Negociações entre EUA e Irã entram em “fase técnica”


As negociações diretas entre EUA e Irã entraram na “fase técnica” e deverão se prolongar por toda a noite em Islamabad, no Paquistão, segundo informações da agência Lusa.

Neste momento, as autoridades dos dois países estão discutindo os detalhes finais de um possível acordo.

De acordo com a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, as questões ligadas ao Estreito de Ormuz continuam sendo o maior ponto de divergência entre as duas partes.

O estreito é a passagem por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e está bloqueada pelos iranianos no momento. Trump exige que a região seja reaberta.

O Irã também reivindica o desbloqueio dos ativos do país e uma indenização pelos ataques feitos pelos norte-americanos e israelenses.

Ainda de acordo com a Tasnim, os enviados dos Estados Unidos fazem demandas consideradas excessivas pelos representantes iranianos. Washington ainda não se manifestou sobre o avanço das tratativas.

As delegações dos EUA e do Irã estão reunidas num hotel no Paquistão, desde a manhã deste sábado (11), para negociações pela paz.

Na terça-feira (7), o presidente Donald Trump decretou cessar-fogo para que norte-americanos e iranianos pudessem tentar chegar a um acordo.

*Com informações das agências Lusa e Reuters.



EBC

MPF aciona Justiça Federal para impedir remoção de comunidade caiçara


O Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, quer que o conflito fundiário entre uma comunidade caiçara de Barra de Guaratiba, na zona oeste da cidade, e o Exército, seja tratado como uma questão coletiva e não um conjunto de disputas individuais pela posse de terra.

Nessa sexta-feira (10), o MPF apresentou à solicitação à Justiça Federal. No pedido, o MPF defende a “mediação como caminho para garantir os direitos de todas as partes envolvidas”.

Além disso, pede que a disputa entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e cerca de 70 famílias caiçaras de Guaratiba seja transferido da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro para a Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A instância tem experiência em mediar conflitos fundiários, segundo o MPF.

A expectativa é evitar a remoção imediata da comunidade e construir uma solução que concilie a proteção do patrimônio público do Exército e os direitos dos moradores.

O pedido do MPF é baseado na ação de despejo forçado contra uma moradora local, por alegada invasão de área onde se encontra o CTEx, apesar de o centro tecnológico ter sido erguido em Guaratiba, em 1987, posterior à ocupação das terras.

Em grande parte, as ocupações locais são construções simples, o que reforça a vulnerabilidade social das famílias. O centro é responsável por desenvolver material bélico.

Além do caso dessa moradora, tramitam ao menos 26 ações de reintegração de posse de famílias caiçaras estabelecidas no entorno do CTEx e cerca de 50 notificações extrajudiciais pedindo remoção de casas da comunidade, de acordo com o MPF.  

O órgão defende que as ocupações são marcadas por uma identidade comum e não devem ser removidas. A região é historicamente ocupada por pescadores que comercializam a produção artesanal com restaurantes da região especializados em frutos do mar.

“A quantidade de famílias envolvidas e a identidade das ocupações evidenciam um litígio de natureza coletiva, que demanda solução estruturada e não medidas fragmentadas”, destacou o procurador Regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo.

O caso envolve sete comunidades tradicionais: Olaria, Poço das Pedras, Pernambuco, Bolsão do Índio, Itapuca, Araçatiba e Varginha, onde famílias receberam notificações extrajudiciais com prazo de 30 dias para deixar as residências, mas sem alternativa habitacional. A medida afronta a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo o MPF, que reconhece vínculos desses povos com os territórios.

“O respeito aos territórios independe da sua regularização formal pelo Estado, devendo prevalecer uma compreensão intercultural dos direitos fundamentais”, afirma o pedido, articulado pela Defensoria Pública da União, à qual os moradores recorreram.

No fim de 2025, uma ação do Exército fechou o tradicional restaurante Tropicana, de cozinha caiçara, mantido por moradores locais, alegando que o estabelecimento funcionava dentro da área militar. Na época, os donos do restaurante alegaram que não houve tempo para reação judicial e que ficaram “sem ter onde trabalhar”.

Procurado, o Exército não comentou o pedido do MPF. A reportagem permanece aberta para incluir o posicionamento da instituição.



EBC

Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas


O aumento dos casos de influenza A tem causado preocupação, mas esse não é o único agente infecioso que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), uma infecção ainda pouco conhecida. 

Neste segundo trimestre, a expectativa é de aumento. De fevereiro a março, o VSR correspondeu a 14% dos casos de síndrome com vírus confirmados, de acordo com o Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

De março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, de março a agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente. 

Já dados de laboratórios privados sobre pacientes com quadros leves e graves, mostram que, na semana encerrada em 4 de abril deste ano, 38% dos testes positivos para algum vírus acusaram o VSR. Essa proporção é 12 pontos maior do que a verificada na primeira semana de março, de acordo com informações reunidas pelo Intituto Todos pela Saúde.

Dados subestimados

Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rosemeri Maurici, esses números são apenas “a ponta do iceberg” e o risco do VSR é subestimado, especialmente em adultos e idosos. 

Ela explica que a testagem contra o VSR só começou a ser feita em maior escala, no Brasil, a partir da pandemia de covid-19, por isso, o impacto real da doença ainda não é totalmente conhecido. 

“Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda agrave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável.”

Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, em apenas um terço, ou seja, em 9.079, o vírus causador foi identificado. E quase 17% não foram sequer testados. 

Além disso, como o VSR é o principal causador da bronquiolite, uma inflamação nos pulmões que acomete principalmente os bebês, muitas pessoas acham que o vírus não atinge adultos. 

De fato, dos 1.651 casos graves de infecção por VSR registrados de janeiro a março, 1.342 foram em menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, apenas 46 casos foram confirmados. 

Mas a médica ressalva que, em pacientes adultos, a carga viral do VSR diminui após 72 horas da infecção, o que dificulta a detecção do vírus. Já as crianças demoram mais para eliminar o invasor, o que propicia janela maior de diagnóstico. Para ela, isso também influencia as estatísticas.

Comorbidades

Os dados de mortes, por outro lado, mostram uma relação bem menos desigual: foram 27 no total este ano, sendo 17 em bebês de até 2 anos, e sete entre idosos com 65 anos ou mais. De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento pesa nessa conta, assim com as comorbidades adquiridas ao longo da vida. 

“Só com o avanço da idade, a gente já tem a imunosenescência, que é o declínio do sistema imunológico, ou seja, mais chance de ter doenças infecciosas. Acontece que, no Brasil, também se envelhece com doenças crônicas.” 

Segundo a pneumologista, a essa população se soma muitos pacientes que por muito tempo fumaram e ingeriram bebida alcoólica.

Idosos mais propensos

Por esse conjunto de fatores, os idosos são mais propensos a desenvolver quadros mais graves de diversas doenças. Mas dados da literatura médica apresentados por Maísa, mostram que o VSR representa um risco especial. 

O paciente idoso com VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia, e duas vezes mais chances de precisar de UTI e intubação e de vir a óbito, na comparação com a influenza. 

As duas especialistas participaram na última terça-feira (7), do seminário “Impacto do VSR na população 50+”, organizado pela farmacêutica GSK para jornalistas, em São Paulo. O evento também debateu algumas condições de saúde que inspiram ainda mais cuidados entre esse público. 
 


Rio de Janeiro (RJ), 10/04/2026 - Especialistas participam do seminário

Especialistas participam do seminário “O impacto do VSR na população 50+” – GSK/Divulgação

O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Múcio Tavares ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus essencial respiratório ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular. 

“As doenças virais respiratórias, costumam levar a eventos cardiovasculares e cérebro-vasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso tudo acontece porque a infecção viral causa uma inflamação sistêmica no organismo”, explicou.

O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade dos pacientes com diabetes, pois a maior concentração de glicose no sangue torna o paciente mais suscetível a infecções e agravamentos. 

“Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e o tratamento estável há algum tempo. Aí ele contrai uma infecção, que gera uma resposta inflamatória exacerbada e ele não só precisa ser hospitalizado como também passa a precisar de um tratamento mais complexo”, acrescenta. 

Outro grupo de alto risco é o das pessoas com doenças respiratórias crônicas como asma grave e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). De acordo com a professora da UFSC, Rosemeri Maurici, o impacto de uma internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade desses pacientes morrerem em até três anos. 

“Além disso, ele começa a sofrer a perda da função pulmonar de forma acelerada. E esses pacientes, uma vez internando, a probabilidade de eles internarem novamente é muito grande.” 

Vacinação

O VSR, e especialmente o agravamento da infecção, pode ser prevenido com vacinação, mas os imunizantes contra o vírus para a população adulta, por enquanto, estão disponíveis apenas na rede privada.

Por enquanto, o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde oferece apenas a vacina para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida. 

A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. 

A professora da UFSC Rosemeri Maurici, que também é coordenadora da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sugere que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde
 

*A repórter participou do seminário a convite da GSK
 



EBC

Ipea faz pesquisa para combater desinformação sobre políticas públicas


Servidores públicos que ocupam cargo em comissão ou função de confiança da administração pública federal devem participar de pesquisa inédita sobre os efeitos das campanhas de desinformação na internet contra políticas públicas.

A iniciativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os servidores que compõem o universo do estudo receberam, no começo de abril, pelo aplicativo SouGov, convite para participar do estudo.

As respostas serão aceitas até o dia 2 de junho. O preenchimento do questionário leva cerca de 15 minutos. A pesquisa é anônima e confidencial, sem coleta de dados pessoais, e está de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados e com a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Saúde para levantamentos em ciências humanas e sociais.

Além do debate eleitoral

Divulgação do Ipea explica que o interesse sobre o tema se deve ao fato que “a desinformação deixou de ser um fenômeno restrito ao debate eleitoral ou às redes sociais e passou a impactar diretamente a formulação, a implementação e a legitimidade das políticas públicas”.

De acordo com o instituto, a pesquisa Desinformação e Políticas Públicas tem os seguintes propósitos:

  • mapear como servidores e gestores públicos percebem, vivenciam e lidam com episódios de desinformação no cotidiano institucional, bem como os impactos desse fenômeno sobre os processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas;
  • conhecer efeitos sobre a exposição a informações imprecisas ou enganosas, e as estratégias existentes (ou ausentes) de enfrentamento à desinformação no âmbito dos órgãos federais;
  • avaliar a gravidade da desinformação para a sociedade e para as políticas públicas e os impactos da desinformação sobre decisões, comunicação e implementação de políticas.

O relatório final deverá ser apresentado em novembro, após o período eleitoral.



EBC

Papa pede fim da guerra, enquanto EUA e Irã negociam paz


O papa Leão XIV apelou aos líderes mundiais para que acabem com o que ele chamou de “loucura da guerra”, neste sábado (11), dia em que as principais autoridades dos EUA e do Irã se reúnem no Paquistão para discutir o fim do conflito que já dura seis semanas.

Em uma vigília especial de oração na Basílica de São Pedro, o primeiro papa norte-americano condenou o uso da linguagem religiosa para justificar a guerra e disse que a “ilusão de onipotência que cerca o mundo está se tornando cada vez mais imprevisível”.

Ao fazer um apelo direto aos líderes mundiais, ele disse: “Parem! É hora da paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearmamento”.

Conhecido por escolher suas palavras com cuidado, Leão surgiu como um crítico declarado da guerra do Irã.

Neste sábado, ele usou linguagem vigorosa para denunciar o conflito, citando cartas de crianças em zonas de guerra que, segundo ele, descreviam “horror e desumanidade”.

O papa também fez referência à oposição da Igreja à invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003, citando um apelo do falecido papa João Paulo II feito quatro dias antes do início do conflito.

“Chega da idolatria do eu e do dinheiro! Chega de exibição de poder! Chega de guerra!”

O papa, que em 30 de março disse que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as “mãos cheias de sangue”, denunciou novamente neste sábado o uso da linguagem cristã para justificar a guerra.

“O equilíbrio dentro da família humana foi severamente desestabilizado”, disse Leão. “Até mesmo o santo Nome de Deus, o Deus da vida, está sendo arrastado para discursos de morte.”

Declarações anteriores do papa foram interpretadas por comentaristas católicos conservadores como sendo dirigidas ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.

O serviço especial de oração deste sábado foi anunciado pelo papa no último domingo, na mensagem de Páscoa do papa.

*Proibida a reprodução deste conteúdo.



EBC

Miguel Pupo abre temporada do surfe com vitória em final brasileira


A nova temporada da Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês) iniciou da melhor forma possível para o Brasil. Na madrugada deste sábado (11), o paulista Miguel Pupo conquistou a etapa de Bells Beach (Austrália), que abriu a edição 2026 do circuito mundial, derrotando o paranaense Yago Dora, atual campeão, na final masculina.

Além da decisão 100% verde e amarela, o top-5 teve outros dois brasileiros: os paulistas Gabriel Medina, que ficou em terceiro, e Samuel Pupo, irmão de Miguel, que foi o quinto colocado. O norte-americano Griffin Colapinto, vice-campeão em 2025, ocupou a quarta posição.

Miguel caiu na água cinco vezes em Bells Beach. Nas duas primeiras rodadas, venceu surfistas da casa (os australianos Joel Vaughan e George Pittar). Nas quartas de final, levou a melhor sobre Barron Mamiya, do Havaí (na WSL, os atletas havaianos competem a parte dos Estados Unidos). Em seguida, derrotou Colapinto na semifinal.

No surfe, a pontuação que define o ganhador se dá pela soma das duas maiores notas recebidas pelos atletas ao longo da bateria. Na final, Yago até começou melhor, obtendo notas 6.17 e 7.73, alcançando 13.90 de somatória logo nas duas primeiras ondas.

Miguel, com um 7.50 na primeira manobra, precisou de mais quatro tentativas para emplacar um 8.10, que o colocou à frente, com 14.75, obrigando o atual campeão a se arriscar, sem sucesso. No fim, vitória do paulista, a primeira dele em uma etapa da WSL.

Na disputa feminina, o triunfo foi da havaiana Gabriela Bryan, que superou a australiana Molly Picklum na final. A brasileira Luana Silva, que nasceu no Havaí e escolheu representar o país dos pais, caiu na segunda rodada, justamente para Bryan. A gaúcha Tatiana Weston-Webb, medalhista olímpica de prata nos Jogos de Paris (França), em 2024, está fora do circuito em 2026 para focar na maternidade. Ela retornará em 2027.

O circuito segue na Austrália as disputas em Margaret River, a partir da próxima quinta-feira (16). Ao todo, são 12 etapas na temporada. Uma delas, no Brasil, entre os dias 19 e 27, em Saquarema (RJ).



EBC

Ações em ferros-velhos prendem 270 pessoas por receberem cobre ilegal


A Operação Caminhos do Cobre para combate ao furto e receptação de cabos de cobre e metais no Rio de Janeiro já promoveu mais de 580 fiscalizações em ferros-velhos. No total, cerca de 270 pessoas foram presas e mais 300 toneladas de fios de cobre e outros materiais metálicos foram apreendidas. 

A ação ocorre desde 2024 e é um desdobramento de investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). 

As prisões, a maioria de responsáveis pelos estabelecimentos fiscalizados, ocorreram após a identificação de materiais sem procedência ou ligados a atividades criminosas.

As investigações estão voltadas também ao combate financeiro contra as organizações criminosas. Houve a solicitação do bloqueio de cerca de R$ 240 milhões em bens e valores. São R$ 75 milhões em multas aplicadas aos donos de ferros-velhos.

A Radioagência Nacional também acompanha o assunto:
 

De acordo com o titular da DRF, Thiago Neves, o foco é atingir toda a cadeia envolvida, desde quem pratica o furto até os receptadores e empresas que lucram com o material ilegal. 

“Ao sufocar financeiramente essas estruturas, a gente enfraquece também os grupos criminosos que usam esse dinheiro para financiar outras atividades ilícitas.”

O combate ao furto de cabos ajuda a evitar problemas como queda de energia, falhas na internet e interrupções nos serviços de telefonia, prejudicando à população.

As investigações apontam ainda que organizações criminosas têm utilizado ferros-velhos clandestinos como forma de camuflar atividades ilegais e financiar facções ligadas ao tráfico de drogas.
 



EBC

Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro


O Festival das Culturas Indígenas do Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, começa neste sábado (11) e vai até domingo (12), promete mobilizar o público mais uma vez mostrando os saberes, as vivências e a força dos povos originários.

Nesta 3ª edição, as atividades terão as presenças de representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã, que vão coordenar experiências de vida, além de apresentar rituais, danças e músicas ancestrais. A programação gratuita inclui uma feira gastronômica.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Desta vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

No mesmo dia, a programação prevê, ainda, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina com técnicas de modelagem de panelas de barro, que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Das 12h30 às 13h, haverá demonstrações sobre os rituais da Festa das mulheres – Yamurikumã, com danças, cânticos e pinturas com jenipapo e urucum que fazem parte da tradicional cerimônia.

Também no sábado, às 15h30, o pescador e artesão da aldeia Kamayurá, do Parque Indígena do Xingu, Taware Kamayurá, vai contar histórias e trazer informações sobre rituais ancestrais como o Kuarup. Todas as atividades do museu são gratuitas e estão sujeitas a lotação.

Exposição

Um dos destaques do Festival das Culturas Indígenas este ano é a exposição individual Roraimarte III de Gustavo Caboco, artista indígena do povo Wapixana, que nasceu em Curitiba e, aos 10 anos, mudou para Roraima. Na visão do artista, essa apresentação no Rio é importante porque faz parte da pesquisa que vem realizando sobre as histórias Wapixana, que se junta à exposição Macunaíma é Duwid, em São Paulo, com outras que ocorrem em malocas, em Roraima.

“É uma exposição que acaba conectando outros territórios”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Os deslocamentos de indígenas para vários territórios e a produção de memória a partir de uma inusitada conexão entre o Monte Roraima, considerado local sagrado para povos amazônicos, e o planeta Marte, é o foco da mostra Roraimarte III, com fotografias, pinturas e esculturas que evidenciam esses processos. A abertura está marcada para este sábado, às 15h. O artista estará presente para uma conversa, acompanhado dos curadores da mostra e diretores do Museu do Pontal, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Caboco contou que essa conexão surgiu a partir da nomeação dada pela Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, a uma parte do território de Marte que se chama Roraima, uma vez que se constatava, semelhança do solo de lá com o do Monte Roraima e do conceito que o povo Wapixana tem de que o Monte Roraima é a origem do mundo.

“Tenho trabalhado muito para não apagar a memória Wapixana e de como a arte pode fortalecer relações dentro do campo indígena”, disse Caboco, acrescentando que esta ação reforça o envolvimento dos jovens indígenas nas suas próprias culturas.

Gustavo Caboco, disse que despertou para a arte depois de ganhar uma máquina fotográfica da mãe, que é Wapixana. Ela, que aos 10 anos foi raptada por uma missionária e levada para Boa Vista, passou a trabalhar como doméstica. Já adulta se mudou para Curitiba e 30 anos depois, ao voltar com o filho ainda menino para o território Wapixana, queria que ele fizesse fotos para guardar a memória do seu povo. “Considero hoje como um primeiro trabalho que tem a proposta desse retorno à maloca, à terra que me situa no mundo”, revelou.

Caboco falou ainda que outra influência que recebeu da mãe vem do tempo que a acompanhava ao ateliê de costura que ela montou em Curitiba. Lá costumava ouvir as histórias guardadas na memória dela de como era a vida na maloca e sobre a paisagem de Roraima.

Para o diretor executivo do Museu, Lucas Van de Beuque, trazer essa exposição ao Museu do Pontal é especialmente oportuno nesse momento de retomada das missões espaciais no âmbito do Programa Artemis, que marca um novo ciclo da exploração espacial e a presença humana na Lua.

“Se, por um lado, essas iniciativas apontam para a expansão dos horizontes tecnológicos, científicos e cosmológicos, por outro, também reativam questões históricas ligadas à ocupação, nomeação e disputa de territórios, agora projetadas para além da Terra”, informou à Agência Brasil.

Gustavo Caboco destacou outra característica dos Wapixanas. Como eles estão situados na fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa têm fluência nos dois idiomas. “O nosso povo se dividiu, e hoje tem pessoas Wapixanas falantes de inglês porque cresceram na parte da Guiana e outras falam português, mas a nossa língua Wapixana também é viva nesses dois países”, pontuou.

Para a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, a produção de Gustavo Caboco é belíssima e plasticamente muito impactante porque transforma o pensamento dele em obra de arte e provoca no público o desejo de conhecer as questões que o artista traz.

“O fato dele traz uma discussão sobre os deslocamentos forçados e sobre mundos diversos que se conectam levam a uma atualidade muito grande para o que estamos vivendo como população mundial mesmo. Tem essa atualidade ao mesmo tempo em que fala da sua história de vida”, disse.

“É uma honra estarmos recebendo este artista que também coloca em discussão o que é ser indígena hoje desmontando estereótipos que por tanto tempo serviram de base para se pensar a questão indígena”, concluiu.

Crianças e mulheres

O Museu do Pontal costuma dedicar parte da programação dos seus eventos a atividades infantis. Dessa vez, vai ter integração com crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, na região metropolitana do Rio, que apresentarão brincadeiras tradicionais neste sábado, a partir das 10h.

A programação prevê, ainda, no mesmo dia, uma agenda para as mulheres, que vão poder participar, às 11h30, de uma oficina de panelas de barro que será apresentada por indígenas do povo Wauja, de Mato Grosso. Às 12h30, elas apresentam a Festa das mulheres – Yamurikumã, ritual que celebra a força das mulheres do Alto Xingu.

No domingo (12) a programação para crianças continua com sessões às 10, 11h e 12h. A atividade Bebês no Museu do Pontal será com a contadora de histórias Mel Xakriabá. Ela vai apresentar na roda de musicalização, cantos e instrumentos da nação Xakriabá, um dos poucos grupos indígenas que habitam Minas Gerais.

O público vai ser incentivado ainda a aprender, às 10h30, a arte de fazer petecas com Carmel Puri. A partir das 15h, será a vez da artesã Ana Lucia Guajajara, que nasceu na Aldeia Morro Branco, no Maranhão, coordenar uma oficina de colares de sementes. A indígena vai explicar os significados sagrados dessas peças.

Música

Neste sábado, a programação musical ficará por conta do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita, às 16h30, e do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai, no domingo, às 16h.

Educadores indígenas

A curadoria do festival é dos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Formada em pedagogia, pesquisadora de grafismos de outras etnias e agricultora urbana, a arte-educadora Carmel é também coordenadora do coletivo feminino Sementes da Terra, projeto que incentiva o plantio de sementes fora dos territórios indígenas.

Pacary Pataxó, que nasceu na aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, foi para o Rio quando já era adulto. A intenção com a mudança era divulgar a cultura de seu povo.

Palestrante, oficineiro, empreendedor, Pacary põe em prática, especialmente, nas escolas, a Lei 11.645/8, que obriga o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio no Brasil.

Por meio dos cantos, dança, pintura corporal e contação de história, o educador indígena reforça a necessidade de preservação da natureza, da cultura de seu povo e dos povos originários.

“Esse festival é atravessado por uma programação que por um lado foca nos rituais, mas também na dança, no corpo nos cantos nas formas associativas que acontecem nas comunidades indígenas brasileiras. É de uma riqueza enorme poder trazer para o público essas experiências”, observou a diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani à Agência Brasil.

A manutenção do Festival, que já está na terceira edição, segundo Angela, resulta do interesse do público por informações sobre a cultura indígena e os povos originários de muitas etnias diferentes.

“É um universo complexo, amplo e diverso com muitas variações, desde de indígenas aldeados até os urbanos. Achamos muito importante, porque o Museu é voltado para a difusão das camadas populares e a gente inclui a população indígena. Há uma grande importância”, disse à Agência Brasil.

A diretora destacou que o Museu também tem um foco educativo e por isso realiza excursões de estudantes em todas as exposições do espaço cultural. Angela acrescentou que o fato de ter dois educadores indígenas na curadoria do festival, dá uma tranquilidade de que o Museu está no caminho certo.

“São educadores, são indígenas, pessoas que trazem a sua história de vida como vivência de corpo, como vivência de experiência, como seu primeiro plano. Para o público, é muito interessante ter esse contato”, completou.

Museu do Pontal

Localizado na Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca, o Museu do Pontal é considerado o maior e mais significativo espaço de arte popular do país. O acervo, resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, é composto por mais de dez mil peças de 300 artistas, produzidas a partir do século 20.

Como chegar

Para chegar ao museu, os visitantes têm a opção de usar vans gratuitas que sairão da estação de metrô Jardim Oceânico, no acesso A – Lagoa, com uma parada no New York City Center.

As saídas regulares são das 10h às 17h, no sábado e domingo, e as vans estarão disponíveis para retorno até o fim do evento. Como o estacionamento estará fechado, o museu recomenda utilizar o transporte oficial do festival, que por meio da Lei Rouanet, é patrocinado pela Shell Brasil que comemora 113 anos de presença no país.



EBC

Censo: 50% de alunos cotistas nas federais concluem graduação


O Censo da Educação Superior (2024), organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 49% dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica concluíram a graduação – índice superior ao registrado entre os demais ingressantes, que foi de 42%.

O Censo indica ainda que a maior parte dos estudantes que ingressam no ensino superior por ações afirmativas concluem seus cursos e são diplomados. 

O Censo da Educação Superior (2024), organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 49% dos alunos que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais e em instituições da rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica concluíram a graduação – índice superior ao registrado entre os demais ingressantes, que foi de 42%.

O desempenho desses estudantes reforça o sucesso de políticas de ampliação do acesso à educação superior, articuladas pelo Ministério da Educação (MEC).

Os dados do Censo demonstram que, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas, o que ampliou a presença, especialmente nas universidades federais, de grupos historicamente excluídos desses espaços. Somente em 2024, esse número foi de 133.078 estudantes.

A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Nos processos seletivos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram em cursos de graduação desde a adoção desses mecanismos. A implementação da modalidade no Sisu surge com a criação da Lei de Cotas. Regras específicas também foram criadas para o Prouni e, mais recentemente, para o Fies.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. Somente de 2023 a 2026, esse número alcançou a marca de 307.545 estudantes.

O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a sua primeira edição, em 2005, até o ano passado, já beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Em 2024, foi a vez do Fies também passar a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais, passou por atualizações no ano de 2023, sendo aprimorada com a criação de cota específica para quilombolas. Além disso, ampliou as oportunidades para a população de menor renda, ao diminuir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem a comprovação do critério econômico.

Outro destaque foi a preservação do critério de origem escolar, com a exigência de que os três anos do ensino médio tenham sido cursados em escola pública para todos os tipos de cotas. Além de valorizar mais a escola pública, essa medida contempla um espelhamento da diversidade existente nas redes públicas de educação básica, que anteriormente não se refletia nas universidades.

No critério de origem escolar, a nova legislação incluiu, ainda, as escolas comunitárias que atuam em educação do campo, conveniadas com o poder público.

O desempenho dos estudantes reforça o sucesso de políticas de ampliação do acesso à educação superior, articuladas pelo Ministério da Educação (MEC).

Os dados do Censo demonstram que, entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de pessoas ingressaram em instituições federais de ensino por meio de políticas de reserva de vagas, o que ampliou a presença, especialmente nas universidades federais, de grupos historicamente excluídos desses espaços. Somente em 2024, esse número foi de 133.078 estudantes. A maior parte das matrículas ocorreu em universidades, que registraram 110.196 alunos cotistas, enquanto 22.587 foram contabilizados em instituições da rede federal.

Nos processos seletivos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram em cursos de graduação desde a adoção desses mecanismos.

A implementação da modalidade no Sisu surge com a criação da Lei de Cotas. Regras específicas também foram criadas para o Prouni e, mais recentemente, para o Fies.

Com o Sisu, mais de 790,1 mil estudantes conseguiram ingressar em universidades públicas por meio da Lei de Cotas. Somente de 2023 a 2026, esse número alcançou a marca de 307.545 estudantes. O Prouni foi pioneiro na implementação de ações afirmativas e, desde a sua primeira edição, em 2005, até o ano passado, já beneficiou mais de 1,1 milhão de autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

Em 2024, o Fies também passou a ofertar vagas para cotistas, garantindo o ingresso de 29,6 mil estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais, passou por atualizações no ano de 2023, sendo aprimorada com a criação de cota específica para quilombolas. Além disso, ampliou as oportunidades para a população de menor renda, ao diminuir de 1,5 para um salário mínimo o limite da renda mínima per capta para quem opta por cotas que exigem a comprovação do critério econômico.

Outro destaque foi a preservação do critério de origem escolar, com a exigência de que os três anos do ensino médio tenham sido cursados em escola pública para todos os tipos de cotas. Além de valorizar mais a escola pública, essa medida contempla um espelhamento da diversidade existente nas redes públicas de educação básica, que anteriormente não se refletia nas universidades.

No critério de origem escolar, a nova legislação incluiu, ainda, as escolas comunitárias que atuam em educação do campo, conveniadas com o poder público.



EBC

Reforma tributária expõe desafios em automatização de empresas


Os desafios da reforma tributária começam a expor fragilidades na operação fiscal das empresas. A menos de nove meses do início da entrada em vigor do Imposto sobre Valor Adicionado Dual (IVA dual), grande parte das companhias enfrentam processos lentos e dependência de tarefas manuais.

Levantamento da V360, empresa que ajuda outras companhias a automatizar o pagamento de fornecedores, mostra que 62,2% das empresas levam mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal no sistema, enquanto 22,3% ultrapassam 30 dias.

Ao mesmo tempo, 87% das companhias afirmam ter alto nível de automação fiscal, um contraste que evidencia o que especialistas chamam de “falsa automação”, quando processos são digitais, mas ainda exigem intervenção humana.

Apesar do avanço tecnológico, a adaptação ao novo modelo deve pressionar ainda mais estruturas consideradas pouco eficientes. O dado revela gargalos relevantes justamente no momento em que o país se prepara para mudanças profundas no sistema tributário. 

A pesquisa ouviu 355 profissionais de médias e grandes empresas, a maioria com alto volume operacional. Do total de companhias pesquisadas, 63% processam mais de 10 mil notas fiscais por mês.

Automação parcial e atrasos

Na prática, a automação ainda é incompleta. Embora 61% das empresas consigam capturar notas fiscais automaticamente, apenas 49% fazem o registro no sistema sem ação manual.

Isso acontece porque o Enterprise Resource Planning (ERP) depende de integrações e validações adicionais para funcionar plenamente no ambiente tributário brasileiro. Traduzido como Recurso de Planejamento Empresarial em português, o ERP funciona como espécie de cérebro para empresas.

“Muitas empresas acreditam que estão automatizadas, mas ainda dependem de pessoas para validar dados e concluir processos”, afirma o presidente-executivo (CEO) da V360, Izaias Miguel. “O documento entra automaticamente, mas ainda precisa de ajustes e conferências antes de seguir no sistema.”

Riscos operacionais

O estudo também aponta falhas na validação das notas fiscais. Apenas 48% das empresas fazem conferência completa; comparando itens, valores e quantidades com pedidos de compra.

Outras 44% realizam checagens parciais, enquanto 8% ainda operam de forma totalmente manual.

Esse cenário aumenta riscos como pagamentos indevidos, erros fiscais e perda de controle interno, especialmente em empresas com grande volume de fornecedores.

“O tempo entre a emissão e o registro da nota é um termômetro claro de eficiência. Quando leva semanas, há acúmulo de exceções e retrabalho”, diz Miguel.

Pressão com a reforma

A chegada do novo modelo tributário tende a agravar esse cenário. As empresas terão de adaptar sistemas para operar com regras antigas e novas simultaneamente, além de lidar com tributos como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que comporão o IVA Dual.

Na avaliação do CEO da V360, o principal desafio não está apenas em entender a reforma, mas em executá-la dentro de estruturas complexas e pouco integradas.

“O estudo mostra fragilidades importantes nos processos de validação: menos da metade das empresas fazem uma checagem completa das notas fiscais contra pedidos de compra, enquanto o restante opera com validações parciais ou manuais. Esse cenário aumenta o risco de erro”, diz Miguel.

Fase de testes

Em 2026, a reforma tributária está em forma de testes, com as empresas cobrando uma alíquota simbólica de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS que serão deduzidas dos tributos atuais <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/reforma-tributaria-entra-em-fase-de-testes-em-2026>.  A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e de IBS subirão.

Mesmo com alíquotas simbólicas, as obrigações acessórias são imediatas. As empresas deverão destacar a CBS e o IBS nas notas fiscais, preencher novos campos obrigatórios e informar corretamente a classificação fiscal de produtos e serviços. Em dezembro, a Receita Federal suspendeu as multas por falta da discriminação dos dois novos tributos nas notas fiscais até o quarto mês seguinte à regulamentação da CBS e do IBS <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/multa-por-falta-de-cbs-e-ibs-em-notas-e-suspensa-no-inicio-de-2026>.

Segundo Miguel, nesse cenário, a automação deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a ser estratégica. “Empresas mais eficientes tendem a ganhar agilidade para lidar com as mudanças, enquanto aquelas com processos fragmentados podem enfrentar mais custos, erros e dificuldades de adaptação”, diz.



EBC