Dois homens morrem em queda de avião em Rio Claro, no sul fluminense


Dois homens morreram na manhã deste domingo (29) depois da queda de um avião de pequeno porte em Rio Claro, no Sul Fluminense.

Segundo o Corpo de Bombeiro, o caso aconteceu por volta de 11h55 na altura da região de Passa Três, na Estrada de São João Marcos.

Houve um princípio de incêndio em uma área de matagal, que foi controlado pelos bombeiros. A área foi isolada por equipes do 28º Batalhão da Polícia Militar de Volta Redonda, município próximo de Rio Claro, e peritos são aguardados no local.

Causas da queda do avião e identidades das vítimas ainda não são conhecidas.

A investigação sobre o acidente fica sob responsabilidade da Polícia Civil e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). 




EBC

Brasil critica Israel por proibir religiosos à Igreja Santo Sepulcro


O Brasil condenou neste domingo (29), a ação da polícia de Israel que impediu o acesso de dois religiosos católicos à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental, neste Domingo (29) de Ramos. 

O Patriarca Latino de Jerusalém cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Custódio da Terra Santa, Monsenhor Francesco Ielpo, celebrariam a missa de hoje, mas foram barrados no trajeto enquanto seguiam de forma privada, sem caráter de procissão, ao local onde os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia.

O Santo Sepulcro é um dos lugares mais sagrados do cristianismo. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, quando Jesus voltou do deserto e entrou em Jerusalém, aclamado pelo povo com ramos de palmeira. 

Em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil lembrou que as restrições da polícia israelense vem ocorrendo ao longo das últimas semanas e afetam também a Esplanada das Mesquitas, que recebe fiéis muçulmanos, durante o mês sagrado do Ramadã, marcado por jejum, orações e caridade.

O governo brasileiro recordou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024 que concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita.

“Aquele país [Israel] não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, frisa a nota do Ministério das Relações Exteriores.

O Itamaraty classificou as ações recentes como de “extrema gravidade” e contrárias ao status quo histórico dos locais sagrados em Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto.

Clique aqui e confira a íntegra da nota.



EBC

Carlo Ancelotti testa mudanças para enfrentar a Croácia


O técnico italiano Carlo Ancelotti comandou neste domingo (29) um treino de preparação para o amistoso contra a Croácia. A atividade contou com a participação de todos os jogadores, inclusive do atacante Vinicius Júnior, que foi poupado da atividade do último sábado (28) por causa de dores na coxa.

Após ser derrotado pela França por 2 a 1 na última quinta-feira (26), o Brasil volta a entrar em ação na próxima terça-feira (31), quando enfrentará a Croácia no Camping World Stadium, em Orlando, a partir das 21h (horário de Brasília).

Na atividade deste domingo Ancelotti fez algumas experiências, em busca de substitutos para o atacante Raphinha e o lateral Wesley, cortados por problemas musculares sofridos no jogo contra a França. Luiz Henrique ganhou uma oportunidade na vaga do jogador do Barcelona, enquanto Ibañez apareceu na lateral direita. Outras mudanças foram a entrada de Marquinhos na zaga, de Danilo no meio-campo e de João Pedro no ataque.

Desta forma, o técnico Ancelotti formou a equipe titular da seguinte forma: Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Danilo; Luiz Henrique, Matheus Cunha, João Pedro e Vinicius Júnior.

Após o amistoso com a Croácia, o Brasil ainda terá dois compromissos antes do início da Copa do Mundo. O primeiro será um jogo de despedida da torcida brasileira. A seleção enfrentará o Panamá no dia 31 de maio no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Por fim, no dia 6 de junho, uma semana antes da estreia do Brasil no Mundial, a seleção enfrenta o Egito em seu último amistoso antes da estreia. A partida será disputada no Huntington Bank Field, em Cleveland.

Brasil na Copa

O Brasil está no Grupo C do Mundial de 2026. A estreia será contra Marrocos, no dia 13 de junho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). Na segunda rodada, o Brasil encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, às 22h. Já o encerramento da primeira fase está marcado para o dia 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami, às 19h.



EBC

Plataforma do MEC facilita volta de jovens e adultos ao ensino público


Qualquer pessoa com 15 anos ou mais que deseje concluir os estudos poderá registrar um pedido de matrícula na plataforma Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), lançada pelo Ministério da Educação (MEC) neste sábado (28), durante o Encontro Nacional da EJA.

O novo sistema do governo federal registra informações sobre a oferta de turmas e a demanda por matrículas para Educação de Jovens e Adultos na rede pública de ensino básico em todo o país.

O objetivo do MEC é facilitar o processo de matrícula escolar, a partir da mobilização das secretarias de educação para atender as demandas.

Como se cadastrar

Para quem quer iniciar os estudos ou voltar a estudar, o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA) tem duas formas de inscrição.  

As pessoas que conseguem ler e escrever devem se inscrever pelo site do programano CadEJA ou pelo aplicativo MEC Enem e preencher formulário online com nome completo, número do CPF, data de nascimento, um número de telefone ou WhatsApp com DDD ou outra forma de contato, como o e-mail ou telefone de parente ou vizinho.

Para a ferramenta filtrar a escola mais próxima e a melhor turma, primeiramente, os jovens e adultos devem escolher a unidade da federação, o município e o bairro onde desejam estudar e o turno – se manhã, tarde ou noite.

Na penúltima etapa, o internauta precisa marcar a opção de quando parou de estudar: antes de aprender a ler e escrever; no ensino fundamental; ou no ensino médio (antigo segundo grau).

No final, o futuro estudante deve indicar situações especiais, como estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e/ou ser uma pessoa com deficiência (PCD).

Próximos passos

Depois de fazer a inscrição, o cidadão recebe um número de protocolo e deve aguardar o contato da Secretaria de Educação local com oferta de EJA no bairro escolhido. 

Com a sinalização de existência da vaga pela rede pública de ensino, basta a pessoa realizar a matrícula para voltar a estudar.

CadEJA

O Cadastro da Educação de Jovens e Adultos faz parte do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), política que visa superar o analfabetismo e elevar a escolaridade da população com mais de 15 anos que não terminou os estudos na idade recomendada.

O Ministério da Educação ressalta que, atualmente, não existe nenhum meio físico ou digital para que as pessoas possam registrar a demanda pela modalidade, exceto nas próprias escolas. Por isso, a nova plataforma foi criada.

Caso precise de ajuda para entender a inovação tecnológica, o MEC disponibiliza a página virtual do CadEJA e o canal de atendimento telefônico oficial: 0800-616161.

 



EBC

Uma aposta leva sozinha prêmio de R$ 37 milhões da Mega-Sena


Uma única aposta acertou as seis dezenas do concurso 2.990 da Mega-Sena, sorteado na noite deste sábado (28). O ganhador vai levar o prêmio de R$ 37.983.331.

Os números sorteados foram: 06 -14 -18 – 29 – 30 – 44

Quarenta e cinco apostas acertaram cinco números e cada uma delas recebe R$ 48.264.

Já a quadra teve 3.814 apostas vencedoras, que recebem prêmio de R$ 938, cada.

Apostas

O próximo concurso ocorre no dia 31 de março e a estimativa do prêmio é de R$ 3,5 milhões. As apostas podem ser feitas até as 20h do dia 31, em qualquer casa lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.




EBC

Moraes nega livre acesso de filhos de Bolsonaro à prisão domiciliar


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou neste sábado (28) um pedido da defesa de Jair Bolsonaro de revisão dos horários restritos de visitação e de concessão de “livre acesso” aos filhos do ex-presidente que não moram na residência onde o ex-presidente cumpre pena, no Lago Sul, bairro de Brasília. Desde sexta-feira (27), Bolsonaro está em prisão domiciliar temporária. 

Na última terça-feira (24), o ministro Moares concedeu prisão domiciliar humanitária temporária ao ex-presidente, atendendo a um pedido da defesa que alegava que ele não teria condições de voltar a cumprir pena na penitenciária Papudinha, devido ao agravamento de seus problemas de saúde.

Na decisão de ontem, no âmbito da Execução Penal (EP) nº 169/DF, o ministro Alexandre de Moraes esclarece que a prisão domiciliar concedida representa “uma medida excepcionalíssima fundamentada exclusivamente em razões de saúde, para substituir o recolhimento em estabelecimento prisional.”

O ministro da Corte acrescenta que o custodiado continua sujeito às regras e restrições inerentes ao regime fechado, ainda que esteja em seu domicílio.

“Importante destacar que tal concessão não implicou alteração do regime de cumprimento de pena, que permanece sendo o fechado, conforme fixado no título executivo judicial transitado em julgado.”

O despacho mantém a autorização de visitas permanentes de seus filhos Flávio Nantes Bolsonaro, Carlos Nantes Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro às quartas-feiras e sábados, em um dos seguintes horários: de 8h às 10h, 11h às 13h e 14h às 16h.

Para a esposa de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, a filha do casal e a enteada, que residem na mesma casa, o acesso é livre.

Prisão domiciliar

Inicialmente, a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro tem duração de 90 dias. A manutenção do benefício deverá ser reanalisada pelo ministro, que poderá solicitar nova perícia médica.

Alexandre de Moraes também determinou que Bolsonaro volte a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Em novembro do ano passado, antes de ser condenado pela trama golpista, o ex-presidente foi preso após tentar violar o equipamento que usava. 

Em outra decisão proferida neste sábado, o ministro também proibiu o sobrevoo de drones em um raio de 100 metros da casa de Jair Bolsonaro.

Condenação

O ex-presidente da República foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado, na ação penal da trama golpista, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Ele cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conhecido como Papudinha.

Em 13 de março, no entanto, Bolsonaro foi encaminhado ao Hospital DF Star, na Asa Sul, em Brasília, socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192), após apresentar quadro de febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

O ex-presidente foi diagnosticado com um quadro de pneumonia bacteriana e permaneceu internado na unidade hospitalar privada até a última sexta-feira, quando recebeu alta médica e passou a cumprir a domiciliar.

 



EBC

Pesquisa alerta para adolescentes ainda desprotegidos contra o HPV


O Sistema Único de Saúde oferece um método seguro para a prevenção de vários tipos de câncer: a vacina contra o HPV. Mas, para alcançar a sua máxima eficiência, essa precaução precisa ser tomada no final da infância ou início da adolescência, o que não acontece para boa parte do público-alvo. 

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (25), mostra que apenas 54,9% dos estudantes, com idades entre 13 e 17 anos, tinham certeza de que foram vacinados contra o HPV, sigla para papilomavírus humano.

Esse vírus é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero e por boa parte dos tumores de ânus, pênis, boca e garganta.

Proteção gratuita

A vacina que previne contra o HPV está disponível em todas as unidades de saúde do Brasil, e deve ser tomada por meninas e meninos, entre 9 e 14 anos.

Essa faixa etária foi definida porque o vírus é transmitido principalmente por via sexual, e a vacina é mais eficaz se for tomada antes da primeira relação. 

Apesar disso, 10,4% dos estudantes entrevistados pelo IBGE ainda não estavam vacinados e 34,6% não sabiam se tinham recebido a vacina ou não.

Isso representa quase 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos, e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção. 

A mesma pesquisa identificou que 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tinham vida sexual ativa, e que a idade média de iniciação sexual foi de 13,3 anos para os meninos e de 14,3 anos para as meninas.

Os dados foram coletados pelo IBGE em 2024 e mostram ainda que a porcentagem de estudantes que se vacinaram caiu 8 pontos percentuais na comparação com a edição anterior da pesquisa, de 2019.

Apesar de uma proporção maior de meninas ter se vacinado ─ 59,5%, contra 50,3% dos meninos ─ a queda da cobertura vacinal entre elas foi ainda mais expressiva, de 16,6 pontos. 

Falta de informação

Considerando apenas os estudantes que não se vacinaram, metade deles alegou não saber que precisava tomar a vacina. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações Isabela Balallai, isso prova como a falta de informação tem sido preponderante. 

“Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema máximo no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando têm que se vacinar e quais as vacinas disponíveis”.

Outros motivos foram apontados, mas em proporção bem menor:

  • 7,3% dos estudantes disseram que o pai, a mãe ou o responsável não quiseram que eles fossem vacinados;
  • 7,2% não se vacinaram porque não sabiam qual a função da vacina;
  • 7% alegaram dificuldade de chegar ao local de vacinação. 

A pesquisa também apontou algumas diferenças entre alunos de rede pública e privada. Entre os primeiros, 11% não se vacinaram, contra 6,9% do segundo grupo.

Por outro lado, a resistência dos pais contra a vacina foi a razão da hesitação de 15,8% dos alunos da rede privada, e de apenas 6,3% entre os da rede pública. 

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, a escola pode cumprir um papel primordial

“Quando você pega os principais fatores de hesitação vacinal, a escola resolve todos eles. Resolve a desinformação, educando o adolescente. Resolve a falta de informação, quando eles são informados que vai ter a vacinação. Resolve o acesso, porque é muito difícil levar um adolescente ao posto de saúde, mas vacinar na escola é muito mais simples. E resolve a conscientização dos pais”.

Bom exemplo

Na casa da jornalista e escritora Joana Darc Souza, a única menina não vacinada é a filha mais nova, que ainda tem 6 anos. As outras duas, com 9 e 12 anos, estão imunizadas. 

“Eu nunca tive dúvida em relação à eficácia e sempre defendi que vacina salva vidas. Isso é uma coisa que eu aprendi em casa, quando ainda era criança, e hoje eu replico com as minhas filhas”, ela conta. 

As três filhas de Joana estudam em escolas da rede municipal do Rio de Janeiro e, de acordo com ela, de vez em quando, os alunos são convocados para se vacinarem.

“Elas acabam não participando, mas só porque aqui em casa a gente sempre está atento às vacinas”.

Quem ajuda a família nesse controle é outra profissional essencial para a sucesso das políticas de vacinação: a pediatra. “Ela é bastante cuidadosa e sempre verifica a caderneta das meninas”, elogia a mãe. 

Resgate vacinal

De acordo com o Ministério da Saúde, dados preliminares das vacinas aplicadas em 2025 mostram uma cobertura maior do que a verificada na pesquisa, de 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. Desde 2024, a vacina contra o HPV é aplicada em dose única

No ano passado, a pasta lançou também uma estratégia de resgate vacinal, para imunizar os adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada.

Até agora, 217 mil jovens foram imunizados, mas a campanha segue até junho de 2026 e prevê ações de vacinação nas escolas. 

Além disso, todas as unidades de saúde também continuam a aplicar o imunizante nesse público. Quem não tiver o comprovante de vacinação, pode verificar se já recebeu a vacina no aplicativo Meu SUS Digital. 



EBC

Tráfico de africanos: países são desafiados a reparar escravização


Uma resolução aprovada na última quarta-feira (25) pela Organização das Nações Unidas reacendeu disputas históricas e políticas sobre o tráfico de africanos escravizados, e as consequências do crime nos dias atuais.

O texto estabelece que os Estados-Membros devem considerar pedidos formais de desculpas por esse passado de violações e contribuir para a criação de um fundo internacional de reparação.

Liderado pela União Africana, o documento teve a concordância de 123 países, incluindo o Brasil. Porém, teve três votos contrários, dos Estados Unidos, Argentina e Israel. Entre as 52 abstenções, se destacaram os países da União Europeia.

No centro do debate estão dois pontos sensíveis, criticados por Estados Unidos e União Europeia: a classificação da escravidão como o crime mais grave contra a humanidade e a responsabilização histórica a partir de medidas concretas de reparação.

 


Brasília (DF), 25/03/2026 - Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Foto: ONU/Divulgação

Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade” – Foto: ONU/Divulgação

O pior dos crimes?

Na reunião da ONU, União Europeia e Estados Unidos criticaram a ideia de hierarquizar violações aos direitos humanos ao longo da história.

“A afirmação de que alguns crimes contra a humanidade são menos graves do que outros diminui objetivamente o sofrimento de inúmeras vítimas e sobreviventes de outras atrocidades ao longo da história. Isto não é uma competição”, diz um dos trechos da declaração estadunidense.

“Não existe hierarquia legal entre crimes contra a humanidade. Isso corre o risco de minimizar o dano sofrido por todas as vítimas desses crimes e carece de clareza jurídica crucial para garantir a responsabilização”, disseram os europeus.

A resolução aprovada na ONU explica por que considera tráfico e escravidão de africanos crimes sem precedentes.

“Devido à ruptura definitiva na história mundial, à sua escala, duração, natureza sistêmica, brutalidade e consequências duradouras que continuam a estruturar a vida de todas as pessoas por meio de regimes racializados de trabalho, propriedade e capital”, diz um dos trechos.


RIO DE JANEIRO (RJ), 07/07/2023 - A historiadora e pesquisadora do Projeto Passados Presentes, Professora do PPGH/UFF e pesquisadora do PPGHS da FFP/UERJ, Martha Abreu durante seminário O caso do navio escravagista Camargo, no Arquivo Nacional. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A historiadora Martha Abreu é professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em memória da escravidão – Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil 

A historiadora Martha Abreu, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em memória da escravidão, corrobora o texto da resolução.

“É, claro, um posicionamento político. Não se trata de desvalorizar outros crimes e genocídios, como o dos curdos e os massacres das populações indígenas na América. Mas entendo que tráfico e escravidão de africanos foram o maior crime contra a humanidade. Pelo número de pessoas retiradas da África, o longo tempo, as consequências e efeitos até hoje”, avalia Martha.

Segundo o banco de dados Slave Voyages, cerca de 12,5 milhões de africanos foram forçados a embarcar em navios negreiros entre 1517 e 1867. Desse total, aproximadamente 10,7 milhões sobreviveram à travessia do Atlântico e desembarcaram nas Américas.

A diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, pondera sobre as comparações, mas entende ser estratégico valorizar as lutas antiescravista e antirracista ao longo da história.

“Por um lado, acho que não é necessário hierarquizar sofrimentos e tragédias. Todos os crimes contra a humanidade possuem uma tragédia gigantesca por trás. Mas também vejo a importância de destacar a grandiosidade do mal produzido com a escravidão, como ponto de partida para garantir responsabilização e reparação”, diz Jurema.

Responsabilidades

Na ONU, a União Europeia não reconheceu, em nenhum momento, a responsabilidade do continente sobre o tráfico e a escravidão de africanos. Entre os séculos 16 e 19, Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Holanda e Dinamarca foram potências escravistas.

O bloco disse “saudar a iniciativa” da União Africana. Defendeu a escravidão como uma “tragédia sem paralelos”, que “não deve ser esquecida”. Também reforçou a permanência, nos dias atuais, de “disparidades” que impedem participação igualitária dos afrodescendentes na sociedade. Porém, os europeus argumentaram que normas internacionais atuais não podem ser aplicadas para períodos passados.

“O princípio da não retroatividade, pedra angular fundamental da ordem jurídica internacional, deve ser rigorosamente respeitado. As referências a pedidos de reparação também carecem de fundamento jurídico sólido”, diz a nota.

Os Estados Unidos chamaram de cinismo a tentativa de usar “recursos modernos para pessoas e nações que têm pouca ou nenhuma relação com as vítimas históricas”.

 


Brasília (DF), 25/03/2026 - Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Foto: ONU/X

Placar de votação da resolução da ONU que reconhece o tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade” – Foto: ONU/X

A historiadora Martha Abreu contesta os argumentos. “Essa suposta incompatibilidade legal não se sustenta. Ao longo do século 19, há uma série de legislações proibindo o tráfico de escravizados. Várias nações do mundo assinam tratados nesse sentido, que não são respeitados. Então, já havia, naquela época, uma violação da lei”, explica a historiadora.

“Também não faz sentido desvincular presente do passado. De onde vem parte da riqueza dos países europeus? Da exploração do tráfico e da escravidão. E a pobreza que atinge vários países da África e a população negra? Há uma continuidade histórica que explica essas questões. Os problemas não se encerram no passado”, complementa Martha.

Para isentar os Estados atuais de responsabilidade com o passado, uma linha revisionista – estimulada principalmente por setores da extrema-direita – vai além: culpa os africanos, em igual medida aos europeus, pelo tráfico de escravos. A historiadora explica que a comparação não faz o menor sentido.

“É evidente que houve africanos que se envolveram no tráfico. Mas o volume disso é completamente inexpressivo frente ao que foi a chegada dos europeus na África. É impossível comparar responsabilidades, quando medidos o impacto, a interferência e a violência dos europeus”, diz Martha.

“Havia escravidão na África, mas sem volume e poder de aniquilação da vida e da memória dos povos. Europeus fomentaram guerras na África, levaram milhões para a escravidão do outro lado do Atlântico. E continuaram a impactar a África no século seguinte com o imperialismo e a colonização”, complementa.

Reparação

A resolução da ONU estabelece a necessidade de um sistema de justiça reparatória. Países africanos e caribenhos defendem a estruturação de um fundo internacional para financiar projetos de desenvolvimento, educação e saúde em nações afetadas pelo tráfico transatlântico. Nesse sentido, a ONU deve trabalhar em metodologias para quantificar os danos históricos.


Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2024 – A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, durante ato que pede justiça para o caso do adolescente Johnatha, morto por um policial militar do Rio de Janeiro.  Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck – Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil

Quando se fala em reparação, também são lembradas as responsabilidades das elites locais nas Américas e dos Estados independentes que mantiveram a escravidão como elemento central de suas sociedades, casos dos Estados Unidos e do Brasil.

“Há que se reforçar que boa parte da elite brasileira atual tem, na origem da sua riqueza, a espoliação de africanos afrodescendentes. A reparação oferece para países e sociedades a possibilidade de construção de uma outra humanidade, que seja capaz de enfrentar o racismo e produzir igualdade. Porque a gente ainda está longe disso”, disse Jurema Werneck.

No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados deve votar em breve a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024. O texto já foi aprovado nas comissões especiais da Casa. A PEC estabelece a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial.

Os recursos do fundo viriam de empresas que lucraram com a escravidão e doações internacionais. Também está prevista a aplicação, pela União, de R$ 20 bilhões nos próximos 20 anos em projetos voltados para a promoção cultural, social e econômica da população negra brasileira.

“O crime contra a humanidade não vai ser reparado nunca. Essa cicatriz a gente vai carregar para sempre. O que aconteceu com os nossos antepassados foi muito grave e não tem volta. Por outro lado, é um gesto político e simbólico importante que países e populações façam essa reparação histórica para a população negra”, defende Jurema.



EBC

Horta comunitária reúne memória, cuidado e cidadania em favela do Rio


Faz um ano que a rotina de Vera Lúcia Silva de Souza, de 74 anos, começa cedo. Ela molha as plantas de casa e encara a pé a descida íngreme desde o alto do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro. Na parte baixa da comunidade, fica a horta comunitária onde trabalha para complementar a renda.

Vera é integrante do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro. Desde 2019, o grupo se reúne para catalogar espécies e saberes e manter vivas plantas que são conhecidas dos moradores, mas não de todo mundo no asfalto.

A área de plantio é uma das 84 hortas mantidas pelas comunidades com o apoio da Prefeitura do Rio, por meio do programa Hortas Cariocas, criado há cerca de 20 anos. Em 2025, de acordo com a Secretaria de Ambiente Clima, a produção dessas hortas foi de 74 toneladas. No Salgueiro, a colheita foi de 700 kg.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/03/2026 - Horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Hortas agroecológicas e ancestrais no Morro do Salgueiro, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Memória 

Vera Lúcia explica que acorda cedo porque é melhor mexer na terra pela manhã, quando a temperatura está mais amena e a água não queima as plantas.

“Molhamos primeiro e limpamos para replantar. Por causa do verão, muita coisa fracassou. Aqui pega muito Sol”, conta.

Faz um tempo que Vera decidiu buscar nas memórias de infância incentivo para colocar as mãos na terra outra vez. As lembranças são da época em que os remédios eram feitos em casa, pela mãe e pela avó, com quem ela conheceu ervas e aprendeu receitas passadas de geração em geração.

“Eu nasci lá no alto do morro”, conta Vera, apontando em direção a uma área que fica ainda mais alto do que sua casa, mas onde não existem mais moradias. “Eu vim para cá [onde mora] com 14 anos. Aqui, minha mãe e minha avó me ensinaram a plantar, a fazer um chá, um xarope, um tempero. Eu me lembro bem”, afirma.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/03/2026 - Vera Lúcia Silva de Souza, conhecida como tia Vera, em sua casa no alto do morro do Salgueiro. Hortas agroecológicas e ancestrais no Morro do Salgueiro, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Vera Lúcia Silva de Souza, conhecida como tia Vera, em sua casa no alto do Morro do Salgueiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Localizada nas franjas do Parque Nacional da Tijuca, a casa de Vera é rodeada de árvores, uma realidade atípica entre as favelas cariocas, que costumam marcar temperaturas mais quentes que a média da cidade.

Com um quintal fresco, não é só na horta comunitária que ela cultiva memórias. “Está sentindo esse cheiro? São as minhas plantas. Tem saião, alfavaca, assa-peixe, ora-pro-nóbis, do grande, que dá uma flor rosa, bem bonita”, apresenta a erveira.

Os canteiros transformaram a casa de Vera em uma referência no morro. “Tem muita muda aqui. Umas, a gente planta no mato, outras, quando me pedem, eu doo um mucadinho [pouquinho]”, revela. “Meu boldo, por exemplo, já está quase acabando. As casas aqui são apertadinhas, nem todo mundo em espaço”.

Diversidade de opções

Em um vídeo sobre a horta comunitária, Marcelo Rocha, que é integrante do mesmo coletivo, compara a pequena quantidade de opções nas prateleiras com a diversidade que as populações consumiam quando cultivavam em seus quintais:

“É comum ir ao supermercado e encontrar apenas alface, cheiro verde e rúcula. Mas temos uma infinidade de plantas comestíveis conhecidas da minha avó, da minha bisavó, como ora-pro-nóbis, caruru, alemirão, taioba serralha”, citou.

Sem placa ou aviso na entrada, a horta do Salgueiro só é conhecida pelos moradores. Ali, as ervas são cultivadas, assim como outros alimentos, que depois também são doados para a Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias.

Membro do coletivo, Walace Gonçalves de Oliveira, de 66 anos, conhecido por Tio Dadá, acrescenta que até mesmo profissionais de saúde indicam as ervas e alimentos da horta comunitária a seus pacientes. 

“Tem gente que precisa especificamente de uma verdura ou legume. Aí, o pessoal do postinho manda vir buscar aqui conosco”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/03/2026 - Tio Dadá e Tia Vera, cuidadores da horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Hortas agroecológicas e ancestrais no Morro do Salgueiro, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Tio Dadá e Tia Vera, cuidadores da horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Da remoção ao plantio

O espaço usado pelo coletivo para a horta surgiu após uma desapropriação. Estabelecida em encostas íngremes, uma vila inteira de casas foi removida por causa do risco de deslizamento.

De chapéu e enxada em punho, Tio Dadá lembra que a comunidade transformou a área, cheia de lixo, em uma horta produtiva:

“A gente tem aqui berinjela, alface, chicória, cenoura. Temos bastante coisa. Tem também limão e tem uma laranja que quase ninguém conhece, vermelha por dentro, a laranja sanguínea, muito boa”, conta ele, que tem suas preferências: “Ora-pro-nóbis é muito bom no franguinho, na carne assada. Eu não uso no chá, não gosto”, destaca.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/03/2026 - Pé de limão no alto do morro do Salgueiro. Hortas agroecológicas e ancestrais no Morro do Salgueiro, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pé de limão no Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio de Janeiro Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Alimento e cidadania

Segundo a prefeitura, as hortas urbanas têm reduzido índices de ocupação irregular de terrenos ociosos e elevado os níveis de inclusão social, além de propiciar aos moradores da comunidade alimentação livre de transgênicos e agrotóxicos.

A secretária da pasta de Ambiente e Clima da cidade do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, afirma que o suporte técnico da secretaria é contínuo. “Temos uma entrega ininterrupta de sementes, que ficam sempre disponíveis para retirada”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 26/03/2026 - Borboleta e insetos em árvore da horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Hortas agroecológicas e ancestrais no Morro do Salgueiro, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Borboleta e insetos em árvore da horta comunitária do programa Hortas Cariocas, no Salgueiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil



EBC

Incêndio de grandes proporções atinge fábrica no Brás, em São Paulo


Um grande incêndio atinge uma fábrica de mesas de sinuca no Brás, região central da capital paulista. O Corpo de Bombeiros está no local com 30 viaturas e 59 agentes.

A fábrica fica na Rua Sampaio Moreira 162 e, até o momento, não há registro de vítimas. Para ajudar no combate às chamas também foi chamada Defesa Civil. A Enel e a Sabesp também foram acionadas.

Não se sabe o que causou o fogo.




EBC