Câmara aprova redução de tributos para indústria química


A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (10), o projeto de lei complementar que estabelece alíquotas de transição menores para as indústrias química e petroquímica participantes de regime fiscal especial até sua migração para um novo regime com vigência em 2027. Com a medida, o governo federal deve elevar de R$ 1 bilhão para R$ 3,1 bilhões o orçamento destinado ao Regime Especial da Indústria Química (Reiq) para este ano.

A proposta será, agora, enviada para análise do Senado.

Segundo o texto, as alíquotas referentes ao pagamento menor de tributos federais (PIS e Cofins) valerão de março a dezembro deste ano e substituem outras vetadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por falta de previsão de impacto orçamentário. 

O Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) foi sancionado no fim do ano passado, com vetos, e visa reduzir custos de produção da indústria química por meio da redução das alíquotas.

O projeto aprovado nesta terça-feira limita a renúncia fiscal este ano a R$ 2 bilhões, mas isenta a proposta de critérios para tramitação recém incluídos na Lei de Responsabilidade Fiscal e na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Outros R$ 1,1 bilhão bancarão créditos tributários adicionais previstos na legislação para as centrais petroquímicas e indústrias químicas participantes do Reiq.

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Alíquotas

O texto vetado pelo governo previa aplicação de alíquotas de 0,67% de PIS e 3,08% de Cofins nos meses de novembro e dezembro de 2025, baixando para 0,54% e 2,46%, respectivamente, em todo este ano.

O projeto aprovado pela Câmara, além de limitar a renúncia, propõe alíquotas de 0,62% e 2,83% respectivamente de PIS e Cofins de março a dezembro deste ano, um meio termo. Isso valerá para indústrias participantes do Reiq, que será extinto no final do ano. Essas alíquotas se aplicam também à importação com incidência de PIS-Importação e Cofins- Importação.

A renúncia abrange a compra de nafta petroquímica e parafina e vários outros produtos químicos utilizados como insumo pela indústria.

O relator do texto, deputado Afonso Motta (PDT-RS), explicou que a proposta tem caráter transitório para evitar descontinuidade abrupta de política pública previamente instituída, preservando a previsibilidade regulatória e a estabilidade econômica do segmento durante o período de transição.

Segundo o relator, a proposta somente gera impacto fiscal este ano, quando tem renúncia estimada em R$ 3,1 bilhões compensada por ganho de arrecadação e projeção de receita ao longo do ano.

* Com informações da Agência Câmara de Notícias



EBC

Decreto inclui Ligue 180 no Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio


Decreto publicado nesta quarta-feira (11) no Diário Oficial da União integra a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A norma é assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Em nota, o Palácio do Planalto lembrou que o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado no dia 4, estabelece uma atuação coordenada e permanente entre Executivo, Legislativo e Judiciário para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres no país.

“O Decreto nº 12.845 atualiza normas que regulamentam o funcionamento do Ligue 180, aprimorando fluxos, integração institucional e capacidade de resposta às denúncias. A central passa a integrar formalmente o eixo estruturante de prevenção secundária do pacto, como ferramenta estratégica de acolhimento, proteção e prevenção”, explica o Palácio do Planalto.

Atualização

Criado há duas décadas, o Ligue 180 consolidou-se como serviço público essencial no enfrentamento à violência contra as mulheres, com milhões de atendimentos realizados desde sua instituição. 

“A atualização do decreto adequa o marco normativo à evolução do serviço ao longo desses anos”, avaliou a Presidência da República.

“O novo texto reafirma o caráter nacional e interfederativo do serviço, fortalecendo a articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, com interoperabilidade de dados, integração de fluxos e padronização de procedimentos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais”, ressalta.

Entenda

Com a mudança, a Central de Atendimento à Mulher poderá ser acionada por meio de ligações telefônicas locais e de longa distância, de telefones fixos ou móveis, públicos ou particulares, e também por meio de aplicativos de mensagens e outros canais digitais disponibilizados pelo Ministério das Mulheres.

Segundo o decreto, o Ligue 180 e os demais canais estarão disponíveis 24 horas, todos os dias da semana, inclusive fins de semana e feriados locais, regionais e nacionais.

“Os entes federativos poderão aderir formalmente ao sistema da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, mediante acordos de cooperação técnica que assegurem interoperabilidade de dados, integração de fluxos e padronização de procedimentos”, esclarece o Palácio do Planalto.

Atribuições

O decreto também altera trechos das atribuições da Central de Atendimento à Mulher. A partir de agora, o Ligue 180 deverá, após registrar denúncias, direcionar as mulheres em situação de violência à rede de serviços de atendimento e encaminhar às autoridades competentes, quando couber, possível ocorrência de infração penal.

“O Ligue 180 também atuará para disseminar as ações e políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres para as usuárias que procuram o serviço e produzir uma base de informações estatísticas sobre a violência contra as mulheres, com a finalidade de subsidiar o sistema nacional de dados e de informações relativas às mulheres”, destacou o palácio.

Ainda segundo a norma, o número 180 e os demais canais de atendimento serão amplamente divulgados em meios de comunicação, em instalações e estabelecimentos públicos e privados, entre outros.



EBC

Chuvas intensas atingem país; Inmet emite alerta para tempestade no RS


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas intensas ao longo desta quarta-feira (11) na maior parte do país, em especial no Centro-Oeste.

As precipitações alcançam também boa parte da regiões Norte e Sudeste, bem como o oeste do Nordeste – mais especificamente, Maranhão, Piauí e na parte oeste da Bahia. Os volumes chuvosos podem chegar a 50 milímetros (mm) com ventos de até 60 kms por hora.

Alerta

A área de maior risco para onde foi emitido alerta sobre perigo de tempestade até quinta-feira (12) situa-se em localidades ao sul do Rio Grande do Sul, onde os volumes chuvosos podem chegar a 100 milímetros ao longo do dia.

Nas demais áreas gaúchas a expectativa é de tempestades menos intensas, até o dia 12, com volumes chuvosos de até 50 mm e ventos de até 60 km/h.

Há, segundo a Meteorologia, expectativas de queda de granizo em todo o estado, bem como no Paraná e em Santa Catarina.

Na Região Sul e no extremo sul do Mato Grosso do Sul, são esperadas tempestades na sexta-feira (13), com chuvas de até 50 mm e ventos de até 60 km/h.

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Perigo potencial

Há perigo potencial de chuvas intensas de hoje até sexta-feira (13) em áreas do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O volume de chuvas pode chegar a 50 milímetros diários; e os ventos devem atingir a velocidade de 60 km/h.

O Inmet já havia alertado sobre perigo de chuvas ao longo desta quarta-feira em áreas do Pará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Bahia e Minas Gerais. O volume chuvoso pode chegar a 100 mm, com ventos de até 100km/h.



EBC

SBPC entrega prêmio a pesquisadoras de destaque na ciência brasileira


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência entrega, nesta quarta-feira (11) – Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência – o prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher a pesquisadoras com trajetória de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. A entrega será à tarde, em São Paulo.

A data foi criada em 2015, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para conscientizar a sociedade de que a ciência é construída também por meio da igualdade de gênero.

Neste ano, uma das homenageadas na categoria Ciências Biológicas e da Saúde é Luísa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

“Estou nessa categoria e me sinto muito orgulhosa e feliz por estar sendo homenageada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, sobretudo porque há muitas mulheres no nosso país merecedoras desse prêmio”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

Luísa diz que receberá o prêmio com gratidão e vai procurar reconhecer todos os alunos, colaboradores e colegas que, ao seu lado, perseguem esse caminho da ciência no Brasil.

A trajetória científica da professora começou na infância, quando ela já gostava de observar o mundo utilizando uma lupa. Dessa curiosidade infantil, Luísa começou a se dedicar às carreiras acadêmica e científica, passando a se tornar referência internacional em pesquisas sobre o Papilomavírus Humano (HPV), um vírus associado ao câncer do colo do útero e também à infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo.

“Desde muito jovem, eu tinha vontade de fazer pesquisa. Eu me interessava muito por micróbios, queria aprender mais sobre vírus. E finalmente, após passar por um doutorado, onde estudei leveduras, passei a estudar os HPVs já no começo dos anos 80, afirmou

A partir desses estudos, segundo ela,  foi estabelecida uma carreira, uma linha de pesquisa tanto no Instituto Ludwig, de pesquisas sobre o câncer, onde permaneceu por quase 30 anos, quanto em outras instituições que se seguiram, como na Faculdade de Medicina da USP, onde pôde dar continuidade às pesquisas envolvendo esses pequenos vírus que podem causar doenças benignas, como verrugas, mas também malignas, como o câncer em diferentes sítios anatômicos.

Seus estudos sobre o vírus contribuíram, por exemplo, para a comprovação da eficácia da vacina.

“Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança, a imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o vírus”, lembrou a professora.

Ela disse que as pesquisas, feitas com muitos alunos e colaboradores, levaram a compreender como os HPVs podem causar doenças. “Inicialmente, nos dedicamos a entender essa história natural em mulheres e tivemos contribuições significativas para definir quais eram os riscos, já que não são todos que têm HPV que podem desenvolver tumores”, explicou. “Nosso grupo foi um dos primeiros a descobrir que as infecções que duram por mais tempo, as persistentes por HPV, são aquelas que determinam a maior probabilidade de desenvolver algum tumor maligno relacionado ao vírus , principalmente no colo do útero”.

Seus estudos analisaram não somente o comportamento do vírus em mulheres, mas também em homens.

“Os estudos em homens permitiram que descobríssemos quais são as taxas de HPV entre homens, que são ainda mais elevadas que em mulheres”, afirmou.

“Eles podem transmitir o vírus para seus parceiros e parceiras, mas também podem ter risco aumentado de desenvolver lesões no pênis, no canal anal e na orofaringe, que é uma localização no fundo da garganta, próxima das amígdalas”, explicou.

Com esse trabalho e as pesquisa, foi possível não só descrever as doenças causadas por HPV, mas também como evitá-las. “O ponto forte a se discutir, em termos de políticas públicas, é que isso permitiu conhecer a forma de prevenção dessas infecções. Por exemplo, evitando múltiplos parceiros e atividade sexual desprotegida. Mas sobretudo, ao longo dos anos, de como prevenir essas infecções a partir do uso de vacinas profiláticas contra o vírus”, ressaltou.

Atualmente, a vacinação contra o HPV é oferecida de forma gratuita no Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina é aplicada em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de idade, tanto meninas quanto meninos, além de mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.

“Essas vacinas, já aprovadas desde 2006 nos Estados Unidos e que começaram a ser administradas em meninas a partir de 2014 no Brasil, agora vêm ampliando a sua cobertura em todo o mundo. Isso tem levado a uma redução das infecções e doenças por HPV, inclusive de câncer de colo de útero em vários países e, no Brasil, isso também já começa a ser observado”, disse a professora. “É importante observar que, passados dez anos de sua implementação em vários países, houve redução significativa tanto de verrugas genitais quanto de doenças precursoras, como o próprio câncer em alguns locais do corpo”, ressaltou.

Prêmio

Além de Luísa Lina Villa, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência também reconheceu a trajetória da professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, na categoria Humanidades, e da professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Iris Concepcion Linares de Torriani, na área de Exatas e Ciências da Terra.

A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na área de Humanidades, foi reconhecida Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo. Em Exatas e Ciências da Terra, a homenagem foi concedida a Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi atribuída a Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).



EBC

Obras de Tarsila do Amaral provocam reflexões sobre temas atuais


Cinquenta e um rostos de trabalhadores da indústria com olhos cansados e sérios. Há mulheres, homens, de diferentes faixas etárias e cores de pele. Ao fundo, prédio e seis chaminés. A fumaça toma conta de parte do que antes era azul. 

Em meio às discussões atuais no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6 por 1, a tela “Operários”, de Tarsila do Amaral (1876-1973), produzida em 1933, pode provocar reflexões sobre o tema. Essa é a opinião da sobrinha-bisneta da pintora, a publicitária Paola Montenegro, que gere o legado artístico de Tarsila. 

“Hoje, a gente consegue observar obras que foram feitas há 100 anos e ainda verificar tanta força”, afirma.

Para ela, “Operários” é uma obra em que os brasileiros conseguem se enxergar e afirmou que a escala 6 por 1 afasta as pessoas de direitos básicos. As pessoas têm direito à cultura, ao lazer, ao tempo livre”. 

Operários é uma das 63 obras da exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, no Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, que começa nesta quarta (11), com entrada gratuita.

“A mostra marca o centenário da primeira exposição individual que a Tarsila fez em Paris”, diz a herdeira. 


Brasília (DF), 10/02/2026 - Visita guiada no centro cultural TCU à exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, que estará aberta ao público a partir de 11 de fevereiro.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Obras de Tarsila do Amaral podem ser vistas no Centro Cultural TCU, em Brasília, na exposição “Transbordar o mundo” – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Olhar social

Mais duas obras célebres da artista na exposição, que também tratam da desigualdade e exploração, são “Segunda Classe” (1933) e “Costureiras” (1950). São telas que, na mostra na capital, ocupam o tema do “olhar o outro”. 

A mostra traz uma reunião inédita de trabalhos da artista modernista (que nasceu há 130 anos), e tem curadoria das pesquisadoras Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, que resolveram organizar os trabalhos por núcleos de temas e não por ordem cronológica. 

A curadora Karina Santiago exemplifica que os olhares múltiplos de Tarsila (espelhados na variedade de suas perspectivas, desde os trabalhos figurativos nos anos 1910 ao olhar social pós-década de 1930) garantem uma compreensão de país e de mundo que a artista vivia.

A pintora teria feito, então, um caminho de afastamento do privilégio econômico para se tornar a principal artista plástica do Brasil.

“Isso se revela, por exemplo, na influência que a escola modernista imprime ao seu pensamento criativo. A criação de “Abaporu” (considerada a mais famosa obra da artista e que pertence à coleção de um museu na Argentina) demonstra essas influências da década de 1920. 

Os elementos religiosos e de atenção ambiental, aos poucos, se misturam às críticas que ela passa a fazer às desigualdades.  Os preparativos demoraram mais de um ano para viabilização da mostra, tamanha a complexidade de transporte de obras que foram trazidas de institutos, museus e colecionadores de São Paulo.

Além do tempo


Brasília (DF), 10/02/2026 - Visita guiada no centro cultural TCU à exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, que estará aberta ao público a partir de 11 de fevereiro.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Trabalhos da pintora Tarsila do Amaral estão reunidos em exposição inédita no Centro Cultural TCU – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Rachel Vallego considera que as obras de Tarsila conseguem atravessar o tempo e se comunicarem com temas do terceiro milênio. A pesquisadora contextualiza que, nos anos 1930, a partir do momento em que a família dela, de cafeicultores, sofre grandes perdas com a quebra da Bolsa de Nova York (em 1929), ela demonstra olhar social e passa a pensar o funcionamento da sociedade de outra forma. 

“Eu acho muito interessante que, nessa obra, todas as pessoas nos olhem diretamente. Ela demonstra um olhar muito mais social e equilibrado. Ela nos provoca muito nesse lugar”, afirma.

Além do “olhar para o outro”, as pesquisadoras dividiram as telas em mais três temas que contemplam a formação da artista (o “estar no mundo”), a descoberta de cenários (olhar o mundo) e a exploração do sonho e da imaginação (mergulho no onírico). Há trabalhos como o Auto-Retrato (de 1923), Palmeiras (de 1925) e São Paulo (de 1924) que revelam diferentes facetas e olhares da artista.

Em movimento

Outra atração da exposição é uma sala imersiva com um videografismo que mistura, de forma original, o símbolo do sapo, elemento recorrente nos quadros de Tarsila, com a animação em obras como “A Cuca” (1924), “Abaporu” (1928), “Sol Poente” (1929), “Cartão Postal” (1929) e “Antropofagia” (1929).  Uma das intenções dessa sala é provocar a curiosidade também das crianças, com um conteúdo lúdico e oportunidades de fotos e vídeos.

Tudo ganha movimento nesse material, numa verdadeira “viagem tarsiliana” (criado sem utilização de inteligência artificial) com curadoria da própria Paola Montenegro e da cientista social Juliana Miraldi.  Aliás, Juliana destaca que a originalidade do vídeo tem a finalidade de homenagear a criatividade histórica de Tarsila.  

 “Na mostra, há o momento que é o mergulho na história do Brasil, o mergulho nos outros e o mergulho do mundo”, afirma Paola Montenegro. A sobrinha-bisneta da artista plástica afirma que a intenção é levar essa exposição para o país inteiro sobre a mulher “à frente do seu tempo”.

Feminista


Brasília (DF), 10/02/2026 - Visita guiada no centro cultural TCU à exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, que estará aberta ao público a partir de 11 de fevereiro.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Visita guiada à exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, no Centro Cultural TCU, em Brasília – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

A pesquisadora Rachel Vallego acrescenta que é possível constatar olhares e atitudes que poderiam ser chamados de feministas. “Ela interrompe um casamento nos anos 1910, mesmo tendo um filho. E essa família ainda vai apoiá-la para ela ter uma carreira de pintora”. 

A diretora do Instituto Serzedello Corrêa, Ana Cristina Novaes, responsável pelo centro cultural, afirma que, durante o período em que a mostra estiver em cartaz em Brasília (até 10 de maio), a intenção é promover a visita de instituições de ensino, como escolas e faculdades para que mais pessoas conheçam o pensamento vivo de Tarsila.

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EBC

Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos


Dez pessoas, incluindo a suspeita de praticar o crime, morreram depois que uma mulher abriu fogo em uma escola secundária no oeste do Canadá nessa terça-feira (9), em um dos eventos com maior número de vítimas da história recente do país.

O incidente levou ao Canadá o tipo de tiroteio em massa mais comum nos Estados Unidos, e foi realizado por um atirador do sexo feminino, informou a polícia.

Seis pessoas foram encontradas mortas dentro de uma escola secundária na cidade de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, duas em uma residência que se acredita estar relacionada ao incidente, e outra pessoa morreu a caminho do hospital, segundo a Polícia Montada Real Canadense.

Pelo menos mais duas pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves ou com risco de vida, e cerca de 25 estão sendo tratadas por ferimentos sem risco de vida.

A suposta atiradora também foi encontrada morta, aparentemente por ferimento autoinfligido, informou a polícia, acrescentando que não acredita haver mais suspeitos ou ameaças contínuas ao público.

“É difícil saber o que dizer em uma noite como essa. É o tipo de coisa que parece ocorrer em outros lugares e não perto de casa”, disse o primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, aos repórteres.

A polícia não divulgou detalhes sobre a atiradora, exceto para dizer que a pessoa foi descrita como uma mulher — desenvolvimento potencialmente incomum, já que os tiroteios em massa na América do Norte são quase sempre realizados por homens.

Um alerta da polícia sobre um atirador ativo disse que a suspeita foi descrita como “uma mulher vestida com um vestido e cabelos castanhos”. O superintendente da polícia, Ken Floyd, confirmou mais tarde, em entrevista, que a suspeita descrita no alerta era a mesma pessoa encontrada morta na escola. A polícia não informou quantas vítimas são menores de idade.

Comunidade unida

Tumbler Ridge é um pequeno município com uma população de 2.400 pessoas no norte da Colúmbia Britânica, aproximadamente a 1.150 km a nordeste de Vancouver. Imagens da cidade mostram uma paisagem coberta de neve e repleta de pinheiros.

A Tumbler Ridge Secondary School tem 160 alunos do 7º ao 12º ano, com idades entre 12 e 18 anos, de acordo com seu site. A escola foi fechada pelo resto da semana e mais informações são disponibilizadas para aqueles que precisarem, disseram afministradores da escola.

A pequena força policial da cidade chegou ao local dois minutos após receber a chamada e as vítimas ainda estavam sendo avaliadas horas após o incidente.

“Esta é uma comunidade pequena e unida, com pequeno destacamento da RCMP (Polícia Montada Real Canadense), que respondeu em dois minutos, sem dúvida salvando vidas”, disse Nina Krieger, ministra da Segurança Pública da Colúmbia Britânica, aos repórteres.

O tiroteio está entre os mais mortais da história do Canadá.

 



EBC

Vila Isabel pagará “dívida” da Sapucaí com Heitor dos Prazeres


Como alguém que fundou cinco escolas de samba ainda não tinha sido homenageado em nenhum enredo no Grupo Especial do Rio de Janeiro? A dívida do carnaval carioca com Heitor dos Prazeres será paga neste ano pela Vila Isabel, que levará à Marquês de Sapucaí o enredo Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África.

Além de músicas e quadros, o cantor, compositor e pintor assina também a fundação das agremiações Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar. 

“Como um fundador de escola de samba, um grande pintor, grande músico, costureiro, cenógrafo ainda não tinha sido enredo?, questionou, em entrevista à Agência Brasil, Gabriel Haddad, que junto com Leonardo Bora, são os carnavalescos da Vila.

Haddad lembrou que Heitor já tinha sido citado algumas vezes em outras escolas e foi enredo no grupo chamado de acesso, mas no Grupo Especial, ainda não.

“São diversos caminhos, porque só essa atuação múltipla do Heitor já revela muitos Heitores, e a gente foi percebendo isso, um artista, um sambista, uma pessoa, uma entidade. Por isso, o enredo segue estas transformações” revelou Leonardo Bora à Agência Brasil.

>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

>> Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026

>> Acompanhe a cobertura do carnaval na Agência Brasil

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sonhos

A ideia dos carnavalescos foi trazer os diversos sonhos do Heitor como se a Vila os estivesse sonhando. A linha temática dividiu os setores a partir dos nomes que o artista teve na vida, o menino Lino, o Ogã Alabê-Nilu, o Mano Heitor do Cavaco, o afro-rei Pierrot e o grande final da vida de Heitor, quando foi considerado embaixador por toda a sociedade e representou o Brasil no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Dakar.

A pesquisa que Bora e Haddad desenvolveram para uma exposição sobre o artista no CCBB RJ em 2023 gerou nos dois o desejo de fazer este enredo. Eles destacam que, nesse trabalho, se depararam com o pensamento de Heitor de que samba é macumba, e macumba é samba, como indica o samba-enredo do carnaval 2026.

Os dois chegaram neste ano à escola, com a responsabilidade de propor o enredo, e encontraram o pesquisador Vinícius Natal, com quem já tinham trabalhado e que também tinha vontade de homenagear Heitor dos Prazeres.

“Foi uma sinergia boa que aconteceu entre a gente, o Vini e a própria escola. Todo mundo topou o enredo e começamos a construir tudo”, contou Haddad.

Os carnavalescos veem como uma responsabilidade muito grande encarar a difícil tarefa de concentrar em apenas um desfile toda a obra de Heitor dos Prazeres.

Leonardo Bora disse que a ideia foi começar a costurar essas relações do enredo e da história do homenageado com a própria agremiação sua comunidade. Martinho da Vila, por exemplo, gravou Pierrô Apaixonado, que é uma composição de Heitor dos Prazeres com Noel Rosa, conhecido como o poeta da Vila.

“Só aí já tem uma conexão dupla com a Vila Isabel”, pontuou ele, que incluiu a música no desfile.”Vai ser retratada por conta dessa importância do Heitor cronista do cotidiano nas suas pinturas e na sua musicalidade”.

Com este enredo, os carnavalescos querem também valorizar a amplitude artística de Heitor, que, como entendem, nem sempre teve o reconhecimento devido. Nem mesmo o termo de multiartista era usado na época dele, o que está sendo considerado, agora, neste enredo.

“Uma das grandes contribuições desse enredo é para esse reposicionamento do Heitor dos Prazeres enquanto grande artista da história da arte brasileira, grande pintor moderno, grande representante da modernidade carioca, desse projeto modernista que tem o samba como carro chefe”, apontou Bora.

“Essa produção extraordinária dele acabou sendo colocada em rótulos que nunca competiram a ela, de pintura naif, primitiva. São termos que, de tão enferrujados, não param de pé”, criticou.

Ogã Alabê-Nilu

A religiosidade do homenageado também estará na avenida. Heitor dos Prazeres começou a frequentar casas de candomblé ainda criança e foi no terreiro de sua madrinha, Tia Ciata, baiana considerada uma das criadoras do samba no Rio e de importante participação para o fortalecimento da cultura negra na cidade, que Heitor se tornou o Ogã Alabê-Nilu.

“É o chefe dos tambores, aquele que toca e canta. Ele tinha, no terreiro da Tia Ciata, esse lugar mítico tão importante para a compreensão dos sambas e macumbas cariocas, uma posição de líder dos tambores. O Heitor entendia que isso que se entende por samba nasce dessa macumba do Rio de Janeiro que é uma mistura de ritmos e de geografias”, disse Bora.

E é justamente onde existia o terreiro de Tia Ciata que a Vila Isabel vai se concentrar para entrar na avenida este ano. É a concentração chamada de “Balança”, em referência a um prédio construído no local, o famoso Edifício Balança Mas Não Cai. Ali, era a Praça Onze, origem do samba no Rio e de manifestações de cultura da população preta. Também ali fica o busto de Zumbi dos Palmares.

“Coincidência Incrível. Exatamente onde era a antiga Praça Onze”, comemorou Haddad.

 


Rio de Janeiro (RJ), 14/01/2026 - Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026,, no barracão da escola, na Cidade do Samba.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da Unidos de Vila Isabel, que homenageará o multifacetado artista Heitor dos Prazeres em seu enredo para o Carnaval de 2026. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Recepção da comunidade

O anúncio do enredo foi na Pedra do Sal, ponto de encontro para samba e celebrações da cultura negra na região conhecida como Pequena África. A apresentação teve direito a roda de samba e convite a intérpretes de outras agremiações, o que agradou a comunidade da Vila, que imediatamente se envolveu com o enredo.

“O momento do anúncio foi o ápice, de reencontro da comunidade com o enredo que ela se identificasse diretamente, um enredo que falasse sobre o próprio carnaval, a história do samba, que envolvesse a parte também de todas as religiões de matrizes africanas”, afirmou Haddad.

“A comunidade recebeu da melhor maneira possível, tinha muita gente emocionada, chorando feliz de estar vivendo aquele momento ali com a Vila”, observou.

Escola popular

Leonardo Bora destacou que a Vila é considerada uma escola de rua, que gosta dessas festividades da rua, da calçada, da esquina e do botequim.

Para ele, é um enredo que acaba necessariamente transitando por este universo, porque o Heitor também é um personagem das ruas do Rio de Janeiro, do carnaval brincado no bonde, da memória de uma cidade que pode ser tão festiva e agregadora como era a antiga Praça Onze, onde tantas famílias migrantes de diferentes origens conviviam.

Na visão do carnavalesco, a Vila tem apreço por esta nostalgia carnavalesca, já cantada em vários sambas belíssimos como do próprio Martinho da Vila.

Por outro lado, é uma escola muito aguerrida, muito orgulhosa das suas raízes negras, das comunidades que formam a sua base, o Morro dos Macacos e o Morro do Pau da Bandeira.

“É um enredo que pegou na veia do componente da Vila Isabel e o agradou muito, porque não tem como não se identificar”.

Comissão de frente

Para Alex Neoral, que assina com Márcio Jahú a coreografia da Comissão de Frente, este enredo, que é o primeiro deles com Bora e Haddad, está sendo bastante desafiador, mas ao mesmo tempo muito emocionante.

“Desenvolver uma comissão a partir dessa personalidade é uma responsabilidade. Às vezes é também um poço sem fundo de possibilidades, porque ele era um artista múltiplo”,disse à Agência Brasil.

“Ali, a gente tem a oportunidade de trabalhar ele como alfaiate, como compositor, como pintor, como sambista, como ogã, como macumbeiro, como um homem negro importante e atuante naquela época, amigo de Noel Rosa, de Cartola, fundando as escolas que hoje em dia são a Portela, a Mangueira”.

Esse é o 17º ano que Alex faz a coreografia de uma Comissão de Frente. Ele avaliou que o trabalho está cada vez mais desafiador.

“As comissões, como um todo e em todas as escolas, são quase um espetáculo independente do desfile. É uma responsabilidade muito grande”, pontuou.

Neoral confirmou que haverá surpresas na apresentação, fato que costuma empolgar o público na avenida.

“Não é no sentido de uma mágica, não é só isso. É uma surpresa de pegar no inesperado. Pegar o público despercebido e emocionar, e aí a emoção vai no coração, em algo que é mais virtuoso”.

Como a coreografia é feita a partir da música, Neoral elogiou o samba, o qual considerou excelente para a apresentação da Comissão. Ele explica que um bom samba impulsiona o movimento e dá motivação, e aposta que a Vila tem um dos melhores sambas deste ano.

“Na prática, é muito fácil coreografar um samba bom, bonito e que faz mover. Isso também faz diferença na questão da emoção, da execução, do resultado. Estou muito feliz com a escola este ano, com o enredo, com os carnavalescos e com a comunidade. Muito confiante e feliz”, concluiu empolgado.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.



EBC

Ipea diz que mercado de trabalho pode absorver fim da escala de trabalho 6×1


Os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho. 

A conclusão é de estudo publicado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisa os efeitos econômicos da eventual redução da jornada atualmente predominante de 44 horas semanais, associada à escala 6×1, que estabelece um dia de descanso a cada seis trabalhados.

A redução da jornada de trabalho teria um custo de menos de 1% em grandes setores, como indústria e comércio, mas alguns setores de serviços que dependem de mais mão de obra podem precisar de políticas públicas, avalia o Ipea. 

Os pesquisadores citam, por exemplo, os reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12%, em 2001, e 7,6% em 2012, que não reduziram o nível de empregos.

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A jornada geral de 40 horas semanais elevaria o custo do trabalhador celetista em 7,84%, mas, dentro do custo total da operação, o efeito é menor, diz o pesquisador Felipe Pateo.

“Quando a gente olha para a operação de grandes empresas na área de comércio, da indústria, a gente vê que o custo com trabalhadores representa às vezes menos que 10% do custo operacional da empresa. Ela tem custo grande de formação de estoques, custo de investimento em maquinário”, explica.

Já empresas de serviços para edifícios, como vigilância e limpeza, podem ter um impacto maior, de 6,5% no custo da operação. Nesses casos, seria necessária uma transição gradual para a nova jornada. O mesmo serviria para pequenas empresas, que podem ter até mais dificuldade para adaptar as escalas de trabalho, segundo Pateo.

“A gente vê que esse tempo de transição também é muito importante para as empresas menores. E você precisa abrir possibilidades de contratação de trabalhadores em meio período, por exemplo, que possam suprir eventualmente um tempo de funcionamento num fim de semana, caso a redução de jornada possa dificultar esse processo”, observa.

Combate a desigualdades

O estudo também aponta que jornadas de 44 horas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. Para o pesquisador, a redução da jornada pode reduzir desigualdades.

“Quando a gente reduz a jornada máxima para 40 horas, a gente bota esses trabalhadores que estão nos empregos de menores salários, de menor duração do tempo de emprego, em pé de igualdade, pelo menos na quantidade de horas trabalhadas. E a gente acaba aumentando o valor da hora de trabalho desses trabalhadores. Então isso faz com que eles se aproximem das condições dos trabalhadores nas melhores situações trabalhistas”, argumenta.

Segundo a pesquisa, a remuneração média para quem trabalha até 40 horas por semana é de R$ 6,2 mil. Já os trabalhadores de 44 horas recebem, em média, menos da metade. Esses trabalhadores com jornada maior também têm menor escolaridade. 

Segundo o estudo do Ipea, mais de 83% dos vínculos de pessoas com até o ensino médio completo estão nessa condição, proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino superior completo. Diferentemente de outras características sociodemográficas, a incidência de jornadas estendidas mostra forte associação com o nível de escolaridade.

A grande maioria dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) em 2023 tinha jornada de 44 horas semanais. Ao todo, eles somam 31.779.457, o que equivale a 74% dos que tinham jornada informada. Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40 horas semanais. 

A Rais é uma declaração obrigatória na qual empresas brasileiras informam ao Ministério do Trabalho dados sobre seus funcionários, vínculos empregatícios e salários.

Empresas menores

Um desafio apontado no estudo do Ipea é para as empresas de menor porte, pois elas têm, proporcionalmente, mais trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas. Enquanto a média nacional indica que 79,7% dos trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas semanais, esse percentual sobe para 87,7% nas empresas com até quatro empregados e para 88,6% naquelas que empregam entre cinco e nove trabalhadores. 

Os trabalhadores atualmente submetidos a jornadas superiores a 40 horas somam 3,39 milhões nas empresas com até quatro empregados e 6,64 milhões quando se consideram aquelas com até nove trabalhadores.

Esses setores incluem, por exemplo, segmentos da área de educação, atividades de organizações associativas e outros serviços pessoais, como lavanderias e cabeleireiros, nos quais predominam jornadas estendidas entre empresas com até quatro trabalhadores.

Debate

A redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas e o fim da escala 6×1 entraram de vez no radar político do país neste início de ano

Nesta terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que uma das prioridades da Casa neste ano é justamente votar esses direitos trabalhistas. Em suas redes sociais, Motta escreveu que a análise pelos deputados pode se dar em maio. 

Atualmente, duas propostas estão sendo discutidas na Casa sobre o assunto: uma da deputada Erika Hilton, a PEC 8/25, e outra pelo deputado Reginaldo Lopes, a PEC 221/19

Na mensagem enviada ao Congresso Nacional, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também colocou o tema entre as prioridades do governo para o semestre. .



EBC

Orquestra de Câmara da USP faz pré-temporada com repertório plural


A Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (OCAM da ECA-USP) terá a pré-temporada de concertos de 2026 nesta terça-feira (10), amanhã e na quinta-feira.

As apresentações são gratuitas, no Instituto Tomie Ohtake e no Centro Cultural Camargo Guarnieri, com peças que contemplam um repertório diverso, com sons contemporâneos, clássicos e populares.

O evento é estruturado em três programas distintos: Cordas, Sopros e Percussão, e Ensemble, um grupo misto que explora diferentes formações instrumentais e linguagens.

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Destaques

Nos concertos de sopro e percussão, regidos por André Bachur, a OCAM convidou a multi-artista Jéssica Gaspar para fazer uma performance da canção de sua autoria, Deus é uma Mulher Preta, que tornou-se enredo do Bloco Ókánbí, no Carnaval de Salvador em 2020.

A cantora apresenta um repertório marcado pela música afro-brasileira, que explora a vivência e as dores da população negra.

“Eu fiz essa música sem nenhuma pretensão de desenhar a ideia de Deus, mas de ressignificar o corpo de uma mulher chamada Cláudia Ferreira da Silva, que foi arrastada pela polícia do Rio de Janeiro e teve seu corpo dilacerado e filmado. Eu achei devastador a imagem dela ser lembrada nesse lugar [de violência]. Então pensei: por que não associar o corpo de uma mulher negra à figura do divino?”, explicou.

Outro destaque do programa é a homenagem ao compositor Hermeto Pascoal, um ícone da música popular brasileira e referência do gênero swing, com a estreia da obra Bruxo Campeão, composta por Carlos dos Santos, ex-aluno da OCAM e professor na Universidade Federal da Paraíba.

No grupo de cordas, obras clássicas de Aaron Copland e Benjamin Britten, grandes compositores do século 20, serão orquestradas pela harpista russa Liúba Klevtsova. O destaque da apresentação vai para a execução da obra de Claude Debussy, “Danças Sacra e Profana para Harpa e Cordas” (1904). O programa será regido por Claudia Feres.

Por fim, o grupo de Ensemble apresenta o programa Mosaico Contemporâneo, que trabalha com composições diversificadas. Com regência de Ricardo Bologna, a orquestra fará uma homenagem à vida e obra de Olivier Toni, compositor e fundador da OCAM, com o “Improviso para Violoncelo Solo” (2010).

O repertório também inclui composições de origem japonesa, como as obras Kojo No Tsuki (A Lua Sobre o Castelo em Ruínas) (1901) e Três Baladas para Hida (1977), com arranjo de Yuri Behr.

 

Repertório Plural

Na pré-temporada de concertos, a OCAM apresenta um repertório musical que explora composições além dos clássicos eruditos, algo que, algum tempo atrás, talvez não fosse possível acontecer.

O professor do departamento de música da ECA-USP e maestro da OCAM, Ricardo Bologna conta que o espaço para sons de origem latina, africana e asiática era praticamente inexistente.

“Há 30 anos, a pesquisa acadêmica de música no Brasil era, quase sempre, restrita ao estudo da música europeia ou norte-americana.”

Para Bologna, o cenário atual é bem diferente. Hoje há mais livros e artigos que abordam a música não europeia, além de vários congressos brasileiros que discutem a diversidade dentro da produção musical nacional.

“A gente vê que a pesquisa tem se expandido para além da música clássica brasileira. Tem se pesquisado a música folclórica e popular”, relata.  De acordo com Bologna, no Brasil, os temas principais dos congressos de música têm sido questões relativas à produção de música por compositores brasileiros e que fogem da chamada tradição europeia.

Para Jéssica Gaspar, a principal mudança ocorreu a partir da inserção de pessoas nas universidades que são mestres dessas linhas de pesquisa.

“A inovação está sendo esse movimento de convite para mestres que sabem toda a arquitetura da música, toda a engenharia da sua poesia e que trazem suas próprias palavras. Também é resultado da entrada de corpos [não-brancos] nas universidades.”

Contudo, a artista critica o fato de que as graduações ainda colocam a música não europeia em um “espaço étnico” à parte, ao priorizar o estudo dos clássicos e eruditos. “Essa ideia do clássico engessa toda uma célula, um povo, uma linguagem. O que é clássico agora?”

Jéssica argumenta que talvez seja a hora de repensar quais assuntos estão presentes nas bibliografias e na proposta curricular dos cursos de música. “O que vamos ensinar sobre música para quem chega agora?”, questiona.

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior





EBC

Justiça do Rio condena assassinos de Marielle Franco a indenizar viúva


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou os assassinos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, ao pagamento de indenização por danos morais e pensão mensal à vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle.

Marielle e Anderson foram assassinados em março de 2018, na região central do Rio de Janeiro, em uma emboscada pela qual Ronnie e Élcio foram condenados em outubro de 2024.

O juízo julgou procedente o pedido de reparação e fixou R$ 200 mil por danos morais reflexos, a serem pagos solidariamente pelos réus.

A decisão também determinou pensão de dois terços dos rendimentos de Marielle, com 13º salário e férias acrescidas de um terço, desde a data do crime até o limite da expectativa de vida da vítima (76 anos) ou até o falecimento da beneficiária. Marielle tinha 38 anos quando foi assassinada.

O juízo ainda assegurou reembolso e custeio de despesas médicas, psicológicas e psiquiátricas, a serem apuradas em liquidação.

Em nota, Mônica Benício afirmou que a decisão tem caráter simbólico:

“Essa é uma vitória simbólica, que reconhece a interrupção da história que construíamos juntas e o futuro que nos foi negado. A luta por Justiça por Marielle e Anderson não é sobre dinheiro”, disse.

Segundo ela, “a responsabilização dos mandantes é condição fundamental para que a democracia brasileira dê uma resposta à altura do que foi o assassinato de Marielle e Anderson”.

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Julgamento dos mandantes

As investigações indicaram que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão encomendaram o assassinato da vereadora a matadores de aluguel, e que o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, planejou o ato, além de ter atrapalhado a investigação, chefiada pelo próprio, antes de o caso ter sido elevado à esfera federal. 

Os três são réus em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal, com sessão marcada para 24 de fevereiro, uma terça-feira. Também responderão ao crime na Suprema Corte o major da Policia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.

Conforme a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, os irmãos Brazão e Barbosa atuaram como mandantes do crime e Rivaldo Barbosa teria participado dos preparativos da execução.

Ronald é acusado de realizar o monitoramento da rotina da vereadora e repassar as informações para o grupo. Robson Calixto teria entregue a arma utilizada no crime para Lessa. 

De acordo com a investigação realizada pela Polícia Federal, o assassinato de Marielle está relacionado ao posicionamento contrário da parlamentar aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, que têm ligação com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.



EBC