PF deflagra operação contra tráfico internacional de brasileiros


A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação Dark Bet, contra tráfico internacional de brasileiros. O objetivo é apurar e reprimir a atuação de organização criminosa responsável pelo aliciamento e envio de pessoas ao exterior para fins de exploração laboral e coação à prática de crimes cibernéticos.

Estão sendo cumpridos 11 mandados judiciais de busca e apreensão nos estados do Ceará, Maranhão, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, além de medidas cautelares pessoais e patrimoniais, como bloqueio e sequestro de bens e valores que superam R$ 446 milhões, bem como 4 prisões temporárias, expedidos pela Justiça Federal.

Além disso, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades empresariais das pessoas jurídicas envolvidas, além da retirada do ar de duas plataformas de jogos esportivos (BETs).

Segundo a PF, as investigações tiveram início com a prisão de 109 pessoas na Nigéria, entre elas cinco brasileiros, acusados da prática de crimes cibernéticos. Os brasileiros foram contratados por uma empresa de jogos esportivos (BET), que opera duas plataformas no território nacional.

“A operação de hoje visa à coleta de provas, à interrupção das atividades criminosas e à responsabilização dos envolvidos, incluindo a apuração de crimes como tráfico internacional de pessoas para fins de exploração laboral, redução à condição análoga à de escravo, organização criminosa e outros delitos correlatos”, informou a PF.

A apuração da PF revelou um esquema estruturado de recrutamento de vítimas por meio de redes sociais e plataformas digitais. Havia promessas de altos salários e oportunidades de trabalho em empresas do setor de jogos online. No exterior, os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas, retenção de documentos, restrição de liberdade, vigilância armada e imposição de dívidas.



EBC

Reaplicação do Enem começa nesta terça-feira em todo o país


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 será reaplicado nesta terça (16) e na quarta-feira (17) aos participantes que tiveram algum problema logístico no dia da aplicação das provas ou foram acometidos por algum tipo de doença infectocontagiosa listada no edital. As provas regulares do Enem 2024 foram aplicadas nos dias 9 e 13 de novembro.

Também houve um exame excepcional realizado nas cidades de Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro. A prova regular nessas cidades foi adiada em razão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), na capital paraense.

Após os pedidos de reaplicação, os casos foram julgados individualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A dinâmica de aplicação é a mesma das provas regulares. Os portões serão abertos às 12h e fechados às 13h (horário de Brasília) para que, a partir das 13h30, os participantes possam resolver as questões.

Neste primeiro dia serão aplicadas as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias; redação; e ciências humanas e suas tecnologias. O exame poderá ser concluído até 19h no tempo regular, com adição de mais uma hora para os candidatos que tiveram os pedidos de tempo adicional aprovados.

Amanhã, será reaplicada a segunda prova desta edição com questões de ciências da natureza e matemática e suas tecnologias. Diferente da prova de hoje, o prazo para a conclusão do exame terminará às 18h30.

Casos previstos

O edital de abertura do Enem prevê que o participante afetado por problemas logísticos durante a aplicação das provas ou acometido por uma das doenças infectocontagiosas no primeiro ou no segundo dia de aplicação das provas poderá solicitar a reaplicação do exame.

O direito à reaplicação é assegurado também a quem foi afetado por desastres naturais. É o caso dos inscritos confirmados, moradores de Rio Bonito do Iguaçu (PR), impactados por um tornado em 7 de novembro de 2025, um dos mais intensos já registrados no estado do Paraná.

O participante só poderá fazer as provas referentes ao dia em que ficou inviabilizado de realizar na agenda regular do exame.

De acordo com o edital do Enem 2025, o participante infectado por uma das doenças a seguir deverá solicitar reaplicação: tuberculose, coqueluche, difteria, doença invasiva por Haemophilus influenzae, doença meningocócica e outras meningites, varíola, varíola dos macacos (monkeypox), influenza humana A e B, poliomielite por poliovírus selvagem, sarampo, rubéola, varicela (catapora) ou covid-19.

Para reaplicação, são considerados problemas logísticos que prejudicaram o solicitante fatores como: desastres naturais que comprometam a infraestrutura do local; falta de energia elétrica que comprometa a visibilidade da prova pela ausência de luz natural ou outro erro de execução de procedimento de aplicação.

Enem PPL

Nas mesmas datas, 16 e 17 de dezembro, o Inep aplica o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade ou sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade (Enem PPL) 2025.

As provas têm o mesmo nível de dificuldade do Enem regular e ocorrem dentro das unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos estados e Distrito Federal.

O Enem

Criado em 1998, o Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ele também se tornou a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Instituições de ensino públicas e privadas também utilizam as notas do exame para selecionar estudantes, como critério único ou complementar aos processos seletivos.

Os resultados individuais do Enem podem, ainda, ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.



EBC

Polícia do Rio deflagra ofensiva contra finanças do Comando Vermelho


A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira, (16) mais uma fase da Operação Contenção contra o esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado, que atua em diferentes regiões do país.

A ação incluiu o pedido de bloqueio judicial de cerca de R$ 600 milhões, além do cumprimento de mandados de busca, apreensão de bens e bloqueio de contas bancárias ligadas à facção. Segundo a polícia, a operação ocorre no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso, com foco em pessoas físicas, empresas e patrimônios usados para esconder e movimentar dinheiro do crime.

Segundo a Polícia Civil, a facção mantinha uma rede estruturada para movimentar recursos ilegais no sistema financeiro formal. O dinheiro era usado para bancar armas, drogas, imóveis, veículos e manter o controle de territórios.

As investigações apontam que Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma das lideranças do Comando Vermelho, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, responsável pela parte financeira do grupo, coordenavam o esquema com o apoio de terceiros e empresas de fachada.

As apurações identificaram movimentações financeiras muito acima da renda declarada, com contas que funcionavam como cofres da facção. Esses valores foram bloqueados por decisão judicial.

Dinheiro vivo

O esquema também utilizava pessoas recrutadas pelo crime para fazer depósitos em dinheiro vivo, em pequenas quantias e em diferentes bancos, no mesmo dia, numa tentativa de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Parte do dinheiro era concentrada no município de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, escolhido justamente por estar distante das áreas mais visíveis do tráfico, reduzindo a exposição dos líderes criminosos, segundo as investigações.

Além do bloqueio bancário, a Justiça determinou o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e uma propriedade rural em Mato Grosso. De acordo com a Polícia Civil, as investigações continuam com análise de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais apreendidos.

Comando Vermelho

 A ação conta com apoio das polícias civis de Minas Gerais e Mato Grosso, e integra a Operação Contenção, ofensiva lançada para enfraquecer o Comando Vermelho. Segundo o governo estadual, desde o início da operação, mais de 250 pessoas foram presas, 136 mortas em confronto e centenas de armas e munições retiradas de circulação.

A primeira etapa da Operação Contenção, realizada no dia 28 de outubro, nos complexos da Penha e do Alemão, foi a mais letal da história do estado, com 122 mortos, dos quais cinco eram policiais.

Ao todo, foram feitas 113 prisões. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, está foragido. Ele é considerado o principal chefe do Comando Vermelho. 



EBC

Antropólogo discute riqueza e desigualdade no DR com Demori


O antropólogo Michel Alcoforado é o próximo convidado do programa DR com Demori desta terça-feira (16) Na conversa, o autor do livro Coisa de Rico: a Vida dos Endinheirados Brasileiros detalha o conceito de riqueza no Brasil e no mundo. Além disso, o especialista comenta as relações entre a classe trabalhadora e a elite do país. A atração vai ao ar às 23h, na TV Brasil.

Coisa de Rico: a Vida dos Endinheirados Brasileiros é um dos livros mais vendidos no Brasil em 2025. Michel Alcoforado é também colunista da Rádio CBN, criador do podcast É Tudo Culpa da Cultura, palestrante e conhecido como “antropólogo de luxo”, em razão de seu trabalho como pesquisador das elites brasileiras.

Por mais de 15 anos, o escritor investigou como vivem os super-ricos no Brasil, pesquisa que resultou em seu mais recente livro. No bate-papo com Demori, Alcoforado explica que, no país, a riqueza não é uma condição e sim “uma relação”. “Depois que o cara ganha dinheiro, ele precisa batalhar para adquirir uma série de comportamentos e dominar muitos códigos para convencer os outros de que é rico”, afirma.

 


São Paulo SP 26/11/2025 Antropologo e escritor, MIchel Alcoforado ,convidado do programa DR com Demori na Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Antropólogo e escritor Michel Alcoforado é o convidado do programa DR com DemoriFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nesse sentido, o antropólogo comenta que há diferentes tipos de ricos, principalmente em função do contexto geográfico do Brasil. “O novo rico faz muita questão de contar a própria história, né: ‘eu era pobre, estudei em escola pública e aí consegui construir um negócio e ganhei muito dinheiro’. Ele faz questão de deixar isso dentro de uma névoa, como se fosse um evento natural”, conta.

Em comparação, Alcoforado defende que os “ricos tradicionais também se inventaram”. “O trabalho das elites tradicionais é tentar naturalizar aquilo que foi construído socialmente, para que ninguém questione […]. É por isso que é tão difícil no Brasil, entre outros fatores, falar de taxação de ricos”, aponta.

Para o autor, a desigualdade social brasileira é percebida pelas elites como um problema. “Essencialmente, a grande maioria entende que essa é uma questão para o Estado resolver, para os governantes, mas não acredita que seja parte do problema”, comenta.

Após a exibição na TV Brasil, o DR com Demori também fica disponível, na íntegra, no YouTube e no aplicativo da TV Brasil Play. O programa é transmitido em áudio, simultaneamente, na Rádio MEC, e as entrevistas ficam disponíveis em formato de podcast no Spotify.

Sobre o programa

O programa Dando a Real com Leandro Demori, ou simplesmente DR com Demori, traz personalidades para um bate-papo direto e aprofundado na tela da TV Brasil.

Já passaram pela mesa nomes como o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes; a deputada federal Erika Hilton; o ex-ministro José Dirceu, o ator Caio Blat, a cantora Zélia Duncan; e o fundador da banda Pink Floyd, Roger Waters.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

Serviço

DR com Demori – Michel Alcoforado
Terça-feira, 16 de dezembro, às 23h, na TV Brasil e Rádio MEC
Quarta-feira, 17 de dezembro, às 4h30, na TV Brasil

TV Brasil na internet e nas redes sociais

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EBC

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5


A Caixa Econômica Federal paga nessa segunda-feira (15) a parcela de dezembro do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 691,37. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 18,7 milhões de famílias, com gasto de R$ 12,74 bilhões.

Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até 6 meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos de idade e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. No entanto, por causa das festas de fim de ano, o calendário de dezembro é antecipado em cerca de dez dias, para dar tempo de os benefícios serem depositados antes do Natal.

O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Pagamento unificado

Os beneficiários de 179 cidades receberam o pagamento no dia 10 de dezembro, independentemente do NIS. A medida beneficiou os moradores de 120 municípios do Rio Grande do Norte e 32 do Paraná. Também foram beneficiadas cidades em cinco estados: Sergipe (9), São Paulo (7), Roraima (6), Amazonas (3) e Piauí (2). Entre as cidades paranaenses com pagamento unificado, está Rio Bonito do Iguaçu, que teve 90% das construções destruídas por um tornado.

Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 2,33 milhões de famílias estão na regra de proteção em dezembro. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

Somente neste mês, 169,9 mil domicílios saíram do Bolsa Família e entraram na regra de proteção, informou o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Em junho, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, a mudança só abrange as famílias que entraram na fase de transição desde junho. Quem se enquadrou na regra até maio deste ano continuará a receber metade do benefício por 2 ano.


Calendário Bolsa Família 2025 - dezembro

Arte EBC

 



EBC

Inmet emite alerta para o RS de ventos de até 100 km/h e tempestade


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu nesta segunda-feira (15) um alerta laranja de tempestade e ventos que podem chegar a 100 Km/h no Rio Grande do Sul. O aviso é válido até as 10 horas desta terça-feira (16). 

Segundo o alerta, são previstos chuva de 30 a 100 milímetros por dia; ventos intensos, de 60 a 100 km/h; e queda de granizo. Há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.

Todas as áreas do RS, segundo o Inmet, poderão ser afetadas, incluindo a região Metropolitana de Porto Alegre, com exceção da porção fronteiriça mais ao sul do estado, como Uruguaiana, Santana do Livramento e Bagé. Todo o litoral do estado poderá ser atingido por ventos costeiros e movimentação de dunas. 

Nesta segunda-feira, uma estátua de 24 metros da loja Havan despencou no estacionamento da rede em Guaíba, no Rio Grande do Sul. Não houve feridos.
 

 

Cuidados

A recomendação do Inmet é que em caso de rajadas de vento as pessoas não se abriguem debaixo de árvores, em razão do risco de queda e de descargas elétricas.

O instituto também aconselha a não estacionarem veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

Se possível, desligar aparelhos elétricos e quadro geral de energia. 

A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.





EBC

MPF aciona União e governo do Rio para proteger acervo do IML


O Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça Federal com uma ação civil pública para cobrar da União e do governo do estado do Rio de Janeiro proteção imediata do acervo histórico encontrado no antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Lapa, região central da cidade. O documento aponta o abandono do prédio e requer com urgência a preservação, segurança e organização imediata dos arquivos.

De acordo com o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão Julio Araujo, a ação se tornou necessária diante da deterioração acelerada do prédio e do risco real de perda de documentos essenciais para o direito à memória, à verdade e à história do país. 

“O acervo está exposto a intempéries, fezes de animais, sujeira e invasões constantes. Trata-se de risco claro, iminente e absolutamente incompatível com a preservação de documentos de valor inestimável”, afirmou.

Acervo abandonado

Nas visitas técnicas realizadas ao longo deste ano, o MPF e órgãos especializados identificaram microfilmes em acetato e até em nitrato de celulose – material altamente inflamável – já em deterioração avançada. Também foram registradas portas arrombadas, dossiês jogados no chão e salas que sequer puderam ser acessadas.

“A precariedade estrutural e o abandono do prédio colocam em risco não apenas o patrimônio documental, mas também a segurança dos vizinhos e o direito de toda a sociedade brasileira de conhecer sua história”, descreveu o procurador da República.

Memória e reparação

Para o Grupo Tortura Nunca Mais, que acompanhou a visita do MPF ao antigo prédio do IML, no mês de março de 2025, a iniciativa marca o início de um novo ciclo na luta pela preservação e pesquisa das violações de direitos humanos no Brasil, que incluem um contexto histórico ainda mais amplo que somente da ditadura.

“O que vemos aqui é uma verdadeira abertura de arquivos da repressão, algo pelo qual lutamos há muito tempo. Esse processo não apenas possibilita o acesso a esses documentos, mas também contribui para a elucidação dos fatos e para a garantia da memória do país”, afirmou Rafael Maui. 

O integrante do Tortura Nunca Mais defendeu um esforço conjunto para garantir a preservação do acervo. “O apoio dos órgãos públicos e da sociedade civil será essencial. É necessário formar um grupo de trabalho ampliado, e a participação ativa do Ministério Público nesse processo é indispensável. Precisamos unir esforços de diferentes instituições para garantir a conservação e valorização desse material histórico”, avaliou Maui.

“Com base nos documentos encontrados pelo Grupo Tortura Nunca Mais aqui no prédio do IML, por meio dos livros de registro de óbito, foi possível localizar o paradeiro de 14 desaparecidos políticos e, posteriormente, de um 15º. Eles estavam enterrados como indigentes no cemitério Ricardo de Albuquerque. Isso indica que outras pessoas desaparecidas também podem ser identificadas a partir das informações contidas nesses documentos”, destacou Felipe Nin, do Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação.

O MPF destaca que o estado do Rio mantém apenas dois vigilantes por turno na segurança do prédio, número insuficiente para impedir invasões. “A proteção atual é limitada e ineficaz. Mesmo com vigilância, usuários de drogas seguem entrando e permanecendo no local”, aponta o documento.

Documentos históricos

O acervo reúne aproximadamente 2,9 mil metros lineares de documentos e cerca de 440 mil itens iconográficos, incluindo registros da Polícia Civil das décadas de 1930 a 1960 e materiais do período da ditadura militar. São documentos que podem trazer novas informações sobre desaparecidos políticos, torturas e violações de direitos humanos reconhecidas pela Corte Interamericana.

“O valor histórico desse material é inestimável. Estamos diante de documentos que podem esclarecer violações graves, reconstruir trajetórias de desaparecidos e cumprir decisões internacionais que determinam ao Brasil o dever de preservar sua memória”, destacou Julio Araujo.

O procurador lembra que, no Caso Vladimir Herzog, a Corte Interamericana afirmou expressamente que os Estados devem preservar arquivos sobre graves violações. “A deterioração desse acervo compromete não apenas a memória, mas a verdade e a própria democracia”, afirmou.

Com o pedido, o MPF requer que a União e o estado elaborem, em 30 dias, um plano de trabalho para o tratamento do acervo e iniciem, em 60 dias, as ações concretas de análise e organização dos arquivos. A supervisão técnica deve ser do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Vigilância

O MPF pede ainda no documento encaminhado à Justiça Federal, o mínimo de dez agentes por turno e medidas básicas de salubridade, como reparo de janelas, limpeza diária e prevenção de novas invasões. “Enquanto o acervo permanecer no local, é imprescindível que haja uma proteção real e diária. O atual cenário é insustentável”, escreveu o procurador.

O avanço do processo judicial é crucial para que o país não perca documentos fundamentais para compreender sua própria história, diz o procurador. 

“Sem conhecer e preservar esse passado, continuaremos incapazes de enfrentar práticas autoritárias que ainda persistem. A documentação existente no antigo IML é parte da memória do povo brasileiro”, avaliou o procurador Julio Araujo. 

O pedido reforça que, mesmo com a reversão do prédio já determinada pela Justiça, a União ainda não iniciou medidas concretas. Por isso, o MPF requer que o juízo imponha prazos, obrigações e, se necessário, multa diária para assegurar a proteção imediata do patrimônio. 



EBC

EBC e Funarte assinam cooperação para difusão cultural


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Fundação Nacional de Arte (Funarte), autarquia ligada ao Ministério da Cultura (MinC), serão parceiras para a realização de projetos de difusão das artes. O termo de cooperação, com validade de um ano, foi anunciado no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (15).

O termo funciona como um guarda-chuva e prevê produções inéditas e originais de programas sonoros e audiovisuais, incluindo séries, minisséries e outras obras únicas com variadas durações, para veiculação nos nas emissoras de rádio e TV e também para exibição nas plataformas digitais da EBC.

Para o presidente da EBC, André Basbaum, a empresa “tem vocação para levar arte ao maior número de pessoas” e os seus canais “são lugar de distribuição e de amplificação das vozes da cultura brasileira.”

“Se a missão da EBC é fomentar o senso crítico, a ferramenta deve ser a cultura”, disse a diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antonia Pellegrino. 


Rio de Janeiro (RJ), 15/12/2025 – A presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella, assina termo de cooperação com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com a  diretora de Conteúdo e Programação, Antônia Pellegrino, e o diretor-presidente, André Basbaum. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Assinatura de termo de cooperação entre a Funarte e a EBC Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Parcerias 

A diretora lembra que a EBC já tem parcerias com a Secretaria de Audiovisual do Minc, com a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e com apoio da própria Funarte produziu a série Mestras e Mestres das Artes, disponível na plataforma TV Brasil Play

“A ideia [da cooperação] é fazer a difusão da música, de conteúdo artísticos, de produção audiovisual. A estratégia é dar voz aos artistas brasileiros, sobretudo, os que estão inscritos nos nossos programas”, acrescenta a presidenta da Funarte, Maria Fernandes Marighella.

A parceria entre a estatal e a autarquia do MinC não implica em transferência de recursos, remuneração por serviços prestados ou cessão de servidores. A EBC poderá licenciar e comercializar no Brasil e no exterior os programas produzidos a partir da cooperação.

A assinatura do termo de cooperação ocorre na véspera do aniversário de 50 anos da fundação. Nesta terça-feira (16), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, participa no Rio da reinauguração do Centro Técnico de Artes, na Lapa, e da inauguração da lona Mestre Jamelão, o Diamante Negro na Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha (ENCLO), na Praça da Bandeira.



EBC

Deputada estadual do RJ se torna ré por envolvimento com milícia


O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou nesta segunda-feira, (15), a denúncia oferecida pelo Ministério Público e tornou rés a deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros (PSD), mais conhecida como deputada Lucinha, e sua ex-assessora parlamentar Ariane Afonso Lima. 

As duas são acusadas de envolvimento com a milícia denominada “Bonde do Zinho” ou “Família Braga”, que atua em bairros da zona oeste como Campo Grande, Paciência, Cosmos, Inhoaíba, Guaratiba e Santa Cruz.

Segundo a denúncia, as denunciadas interferiram politicamente em favor dos criminosos. Em um episódio, em julho de 2021, as duas forneceram ao grupo informações privilegiadas relacionadas à agenda de visitas do prefeito do Rio, Eduardo Paes, à zona oeste, permitindo que os milicianos retirassem seus integrantes das ruas das localidades dominadas pela organização criminosa. 

Houve, também, tentativa de interferência junto ao prefeito e demais autoridades municipais para que fosse mantida a chamada “Brecha da P5” no transporte público alternativo municipal, maior fonte de obtenção direta de recursos da milícia. Desta forma, o grupo poderia explorar o serviço fora do itinerário determinado, aumentando a arrecadação das vans.

Além disso, as denunciadas receberam do grupo criminoso informações privilegiadas sobre a prática de crimes cujas investigações se encontravam em curso para, em última instância, interferir no curso destas e determinar a linha investigativa a ser seguida pelos investigadores. A denúncia também aponta que, em novembro de 2021, a deputada prestou auxílio a membros do “Bonde do Zinho” presos em flagrante, para liberá-los da prisão.

Entre junho de 2021 e março de 2022, as denunciadas mantiveram encontros frequentes com as principais lideranças do grupo miliciano, entre eles Zinho, em média duas vezes por mês, para estabelecer as linhas da interferência que seriam exercidas junto à Alerj. Lucinha nomeou como assessores em seu gabinete, entre 2021 e 2023, integrantes e parentes de integrantes da organização criminosa.

Prisão

No final de 2023, uma operação da Polícia Federal descobriu associações da deputada Lucinha com a milícia da zona oeste do Rio, ligada à família Braga. Uma ordem judicial a afastou do cargo, no entanto ela foi reintegrada ao cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por decisão dos demais deputados estaduais.

As acusadas vão responder pelo artigo 288-A do Código Penal, na forma da Lei 12.850/12, que trata do crime de constituição de milícia privada e cuja pena pode variar de 5 a 10 anos de prisão e multa, além da perda da função pública. 



EBC

Bolsonaro passará por perícia médica na próxima quarta-feira


O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por uma perícia médica na próxima quarta-feira (17). A data foi agendada pela Polícia Federal (PF) após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A perícia será realizada por peritos da PF na sede do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

O procedimento foi determinado pelo ministro, que vai decidir se autoriza Bolsonaro a deixar a prisão para realizar uma cirurgia recomendada pelos médicos particulares.

Na mesma decisão, Moraes determinou que o exame de ultrassom realizado neste domingo (14) por Bolsonaro seja enviado aos peritos. O exame confirmou diagnóstico de hérnia inguinal. O procedimento foi feito com um equipamento portátil e autorizado por Moraes.

Bolsonaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.

 



EBC