Imprensa mundial noticia a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro


A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã deste sábado (22), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, é notícia nos principais veículos de imprensa do mundo.

O jornal britânico The Guardian colocou em destaque em sua capa uma foto do ex-presidente com a chamada “Polícia brasileira prende Bolsonaro em meio a suspeitas de que ele preparava fuga”.

No texto, o jornal inglês diz que havia a desconfiança das autoridades do Brasil de que o político poderia “se esconder em uma embaixada estrangeira para evitar a prisão por planejar um golpe militar”.

O francês Le Mond também deu destaque em sua página inicial para a prisão preventiva do ex-presidente. “No Brasil, Jair Bolsonaro foi preso após condenação por tentativa de golpe de estado por ‘risco de fuga’”.

Nos Estados Unidos, o The Washington Post colocou em sua capa a prisão do político brasileiro. O título da reportagem diz “Ex-líder brasileiro, Bolsonaro é preso sob alegações de tentativa de fuga”. 

O texto informa ainda que “um juiz ordenou a prisão ao saber que a tornozeleira eletrônica de Bolsonaro havia sido adulterada. O aliado de Trump foi condenado este ano por tentativa de golpe de estado”.

A prisão do ex-presidente brasileiro também foi notícia na Argentina. Em seu site, o Clarín diz que “o STF do Brasil disse que mandou prender Bolsonaro porque ele rompeu sua tornozeleira eletrônica”. Este título é acompanhado de uma foto do político atrás das grades do portão de sua casa, em Brasília.

O jornal argentino informa que “segundo o Centro de Monitoramento Integrado de Brasília, o dispositivo [tornozeleira eletrônica] registrou uma ‘violação’ alguns minutos depois da meia-noite, o que, segundo Moraes, indica a intenção do ex-presidente de ‘romper a tornozeleira’ a fim de fugir durante a vigília convocada por seu filho Flávio Bolsonaro em frente à casa onde mora o ex-presidente”.

No Catar, o jornal Al Jazeera também repercutiu a prisão preventiva de Jair Bolsonaro: “o político de 70 anos foi levado de sua casa, neste sábado, para o quartel-general da Polícia Federal do país, na capital Brasília.

Prisão

Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado (22). Em nota, a Polícia Federal informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta sexta-feira (21) o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou, pelas redes sociais uma vigília de orações próxima à casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.  

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes diz que a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”. Foi ainda verificada tentativa de violar a tornozeleira eletrônica. 

Moraes também determina que seja realizada, neste domingo (23), audiência de custódia, por videoconferência, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, além da disponibilização de atendimento médico em tempo integral ao réu. 



EBC

Moraes rejeita pedido de prisão domiciliar Agência Brasil


Em decisão publicada neste sábado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes rejeitou o pedido feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro da concessão de prisão domiciliar humanitária ao réu e a autorização de novas visitas. 

Os pedidos haviam sido apresentados nesta sexta-feira (21). Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deve continuar em prisão domiciliar.

O pedido da defesa pretende evitar que Bolsonaro seja levado para o presídio da Papuda, em Brasília. Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Neste sábado, no entanto, Moraes decretou a prisão preventiva do ex-presidente e estipulou que as visitas devem ser previamente autorizadas pelo STF, com exceção da dos advogados e da equipe médica que acompanha o tratamento de saúde do réu.  

Com isso, Moraes considerou prejudicados os pedidos feitos anteriormente de prisão domiciliar humanitária ao réu e a autorização de novas visitas. 

Está agendada para amanhã a audiência de custódia do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro afirmou que irá recorrer da decisão.

Tentativa de fuga

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro foi realizada em cumprimento a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por conta da convocação de vigília, neste sábado (22), nas proximidades da residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. 

Segundo Moraes, a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”.

O ministro do STF afirma ainda que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico de Bolsonaro na madrugada deste sábado

 



EBC

Cineasta negra pioneira no país, Adelia Sampaio inspira nova geração


A um mês de chegar aos 81 anos, a cineasta Adelia Sampaio conta uma vida marcada por rupturas, coragem e humor, com um papel histórico que inspira a produção cultural do país até hoje.

Em 1984, tornou-se a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, com Amor Maldito, um filme que ousou retratar um relacionamento entre duas mulheres em plena ditadura militar e enfrentou censura, machismo e ausência total de financiamento.

De Minas ao cinema russo

Nascida em Belo Horizonte, a cineasta passou parte da infância em um abrigo em Santa Luzia do Rio das Velhas (MG). Por determinação da patroa, a mãe, Guiomar, que era empregada doméstica, entregou a menina à instituição, aos 7 anos. Hoje, Adelia revisita sua memória com uma mistura de franqueza e ironia.

“Eu fui criada num asilo, no interior do interior, sem nem saber que cinema existia”, lembra.

Guiomar tinha se mudado para o Rio de Janeiro, com as duas filhas, para morar e trabalhar na casa da patroa, deixando para trás uma situação de extrema vulnerabilidade. A virada simbólica permanece na imagem que Adélia ainda guarda: “A primeira coisa que eu vi foi o relógio da Central do Brasil”, recorda.

Entretanto, a patroa não aceitou que a empregada trouxesse as meninas para sua casa e impôs a separação. 

“A patroa da minha mãe colocou a minha irmã no colégio interno, e minha mãe teve que me deixar em Minas novamente. Lembro bem das belas roupas que a patroa da minha mãe comprou na Loja Sears, na Praia de Botafogo, para que depois eu fosse para o asilo’’.

A cineasta morou até os 12 anos no abrigo, e sua reunião com a família e a entrada no cinema tiveram a ver com sua irmã mais velha, Eliana.

”Foi minha irmã Eliana, que trabalhava como revisora de filmes russos em uma distribuidora da Cinelândia, no centro do Rio, conseguiu convencer minha mãe a deixar o trabalho em casa de família e me buscar em Minas”, conta emocionada.

De volta ao Rio de Janeiro, bastou uma sessão de cinema com a irmã para Adélia mergulhar em um novo mundo:

“Eliana me levou com 13 anos ao cinema pela primeira vez, para assistir a Ivan, o Terrível, de Sergei Eisenstein. Eu saí encantada, feliz da vida, e falei: ‘Eu vou fazer isso’. Riram da minha cara, claro. Mas eu fiz”, relembra.

Primeiros filmes

Adélia começou no cinema como recepcionista, nos anos 60, na Difilm [Distribuidora de Filmes Ltda.], que funcionava como uma produtora e distribuidora de filmes independentes no bairro da Cinelândia e tinha como sócios grandes nomes do Cinema Novo como Glauber Rocha, e Leon Hirszman. Sua rotina, entretanto já envolvia uma série de tarefas que são consideradas do escopo da produção.

Entre trabalhos administrativos em distribuidoras e laboratórios de pós-produção, Adélia aprendeu o ofício pela prática, pelo improviso e pela persistência.

Ela conta que carregava negativos dentro de um embrulho de jornal e os guardava na geladeira azul de casa, onde também congelava carne: “Me ensinaram que o negativo não estragava assim, então eu guardava tudo ali”.

Foi aos 22 anos que dirigiu Denúncia Vazia (1979), seu primeiro curta, sem recursos mas com a rede de confiança e afeto construída no meio cinematográfico.

Já casada e mãe, ela montava seus filmes de madrugada, quando estavam disponíveis as cabines que hoje são chamadas de ilhas de edição.

A amiga e montadora Helza Fialho, que tinha acesso ao equipamento profissional, encorajava. “Vamos fazer de graça. Arranjo champanhe”, dizia a amiga, segundo Adelia.

Pioneirismo

A ascensão da cineasta se dá em um contexto de quase completa ausência de mulheres negras atrás das câmeras. Quando questionada sobre as barreiras enfrentadas, ela resume com contundência:

“Ser mulher, negra e cineasta no Brasil é ser bastarda três vezes. Deus deve ter olhado e dito: ‘É dela’”

Ainda assim, sua filmografia nasce justamente do lugar que a sociedade insistia em lhe negar: o da autoria, da assinatura, do controle narrativo.

No início dos anos 1980, em plena vigência da censura na ditadura militar, Adelia decide filmar Amor Maldito. O roteiro é inspirado em um caso real que havia ganhado as páginas policiais: um suposto romance entre duas mulheres, em que uma delas é encontrada morta após um suicídio. A imprensa transformou o drama em espetáculo moralista, criminalizando a sobrevivente.

Adélia mergulhou nos arquivos, conversou com envolvidos, escreveu a primeira versão do roteiro com o jornalista e escritor José Louzeiro. Ela sabia exatamente a rejeição que enfrentaria.

“Eu tinha certeza de que ninguém ia me dar dinheiro para dirigir um filme sobre lésbicas, suicídio e ainda com uma mulher negra atrás da câmera. Então, fomos com a cara e a coragem.”

Sem financiamento da Empresa Brasileira de Filmes S.A. (Embrafilme), empresa pública que apoiava o cinema brasileiro e foi extinta em 1990, o longa foi realizado com apoio voluntário de atores, equipe técnica e amigos.

Para que fosse distribuído, Adelia acabou aceitando que Amor Maldito fosse classificado como pornochanchada — categoria que, nos anos 1970 e 1980, garantia acesso às salas de cinema, apesar do rótulo estigmatizante.

“Eu não tinha medo de ousar. Se o jeito de botar o filme na rua era esse, eu ia botar.”

 


Rio de Janeiro (RJ), 19/11/2025 A cineasta Adélia Sampaio, homenageada na 7ª Mostra Competitiva de Cinema Negro, durante entrevista à Agência Brasil, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A cineasta Adélia Sampaio, homenageada na 7ª Mostra Competitiva de Cinema Negro, durante entrevista à Agência Brasil, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Histórias reais

Assim como o longa de estreia, sua filmografia é atravessada por fatos verídicos. O curta Denúncia Vazia, por exemplo, nasce da história de um casal de idosos despejado após a aplicação da lei da “denúncia vazia”, que permitia ao proprietário recuperar o imóvel sem justificativa. Diante da impossibilidade de permanecer na casa onde viveram a vida inteira, os dois tiraram a própria vida.

Adelia procurou atores que admirava, Rodolfo Arena e Catarina Bonacasse, e os convenceu a participar. “Todo mundo dizia que eu era abusada. E eu era mesmo.”

Apesar de estar no centro de um marco histórico do cinema brasileiro, Adelia só descobriu que era a primeira cineasta negra do país muitos anos após a estreia de Amor Maldito. A revelação veio pela historiadora e cineasta Edileuza Penha de Souza, que encontrou seu nome em pesquisas sobre a participação de mulheres negras no audiovisual.

“Eu nem sabia. Fiquei emocionada. Mas também pensei: que loucura um país esperar tanto por uma mulher negra atrás da câmera.”

Em 2016, Edileuza criou a Mostra de Cinema Negro Adelia Sampaio, hoje referência para novos realizadores e pesquisadores do cinema afro-brasileiro.

A mostra chega à sétima edição em 2025, enquanto a própria Adelia se torna símbolo de uma geração de cineastas mulheres e negras que encontram em sua trajetória um ponto de partida. 

Embora fale publicamente sobre sua origem, Adelia é categórica sobre sua linhagem paterna. “Sou filha de um dentista mineiro, Adélio. A família dele me procurou agora. Eu não quis. Minha mãe me criou sozinha. Ele, não. Não achei justo com ela.”

Para ela, a identidade racial nunca esteve em dúvida. “Eu sempre soube que era negra. Por causa da minha madrinha, da minha família. Só não sabia que isso iria virar um entrave em tudo. Mas virou.”

Aos 80 anos, Adelia continua sendo referência para cineastas mulheres, negras, LGBTQIA+ e para toda uma geração de realizadores que busca romper com padrões de representação. Sua obra segue sendo exibida em mostras, escolas, circuitos de formação e festivais no Brasil e no exterior. Mais do que pioneira, é considerada uma cineasta que transformou sobrevivência em estética, dor em narrativa e precariedade em potência criativa.

Apesar disso, ela confessa que o cinema foi primeiro um susto, para que depois fosse uma decisão em sua vida: “Saí daquele cinema e disse: ‘Eu vou fazer isso’. E fiz.”



EBC

Após 18 anos de luta, ocupação no centro do Rio é regularizada


A Ocupação Manuel Congo, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, localizada no Centro do Rio de Janeiro, é oficialmente inaugurada neste sábado (22), após 18 anos de luta pela regularização.

A ocupação, que abriga 42 famílias, fica em um edifício de dez andares na Rua Alcindo Guanabara, número 20, no centro do Rio de Janeiro. É vizinha de parede da Câmara Municipal e está a poucos passos do Theatro Municipal e da Biblioteca Nacional.

As obras de requalificação do prédio foram financiadas pelo Programa Minha Casa Minha Vida – Entidades. Neste sábado, as 42 famílias assinam titulação coletiva.

O programa, que é uma linha do Minha Casa Minha Vida, é voltado para a concessão de financiamento subsidiado a famílias organizadas por meio de entidades privadas sem fins lucrativos para produção de unidades habitacionais urbanas, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social.

Segundo o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), a Manuel Congo se tornou uma referência nacional por ser a primeira ocupação do país contratada na modalidade de Requalificação/Retrofit e tende a ser a primeira também com titulação coletiva no contexto urbano.

“Essa titulação coletiva, que contraria a individualização de propriedades, faz parte de um debate do MNLM pela desmercantilização da moradia e para que essa conquista não acabe, por meio de locação e venda, nas mãos do mercado imobiliário”, diz o movimento em nota.

A Ocupação dispõe de um restaurante, que gera trabalho e renda para parte das famílias, e está iniciando um projeto de instalação de energia solar, com apoio da Elo/Caixa Econômica Federal, com objetivo de produzir de energia limpa e redução dos custos para as famílias.

O sábado é de festa, a programação começa às 12h e conta com feijoada, música, memória e solenidade de assinatura do documento de titulação. O movimento informa que o dia 22 de novembro torna-se “um dia histórico para os movimentos populares e todos/as que lutam e esperançam uma outra concepção de cidade e sociedade”.



EBC

Bolsonaro é preso preventivamente em Brasília


O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado (22). Em nota, a Polícia Federal informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta sexta-feira (21) o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou, pelas redes sociais uma vigília de orações próxima à casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.  

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes diz que a reunião poderia causar tumulto e até mesmo facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”.

 Moraes também determina que seja realizada, neste domingo (23), audiência de custódia, por videoconferência, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, além da disponibilização de atendimento médico em tempo integral ao réu. 

A decisão diz ainda que todas as visitas deverão ser previamente autorizadas pelo STF, com exceção da dos advogados e da equipe médica que acompanha o tratamento de saúde do réu. 

Também nesta sexta, a defesa de Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.  

Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deve continuar em prisão domiciliar. O pedido da defesa pretende evitar que Bolsonaro seja levado para o presídio da Papuda, em Brasília.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, determinada após o descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF. Ele estava usando tornozeleira eletrônica e proibido de acessar embaixadas e consulados, de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras e de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.



EBC

Atlético-MG busca título inédito na Copa Sul-Americana


O Atlético-MG enfrenta o Lanús (Argentina) para buscar o inédito título da Copa Sul-Americana. O confronto entre o Galo e a equipe argentina será realizado a partir das 17h (horário de Brasília) deste sábado (22) no estádio Defensores del Chaco, em Assunção (Paraguai).

Esta é a primeira vez que o Atlético-MG disputa a final da Sul-Americana. Já o Lanús busca o bicampeonato da competição, após levantar o troféu no ano de 2013.

O Galo chega à decisão após um ano difícil, no qual vem realizando uma campanha de altos e baixos no Campeonato Brasileiro (no qual ocupa a 11ª posição com 44 pontos colocados). Segundo o técnico argentino Jorge Sampaoli, o título da Sul-Americana pode ser um motivo de alegria para a torcida: “Seria uma alegria [conquistar a Sul-Americana] após um ano que não foi o melhor. E com certeza esse ano poderia finalizar com muita alegria”.

Na opinião de Sampaoli, o Atlético-MG não deve esperar facilidades diante do Lanús, um adversário que mostrou força ao deixar pelo caminho o Fluminense (nas quartas de final): “Fizeram uma Sul-Americana muito estável, venceram com autoridade”.

Esta é a terceira oportunidade na qual o Galo e a equipe argentina disputam uma final. A primeira decisão entre as equipes foi disputada em 1997, quando o time mineiro aplicou um 4 a 1 para ficar com o título da Copa Conmebol. Já em 2014 o Atlético-MG foi melhor para ficar com o troféu da Recopa Sul-Americana.

O Galo chega à decisão com uma certeza e uma dúvida. A certeza é o desfalque de Patrick, que não joga por causa de uma lesão muscular na coxa direita. Já a dúvida é a presença ou não de Alan Franco, com problemas musculares. Assim, Jorge Sampaoli deve armar a equipe com: Everson; Saravia, Vitor Hugo e Alonso; Guilherme Arana, Fausto Vera (Alan Franco), Alexsander, Gustavo Scarpa e Bernard; Hulk e Dudu.





EBC

BNDES abre consulta de elegibilidade para Plano Brasil Soberano


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta sexta-feira (21) consulta para fornecedores e empresas exportadoras impactadas pelas tarifas dos Estados Unidos verifiquem se podem ter acesso ao Plano Brasil Soberano.

As empresas e os fornecedores podem checar se atendem aos critérios no site do banco.

Para fazer a verificação, é preciso usar a plataforma GOV.BR, exclusivamente por meio do certificado digital da empresa. Após a autenticação, o sistema informará se a empresa é elegível e quais soluções do Plano Brasil Soberano podem ser solicitadas.

Com o resultado da consulta, os exportadores poderão procurar as instituições financeiras credenciadas para solicitar o apoio financeiro.

No dia 13 deste mês, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a expansão do público que pode ter acesso ao financiamento do Brasil Soberano, incluindo aqueles que tiveram a partir de 1% do faturamento das exportações afetado pelo tarifaço.

O BNDES já aprovou R$ 7,6 bilhões em créditos do Plano Brasil Soberano.



EBC

INSS cria comitê para reduzir fila de 2,8 milhões de pedidos


Um comitê estratégico foi criado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a fim de reduzir uma fila de 2,8 milhões de pedidos de benefícios, como aposentadoria, pensão e salário-maternidade.

A proposta para o novo comitê, segundo o governo, é monitorar, avaliar e propor soluções para o aumento de 23% no volume de novos pedidos recebidos pela autarquia.

O INSS argumenta que, apesar do crescimento no número de pedidos da fila, o tempo médio para a concessão de benefícios tem apresentado queda. Atualmente, esse período é de 35 dias.

Pendências

Dados do INSS mostram que há 920 mil processos que podem ser resolvidos diretamente pelo instituto. Além desses casos, o novo comitê vai buscar “soluções e melhorias” para 1,9 milhão de pedidos que apresentam pendências externas, como aqueles casos com ausência de documentos e biometria. 

>> Confira aqui como está a fila de pedidos no INSS

O prazo final para os trabalhos do comitê é 30 de junho de 2026.

Conforme o INSS, o presidente do órgão, Gilberto Waller, destacou que apenas um terço da fila está sob a governabilidade do INSS. Ele reconheceu o trabalho dos mutirões para diminuir a fila.



EBC

Retirada de sem-terra de fazendas em Rondônia termina com duas mortes


Policiais militares de Rondônia mataram, na quinta-feira (20), em Machadinho do Oeste (RO), duas pessoas que participavam, junto com centenas de famílias, da ocupação de quatro fazendas do grupo Nelore Di Genio. As propriedades integram o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo.

Segundo a Polícia Militar (PM) de Rondônia, os irmãos Alex Santos Santana e Alessandro Santos Santana foram baleados ao trocar tiros com agentes do Batalhão de Choque que patrulhavam uma área já desocupada. Fontes ligadas à Comissão Pastoral da Terra (CPT) ouvidas pela Agência Brasil refutam a versão policial, acusando a PM de perseguir os sem-terra, mesmo após o grupo ter começado a deixar as fazendas, conforme determinação judicial.

De acordo com a PM, os policiais estavam patrulhando a região para inibir uma nova ocupação da área que os sem-terra reivindicam que seja destinada à reforma agrária. Foi quando avistaram um veículo trafegando em alta velocidade pela Rodovia RO-133. A bordo do carro estavam os irmãos Santana.

Os policiais garantem que sinalizaram para que o motorista parasse, mas este ignorou o aviso, tentando escapar da abordagem. Ainda segundo a PM, ao serem perseguidos, os ocupantes do carro, um Renault Clio, atiraram contra os agentes, que reagiram.

“O veículo prosseguiu em fuga até ser cercado por outras viaturas”, narraram os PMs. “Mas, ao tentar se esconder em uma área de mata, o carro ficou preso [atolou] em areia fofa. Dois indivíduos armados desembarcaram e dispararam novamente contra as guarnições, configurando um segundo ato de agressão armada”, acrescentou a Polícia Militar.

Atingidos por disparos policiais, os irmãos Santana foram encontrados caídos em um matagal. Um deles foi baleado no peito – a PM não informou se Alex ou Alessandro. O outro tinha um grave ferimento à bala em uma das pernas. Levados para o Hospital Municipal de Machadinho, os dois não resistiram aos ferimentos.

A polícia garante ter apreendido duas armas de fogo e munição usadas pelos irmãos Santana. Mas a PM admite que, embora acionada, a Perícia Criminal não pôde comparecer ao local nem mesmo após os corpos terem sido removidos, “devido à distância e ao histórico de conflitos na região”. O carro em que Alex e Alessandro estavam foi recolhido.

Assessor agrário da CPT, Josep Iborra, conhecido como Zezinho, afirma que o cumprimento da decisão judicial de reintegração de posse das fazendas Maruins, Santa Maria, São Miguel e São Vicente, do grupo Di Gênio, produziu uma verdadeira “caçada humana” contra os sem-terra, que tiveram que deixar todos seus pertences para trás.

“As 440 famílias já desocuparam as fazendas, pacificamente, mas muitas delas continuam nas imediações, dispersas, escondidas no mato, sem ter para onde ir”, disse Zezinho, negando que os sem-terra tenham permanecido na região com a intenção de voltar a ocupar a área assim que a PM deixe a região.

Segundo Zezinho, a desocupação das fazendas do Grupo Di Gênio, que os sem-terra alegam ser terra pública grilada, começou há algumas semanas e foi levada a cabo sem prévia notificação aos sem-terra. De acordo com ele, também não houve a apresentação de um Plano de Desocupação, conforme determina o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em casos de ações possessórias coletivas e com o emprego de dezenas de viaturas policiais, helicópteros e até de um carro blindado.

Isso apesar de, conforme a Agência Brasil apurou, as determinações de reintegração de posse terem sido expedidas entre 30 de maio e 3 de outubro, em quatro diferentes processos, por dois juízes do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO): Matheus Brito Nunes Diniz e Pauliane Mezabarba.

Ainda de acordo com Zezinho, os irmãos Alex e Alessandro integravam o grupo de sem-terra que deixou a Fazenda Santa Maria. E foram mortos em circunstâncias que precisam ser esclarecidas.

“Segundo os sem-terra, não houve troca de tiros. Os corpos foram levados para o hospital, e o cenário das mortes não foi preservado para a perícia”, destacou o assessor da CPT, órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo Zezinho, a CPT acionou órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Ouvidoria Agrária Nacional e os Ministérios Públicos estadual e federal, para que acompanhem a situação e encontrem uma solução para o conflito.

Consultada sobre as críticas, a PM de Rondônia sustentou ter o dever legal de garantir a proteção dos oficiais de Justiça responsáveis por cumprir a decisão judicial de reintegração de posse. E reafirmou que os irmãos Santana foram mortos por terem reagido violentamente à abordagem policial.

“A conduta dos envolvidos, ao desobedecer a ordens legais e disparar contra agentes públicos, representou um grave risco à coletividade e à ordem pública, justificando a intervenção da guarnição”, completou a PM, garantindo que o Batalhão de Choque seguirá na região, “visando restabelecer a ordem e a paz social durante a Operação Reintegração de Posse Grupo Di Gênio”.

À Agência Brasil, os advogados que representam o Grupo Di Gênio informaram que sucessivas invasões das fazendas de Machadinho do Oeste vêm ocorrendo desde ao menos o ano passado. Motivando-os a ingressarem na Justiça estadual com ações civil e criminal a fim não só de obter a reintegração de toda a área, que alegam ser produtiva, como também para registrar e cobrar providências contra os danos atribuídos aos sem-terra.

Segundo os advogados, ao ocupar as fazendas adquiridas por Di Genio na década de 1970 e usadas para a recria e engorda de gado, os sem-terra estariam desmatando a vegetação nativa; extraindo madeira ilegalmente – inclusive com o uso de tratores, caminhões e motosserras –; construindo barracos e loteando a propriedade com a clara intenção de, posteriormente, revendê-los.

A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e com o Ministério Público de Rondônia e aguarda suas manifestações.



EBC

Demarcação de terras e maior participação mobilizaram protestos na COP


Enquanto as negociações não terminam, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ficou marcada por protestos de indígenas na Zona Azul, nesta sexta-feira (21). Eles protestaram pela demarcação de terras, a favor dos guarani kaiowá e contra mineração promovida por empresas do Canadá, em diversos países do continente americano, inclusive o Brasil.

A manifestação ocorreu no momento da retomada das negociações, após o incêndio que atingiu parte dos pavilhões dos países nessa quinta-feira (21). (), também na Zona Azul.

Entoando cânticos, os indígenas percorreram o corredor central da Zona Azul, atraindo a atenção de negociadores, observadores e de quem circula pela conferência. Com cartazes, pediam a saída de empresas canadenses dos territórios indígenas e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó.

O protesto foi realizado após o término da Plenária dos Povos, organizada pela rede Climate Action Network – International, que reúne mais de 1.300 organizações não governamentais de cerca de 130 países, que promovem ações contra a mudança climática. 

Manifestações na COP30

A COP30, em Belém, recebeu inúmeras manifestações populares. Os organizadores estimam que a conferência reuniu cerca de 50 mil pessoas, com a presença de representantes de comunidades tradicionais, agricultores, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre outros.

Eles reivindicaram, entre outros pontos, maior participação nos espaços de decisão.

Em um deles, realizado no dia 12 de novembro, segundo dia da conferência, indígenas munduruku chegaram a entrar na Zona Azul, mas foram retirados pela segurança do evento. Eles reivindicavam o fim da privatização de empreendimentos no Rio Tapajós.

Outra crítica era contra a construção da Ferrogrão, ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará para escoamento de produção agrícola, e que causará impacto no modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras.

Dias após a manifestação, lideranças do povo munduruku foram recebidas pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que o governo federal vai realizar uma consulta prévia aos povos sobre o projeto de hidrovia no Tapajós.

Belém também abrigou a Cúpula dos Povos, realizada em paralelo à COP30 e um dos principais espaços de mobilização, que reuniu cerca de 20 mil pessoas de 1,3 mil movimentos sociais e a sociedade civil para discutir e apresentar demandas. Na abertura da Cúpula, uma barqueata levou mais de 200 embarcações e cerca de 5 mil pessoas as águas da Baía do Guajará, por justiça climática e social.

Em um ato político, integrantes criticaram a ausência de maior participação popular na COP30 e defenderam a Palestina. Para as organizações e movimentos, países e tomadores de decisão têm se omitido ou apresentado soluções absolutamente ineficientes colocando em risco a meta de limitar o aquecimento global a  1,5°C, conforme o Acordo de Paris. 


Belém (PA), 12/11/2025 - Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela

Belém (PA), 12/11/2025 – Barqueata da Cúpula dos Povos, liderada pela “Caravana da Resposta”. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Outro ato, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), promoveu o “Funeral dos Combustíveis Fósseis”, para denunciar os impactos climáticos causados pelo uso de combustíveis derivados do petróleo, gás natural e carvão mineral.

A Boiuna, da cultura amazônica, foi usada como símbolo de abertura de caminhos para as lutas e as demandas das populações tradicionais da Amazônia.

A maior mobilização foi a Marcha Mundial pelo Clima, que ocupou as ruas de Belém, no sábado (15) com cerca de 70 mil pessoas, mostrando a expressiva diversidade cultural e social do povo amazônico. Povos indígenas de todos os países da América do Sul também integraram a marcha, unindo as vozes para pedir que seus direitos sejam respeitados e territórios tradicionais sejam demarcados.


Belém (PA), 17/11/2025 - Marcha Global dos Povos Indígenas - A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Belém (PA), 17/11/2025 – Marcha Global dos Povos Indígenas – A Resposta Somos Nós, evento paralelo à COP30. Foto:  Bruno Peres/Agência Brasil

No mesmo dia, o Tribunal Autônomo e Permanente dos Povos contra o Ecogenocídio, órgão simbólico montado durante a COP30 por movimentos sociais, divulgou uma sentença que condena Estados e grandes empresas por violações sistemáticas contra povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e a natureza.

Ao final da Cúpula dos Povos, a Declaração Final classificou como “falsas soluções” as medidas apresentadas para o enfrentamento da emergência climática. A carta aponta o modo de produção capitalista como causa principal da crise climática crescente e ressalta que as comunidades periféricas são as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos e o racismo ambiental.

O cacique Raoni Metuktire encorajou os participantes a continuar a luta. Em carta aos participantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a Cúpula dos Povos foi fundamental para tornar viável COP30.

Os indígenas também tiveram espaço na AldeiaCOP, que abrigou cerca de três mil pessoas e recebeu apresentações, feira de bioeconomia, debates e uma casa espiritual para a prática de rituais de cura e medicina ancestral indígena. Os povos indígenas fizeram uma marcha pelas ruas da capital paraense, em que cobraram punição pelo assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos, atingido por um tiro na cabeça durante um ataque armado no município de Iguatemi, Mato Grosso do Sul. 



EBC