Executivo da Nestlé contratou torturador na ditadura militar


O apoio empresarial à ditadura no Brasil começa a ser revelado. Uma das empresas que deixou pistas dos vínculos com o regime de opressão é a Nestlé.

O episódio 2, chamado Caixa da segunda temporada do podcast Perdas e Danos conta a ligação entre a multinacional suíça e os porões da ditadura no Brasil.

Comprovantes

Apesar da atuação discreta, a gigante da indústria alimentícia deixou pistas do apoio dado ao regime de opressão no Brasil.

Como as contribuições feitas em nome da empresa, pelo executivo Gualter Mano, para o IPES, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, um think tank conservador formado por empresários e militares e que ajudou a preparar o terreno para o golpe de 1964.

O Arquivo Nacional guarda os comprovantes das contribuições da Nestlé para o clube golpista.


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Registros das contribuições do então presidente da Nestlé Brasil, Gualter Mano, para o IPES.  Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Registros das contribuições do então presidente da Nestlé Brasil Gualter Mano, para o IPES. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Mas há outros indícios deixados pela empresa que revelam as relações com o regime opressor e que ligam a multinacional a OBAN, a Operação Bandeirantes, o maior aparato de tortura e morte do regime militar, uma estrutura clandestina que serviu de laboratório para implantação dos DOI-Codi pelo país afora. 

A participação da Nestlé está no registrada na página 330 do Volume 2 do relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

“Ficou conhecido o banquete organizado pelo ministro Delfim Netto no Clube São Paulo (…) durante o qual cada banqueiro, como Amador Aguiar (Bradesco) e Gastão Eduardo de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), entre outros, doou o montante de 110 mil dólares para reforçar o caixa da Oban (…) Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light”.

O executivo versátil

Um elo que até agora era pouco visível para os brasileiros tem nome e sobrenome: Oswaldo Ballarin. Pouco mais de um ano depois do jantar que garantiu o financiamento do aparato de tortura, Oswaldo Ballarin era o nome da Nestlé entre os empresários homenageados pelo chefe do Estado-Maior do II Exército, general Ernani Ayrosa, no final de 1970, pelo apoio à repressão. 


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Frame: Nestle Boycott/Youtube

 Ballarin tenta isentar a Nestlé pela morte de bebês por causa do uso de leite em pó, durante audiência no Senado dos Estados Unidos, em 1978. Frame: Nestle Boycott/Youtube

Ballarin fez carreira na Nestlé. Começou na empresa ainda jovem e chegou ao cargo de presidente executivo entre 1971 e 1978. O brasileiro tinha tanta influência na Nestlé que foi a pessoa escolhida para representar a multinacional numa audiência pública que aconteceu em 1978, no Senado dos Estados Unidos, justamente para investigar a agressiva estratégia de marketing para promoção do leite em pó para bebês.

A facilidade de trânsito de Oswaldo Ballarin pelos governos militares garantiu a ele postos elevados e simultâneos em outra multinacional suíça. Ao mesmo tempo que ocupava o cargo de presidente executivo da Nestlé, ele também era presidente da Brown Boveri, entre 1971 e 1979. 

A Brown Boveri (hoje, Asea Brown Boveri – ABB) é uma empresa de automação e eletrificação que atuou em grandes obras no Brasil, do Bondinho do Pão de Açúcar, no começo do século passado, ao novíssimo polo de produção de hidrogênio verde em Pecém (CE), passando pela maior obra de engenharia dos militares, a Usina de Itaipu.

A empresa integrou o CIEM, o Consórcio Itaipu Eletromecânico, um consórcio formado por empresas europeias, encabeçado pela Siemens, e que venceu a concorrência para a construção de Itaipu. O consórcio é alvo de denúncias de corrupção, pagamento de propinas e de burlar regras do contrato como a nacionalização da produção. 


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Turbina geradora de Itaipu. Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação

Turbina geradora de Itaipu: as turbinas foram fornecidas pelo consórcio CIEM, do qual a Brown Boveri fazia parte. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação

CIA

É na versão de executivo do setor elétrico que foi possível encontrar os vínculos mais fortes de Oswaldo Ballarin com os porões da ditadura militar no Brasil. Ele é acusado de ter contratado os serviços de agência de relações públicas de fachada, a CIA (Consultores Industriais Associados).

Além de ter a mesma sigla do serviço de inteligência dos EUA, a CIA atuava, na verdade, na vigilância de trabalhadores, perseguição de desafetos e organizando vaquinhas para equipar os aparatos de tortura do Estado

Quem desencavou essa história abrindo os arquivos da Brown Boveri, na Suíça, foi a pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne. 

“Eles [o CIEM] tinham uma porcentagem das encomendas que tinham que pagar para o cartel [de eletricidade] para financiar a luta contra a oposição (…) eles chamavam Fundo de Luta Contra a Oposição, e foi aí que surgiu a questão da CIA”.

Em meio à documentação a que teve acesso, estava a denúncia enviada por organizações de direitos humanos ao Conselho Federal Suíço, o governo central do país, em 20 de novembro de 1979.

Um conjunto de 16 documentos mostrando as relações do CIEM com a CIA, batizada nos documentos como “serviços de organizações de tortura disfarçadas”, “esquadrões da morte” e “especialistas em tortura”.

O diretor da CIA era Robert Lentz Plassing, expoente da extrema-direita, que organizava contribuições para o regime e é listado no relatório final da Comissão Nacional da Verdade como uma das 377 pessoas responsáveis por torturas e assassinatos durante a ditadura.

Plassing integrou o DOI-Codi do Rio de Janeiro, onde era chamado pelo nome de Samuca.

Em setembro de 1979, Jean Ziegler, que ocupava uma vaga no Conselho Nacional Suíço foi explícito ao acusar Ballarin e a Brown Boveri, mas não esqueceu das relações do executivo com a Nestlé. 

“Oswaldo Ballarin, executivo da Nestlé e atual presidente da Brown-Boveri em São Paulo, admitiu ter transferido regularmente e substancialmente fundos da empresa entre 1963 e 1978 para a empresa Consultores Industriais Associados. Oswaldo Ballarin (e a Brown-Boveri) são, portanto, culpados de cumplicidade em homicídio premeditado”. 

Ballarin morreu em 1999 afirmando que sua relação com o Samuca do DOI-Codi era restrita às atividades de relações públicas da CIA.  

Investimento garantido 

Diferente da Brown Boveri, a Nestlé não permitiu o acesso de Gabriella Lima aos seus arquivos. 

“Ela me recusou o acesso três vezes aos arquivos”, disse a pesquisadora.

Mas os números mostram que a empresa tem motivos para comemorar o período de opressão. 

De 1971 a 1975, a rentabilidade da Nestlé no Brasil praticamente dobrou. Em pleno milagre econômico, o crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o IBGE, estava na casa dos 9% ao ano.

O que para os padrões atuais é bem alto. Mas o faturamento da Nestlé conseguia ser ainda maior: na casa dos 12%, segundo levantamento feito por Antoinette Fredericq para o Centro Edelstein de Pesquisas Sociais.

Dumping leite em pó

Enquanto Ballarin era questionado no Senado dos EUA pela política da Nestlé de promover leite em pó, atrapalhando o aleitamento materno, aqui no Brasil o executivo tinha carta branca para dar “aulas” nas faculdades de medicina aos futuros médicos. 

Marina Rea, pesquisadora e uma das fundadoras da Rede Internacional pelo Direito de Amamentar (Ibfan), assistiu alguma dessas “aulas”. 

“O Ballarin deu aula na minha faculdade [a USP] sobre fórmulas infantis. Ele não era médico. Era um cara que financiava reuniões e, em troca, convidavam ele para lançar os novos produtos: ‘novas fórmulas que vamos lançar’. Terrível. Eu saí da faculdade sabendo mais prescrever fórmula infantil do que orientar o aleitamento materno.” 

Em 1974, uma organização social da Inglaterra chamada War on Want publicou um relatório batizado como The Baby Killer (em tradução livre, Assassino de Bebês). E acusou as indústrias, começando pela Nestlé, de provocar a morte de crianças em países pobres.

Marina Rea explica qual era a estratégia da empresa no Brasil.

“A Nestlé utilizou promoções comerciais bastante efetivas no começo da vida. Uma fase muito grave, do ponto de vista fisiológico, para a amamentação ir pra frente ou não. As empresas sabem disso. No Brasil, o mais prevalente foi a entrada da Nestlé via dumping de leite em pó. Já que se você não disponibiliza, é claro que a mãe nem vai conhecer. E a outra forma foi entrar nas maternidades, buscando nos médicos um parceiro e entrar nas universidades era ótimo para isso”. 

Hoje em dia, a empresa segue metida em controvérsia.

Em 2024, uma ONG suíça, a Public Eye, mostrou que produtos que a marca oferece para as crianças de países pobres são mais açucarados que os que vão para as crianças ricas, incluindo o Brasil.  

Outro lado

Sobre as denúncias envolvendo o consórcio CIEM, a direção da Itaipu informou em nota:

“A execução do projeto teve início em 1975, em um contexto marcado pela Ditadura Militar Brasileira, quando práticas autoritárias resultaram na sonegação de informações e em violações à dignidade humana e aos direitos fundamentais (…)  Atualmente, a Itaipu desenvolve iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, com foco na igualdade de gênero, no fortalecimento de capacidades locais e na inserção dessas perspectivas na educação, além de incentivar a participação de mulheres em espaços de liderança e no desenvolvimento comunitário.”

A ABB, sobre as denúncias de corrupção e o financiamento da repressão, respondeu que “a Política de Direitos Humanos da ABB formaliza o compromisso da empresa e descreve a abordagem da ABB em relação à devida diligência em direitos humanos. Esperamos que nossos fornecedores respeitem os mesmos princípios e padrões internacionais de direitos humanos.  ABB adota uma política de tolerância zero em relação a comportamentos antiéticos, incluindo qualquer forma de suborno ou corrupção (…)”. 

A respeito de ter apoiado a ditadura no Brasil, a Nestlé enviou a seguinte nota:

“A Nestlé reconhece a importância de que esse período continue sendo debatido, dada sua relevância e impacto na sociedade. A empresa não compactua com práticas de repressão, discriminação ou violações de direitos humanos. A Nestlé reafirma seu compromisso com a democracia, com o respeito à diversidade de opiniões e com a promoção da liberdade de expressão, bem como com o respeito aos direitos de seus colaboradores, parceiros, consumidores e da sociedade em geral”.

Questionada se, após 60 anos, a empresa estaria disposta a abrir os arquivos, a equipe do podcast não obteve resposta. 



EBC

Júri de assassino do bicheiro Fernando Iggnácio é retomado nesta sexta


O 1° Tribunal do Júri do Rio retoma sexta-feira (10) o julgamento de Rodrigo da Silva das Neves, um dos acusados de participar da execução do contraventor Fernando Iggnácio, em 2020.

O juiz Thiago Portes Vieira de Souza, presidente da sessão suspendeu o julgamento nessa quinta-feira (9). Antes da interrupção, no momento do interrogatório, Rodrigo optou por permanecer em silêncio.

Outros dois acusados de participação no crime, os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, no início da sessão de julgamento, decidiram dispensar seus advogados, por discordarem da estratégia de defesa. Com isso, o júri de Pedro e Otto foi suspenso e será remarcado para outra data.

Além dos três réus, que respondem pela execução da vítima, o bicheiro Rogério Andrade foi denunciado como mandante do crime. 

Contudo, seu processo não foi incluído nesta sessão de julgamento. Ygor Rodrigues Santos da Cruz, também suspeito de participar da ação, foi encontrado morto em 2022.

De acordo com a denúncia, a execução do crime ocorreu a mando de Rogério de Andrade, que controla o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em Bangu, zona oeste da capital fluminense. 

Memória

Fernando Iggnácio foi executado no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste, após retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. Fernando Iggnácio e Rogério Andrade eram, respectivamente, genro e sobrinho do contraventor Castor de Andrade, que morreu em 1997.
 



EBC

Desfiles de carnaval no Rio terão maior número de escolas de samba


A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) e a prefeitura do Rio assinaram, nessa quinta-feira (9), acordo para aumentar gradativamente o número de escolas do carnaval carioca. Em reunião na Cidade do Samba, o prefeito Eduardo Cavaliere, o presidente da Liesa, Gabriel David, e representantes de todas as agremiações definiram um planejamento estruturado para a ampliação progressiva do Grupo Especial, que passará a contar com 15 escolas até o carnaval de 2030.

O modelo aprovado respeita o regulamento vigente: em 2027, a disputa seguirá com 12 escolas. A partir daí, a transição ocorrerá de forma gradual. Ao fim de cada ciclo, duas agremiações subirão da Série Ouro e apenas uma será rebaixada do Grupo Especial. Com essa dinâmica, o Grupo Especial terá 13 escolas em 2028, 14 em 2029, chegando a 15 agremiações em 2030.

Para o presidente da Liesa, Gabriel David, a decisão reflete o amadurecimento da gestão do carnaval. “Quero destacar a abertura do diálogo com as escolas. Esse tipo de escuta qualificada fortalece todo o setor. Tivemos uma conversa produtiva, em que foi possível aprofundar o entendimento sobre as demandas das agremiações e o momento atual do nosso espetáculo”.

David afirmou ainda que a decisão permite avançar com responsabilidade na discussão sobre a ampliação do grupo. “O modelo definido é progressivo, respeita as regras vigentes e garante segurança financeira para todos os envolvidos”, acrescentou.

O compromisso do poder público em viabilizar essa expansão com responsabilidade foi citado pelo prefeito Eduardo Cavaliere, que garantiu o suporte necessário à transição.

“O papel da prefeitura é garantir toda a estrutura financeira, logística e infraestrutura para isso. E mesmo com a garantia da prefeitura, as escolas precisam de um tempo para se preparar, se planejar, garantindo que o carnaval vai seguir avançando, evoluindo cada vez mais, melhor e mais competitivo”, disse ele.



EBC

Indígenas levam a Itamaraty proposta de áreas livres de petróleo e gás


Lideranças indígenas presentes no Acampamento Terra Livre, em Brasília, entregaram, nesta quinta (9), a representantes do Ministério das Relações Exteriores um documento que propõe a criação de zonas livres de exploração de petróleo e gás. Os líderes também defendem que os territórios indígenas devem estar no centro da estratégia climática global.

Essas “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis (FFZs)”, segundo os indígenas, seriam áreas proibidas para exploração em regiões de alta relevância ecológica e cultural.

A iniciativa reúne recomendações para um “mapa do caminho global”, que foi proposta pelo governo brasileiro na última COP 30, mas sem consenso. “Não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”, afirmou o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasi (Apib), Dinamam Tuxá. 

Segundo Tuxá argumentou, a demarcação e a proteção das terras indígenas são medidas concretas de enfrentamento à crise climática.

“Quando o mundo ignora isso,  escolhe manter um modelo que destrói a vida. Reconhecer o protagonismo indígena abre caminho para um futuro mais equilibrado, diverso e verdadeiramente sustentável”.

Mudanças

Desde o último domingo, o Acampamento Terra Livre reúne, em Brasília, segundo os organizadores, cerca de 8 mil pessoas. De acordo com a Apib, o documento quer influenciar negociações internacionais e contribuir para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento.

“Enfrentar a crise climática exige não apenas mudanças tecnológicas, mas também uma redefinição profunda das relações entre economia, território e direitos”, afirmou a entidade em nota.

O documento pede fim imediato da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão, além da criação de um acordo global vinculante para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. 

“A crise climática já afeta a produção de alimentos, a saúde, a economia e a segurança das nações. O custo da inação cresce a cada dia”, ressalta a entidade. Para os indígenas, é fundamental o reconhecimento dos territórios como áreas prioritárias para a proteção climática e da biodiversidade.

 


Brasília (DF), 09/04/2026- Marcha de indígenas de todo país que participam do Acampamento Terra Livre - ATL 2026. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Marcha de indígenas de todo país que participam do Acampamento Terra Livre – ATL 2026. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

Experiências

A Apib argumenta que a iniciativa tem consonância com experiências internacionais, como a decisão do Equador de encerrar a exploração no Parque Nacional Yasuní e restrições adotadas em outros países da América Latina. 

A proposta também enfatiza que uma transição energética justa depende do reconhecimento pleno dos direitos dos povos indígenas, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada (CLPI).

Dados apresentados no documento mostram que territórios indígenas têm taxas significativamente menores de desmatamento e desempenham papel central na proteção de ecossistemas e na estabilidade climática global.



EBC

Centro de desenvolvimento da CBF recebe jogos dos JUBsFut


As partidas dos Jogos Universitários Brasileiros de Futebol (JUBsFut) também estão sendo disputadas em Barra dos Coqueiros, cidade próxima a Aracaju, no primeiro Centro de Desenvolvimento do Futebol do Nordeste. Essa estrutura, idealizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e inaugurada em agosto do ano passado para impulsionar as categorias de base e o futebol feminino, vem servindo de palco para as partidas de futebol masculino.

Nas semifinais da competição, Gustavo Lazaroto, estudante de Agronomia da Universidade Federal de Jataí (Goiás), afirmou que o esporte universitário pode ser um caminho para o futebol profissional.

“Essa participação proporciona visibilidade, atraindo a atenção de olheiros e clubes, e recolocando muita gente de volta no radar profissional”, afirma o jovem de 22 anos.

Lazaroto também ressalta a importância da disciplina e da responsabilidade inerentes ao futebol: “Joguei aqui contra times do Amapá e do Rio Grande do Sul. Os JUBs trazem essa diversidade e a possibilidade de compartilharmos culturas diferentes da nossa. É possível cultivar no esporte o valor da amizade e da troca de experiências. Esses contatos enriquecem tanto a vida pessoal quanto a profissional, construindo uma rede de contatos valiosa, o famoso networking”.

Letícia Bastos, dirigente da delegação da Universidade Federal de Jataí, enfatizou que o futebol universitário amplia as possibilidades: “Durante estes quatro dias deu para perceber vários talentos por aqui. Sem dúvida, pode ser uma porta de entrada para o mundo profissional, mas o esporte não se esgota apenas nessa frente, pois pode acompanhar o jovem em outras carreiras”.

Professora de Educação Física, Letícia relata o crescente debate sobre a adoção de políticas nas universidades públicas que visam incluir cotas para atletas de alto rendimento, em um modelo denominado “dupla carreira”.

“Essa iniciativa, semelhante a outras políticas de cotas, permite que os alunos-atletas participem de competições de alto nível e, simultaneamente, sigam seus cursos de graduação. A Universidade Estadual de Maringá [UEM] e a Universidade de Brasília [UnB] têm sido pioneiras e lideram essas discussões. Eu, lá no interior goiano, estou acompanhando esses fóruns e espero que possamos ampliar esta política para outras universidades pelo Brasil”, concluiu.

*O jornalista viajou a convite da CBDU.



EBC

Professores estaduais e municipais do Rio fazem paralisação de 24h


Professores e funcionários administrativos das redes de educação municipal e estadual do Rio de Janeiro realizaram nesta quinta-feira (9) uma paralisação de 24 horas para cobrar recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho.

Segundo a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, Helenita Beserra, a categoria da rede estadual decidiu, em assembleia, voltar a se reunir no dia 5 de maio para avaliar a entrada em estado de greve. Após o encontro, houve um ato em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Já os profissionais da rede municipal definiram uma nova assembleia para o dia 16 de maio. Na capital, o grupo realizou um ato público na Cinelândia, região central da cidade, depois da assembleia.

A principal reivindicação, nos dois casos, é a recomposição das perdas salariais acumuladas nos últimos anos.

De acordo com cálculo do Sepe em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), houve perdas de 24,07% nos salários desde 2019. No caso da rede estadual, o índice necessário de reajuste seria de cerca de 56% sobre os salários de janeiro de 2026.

Além do reajuste, professores municipais cobram o fim da chamada minutagem  (mais horas-aula trabalhadas sem a devida remuneração), o pagamento do Acordo de Resultados 2024 (14º salário), o cumprimento do piso nacional para Professoras Adjuntas da Educação Infantil (PAEIs), o descongelamento do tempo de serviço durante a pandemia, o aumento do vale-refeição e mudanças nas regras de remoção.

Na rede estadual, a categoria também reivindica o cumprimento integral do acordo de recomposição firmado com a Alerj em 2021 — que previa 26,5% de reposição, parcelados em três etapas, das quais apenas a primeira foi paga — além da implementação do piso nacional do magistério.


Rio de Janeiro (RJ), 09/04/2026 – Professores e profissionais das redes públicas municipal e estadual de ensino realizam greve com paralisação de 24 horas e protesto. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 Professores e profissionais das redes públicas municipal e estadual de ensino realizam greve com paralisação de 24 horas e protesto. Foto:  Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que as aulas ocorreram normalmente e sem impacto na rede durante a paralisação. A pasta declarou ainda que respeita o direito de manifestação dos servidores e que segue trabalhando pela valorização do magistério.

A Secretaria Municipal de Educação informou que mantém diálogo constante com o sindicato e tem realizado reuniões frequentes com representantes da categoria.



EBC

Porto de Santos prioriza desembarque de caminhões com gasolina


A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que vai priorizar o trânsito de navios de combustível, a fim de diminuir o impacto da crise energética causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.

A medida é consequência do parecer da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que indicou risco de desabastecimento no estado de São Paulo.

A primeira operação nessas condições foi concluída no último dia 30 de março, quando o navio MH Ibuki recebeu prioridade e desembarcou 17.974 toneladas de Gasolina tipo A, o equivalente a 600 caminhões-tanque, no Terminal da Graneis Líquidos da Alamoa (Tegla), em Santos.

A embarcação japonesa, que opera sob bandeira panamenha, atua no transporte de combustível da Refinaria de Mataripe (REFMAT), através do polo Terminal de Madre de Deus (Temadre).

Protocolo

As prioridades de atracação ocorrem por norma específica, quando há emergências, como tripulantes acidentados e avarias que exijam reparos imediatos, ou discricionariedade, quando o agente público pode escolher a alternativa mais conveniente ao interesse da sociedade, causa da decisão mais recente.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a mesma lógica foi aplicada recentemente no trânsito de doações para o Rio Grande do Sul, durante o enfrentamento às enchentes de 2024.

Hoje, o Ibuki iniciou nova viagem entre Madre de Deus (BA) e Santos, com previsão de chegada no dia 12. Se chegasse hoje teria de aguardar junto a pouco mais de 10 navios que transportam combustíveis e gás e esperam por terminais para descarregarem. Segundo a APS, atualmente todas as vagas destinadas a navios de combustível estão funcionando, e o fluxo do Terminal ocorre normalmente.



EBC

Em carta, indígenas veem avanços, mas cobram demarcações e proteção


Os representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que coordena o Acampamento Terra Livre em Brasília (DF), levaram, nesta quinta-feira (9), para a Secretaria-Geral da Presidência e para o Ministério das Minas e Energia, uma carta de sete páginas que reconhece avanços nas políticas públicas, mas que traz reclamações sobre a demora nas demarcações dos territórios. 

>> Confira a carta entregue ao governo

Com o título de “Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, o documento aponta que o atual governo foi construído com apoio do movimento indígena para “reconstruir condições de institucionalidade e democracia”.

“É preciso reconhecer que houve mudanças importantes neste período”, diz.

Entre essas mudanças, foram citadas a criação do Ministério dos Povos Indígenas, a presença de autoridades indígenas em posições de destaque no Poder Público e a reconstrução de espaços de diálogo. 

No entanto, os representantes consideram que as ações ainda estão aquém do necessário.

“Reconhecemos avanços, mas eles ainda não respondem à urgência histórica nem à dívida do Estado brasileiro com os nossos povos”.

Cenário de violência

Os indígenas dizem que há um cenário de aumento de invasão dos territórios, violência e criminalização de povos, lideranças e organizações indígenas. 

“Houve reconstrução de parte da institucionalidade e mudanças no discurso, mas a proteção concreta dos territórios e da vida dos povos indígenas ainda precisa ganhar consistência e continuidade”, afirma a carta.

Os indígenas argumentam que os direitos às políticas públicas são obrigações permanentes do Estado. 

A carta cobra medidas para seis áreas: “demarcação e proteção dos territórios”, “consulta, participação e autodeterminação”, “orçamento e governança permanente”, “vida, segurança e bem viver”, “clima, transição ecológica e vedação à espoliação”, “memória, reparação e futuro dos povos”.



EBC

Corinthians derrota Platense na Libertadores na estreia de Diniz


Na partida que marcou a estreia do técnico Fernando Diniz, o Corinthians derrotou o Platense (Argentina) por 2 a 0, na noite desta quinta-feira (9) no estádio Estádio Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires, pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América.

Com os três pontos conquistados fora de casa, o Timão lidera o Grupo E da competição, que também conta com Santa Fe (Colômbia) e Peñarol (Uruguai), que ainda medem forças nesta quinta.

Após um primeiro tempo no qual apresentou muita dificuldade diante de um Platense muito dedicado, o Corinthians abriu o placar aos sete minutos da etapa final com Kayke, que, após receber passe em profundidade de Garro, avançou em velocidade antes de bater por cobertura para superar o goleiro Borgogno.

Aos 24 minutos a equipe de Fernando Diniz chegou ao segundo. E novamente Garro foi o garçom da jogada. Desta vez o argentino lançou para o artilheiro Yuri Aberto, que deu um toquinho de esquerda para marcar e dar números finais ao marcador.





EBC

Mega-Sena acumula e prêmio principal vai para R$ 40 milhões


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.994 da Mega-Sena, realizado nesta qinta-feira (9). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 40 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados são: 01 – 10 – 23 – 31 – 40 – 55

  • 47 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 33.985,84 cada
  • 2.909 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 905,11 cada

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Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de sábado (11), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa. 

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.




EBC