobertura florestal, como nas áreas úmidas do bioma. Os mapas de cobertura e uso da terra na Amazônia mostram que ela está mais seca”, diz Bruno Ferreira.

A análise dos pesquisadores aponta retração de 2,6 milhões de hectares das superfícies cobertas de água na Amazônia, entre 1985 e 2024. São florestas e campos alagáveis, apicuns e mangues mais secos, com intensificação na última década, quando foram registrados os oito dos dez anos mais secos do bioma.

Regeneração

Em 2024, na conta do remanescente de cobertura verde da Amazônia, 2% é de vegetação secundária. O percentual responde por 6,9 milhões de hectares no bioma de área convertida anteriormente, mas que não voltou a ser desmatado e entrou em processo de regeneração.

Esse tipo de vegetação foi menos afetado por desmatamento no último ano, quando 88% do desmatamento no bioma ocorreram em vegetação primeira e 12% representaram supressão de cobertura verde em regeneração.

Ministério do Meio Ambiente

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o governo federal tem adotado uma série de medidas para reduzir o desmatamento na Amazônia e outros biomas. 

A criação da Comissão Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento (CIPPCD), em 2024, é uma delas. A comissão reúne 19 ministérios em uma ação integrada, visando coordenar a fiscalização e a implementação de políticas de preservação. 

Além disso, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), faz monitoramento da região em tempo real, o que pode ter resultado em uma redução de até 45,7% nos alertas de desmatamento entre 2023 e 2024.

Com o apoio do reativado Fundo Amazônia, o governo voltou a financiar projetos estaduais e municipais de preservação e alternativas sustentáveis. 

Operações de fiscalização têm sido intensificadas, com novos recursos para aquisição de drones e helicópteros, além de um investimento em 2024 de R$ 318,5 milhões para fortalecer a presença de forças de segurança na Amazônia.

O objetivo do governo é zerar o desmatamento ilegal até 2030, com a meta de reduzir as taxas de destruição da floresta. O combate ao avanço das fronteiras agrícolas e o garimpo ilegal estão entre os principais desafios.

Matéria atualizada às 10h16 de hoje (15/9/2025).



EBC

Caminhos da Reportagem mostra o que tirou o Brasil do Mapa da Fome


O que tirou o Brasil do Mapa da Fome é o tema do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, nesta segunda-feira (15). O programa mostra como o país deixou a fome para trás e conta o que precisa ser feito para evitar novo recuo.

Um anúncio, esperado há anos, finalmente chegou nos últimos dias de julho de 2025: o Brasil está fora do Mapa da Fome – de acordo com contagem feita pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Na prática, significa que menos de 2,5% dos brasileiros estão subnutridos atualmente.

Abandonar o Mapa da Fome depende de um conjunto de ações.

“O primeiro é ter decisão política, quer dizer, colocar a temática no contexto da política nacional como prioridade. O segundo aspecto é a articulação intersetorial para solucionar o problema. Um terceiro fator importantíssimo é disponibilidade financeira. E tem também a participação social. Não é possível erradicar a fome sem solidariedade”, resume o representante da FAO no Brasil, o equatoriano Jorge Meza.

Essa foi a segunda vez que o país atingiu a meta da ONU. A primeira foi em 2014. Mas por que a fome voltou a assustar? “Porque desmantelaram os programas”, afirma o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

“Com esse retrocesso que a gente teve nos anos do governo Bolsonaro, Temer-Bolsonaro, voltamos a dialogar com essa temática do ponto de vista político e governamental”, complementa a professora de Nutrição da Universidade de Brasília, Anelise Rizzolo.

Existem três graus de insegurança alimentar. No leve, a família consegue garantir quantidade e qualidade, mas não sabe até quando. No moderado, a família já reduziu a quantidade ou a qualidade dos alimentos. No grave, falta comida.

Para entender como o Brasil saiu do Mapa da Fome e o que precisa ser feito para erradicar a insegurança alimentar, o Caminhos da Reportagem foi ao interior do país. No semiárido baiano, em algumas das cidades mais pobres do estado, nossa equipe viu iniciativas que excluem agrotóxicos e ultraprocessados, e valorizam produtos locais.

Em Umburanas, um grupo de mulheres se uniu para produzir alimentos saudáveis.

“A gente viu a necessidade de se juntar para agregar valor no que a gente já fazia, que era agricultura familiar”, explica a presidente da Associação Mulheres do Sertão, Daiana Santana. A associação promove roças coletivas, fura poços artesianos e doa legumes e verduras para quem não consegue produzir.

A 370 quilômetros dali, no município de Uauá, o agricultor Alcides Peixinho e o grupo dele conciliam lavoura com recuperação da Caatinga. “Nós temos a coroa de frade e o próprio mandacaru com receitas voltadas como alimento. O xique-xique também”, conta Peixinho.

Organizados, os moradores da região superaram a pobreza. O que não significa que essa batalha foi vencida. Pelas contas do próprio ministro do Desenvolvimento Social, 3,6 milhões de brasileiros ainda enfrentam insegurança alimentar grave. “É nossa missão tirar essas pessoas da fome”, diz Wellington Dias.

Ainda segundo o ministro, outra tarefa tão importante quanto essa é evitar que as pessoas que saíram do Mapa da Fome voltem a frequentá-lo.

As soluções implementadas pelo governo, os bons exemplos da sociedade civil e a avaliação de especialistas no assunto você confere no episódio “O que tirou o Brasil do Mapa da Fome?”.

O programa vai ar ao nesta segunda-feira (15), às 23h, na TV Brasil.



EBC