Missa relembra os oito anos do assassinato de Marielle e Anderson


Uma missa foi celebrada na manhã deste sábado (14) para família, amigos e apoiadores em memória dos oito anos do assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, e de seu motorista Anderson Gomes, na Igreja Nossa Senhora do Parto no centro do Rio de Janeiro.

Esta é a primeira missa no dia do assassinato após a condenação dos mandantes do crime.

Em 25 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal condenou por unanimidade o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Policia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estavam presos preventivamente. 


Rio de Janeiro (RJ), 14/03/2026 - Antônio Francisco da Silva Neto, pai de Marielle Franco, fala no fim da missa em memória da vereadora e de Anderson Gomes na Igreja de Nossa Senhora do Parto. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Antônio Francisco da Silva Neto, pai de Marielle Franco, fala no fim da missa em memória da vereadora e de Anderson Gomes na Igreja de Nossa Senhora do Parto. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O pai de Marielle, Antonio Francisco da Silva Neto, disse que hoje é um dia de dor que nunca imaginou que a  família passaria. Ele agradeceu as pessoas que estiveram ao lado da família até a condenação dos mandantes.

“Tivemos uma grande vitória que foi a condenação dos mandantes. Eles não esperavam que isso ia acontecer com eles um dia. Tivemos esse êxito”, afirmou.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, também agradeceu todos os que acompanharam a dor e a saudade pela morte da parlamentar.

“Ela floresce e deixou um legado ímpar.  A gente segue a lutar por mais justiça por Marielle e por todas as mulheres que foram vitimadas país afora”, explicou. 


Rio de Janeiro (RJ), 14/03/2026 - A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco, Anielle Franco, participa de missa em memória da vereadora e de Anderson Gomes na Igreja de Nossa Senhora do Parto. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco, Anielle Franco, participa de missa em memória da vereadora e de Anderson Gomes na Igreja de Nossa Senhora do Parto. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A irmã de Marielle e ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, conta que serviu de modelo para a estátua da vereadora assassinada erguida no Buraco do Lume, no centro.

“Nunca na minha vida imaginei que eu serviria de modelo para o corpo de minha irmã para uma homenagem como essa. Nenhuma família deveria passar por isso”.

Neste sábado, haverá a abertura da exposição Mulher Raça – O Legado de Marielle Franco, no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, localizado na Rua Primeiro de Março, 66, no Centro da cidade. 

Neste domingo (15), a mobilização continua com a realização da 5ª edição do Festival Justiça por Marielle e Anderson, no Circo Voador, evento político-cultural que reúne artistas, movimentos sociais e apoiadores da luta por justiça.

Anistia Internacional

Neste sábado e domingo, a organização Anistia Internacional fará uma ação pelos oito anos dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes no Largo da Lapa, no centro do Rio, articulando memória, mobilização e ação coletiva. A atividade será dividida em duas partes: primeira parte da intervenção, Cartas para Quem Defende Direitos, resgata a força das cartas que mobilizaram o mundo por justiça.

O segundo momento, Cada Peça Importa, convida o público a refletir sobre defensoras e defensores de direitos humanos que ainda aguardam justiça.

Para a Anistia, a ação reforça que a conquista de justiça por Marielle e Anderson só foi possível graças à mobilização de milhares de pessoas e que essa mesma força coletiva precisa seguir ativa pois muitos defensores e defensoras de direitos humanos ainda esperam proteção, reconhecimento e respostas. 

 



EBC

Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos


A filosofia contemporânea perde uma das vozes mais influentes na defesa do diálogo, da razão e da democracia. O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos. A morte foi confirmada nas redes sociais da editora Suhrkamp, que citou informações da família do intelectual.

Considerado um dos pensadores mais influentes do século 20 e do início do século 21, Habermas faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi divulgada.

Ao longo de mais de sete décadas de atuação intelectual, o filósofo se destacou por suas reflexões sobre democracia, linguagem e participação política, tornando-se uma referência central no debate público europeu.

Vida e formação

Nascido em 1929 na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, Habermas cresceu durante o período do nazismo, experiência que marcaria profundamente sua obra. Ainda jovem, vivenciou o fim da Segunda Guerra Mundial e usou o legado do regime nazista como ponto de partida para refletir sobre democracia, memória histórica e responsabilidade política.

Entre 1949 e 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em universidades como Universidade de Bonn, Universidade de Göttingen e Universidade de Zurique. Antes de consolidar carreira acadêmica, também atuou como jornalista freelancer.

Escola de Frankfurt

Habermas tornou-se um dos principais representantes da segunda geração da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento ligada à Teoria Crítica e marcada pela análise das estruturas sociais e culturais do capitalismo.

Ele foi influenciado por pensadores como Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, que o convidaram a integrar o Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt.

Em 1964, assumiu a cátedra de Filosofia e Sociologia na Universidade de Frankfurt, sucedendo Horkheimer e consolidando sua posição como um dos principais intelectuais da Alemanha do pós-guerra.

Pensamento central

A democracia foi o eixo central da obra de Habermas. Para ele, a legitimidade política não deveria se basear na força ou apenas no mercado, mas no entendimento construído entre cidadãos livres e iguais.

Essa visão ficou particularmente conhecida em sua obra Teoria do Agir Comunicativo, publicada em 1981. Nela, o filósofo desenvolveu a ideia de que a linguagem e o diálogo são instrumentos fundamentais para a construção de consensos e para a organização da vida social.

Outro conceito central de sua filosofia é o de “esfera pública”, entendido como o espaço de debate e deliberação entre sociedade civil e instituições políticas.

Intelectual público

Além da produção acadêmica, Habermas foi uma figura ativa no debate político. Na década de 1980, protagonizou a chamada disputa historiográfica alemã ao contestar tentativas de relativizar os crimes do nazismo.

Em diferentes momentos, também se manifestou sobre temas internacionais. Defensor da integração europeia, criticou déficits democráticos da União Europeia e se posicionou contra políticas econômicas excessivamente austeras durante a crise do euro iniciada em 2009.

Mais recentemente, alertou para os riscos de uma escalada militar da guerra entre Rússia e Ucrânia, defendendo soluções diplomáticas.

Reconhecimento

Ao longo da carreira, Habermas recebeu diversos prêmios e distinções internacionais. Entre eles estão o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, concedido em 2001, e o Prêmio Kyoto, recebido em 2004.

Sua obra gerou milhares de estudos acadêmicos e influenciou áreas como filosofia, sociologia, ciência política e direito. Para muitos estudiosos, ele ajudou a moldar o debate democrático na Alemanha e em outras partes do mundo.

Mesmo após se aposentar da docência em 1994, o filósofo continuou participando de discussões públicas e publicando livros e ensaios.

 




EBC

Esqui brasileiro mira 2ª medalha paralímpica em adeus a Milão-Cortina


A Paralimpíada de Inverno deste ano, realizada em Milão e Cortina d’Ampezzo (Itália), termina neste domingo (15). O último dia reserva as disputas de 20 quilômetros (km) do esqui cross-country, na cidade de Tesero, a partir das 5h (horário de Brasília), com participação de seis brasileiros e a esperança de mais uma medalha histórica.

Responsável pela primeira vez de um atleta do país em um pódio paralímpico de inverno, com a prata no sprint (um quilômetro) para esquiadores que competem sentados, Cristian Ribera mira uma segunda medalha em Milão-Cortina. No Mundial do ano passado, em Toblach (Itália), o rondoniense – que é radicado em Jundiaí (SP) – ficou com o bronze nos 20 km.

“Já estudamos os tempos dos dez melhores para podermos chegar firmes e fortes nas primeiras colocações. O esporte é individual, mas tem uma equipe enorme trabalhando e é por isso que a gente está evoluindo”, explicou Cristian, que nasceu com artogripose (doença que afeta as articulações das pernas), em depoimento ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Neste sábado (14), Cristian participou do revezamento do esqui cross-country ao lado da paranaense Aline Rocha e do paulista Wellington da Silva. Originalmente, disputa-se a prova com quatro atletas (dois homens e duas mulheres), que se intercalam igualmente no percurso de 10 km (2,5 km cada). Com três integrantes, coube a Wellington, único esquiador brasileiro classificado aos Jogos que compete de pé, percorrer dois trechos de 2,5 km.

“Hoje [sábado] não senti tanto a respiração, foi mais dor física, principalmente nas pernas. Gostei da prova. Fiz uma boa primeira volta; na segunda, cansei bastante. É muito bom fazer uma prova em conjunto. Sempre treino com o Cristian e com a Aline”, comentou Wellington, que tem má-formação congênita no antebraço esquerdo, à comunicação do CPB.

Eles terminaram na sétima colocação, entre dez equipes, com tempo de 27min00s5. Foi o melhor resultado do Brasil na história do revezamento. Os Estados Unidos levaram o ouro. Na edição de 2022, em Pequim, o país foi representado por quatro esquiadores (três homens e uma mulher), mas todos cadeirantes, ficando na oitava (e à época, última) posição.

“Antes, a gente fazia [a prova de revezamento] meio de brincadeira, sempre chegava em último. Com o Wellington no standing [em pé, na tradução literal do inglês], as coisas melhoraram”, disse Aline, que é paraplégica devido a um acidente automobilístico, também ao site do Comitê.

A paranaense, inclusive, é mais uma esperança de pódio neste domingo. No Mundial de Ostersund (Suécia), em 2023, ela foi bronze nos 18 km, prova que antecedeu a de 20 km no programa do evento.

Além de Aline, Cristian e Welllington, os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena e o paraibano Robelson Lula também estarão brigando por medalha neste último dia. A cerimônia de encerramento será realizada em Cortina d’Ampezzo, que recebeu as provas do snowboard, a partir de 16h30.

 



EBC

Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle para RJ


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou, neste sábado (14), a transferência de Domingos Brazão e de Rivaldo Barbosa para cumprirem pena no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Seappo) no complexo penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro (RJ).

Ambos estão entre os condenados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. 

Os dois condenados estão, atualmente, em presídios federais fora do Rio de Janeiro.

Rivaldo Barbosa, condenado a 18 anos pelos crimes de obstrução à Justiça e corrupção passiva, foi para a penitenciária federal de Mossoró (RN). Enquanto que Domingos Brazão, condenado a 76 anos e três meses de reclusão por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado, cumpre pena em Porto Velho (RR).  

Segundo a decisão de Moraes, ambos foram para presídios federais porque “integravam o topo de uma estrutura extremamente violenta” e havia risco de interferência e atuação criminosa. 

O ministro do STF explica, no documento, que o cenário se modificou. Não haveria, então, demonstração concreta de risco atual à segurança pública ou “à integridade da execução penal que imponha o afastamento do sistema prisional ordinário”.

“Isso porque as razões que embasavam a custódia preventiva, notadamente a necessidade de estancar a atuação da organização criminosa, preservar a colheita probatória e impedir interferências externas, perderam sua força, uma vez encerrada a fase instrutória e estabilizadas as provas”. 

Penas

No mês passado, a Primeira Turma do STF definiu as penas dos condenados pela participação no crime. 

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados a 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado. 

Eles estão presos preventivamente há dois anos.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Apesar de ter sido denunciado pelos homicídios de Marielle e Anderson, Barbosa foi absolvido dessa acusação.

Ronald Alves de Paula, major da Policia Militar, recebeu pena de 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, foi condenado a 9 anos. 

Os acusados também devem perder os cargos públicos após o trânsito em julgado da condenação (fim da possibilidade de recursos).



EBC

Cruzeiro derrota Atlético-MG em clássico pelo Brasileirão Feminino


O Cruzeiro levou a melhor sobre o Atlético-MG pelo Campeonato Brasileiro Feminino de futebol. Neste sábado (14), as Cabulosas venceram o arquirrival por 3 a 1, de virada, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG), pela terceira rodada da competição.

O clássico mineiro foi transmitido ao vivo pela TV Brasil.

Atual vice-campeã, a Raposa foi aos mesmos sete pontos de Santos e Flamengo, ficando provisoriamente na quarta posição pelo saldo e número de gols.

As Vingadoras, que retornam à Série A1 (primeira divisão) após o rebaixamento em 2024, permanecem com um ponto, em 14º, entre 18 clubes, mas podem ser ultrapassadas na sequência desta rodada.

Depois de um primeiro tempo de poucas emoções, a etapa final foi movimentada. O Atlético saiu na frente aos oito minutos, com Thalita.

A atacante foi lançada em contra-ataque, aproveitou que a goleira Camila Rodrigues saiu mal da grande área e finalizou rasteiro para o gol vazio.

O Cruzeiro não demorou a empatar. Aos 13, Byanca Brasil cobrou falta com categoria, no ângulo esquerdo da goleira Maike.

Cinco minutos depois, as Vingadoras tiveram a chance do segundo gol, em pênalti cobrado por Anny Marabá, mas Camila Rodrigues defendeu. Na sequência, Byanca Brasil cruzou e a também atacante Ravenna, de cabeça, virou o marcador.

Aos 43, foi a vez das Cabulosas terem uma penalidade a favor e não aproveitarem. A atacante Marília bateu mal, chutando à esquerda da meta. Ela, porém, redimiu-se nos acréscimos ao completar para as redes o desvio de cabeça da zagueira Paloma Maciel, aos 51 minutos, dando números finais ao clássico.

Sereias assumem vice-liderança

Outros quatro jogos movimentaram a terceira rodada na tarde deste sábado. Destaque à vitória do Santos para cima do Mixto, por 3 a 0, no Nogueirão, em Mogi das Cruzes (SP).

A atacante Mariana Larroquete, a zagueira Isa Cardoso e a volante Suzane Pires marcaram para as Sereias da Vila, que ocupam a vice-liderança provisória. As Tigresas, com um ponto, estão, por enquanto, em 15º lugar.

As alvinegras ultrapassaram o São Paulo na classificação. As Soberanas foram superadas pela Ferroviária no Centro de Formação de Atletas (CFA) Laudo Natel, em Cotia (SP), por 1 a 0.

A atacante Júlia Beatriz assegurou o triunfo das Guerreiras Grenás, que chegaram aos mesmos seis pontos das rivais, mas ficam atrás, provisoriamente na sexta posição, pelo saldo de gols. O Tricolor está um posto à frente do time do interior.

O Juventude, por sua vez, conquistou a primeira vitória neste Brasileirão. As Jaconeras visitaram o lanterna América-MG na Arena Frimisa, em Santa Luzia (MG), e ganharam por 1 a 0, com gol da meia Nicole Marussi nos acréscimos da etapa final.

As gaúchas foram a quatro pontos, em 12º. As mineiras seguem zeradas após três jogos.

No Sesc Campestre, em Porto Alegre, Internacional e Red Bull Bragantino empataram por 1 a 1. A meia Rafa Mineira fez o gol das paulistas e a atacante Sole Jaimes igualou.

Os dois times somam quatro pontos e estão separados pelo saldo de gols. As Gurias Coloradas ocupam, por enquanto, o sétimo lugar, enquanto as Bragantinas aparecem na 10ª colocação.

Clássicos em SP e RJ abrem rodada

A terceira rodada teve início na sexta-feira (13), com mais dois clássicos. Na reedição da Supercopa do Brasil, o Palmeiras voltou a levar a melhor sobre o Corinthians. Na estreia da técnica Emily Lima, as Brabas abriram 2 a 0, mas as Palestrinas reagiram e buscaram a vitória por 3 a 2 na Arena Crefisa Barueri, mantendo a liderança do Brasileirão.

A atacante Jhonson e a meia Duda Sampaio, de falta, marcaram para o Timão no primeiro tempo. Na volta do intervalo, a lateral Fê Palermo e as atacantes Raíssa Bahia e Tainá Maranhão definiram a virada em Barueri (SP), que levou as alviverdes a nove pontos, mantendo os 100% de aproveitamento. As alvinegras seguem com quatro pontos, em nono.

O Palmeiras ainda se beneficiou do tropeço do Flamengo, que empatou por 1 a 1 com o Botafogo no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, e perdeu a chance de se igualar ao Verdão.

A atacante Rebeca colocou as Gloriosas à frente e a zagueira Layza Cavalcanti deixou tudo igual. As Rubro-Negras aparecem, neste momento, em terceiro lugar. As rivais chegaram aos quatro pontos, na 11ª posição.

O duelo iniciou com 26 minutos de atraso. Parte da equipe de arbitragem ficou presa no trânsito e não chegou a tempo.

Segundo a súmula da árbitra Deborah Cecilia Correia, a assistente Nayra da Cunha Nunes e a quarta árbitra Jenifer Alves de Freitas tiveram que ser substituídas para o jogo começar e deram lugar a Rodrigo Carvalhaes de Miranda e Beatriz Geraldini de Souza, respectivamente.



EBC

Hugo Calderano perde de algoz olímpico e cai em torneio na China


Não deu para Hugo Calderano no WTT Champions de Chongqing (China). Neste sábado (14), o carioca foi superado pelo francês Félix Lebrun nas quartas da final da competição, que é voltada aos 32 melhores atletas do ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF, sigla em inglês).

Triunfo do europeu por 4 sets a 3, parciais de 10/12, 11/9, 10/12, 10/12, 11/8, 13/11 e 13/11, em uma hora e dois minutos de partida.

Foi a sétima vez que Hugo e Lebrun se enfrentaram, sendo a quarta vitória do francês, sexto colocado do ranking da ITTF, contra três do brasileiro, número 4 do mundo.

O jogo mais marcante entre eles valeu a medalha de bronze na Olimpíada de Paris (França), em 2024, com triunfo do mesatenista anfitrião.

No encontro deste sábado, o carioca abriu 3 sets a 1 e teve três match points (quando o jogador fica a um ponto de ganhar a partida) a favor, mas sucumbiu à reação do adversário.

Em uma das semifinais da competição em Chongqing, Lebrun encara o japonês Sora Matsushima (8º do ranking). Também mesatenista do Japão, Tomokazu Harimoto (5º), duela com o chinês Wen Ruibo (27º) no outro confronto valendo vaga na final.

A chave feminina teve participação da paulista Bruna Takahashi, número 22 do ranking da ITTF entre as mulheres. Ela estreou com vitória sobre Jian Zeng (33ª), de Singapura, mas foi eliminada nas oitavas de final pela chinesa Man Kuai, 5º do mundo, na última quarta-feira (11).

Os torneios WTT Champions estão no segundo nível de importância no circuito mundial de tênis de mesa, que é organizado pela World Table Tennis (WTT), atrás apenas dos WTT Grand Smashes, que são os quatro maiores eventos da temporada, equivalentes aos Grand Slams do tênis “de quadra”.

O primeiro Grand Smash de 2026 foi em Singapura, em fevereiro. O próximo será entre 26 de junho e 5 de julho, em Los Angeles (Estados Unidos).



EBC

Seleção feminina de basquete decide futuro no Pré-Mundial contra Mali


A seleção feminina de basquete está em situação delicada na busca por vaga na Copa do Mundo Feminina da modalidade, que será disputada na Alemanha, em setembro. Neste domingo (15), às 2h30 (horário de Brasília), as brasileiras enfrentam o Mali pela quarta e penúltima rodada do Pré-Mundial, que ocorre em Wuhan (China).

Além do Brasil, outras cinco equipes disputam o torneio em solo chinês. Uma delas, a Bélgica, já está garantida na Copa do Mundo por ser a atual campeã europeia. Ou seja, os três participantes mais bem colocados fora o time belga – que está na liderança – se classificam.

A seleção verde e amarela está em quinto, com a mesma campanha de Mali (uma vitória e duas derrotas), mas fica atrás no saldo de pontos. Se o Pré-Mundial acabasse agora, a equipe africana ficaria com a última vaga.

Na madrugada de sábado (14), pela terceira rodada, o Brasil foi superado pela República Tcheca por 84 a 65. As brasileiras foram para o intervalo ganhando por 46 a 42. A partir daí, porém, as europeias acertaram a defesa e assumiram o controle do jogo, cedendo apenas 19 pontos e se sobressaindo no coletivo.

A ala/pivô Damiris Dantas foi o principal nome da partida, com 30 pontos e 12 rebotes. Outro destaque, a pivô Kamilla Cardoso fez 15 pontos e apanhou 11 rebotes. O Brasil, no entanto, dependeu em excesso delas e da ala Emanuely Oliveira (14 pontos). O trio foi responsável por 85% dos pontos da equipe verde e amarela. A seleção tcheca, por sua vez, teve quatro atletas com ao menos 10 pontos e nove jogadoras diferentes anotando cestas – no time brasileiro, foram apenas seis.

Na estreia, o Brasil foi superado pela Bélgica por 99 a 70. A reabilitação veio em seguida, com a vitória por 94 a 79 sobre o Sudão do Sul. O último compromisso pelo Pré-Mundial será nesta terça-feira (17), às 8h30, contra as anfitriãs chinesas.

Campeãs em 1994, as brasileiras não disputam a Copa do Mundo desde 2014, na Turquia, quando ficaram na 11ª colocação. Mesmo ausente nas duas últimas edições, o Brasil é o quarto país com mais presenças no evento. São 16 participações, atrás somente de Austrália (17), Coreia do Sul e Estados Unidos (ambos 19).

 



EBC

Governo prioriza abastecimento e segurar preço do diesel, diz Alckmin


O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, neste sábado (14), que o governo federal prioriza, neste momento, garantir abastecimento e “segurar o preço” do diesel. Ele defendeu as ações anunciadas, nesta semana, de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e da criação de uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro. Ao todo, a expectativa é reduzir, ao todo, pelo menos R$ 0,64 por litro na bomba.

As medidas levam em conta que o Brasil importa 25% do diesel. Devido à guerra no Oriente Médio, houve aumento na cotação internacional do barril de petróleo, o que impacta os preços na bomba de combustíveis. 

O vice-presidente contextualizou que a alta do diesel pode encarecer alimentos e transportes, além de elevar a inflação. Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visitou concessionária da Scania em Santa Maria (DF) em função do andamento do programa Move Brasil (a política pública de estímulo à renovação da frota de caminhões).

Alckmin considerou a ação do governo federal como “inteligente” e criticou medida do governo de Jair Bolsonaro (em 2022), que limitou a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis e ainda vetou compensação aos Estados. 

“Os estados foram para a justiça porque perderam receita. Acabou tudo judicializado, virando aí um precatório gigantesco, afirmou.  O vice-presidente explicou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, é importador de diesel porque ainda não tem refino o suficiente para o mercado local.

Incentivo à indústria

Em relação ao programa Move Brasil, o vice-presidente defendeu a estratégia de impulsionamento da indústria com “depreciação acelerada” dos equipamentos.

“Lançamos o Move Brasil colocando R$ 10 bilhões, e saímos de juros de média de 23% para 13%. A resposta foi espetacular”, avaliou. Ele disse que, com dois meses do programa, já foram aplicados R$ 6,2 bilhões dos recursos previstos.

Ele acrescentou que o programa estimulou o caminhoneiro autônomo a comprar um veículo zero quilômetro ou semi-novo. O vice-presidente também defendeu a iniciativa de estimular a indústria do carro sustentável com a eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O carro sustentável é aquele que é fabricado no Brasil, flex, com 80% de reciclabilidade e que não pode emitir mais que 83 gramas por quilômetro rodado. Alckmin explica que essa medida vai ter impacto na poluição ambiental.

O vice-presidente alertou também que melhores equipamentos nas estradas tende a reduzir os acidentes. “Quando se tem tecnologia, é como uma vacina. Isso vai evitar acidentes e mortes”.

 



EBC

Bolsonaro tem piora da função renal e aumento de inflamação


O ex-presidente Jair Bolsonaro teve piora da função renal e aumento nos indicadores inflamatórios, informou neste sábado (14) o Hospital DF Star, em Brasília.

Segundo o último boletim médico, ele continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta.

O hospital informou que, apesar do agravamento dos rins, o ex-presidente está clinicamente estável e mantém o tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa. Bolsonaro também faz exercícios de fisioterapia respiratória e motora e recebe medidas de prevenção de trombose venosa.

Desde a manhã de sexta-feira (13), Bolsonaro está na UTI do DF Star, com broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Ele chegou à unidade hospitalar privada socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), após apresentar quadro de febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

Ele está detido na Papudinha (prédio no Complexo Penitenciário da Papuda), onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.

O boletim médico é assinada pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini; os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado; o coordenador da UTI Geral, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior; e pelo diretor-geral do hospital, Allisson B. Barcelos Borges.

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Decisão

Em decisão divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início da tarde de sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a presença da esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, no hospital, como acompanhante.

Moraes também autorizou os filhos Jair Renan, Flávio, Carlos, Laura, bem como a enteada, Letícia, a visitarem Jair Bolsonaro durante a internação.

O ministro ainda determinou que a vigilância do ex-presidente seja providenciada pelo Núcleo do Custódia do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Policiais deverão ficar de prontidão 24 horas, sendo dois na porta do quarto, além de equipes dentro e fora do hospital.

Moraes também proibiu a entrada de computadores, telefones celulares ou quaisquer dispositivos eletrônicos, salvo equipamentos médicos, na unidade onde Bolsonaro está internado.



EBC

Cinema brasileiro vive momento de prestígio internacional


Às vésperas de mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro volta aos holofotes internacionais. Depois da vitória histórica de Ainda Estou Aqui como melhor filme internacional na edição do ano passado, o país chega novamente à disputa com O Agente Secreto, indicado em quatro categorias.

Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, Ainda Estou Aqui ultrapassou 5,8 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, tornando-se um dos maiores públicos da história do cinema nacional.

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura, também alcançou grande repercussão nas salas de exibição e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil, consolidando-se entre os maiores sucessos nacionais recentes e impulsionando o debate sobre o espaço do cinema brasileiro no mercado.

O sucesso dos dois longas nas premiações e nas bilheterias cria a impressão de um momento de expansão do audiovisual brasileiro. No entanto, apesar dos bons resultados desses títulos, especialistas apontam que o desempenho do cinema brasileiro nas salas de exibição ainda revela um cenário desigual.

Fundo Setorial do Audiovisual

Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que o audiovisual brasileiro vive um momento de forte expansão na produção.

Em 2025, o setor registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos desembolsados, o maior volume da série histórica. O montante representa crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% na comparação com 2021.

Atualmente, 1.556 projetos audiovisuais estão em execução com apoio direto da agência, enquanto outros 3.697 encontram-se em fase de captação ou contratação de recursos.

O país também registrou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias em 2025, um novo recorde.

Grande parte desse impulso vem do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal mecanismo de financiamento do setor, responsável por apoiar filmes, séries, infraestrutura e formação profissional.

Apenas na modalidade de investimento direto, o fundo contratou R$ 564 milhões, em 2025.

O aumento do financiamento público contribuiu para ampliar a produção e gerar empregos, além de fortalecer a presença internacional do audiovisual brasileiro.

Público

Mesmo com o crescimento da produção, os números de público indicam que grande parte dos filmes nacionais ainda enfrenta dificuldades para chegar aos espectadores.

Segundo levantamento do portal especializado Filme B, o público total das produções brasileiras exibidas nos cinemas em 2025 foi de 11,9 milhões de espectadores. No entanto, quase metade desse número veio de filmes lançados no ano anterior.

Entre os 203 títulos brasileiros lançados em 2025, apenas sete concentraram 73% de todo o público registrado. Ao mesmo tempo, 111 filmes, mais da metade do total, não chegaram a mil espectadores nas salas de cinema.

A média de público por filme foi de apenas 719 espectadores. Para analistas do setor, o contraste evidencia um dos principais desafios da cadeia audiovisual brasileira: a distância entre produção e distribuição.

“Os recursos investidos na realização de filmes não são acompanhados por investimentos proporcionais na comercialização e lançamento dessas obras”, aponta o exibidor e consultor de mercado Rodrigo Saturnino Braga, em análise publicada no portal Filme B.

Segundo ele, políticas públicas de fomento precisam olhar para toda a cadeia produtiva do audiovisual – da produção à circulação nas salas e em outras plataformas.

Cota de tela

Uma das ferramentas utilizadas para ampliar o espaço do cinema nacional nas salas é a política de cota de tela, medida que integra a Lei 14.815/2024, que prorrogou a política até 2033.

Em dezembro de 2025, o governo federal regulamentou novas regras para 2026, determinando que todos os cinemas comerciais do país reservem um número mínimo de sessões ou dias de exibição para filmes brasileiros.

A exigência varia de acordo com o número de salas de cada complexo exibidor e também estabelece limites para que um único filme nacional não ocupe toda a cota, incentivando a diversidade de títulos em cartaz.

Para especialistas, o mecanismo busca equilibrar o mercado dominado por grandes lançamentos estrangeiros e garantir visibilidade à produção brasileira.

Mesmo com recordes de investimento e reconhecimento internacional crescente, o cinema brasileiro ainda enfrenta o desafio de ampliar seu público.

A cadeia do setor, que envolve criação, financiamento, produção, distribuição e exibição é complexa e depende de políticas integradas para garantir que os filmes cheguem efetivamente às telas e aos espectadores.

O próprio Kleber Mendonça Filho abordou esse tema em Retratos Fantasmas, documentário que realizou antes de O Agente Secreto.No filme, o diretor revisita a história das salas de cinema de rua no Recife e mostra como muitos desses espaços desapareceram nas últimas décadas.

Para Silvia Cruz, diretora da distribuidora Vitrine Filmes, responsável pelo lançamento de O Agente Secreto no Brasil, o sucesso do longa demonstra uma mudança na relação do público com a cultura.

“O momento mostra que a cultura deixou de ser algo periférico e passou a ser motivo de orgulho coletivo. O Agente Secreto representa um país que se vê reconhecido no mundo e que se mobiliza em torno de uma obra cultural.”

“Mais do que os números de bilheteria, houve uma mobilização espontânea. O público decidiu abraçar o filme e transformá-lo em parte da conversa cotidiana. Durante o Carnaval, por exemplo, milhares de pessoas se fantasiaram de Agente Secreto”, conta Silvia Cruz.

Para a diretora, o engajamento do público brasileiro também repercutiu internacionalmente.

“Cada vez que o Brasil era mencionado em prêmios ou publicações internacionais, havia uma onda de comentários e apoio nas redes. Esse comportamento coletivo chamou a atenção de parceiros e marcas, ampliando o alcance do filme.”

Ela destaca ainda que a reconstrução recente das políticas culturais foi fundamental para esse momento.

“Nos últimos anos o setor audiovisual passou por um período de enfraquecimento, mas o financiamento público voltou, o planejamento foi retomado e o sistema de produção foi reorganizado. O resultado foi o retorno consistente do cinema brasileiro aos principais festivais e premiações do mundo.”

Segundo Silvia Cruz, o movimento mostra que o audiovisual também tem impacto econômico: “O cinema movimenta a economia, gera empregos e reforça um senso de identidade nacional.”

“O Brasil começa a ser visto não apenas como o país do futebol, mas também como um país de cultura”, conclui. 

 



EBC