Governo regulamenta lei do devedor contumaz


Quase três meses após a sanção da lei que cria a figura do devedor contumaz, o governo regulamentou a medida. Voltada a empresas que deixam de pagar tributos de forma recorrente e intencional, a norma foi publicada por meio de portaria conjunta da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 

Aprovada em dezembro pelo Congresso, a lei do devedor contumaz foi sancionada em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, precisava ser regulamentada para entrar em vigor.

O objetivo da nova normatização é combater práticas em que empresas deixam de pagar tributos deliberadamente para obter vantagem competitiva ou viabilizar esquemas ilícitos.

Investigações recentes apontam que esse modelo pode envolver uso de empresas de fachada, rotatividade de CNPJs e até lavagem de dinheiro, especialmente em setores como combustíveis

O tema ganhou relevância após operações como a Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investigou esquemas de sonegação estruturada e uso da inadimplência como modelo de negócio. Empresas de combustíveis e fundos de investimento foram enquadrados na operação.

Regras

A portaria publicada nesta sexta-feira (27) detalha critérios de enquadramento, prazos de defesa e penalidades para contribuintes considerados inadimplentes habituais. A medida também busca diferenciar empresas em dificuldade financeira de casos com indícios de fraude.

Na prática, a classificação atinge companhias com dívidas elevadas e recorrentes, que superam o patrimônio declarado e permanecem em atraso por vários períodos.

Como funciona

  • Dívida mínima de R$ 15 milhões com a União;
  • Débito superior a 100% do patrimônio;
  • Atraso por 4 períodos consecutivos ou 6 alternados em 12 meses;
  • Processo começa com notificação formal.

Prazos

  • 30 dias para pagar, negociar ou apresentar defesa
  • 10 dias para recorrer, em caso de negativa
  • Recurso pode não suspender punições em casos graves

O que não entra

Ficam fora do cálculo:

  • dívidas em discussão judicial;
  • valores parcelados e pagos em dia;
  • débitos com cobrança suspensa;
  • casos de prejuízo comprovado ou calamidade, sem fraude.

Penalidades

Empresas enquadradas podem sofrer restrições como:

  • perda de benefícios fiscais;
  • proibição de participar de licitações;
  • impedimento de contratar com o Poder Público;
  • Veto à recuperação judicial;
  • Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) declarado inapto;
  • inclusão em lista pública e no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

No caso de punições, contratos antigos podem ser mantidos apenas em serviços essenciais ou infraestrutura crítica.

Fiscalização

A portaria também prevê:

  • divulgação de lista pública de devedores;
  • compartilhamento de dados com estados e municípios;
  • integração de informações fiscais em todo o país.

 

 



EBC

Raphinha e Wesley são cortados da seleção brasileira


O atacante Raphinha e o lateral Wesley foram desconvocados nesta sexta-feira (27) pelo técnico italiano Carlo Ancelotti. Assim, os dois jogadores não estarão disponíveis para defender a seleção brasileira no amistoso com a Croácia, que será disputado no Camping World Stadium, em Orlando, a partir das 21h (horário de Brasília) da próxima terça-feira (31).

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que os dois sentiram dores na região posterior da coxa direita durante a derrota de 2 a 1 para a França em amistoso preparatório para a Copa do Mundo, que será disputada no Canadá, no México e nos Estados Unidos.

“Nesta sexta, os atletas realizaram exames de imagem que confirmaram lesões musculares. Os jogadores estão liberados para seguirem o tratamento. Não serão chamados outros atletas para substituí-los”, diz o comunicado da CBF.

Após o amistoso com a Croácia, o Brasil ainda terá dois compromissos antes do início da Copa do Mundo. O primeiro será um jogo de despedida da torcida brasileira. A seleção enfrentará o Panamá no dia 31 de maio no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Por fim, no dia 6 de junho, uma semana antes da estreia do Brasil no Mundial, a seleção enfrenta o Egito em seu último amistoso antes da estreia. A partida será disputada no Huntington Bank Field, em Cleveland.

Brasil na Copa

O Brasil está no Grupo C do Mundial de 2026. A estreia será contra Marrocos, no dia 13 de junho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). Na segunda rodada, o Brasil encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, às 22h. Já o encerramento da primeira fase está marcado para o dia 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami, às 19h.



EBC

Hospitalizações por Influenza A têm aumentado no país, informa Fiocruz


Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) vem aumentando no país, de acordo com a nova edição do boletim InfoGripe, divulgado nesta sexta-feira (27) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A causa é o crescimento das hospitalizações por Influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

>> Saúde promove neste sábado Dia D de vacinação nacional contra gripe

O levantamento aponta que todos os estados do país apresentam sinal de alta do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo, que considera as últimas seis semanas.

O rinovírus tem impulsionado o aumento dos casos de SRAG em grande parte desses estados, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, chama atenção que é essencial que as pessoas de maior risco, como idosos, imunocomprometidos e crianças, tomem a vacina da influenza nos postos de saúde, para frear o crescimento acelerado das hospitalizações pelo vírus em diversos estados do país.

Portella também recomenda o uso de máscara em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas, especialmente para os grupos de risco.

“Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas, se não for possível, recomendamos sair usando máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, avaliou.

Mortalidade

A incidência e a mortalidade por SRAG são mais elevadas nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas.

Além disso, a incidência de Covid-19 também é maior em crianças pequenas e idosos, enquanto a de influenza A se concentra principalmente nas crianças de até 4 anos e nos idosos.



EBC

PF volta a prender Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (27) nova prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil).

O mandado de prisão foi cumprido, na tarde de hoje, pela Polícia Federal (PF), em Teresópolis. Bacellar foi levado para superintendência da corporação na capital fluminense.

Segundo a PF, ele teria vazado informações sigilosas sobre a investigação que envolve o deputado estadual TH Joias.

De acordo com a PF, Bacellar também foi alvo de uma medida de busca e apreensão.

A corporação também informou que a prisão e a buscas foram determinadas na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, mais conhecida como ADPF das Favelas. Além de estabelecer medidas para o enfrentamento da letalidade policial no Rio, o processo investiga a ligação de grupos criminosos com agentes públicos.

Bacellar havia sido preso em dezembro do ano passado, mas, dias depois, uma votação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) determinou a soltura dele. Diante disso, o ministro Alexandre de Moraes expediu o mandado de soltura de Bacellar.

Decisão

Moraes entendeu que Bacellar deve voltar à prisão porque teve o mandato cassado na mesma decisão em que, na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador do Rio Claudio Castro à inelegibilidade.

O ministro também ressaltou que Bacellar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de obstrução de investigação no caso do ex-deputado TH Joias.

“Desse modo, é patente a necessidade da decretação da prisão em face da conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal, bem como a ordem pública”, decidiu Moraes.

Defesa

Em nota enviada à Agência Brasil, o advogado Daniel Bialski disse pretende recorrer da decisão que decretou a prisão do deputado.

“A defesa desconhece completamente os motivos dessa nova prisão decretada, mas ainda assim a classifica como indevida e desnecessária, já que nosso cliente vinha cumprindo fiel e completamente todas as medidas cautelares impostas. Portanto, irá contestar e recorrer para que seja revista e revogada o quanto antes”, afirmou.

Matéria ampliada às 19h57 para inclusão das declarações do advogado de Rodrigo Bacellar e às 20h17 para acréscimo de informações sobre a decisão de Moraes



EBC

Base do governo pede indiciamento de Bolsonaro na CPMI do INSS


A base do governo no Congresso Nacional apresentou relatório à Comissão parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em oposição ao parecer do relator, Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentado na manhã desta sexta-feira (27). O documento propõe indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro como comandante de uma suposta organização criminosa que fraudou descontos associativos do INSS.

Além de Bolsonaro, o parecer também pede o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por organização criminosa. Ao todo, o relatório pede o indiciamento ou encaminha à Polícia Federal para aprofundamento das investigações o nome 201 pessoas.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), integrante da CPMI, afirmou que as mudanças realizadas pelo governo de Bolsonaro propiciaram que entidades associativas fraudassem os descontos do INSS.

“Em 2019, no governo Bolsonaro, começam a ocorrer as grandes mudanças internas, com a publicação de portarias, de decreto, que vão cada vez mais abrindo a possibilidade para que outras instituições e entidades pudessem fazer descontos de aposentados e pensionistas”, disse.

Do total, 130 são pedidos de indiciamento, entre agentes públicos e privados, envolvidos nas fraudes, e 71 são encaminhados à Polícia Federal (PF) para aprofundar as investigações, sendo 62 pessoas físicas e 9 pessoas jurídicas. O relatório indicia ex-ministros, políticos, servidores do INSS, dirigentes de associações e assessores.

“As conclusões que nós chegamos são baseadas em documentos, em provas. As pessoas que nós estamos propondo um indiciamento são pessoas em que nós individualizamos as condutas e conseguimos demonstrar de forma categórica os crimes que elas cometeram”, disse.

O deputado ressaltou que  não há indiciamento em série e que “não há tentativa de responsabilização de ninguém com o objetivo de fazer disputa política pré-eleitoral”.

 


Brasília- DF  – 27/-3/2026 –Deputado, Paulo Pimenta, Durante coletiva a imprensa para falar sobre relatório paralelo dos governistas.  Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Deputado, Paulo Pimenta, Durante coletiva a imprensa para falar sobre relatório paralelo dos governistas – Lula Marques/ Agência Brasil.

Recomendações

O relatório recomenda a criação de nove proposições legislativas para combater o assédio comercial a beneficiários da previdência social, proteger aposentados e pensionistas em operações de crédito consignado contra práticas abusivas caracterizadoras de venda casada de produtos ou serviços acessórios.

O documento sugere ainda projetos legislativos para ampliar a segurança e proteção de dados de aposentados e pensionistas, combater a lavagem de dinheiro por intermédio de escritórios de advocacia e de contabilidade, entre outras medidas.

O texto também recomenda ao presidente do Congresso Nacional a instituição de uma comissão de juristas de alto nível, com vistas à elaboração de pré-projeto de modernização da lei sobre as CPIs.

Relatório alternativo

Para os governistas, o relatório apresentado por Alfredo Gaspar não tem maioria de votos da Comissão, e cabe ao presidente da CPMI, após votação do relatório oficial, colocar para votação o relatório alternativo proposto pelos parlamentares.

“Tem vinte e poucos parlamentares que apoiam esse relatório e nós achamos que será uma irresponsabilidade do presidente da CPMI se ele não permitir que esta CPI tenha um relatório como resultado do trabalho que aqui foi realizado”, disse Pimenta.

Procurada pela Agência Brasil, a defesa de Flávio Bolsonaro disse que relatório governista não passa de uma tentativa de desviar a atenção e proteger o presidente Lula e o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado no relatório Alfredo Gaspar. 

A Agência Brasil também procurou a defesa de Jair Bolsonaro e está aberta a posicionamento.



EBC

PSD recorre ao STF para pedir eleições diretas para governo do Rio


O diretório estadual do PSD no Rio de Janeiro e o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) pediram nesta sexta-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a eleição para mandato-tampão de governador e vice-governador do estado seja realizada de forma direta, com o voto popular nas urnas.

O partido pretende reverter a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou a realização de eleições indiretas ao condenar o ex-governador Cláudio Castro na última terça-feira (24). O pleito indireto é realizado por meio dos votos dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

De acordo com os advogados da legenda, a jurisprudência do STF determina que sejam realizadas eleições diretas nos casos de dupla vacância dos cargos de governador e vice por decisão oriunda da Justiça Eleitoral. 

“O imperativo, ainda que não apenas jurídico, mas democrático e institucional, representa os anseios da sociedade civil e um imperativo para resgatar a normalidade institucional no estado do Rio de Janeiro”, defendeu o partido.

O ministro Cristiano Zanin foi escolhido para relatar o pedido de eleição direta. Mais cedo, Zanin se manifestou favorável à determinação de eleição popular.

O voto foi proferido no julgamento no qual o plenário virtual do Supremo confirmou que as eleições serão indiretas.

Além Zanin, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino também votaram no mesmo sentido, mas ficaram vencidos. 

Entenda 

Na segunda-feira (23), o governador eleito do Rio, Cláudio Castro, renunciou ao cargo para disputar as eleições ao Senado. O prazo de desincompatibilização termina no dia 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno. 

No dia seguinte, Castro foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A eleição para mandato-tampão deverá ser realizada porque o ex-vice-governador Thiago Pampolha também deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado. 

O próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar. No entanto, o parlamentar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro. Antes da decisão, Bacellar havia sido afastado da presidência por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado no caso que envolve o ex-deputado TH Joias. 

Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado.



EBC

Dia D: “vamos vacinar antes de o inverno chegar”, diz Padilha


O Ministério da Saúde promove, neste sábado (28), o Dia D de vacinação contra a gripe em todo o país. Em pronunciamento, na noite desta sexta (27), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a campanha tem o objetivo de imunizar crianças, idosos e gestantes. 

Padilha contextualizou que a campanha leva em conta o período do ano e as variações climáticas.

“Vamos vacinar antes de o inverno chegar, que é quando a gripe circula com mais força”. A vacina reduz em até 60% o risco de internação. É a vacina que pode prevenir totalmente ou transformar um vírus grave em uma forma leve da doença”, disse. 

No pronunciamento, Padilha garantiu que o Brasil está voltando a ser um campeão mundial em vacinação. “Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família”, disse.

Em relação à cultura da vacinação, Padilha lamentou que o Brasil esteve ameaçado pela volta da paralisia infantil que havia sido erradicada no passado em função da redução da imunização.

“Em três anos, o governo do Brasil reverteu a queda na vacinação. Juntos, aumentamos o número de crianças vacinadas em todas as 16 vacinas do calendário infantil”. 

Oferta de vacinas

Ao mesmo tempo que convocou para o Dia D, o ministro lembrou que a população pode tomar de graça vacinas que eram muito caras na rede privada, como a do VSR, que protege gestantes e bebês da bronquiolite e pneumonia e a ACWY, contra a meningite.

Ainda no pronunciamento, o ministro destacou que o governo realizou o maior mutirão de exames e cirurgias da história do SUS, na área da saúde da mulher.  Segundo ele, são mais de 230 mil mulheres atendidas.

“As mulheres são maioria da população, as que mais usam o SUS e a maioria dos profissionais de saúde”.



EBC

Líder indígena brasileiro é anistiado 43 anos após sua morte


A Comissão de Anistia declarou anistiado nesta sexta-feira (27), post-mortem, Marçal Souza Tupã-Y, renomado líder indígena brasileiro da etnia Guarani-Kaiowá. 

A decisão unânime dos conselheiros da Comissão de Anistia ocorre 43 anos após o assassinato do indígena, ocorrido em 25 de novembro de 1983. 

A anistia política post mortem foi concedida com base na lei que repara pessoas atingidas por atos de exceção com motivação política entre 1946 e 1988.

O pedido de anistia foi encaminhado em 2023 pela família de Marçal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). 

Desculpas

“Em nome do Estado brasileiro peço desculpas aos seus parentes pelas atrocidades que lhes causou o Estado ditatorial”, afirmou a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, durante o julgamento do pedido de anistia, em Brasília.

“Ao Marçal, à sua família, aos seus companheiros de luta e a toda a sociedade, ao mesmo tempo que lhe agradecemos pela sua luta e resistência contra o Estado ditatorial e em favor da democracia”, acrescentou.

Parecer

O parecer técnico que embasou a decisão registra que Marçal era técnico de enfermagem e servidor do quadro funcional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), tendo sido alvo de vigilância desde 1971, conforme ficha de investigação social. 

O documento aponta que ele foi punido com transferências forçadas a título de punição, como registrado em ofício de 21 de fevereiro de 1983. 

“Estamos também aplicando uma punição ao atendente de enfermagem Marçal de Souza e transferindo-o daquela comunidade”, aponta o ofício. 

Com a decisão, a União admite responsabilidade pelas violações cometidas contra a liderança e concede reparação econômica aos familiares, no valor de R$ 100 mil, limite máximo previsto em lei.

Em discurso durante a sessão da Comissão de Anistia, a filha de Marçal, Edna Silva de Souza, disse que “como meu pai dizia, o mundo guarani, o mundo indígena hoje é visto como um mundo obscuro, mas neste mundo obscuro, na cosmovisão do povo indígena, existem pontos brilhantes e esses pontos são as pessoas que de uma certa forma têm a mesma sensibilidade do patamar da sensibilidade indígena”. 

“Por isso vocês estão aqui. Vocês são esses pontos brilhantes. Ele lutou por isso até a morte e ele sabia: ‘Eu sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre.’ Ele morreu pelo seu povo”.

Omissão

O secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que “Marçal de Souza é sim uma vítima da omissão sistêmica do Estado brasileiro, que permitiu por meio do seu aparato autoritário a perseguição de lideranças indígenas, a transferência, o deslocamento de comunidades indígenas inteiras e a própria desproteção territorial”.

Terena lembrou ainda que a terra indígena onde Marçal vivia, a Nhanderu Marangatu, foi homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, no seu primeiro mandato.

“Mas nós só conseguimos entregar efetivamente essa terra agora em 2024, por meio inclusive de um acordo que fizemos no território federal”, disse. 

“Portanto, mesmo depois da Constituição ter assegurado esse direito, mesmo depois do presidente Lula ter homologado essa terra, foi preciso ainda a comunidade indígena esperar mais 19 anos para efetivamente ter o seu território demarcado”, acrescentou.

A ministra Macaé Evaristo destacou, ao final da sessão, o papel da resistência indígena como elemento central na formação do país e cobrou do Estado o enfrentamento ao apagamento histórico.

“Não tem democracia possível sem memória, não há justiça possível sem verdade e não há futuro possível enquanto persistir o apagamento da história dos povos indígenas”, disse a ministra. 

“O direito à memória, à verdade e à justiça não é uma abstração. Ela é uma obrigação concreta do Estado brasileiro”, afirmou.

Marçal

Marçal de Souza Tupã-Y nasceu em 1920 em Rincão Júlio, na região de Ponta Porã, no Mato Grosso dos Sul. Aos 63 anos, foi assassinado com cinco tiros na porta de sua casa na aldeia Campestre, TI Nhanderu Marangatu, em Antônio João, após décadas de atuação em defesa dos povos originários. 

Considerado um dos pioneiros do movimento indígena no Brasil, integrou a comissão que deu origem à União das Nações Indígenas, criada em junho de 1980 em Campo Grande, da qual foi vice-presidente a partir de 1981.

Marçal de Souza foi postumamente declarado Herói Nacional do Brasil, conforme consta na Lei 14.402/2022. 

Seu nome batiza o prêmio anual entregue pela Câmara Municipal de Dourados a pessoas e instituições que promovem os direitos indígenas. 

A expectativa da família e das organizações indígenas é que a anistia contribua para ampliar o reconhecimento da trajetória de Marçal e da violência histórica sofrida pelos povos originários durante o regime militar.



EBC

Apesar de guerra, dólar cai 1,27%, e bolsa sobe 3% na semana


Mesmo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o dólar recuou e a Bolsa avançou numa semana marcada pela volatilidade no mercado financeiro. O petróleo voltou a subir com força diante das incertezas geopolíticas.

Nesta sexta-feira (27), a moeda estadunidense perdeu força no Brasil, enquanto o mercado acionário conseguiu sustentar ganhos no acumulado da semana, apesar de duas quedas consecutivas.

O dólar fechou esta sexta em leve baixa, cotado a R$ 5,241, com recuo de R$ 0,014 (-0,28%). A divisa caiu no Brasil, mesmo com o fortalecimento da moeda no exterior.

Nesta sexta, a moeda estadunidense oscilou entre R$ 5,21 e R$ 5,27, refletindo ajustes técnicos e entrada de recursos no país.

Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,27%, embora ainda registre valorização de 2,10% diante do real no mês. O desempenho da moeda brasileira foi melhor do que o de outras divisas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

O alívio parcial veio após sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de adiar ações militares contra o Irã, embora sem confirmação de cessar-fogo.

O dólar recuou mesmo sem a atuação do Banco Central (BC) nesta sexta. Na terça (24) e na quinta-feira (26), a autoridade monetária injetou US$ 2 bilhões no mercado de câmbio por meio de leilões de linha, quando o BC vende dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprar o dinheiro meses depois.

Mercado de ações

O Ibovespa caiu 0,64% nesta sexta-feira, aos 181.557 mil pontos, acompanhando o desempenho negativo das bolsas em Nova York. Ainda assim, encerrou a semana com alta de 3,03%, interrompendo uma sequência de perdas.

O desempenho foi influenciado pela piora do humor externo, com quedas nos principais índices econômicos dos Estados Unidos e aumento das incertezas sobre os impactos da guerra na economia global.

A valorização do petróleo beneficiou ações do setor de energia, principalmente de petroleiras, enquanto bancos e empresas ligadas ao consumo registraram perdas.

Petróleo

Os preços do petróleo avançaram mais de 3% no dia, impulsionados pela falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

O barril do tipo Brent, referência global, fechou em US$ 105,32, com alta de 3,37%. O movimento reflete temores de restrição na oferta, especialmente diante das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Apesar da alta no dia, o Brent acumula perda de 0,58% na semana, em meio à volatilidade provocada por declarações contraditórias sobre um possível cessar-fogo.

 

* com informações da Reuters

 



EBC

Frentes no Líbano e Iraque surpreendem Israel/EUA em guerra contra Irã


A guerra de guerrilhas do Hezbollah no sul do Líbano e a ação das milícias xiitas no Iraque, que pressionam pela saída das tropas dos Estados Unidos (EUA) do país, têm surpreendido Israel e EUA na guerra do Oriente Médio contra o Irã.

O Hezbollah tem anunciado dezenas de ações militares diárias contra os israelenses na fronteira sul do Líbano. Segundo o grupo, “quase” 100 tanques Merkava foram destruídos nesse período de guerra. Somente nas últimas 24 horas, o grupo libanês teria realizado 103 operações contra Israel.


A drone view shows a damage in a residential neighbourhood, following a night of Iranian missile strikes which injured dozens of Israelis, amid the U.S.-Israel conflict with Iran, in Dimona, southern Israel March 22, 2026. REUTERS/Roei Kastro     TPX IMAGES OF THE DAY

Bairro israelense  após ataque de mísseis iranianos – Reuters/Roei Kastro/Proibida reprodução

No Iraque, o governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani endureceu o tom contra os EUA e Israel depois que um quartel-general e uma clínica médica ocupada por milícias xiitas pró-Irã foram atacados, matando 15 combatentes das Forças de Mobilização Popular (FMP), na cidade de Habbaniyah.

O governo iraquiano autorizou as FMP a exercerem o direito a autodefesa, acusou abertamente Washington por esses ataques no Iraque, e convocou o encarregado de negócios dos EUA em Bagdá, a quem foi apresentado uma “carta de protesto veemente”.

A Resistência Islâmica no Iraque, grupo que reúne facções armadas pró-Irã, tem reivindicado ataques com drones e mísseis contra bases no Iraque e a embaixada dos EUA. A tensão no Iraque tem feito a Embaixada dos EUA em Bagdá a publicar alertas de segurança.  

“Não tente ir à embaixada em Bagdá ou ao consulado-geral em Erbil devido ao risco contínuo de mísseis, drones e foguetes no espaço aéreo iraquiano”, diz comunicado.

Irã na ofensiva

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Danny Zahreddine avalia que, após quase um mês de guerra, os iranianos estão em uma posição mais favorável que seus adversários.

“Reativar a frente libanesa com o Hezbollah dividiu a força israelense em duas frentes. A vitória das milícias iraquianas, forçando a saída dos americanos de lá, enfraquece do ponto de vista simbólico e real, porque aumenta a capacidade defensiva do Irã. E a resiliência iraniana revela que, se eles tentarem entrar por terra ou mar, o problema vai ficar pior ainda”, afirmou.


Brasília (DF), 26/06/2025 - major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Foto: Pekka Kallioniemi/X

Para major-general Agostinho Costa, o Irã está com a “vantagem estratégica” sobre os EUA e Israel no campo de batalha.- Foto de Pekka Kallioniemi/X

Para o major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, o Irã está com a “vantagem estratégica” sobre os EUA e Israel no campo de batalha.

“O Irã apresentou, tanto no domínio dos mísseis, como no domínio dos drones, como na parte marítima com enxames de embarcações rápidas que lançam mísseis antinavio, um conjunto de soluções para as quais o poder aéreo norte-americano e israelense estão anuladas”, comentou.

O ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal acrescentou que EUA e Israel estão em um impasse no Oriente Médio “para o qual não encontram saída e daí toda esta pressão de Trump, toda esta bravata de Trump, no sentido de procurar um acordo o mais rapidamente possível”. 

Líbano

O professor da PUC de Minas, Danny Zahreddine, avalia que o cenário está delicado para os israelenses no Líbano. Ele avalia que o Hezbollah surpreendeu ao mostrar grande capacidade de resistência.

“Com a morte do Ali Khamenei, eles voltam muito articulados, com muita capacidade tática, com muitos equipamentos. Eles têm ainda muitos mísseis e foguetes. Dezenas e dezenas de tanques Merkava devem ter sido destruídos mesmo. É uma condição difícil para Israel”, completou o também oficial de artilharia da reserva do Exército brasileiro.  

Para o major-general português Agostinho Costa, a recuperação do Hezbollah tem impedido Israel de chegar por terra ao Rio Litani, que Tel Aviv promete ocupar.

“A situação do norte de Israel é preocupante. Os ataques do Hezbollah, de forma coordenada com os mísseis do Irã, aumentam a eficiência e o stress sobre o sistema de defesa aérea israelense, que já tem demonstrado algumas debilidades”, comentou o ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

Costa acrescenta que o Hezbollah passou a usar drones FPV, “extremamente eficazes contra tanques porque os ataca nos locais mais vulneráveis. Esses meios conferem vantagem tática sobre as unidades blindadas que são a base da capacidade ofensiva do exército israelense”.

Defesas de Israel


Belo Horizonte (MG), 27/03/2026 - Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas. Foto: Agência Pública/Divulgação

Danny Zahreddine observa que os mísseis que conseguem atingir Israel chegam a alvos estratégicos- Agência Pública/Divulgação

O professor da PUC de Minas Danny Zahreddine disse que é muito difícil saber exatamente como está a situação dentro de Israel, devido a forte censura do governo contra a divulgação de informações internas do país.

Segundo Tel-Aviv, eles conseguem interceptar cerca de 90% dos mísseis iranianos e do Hezbollah lançados contra Israel.

“Se eles interceptarem 90% dos mísseis e se 10% entram, esses 10% que entram criam um problema real para Israel, porque eles atingem alvos estratégicos”, disse Danny, que destacou ainda a dificuldade em repor esses equipamentos antiaéreos em pouco tempo.

O major-general português Agostinho Costa avalia que não é possível dar total crédito às informações de Tel-Aviv, mas avalia que, se passam 10%, eles são capazes de fazer um grande estrago.

“Os 10% que sobram são aqueles que fazem estrago. E os mísseis que têm passado, nomeadamente no norte de Israel, levam-nos a concluir que, neste momento, Israel já é obrigada a fazer uma análise criteriosa do que é que se defende e do que deixa passar”, afirma.

Situação ofensiva do Irã

Apesar dos estragos impostos ao Irã pelos bombardeios dos EUA e de Israel, o especialista em Oriente Médio Danny Zahreddine avalia que o Irã, mesmo debilitado, mantém uma capacidade ofensiva importante após quase um mês de guerra.

“Diariamente, no 28º dia da guerra, os iranianos conseguem ter domínio do espaço aéreo dos países do Golfo e conseguem ainda penetrar suas armas dentro de Israel. Isso revela uma capacidade de resiliência altíssima”, comentou.

Para o major-general Agostinho Costa, não parece que o Irã está tão debilitado na sua capacidade ofensiva, uma vez que já está na 86º leva de mísseis e drones desde o início da guerra.

“Não nos parece que o Irã tenha sido substancialmente debilitado. Os principais centros para lançamento são a partir do chão, do subsolo. Os mísseis movimentam-se em túneis, abrem umas campânulas de aço e são lançados, fechando antes de dar tempo de reação da parte norte-americana ou israelense”, concluiu.



EBC