Kaio Jorge brilha e Cruzeiro derrota Atlético-MG na Copa do Brasil


O Cruzeiro contou com o brilho do atacante Kaio Jorge para derrotar o Atlético-MG pelo placar de 2 a 0, na noite desta quinta-feira (11) no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, e garantiu a classificação para as semifinais da Copa do Brasil. Na próxima etapa da competição nacional, a Raposa medirá forças com o Corinthians, que superou o Athletico-PR nas quartas de final.

Em situação muito confortável após triunfar na partida de ida com o Galo pelo placar de 2 a 0, o time do técnico português Leonardo Jardim não demorou a abrir o marcador no Mineirão. Logo aos quatro minutos o atacante Kaio Jorge deu mais uma prova de que vive um momento especial na carreira ao aproveitar uma bola que sobrou na pequena área, após cabeçada de Fabrício Bruno, para apenas empurrar para o fundo do gol.

A partir daí a equipe do técnico argentino Jorge Sampaoli se lançou ao ataque, mas não conseguiu transformar as oportunidades criadas em gols. Já o Cruzeiro voltou a contar com o faro de gol de Kaio Jorge para ampliar sua vantagem logo aos dois minutos da etapa final. A partir daí coube à Raposa mostrar maturidade para segurar a vantagem, e a classificação, até o apito final.

Vasco fica com a vaga

Já no clássico carioca, que foi transmitido ao vivo pela Rádio Nacional, o Vasco derrotou o Botafogo por 5 a 4 na disputa de pênaltis, em pleno estádio Nilton Santos, para se garantir nas semifinais da Copa do Brasil, onde protagonizará outro confronto regional, agora contra o Fluminense.

A vaga teve que ser definida nas penalidades máximas porque no tempo regulamentar as equipes voltaram a empatar pelo placar de 1 a 1, graças a gols de Nuno Moreira, aos 20 minutos do primeiro tempo, e de Alex Telles, aos 43 da etapa inicial.





EBC

Boric e Petro se manifestam após condenação de Bolsonaro


A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado repercutiu entre presidentes latino-americanos, na noite desta quinta-feira (11).

Após a concretização do resultado do julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Chile, Gabriel Boric (foto), se manifestou em uma postagem nas redes sociais.

“Meu respeito à democracia brasileira, que resistiu a uma tentativa de golpe e agora julga e condena os responsáveis. Tentaram destruí-la, e hoje ela emerge mais forte. Democracia sempre”, escreveu o chileno.


FILE PHOTO: Colombian President Gustavo Petro speaks to journalists about his government's first 100 days, in Bogota

Gustavo Petro, presidente da Colômbia – REUTERS/Luisa Gonzalez/Direitos Reservados

Quem também se manifestou foi o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Ao compartilhar a notícia do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que criticou o julgamento, o líder colombiano destacou a importância do fato.

“Todo golpista deve ser condenado. Essas são as regras da democracia”, postou.

Mais cedo, em nota, o Palácio Itamaraty reafirmou a independência do Poder Judiciário no Brasil, em uma resposta a Marco Rubio, secretário norte-americano. 

Julgamento

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou nesta quinta-feira (11) o julgamento da ação da trama golpista.

Por 4 votos a 1, os ministros condenaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. 

A maioria dos réus foi condenada a mais de 20 anos de prisão em regime fechado.

Apesar da definição do tempo de condenação, Bolsonaro e os demais réus não vão ser presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas.



EBC

Bia Haddad vence confronto brasileiro nas oitavas do SP Open


Beatriz Haddad Maia se deu melhor do que Laura Pigossi no duelo brasileiro desta quinta-feira (11) pelas oitavas de final do SP Open. Bia venceu a partida, disputada no Parque Villa-Lobos e que durou 1h38min, por 2 sets a 0 (parciais de 6/1 e 6/4).

“Acho que a Laura elevou o nível nos últimos dois games e eu acabei me apressando um pouco. O jogo ficou mais emocional nessa parte final, mas isso faz parte, pois tênis nunca é perfeito. A Laura tem muito mérito ali, mas fico feliz com a forma como me concentrei, tentei focar nos meus pés, no que eu queria fazer e manter a disciplina. A torcida brasileira é sempre especial e espero representar todos da melhor forma”, declarou a atual número 27 do mundo.

Agora, nas quartas de final, Beatriz Haddad Maia medirá forças com a mexicana Renata Zarazua, que nesta quinta-feira derrotou a turca Berfu Cengiz por 2 sets a 0 (6/4 e 6/4).

Queda de Candiotto

Também na chave de simples, a paulista Ana Candiotto foi superada pela húngara Panna Udvardy por 2 sets a 0 (6/3 e 6/3).

Brasileira nas duplas

Já na chave de duplas, a brasileira Luisa Stefani e a húngara Timea Babos se garantiram nas semifinais do torneio WTA 250 ao derrotarem a argentina Solana Sierra e a mexicana Renata Zarazua por 2 sets a 0 (6/2 e 6/2).

“Hoje foi um jogo mais direto, mais intenso, e isso favoreceu bastante o nosso estilo. Eu estava muito bem preparada e a gente conseguiu administrar bem o jogo: sacar bem, conseguir quebras importantes para abrir o placar e jogar com mais conforto. Foi uma ótima vitória e um ótimo jogo”, afirmou a brasileira.





EBC

Barroso diz que julgamento encerra “ciclo do atraso” no Brasil


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse nesta quinta-feira (11) que o julgamento da ação penal da trama golpista encerra “os ciclos do atraso na história brasileira”. 

O pronunciamento do ministro foi realizado ao final da sessão da Primeira Turma da Corte que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pela tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.

Apesar de não ter participado da votação, o ministro compareceu ao julgamento. 

Barroso disse que a história do Brasil é marcada pela ruptura institucional e que o fim do julgamento pode encerrar esse ciclo.

“Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional. Sou convencido que algumas incompreensões de hoje irão se transformar em reconhecimento futuro”, afirmou.

O ministro também avaliou que o julgamento é um “divisor de águas” na história do brasil e negou a prática de perseguição política contra Bolsonaro e os demais condenados.

“Tratou-se de um julgamento público, transparente, com devido processo legal, baseado em provas as mais diversas, vídeos, textos, mensagens e confissões”, comentou.

O presidente do Supremo também disse que nenhum ministro “sai feliz” do julgamento e afirmou que a Corte cumpriu sua missão institucional.

“Ninguém sai hoje daqui feliz. Mas, a gente deve cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá”, completou.

Placar

Por 4 votos a 1, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A maioria dos réus foi condenada a mais de 20 anos de prisão em regime fechado.

Apesar da definição do tempo de condenação, os condenados não serão presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas.

 



EBC

STM vai julgar perda de patente de Bolsonaro e militares condenados


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (11) que o Superior Tribunal Militar (STM) deverá julgar a perda da patente dos militares das Forças Armadas condenados na ação penal da trama golpista.

Com a decisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, os generais Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier deverão ser julgados pelo STM.

De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão.

A análise do caso pela Justiça Militar só poderá ocorrer após o trânsito em julgado da ação da trama golpista, ou seja, após o esgotamento de todos os recursos possíveis contra a condenação.

Mauro Cid

A eventual perda de patente não poderá ser aplicada no caso do tenente-coronel Mauro Cid, réu e delator na trama golpista. Cid foi condenado a dois em regime aberto e recebeu a garantia de liberdade.

Delegados

O STF também determinou que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem sejam demitidos dos cargos de delegado da Polícia Federal.

Eles estão afastados da corporação, mas são concursados e devem perder o cargo em decorrência de condenação pela Corte.



EBC

Confira as penas de Bolsonaro e mais sete condenados pelo Supremo


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou nesta quinta-feira (11) o julgamento da ação da trama golpista.

Por 4 votos a 1, os ministros condenaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. 

A maioria dos réus foi condenada a mais de 20 anos de prisão em regime fechado.

Apesar da definição do tempo de condenação, Bolsonaro e os demais réus não vão ser presos imediatamente. Eles ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações. Somente se os eventuais recursos forem rejeitados, as prisões poderão ser efetivadas.

Confira as penas definidas para os condenados: 

– Jair Bolsonaro – ex-presidente da República: 27 anos e três meses;

– Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022: 26 anos;

 – Almir Garnier – ex-comandante da Marinha: 24 anos; 

– Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos;

– Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos; 

– Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa: 19 anos; 

– Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada;

– Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias.

Ramagem foi condenado somente pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ele é deputado federal e teve parte das acusações suspensas. A medida vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, ambos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. 



EBC

Lula conversa com chanceler alemão Friedrich Merz


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, conversaram por telefone na tarde desta quinta-feira (11), informou o Palácio do Planalto. A ligação durou cerca de meia hora.

“Ao recordar a tradicional cooperação em matéria de meio ambiente e enfrentamento da mudança do clima, o presidente Lula ressaltou a importância da COP30 em Belém para reunir compromissos climáticos ambiciosos e à altura da crise climática que o planeta vive. O chanceler federal Merz afirmou que a Alemanha se fará representar em alto nível na COP de Belém”, destacou o Planalto, em nota.

Os dois mandatários também reafirmaram o compromisso com a defesa da democracia e do multilateralismo e saudaram o encaminhamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia para apreciação pelo Conselho Europeu, anunciado na semana passada. A expectativa é que o acordo possa ser assinado pelos dois blocos ainda este ano, criando um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e que corresponderá 26% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Agora, ele será submetido à aprovação da União Europeia, exigindo votação no Parlamento Europeu e maioria qualificada entre os governos da UE, ou seja, 15 dos 27 membros que representam 65% da população do bloco.

Não há garantia de aprovação em nenhum dos casos e ainda há resistência de grandes países europeus, especialmente da França, cujo setor agrícola teme impactos da concorrência com o agronegócio brasileiro.

Lula e Merz também acordaram em realizar, no ano que vem, uma terceira reunião de alto nível entre os dois países, que vêm ocorrendo desde 2023. O presidente brasileiro confirmou a participação do país como homenageado na Feira Industrial de Hannover de 2026. O governo federal deve montar cinco pavilhões e viabilizar a presença de 160 empresas brasileiras no evento.



EBC

Bolsonaro e aliados podem recorrer e ainda não serão presos; entenda


A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados na ação penal da trama golpista não será aplicada automaticamente.

Isso porque, os réus ainda podem recorrer da decisão e tentar reverter as condenações pelos crimes dos quais foram acusados: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. O recurso, nesse caso, seria na própria Primeira Turma, sendo incomum uma eventual revisão. Com essa medida, Bolsonaro e seus aliados podem evitar ou, ao menos, adiar a prisão. 

Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, mas em decorrência de outro processo. Bolsonaro é investigado pela sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo. 

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Recurso

A partir da publicação do acórdão com a decisão final, as defesas poderão apresentar os chamados embargos de declaração, recurso que tem objetivo de esclarecer omissões e contradições no texto final do julgamento.

 Em geral, esse tipo de recurso não tem poder para rever o resultado do julgamento e costuma ser rejeitado. Os embargos são julgados pela própria turma. 

Após a análise desse recurso, o relator, ministro Alexandre de Moraes, poderá determinar o início do cumprimento das penas. Não há prazo para julgamento. 

Com o placar de 4 votos a 1, os acusados não terão direito a levar o caso para o plenário da Corte.

Para conseguir que o caso fosse julgado novamente pelo pleno, os acusados precisavam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, placar mínimo de 3 votos a 2. Nesse caso, os embargos infringentes poderiam ser protocolados contra a decisão.  

Prisão

Os réus não devem ficar em celas comuns. Oficiais do Exército têm direito à prisão especial, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP). O núcleo 1 tem cinco militares do Exército, um da Marinha e dois delegados da Polícia Federal, que também podem ser beneficiados pela restrição.

São eles: 

  • Alexandre Ramagem (delegado da PF e deputado federal), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier (almirante), ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres (delegado da PF), ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno (general),  ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Jair Bolsonaro (capitão);
  • Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto (general), ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022. 

O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e não vai cumprir pena. 


placar julgamento STF

placar julgamento STF – Arte Agência Brasil



EBC

Fux foi contraditório e seletivo nas provas do golpe, dizem juristas


O voto de quase 11 horas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, inocentando o ex-presidente Jair Bolsonaro, marcou o julgamento da trama golpista contra o resultado das eleições de 2022 e repercutiu no mundo jurídico.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, Fux foi contraditório em relação às próprias decisões anteriores e seletivo na escolha das provas do processo usadas para fundamentar seu voto.

O professor de direito constitucional, advogado e escritor Pedro Estevam Serrano avaliou que o voto esteve “desconectado” dos autos e desconsiderou o conceito de “tentativa de golpe de Estado”.

“Com todo o respeito e admiração que Fux merece como grande jurista que é, a realidade é que, neste momento, ele foi extremamente contraditório. Foi um voto com baixo grau de fundamentação técnica e pleno de contradições. Não só contradições internas no próprio voto, mas contradições com outros votos dados em centenas de casos parecidos do ministro”, disse.

Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Serrano ponderou que um magistrado tem direito de mudar de posição, mas deve explicar os motivos para que o voto não seja um “ponto fora da curva”.

“A coerência é uma exigência do princípio da igualdade, que está na Constituição. Ele teria que explicar que mudou seu ponto de vista geral e aplicar isso para todos os julgamentos. Fica muito estranho e constrangedor ter um voto dessa natureza, com esse tipo de fundamentação, só para esses réus, e não para todos os outros que passam pelo juízo dele”, completou.

Entre as contradições apontadas está o fato de Fux ter reconhecido a competência do Supremo para julgar os manifestantes do 8 de janeiro, mas não a competência do STF para julgar os réus apontados como mandantes da tentativa de golpe, condenando os manifestantes, mas inocentando parte dos mandantes.

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Provas

O ministro Fux também teria tratado as provas do processo de forma seletiva, na avaliação do constitucionalista Oscar Vilhena Vieira, diretor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV Direito SP).


Brasília (DF), 11/09/2025 - O professor da FGV Direito SP Oscar Vilhena Vieira, Foto: Luís Simione/FGV

Para o professor Oscar Vilhena Vieira, Fux tratou as provas do processo de forma seletiva  – Foto: Luís Simione/FGV

“[Ele deixou] de lado fatos extremamente relevantes, que eram públicos, como manifestações desses envolvidos e documentos que demonstravam o pleno conhecimento do que estava sendo feito. Houve um tratamento que, a meu ver, foi bastante seletivo das provas. Isso gerou uma consequência, que foi a absolvição de grande parte dos réus”, comentou.

O professor Pedro Serrano, há 40 anos na vida jurídica, chegou à conclusão semelhante, destacando que o voto de Fux esteve desconectado das provas.

“Basta ler o relatório da Polícia Federal e ver as provas que foram anexadas ao processo. São abundantes e muito intensas, por isso que é muito difícil um técnico olhar tudo isso e dizer que não houve tentativa. Isso [voto do Fux] é um mero discurso, absolutamente desconectado dos fatos e das provas do processo”, acrescentou.

Tentativa de golpe

Para os juristas, o voto do ministro Luiz Fux, na prática, não reconheceu o crime de tentativa de golpe de Estado ao enfatizar que o crime não foi consumado. Para o ministro do STF, houve mera cogitação dos réus de anular as eleições presidenciais de 2022.

O professor Oscar Vilhena comentou que a análise de Fux causou “perplexidade” por ignorar que o crime de tentativa não necessita ser consumado.

“Há uma distorção do sentido da norma. Esses não são crimes que se consumam pela obtenção do seu resultado final, são crimes que se consumam pela tentativa. Isso me pareceu muito grave. Ele colocou como premissa que o crime só ocorreria se o Estado de Direito tivesse sido abolido. Não é isso que a legislação prevê”, ponderou Vilhena.

O constitucionalista Pedro Serrano destacou que a lei tenta se antecipar à conclusão do golpe porque, uma vez consumado, o crime não poderia mais ser punido.


Brasília (DF), 11/09/2025 - O jurista Pedro Estevam Serrano, mestre e doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Foto: PUC/Divulgação

O jurista Pedro Estevam Serrano avalia que voto de Fux teve “baixo grau de fundamentação técnica” e foi “pleno de contradições” – Foto: PUC/Divulgação

“A lei quer capturar a conduta criminosa logo no início para evitar que ela aconteça. O sistema democrático não suporta o cometimento de um crime de golpe de Estado. Uma vez havendo esse crime, acabou a democracia”, avaliou.

Serrano lembra que Bolsonaro convocou os chefes das Forças Armadas para que eles dessem sustentação a um decreto que anularia a eleição.

“Não há como você ter uma tentativa de golpe mais clara. Ele só não conseguiu realizar o golpe porque dois dos chefes militares se negaram. Ou seja, por razão alheia à vontade dele. Se isso não for tentativa de golpe de Estado, o conceito, na prática, não existe”, disse Serrano.

Cid e Braga Netto

Outra contradição apontada foi em relação ao fato de Fux ter inocentado o ex-presidente Bolsonaro, mas ter condenado o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o militar e delator Mauro Cid, e o general Braga Netto, candidato a vice-presidente.

O professor da FGV Direito de SP Oscar Vilhena destacou que há elementos nos autos que demonstram que Bolsonaro mantinha conversas com Cid e Braga Netto sobre as estratégias golpistas.

“Quando você não sabe quem é, você aponta o mordomo como responsável. Tanto Braga Neto quanto o Mauro Cid não poderiam ter cometido esse delito sem que eles estivessem alinhados com o presidente da República. É uma contradição que o ministro Fux criou na sua própria sentença”, avaliou.

Para Pedro Serrano, não há como explicar a diferença no tratamento dado ao ex-presidente e ao seu ex-ajudante de ordens.

“A única razão que eu posso encontrar é pelo fato do Mauro Cid ter delatado outras pessoas, e isso ter criado uma situação subjetiva no ministro. Não posso entender outra razão. Não há razão técnico-jurídica que justifique isso”, destacou.

Crime por omissão

Outra interpretação do ministro Fux que chamou atenção do professor Oscar Vilhena foi sobre a obrigação de a autoridade pública agir no dever “de garante”, que é quando o agente tem a obrigação de agir para evitar um crime, sob pena de cometer crime por omissão.


Brasília (DF) 10/09/2025 - O ministro Luiz Fux chega para proferir seu voto  na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ministro Luiz Fux inocentou Bolsonaro e mais cinco aliados do ex-presidente – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O professor Vilhena avalia que o voto do Fux retira esse dever de garante do presidente da República com consequências graves para a preservação da ordem democrática.

“O presidente da República tem a obrigação de defender a ordem constitucional. Há inúmeras provas de que o ajudante de ordens [Mauro Cid] trazia a ele todas aquelas informações, e ele nada fez”, lamentou o jurista da FGV Direito SP.

Para Vilhena, a interpretação de Fux é preocupante porque cria uma imunidade ao presidente, que não precisaria se preocupar com o respeito às leis.

“Se alguém desrespeitar a lei na frente dele, ele não precisa fazer nada. Parece-me que ele desarma um mecanismo fundamental do Estado de Direito de que toda autoridade tem que cumprir a lei e fazer cumprir a lei”, completou.

Os manifestantes

Outro ponto levantado pelos especialistas é em relação às condenações que Fux impôs aos manifestantes que depredaram as sedes dos poderes de República, no dia 8 de janeiro de 2023. Na sessão dessa quarta-feira (10), Fux não reconheceu que houve uma tentativa de golpe.

“Se ele está falando que não houve golpe porque não houve nenhum tipo de impedimento para o funcionamento do Supremo, como é que ele condenou os manifestantes de 8 de janeiro a esse crime? É evidente que há aí uma contradição bastante grande e vai levar, evidentemente, a todos esses condenados no 8 de janeiro a entrar com uma revisão criminal”, disse o professor constitucionalista Oscar Vilhena.

Foro privilegiado

O professor da PUC-SP Pedro Serrano destacou que uma das contradições mais gritantes foi em relação ao foro privilegiado. No julgamento, o ministro Fux defendeu que os réus do Núcleo 1 da trama golpista deveriam ser julgados na primeira instância e não no STF.

Serrano avalia que essa decisão cria uma “anarquia” no sistema de Justiça ao propor que um juiz de primeira instância julgue crimes cometidos contra o STF.

“O voto é estarrecedor porque estabelece uma anarquia no sistema de Justiça, onde você teria um crime cometido contra o STF sendo investigado por juiz de primeiro grau, que teria poderes sobre funcionários e ministros do STF. O nosso sistema constitucional prevê um sistema hierárquico, como qualquer democracia do mundo”, explicou.

 


Brasília (DF) 10/09/2025 - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Para Fux, réus do Núcleo 1 da trama golpista deveriam ser julgados na primeira instância e não no STF – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O jurista Serrano lembrou que, contraditoriamente, Fux reconheceu a competência do STF para julgar os manifestantes que quebraram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro.

“Foi uma imensa contradição porque para ele, para os bagrinhos [peixes pequenos] ou para os executores, o STF é competente para aplicar apenas graves, mas para os mandantes, não”, criticou.

Ainda segundo o especialista, em outros 400 julgamentos de que Fux participou, ele teve entendimento diferente em relação à competência do STF para julgar pessoas.

“Ele foi pela constitucionalidade do regimento do STF que prevê tudo isso [em relação à competência do STF para julgar crimes contra o Supremo]. Inclusive a competência da Primeira Turma, que ele agora também foi contra e defendeu que devia ser no plenário. A competência da Primeira Turma é prevista no regimento e ele deu um voto declarando a constitucionalidade desse regimento”, justificou.

O professor Pedro Serrano ponderou ainda que o ministro poderia mudar de posição, mas deveria ter fundamentado essa mudança e declarado o regimento do STF inconstitucional. “Ele não fez isso”, pontuou.

O especialista explicou ainda que a atual jurisprudência do STF considera que, quando os crimes são imputados durante o exercício da função pública, como no caso de réu Jair Bolsonaro, o caso fica com a Supremo Corte.



EBC

EBC tem finalistas no Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa


A Agência Brasil, Radioagência Nacional e profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) estão entre os finalistas do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar. Patrícia Serrão, Paula Labossière, Raíssa Saraiva e Tâmara Freire concorrem ao Top 25+ Jornalistas e também nas categorias regionais do Centro-Oeste e Sudeste. Já a Agência Brasil concorre na categoria “Agência de Notícias” e a Radioagência Nacional na categoria “Sites ou portal”. O Podcast VideBula, da Radioagência Nacional, também é finalista na categoria “Áudio”. 

No total, 112 jornalistas e 72 veículos seguem na disputa após as votações no 1º turno. Dentre os concorrentes, 33 jornalistas estão na disputa em mais de uma categoria, caso das profissionais da EBC. A premiação destaca o trabalho de jornalistas e veículos de comunicação que mais se destacaram com reportagens sobre saúde, ciência e bem-estar.

A votação é aberta ao público e vai até o dia 19 de setembro. Os eleitores podem selecionar seus cinco preferidos e a pontuação é dada de acordo com a posição escolhida para cada profissional. Para votar, basta acessar o link do prêmio

A cerimônia de premiação será no dia 27 de novembro, em um evento que promete reunir os principais nomes da imprensa brasileira e celebrar o trabalho dos profissionais que se destacaram durante o ano.

Esse reconhecimento reforça o papel da EBC e seus jornalistas na promoção de informações relevantes e de qualidade para o público brasileiro, especialmente nas áreas de saúde, ciência e bem-estar, temas que, mais do que nunca, têm sido essenciais para a sociedade.

Sobre o prêmio

O Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar chega à sua quinta edição como uma das principais premiações do jornalismo brasileiro, reconhecendo a excelência da imprensa no tratamento de assuntos que impactam diretamente a vida da população.

Indicados da EBC por categoria:

Jornalistas:

  • Patrícia Serrão – Radioagência Nacional
  • Paula Labossière – Agência Brasil
  • Raíssa Saraiva – Radioagência Nacional
  • Tâmara Freire – Agência Brasil

Jornalistas – Regional Centro-Oeste:

  • Paula Labossière – Agência Brasil
  • Raíssa Saraiva – Radioagência Nacional

Jornalistas – Regional Sudeste:

  • Patrícia Serrão – Radioagência Nacional
  • Tâmara Freire – Agência Brasil

Site ou portal:

Agência de Notícias:

Podcast/Programa de Rádio



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