Mundial Sub-17 Feminino: Brasil luta, mas perde para Coreia do Norte


Não foi desta vez. A seleção brasileira feminina Sub-17 foi superada por 2 a 0 pela favorita Coreia do Norte nas semifinais do Mundial da categoria, em Rabat (Marrocos) e adiou o sonho do título inédito na competição. Yu Jong Hyang marcou duas vezes para as asiáticas, maiores campeãs mundiais na categoria (elas somam três títulos). As norte-coreanas seguem na luta pelo tetracampeonato. Já as brasileiras, que pela primeira vez na história avançaram à semi Mundial, voltarão a campo no sábado (8) para brigar pelo terceiro lugar. A partida será às 12h30 (horário de Brasília)  no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat. Na sequência, ocorrerá a decisão do título.

A primeira etapa da partida começou com pressão das norte-coreanas, que quase abriram o placar aos dois minutos, com  Kyong Kim, mas ela chutou para fora.  Três minutos depois foi a vez do Brasil ameaçar o gol norte-coreano, com um belo chute de Kaylane,  mas a bola desviou na zaga, passando rente ao gol. Aos 14 minutos, a Amarelinha sofreu a primeira baixa: com dores na coxa esquerda, Gi Seppe foi substituída por Dulce Maria. A Coreia do Norte seguiu dominando o jogo: ao 16, Jong Hyang tentou finalizar, acabou travada pela marcação de Pepe e a goleira Ana Morganti atenta defendeu a tempo. Morganti fechou o gol ouras vezes: aos 21 agarrou uma bola cabeceada por Chong Gum, e cinco minutos depois fez ótima defesa de um chute cruzado de Rye Yong.

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Aos 32 minutos, o Brasil chegou ao ataque após falha na zaga; Maria roubou a bola de Jin Ju, disparou e chutou já dentro da grande área, mas goleira Son Gyong defendeu. Aos 41 minutos, após intervenção do VAR, o árbitro anotou pênalti contra o Brasil: Adreyna tocou com a mão na bola e foi expulsa. Na sequência, Jong Hyang cobrou e abriu o placar para a Coreia do Norte.

Na volta do intervalo, logo aos cinco minutos, Jong Hyang recebeu cruzamento da direita e chutou cruzado  para o fundo da rede, ampliou para 2 a 0 a vantagem das norte coreanas. Com uma a menos em campo e diante da forte marcação adversária, a seleção não se entregou. Aos 35 minutos, Kaylane se livrou da marcação, cruzou na grande área para Evelin cabecear ao gol, mas a zaga a impediu. Na sobra, Helena ainda chutou em direção ao gol, mas a bola foi para fora. Já nos acréscimos, aos 50 minutos, o Brasil partiu para o contra-ataque com Evenlin, que ganhou da marcação e desferiu o torpedo, mas a goleira Son Gyong impediu o gol.





EBC

SOS Mata Atlântica mobiliza setor privado para conservação do bioma


A Fundação SOS Mata Atlântica lançou, nesta quarta-feira (5), a Aliança pela Mata Atlântica, uma coalizão multissetorial que mobiliza o setor privado e parceiros institucionais para investir em projetos de conservação, restauração e proteção da biodiversidade no bioma. O anúncio ocorreu durante o Summit Agenda SP+Verde, evento pré-COP30 realizado em São Paulo.

A iniciativa é o principal mecanismo de mobilização empresarial dentro da Estratégia Territorial 2023-2030, um plano de longo prazo da entidade que busca alcançar resultados mensuráveis, especialmente nas bacias do Médio Tietê e do Médio Paraíba do Sul – territórios estratégicos para o futuro hídrico e climático do bioma.

Essas bacias, que se estendem por 5,5 milhões de hectares e abrangem 170 municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, têm alta densidade populacional e econômica, e sofrem com grandes pressões ambientais. A área concentra 12 milhões de habitantes, fortes demandas por água e energia e fragmentação florestal significativa.

Por meio de inteligência e análises geoespaciais para identificar áreas prioritárias, o plano prevê, até 2030, restaurar diretamente 5 mil hectares e avançar rumo ao desmatamento zero nessas bacias. A entidade ressalta que só em Áreas de Preservação Permanente (APPs) no entorno de rios e cursos d’água, o potencial de restauração é de mais de 300 mil hectares. 

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Os indicadores para mensuração de impactos incluem área restaurada, carbono fixado, qualidade da água, conectividade ecológica e geração de empregos verdes.

“Nós temos duas grandes novidades aqui hoje. A primeira é uma abordagem territorial para um projeto de longo prazo, grande escala e baseado na ciência, para a conservação e a restauração de uma das áreas mais críticas da Mata Atlântica no Brasil, que corre risco de colapso de serviços ecossistêmicos que podem comprometer a economia e as cidades”, avaliou o diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

Segundo a fundação, já foram aportados cerca de R$ 150 milhões em diferentes ações no território e será buscado mais R$ 350 milhões em investimentos. A expectativa é atingir, no total, meio bilhão de reais até o fim da década.

Para Guedes Pinto, a Aliança pela Mata Atlântica nasce como um movimento de corresponsabilidade. “A gente vai trabalhar de maneira integrada nesses territórios, desenhando e implementando soluções, pensando na conservação da biodiversidade, da água, da agricultura e da resiliência climática”, disse.

Além de contribuir para metas globais de clima, água e biodiversidade, a entidade aponta que  a aliança permite que as empresas reduzam riscos socioambientais e econômicos, fortaleçam suas credenciais ESG e atuem pelo desenvolvimento sustentável. Até o momento, dez empresas já integram a aliança nessa parceria com a SOS Mata Atlântica.

“A preservação da biodiversidade é um tema central na construção de soluções eficazes para enfrentar o aumento da frequência de eventos climáticos extremos. Ela também é fundamental para tornar as cidades e o nosso negócio mais resilientes às mudanças climáticas em curso”, disse  Juliana Silva, diretora de Sustentabilidade da Motiva, empresa que integra a aliança.



EBC

Moraes autoriza general preso por trama golpista a fazer o Enem 


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o general Mário Fernandes a deixar a unidade prisional em que se encontra para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 9 e 16 de novembro. 

Fernandes está preso preventivamente desde novembro do ano passado no Comando Militar do Planalto, por envolvimento com a trama golpista que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo com a derrota eleitoral. 

O general foi chefe da Secretaria-Geral da Presidência e, segundo as investigações, é o autor do plano Punhal Verde e Amarelo, que previa a tomada de poder e o assassinato de autoridades. Ele é réu do núcleo 2 da trama golpista, com julgamento marcado para 9 de dezembro. 

Pela decisão de Moraes, que atendeu a um pedido da defesa, Fernandes poderá se deslocar somente nos dias de prova até a Universidade de Brasília (UnB) para prestar o Enem. O ministro especificou que a escolta policial deve ser feita de forma discreta, “sem ostensividade no uso de armas”. 

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No pedido, a defesa argumentou que o estudo deve ser prestigiado como fator de ressocialização e disse que o general pretende se valer de eventual aprovação no Enem para reduzir sua pena caso seja condenado pelo Supremo. 

“A aprovação no exame autoriza a remição de pena, independentemente de o custodiado já ter concluído o ensino médio anteriormente”, afirmam os advogados. 



EBC

Sabatina de Gonet para recondução à PGR será em 12 de novembro


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado marcou para o próximo dia 12 a sabatina do atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um novo mandato de dois anos à frente do órgão.

Durante a primeira etapa da análise da recondução de Gonet ao cargo, nesta quarta-feira (5), o relator da indicação, senador Omar Aziz (PSD-AM), avaliou a atuação do procurador-geral da República como “apartidária e técnica”.

Após a leitura do relatório, foi concedida vista coletiva aos senadores.

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Entenda

Gonet foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato de dois anos à frente da Procuradoria-Geral da República. Caso seja aprovado pela CCJ e pelo Plenário, ele permanecerá no cargo até 2027.

*Com informações da Agência Senado



EBC

Comissão do Senado aprova isenção do IR para quem ganha até RS 5 mil


Por unanimidade, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE)  aprovou, nesta quarta-feira (5), o projeto de lei (PL) do Executivo que isenta do Imposto de Renda (IR) os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. A medida ainda reduz o IR, gradualmente, para aqueles que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

O texto segue para o plenário do Senado com previsão de votar ainda nesta quarta-feira. Se aprovado, segue para sanção presidencial. Se sancionado até o final do ano, a redução do IR passa a valer a partir de janeiro de 2026. 

Atualmente, é isento do IR quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036 por mês).

O governo calcula que cerca de 25 milhões de brasileiros vão pagar menos impostos, enquanto outros 200 mil contribuintes terão algum aumento na tributação.

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O relator na CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), rejeitou as 11 emendas apresentadas alegando que a medida poderia atrasar a sanção do projeto e adiar, para janeiro de 2027, o início das novas regras. 

“Tudo que nós não queremos é que retorne à Câmara dos Deputados. Diante do exíguo prazo e do recente histórico de tramitação, da tramitação atípica na outra casa do Congresso Nacional, enviar a matéria de volta à casa iniciadora representa, sem dúvida, um risco fatal. Frustraríamos, sem dúvida, a população que aguarda ansiosamente por esse alívio em seus orçamentos domésticos, negando benefício a milhões de trabalhadores no próximo ano”, explicou Renan.

O relator lembrou que a legislação exige que mudanças tributárias sejam feitas no ano anterior ao aplicado, o que obriga que o tema seja sancionado até o final deste ano.

Para compensar a perda de arrecadação, o projeto prevê uma alíquota extra progressiva de até 10% para aqueles que recebem mais de R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês. O texto também estabelece a tributação para lucros e dividendos remetidos para o exterior com alíquota de 10%.  

Oposição

A decisão do relator Renan Calheiros de não aceitar mudanças no texto oriundo da Câmara dos Deputados foi criticada pela oposição, que gostaria de ver suas propostas analisadas.

“Vamos botar a digital do Senado aqui. Nós somos a Casa revisora, não podemos perder essa função e ter medo de exercer essa função”, criticou o senador Carlos Portinho (PL-RJ). 

O senador fez críticas à tributação sobre profissionais liberais que se transformam em pessoa jurídica (PJ) e que terão que pagar sobre lucros e dividendos. 

“A pessoa jurídica vai pagar e o profissional liberal vai pagar quando receber os seus dividendos, é isso mesmo que querem? Esses são os super-ricos? Não são”, reclamou.

No relatório, Renan Calheiros pontuou que será “residual” os casos de profissionais liberais que terão que pagar o tributo. “Em regra, os profissionais liberais com renda de R$ 1,2 milhão por ano pagam IRPF acima de 10%. Caso não paguem, eles passarão a estar sujeitos à tributação mínima”, explicou.

Ricos

A alíquota extra máxima de 10% será cobrada de quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão por ano, ou R$ 100 mil por mês. Foi mantida ainda a tributação de 10% sobre dividendos enviados ao exterior prevista no projeto original do Executivo.

Os dividendos são a parcela do lucro que as empresas pagam aos acionistas e, desde a década de 1990, são isentos de IR. Porém, a Câmara instituiu três exceções à cobrança sobre dividendos: quando remetidos para governos estrangeiros, desde que haja reciprocidade de tratamento; remessas a fundos soberanos e remessas a entidades no exterior que administram benefícios previdenciários.

A proposta também prevê mecanismos de compensação de possíveis perdas de arrecadação do Imposto de Renda para estados e municípios e o Distrito Federal.

Pelos cálculos, o governo federal conseguirá, entre 2026 e 2028, uma receita com superávit de cerca de R$ 12,27 bilhões, valor que deverá ser usado para compensar, caso haja, perdas de estados, do Distrito Federal e de municípios em razão da redução da arrecadação do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos de seus próprios servidores.



EBC

Mulheres vítimas de violência têm canal de atendimento na COP30


O Ministério das Mulheres disponibiliza até 30 de novembro um canal exclusivo no Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, voltado a mulheres vítimas de violência que estejam em Belém, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).

O objetivo é assegurar a proteção de todas as participantes da COP30, em especial, das mulheres amazônicas.

A iniciativa conta com parceria do governo do Pará.

Como funciona

O serviço gratuito funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser acessado em português, inglês, espanhol e na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O novo protocolo permitirá que as secretarias de Segurança Pública e de Mulheres do Pará, em conjunto com o Ministério Público, atuem de forma ágil e integrada, para dar encaminhamento às denúncias recebidas de violência contra as mulheres.

As denúncias serão encaminhadas para a Secretaria de Segurança Pública e para a Secretaria da Mulher, que faz o acolhimento e oferece serviços da rede, incluindo o atendimento psicológico às vítimas.

O Ministério Público, como órgão de controle, faz o monitoramento do fluxo para garantir que as mulheres tenham suas demandas solucionadas

Central

As denúncias podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros. As chamadas para o Ligue 180 são gratuitas e sigilosas.

O atendimento pode ser feito pelos seguintes canais: 

  • telefone, no número 180; 
  • WhatsApp, no número (61) 9610-0180; ou 
  • e-mail [ central180@mulheres.gov.br ].

Ao acionar o serviço por qualquer um dos canais, as mulheres digitam a tecla 0, para ter acesso ao atendimento prioritário, no idioma desejado.

Em casos de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.

Além de registrar denúncias, as mulheres podem buscar informações sobre seus direitos e acessar orientações sobre a rede de serviços especializados, como Casas da Mulher Brasileira, delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), centros de Referência e defensorias públicas.

Atendimentos

De janeiro e setembro deste ano, foram feitos 647 mil atendimentos por telefone; 22.573 por WhatsApp; 116.565 por e-mail e 18 videochamadas.

No período, o Ligue 180 registrou 113.048 denúncias de violência contra mulheres. Em 65% dos casos, a denúncia foi feita pela própria vítima, sendo que 23% das denúncias foram de forma anônima e 11% foram feitas por terceiros. 



EBC

Pesquisa indica mulheres jovens mais progressistas que homens


As mulheres jovens brasileiras são mais progressistas que os homens, que declararam posicionamentos mais conservadores à pesquisa Juventudes: Um Desafio Pendente, divulgada nesta quarta-feira (5) pela Fundação Friedrich Ebert Stiftung no Brasil (FES Brasil).

A pesquisa inédita entrevistou 2.024 jovens, na faixa etária de 15 a 35 anos, utilizando metodologia de amostragem online com painéis web.

Apesar da divergência, o estudo aponta que jovens dos dois gêneros convergem sobre a necessidade de políticas públicas e a redução das desigualdades no país. Dentre as mulheres, 65% destacaram a importância de políticas de saúde, educação e combate à pobreza.

A tendência de maior conservadorismo entre os homens aparece em outras pesquisas que colhem percepções políticas, disse à Agência Brasil o diretor de Projetos da FES Brasil, Willian Habermann.

“A gente observa isto na grande maioria dos 14 países em que fez a pesquisa. No caso do Brasil, isso aparece em relação ao posicionamento sobre o aborto, ao posicionamento político e, também, em relação aos problemas sociopolíticos do Brasil. As moças tendem a colocar problemas relativos à pobreza, de acesso a direitos e a emprego com mais força que os rapazes”.

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Posição política

No caso do Brasil, um ponto destacado pela fundação responsável pela pesquisa é que a dos entrevistados que se posiciona à direita (38%), enquanto 44% declaram ser de centro, e 18%, de esquerda. As mulheres se posicionaram mais à esquerda (20%), quatro pontos percentuais a mais do que os homens (16%).

Entretanto, quando se examina os dados sobre questões de valores, papel do Estado e a percepção sobre democracia, esse percentuais podem ser questionados, analisa o diretor de projetos da fundação.

“Tem um posicionamento mais à direita, mas a visão desses jovens não é necessariamente conservadora, nem defende todo o manual de extrema direita. Eu diria que a pesquisa consegue fazer a gente tensionar um pouco esse lugar do jovem na política, ou como ele enxerga a política”, disse Habermann

“Ainda que um pouco avesso à política, esse jovem está acompanhando e entende o papel do Estado como importante, e a necessidade de políticas de educação, emprego, segurança pública”.

Para Habermann, o percentual de 44% mais ao centro representa uma juventude que se percebe cansada com o tema da política e não representada, ou com falta de conhecimento político.

“Ao mesmo tempo, a gente consegue questionar esse posicionamento mais à direita ou à esquerda com os valores que a juventude coloca”.

Ele exemplifica que predominam as posições progressistas quanto à igualdade e direitos: 66% apoiam a liberdade de orientação sexual e identidade de gênero, 58% aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e 59% concordam que pessoas transgênero devem ter acesso a cuidados de saúde relacionados à afirmação de gênero.

Já em relação ao aborto, prevalece a posição mais conservadora: somente 33% dos jovens apoiam a legalização do aborto, enquanto 51% se declaram contrários, e 16% não souberam responder. “Há uma narrativa contrária ao aborto em toda a América Latina”, observa Habermann.

“No que tange a valores, em especial aqueles relacionados a valores de gênero e ao papel do Estado, eles demonstram que a juventude, sim, talvez esteja entre o centro e a direita, mas que ela reconhece o papel do Estado, que tem valores fundamentais para a sociedade brasileira”. 

Crise de confiança

A maioria da juventude (66%) considera a democracia a melhor forma de governo, embora 49% acreditem que uma democracia pode funcionar sem partidos, sinalizando tensões entre valores democráticos e autoritários.

Já 58% dos entrevistados manifestaram preferir um líder forte, que resolve melhor os problemas, do que os partidos ou as instituições. Em contrapartida, somente 29% disseram preferir um governo autoritário. Para Habermann, o fato de esses jovens não reconhecerem os partidos dentro da democratização é um problema.

“Quando a gente vai na parte de confiança nas instituições, os partidos políticos são instituições menos confiadas pelos jovens”, avaliou o pesquisador, apontando que há um desafio em fazer o jovem se sentir representado. “Esse é um limite que os partidos políticos precisam romper, e um tema que precisa ser observado”.

O levantamento sinaliza a existência de uma crise de confiança nas instituições políticas tradicionais, na medida em que 57% não confiam nos partidos, 45% desconfiam da Presidência, e 42%, do Legislativo. Em contrapartida, universidades, igrejas e meios de comunicação aparecem como instituições mais confiáveis.

A questão da raça é um fator determinante: jovens negros expressam maior desconfiança na polícia e no sistema judiciário, refletindo a desigualdade racial histórica e o impacto da violência institucional.

Temas sociais e satisfação pessoal

A pesquisa aponta a importância de temas sociais e direitos para os entrevistados:

  • 86% defendem a prioridade de oferta de educação e saúde pelo Estado;
  • 85% destacam a proteção ao meio ambiente;
  • 75% defendem o direito da autonomia dos povos indígenas e as comunidades étnicas sobre seus territórios;
  • 71% defendem a questão da regulamentação das plataformas digitais; 
  • 60% acreditam que deve haver um imposto adicional para os ricos, a fim de redistribuir a riqueza.

Os jovens brasileiros exteriorizam níveis elevados de satisfação pessoal: 68% estão satisfeitos com a sua vida em geral, e 70% com suas relações familiares.

Ao mesmo tempo, contudo, os jovens entrevistados demonstraram forte insatisfação com a economia (46%) e a situação do país (55%). Esses dados refletem os impactos das desigualdades históricas e das reformas que, após 2016, intensificaram a precarização do trabalho e cortaram direitos sociais, aponta a sondagem. Mesmo assim, 88% dos jovens consultados demonstraram ter expectativas otimistas quanto ao seu futuro nos próximos cinco anos.

Segundo o estudo, apesar de 58% avaliarem positivamente a educação recebida, a promessa de ascensão social por meio da escolaridade e do trabalho digno não se concretiza para muitos, em especial para jovens negros, mulheres e pessoas de classes mais baixas.

Apenas 29% dos jovens pretos e 32% dos pardos disseram ter um trabalho estável, contra 45% de brancos, enquanto 45% dos entrevistados das classes mais baixas estavam desempregados ou em busca de oportunidades.

“Ainda que a gente tenha, nesse momento, uma taxa de desemprego muito baixa, essa é uma grande preocupação dos jovens: a educação, o emprego, e o emprego de qualidade”, destacou Habermann, que apontou que 14% dos jovens tinham trabalhos temporários. “A questão é que tipo de emprego se obtém”.

A pesquisa revela também que, para 61% dos jovens, os problemas que mais preocupam o Brasil são a pobreza, o desemprego e a falta de acesso a direitos, além do consumo de drogas, corrupção e o crime organizado, temas que, para a juventude brasileira, deveriam ser abordados pelas políticas públicas no país.

Para 55% dos jovens, cabe ao Estado garantir políticas de emprego, seguido de políticas sociais (46%) e políticas para a segurança cidadã (27%). “Eles querem políticas de bem-estar social e políticas para segurança cidadã, como proposta do governo federal, de vereadores, de deputados estaduais”.

Redes sociais

A pesquisa mostra que o jovem brasileiro está muito conectado com as redes sociais para acessar informações, bem como meio de mobilização social e política.

As redes sociais são o canal preferido para a busca diária de informações por 60% dos jovens, e 33% recorrem a esses canais algumas vezes na semana, totalizando 93% de engajamento frequente.

Do mesmo modo, 57% citam as redes sociais como o canal predominante para buscar informações, seguidas da televisão (45%), que mantém presença forte e acessibilidade em diversas regiões brasileiras, e apenas 2% em meios tradicionais, como jornais impressos.

Plataformas digitais como YouTube (30%), WhatsApp (25%) e outros sites na internet (24%) também se destacam, demonstrando que a busca por informação está cada vez mais fragmentada e mediada por ferramentas online.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores não mostram, entretanto, se os jovens entrevistados conferem a veracidade ou não das informações colhidas nas redes sociais. Willian Habermann destacou que a importância ou a relevância dos influenciadores foi menor do do era esperada.

“Isso ajuda a entender um pouco por onde esses jovens buscam informações. Já que as redes são citadas por 57% dos consultados. A gente pode, talvez, entender que há, sim, uma tendência a receber informações não necessariamente respaldadas, como em um jornalismo de qualidade”.

América Latina

O processo para elaboração da pesquisa Juventudes: Um Desafio Pendente foi iniciado em 2023, nos 14 países da América Latina e Caribe onde a Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES) atua. O grupo de pesquisadores da região conta com a participação da professora Elisa Guaraná, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

Segundo Habermann, os resultados apurados ajudam a pensar como se comunicar com esses jovens e o que eles colocam como demanda para o fortalecimento da democracia, direitos sociais, políticas públicas necessárias.

Embora se tenha percebido pequenas diferenças entre as respostas dos jovens dos 14 países, existe a tendência de que a juventude em geral defende a democracia e o papel do Estado como crucial para garantia dos direitos sociais, e o voto como ferramenta para transformar a sua própria realidade. Em termos políticos, há na região tendência de os jovens se posicionarem mais ao centro, depois à direita e, por último, à esquerda.



EBC

PF prende funcionário do BB por invadir sistema eletrônico do banco


Um funcionário do Banco do Brasil (BB) foi preso pela Polícia Federal (PF) pela prática dos crimes de invasão de dispositivo de informática e fraude eletrônica em uma agência do BB no bairro do Caju, na zona portuária Rio de Janeiro. A prisão em flagrante ocorreu nessa terça-feira (4)..

Ele foi flagrado ao utilizar um software malicioso em um computador da instituição financeira com o objetivo de obter dados e informações de clientes, inclusive de gerentes.

Segundo a PF, as informações seriam repassadas a outros integrantes da quadrilha, responsáveis por aplicar golpes contra correntistas do BB em todo o país.

Ele foi encaminhado ao sistema prisional do estado, onde permanecerá à disposição da Justiça Federal, aguardando julgamento, e deve responder pela prática dos crimes de invasão de dispositivo informático e fraude eletrônica. 



EBC

Zohran Mamdani, democrata e muçulmano, é eleito prefeito de Nova York


O democrata Zohran Mamdani foi eleito, na noite dessa terça-feira (4), novo prefeito da cidade de Nova York. Aos 34 anos, ele é o mais jovem a ocupar o cargo desde 1892.

Segundo agências internacionais, houve participação recorde da população, com mais de 2 milhões de votantes, maior número desde 1969. Mamdani recebeu mais de 50% dos votos e um grande apoio de jovens eleitores. O novo prefeito da cidade norte-americana venceu a disputa contra o independente Andrew Cuomo e contra Curtis Sliwa, republicano.

A vitória de Mamdani foi bastante celebrada, dada a importância de Nova York no cenário eleitoral dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, do partido Republicano, se colocou frontalmente contra Mamdani – que considerou “comunista” – e ameaçou cortar verbas da cidade caso ele vencesse.

O novo prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes e é o primeiro muçulmano a ocupar o cargo. Ele se considera socialista e é favorável à causa palestina.

Vitória dos democratas

A eleição de Mamdani não foi a única conquista do Partido Democrata nestas eleições norte-americanas. Houve também votações para governador na Virgínia e Nova Jersey, dois importantes estados dos EUA.

A democrata Abigail Spanberger se elegeu governadora na Virgínia ao derrotar o republicano Glenn Youngkin. Mikie Sherrill, deputada federal, triunfou em Nova Jersey ao vencer o republicano Jack Ciattarelli.

O ex-presidente Barack Obama foi às redes sociais na noite de ontem cumprimentar os democratas pelas vitórias. Ele escreveu: “Parabéns a todos os candidatos democratas que venceram esta noite. É um lembrete de que quando nos unimos em torno de líderes fortes e com visão de futuro, que se importam com questões sérias, podemos vencer. Ainda temos muito trabalho pela frente, mas o futuro parece um pouco mais brilhante”.



EBC

Exposição em São Paulo mostra a arte da joalheria africana


Os balangandãs, peças usadas por negras, e compostas por pingentes com representações de elementos do cristianismo e religiões de matriz africana, foram as pistas perseguidas pela artista baiana Nádia Taquary para conceber a exposição Ònà Irin: caminho de ferro, montada no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Ao todo, são 22 obras de diferentes fases de sua vida e linguagens, que homenageiam o orixá Ogum, o feminino e o sagrado perpetuado por mulheres. 

Taquary explica que os balangandãs estão relacionados ao que se chamou de pecúlio, que nada mais é do que uma tentativa das vítimas da escravidão de se libertar e escapar dessa condição. Para juntar valores suficientes para a alforria, isto é, para deixar de ser cativo ou cativa, eram autorizados pelos seus senhores a somar ao montante doações, legados e heranças. Também podiam ajudar outros escravizados a se salvarem minimamente da cruel engrenagem. 

“Não vejo nada ligado a acessório, vejo tudo aqui ligado à história. Até uma penca de balangandãs, que você pode pensar que é um acessório, nunca foi. Foi uma forma de pecúlio no próprio corpo, um corpo que precisava, mesmo tendo dono, ser o guardador de sua própria economia, porque não havia uma outra possibilidade, uma conta em banco”, pontuou a artista, em entrevista à Agência Brasil, durante a montagem da exposição.

Sequiosa por repartir com o público as elaborações que surgiram de sua pesquisa sobre joalheria afro-brasileira, iniciada em 2010, materializa o feminino e o divino em instalações, esculturas, videoinstalação e objetos-esculturas. Tal qual uma pessoa que chega ao fim do arco-íris e regressa com um pacote valioso, Taquary distribui pelo salão escuro da unidade do Sesc um e outro elementos lampejantes, suas mulheres-pássaros e, o mais importante, a força de quem sobrevivia ao impossível.

Os balangandãs, também chamados de balançançan, barangandãs, belenguendén e berenguendén, palavras de países africanos, que refletem onomatopeias, eram de ouro e de prata. E eram peças obviamente ligadas ao contexto da escravidão no território ultramarino de Portugal que era o Brasil Colônia.


São Paulo (SP), 04/11/2025 - Exposição Ona Irin. Foto: Sesc-SP/Divulgação

 Exposição Ona Irin. Foto: Sesc-SP/Divulgação

Taquary conta que quando criança seu pai lhe deu de presente um balangandã que pertenceu à sua bisavó, à avó e à mãe. Mas com mais maturidade e uma passagem pelo Museu Carlos e Margarida Costa Pinto, na Bahia, a artista, filha de uma mãe branca e um pai preto, atinou para a mensagem que o balangandã ganho carregava em matéria de tradição iorubá. 

“Eu pude adentrar essa história, e a partir dela, foi um contínuo sobre a presença feminina, o protagonismo que reúne para libertar. Diante de uma sociedade escravocrata, sexista, essas mulheres ascendem dentro de um sistema completamente desfavorável”, disse.

A artista também tem sua obra Ìrókó: Árvore Cósmica na 36ª Bienal de São Paulo, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera. 

Apesar de ter matizado elementos como tela, aquarela e barro, Taquary seguiu aderindo à sua premissa. “O protagonismo preto na joalheria afro-brasileira está pleno na exposição”, ressalta.

“No caso de toda a joalheria da minha obra, ela vem muito com uma referência de opulência, dessa estética ostentatória da joalheria africana, do povo akan [habitante da Costa do Marfim, Togo e Gana]. No Brasil Colônia, era proibido você chamar a atenção do colo para baixo, usava-se apenas um camafeu, um anel, brincos e pente, e você vê nessa joalheria uma identidade, uma outra necessidade de se posicionar dentro dessa estética”, explica.

Serviço

  • Ònà Irin: caminho de ferro, de Nádia Taquary
  • Local: Sesc Belenzinho –  Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo 
  • Até 22 de fevereiro de 2026
  • De terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 18h
  • Acessibilidade: Rampas, elevadores, pisos tátil, banheiros adaptados e outros equipamentos acessíveis.
  • Classificação indicativa: livre
  • Entrada gratuita
  • Telefone: (11) 2076-9700
  • sescsp.org.br/Belenzinho



EBC