finalvence final brasileira e fatura Banana Bowl


Nauhany Silva venceu Victória Barros na final brasileira do Banana Bowl (ITF J500), na cidade catarinense de Gaspar. Na manhã deste domingo (22), Naná marcou as parciais de 6/3, 4/6 e 6/3.

Com apenas 16 anos, ele se tornou a primeira brasileira campeã do torneio desde Roberta Burzagli em 1991.

A decisão de hoje em Santa Catarina recolocou duas brasileiras frente a frente pela primeira vez desde 1986, quando Gisele Miró conquistou o título vencendo Gisele Faria.

Naná acumula 21 vitórias seguidas no circuito mundial juvenil. Na semana passada, ela já havia sido campeã da Brasil Juniors Cup, em Porto Alegre.

Ontem, a paulista também disputou a final de duplas do Banana Bowl e ficou com o vice-campeonato, ao lado da argentina Sol Larraya. O título ficou com a romena Maia Burcescu e a jamaicana Alyssa James.

Antes do torneio,Naná era a 19ª do ranking mundial juvenil. Victória era a 12ª colocada. A campeã do evento em Gaspar (SC) recebe 500 pontos e a vice fica com 350. 



EBC

Guilherme Schimidt é bronze no Grand Slam de Tbilisi


No Grand Slam de Tbilisi, neste domingo (22), Guilherme Schimidt (-90kg) conquistou o bronze no peso médio. Na luta pela medalha, o brasileiro imobilizou o uzbeque Nurbek Murtozoev até o ippon. 

Esta foi a segunda medalha internacional dele em quatro competições que disputou até o momento, desde que retornou de cirurgia em nova categoria de peso.

Para Tbilisi, o país levou cinco atletas, e teve como segundo melhor resultado o sétimo lugar de Shirlen Nascimento (-57kg). Já Michel Augusto (-60kg), Willian Lima (-66kg) e Daniel Cargnin (-73kg) foram eliminados em suas primeiras lutas.

A próxima etapa do Circuito Mundial será em maio. No mês que vem, o desafio será o campeonato Pan-Americano entre 18 e 20. A delegação nacional será conhecida em seletiva no dia 01 em São Paulo.



EBC

Mulher trans chega à universidade 25 anos após violência na escola


Os caminhos da educação formal são diferentes para cada pessoa e, para algumas, frequentar a sala de aula é um privilégio. É o caso de Sabriiny Fogaça Lopes, de 41 anos, uma mulher trans que foi aprovada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos depois de ser obrigada a deixar os estudos. 

Ela deixou a escola aos 15 anos de idade, por conta de discriminações e repressões severas que sofria de outros alunos. Em certos momentos, chegou a vivenciar agressões físicas. 

“Eu gostava de frequentar a escola. Eu via a escola como algo tão importante, porque eu gostava de ler, eu gostava de participar de todos os projetos. Eu deixei de estudar porque eu sofria muito na escola. Naquela época, eu não sabia o que era transfobia, o que era bullying. Para mim, era uma brincadeira normal”, contou.

Durante os 25 anos que ficou afastada da escola, Sabriiny encontrou dificuldades no mercado de trabalho, chegou a atuar um pouco como cabeleireira, mas confessa que se sentia incompleta. 

Foi motivada por amigos e pelo desejo de mudar a própria história, que ela deu uma nova chance aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

 


Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal

Sabriiny Fogaça (C) foi aprovada pelo Enem para UFRRJ – Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo pessoal

Volta às aulas

Com alunos de idades diferentes e histórias de vida diversas, Sabriiny Fogaça se sentiu acolhida pelo ambiente do Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, região metropolitana do Rio de Janeiro. Uma história diferente da que passou na juventude.

“Meu receio era de passar tudo o que eu passei na minha infância, entendeu? Quando eu botei o pé na porta da escola, eu fiquei com aquele receio, pensei, poxa, será que vão me aceitar? Será que vão me entender do jeito que eu sou?”. 

Como resultado, ela se viu engajada com a escola e chegou a participar de projetos em sala de aula. Um deles o Alunos Autores, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), em que alunos da rede pública de ensino publicaram uma coletânea de contos. 

Sabriiny prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) duas vezes, e foi aprovada em ambas. A primeira para Licenciatura em Educação do Campo, e a outra, em 2026, para Licenciatura em Educação Especial, seu curso de escolha.

“Eu sempre tive um olhar sensível para as diferenças, acredito muito que eu quero contribuir a todas as pessoas, que todas as pessoas tenham acesso à educação, porque a educação faz parte da vida de todo mundo. As minhas expectativas são aprender bastante e me tornar uma profissional que realmente faça a diferença”, diz. 

Ela foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial, e está confiante que essa será a sua primeira, mas não a única, graduação. 

Sabriiny pretende voltar à universidade para realizar o sonho de cursar Serviço Social e construir uma carreira na educação especial. 

“Eu quero mostrar que nunca é tarde pra começar. Eu sei que vai ser difícil, uma mulher trans arrumar um emprego em uma escola. Vão ter barreiras para enfrentar, para dar aula, ensinar as pessoas, porque tem aquele olhar de preconceito. Mas eu vou continuar prosseguindo”, ressalta. 

EJA

Atualmente, há cerca de 2,4 milhões de estudantes na EJA, de acordo com dados do Censo Escolar 2024. Desses, 2,2 milhões estão na rede pública em todo o país. 

Os estudantes da EJA são minoria na educação básica – ensino infantil ao ensino médio – com um total de 47 milhões de estudantes em todo o país.  

A porcentagem de estudantes nessa modalidade que acessa o ensino superior no ano seguinte ao que conclui o ensino médio, é menor do que na modalidade regular. Enquanto no ensino regular a aprovação no ensino superior logo que terminam os estudos é de 30%, na EJA, esse percentual cai para 9%. 

Os dados são do Censo do Censo da Educação Superior 2023. 

A EJA é uma modalidade da educação básica destinada a jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso e/ou não concluíram os estudos. Na EJA é possível cursar o ensino fundamental e o médio. 

 


Rio de janeiro (RJ), 19/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mulher trans chega a universidade 25 anos após abandonar a escola. Sabriiny Fogaça foi aprovada pelo Enem para UFRRJ. Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo Pessoal

Atualmente, 38 universidades públicas no Brasil, entre estaduais e federais, oferecem cotas para pessoas trans – Foto: Sabriiny Fogaça/Arquivo pessoal

Ensino Superior

Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), de 2024, apenas 0,3% da população trans e travesti consegue acessar o ensino superior. E mais de 70% não completaram o ensino médio. 

De acordo com a entidade, a exclusão nesses espaços se deve à transfobia institucional e social, com baixíssimos índices de escolarização e formação profissional.

Algumas medidas têm sido tomadas nos últimos anos para garantir a permanência desses grupos na educação superior. 

Atualmente, 38 universidades públicas no Brasil, entre estaduais e federais, oferecem cotas para pessoas trans, sendo 13 no Sudeste; quatro no Sul; 13 no Nordeste; três no Centro-Oeste e cinco no Norte. 

Para além da garantia de entrada, a Antra reforça que é preciso pensar em políticas de permanência para que os estudantes possam concluir seus estudos, como comissões de acompanhamento, assistências específicas e espaços de segurança e acolhimento. 

* Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia 



EBC

Rádio MEC: De quem é a música? destaca o compositor Luiz Antonio


O segundo programa inédito da série De quem é a música?, produção original da Rádio MEC apresentada por Ruy Castro, recorda sambas e marchinhas de sucesso neste domingo (22), às 22h. O novo episódio combina repertório de clássicos com histórias da cultura nacional para resgatar obras assinadas pelo compositor Luiz Antonio, autor de sucessos como:  Sassaricando e Barracão.

O seriado revela que o militar Luiz Antonio era um compositor que se confundia com a noite do Rio. Essa dupla identidade talvez explique seu quase anonimato posterior. O bamba compôs três grandes sambas de carnaval, em suas gravações originais, todas na voz de Marlene: Lata d’água, Sapato de Pobre e Zé Marmita, músicas de conteúdo social.

Luiz deixou o Exército aos 43 anos para se dedicar somente à carreira artística, com sambas quase épicos, de frases longas e cadência moderada, sem pressa de se tornarem eternos. Ele também teve presença marcante na música romântica, especialmente no samba-canção.

Conhecedor das histórias e dramas da madrugada, alguns dos seus maiores sucessos saíram desse universo, muitos em parceria com seu amigo, o compositor e organista Djalma Ferreira, dono da boate Drink e famoso por seu teclado misto de órgão e piano, chamado solovox. A grande atração do local era o conjunto Os Milionários do Ritmo, que tinha Miltinho como crooner.

Miltinho foi o grande cantor das obras de Luiz Antonio, mas não o único. A beleza e originalidade dos sambas e das canções do compositor fariam com que ele fosse disputado por todos os cantores modernos dos anos 1940 a 1960: Tito Madi, com Menina-moça; Dick Farney, com Somos dois; e Lucio Alves, com Cheiro de saudade.

Sobre a série

Preciosidades do repertório popular de autoria de compositores mais conhecidos por suas obras inspiram a nova série inédita da Rádio MEC sob o comando de Ruy Castro. Em cinco edições de uma hora, o escritor revela a história de sucessos do cancioneiro nacional e associa as canções aos compositores desses títulos na produção De quem é a música?.

Cada um dos episódios é dedicado a um grande ícone brasileiro, autor de inúmeras músicas, mas cujo nome nem todos reconhecem. A sequência de programas destaca a trajetória de personalidades como o multimídia Haroldo Barbosa, o militar Luiz Antonio, o cronista Antonio Maria e os pianistas Alcyr Pires Vermelho e Newton Mendonça. Alguns deles viviam quase no anonimato e fizeram clássicos, seja em parceria com outro compositor ou de maneira solo.

Os autores apresentados no seriado da emissora pública raramente são lembrados na memória afetiva. O especial intercala hits cuja letra ou música foi criada por esses artistas com relatos de Ruy Castro. O prefixo da série utiliza uma versão reduzida da canção Samba de Orfeu, de Antonio Maria e Luiz Bonfá.

“Sabe aquela música que você escuta e ela lhe é familiar – você já a ouviu muitas vezes – e, ao tentar se lembrar de quem é, não consegue identificar o autor? E a culpa não é sua. Nem de ninguém. Há compositores assim – muito menos conhecidos do que as canções que eles fizeram. E é sobre isso a nova série musical da Rádio MEC“, explica o imortal Ruy Castro sobre o conteúdo exclusivo da emissora.

Plataformas

A nova produção original de Ruy Castro, Heloisa Seixas e Julia Romeu fica disponível em várias plataformas. Além de ouvir pelo dial, a audiência pode acompanhar De quem é a música? no app Rádios EBC e conferir a transmissão em streaming no site da emissora pública.

Como em todas as séries produzidas pelo trio para a Rádio MEC, a produção veiculada pela emissora pública traz sempre a gravação completa da obra utilizada como prefixo. A versão integral celebra a canção Samba de Orfeu, de Antonio Maria e Luiz Bonfá com a orquestra de Paul Desmond.

Serviço

De quem é a música? – segundo programa – Luiz Antonio – Domingo (23), às 22h, na Rádio MEC

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EBC

Jogo mostra impactos do cuidado invisível na vida das mulheres


Pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram um jogo que propõe reflexões sobre o trabalho de cuidado, muitas vezes invisível, e como ele afeta a vida das mulheres. O Jogo do Cuidado – Um Jogo sobre o Direito à Cidade das Mulheres pode ser baixado gratuitamente, e atua como material de apoio pedagógico para alunos do ensino médio.

A proposta surgiu a partir de um projeto de pesquisa coordenado pela professora  Rossana Brandão Tavares, sobre direito à cidade e reprodução social. O trabalho investiga de que forma fatores como renda, gênero, raça e idade influenciam o acesso a oportunidades e à qualidade de vida nos espaços urbanos.

Segundo uma das bolsistas de iniciação científica do grupo de pesquisa, Beatriz Corbacho, a ideia surgiu a partir do tema da redação do Enem de 2023, que falava sobre a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado por mulheres no Brasil.

“A gente se sentiu muito motivada a criar uma ferramenta pedagógica para que isso pudesse ser debatido dentro de sala de aula, algo lúdico, algo que pudesse ilustrar o que a gente estuda na pesquisa. Que é a vida feminina dentro do direito à cidade”, conta em entrevista ao programa Nacional Jovem, da Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

O jogo

No tabuleiro, os jogadores assumem diferentes personagens que representam grupos sociais diversos. Ao longo da partida, enfrentam desafios ligados ao trabalho, à renda e às responsabilidades de cuidado, percebendo, na prática, como essas questões impactam de forma desigual a vida de cada um.

“O mapa traz uma cartografia da área portuária do Rio de Janeiro, onde estão disponibilizados dez bairros, e são também dez personagens, e cada personagem fica disposto em um bairro. E aí, através da nossa pesquisa, a gente tem a separação dos bairros, de acordo com questões econômicas”, explica Mariana Pio, também bolsista da pesquisa.

“O nosso jogo tem duas formas de cédula de nota, que é o dinheiro do cuidado e o dinheiro do capital econômico. Sendo que o do cuidado é a principal moeda do jogo, onde quem tiver mais capital do cuidado ganha”, completa.

 


Brasília (DF), 20/03/2026 - Jogo do Cuidado. Foto: jogodocuidado.com.br/Reprodução

Jogo do Cuidado –  Foto: jogodocuidado.com.br/Reprodução

O jogo traz questões como rotina, mobilidade urbana, direitos coletivos e acessibilidade. Os personagens, de diferentes raças, gêneros e classes econômicas, servem para mostrar as como pessoas lidam com o mesmo espaço social de formas diferentes.

Em entrevista à Radioagência Nacional, a professora Rossana Brandão Tavares diz que a repercussão sobre o jogo foi tão positiva que decidiram disponibilizar a brincadeira em um site para quem quiser imprimir.

“A gente conseguiu imprimir poucas versões físicas do jogo e por essa razão, em função da repercussão, a gente acabou produzindo uma página eletrônica que é no www.jogodocuidado.com.br, onde qualquer um, qualquer instituição, qualquer escola, qualquer grupo, qualquer pessoa que tiver interessada pode imprimir em casa ou numa copiadora uma versão adaptada”, diz a professora.

Repercussão

O projeto é da Escola de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF, feito a partir do edital do programa Jovem Cientista do Nosso Estado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O trabalho era criar algo para as escolas do estado do Rio de Janeiro e, com a boa repercussão, o jogo passou a ser disponibilizado gratuitamente na internet, como apontado por Rossana.

Além do tabuleiro, o conteúdo inclui um manual com orientações e sugestões de discussão para uso em sala de aula.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia. 



EBC

Desconhecimento sobre neuromielite óptica atrasa tratamento no Brasil


A neuromielite óptica (NMO) é uma doença neurodegenerativa, rara e grave. Como é autoimune, não tem uma causa conhecida. Predominantemente, é caracterizada por lesões inflamatórias que atingem o nervo óptico e, em consequência a visão, o cérebro, e o sistema nervoso central – principalmente a medula espinhal, podendo resultar na perda de movimentos.

A neuromielite óptica, também originalmente chamada de Doença de Devic ou Distúrbios do Espectro da Neuromielite Óptica (NMOSD), surge quando o próprio sistema de defesa do corpo, que deveria agir como proteção, começa a atacar essas partes por engano.

“Por causa disso, surgem inflamações que aparecem em forma de surtos ou crises, que podem se repetir ao longo da vida”, apontou a NMO Brasil, entidade formada por pacientes que se uniram para acolher e transmitir conhecimento para outros pacientes e suas famílias. 

A entidade também tem a função de informar, educar, conscientizar a sociedade civil e política, além de apoiar a categoria médica sobre a neuromielite e doenças do seu espectro. 

Desconhecimento

Considerada por muito tempo uma variável da Esclerose Múltipla (EM), atualmente, as informações mostram que são doenças distintas. Apesar disso, muitos diagnósticos ainda indicam que os pacientes têm EM.

A presidente da NMO Brasil, Daniele Americano, que foi diagnosticada com a doença em 2012, disse que o desconhecimento sobre a doença é um dos fatores que levam ao agravamento do caso e ao atraso no tratamento, por falta de diagnóstico preciso.

Daniele conta que, em seu caso, a doença surgiu de uma hora para outra. Embora atinja pessoas de qualquer idade, ela é mais prevalente nas mulheres e na população afro-brasileira, sendo que nas primeiras manifestações, a média de idade é em torno 30 e 40 anos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define uma doença rara como aquelas que afetam 65 pessoas em cada grupo de 100 mil indivíduos.

Segundo Daniele, a estimativa da NMO Brasil é de que existam cerca de 3 mil a 4 mil pessoas com a doença no país. O diagnóstico deve ser feito por neurologista especialista e às vezes um neuro oftalmologista, já que se trata de uma doença neurológica. Isso, no entanto, não ocorre com frequência.


Rio de Janeiro (RJ), 17/03/2026 - Palácio Tiradentes recebe exposição de conscientização sobre a Neuromielite Óptica. A exposição “Neuromielite Óptica – Você não vê, mas eu sinto” é resultado de parceria entre a Frente Parlamentar de Doenças Raras da ALERJ, a Subdiretoria-Geral de Cultura da ALERJ e a NMO Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Exposição sobre a neuromielite óptica é gratuita, de segunda a sexta-feira, na Alerj – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Falta de tratamento

Outra barreira apontada pela presidente da NMO Brasil é a falta de tratamento disponível para esta doença Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, 90% dos pacientes precisam entrar com ações na justiça para ter acesso ao tratamento.

Os medicamentos usados para tratar a doença incluem os off label – que são os que podem ser prescritos, mas não têm registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a indicação da bula –, e também os on label – que são adequados para a NMO e aprovados pelo órgão regulador, mas ainda não incorporados pelo SUS.

Dentre os remédios indicados, a presidente da NMO Brasil lista o Enspryng – Satralizumabe; Uplizna – Inebilizumabe; e o Ultomiris – Ravulizumabe, que não estão disponíveis no SUS.

O Ministério da Saúde informou que o inebilizumabe e satralizumabe foram analisados para o tratamento da neuromielite óptica pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em 2024 e 2025, respectivamente, mas não houve aprovação para a inclusão no SUS.

“Ambos tiveram parecer negativo para incorporação devido a critérios como custo-efetividade”, informou o ministério em resposta à Agência Brasil.

Quanto ao Ravulizumabe, o governo federal negou ter recebido pedido de avaliação. “Não houve nenhum pedido para avaliação do medicamento ravulizumabe com indicação para o tratamento de neuromielite óptica”.

Para Daniele Americano, o tratamento multidisciplinar, que também é uma necessidade dos pacientes, não é considerado prioridade no SUS.

“É um tratamento medicamentoso e também multidisciplinar que é de extrema importância, que seria psicólogo, fisioterapeuta, assistente social. Se os pacientes tivessem acesso a esses profissionais, a qualidade de vida deles poderia ser um pouco melhor, porque na fisioterapia ele consegue, pelo menos, ir se mantendo porque a pessoa quando está na cadeira de rodas vai atrofiando e, por isso, a fisioterapia é extremamente importante”.

Ela destacou ainda a necessidade de atendimento psicólogo e apoio de assistente social, nos casos de pacientes em idade produtiva, pois há casos de pessoas que precisam parar de trabalhar.

“O paciente do nada tem um diagnóstico de uma doença que é rara e altamente incapacitante, podendo deixá-lo sem movimento do corpo e sem enxergar, às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. É muito impactante tanto para o paciente quanto para a família.”

A presidente destacou a importância da adoção de políticas públicas e a conscientização da sociedade civil para acelerar o diagnóstico, na tentativa de diminuir as sequelas.

“Quando a gente conscientiza a sociedade civil a gente consegue fechar o diagnóstico de forma mais célere, porque a pessoa já ouviu falar sobre a doença ou sobre alguns sintomas. Ela se depara com alguém no seu círculo social com sintomas parecidos e diz que já ouviu falar da doença. Facilita a procura por um neurologista”.

O Ministério da Saúde informou à Agência Brasil que está em processo de definição do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a neuromielite óptica, com levantamento de evidências clínicas e econômicas para subsidiar futuras avaliações da Conitec.

“Hoje a atenção às pessoas com neuromielite óptica no SUS ocorre com foco no controle dos sintomas, no manejo clínico e na preservação da funcionalidade e da qualidade de vida. Por se tratar de uma doença autoimune crônica, sem cura definitiva, o cuidado é contínuo, integral e multidisciplinar, com acompanhamento em neurologia e oferta de ações de reabilitação, como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio psicológico”.

A pasta acrescentou que vem ampliando o atendimento a pessoas com doenças raras: “O SUS conta hoje com 51 serviços especializados na Rede de Atenção às Doenças Raras – mais que o dobro dos 23 existentes em 2022”.

NMO Brasil

Daniele Americano criou a NMO Brasil quando buscava respostas para a sua própria situação. Apesar dos primeiros sintomas terem começado a surgir um ano antes, ela foi diagnosticada com neuromielite óptica em 2012. Nesse período teve vários diagnósticos errados.

Ela conta que mesmo morando no Rio de Janeiro teve dificuldade em diagnosticar a doença, o que a fez refletir sobre como seria a situação de pessoas no interior do país, muitas vezes sem acesso a médico com especialidade em neurologista.

“Naquele momento eu comecei a traduzir textos que encontrava fora do Brasil em instituições confiáveis para que, no país, as pessoas tivessem acesso à informação em português.”

Em 2014, Daniele se juntou a outros pacientes e organizou um encontro simultaneamente no Rio de Janeiro, em Brasília, no Recife, em Maringá e São Paulo, para promover a comunicação entre as pessoas que conviviam com a doença. O encontro, então, passou a ser anual.

Embora tenha começado as atividades em 2014, a NMO Brasil foi formalizada como associação em 2022. Desde o início da sua atuação, a entidade luta pela adoção de políticas públicas.

“A gente tem um projeto de lei no Senado que já passou pela Câmara e espera aprovação na Comissão de Assuntos Sociais que trata sobre benefícios previdenciários para pacientes de neuromielite óptica.”


Rio de Janeiro (RJ), 17/03/2026 - Palácio Tiradentes recebe exposição de conscientização sobre a Neuromielite Óptica. A exposição “Neuromielite Óptica – Você não vê, mas eu sinto” é resultado de parceria entre a Frente Parlamentar de Doenças Raras da ALERJ, a Subdiretoria-Geral de Cultura da ALERJ e a NMO Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Palácio Tiradentes recebe até o dia 3 de abril a exposição para conscientização sobre a NMO – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Exposição

Para dar mais visibilidade à doença, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), recebe a exposição Neuromielite Óptica – Você não Vê, mas Eu Sinto, no Palácio Tiradentes, que chama a atenção para a doença.

“A gente quis trazer as sequelas invisíveis que os pacientes têm, como dores neuropáticas, e isso não é visto. Mas também as pessoas não sabem que a gente não tem acesso a tratamentos. Não tem o direito constitucional à vida garantido, porque a medicação não está disponível no SUS”, indicou a presidente.

Com recursos de audiodescrição para pessoas com deficiência visual, a exposição retrata histórias de nove mulheres e um homem diagnosticados com a doença em várias regiões do Brasil. 

A mostra é uma iniciativa da Frente Parlamentar de Doenças Raras da Alerj, da Subdiretoria-Geral de Cultura da Assembleia e da NMO Brasil. O espaço fica aberto ao público de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 17h, na Rua Primeiro de Março, s/nº. As visitas do público podem ser feitas até o dia 3 de abril e a entrada é grátis.

O acesso para cadeirantes é pela Rua Dom Manuel, s/nº.

Conscientização

A partir de um pedido feito pela NMO Brasil ao Congresso Nacional, foi criado, em 2023, uma data nacional para conscientizar a população sobre a doença: 27 de março. 

“O Brasil foi o primeiro país a ter o Dia de Conscientização sobre NMO no mundo e foi também o primeiro país a ter prédios públicos e privados iluminados pela NMO. A gente já iluminou o Congresso e Cristo”, contou, destacando que neste ano a entidade participa da coordenação do primeiro Dia Mundial de Conscientização da NMO, juntando organizações pelo mundo em um movimento global.

“A gente manteve, no mesmo dia 27 de março, para não ter confusão e reforçar”.  

 



EBC

Brasil monitora impacto da guerra na distribuição de medicamentos


A intensificação da guerra no Oriente Médio, que opõe Estados Unidos (EUA) e Israel ao Irã, ameaça afetar também a cadeia global de distribuição de medicamentos. A preocupação foi manifestada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que disse estar monitorando o cenário. 

“Toda a guerra faz mal à saúde. Ela mata pessoas, mata inocentes, destrói unidades de saúde e ela pode afetar a cadeia de distribuição global, disse ele neste sábado (21) à Agência Brasil, durante visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB) 

O ministro acompanhou o mutirão de exames e cirurgias voltado para mulheres pacientes do Sistema Único de Saúde. Ele disse que o ministério continua monitorando a distribuição de medicamentos e que, até este momento, não houve impacto em custos logísticos.

Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram o Irã, o maior impacto tem sido no suprimento de petróleo, base da indústria de combustíveis, mas também de outros setores, incluindo medicamentos. O preço do barril de petróleo chegou ao pico de US$ 120 e momentos de maior volatilidade. Há análises de mercado que não descartam elevações superiores, especialmente por causa da dificuldade de transporte do petróleo no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, e por onde são comercializados cerca de 25% do volume global da mercadoria.

Padilha afirmou ter conversado com autoridades da China e da Índia, em viagens recentes, sobre os impactos da guerra no Irã nas rotas de entrada e saída de insumos para medicamentos. 

“Esse risco existe. A base inicial de muitos medicamentos é de produtos derivados do petróleo. Então, se você tem um aumento do preço do petróleo internacional, se você dificulta a chegada do petróleo nos países que mais fazem essas matérias-primas, como a China e a Índia, a guerra pode afetar isso”, observou.



EBC

Capivara é agredida na zona norte do Rio e autores são presos


Já estão presos os seis homens que, armados de pedaços de pau e barras de ferro, agrediram, na madrugada deste sábado (21), uma capivara que caminhava sozinha pela orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, bairro nobre da Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Em rápida ação, os policiais civis da 37ª delegacia policial (Ilha do Governador) prenderam, no início da tarde, os seis envolvidos no ataque ao roedor. Eles foram localizados na região do Guarabu, na Ilha do Governador, próximo ao local onde ocorreram as agressões brutais. Além dos seis, mais dois menores, que também participaram da violência, foram apreendidos.

De acordo com testemunhas que filmaram a ação, o ataque ocorreu por volta de 1h da madrugada, quando o grupo cercou o animal e passou a agredi-lo com barras de ferro e pedaços de madeira, causando graves ferimentos. As imagens registradas por câmeras de segurança foram fundamentais para a identificação dos envolvidos.

Após o crime, as equipes iniciaram investigações, que resultaram na localização e detenção do grupo. A capivara sofreu várias escoriações pelo corpo, principalmente na região da cabeça. 

Ela foi resgatada depois de se esconder sozinha num terreno vazio, que fica perto do local das agressões, e encaminhada para atendimento no Hospital Veterinário da Universidade Estácio, na Vargem Pequena, zona sudoeste do Rio. O hospital também funciona como clínica-escola dos alunos que cursam medicina veterinária na universidade.

De acordo com a polícia civil, os seis adultos responderão por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos mesmos crimes. As investigações seguem para o completo esclarecimento do caso.

Agressão, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres é considerada crime ambiental no Brasil, regido principalmente pela Lei de Crimes Ambientais.



EBC

Arthur Xavier é prata nos 100m costas em competição em Barcelona


O mineiro Arthur Xavier (de apenas 19 anos) faturou a medalha de prata nos 100m costas da classe S14 (deficiência intelectual) neste sábado, 21, no World Series de natação paralímpica em Barcelona (Espanha). Esse foi o terceiro pódio do atleta na competição. O primeiro foi o ouro nos 100m livre, com 50s90. Depois, a medalha dourada foi nos 200m livre, com 1min55s75.

O campeão da prova deste sábado na Espanha foi Inigo Sanz, da classe S8 (limitações físico-motoras), com 1min06s27. O bronze ficou com Albert Gelis, da classe S11 (deficiência visual), com 1min06s08. As provas do World Series são disputadas no formato multiclasses, em que atletas de diferentes classes competem na mesma série. As classificações às finais e a definição das medalhas são feitas por meio do Índice Técnico da Competição (ITC).

Além da conquista do mineiro, o país obteve neste sábado uma prata da paranaense Laura Sanches, 17, na disputa entre jovens dos 100m costas, também da classe S14. A nadadora completou dos 100m costas feminino em 1min13s69 e somou 807 pontos, marca que lhe rendeu a segunda colocação. O ouro foi da espanhola Anastasiya Dmytriv, classe S9 (limitações físico-motoras), com 1min14s13, e o bronze, da também espanhola Yaiza Orive, classe S10 (limitações físico-motoras). A brasileira Laura já havia obtido um ouro entre os jovens na disputa dos 100m livre.

Com mais essas duas conquistas deste sábado, penúltimo dia das disputas, o Brasil soma quatro medalhas entre adultos (três ouros e uma prata) e duas (ouro e prata) no juvenil desde o início da competição.

Ao todo, cinco atletas brasileiros disputam o World Series de natação em Barcelona.



EBC

Matheus Lima fecha Mundial Indoor em sétimo nos 400m na Polônia


O brasileiro Matheus Lima é o sétimo mais rápido do mundo na prova dos 400 metros rasos. O corredor fechou a distância em 46s17 na final do Mundial Indoor de Atletismo disputado em Torun, na Polônia.

Um dia após bater o recorde sul-americano da prova (com 45s71), o atleta do Pinheiros não conseguiu manter o ritmo da decisão deste sábado (21). Meio segundo mais lento em relação ao dia anterior, ele foi o terceiro em sua bateria e terminou na sétima posição geral.

O ouro foi do canadense Christopher Morales Williams com 44s76, recordista do campeonato e único a correr abaixo dos 45 segundos. O norte-americano Khaleb McRae foi o segundo melhor, com 45s03. O bronze ficou com Jereem Richards, de Trinidad e Tobago, com 45.39.

Matheus Lima já era dono dos quatro melhores tempos da história da América do Sul na prova e foi o sexto colocado no Mundial de Nanjing (China) em 2025. Na ocasião, ele quebrou o recorde brasileiro e sul-americano dos 400 metros (45.79).

Nesta temporada, Matheus venceu o Sul-Americano Indoor de Cochabamba, em 28 de fevereiro, com o tempo de 45.82, resultado muito próximo de seus recordes.

O Mundial de 2026 segue até este domingo (22). O Brasil participa com 19 atletas: Ana Carolina de Jesus Azevedo (60 m), Gabriela Silva Mourão (60 m), Ketiley Batista (60 m com barreiras), Vitória Sena Batista Alves (60 m com barreiras), Julia Aparecida Rocha Ribeiro (400 m), Rita de Cassia Ferreira Silva (400 m), Juliana de Menis Campos (salto com vara), Ana Caroline Miguel da Silva (arremesso do peso), Erik Felipe Barbosa Cardoso (60 m), Gabriel Aparecido dos Santos Garcia (60 m), Matheus Lima da Silva (400 m), Emerson Vieira do Nascimento (400 m), Guilherme Rodrigues Santana Orenhas (800 m), Eduardo dos Santos Rodrigues de Deus (60 m com barreiras), Thiago Resende Ornelas dos Santos (60 m com barreiras), Almir Cunha dos Santos (salto triplo), Elton Junio dos Santos Petronilho (salto triplo), Welington Silva Morais (arremesso do peso) e José Fernando Ferreira Santana (heptatlo).



EBC